O Mundo de Sombras e Ratos Brasileira

Autor(a): E. H. Antunes


Volume 3 – Arco 14

Capítulos 169: Espelhados, Não Idênticos

Ren estava enfim lutando. 

Depois de tantas tentativas frustradas, tantas abordagens calculadas e estratégias improvisadas ao lado de Fox, agora restava apenas a luta pura, crua, instintiva.  

Ele havia tentado fazer tudo da maneira certa, coordenar ataques, dividir a atenção do inimigo, agir em dupla como guerreiros experientes.

Nada funcionara. 

Em apenas um movimento, uma única abertura explorada, Viktor o arremessara para longe como se Ren fosse uma folha seca levada por um vendaval. O impacto com o solo o fizera rolar várias vezes antes de parar. A queda mal-ajeitada o fez ouvir, sentir, o estalo grotesco de seu tornozelo quebrando. 

A dor latejou até sua espinha; não teve tempo para lamentar. Arrastou-se, levantou-se, mancou, apoiou seu peso de maneira irregular e forçou o próprio corpo a obedecer.  

Demorou muito mais do que o necessário para retornar ao campo de batalha, e esse atraso, por menor que fosse, o assombraria para sempre. Chegou apenas a tempo de ver Fox caindo de joelhos, com a vida escorrendo de seu corpo. 

E isso o destruiu. 

Ren era apenas um humano frágil, magro, desgastado, marcado por meses de violência e traumas. Seu corpo estava demolido, seus ossos mais frágeis do que deveriam ser, suas feridas antigas abrindo-se mais facilmente do que jamais admitiria. 

Se tivesse se cuidado melhor... 

Se tivesse descansado... 

Se tivesse parado de tentar se... 

Talvez fosse mais forte. Talvez tivesse chegado a tempo. Talvez pudesse ter evitado a morte de Kenshiro. Talvez pudesse ter evitado a queda de Fox. 

Agora, sua mente, mergulhada na culpa mais corrosiva, buscava desesperadamente um ponto para depositar todo aquele peso. Algo contra o qual descarregaria a dor, a raiva, a frustração acumulada. E esse algo era Viktor. 

Derrotá-lo, destruí-lo, parecia ser a única forma de aliviar, ainda que minimamente, as feridas abertas dentro de si.  

Alívio, não cura. 

Pois Ren sabia: nenhuma vitória preencheria o vazio deixado pelos que perdera. 

E então lutou. 

Lutou com ferocidade quase animal. 

Seus golpes eram velozes, brutais, carregados de uma urgência desesperada. Ele não queria, não podia, dar a Viktor tempo para ajustar postura, respirar, pensar. 

Forçava-o à defensiva com ataques imprevisíveis. Eram movimentos erráticos, ao mesmo tempo refinados pela dor; uma combinação perigosa e impossível de se imitar. E, surpreendentemente, conseguia acertá-lo. 

Um corte profundo abaixo do olho. A ponta da lâmina rasgando um pulmão. Dois, talvez três, dedos decepados, caindo no solo ensanguentado. 

Ferimentos pequenos e grandes, alguns superficiais, outros que seriam fatais para qualquer guerreiro comum. 

Viktor não era comum. 

Contra uma Sombra, aquilo era quase inútil. Era como atacar a água: ela cedia, se abria, e depois retornava à forma.  

Sabia que, para derrotá-lo, precisaria cortar-lhe a cabeça e perfurar-lhe o coração, antes que regenerassem. Antes que se curassem. Antes que a noite o engolisse novamente. 

Ren não conseguia chegar perto o bastante. 

A cada golpe que acertava, gastava energia. A cada ataque, se desgastava mais rápido do que Viktor se feria. 

Era como se estivesse apenas desperdiçando a própria vida. 

Mesmo assim, Viktor admirava. 

Havia algo nos movimentos de Ren que o fascinava. 

A ausência total de Essência. 

A capacidade de lutar apenas com o próprio corpo e mente. 

E, ainda assim, Ren se movia como se fosse feito de intuição pura, como se sua mente antecipasse o impossível.  

Seu estilo era impossível de prever. Impossível de ler. 

