Volume 3 – Arco 14
Capítulo 162: Trajetória V
O tempo se passou, lento como um rio pesado após a chuva, e Fox ainda se via preso ao mesmo pensamento recorrente: o Imperador estava morto.
Aquilo ecoava nele de forma quase absurda.
Mesmo tendo ouvido a informação diretamente dos Cavaleiros de Camelot, homens e mulheres lendários, que carregavam antes dele o título de Heróis do Povo, ainda assim havia uma parte sua que resistia à ideia. Não por duvidar deles, pois sabia que os Cavaleiros não ousariam mentir sobre algo tão crucial, mas porque a própria noção contrariava tudo o que Fox acreditara durante toda a sua vida.
E, porém, a contradição trouxe consigo um estranho alívio.
Com esse novo entendimento, certas peças, que antes pareciam desconexas, começaram a se encaixar. Cenas antigas, memórias que ele tentara ignorar, retornaram com nova luz.
Sempre batalhou pelos ideais do Império.
Pela justiça que lhe prometeram. Pela ordem que diziam proteger. Pelos valores que o Imperador, ou o que ele representava, carregava como estandarte. No entanto, todas as missões que vivera, todos os vilarejos que visitara, todas as cadeias de comando pelas quais passara estavam impregnados de corrupção, de privilégios obscuros, de injustiças mascaradas.
Havia mentiras tão antigas que já se confundiam com tradição. E entre os próprios heróis imperiais, Fox presenciara ganância, desdém pela população e uma arrogância que o deixava envergonhado de vestir o mesmo brasão.
Agora ele entendia.
Ou acreditava que entendia.
O Imperador, ou o homem que fora um dia, talvez não tivesse sido tão culpado quanto o monstro político que acabou gerando. Um sistema que seguira respirando e se alimentando mesmo após a morte do seu criador.
Algo que cresceu além do controle.
Algo que ninguém mais parecia capaz de domar.
Essa compreensão, embora amarga, não trouxe revolta... trouxe paz.
Paz por saber que a figura que um dia idolatrara talvez não fosse o tirano que imaginara.
Paz por saber que o problema era maior, mais profundo, mais antigo do que qualquer homem vivo.
Os dias que Fox passou entre os Cavaleiros foram diferentes de tudo que experimentara nas últimas semanas.
Houve treinamentos intensos, duelos, exercícios, testes mentais e físicos, e momentos de mesa farta, histórias exageradas compartilhadas ao redor de uma fogueira, canções desafinadas e risadas desencontradas.
Algo que sempre existira no grupo de Erina e Kenshiro, porém, com a chegada dele, havia se perdido pouco a pouco, quase sem que percebesse.
Agora, vendo os Cavaleiros interagirem com o grupo, viu risos sinceros surgirem novamente.
E principalmente, viu a moral de todos se reerguer. Mesmo com o mundo ao redor desmoronando. Mesmo com tantas incertezas à espreita.
Fox observou tudo aquilo em silêncio.
E sem querer, sem intenção, sentiu uma pontada profunda no peito.
“Talvez… eles estejam melhores sem mim.”
O pensamento veio suavemente, natural. Como se já estivesse ali há muito tempo, apenas esperando uma brecha para emergir.
Não havia amargura nele. Apenas constatação. E um certo medo de finalmente admitir o que começava a parecer óbvio.
***
Quando chegou o momento de se encontrarem com Ren, o primo de Kenshiro, Fox já estava atento.
O Farol do Saber era imponente demais para não causar estranhamento; uma estrutura solitária, antiga, quase deslocada no mundo moderno, como se tivesse sido esquecida por quem o ergueu. Cada pedra parecia carregar histórias que ninguém mais lembrava.
A recepção não foi muito diferente disso.
— Não podemos ir junto? — perguntou Kenshiro, com certa urgência, tentando manter a calma diante do primo. Havia preocupação na voz dele, e Fox suspeitava que não era apenas curiosidade.
Ren olhou por cima do ombro, a expressão indecifrável, quase fria demais para um reencontro familiar.
