Volume 1 – Arco 2
Capítulo 17: Tempos de Fogueira.
Eventualmente, diferem que permitir que Zudao andassem junto deles na carruagem.
Erina e Xin seguiam no banco do condutor, era espaçoso, cabia até 4 pessoas; Kenshiro e Takashi seguravam-se em apoios laterais próximo do condutor; Zudao sentara atrás, questionando-se a razão deles não viagem dentro da carruagem.
Viajaram o dia inteiro, sem trocarem uma única palavra. Quando Erina viu que o sol estava se preparando para se pôr, decidiu que hora de acampar.
(...)
Enquanto todos se preparavam, Xin contemplava um pouco mais o céu mudando as paletas de suas cores. Não havia percebido que Zudao estava, novamente, questionando Erina sobre suas decisões.
— Como assim iremos dormir já? Ainda é cedo.
— Levantaremos bem cedo amanhã, quero partir junto dos primeiros raios solares — Atirou um acolchoado ao idoso. — Então apronte-se!
Gentilmente, Erina retirou Xin de seu devaneio, entregara outro acolchoado.
Percebendo a falta dos outros membros, a jovem perguntou sobre o paradeiro do espadachim e o arqueiro.
— Ordenei que fizessem a patrulha, não se preocupe. Quando for a sua vez eu vou lhe acordar, seria bom se descansasse agora.
— Ah! Não contem comigo para isso! Boa noite — Zudao virou-se, rapidamente pegou no sono.
Erina se perguntara como alguém conseguia dormir e roncar em questão de segundos.
— Irei acender uma fogueira, leve o tempo que precisar.
Xin arrumou sua cama com perfeição, havia escolhido um lugar onde poderia ver o sol se pôr. Sincronizou as pálpebras junto dos últimos raios de luz. Tinha muito medo da escuridão.
Quando o sol se pôs, Xin adormeceu.
***
— Eu já disse que eu estou bem. Não precisa insistir nisso — disse Takashi.
— Só quero ter certeza. Seria péssimo para mim se Erina descobrisse que eu deixei um suicida entrar no grupo.
— Ah, só está preocupado com o próprio pescoço então?
— É, exatamente. Estou insistindo tanto em sua saúde mental porque eu não dou a mínima pra você. É...
Andando pela floresta, a lua iluminando o ambiente, um barulho chamou a atenção da dupla.
Evitando o som, tiveram de ler os lábios um do outro.
“O que acha que é?”, perguntou Takashi.
“Não sei. Algo grande”
Ao verem do que se tratava, Takashi rapidamente armou seu arco. Antes de disparar esperou pelo sinal de Kenshiro que rapidamente deu permissão.
Fwhoosh! Alvo abatido.
***
Embora estivesse dormindo bem, Xin era incapaz de ter sonhos. Uma condição comum de todo escravo.
Por isso que era fácil acordá-la.
— Xin, levanta — sussurrou Erina.
A jovem despertou sem nenhum problema, não questionara os motivos de Erina, sabia do que se tratava. Ficou surpresa ao ver um rosto sorridente nas chamas da fogueira. Kaji se identificou rapidamente, apenas inclinando seu rosto para o lado.
Kenshiro e Takashi retornaram, abateram um cervo durante sua “patrulha”. A carne aguardava pacientemente acima do fogo.
Com as chamas baixas daquele jeito, demoraria a noite inteira para ficar pronta.
Zudao permanecia em um profundo sono. Kenshiro conferiu 3 vezes para ter certeza que ele não fosse despertar.
— Podemos começar? — perguntou Erina, em tom abafado.
Xin confirmou.
Todos se sentaram ao redor da fogueira.
Erina estava de frente para Xin, com o fogo entre elas.
— Qual seu nome?
A jovem respondeu em sinais, soletrando: X, i, n.
— Quantos anos você tem?
Ela respondeu que tinha dezoito anos de idade.
— Com quantos anos você se tornou escrava?
Xin não respondeu.
Primeiro obstáculo: escrava.
— Com quantos anos você começou a prestar serviços ao governador de Shenxi, senhor Zudao?
A jovem disse que servia a Zudao desde os seus nove anos de idade.
Todos se espantaram.
— Como você foi selecionada? — Erina prosseguiu.
Zudao havia selecionados seus cidadãos sem nenhum tipo de padrão. Idosos, jovens adultos e crianças. Qualquer um poderia passar pelo procedimento que, se bem sucedido, lhes dariam a honra de servir ao seu senhor.
— E aqueles que falhassem nesse "procedimento”?
Xin não respondeu, novamente.
Segundo obstáculo: desconhecido. Presumiram que se tratava do pior.
— Qual o prazo da sua serventia?
Todos aqueles que tinham a honra de trabalhar para o reino de Shenxi e seu senhor, seriam libertos de seus votos apenas com a permissão de seu senhor; ou com a sua própria morte. Caso seu senhor fosse assassinado, a vida de seus servos será tirada junto da dele.
Ainda que ele morresse por causas naturais, se os votos não fossem retirados de seus servos, então eles eram considerados imprestáveis, e por isso precisavam pagar com suas vidas à insatisfação de seu senhor.
— Quais foram os seus votos? O que você disse?
Xin explicou que palavras, ao serem atribuídas aos votos, eram apenas pequenas demonstrações da vontade de servir ao seu mestre. Ações “falavam” mais alto.
— O que você fez?
Ela passou pela provação.
— O que foi essa provação?
Xin não respondeu.
— Vocês tiveram que fazer alguma coisa?
Xin negou.
— Fizeram algo com vocês?
Xin não respondeu.
— Alguém que você conhece participou dessa aprovação?
A jovem lembrava-se de um casal de adultos, seus nomes eram Jian e Xiu.
— Quem são esses?
