Volume 2 – Arco 12

Capítulo 119: Irmandade

Com tantas histórias e revelações sobre Ren, era quase impossível ao grupo conter as expectativas. Cada palavra dita por Erina e Kenshiro parecia acender uma centelha de curiosidade em todos. 

O próprio Fox, ao descobrir que o lendário Farol do Saber existia de fato, não conseguia esconder a inquietação. O garoto adotado por seu mestre, envolto em rumores e feitos quase impossíveis... 

“Como ele era?”, perguntava-se. 

“Forte? Orgulhoso? Seria arrogante, ou do tipo que inspira só com o olhar? Saberia sobre as Sombras e os Ratos? Teria herdado o carisma do pai? Seria bonito? Casado? E o seu estilo de luta, veloz ou brutal?” 

Eram tantas perguntas que Erina e Kenshiro, ainda que rissem delas, não tinham resposta alguma. 

A trilha que os levava até o Farol serpenteava por um vale verdejante, banhado por uma luz dourada.  

Animais de toda espécie surgiam entre as árvores e arbustos, observando-os com curiosidade. Nenhum demonstrava medo. Pelo contrário — cervos, lebres e pequenas aves pareciam cumprimentar o grupo, inclinando as cabeças, como se reconhecessem velhos amigos. 

Soren quase estendeu a mão para acariciar um coelho branco que os seguia saltitando, mas conteve o impulso. Nunca era inteligente interagir com a natureza desnecessariamente, ainda que ela se mostrasse pacífica. 

flora era um espetáculo à parte. As folhas exalavam fragrâncias suaves e a brisa carregava aromas de flores que ninguém sabia nomear. Sebastian, encantado, caminhava quase em transe. Seus olhos corriam de uma planta a outra com a avidez de um estudioso diante de um milagre. 

— Incrível... — murmurava, ajoelhando-se para observar uma flor de pétalas azuladas. — Essas espécies... eram dadas como extintas há séculos... 

Apesar de seu vasto conhecimento em botânica e alquimia, Sebastian raramente tinha oportunidade de aplicá-lo. Ingredientes raros tornaram-se lendas nos tempos atuais, e as poções de cura que sabia produzir — criadas através de métodos que preferia não revelar — não eram necessárias enquanto Erina estivesse por perto. 

Mesmo assim, não deixava de sonhar com as possibilidades. 

Com aquelas plantas, poderia preparar tônicos de resistência a elementos, reforçadores de Estamina e Mana, ou até elixires que prolongassem a lucidez em longas batalhas. Prometeu a si mesmo pedir autorização aos Phareos antes de colher qualquer muda, flor ou semente. 

O caminho seguiu tranquilo. Nenhum som além do vento e dos passos sobre a terra. 
O grupo ria e trocava histórias, e foi assim — distraídos — que perceberam estarem próximos do fim da trilha. 

Farol do Saber erguia-se à frente, colossal, dominando o horizonte. Sua superfície de pedra branca refletia a luz do sol como se fosse feita de vidro. E, por mais alto que olhassem, o topo se perdia nas nuvens. 

Erina falava, divertida, relembrando seu primeiro encontro com Ren: 

— É sério! Por causa dos “inimigos” da família Torison, ele achou que eu era uma espiã! Fez um interrogatório tão longo e minucioso que eu jurei nunca mais querer vê-lo. Nunca imaginei que uma criança pudesse ser tão... assustadora! 

O grupo gargalhou. 

— Será que ele fará o mesmo com a gente? — perguntou Xin, meio rindo, meio preocupada. 

— Com toda certeza ele tentará estudá-los — respondeu Kenshiro, divertido. — Mas duvido que use métodos tão... bárbaros desta vez. 

BAM! 

O som ecoou, profundo e metálico, rasgando o ar e calando os risos. 

Uma grande porta se fechara — a entrada do Farol. 

Aquele ruído reverberou entre as árvores e o chão, fazendo o coração de cada um acelerar. 

Finalmente, haviam chegado. 

E, por um breve instante, tiveram a sensação de que o Farol os observava — silencioso, vigilante, como uma entidade que sabia quem se aproximava. 