— Lamento, primo. Nem eu tenho autorização para deixá-los entrar. Apenas os Phareos.
A resposta veio sem hesitação, como se tivesse sido decorada.
Antes que Kenshiro pudesse responder, a porta se fechou com um estrondo seco, violento, quase acertando-lhe o rosto. O impacto ecoou ambiente aberto, reverberando como um aviso final.
Ren desapareceu. Rápido demais. Silencioso demais. Sem uma despedida, sem uma promessa, sem sequer um olhar de volta.
O silêncio que restou era incômodo.
E Fox sentiu um arrepio subir-lhe pela espinha. Um daqueles arreios instintivos, quase primitivos, que alertam para perigo mesmo quando os olhos nada veem.
Ele tentou ignorar.
Tentou convencer a si mesmo de que era apenas cansaço, apenas nervosismo, apenas qualquer coisa comum. O incômodo permaneceu, sutil, pulsando dentro dele como um alarme distante.
Em seguida, surgiu um idoso, o Ancião de Phareon, Amosek. Ele os guiou para fora do farol, apresentando a cidade que, segundo dizia, vivia sob um feitiço de ilusão constante.
Tudo ali parecia suspenso entre o real e o onírico. A arquitetura era rígida, o ar era leve; as cores pareciam vibrantes demais, e ao mesmo tempo não tinham peso. Fox não sabia se aquilo era beleza ou inquietação disfarçada.
Quando Amosek tocou o sino, o som reverberou em ondas longas, sonoras, que pareciam atravessar além dos ouvidos, chegando até o peito. No instante em que o toque ecoou, Fox tremeu levemente, outro arrepio. Mais forte. Mais profundo.
Ninguém mais reagiu.
Nenhum olhar desconfiado.
Nenhuma expressão de alerta.
Isso o deixou mais inquieto ainda.
O sino dissipou a ilusão, revelando uma cidade vibrante, viva, festiva. Um contraste gigantesco e repentino. O clima de alegria os envolveu, arrastando os companheiros para a atmosfera celebrativa sem resistência.
As risadas eram genuínas. A música perto demais. O cheiro de comida, quase irresistível.
Fox respirou fundo, tentando relaxar. Estava prestes a se permitir um momento de paz, de descanso, de descontração ao lado de seus companheiros. Sentia que precisava disso. Sentia que todos precisavam.
Até que o arrepio voltou. Violento, insistente, como se algo lhe puxasse pela nuca.
E veio acompanhado de um chamado:
“Fox... acorda...”
A voz, ele a conhecia. Era impossível não reconhecer.
Kaji.
O elemental não estava com eles. E aquilo, por si só, já era estranho. Kaji nunca deixava de aparecer em momentos festivos, principalmente quanto maiores fossem.
Fox percebeu isso tarde demais.
Seu coração acelerou.
Tentou seguir a direção da voz, ou do arrepio que a acompanhava. E quanto mais se concentrava, mais forte o calafrio se tornava, como se algo dentro de si gritasse que estava indo na direção certa.
Atravessou becos, ruas, contornos da cidade. A alegria desaparecia conforme se aproximava dos limites. A música parecia distante, abafada, ilusória.
E então, diante dele, surgiu uma névoa densa, quase tangível. Uma cortina branca que se movia como se tivesse vida própria.
“Fox, acorde!”
A voz estava mais próxima. Quase ao seu lado. Quase real.
Guiado por ela, pela intuição, pelo instinto, pelo medo, Fox atravessou a névoa sem hesitar, ainda sem compreender o que estava fazendo.
— Fox, acorde!
Ele abriu os olhos num sobressalto.
Estava na grama.
Havia acabado de acordar do que parecia ter sido um sonho.
Kaji, em sua forma de corcel, empurrava seu ombro com o focinho, agitado, desesperado, como se estivesse tentando despertá-lo há muito tempo.
— Kaji? O que está havendo? — perguntou Fox, ainda com a respiração irregular, enquanto se levantava com um sobressalto.
O mundo ainda parecia um pouco torto, como se os últimos ecos da ilusão insistissem em sobreviver dentro de sua mente. Quando focou o olhar, tudo se alinhou, e o choque veio como um baque no peito.