E havia o mistério maior: Ren sobrevivia a situações letais com uma naturalidade que não condizia com nada que a Sombra já havia visto. 

Desviava de golpes carregados de Essência sem enxergá-los. Escapava nos últimos instantes, sempre, de ataques que deveriam ter encerrado toda a sua história. 

Mesmo sangrando. 

Mesmo quebrado. 

Mesmo sozinho. 

Ren não parava. 

Chegou, enfim, à conclusão de que era inútil continuar tentando lê-lo. 

Ren se movia de forma errática demais, natural demais, como se cada músculo respondesse a uma lógica que não pertencia àquele mundo.  

Viktor, frustrado, decidiu abandonar qualquer tentativa de análise refinada e adotar uma abordagem instintiva, improvisada. Algo mais visceral, mais próximo de como lutava antes de tentar se tornar um guerreiro calculista. 

CLANG! 

Forçou Athena contra a espada de Ren. O impacto das lâminas reverberou como um trovão metálico, ecoando pelo campo destruído.  

Foi uma colisão que não se limitou ao som; a vibração percorreu as mãos de ambos, subiu pelos braços, quase atingiu o peito como um soco interno. 

Viktor tentou disputar um duelo de pura força. Sabia que, se prolongado, perderia inevitavelmente. Ren estava em um frenesi que desafiava até o cansaço humano. 

Uma batalha de força bruta ainda lhe daria algo de que precisava desesperadamente: uma pausa na constante desvantagem, uma fração de segundo para respirar fora da defensiva sufocante. 

E, mais uma vez, aproveitando o breve isolamento entre os dois, Viktor tentou puxar assunto. Ou melhor, reacender o que havia notado anteriormente. Um detalhe que não lhe saíra da mente. 

As lâminas mantinham a pressão uma contra a outra, rangendo em atrito.  

As duas espadas pareciam gêmeas. 

Mesmo peso. Mesmo som ao colidir. Mesma precisão no equilíbrio entre o fio e a densidade da lâmina. 

A única diferença perceptível estava na coloração. 

Athena, banhada em prata platinada, reluzia mesmo em meio ao caos, refletindo a luz do sol como se repelisse qualquer resquício de escuridão. Uma lâmina viva, vibrante, orgulhosa. 

A de Ren, por outro lado, era cinzenta e opaca. Sem brilho, sem arrogância, sem qualquer intenção de se exibir. Tinha, porém, uma densidade silenciosa; uma aura que parecia pesar no ar, como se guardasse algo adormecido, algo morto. Um tipo de silêncio que não deveria existir em uma arma tão semelhante a Athena. 

— Por que sua espada se parece tanto com a minha? — Viktor perguntou, incapaz de conter a inquietação. A voz carregava fascínio e incômodo. — Sei que meu pai queimou os projetos de Athena depois que fora forjada.  E, no entanto, aqui está você, com uma cópia exata. Qual é o nome dela? 

Ren não se conteve. Um sorriso torto, provocador, debochado, surgiu em seus lábios. Um sorriso que não tinha nada de amigável. 

— Consegue imaginar o motivo, “filho de Reiji Torison”? 

Foi como se uma adaga invisível fosse cravada diretamente no peito de Viktor. 

Uma veia saltou em sua têmpora. Não de raiva imediata, mas de tudo o que aquela frase reabria dentro dele. 

Anos. Décadas de dor, incertezas, revolta. Cada uma delas direcionada a Reiji Torison. 

O homem que, para Viktor, havia destruído sua vida antes mesmo que ela começasse. O homem que abandonara sua mãe, e o deixara crescer sem respostas. O homem que Viktor imaginou matar inúmeras vezes, acreditando que só assim apagaria a sensação de vazio constante. 

Então veio a verdade em suas últimas palavras, a confissão de Varelith, e tudo se embaralhou. 

Raiva virou luto. Ódio virou arrependimento. 

E dúvidas... tantas dúvidas... substituíram as certezas que sustentavam seu rancor. 

Viktor deixou de odiar Reiji. 