Enquanto a maioria do grupo mantinha o olhar voltado para o alto, tentando medir a altura impossível da torre — inclinando tanto a cabeça para trás que pareciam prestes a cair —, Erina e Kenshiro encaravam algo completamente diferente. 

À frente da imensa porta recém-fechada, um homem de estatura modesta permanecia imóvel, a poeira ainda se dispersando ao redor de seus pés. 

— REN! — gritou Kenshiro, empolgado, sua voz ecoando pela entrada colossal. 

Todos se viraram, surpresos, em direção à pequena figura. 

Por um instante, a decepção preencheu todos os rostos. 

Não, Ren não era um anão, nem um gnomo. Mas ver alguém alguns centímetros mais baixos que o esperado, depois de tantas histórias, rumores e lendas, parecia um golpe de realidade cruel demais. 

SHINGS! 

Antes que pudessem sequer processar a visão, Kenshiro já havia sacado suas espadas, o brilho refletindo a luz cinzenta que filtrava pelas nuvens. 

Erina deu alguns largos passos para o lado, afastando-se com a calma de quem já previa o que viria. 

— Recomendo que façam o mesmo — avisou, cruzando os braços e exibindo um leve sorriso. 

Mas o aviso veio tarde demais. 

CLANK!!! 

O som metálico cortou o ar como um trovão. Um clarão breve, e a explosão de força que se seguiu, lançou poeira e ventos violentos em todas as direções. 

Os que não estavam preparados — praticamente todos — foram jogados para trás, cambaleando, ofuscados pela nuvem de poeira que se ergueu. 

Quando o ar finalmente se acalmou, puderam ver. 

Kenshiro estava com as espadas cruzadas, sustentando o peso de um golpe que o pressionava com brutalidade. Diante dele, Ren pairava no ar, a única lâmina em sua mão empurrando com força suficiente para fazer as lâminas do primo vibrarem. 

Por um instante, ninguém se moveu. 

Agora, tão próximos, puderam finalmente observar Ren com clareza. 

Ambos compartilhavam tons parecidos — cabelos escuros, olhos firmes, roupas de guerreiros —, mas enquanto Kenshiro irradiava luz e energia, Ren parecia absorvê-las. 

Sua presença trazia uma gravidade silenciosa. O preto de suas vestes parecia devorar a claridade ao redor, como se o próprio mundo se tornasse mais sombrio onde ele estivesse. 

E ainda assim... havia algo magnético nele. 

Um charme silencioso, quase perigoso. Mesmo sua expressão neutra carregava algo indecifrável — um misto de serenidade e cansaço. 

“Ele é belo demais”, pensou Vaelis, impressionada, antes de disfarçar. 

A tensão entre as lâminas aumentava. O chão sob os pés de Kenshiro começou a rachar, e seus braços tremiam sob o peso do impacto. 

Mas antes que a disputa se transformasse em um desastre, Ren recuou. Deu um salto breve, pousando a poucos metros de distância com a leveza de quem estava em total controle. 

— Ainda impetuoso como sempre... — murmurou ele, num tom baixo, quase cordial. 

Kenshiro sorriu, arfando de leve. 

— E você... ainda impossível de prever. 

Os dois se reposicionaram. 

Kenshiro dobrou os joelhos, levando as espadas para trás, pronto para investir. 

Ren espelhou o gesto — uma única lâmina estendida para trás, o corpo inclinado, como se cada músculo já soubesse o que viria. 

Ambos pretendiam atacar. Nenhum deles planejava ceder primeiro. 

O grupo se escondeu instintivamente atrás de Erina, que apenas suspirou, como quem já conhecia o resultado. 

Então... silêncio. 

Os dois espadachins permaneceram imóveis, respirando em sincronia. 

O vento soprou entre eles, levantando fragmentos de poeira e folhas secas, que dançavam em círculos como se o mundo aguardasse o primeiro movimento. 

E, naquele instante suspenso no tempo, era impossível distinguir se estavam prestes a lutar — ou a se abraçar. 

— O que está...? 

