Volume 3 – Arco 14
Capítulo 170: Espadachim Sombrio
Em poucos minutos de embate, Ren já estava transformado em um mosaico de cortes, hematomas e sangue seco que escorria como tinta escura por cada curva de seu corpo.
Seus ferimentos eram tantos e tão profundos que se tornava um mistério, quase um milagre cruel, o fato de ainda conseguir permanecer em pé. Cada respiração parecia um golpe; cada movimento, um castigo.
E, ainda assim, ele permaneceu ali. Firme, vacilante, de pé.
Seus braços, tinham finalmente chegado ao limite. Já não respondiam a seus comandos. Tremiam com tanta intensidade que a própria espada, antes tão sólida em suas mãos, agora pesava mais do que um fardo divino.
A lâmina desceu, escapando de seus dedos, como se tivesse desistido dele antes que ele próprio o fizesse.
O clangor metálico contra o chão ecoou como uma sentença.
Ren, por sua vez, aceitou a verdade.
Não havia mais o que fazer.
Seus joelhos cederam logo em seguida, também deixaram de obedecer. Seu corpo caiu pesadamente, e o impacto soltou um gemido rouco de dor que ele nem percebeu ter emitido.
Ali, de joelhos e depois totalmente no chão, encarou Viktor com a resignação amarga de quem aceita seu destino.
Esperava sentir uma lâmina atravessá-lo. Esperava que a sombra o reduzisse ao silêncio que tanto almejava.
Viktor não se moveu.
Ele apenas observou, imóvel, atento, quase inquisitivo.
— O que está esperando? — perguntou Ren, arrancando as palavras com esforço, como se cada sílaba fosse uma pedra pesada subindo por sua garganta.
— Eu quero a minha resposta — respondeu Viktor, controlando a raiva que ainda queimava sob sua pele. — Qual o nome da sua espada?
Ren não disse nada.
Sua respiração era um animal selvagem preso em seu peito, arfando, falhando, lutando contra si mesma. Sua boca abriu-se uma ou duas vezes. Nenhum som conseguiu se formar.
Era evidente: falar também doía.
Viktor aproximou-se com passos lentos, medidos, quase gentis. Sem misericórdia. Era cautela. Observação. Um caçador analisando o estado final de sua presa.
Ele abaixou o olhar para as mãos de Ren: palmas abertas, dedos rígidos, a pele manchada de sujeira e sangue. Mãos que já haviam empunhado a espada com firmeza, agora jaziam inúteis ao lado da arma caída.
Ren não parecia ter forças sequer para fechar os dedos, quanto mais para lutar.
A sombra então abaixou-se bem diante dele, flexionando os joelhos até que seus olhos ficassem na mesma altura que os do espadachim derrotado.
Ele estudou Ren com uma calma assustadora.
A expressão dele era indecifrável, fragmentada, tortuosa. Um reflexo perfeito de seu próprio estilo de luto: estranho, desorganizado, incoerente. Como se Ren fosse um erro no tabuleiro, uma peça colocada onde não pertencia.
— Por que você está aqui? — perguntou Viktor, a voz baixa, afiando cada palavra. — Você não estava em Shenxi. Fox e os dois magos apareceram em seguida, mas você também não estava em Cenara. Apareceu por último.
Ren continuou em silêncio. Seus olhos permaneciam baixos, fixos apenas no chão manchado de sangue, enquanto tentava controlar o simples ato de respirar.
— Você... era para ser... uma arma secreta? — Viktor continuou, inclinando a cabeça como quem inspeciona algo que não faz sentido. — Um último recurso? Alguém que Kenshiro e Erina quiseram proteger acima de tudo, até deles mesmos?
Hesitou, então acrescentou com desprezo calculado:
— Ou será que você só foi insistente? Irritante? Um incômodo, chato, persistente o suficiente para convencê-los a te trazer junto, de última hora?
A respiração de Ren. antes desordenada, trêmula, começou a se estabilizar. Não porque os insultos não o afetassem.Porque ele estava se agarrando à própria respiração como um náufrago.