Começou a aceitá-lo. Começou, contra sua vontade, a vê-lo como alguém a ser respeitado. Como alguém que talvez pudesse ter sido uma figura forte, um exemplo, se o destino não tivesse rasgado suas vidas. 

Dirigiu-se ao túmulo do pai que mal conheceu e, com as próprias mãos, desenterrou Athena, seu legado, sua herança, a única ponte concreta que o ligava a Reiji Torison. 

Desde então, lutava com a sensação constante de que ele estava ali, ao seu lado, guiando seus movimentos, corrigindo seus erros, compartilhando seu caminho. 

E agora, naquele presente distorcido, Ren zombava dele. Zombava de seu passado. Zombava da redenção que Viktor mal começara a construir dentro de si. 

A frustração acumulada explodiu. 

Toda a dor. Toda a confusão.  Toda a sensação de desamparo. 

Viktor decidiu, sem hesitar, descarregar tudo no homem diante dele. 

Toda a sua amargura. Toda a sua raiva reprimida. Toda a sua história. 

E, naquele instante, o duelo deixou de ser apenas uma luta. Tornou-se um acerto de contas. 

— Seu maldito! — rugiu Viktor, a voz carregada de ódio, frustração e um desespero que ele não tinha mais forças para esconder. Com os músculos tensionados ao limite, começou a vencer o duelo de forças, empurrando Ren para trás centímetro por centímetro. — Eu vou matar você! 

Ren, porém, não parecia se incomodar com o recuo. 

Seus pés arrastavam a poeira do chão, sua postura não cedia. Era como se o corpo estivesse sendo empurrado. Sua determinação permanecia fixa, inabalável. Em vez de tentar sobrepor a força de Viktor ou recuar estrategicamente, ele tomou uma decisão direta, brutal e inesperada: avançou a cabeça para frente e desferiu uma cabeçada certeira contra o nariz da Sombra. 

O estalo surdo ecoou. 

Viktor sentiu o mundo girar por um segundo. 

A tontura abriu uma brecha. 

Ren avançou sem hesitar, a lâmina erguida, mirando o pescoço. 

Era uma execução limpa, precisa. A frieza com que se movia deixava claro que não havia espaço para piedade. 

Viktor, ainda atordoado, tentou desviar o melhor que pôde, e o preço por aquele meio segundo de atraso foi alto; a lâmina cortou seu queixo, rasgou a boca e abriu a bochecha em um único movimento contínuo, deixando um rastro de sangue quente escorrendo em filetes. 

Ren não perdeu o embalo. 

Girou o punho, reposicionou os pés no solo debilitado e, rápido como um disparo, tentou perfurar o coração da Sombra. 

Athena ergueu-se no caminho, fina como uma folha metálica, resistente como o último bastião de um guerreiro. 

O choque direto fez os dedos de Ren vibrar dolorosamente, uma dormência imediata percorrendo suas mãos. Ele não soltou a espada. Não podia. Não importava a dor, o cansaço, a ardência nos ossos, naquele momento de combate, qualquer hesitação seria fatal. 

Como Ren não utilizava Essência, fogo mágico ou técnicas similares, todos os ferimentos que conseguia infligir desapareciam quase tão rápido quanto eram feitos. 

Viktor regenerava-se diante dele como uma maldição viva. Carne costurando-se, ossos se alinhando, sangue sendo absorvido como se o corpo o reclamasse de volta. 

A única exceção havia sido a tontura da cabeçada. Um golpe puramente físico. Um impacto sem Essência.  Isso havia surtido efeito. 

Agora, com Viktor completamente curado e com sua lucidez restaurada, era a vez dele contra-atacar. 

E o fez com tudo. 

O desejo, quase carnal, de matar Ren o consumiu. 

Sua fúria guiava seus braços, e os golpes que executava eram rápidos, deformados pelo brutalismo, sem qualquer preocupação com elegância ou técnica. 

Estava devolvendo cada um dos ferimentos que Ren lhe causara, golpe por golpe, como se estivesse reescrevendo a batalha à força. 

Cada ataque que Ren não evitasse significaria morte certa. 

E Ren evitava. 

De um jeito impossível. De um jeito que não fazia sentido. 