— Shh! — interrompeu Erina, levando o dedo aos lábios de Xin. 

Se não fosse o pedido de silêncio, a jovem teria perdido o que veio em seguida. 

Kenshiro e Ren avançaram como forças opostas que se atraiam para uma colisão, e o impacto que se seguiu fez o chão estremecer. O som reverberou pelo vale, subindo até o topo das árvores, como um trovão contido entre lâminas. 

As espadas começaram a se mover em sequências rápidas e precisas — ataques, desvios, contra-golpes, cada movimento milimetricamente calculado. A velocidade era tamanha que os olhos mal conseguiam acompanhar. 

Toda vez que o metal se encontrava, um som límpido e profundo ecoava:

Shiiing! Clank! Clang! 

Não era apenas um duelo; era uma sinfonia de aço. 

Cada toque formava um compasso, cada recuo, uma pausa. 

E juntos, pareciam dançar. 

Era ingenuidade imaginar que Kenshiro tivesse vantagem apenas por empunhar duas espadas. 

Ren, com apenas uma lâmina, movia-se como se o ar o conduzisse. Seu corpo era fluido, e suas ações imprevisíveis. Soltava a espada de uma mão para pegá-la com a outra, trocando o ritmo do ataque no meio do movimento, como um malabarista letal brincando com a morte. 

Com um lado do corpo livre, conseguia usar manoplas de esquiva e giros acrobáticos impossíveis de se prever. 

Mas Kenshiro o conhecia. Já haviam cruzado lâminas muitas vezes — e ele aprendera a ler o corpo do primo, os pequenos indícios de cada investida. 

O espadachim de duas lâminas afastou-se por um instante, abrindo espaço entre eles. 

Ren tentou se aproveitar da brecha, mas não foi rápido o bastante. 

vento começou a girar ao redor de Kenshiro, sussurrando, erguendo folhas e poeira. Suas espadas começaram a vibrar, e quando ele contra-atacou, o ar se partiu em lâminas invisíveis. 

Ren desviava por centímetros. Cada golpe que o atingisse seria fatal, mas ele parecia sempre um passo à frente — ou talvez, um fio de cabelo atrás. Seus pés deslizavam sobre o solo, e o som de seus movimentos lembrava o de um vento cortante passando entre colunas de pedra. 

Mesmo assim, por breves momentos, Ren se desequilibrava. Um golpe errado, um passo em falso — e o ar o lançava de volta, forçando-o a recuperar-se no meio do salto. 

A luta era violenta e bela. 

Um duelo tão intenso que confundia os sentidos — quem observava não sabia se estavam tentando se destruir ou apenas se reconhecer. 

Mas ambos sorriam. 

Não havia raiva, apenas a emoção pura do reencontro. 

— Eles... não estão tentando se matar, estão? — perguntou Xin, assustada, os olhos arregalados. 

— De que outra maneira eles mediriam suas forças? — respondeu Erina, calmamente, sem desviar o olhar. 

Dessa vez, foi Ren quem recuou. 

Ele aterrissou suavemente, o corpo relaxado, o olhar analisando o primo com a serenidade de um estrategista. 

Se continuasse insistindo em um combate direto contra os ventos de Kenshiro, perderia. Sabia disso. 

Kenshiro, por sua vez, permaneceu imóvel. 

As espadas baixas, os olhos atentos. 

Queria ver, queria sentir, o que o primo faria. 

O ar entre eles ficou denso. 

As folhas ao redor começaram a girar, formando redemoinhos silenciosos. E o Farol, imponente ao fundo, parecia observar — como se também aguardasse o desfecho da dança entre os dois. 

Ren avançou novamente. 

Não havia exibição de poder, nem técnica nova — apenas passos firmes, respiração constante e movimentos tão naturais que pareciam parte do vento. 

Kenshiro notou isso no instante seguinte. 

Aquele não era mais o Ren que ele conhecia. 

A postura era a mesma, os gestos familiares, mas o ritmo... o ritmo havia mudado. 

Cada golpe era uma linha de precisão absoluta. 

Cada esquiva, uma leitura antecipada. 