— E mesmo assim, aqui está você — Viktor prosseguiu, os olhos percorrendo cada detalhe do corpo ferido. — Carregando uma espada que mal parece entender seu significado. E mesmo que entenda... parece não a honrar.
Foi então que Ren finalmente ergueu o olhar.
Havia dor ali. Havia exaustão. Havia derrota. Também havia algo mais, algo que Viktor não estava esperando.
A sombra estudou-o por mais alguns segundos, como se buscasse uma resposta que ele mesmo não sabia qual era. Ren estava fraco demais para lutar. Fraco demais para se defender. Fraco demais até para fugir.
— Por acaso você está com medo? — perguntou Viktor por fim. — Por que não responde?
— Eu... só... estava... — murmurou Ren, cada sílaba arranhando sua garganta.
Então, após um longo e quase interminável suspiro, arrancado do fundo de seus pulmões feridos:
— ...recuperando o fôlego.
A declaração, simples e ainda assim carregada de desafio, pairou entre os dois como uma faísca teimosa.
Os olhos de Ren continuavam fixos no rosto de Viktor com uma determinação quase desumana. Uma chama intensa, firme, indobrável. Seu corpo permanecia imóvel como uma estátua prestes a ruir. Os músculos não respondiam, os nervos falhavam, e mesmo assim sua alma parecia erguer-se acima de toda a dor.
Viktor constatou aquilo em silêncio.
“Seu espírito parece incansável”, pensou, observando de perto o espadachim que insistia em resistir. “Mas seu corpo já está quebrado. Morto.”
Ele avançou um pouco mais, lentamente, como quem se aproxima de um animal ferido, ainda perigoso.
— Sua. Espada — disse Viktor, deixando cada palavra cair pesada como um martelo. Inclinou-se um pouco mais, a sombra de seu rosto quase tocando o de Ren. — Qual. O. Nome?
Ren fechou os olhos. Inspirou fundo. O ar parecia cortante, rascante, como se estivesse respirando cacos de vidro.
— Seu nome... — conseguiu articular.
Outro fôlego profundo, o terceiro, talvez seu corpo não permitiria o próximo.
— Seu nome é...
Mais um respiro, desesperado, doloroso, final.
— Seu nome é Minerva.
E, com isso, Ren encarou Viktor.
A fúria que ele vinha represando transbordou, vibrante, pulsante, quase visível, embora nenhuma aura de Essência, nenhuma energia mágica se manifestasse ao seu redor. Era pura emoção crua, ardente, violenta.
E ainda assim...
— YAAARGH!!!
FWOOSH!
Num único gesto explosivo, Ren ergueu sua espada para cima com uma velocidade tão súbita e precisa que parecia impossível para alguém tão ferido.
A lâmina cortou o ar, subindo como um raio prateado, buscando a cabeça da Sombra agora que Viktor estava tão perigosamente próximo.
O golpe teria sido fatal. Teria sido perfeito. Teria sido o início do fim daquele confronto.
Viktor apenas inclinou levemente a cabeça para trás. Um movimento pequeno, econômico, elegante.
E então sorriu.
Um sorriso vitorioso, debochado. O sorriso de quem acredita ter vencido completamente.
Ren permaneceu ali, com o olhar duro, inquebrável, encarando-o com a mesma decisão de antes, como se ainda pudesse lutar, como se ainda estivesse inteiro.
Agora que Viktor sabia o nome da espada, Minerva, não tinha mais razões para mantê-lo vivo. Não havia mais segredos. Não havia mais utilidade. Não havia mais propósito para prolongar aquilo.
Viktor preparou-se para finalizar o garoto.
Algo inesperado, quase absurdo, interrompeu sua execução.
Ele não conseguiu se mover para a frente. Não conseguiu sustentar o próprio peso.
Seus pés perderam o equilíbrio. Seus joelhos tremularam. Seu corpo inclinado para trás tombou como uma marionete com os fios cortados.
E ele caiu.
Caiu sem controle, sem compreensão.
Bateu no chão com força, sentindo a rigidez fria do solo subir por suas costas.
Confuso, Viktor piscou uma, duas, três vezes.
O mundo parecia vacilar.