Ren se mostrava um espadachim ainda mais habilidoso na defensiva do que Viktor esperava ser capaz de enfrentar. 

Cada esquiva era tomada no último instante, como se os reflexos dele fossem moldados por um instinto sobrenatural. Cada aparo parecia calculado no tempo exato para desviar a lâmina apenas o suficiente. Cada movimento era uma dança entre precisão, desespero e uma espécie de intuição que ninguém, muito menos Viktor, conseguia compreender. 

Aquilo só alimentou ainda mais a raiva de Viktor. 

Ele intensificou os ataques. 

Ampliou sequências, variou ritmos, aplicou golpes que qualquer outro oponente jamais teria visto chegar, mas Ren, mesmo cambaleando, mesmo sangrando, mesmo respirando de forma irregular, continuava defendendo-se. 

Então… 

— Aaagghhh!!! 

Em sua fúria crescente, Viktor cometeu um erro. 

Calculou mal o movimento de Athena, mirando o braço de Ren quando seu objetivo real era o pescoço. 

Entretanto, o golpe acertou. 

Um rasgo fundo abriu o antebraço de Ren. 

No mesmo instante, uma linha de pensamento impulsiva, quase boba, cruzou a mente de Viktor. Uma ideia tão simples, tão óbvia, que quase o fez rir no meio do combate. 

Ele testou. 

Um golpe. 

— Aagh! 

Outro. 

— Igh! 

Mais um. 

— Aah...

Então que Viktor percebeu. 

“É isso!” 

Seus olhos brilharam como se uma revelação divina tivesse descido sobre si. 

“Ren é capaz de escapar de ataques letais, mas não de todos os demais!” 

Era um padrão. Um limite. Uma fraqueza. 

Finalmente, depois de tanto tentar decifrá-lo, Viktor encontrara algo. Encontrara um jeito de machucar Ren. De verdade. 

E não apenas machucar. Se divertir com isso. 

O sorriso de Viktor se abriu, selvagem, quase entorpecido pelo prazer do entendimento.  

Novamente, ergueu Athena, dessa vez, seus golpes não buscavam finalizar Ren. Não buscavam matar.  Buscavam fatiar. Golpe após golpe. Rasgá-lo até onde fosse possível. Testar cada limite, explorar cada brecha, sentir cada reação. 

E assim começou. 

O massacre metódico. O desespero crescente. A dança sangrenta entre dois guerreiros que já haviam ultrapassado todas as linhas da sanidade. 

***

Enquanto isso, ainda abandonado no chão, com o corpo largado e a alma lutando para permanecer dentro dele, Fox continuava encarando o céu. 

Não havia mais batalhas ao redor de sua visão. Não havia o som metálico das espadas, o rugido da Essência, nem o caos da guerra.  

Havia apenas o Sol. 

O grande Sol, imóvel, colossal, dourado, tão distante e tão próximo, parecia fitá-lo de volta. Como se ambos, Herói e Astro, partilhassem um momento silencioso antes do fim. 

E foi ali, banhado pela luz que sempre representara sua força, que sua vida começou a desfilar diante de seus olhos. 

As primeiras imagens que surgiram foram as de sua vila. A poeira leve das estradas, o cheiro de madeira cortada, as risadas das crianças, o vento que soprava entre as casas simples… 

E então, a lembrança escureceu, a invasão dos Renascidos. O sangue, os gritos, o medo. Fox quase podia sentir o calor das chamas se aproximando, o peso da impotência esmagando seu peito jovem. 

Sua mãe apareceu entre os fragmentos. Tão amorosa, tão paciente, tão linda. Aquela que, mesmo nos dias mais difíceis, conseguia sorrir para ele como se o mundo inteiro coubesse em seus braços. 

Ele teve que agradecer a Wolf, seu irmão, por tê-lo impedido de vê-la sendo morta. 

Wolf o preservara daquela última imagem, poupando-lhe um trauma que talvez o tivesse destruído por dentro antes mesmo da vida adulta chegar. 

Foi então que a dor real se misturou à lembrança. 

Quando Fox pensou em Wolf, algo o atingiu como uma lâmina invisível. 