Todos os seus companheiros estavam caídos na grama. Imóveis. Adormecidos de forma tão profunda que pareciam inconscientes.
Cada um deles repousava numa posição distinta, como se simplesmente houvessem desmaiado no meio de uma conversa, de um passo ou de um pensamento.
A visão foi como um soco silencioso em Fox, despertando nele uma urgência que atravessou seu corpo por inteiro.
— No momento que nos aproximamos do Farol, todos vocês desmaiaram! — explicou Kaji, a voz carregada de um desespero incomum para alguém como ele. — Você foi o único que consegui acordar, quanto aos outros... não respondem a nada.
Fox ajoelhou-se ao lado de Kenshiro, tocando seu ombro. O corpo estava quente, a respiração constante, era como tocar uma estátua viva, nenhuma reação. Ele tentou com Erina, depois com Sebastian, depois com os demais. O mesmo resultado.
Um silêncio angustiante tomou conta dele.
— Há quanto tempo estamos assim? — perguntou, a voz trêmula.
— Umas três horas — respondeu Kaji, encolhendo levemente o pescoço flamejante.
Fox se levantou tão rápido que quase perdeu o equilíbrio.
— O quê?!
Três horas.
Aquela ilusão, ou sonho, ou o que quer que fosse, tinha manipulado o tempo como se brincasse com areia em uma ampulheta. Não era apenas poderosa, era calculada. Intencional.
Ele olhou para Kaji, que mantinha uma postura rígida, seu fogo estava instável, tremulando como se qualquer brisa pudesse apagá-lo.
— Eu sei que o Ren pode ter significado para você — disse Fox, com a voz firme, tentando ser sensível e prático ao mesmo tempo —, mas não podemos abaixar nossas guardas novamente. Ele é perigoso, Kaji. De verdade.
O elemental baixou a cabeça, sombras dançando sobre sua crina de fogo.
— Eu concordo — respondeu, com esforço perceptível.
Era como arrancar a própria carne admitir aquilo.
Sem ter muito a fazer pelos companheiros até que acordassem, Fox respirou fundo e tomou a decisão que sabia ser a única: confrontar o Farol do Saber de uma vez por todas.
Seguiram juntos até a entrada monumental da torre.
A construção seguia imponente, silenciosa, quase hostil. A porta, uma muralha de madeira antiga reforçada com bandas de ferro tão grossas quanto troncos de árvores.
Fox colocou as duas mãos sobre a superfície fria, empurrou com toda sua força, os músculos tremendos. A porta sequer gemeu.
— Deixa eu tentar — pediu Kaji, a voz firme apesar da preocupação.
O servo elemental avançou alguns passos, e seus braços começaram a mudar. O fogo se intensificou, envolveu os punhos, solidificando-se numa armadura incandescente. Ele assumiu seu modo de combate completamente, o chão sob seus pés começando a queimar.
E então vieram os golpes:
TUNG! TUNG! TUNG!
O som ecoava como trovões sendo enclausurados dentro da madeira. Cada batida fazia vibrar o ar ao redor, espantando pássaros imaginários e empurrando a poeira do chão em pequenas explosões.
TUNG! TUNG!
A porta trincou.
O ferrolho estalou.
As barras rangiam sob a pressão imensa.
E finalmente...
BAAAM!
Com um estrondo, a porta se rompeu.
O trinco voou em pedaços, ricocheteando pelo interior da torre como estilhaços de metal. Fragmentos de madeira se espalharam e rolaram pelo chão coberto por poeira fina e cinzas antigas que o vento levantou como um suspiro.
Fox expirou lentamente, limpando a testa suada com o antebraço.
— Finalmente... — murmurou, recuperando o fôlego. — Obrigado, Kaji.
Atrás dele, o guerreiro elemental recuou um passo, abaixando o braço ainda incandescente. Saía fumaça de sua armadura, e mesmo sem ter um rosto expressivo, Fox percebeu o cansaço quase físico no modo como o fogo vacilava.