Dentro de sua mente, o tempo diminuiu até quase parar.
“Mas eu desviei! Minha cabeça ainda está no lugar. Eu fui rápido demais? Perdi o equilíbrio? Não... Não, isso não faz sentido. Deve ter acontecido algo que eu não vi...”
Viktor revisitou mentalmente cada instante daquele movimento. Voltou o olhar para Ren, para sua espada, para o chão. Não havia nada de evidente. Nada que explicasse a queda.
Ao menos, nada ao alcance de seus olhos.
Concentrado, acionou todos os sentidos. Audição, tato, paladar, percepção mágica, percepção espiritual, tudo ao mesmo tempo. Procurou padrões. Procurou anomalias. Procurou qualquer pista invisível.
Pensou em várias possibilidades em sequência frenética:
Envenenamento? Sobrecarga de Essência? Exaustão física? Alguma magia oculta? Possessão? Ataque mental? Ferimentos pré-existentes?
“Ferimentos?”
Algo finalmente chamou sua atenção.
Um incômodo sutil em suas pernas. Quase inexistente. Quase imperceptível. Um ardor fraco, um toque de vento denunciando algo que sua mente não havia registrado antes.
Então percebeu.
Suas pernas, seus joelhos, haviam sido cortados.
Cortes precisos demais. Delicados demais. Cirúrgicos.
Tão meticulosamente localizados que não causaram dor imediata, apenas desligaram momentaneamente o controle dos músculos do joelho para baixo.
Um golpe perfeito. Tão perfeito que somente o vento colaborou para revelá-lo, ao assoprar a pequena ferida.
E embora Viktor pudesse se curar, o que fez imediatamente, regenerando os tecidos partidos, já era tarde demais.
Ren havia conseguido o que queria.
Ele fizera a Sombra cair.
Agora Ren estava de pé.
Não era possível compreender como seu corpo, que segundos antes mal se sustentava de joelhos, agora se erguia como se fosse feito de puro ferro. Ele segurava Minerva com ambas as mãos, firme como uma estaca divina, a lâmina inclinada para baixo, a ponta exatamente alinhada com o centro do peito de Viktor.
A Sombra arregalou os olhos ao perceber a posição.
Não houve tempo para insultos, ainda que eles fervessem dentro dele.
“Seu desgraçado! Você é mesmo um exemplar da humanidade: maldito, covarde, enganador, fraco e desonroso! Não consigo acreditar que se permitiu ser atingido tantas vezes, só para criar essa oportunidade maldita!”
Dentro da mente de Viktor, o tempo quase parou.
Apenas quase.
Minerva continuava a descer.
“Diferente de Fox, você nunca teve real chance de me matar”, pensou Viktor, desesperado e enfurecido ao mesmo tempo. “Mesmo quando seu corpo estava inteiro, nem assim você chegava perto. E agora... agora, tão machucado, tão quebrado... por que você insiste? Por que ainda quer continuar? Você realmente acha que tem alguma chance...”
Os olhos de Ren brilharam; um negro intenso e opressivo, pesado demais para ser apenas luz.
E, junto deles, uma aura sombria explodiu ao redor de seu corpo, densa como uma sombra viva, voraz como um abismo que acabara de se abrir.
Sua Essência despertada. Pela primeira vez em sua vida.
Foi como ver alguém morrer e renascer no mesmo instante.
Seus ferimentos, do menor ao mais grotesco, cicatrizaram em uma onda instantânea, como se o próprio ar ao redor obedecesse àquela nova manifestação. Pele, músculos, ossos, tudo se fechou, se recompôs, se solidificou, como se nunca tivesse sido tocado.
A espada que o sustentava, Minerva, respondeu ao chamado, brilhando na mesma coloração escura.
— ...de me matar?!
Viktor entrou em pânico.
Largou Athena sem hesitar, um ato que jamais teria cometido em circunstâncias normais, e ergueu as mãos para tentar parar o golpe com a própria carne, o próprio osso, o próprio desespero.
O impacto foi brutal.