Os ataques de Ren vieram em ondas. 

O som das lâminas se multiplicou, como se três espadachins o atacassem de uma só vez. 

A cada passo, Kenshiro recuava. Seu corpo suava, seus músculos ardiam, o ar em volta vibrava. Tentava acompanhar, mas era como tentar conter uma força da natureza, indomável e imprevisível. 

E então... 

Num único instante, Ren estava diante dele. 

A ponta da espada repousava no centro de seu peito; não pressionando, não ferindo, apenas lembrando o que poderia ter sido feito. 

O ar pesado foi substituído por uma quietude quase solene. 

As folhas ao redor pararam de se mover. 

Ren baixou a espada devagar, o olhar sereno. 

— Eu venci — disse ele, sua voz leve e profunda, tão melodiosa que soava mais como o cântico de um bardo do que a de um guerreiro. 

Kenshiro respirou fundo. Guardou suas espadas, ainda ofegante, o suor escorrendo pela testa. 

— O resultado era óbvio — disse Kenshiro entre risos cansados.  

— Mas... ainda acho que não valeu — disse Ren, guardando sua espada. 

— Não valeu? — Sorriu de canto. 

— Sei que não usou sua técnica mais forte! — provocou Ren, cruzando os braços como um garoto desafiado num jogo que não aceita perder. 

— Existe um bom motivo para isso... 

Kenshiro desviou o olhar. 

A lembrança de Varelith atravessou sua mente como uma lâmina fria. 

Sua respiração pesou. 

Sabia que se usasse aquela técnica, chamaria a atenção de sua inimiga — e o simples pensamento bastava para nublar a alegria do reencontro. 

Ren percebeu a mudança de expressão. 

A alegria no rosto do primo se dissolveu em um instante, substituída pela sombra do passado. 

— E quanto a mim? — perguntou Erina, aproximando-se com um brilho desafiador nos olhos. — Quer tentar a sorte? 

Ren ergueu as mãos num gesto rápido de rendição. 

— Jamais! — respondeu entre risadas. — Mesmo de longe, eu consigo sentir o quanto você evoluiu. É fácil perceber quem é a mais forte entre nós três. 

— Exatamente o que prometi, não é? — Sorriu, quase satisfeita. 

Ren apenas assentiu. 

Por um instante, ninguém disse nada — e então, o que restava da tensão se desfez. 

Os três se aproximaram. 

O abraço veio quase naturalmente, sem que ninguém o pedisse. 

Erina os envolveu de uma vez, os braços apertando os dois guerreiros com força suficiente para arrancar um estalo de costelas. 

Mas nenhum deles reclamou. 

Porque naquele abraço, havia tudo o que não coube nas palavras: o alívio do reencontro, a culpa pelo tempo perdido, e a certeza silenciosa de que, juntos, teriam que enfrentar o que estava por vir. 

Fox foi o primeiro a se aproximar do trio. O sorriso que trazia no rosto parecia sincero, curioso — um reflexo do respeito que tinha por qualquer um ligado a Reiji Torison. 

Os outros o seguiram, num movimento cauteloso, ainda encantados com o reencontro. 

Quando o abraço entre os primos e Erina finalmente se desfez, Fox se adiantou, estendendo a mão. 

— Olá, Ren Torison, eu sou... 

— Não sou um Torison! — A voz de Ren cortou o ar como uma lâmina fria. 

A súbita intensidade de suas palavras fez o grupo inteiro enrijecer, como se uma corrente invisível de tensão os atravessasse. 

— E quanto a vocês... — continuou, o olhar percorrendo cada um. — Consigo imaginar quem devem ser. Conversaremos depois. 

O clima alegre evaporou como névoa ao sol. 

Os companheiros se entreolharam, buscando em Erina alguma explicação. 

Mas pela expressão da cavaleira, estava claro que ela não diria nada — não enquanto Ren estivesse por perto. 

Kenshiro deu um passo à frente. Podia ver no semblante do primo algo sombrio, um incômodo que não queria ser cutucado. 

Ainda assim, tentou falar sobre o assunto principal. 