— Tome cuidado — disse Kaji, ajustando a chama ao redor do corpo. — Sinto que, se eu entrar aí, acabarei adormecendo. Algo lá dentro suga minha energia, como se estivesse me puxando para um sono eterno.
Fox assentiu.
— Está tudo bem — respondeu com um leve sorriso, tentando tranquilizá-lo, mesmo que seu próprio coração estivesse batendo rápido demais.
Ele colocou a mão na empunhadura da katana e a puxou.
A lâmina saiu com um assovio metálico, e no mesmo movimento fluido, Fox girou o braço acima da cabeça.
Chamas acenderam instantaneamente na lâmina. Chamas vivas, ardentes, dançantes.
E então, ele deu um passo para dentro.
— As sombras nunca foram um problema para mim.
Conforme deu o primeiro passo, algo o fez parar imediatamente.
A luz não avançava.
O fogo ardia com vigor na lâmina, Fox sentia o calor no rosto, via as chamas dançando com vida própria. Infelizmente, nada disso surtia efeito no ambiente. A claridade se perdia a poucos passos dele, engolida por uma escuridão que parecia absorver e devorar cada centímetro de brilho.
A sensação era sufocante. Opressiva.
Aquele não era apenas um lugar escuro, era um lugar onde a luz não era bem-vinda.
O Farol do Saber era um cemitério de conhecimento.
As estantes, outrora majestosas, encontravam-se tombadas como cadáveres gigantescos; seus livros queimados, carbonizados até o ponto em que qualquer palavra havia se transformado em pó. O mármore negro do chão, normalmente tão imponente, estava rachado como se tivesse sofrido séculos de negligência e violência.
Até as janelas escancaradas, que deveriam revelar o mundo exterior, mostravam apenas um céu cinza e morto. Um céu que não se movia. Sem sol. Sem vento. Sem vida.
A luz do lado de fora, ainda não conseguia penetrar naquele ambiente escuro.
Era como se o Farol tivesse sido arrancado do mundo e jogado num espaço esquecido.
Fox caminhou com a katana erguida, estudando cada detalhe sob o brilho trêmulo e limitado das chamas.
A arquitetura era inconfundivelmente imperial: colunas altas, arcos delicados, tapeçarias que um dia devem ter exibido histórias grandiosas; agora, tudo estava corrompido. As colunas tinham aparência de cera derretida, como se houvessem derretido sob um calor intenso. Os tapetes estavam rígidos, endurecidos pela fuligem acumulada e pela cera que havia escorrido de velas que já não existiam.
O cheiro era horrível e profundo, como o odor de algo que havia morrido muito tempo atrás e ainda se recusava a desaparecer. Um cheiro teimoso, impregnado de tempo e sofrimento.
No fim do corredor, algo brilhou por um instante. Uma brasa apagada. Um resquício de luz morta. E ao lado dela, uma figura imóvel.
Um homem sentado diante de uma lareira fria, completamente imóvel, como se fizesse parte da mobília destruída do lugar.
— Você é mesmo perigoso, Ren — disse Fox, mantendo a lâmina erguida com firmeza, cada músculo pronto para reagir.
Ren não respondeu. Sequer piscou.
Permanecia sentado da mesma maneira: uma perna cruzada sobre a outra, o cotovelo apoiado no braço da cadeira, o olhar fixo na lareira morta, como se ainda enxergasse fogo onde havia apenas cinzas.
Quando finalmente falou, sua voz ecoou com uma serenidade que fez arrepios subirem pela nuca de Fox.
— Parece que sua insistência tola finalmente deu frutos, Fox, Herói do Povo, pupilo de Reiji Torison, o Guerreiro do Sol.
Era a voz de alguém que sabia exatamente com quem falava. Que sabia mais do que deveria.
— Vejo que fez questão de me conhecer — respondeu Fox, sem baixar a arma.
— No momento em que todos saíram daquele túnel — disse Ren, ainda sem se virar —, soube de cada um de vocês. De suas histórias. De seus medos. De suas falhas.
As palavras bateram em Fox como uma chuva gelada. Ele sorriu. Um sorriso duro, quase desafiador.