Minerva penetrou o peito da Sombra como uma lança divina, perfurando músculos, quebrando costelas, rompendo fibras que tentavam se regenerar antes mesmo de serem destruídas.
Ainda faltava alguns centímetros para atingir o coração.
Viktor segurava a lâmina com a mão desnuda, seus dedos afundando na lateral fria do metal, tentando frear o avanço. Seu sangue escorria em filetes grossos, deslizando pela espada e se misturando ao sangue quente que jorrava de seu próprio peito.
— Aaaaggghhhh!!!
— Aaaaggghhhh!!!
Ambos gritaram ao mesmo tempo, suas vozes se fundindo em um som que era raiva, dor, esforço e sobrevivência.
E, mais uma vez, encontravam-se em uma disputa de forças.
Esta não era justa. Não era equilibrada. Não era simétrica.
Ren já havia vencido metade do caminho. A lâmina estava pela metade de seu trajeto mortal. E ele, agora envolto em uma aura dourada impossível de ignorar, estava por cima, pressionando, empurrando, forçando.
Cada músculo de seu corpo vibrava, cada veia pulsava com uma força que não parecia humana. Ele estava usando tudo, absolutamente tudo, que possuía.
Viktor sentia Minerva afundar lentamente em seu peito.
Era uma sensação agonizante, ardente, como se o metal estivesse empurrando um veneno coagulante através de sua carne.
Ele segurava a lâmina com apenas uma mão; cada centímetro adicional era como ter o próprio coração puxado para fora do corpo.
Sua outra mão se movia de maneira desesperada e patética, tateando o chão em busca do cabo de Athena. Um gesto instintivo, irracional pela urgência e esperança impossível. Se conseguisse alcançá-la, talvez conseguisse inverter aquela situação infernal.
Ren, com todo o corpo vibrando, rangia os dentes.
“Vamos, vamos!”, dizia a si mesmo, pressionando com toda força que seus músculos machucados conseguiam reunir. “Eu vou vencer você! Eu tenho que vencer você!”
O rosto de Kenshiro surgiu em sua mente num lampejo, justamente o instante em que ele havia morrido. Aquela lembrança, que antes o sufocava, agora reacendeu uma chama.
Vieram então as palavras de Fox, cheias de convicção, sobre Erina ser capaz de trazê-lo de volta. Aquilo parecia impossível, improvável, até ingênuo. Se Fox acreditava, então Ren também acreditaria.
Todos estavam lutando com tudo que tinham. Cada um carregava nas costas o peso do destino de seu próprio mundo. E se apenas um deles caísse, se apenas uma luta fosse perdida, nada mais adiantaria.
— Nós vamos vencer vocês, Sombras! — gritou Ren, a voz rasgando sua garganta.
Ele colocou ainda mais peso sobre a espada, fazendo Minerva afundar mais alguns dolorosos milímetros dentro da carne de Viktor.
A Sombra lutava desesperadamente.
Seus dedos se arrastavam pelo chão, rasgando pedras, quebrando-as na tentativa de alcançar Athena. Viktor podia regenerar qualquer coisa, mesmo seu coração. Porém, era o que mais levava tempo para regenerar. Sua principal fonte de poder, sua Essência.
E sem o coração, bastava remover sua cabeça para que sua morte fosse definitiva. Sem volta. Sem regeneração.
Foi então que aconteceu.
STHNK!
O som da lâmina atravessando o músculo final.
O coração foi perfurado.
— AAAAAGGGGHHHH!!!
O berro de Viktor ecoou como um trovão, distorcido pela dor, pela raiva e pelo medo puro.
Quase ao mesmo tempo, a mão desesperada da Sombra finalmente encontrou o cabo de Athena. E no exato instante em que seus dedos se fecharam ao redor da espada, uma explosão de vento ocorreu.
FWOOSH!!!
Viktor a ergueu com velocidade explosiva, mirando o pescoço de Ren com tanta força que o vento se condensou ao redor da lâmina, formando uma espécie de segunda espada, transparente e letal.
Ren mal teve tempo de reagir.
Inclinou a cabeça para trás no último momento possível, sentindo a lâmina, ou o vento da lâmina, arrancar alguns fios de seus cabelos. A velocidade era absurda. A força era monstruosa.