Ele não conseguia mais ver o rosto do irmão. 

“Éramos parecidos?”, pensou, angustiado. “Ou você puxou o papai? Eu... eu também não consigo lembrar dele. O que está acontecendo comigo...?” 

Seu coração apertou. 

“Queria te ver adulto, Wolf. Queria que você pudesse ver tudo aquilo que eu conquistei... Tudo o que eu lutei para preservar... Tudo o que eu tentei fazer certo.” 

A lembrança seguinte veio como uma sombra fria: a floresta. Seu inferno pessoal. O palco dos pesadelos que o acompanharam por tantos anos. Ele revivia o momento em que vira o urso devorando e deixando pilhas de ossos ao longo do caminho. O cheiro da carne putrefata parecia voltar ao seu nariz, e sua respiração vacilou.  

Ali, naquele instante, ele jurara que seu fim jamais seria daquele jeito. Jamais seria reduzido a restos.Queria ser lembrado. Queria ao menos um funeral digno, uma despedida verdadeira. 

E então... Reiji Torison. Seu mestre. 

Distante, inconveniente, rabugento e, ainda assim, paternal. Uma figura dura que raramente demonstrava afeto, mas que, no fundo, carregava por Fox um orgulho silencioso. 

Lembrar-se dele era como sentir novamente o peso das lições, os treinos exaustivos, a sensação de nunca ser o suficiente, e, ao mesmo tempo, ser empurrado para frente. 

Fox perguntava-se, naquele momento de quase-morte, se havia sido um bom aluno. Se havia honrado seus ensinamentos. Se Reiji estaria orgulhoso. 

E então vieram as memórias mais importantes. As mais luminosas. Os sorrisos. 

Milhares de rostos passaram por sua mente: crianças que salvara, idosos que ajudara, famílias inteiras que viram esperança renascer por sua causa. 

Ele lembrava-se de todos. 

Mesmo daqueles que já haviam envelhecido e partido. Mesmo das crianças que cresceram e seguiram suas próprias vidas. 

Cada olhar, cada “obrigado”, cada mão que apertara a sua. 

Talvez tenha lutado o suficiente. 

Talvez... tenha sido o bastante... 

Nenhuma voz no mundo poderia questionar sua utilidade, suas vitórias, suas conquistas. 

Ele fizera o bem. Tanto quanto conseguira, tanto quanto o tempo permitira. 

Mesmo que seu papel não houvesse sido tão grandioso quanto as Crônicas e o Destino um dia previram, ele havia mudado vidas. 

E isso bastava. 

Ou, bastaria. 

Talvez... 

— Ainda... não! 

A frase surgiu rouca, fraca, escapando por entre lábios tremidos. 

Ainda assim, firme. 

Ele sabia que Erina não apareceria para salvá-lo. Sabia que sua Essência estava destruída. Sabia que seu coração estava perfurado. Sabia que seu corpo estava morrendo, célula por célula. 

Estava condenado. 

Porém, não iria aceitar esse fim. 

Se havia uma última fagulha de vida, ele a usaria para lutar. 

Mesmo que o matasse. 

Mesmo que sua alma pagasse o preço. 

Se pudesse levar Viktor com ele, se pudesse honrar Fox, Wolf, Reiji e todos os sorrisos que carregava, seria o suficiente. 

Recordou de Ajax. Dos ensinamentos dos Cavaleiros de Camelot. 

Uma técnica proibida. Uma técnica suicida. 

Uma técnica que poderia, por instantes, permitir-lhe ultrapassar seus próprios limites. 

Respirou fundo, o máximo que pôde, uma última respiração inteira. 

Sentiu o ar entrar em seus pulmões como se engolisse fogo. 

Seu peito ardia. Seus olhos tremiam. Sua consciência vacilava. 

Com o último fôlego, preparou o último suspiro. 

E recitou: 

“Sob a proteção do Sol que me guia, 
Deixo para trás toda dúvida sombria. 
Ainda que apenas seu brilho eu reflita, 
Como a Lua na noite, minha força habita. 
E para cada Rato ou Sombra a me desafiar, 
...” 

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