— Então deve saber — Ergueu a katana, posicionando-a ao lado do corpo —, que não sairei daqui até libertá-los.
Foi só então que Ren se moveu.
Virou o rosto lentamente, deixando que a fraca luz da lâmina tocasse seus olhos. E, naquele breve instante, Fox viu o que ninguém deveria ver: dois abismos profundos, escuros, sem reflexo algum. Olhos que absorviam luz, em vez de refleti-la.
— Deixe-os — disse Ren, com voz baixa. — Estão melhores aqui. O Continente já possui seu protetor.
— Está enganado — Fox deu um passo à frente, e a chama de sua espada reagiu com um estalo. — Muitas pessoas dependem deles. Dessa jornada. Eu dependo deles.
Ren suspirou, como alguém que ouviu uma tolice pela milésima vez. Fechou os olhos brevemente.
— Então é mais fraco do que parece.
Fox sentiu o sangue ferver.
— Tente dizer isso outra vez.
Ren abriu os olhos, e por um instante, Fox jurou ver algo: dor, talvez desprezo; algo antigo que se escondia por trás daquela serenidade perturbadora.
— Você é fraco, Fox — disse Ren com frieza absoluta. — Fraco por acreditar que há algo para salvar.
Foi demais.
Fox rosnou como um animal ferido.
Em um movimento preciso, girou a katana para trás.
— Impulso!
O golpe explodiu.
O fogo se expandiu num arco perfeito, abrindo um rastro incandescente que iluminou o corredor morto do Farol.
Um ataque fatal. Um ataque rápido. Um ataque que teria decapitado qualquer adversário.
Ren não se moveu. Nem sequer respirou de forma diferente.
A lâmina passou exatamente em seu pescoço. Perfeita. Límpida.
Não houve som de carne sendo rasgada. Nem sangue. Nem resistência.
Como se Fox tivesse golpeado um fantasma.
Ele recuou dois passos, os olhos arregalados, o coração disparado.
— Muito lento... — disse Ren, finalmente se levantando da cadeira.
Ele passou a mão pela dobra da roupa como se estivesse limpando poeira imaginária, ignorando completamente o rastro de fogo que ainda ardia no ar atrás dele.
— Como espera derrotar as Sombras e os Ratos desse jeito?
— Então você sabe deles — disse Fox, voltando a se preparar para outro ataque. — Sabe o que está por vir.
Ren pousou a mão no cabo de sua espada, com a calma de alguém que decide qual página de um livro deve virar.
— Aprendi muito — disse ele — enquanto lia tudo que havia aqui.
Fox cerrou os dentes.
— Posso ver que teve uma leitura muito proveitosa.
Finalmente, um traço de irritação cruzou o rosto de Ren.
Até as chamas da katana vacilaram, como se sentissem o humor dele.
— Você é cansativo, Herói do Povo — murmurou Ren, tocando a empunhadura de sua espada.
O ar vibrou. Literalmente.
Fox sentiu a pressão mudar, como se o oxigênio tivesse sido arrancado do ambiente. O calor da lâmina desapareceu num piscar de olhos.
Ren ergueu a cabeça, e tudo ao redor se distorceu.
As sombras nas estantes se moveram. Respiraram. Se contorceram como criaturas vivas famintas por luz.
A chama da katana simplesmente se apagou. Sem vento. Sem gesto. Sem motivo.
No breu absoluto, Ren ainda era visível. Visível não por luz, por contraste, uma silhueta tão escura, tão profunda, que se destacava em meio ao próprio vazio.
Fox engoliu seco.
Não recuou.
Por mais que o instinto gritasse para fugir, ele ficou. Porque um Herói do Povo não dá um passo atrás quando vidas dependem dele.
O confronto entre os dois havia se tornado inevitável.
De um lado, Fox, o Guerreiro do Sol, carregando a última esperança de luz em um mundo que começava a se encolher nas sombras.
Do outro, Ren, aquele que havia sido abandonado pela luz e que agora negava sua existência, seu propósito e até sua própria humanidade.
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