— Ren, nós viemos aqui porque... 

— Eu sei, Kenshiro. 

— Não é isso. O Reiji... 

— Ele morreu. Eu sei. Reiji Torison morreu. — Uma pausa curta. — Meu pai... morreu. 

A expressão dele se partiu por um instante — um vislumbre de dor genuína, antes que o controle voltasse. 

Kenshiro sentiu o ar esvair dos pulmões. 

— Como... como você descobriu? 

— Meses atrás — começou Ren, a voz mais baixa agora. — Eu quis visitá-los uma última vez. A barreira ilusória de Kaji havia se desfeito. A casa parecia inteira... mas as cinzas ao redor contavam outra história. 

Engoliu seco. 

— E então vi o túmulo. O túmulo dele. 

Por respeito — talvez também por medo de ferir mais uma ferida aberta — todos permaneceram em silêncio. 

O vento pareceu cessar por completo. 

Ren prosseguiu, quase num sussurro: 

— E só havia um... não consigo imaginar ninguém construindo um túmulo para seu inimigo. Então concluí que foram atacados, e que só vocês dois sobreviveram. 

Erina respirou fundo. 

— Você não quis ir até a gente? 

Ren hesitou antes de responder. 

— Quis, mais do que tudo. Mas não podia deixar Phareon desprotegida — Virou-se, o olhar voltando-se para o Farol do Saber, que se erguia como uma sombra viva ao fundo. — Afinal, ninguém daqui sabe lutar. 

— Mas... 

Ren levantou a mão, interrompendo Erina. Um leve brilho dourado refletiu na aliança em seu dedo anelar. 

— E além disso, vocês dois não são os únicos compromissados. 

— Aaaahhhh! — gritaram Kenshiro e Erina ao mesmo tempo, o som rasgando a melancolia do momento.  

— É verdade! Adoraríamos conhecer a felizarda! Onde ela está?! 

Ren recuou a mão discretamente, como se se arrependesse de ter mostrado. 

— Em uma viagem diplomática com os pais. Mas não deve demorar muito para chegar. Agora, por favor — Fez uma breve reverência —, me acompanhem. 

— Não precisamos de um guia para chegar até a porta, Ren — provocou Kenshiro. 

Ah, não é para isso... 

Ren apontou para o lado, para a clareira que margeava o Farol. 

No mesmo instante, o ar pareceu ondular, como se o mundo respirasse, e a clareira se desfez.  No lugar, surgiu uma vila inteira. Casas simples, pontes de madeira, jardins floridos e pequenas figuras caminhando calmamente, como se tivessem sempre estado ali. 

— ...e sim, para isso — completou Ren. — Sem a permissão de um dos moradores, vocês jamais conseguiriam encontrá-la. 

Fox coçou a nuca, confuso. 

— Mas por que esconder a vila e não o Farol? 

Ren respondeu sem hesitar, com uma calma quase fúnebre. 

— Se alguém está tão obstinado a encontrar o Farol, cedo ou tarde o fará. Mas a vila... não há nada de interessante nela, nem em seus moradores, nem em seus bens. — Encarou o Farol mais uma vez, contemplando seu tamanho. — O Farol do Saber pode ser reconstruído, livros reescritos. Mas as vidas... as vidas nunca voltam quando são ceifadas. 

Suas palavras soaram pesadas demais, como se carregassem um sentido que ninguém ali era capaz de compreender por completo. 

— Agora, por gentileza — continuou, recobrando o tom neutro. — Aproveitem a vila e suas comodidades. Estamos preparando um festival para celebrar o retorno dos Phareos. 

Ele abriu a porta do Farol e começou a entrar. 

— Não podemos ir junto? — perguntou Kenshiro. 

Ren olhou por cima do ombro. 

— Lamento, primo. Nem eu tenho autorização para deixá-los entrar. Apenas os Phareos. 

A porta se fechou com um estrondo seco, quase batendo no rosto de Kenshiro. 

E assim, tão rápido quanto surgiu, Ren desapareceu. 

Sem se despedir. Sem prometer retornar. 

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