Ainda assim, Ren sorriu por dentro.
“Finalmente… agora só falta a cabeça!”
Viktor não pretendia dar tempo. Nem um segundo. Nem uma respiração.
A Sombra se levantou de um salto, mesmo com o coração recém-perfurado. Sua regeneração já começava a fechar a ferida, e a aura estrelada ao seu redor pulsava como um céu noturno em fúria.
Ele se posicionou com Athena à frente do corpo, a postura agressiva, o olhar tomado por uma escuridão profunda. Era como encarar a noite viva.
Ren ergueu Minerva e assumiu sua posição.
Ele sabia: se não encerrasse aquela luta agora, naquele exato momento, não haveria uma segunda chance. Viktor o mataria. Rapidamente. Brutalmente.
— MOOOORRAAAA, SEU DESGRAÇADO!!! — Urrou Viktor, quase espumando de raiva.
E avançou.
Seus ataques eram direcionados exclusivamente aos pontos vitais: pescoço, coração, têmporas, clavículas, sempre precisos, sempre brutais. Não havia mais provocação, não havia mais estratégia. Era assassinato puro.
A aura da Sombra, normalmente elegante como um céu noturno, agora parecia distorcida. Trêmula. Cada estrela, cada ponto de luz dourada em sua Essência, parecia explodir, implodir e nascer novamente em frações de segundo. Era como se todo o cosmos atrás dele estivesse convulsionando.
E Ren sentiu aquilo.
Sentiu o peso.
Sentiu o ódio.
Sentiu a intenção assassina que emanava daquele ser.
E mesmo assim, não recuou.
Minerva brilhou. Seus olhos dourados queimavam. Seu corpo ferido se movia por instinto. Cada batimento cardíaco parecia explodir em seus ouvidos.
Ele iria lutar.
Ele iria resistir.
Ele iria matar Viktor, ou morrer tentando.
Apesar de aqueles ataques manterem Ren em movimento, impedindo-o de ser simplesmente esmagado, ele já não conseguia enxergar nenhuma abertura real. Viktor o pressionava como uma maré negra, sempre crescente, sempre mais rápida. E, enquanto recuava, Ren sentia o tempo conspirar contra ele, o coração destruído da Sombra pulsando, rastejando para regenerar-se de volta.
“Droga! Ele está ficando ainda mais rápido.”
Cada passo era um tropeço entre a vida e o fim. Ainda assim, Ren forçou uma investida; achou, por um instante, uma rota enfim favorável.
Quando se moveu...
Minerva foi varrida para o lado, arrancada de sua trajetória como se fosse uma folha presa a uma tempestade. Uma das mãos de Ren girou involuntariamente, seu corpo foi arrastado junto com a lâmina.
E Viktor não parou.
Agora, sem qualquer obstáculo, ele avançava para matar.
Nem Ren, nem seu corpo, poderiam reagir a tempo.
A lâmina de Athena desceu como a sentença final.
Ele viu o golpe se aproximando do seu peito, do seu coração, e compreendeu, com assustadora lucidez, que morreria ali. Não fechou os olhos. Não ousou enfrentar a escuridão. Apenas fixou seu olhar no de Viktor, aceitando que aquele seria seu carrasco... e seu descanso desejado.
CLANG!
“O quê?!” — Ecoou em uníssono na mente dos dois.
A espada de Viktor havia sido bloqueada.
Não por Minerva.
Não por Ren.
Por uma katana dourada. Reluzente como um fragmento de sol surgido em meio à noite.
Antes que Viktor pudesse sequer olhar seu portador, a lâmina dourada traçou um arco brilhante. Um corte limpo, profundo, que abriu seu peito e o lançou para trás, como se a noite tivesse sido separada por um relâmpago.
Ren, ofegante, ergueu os olhos.
A figura diante dele era desconhecida, mas a voz...
— ...Com o poder da minha Essência, os farei lamentar!
Ren congelou.
O dourado daquela aura queimava o ar, ondulava o chão, como se a própria realidade estivesse respirando junto a ela.
— Fox?
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