Eram os pais de Xin.
— O que houve com eles?
Xin não respondeu.
— Acho que deveríamos parar — sugeriu Takashi, acreditava que o interrogatório estava se assemelhando mais a um ato de tortura.
Kenshiro o encarou com desaprovação.
Iriam continuar
— Por que escolheram você?
Xin reforçou que não havia motivo aparente em sua escolha, todos foram selecionados aleatoriamente.
— Por que precisavam de alguém para ter total lealdade?
Ela não sabia o motivo. Em todos esses anos, ela não teve autorização para questionar nada.
Porém, a simples resposta dela desconhecer algo, mostrava que todas as vezes que não respondera ela sabia de algo.
— Por que não respondeu algumas das minhas perguntas?
Xin respondeu que sua lealdade ao seu senhor era eterna e inabalável. Explanar qualquer informação que comprometesse sua lealdade, seu senhor ou seus planos, eram inaceitáveis.
— Então existe uma maneira de reverter isso?
Não havia como reverter uma ordem direta. Apenas com a devida autorização de seu senhor ou a liberdade prometida.
— Ele prometeu libertá-la?
Xin confirmou.
— Quando? Como?
Xin só seria libertada caso cumprisse sua missão de levar o casal responsável por adentrar o templo de Budai.
Era hora de fazer perguntas a respeito de seus verdadeiros objetivos.
— O que Zudao quer com o Herói?
Seu senhor buscava torná-lo seu aliado.
— Existe algum motivo para o Herói não querer se aliar ao Zudao?
Os princípios de ambos eram diferentes e conflitantes.
— Que princípios são esses?
Budai era um Herói que seguia um ramo de filosofia ainda crescente no mundo. Não era alguém religioso, mas igualmente fanático. Acreditava que a vida era uma constante busca por iluminação, um estado de vida onde bens materiais não teriam valor, e a alma estaria em um estado inalterável.
Zudao era tão fanático quanto qualquer religioso tolo e cego. Acreditava que a vida era para ser devotada aos fundamentos de seu deus. Nunca explicara as origens de sua crença, forçando todos seus cidadãos a adotá-las em seu governo teocrático.
— Por que esses princípios não os deixam ser aliados?
Por serem conflitantes — opostos —, isso tornava uma cooperação impossível. Eram praticamente inimigos.
— Explique.
O Herói era inimigo do deus de Zudao.
O grupo trocou alguns olhares. Precisavam de respostas mais precisas.
— Você acredita na existência desse deus?
Xin confirmou.
— Por que?
Xin afirmou tê-lo visto.
— Quando?
Durante sua provação.
— Dos que participaram dessa provação, quem mais viu?
Todos os participantes viram.
— Quantos concluíram a provação?
Somente Xin.
— O que houve com o restante?
Xin não respondeu.
— O que Zudao planeja fazer conosco, depois que chegarmos ao templo?
Ela não sabia. Seu senhor nunca lhe contou seu plano por completo.
— Ele possui alguma má intenção conosco?
Xin negou.
— Como sabe?
Zudao não se importava verdadeiramente com o casal, quais eram seus nomes, objetivos, nada. Ele apenas queria chegar até Budai.
— Como Zudao planeja converter Budai ao seu lado?
Xin não respondeu.
— Chega — disse Kenshiro. — Xin, pode vir aqui.
Xin se levantou de seu lugar, se moveu até o meio do trio e se sentou.
— Não iremos conseguir muito mais que isso — continuou ele —, também não quero forçar a mente dela a coisas desagradáveis.
— Eu sei — disse Erina, após dar um longo suspiro.
— O que foi tudo isso? — perguntou Takashi.
— Um pouco de revelações — disse Kenshiro. — Falando nelas, não acha que é sua vez?
Takashi encarou duvidosamente o espadachim, até perceber sobre o que se tratava. Ainda tímido, retirou seu capuz e máscara.
Erina, Xin e Kaji ficaram entusiasmados ao verem o elfo.
Takashi envergonhado, fez suas orelhas abaixarem inconscientemente.
— Agora é nossa vez — disse Kenshiro. — Kaji, por favor, faça as honras.
O rosto na fogueira simulou um suspiro.
— Prazer em conhecê-los, Xin e Takashi! — disse o elemental. — Perdoem pelo meu silêncio de mais cedo, achei que fosse melhor conhecê-los antes para ter certeza.
— Ele realmente é desconfiado — comentou Takashi.
— Agora que estamos aqui, vamos comer!
A porta da carruagem se abriu sozinha. Utensílios, temperos, copos e bebidas começaram a sair, flutuando até as mãos de cada um e acima da carne.
Ajustando sua temperatura adequadamente, a carne não queimava nem em contado direto das chamas. Cada parte foi aquecida de maneira que atendesse todos os gostos, mal passada, ao ponto e bem passada. Nenhum pedaço fora queimado.
Kaji ainda criou uma lâmina flamejante acima de sua cabeça, fatiando a carne e entregando-os em seus respectivos pratos.
Takashi ainda estava tímido demais para saber como agir, agradeceu de maneira desengonçada. Kaji retribuiu expondo seu enorme sorriso.
Xin manteve-se neutra; perto de Zudao nunca conseguiria agir de outra forma.
O casal, por outro lado, estava se divertindo, contando piadas, bebendo e devorando a carne.
Takashi os encarava com dúvida, junto de Xin.
Antes tão reservados e sérios, tratavam-nos como amigos de longa data, mesmo não os conhecendo muito bem.
— Vamos, Takashi! — disse Kenshiro, servindo-lhe uma garrafa de álcool — Você precisa se soltar!
Embora fosse estranho, a carne suculenta e o álcool rapidamente fizeram de Takashi, o terceiro membro do grupo, mais alegre.
Erina sentou-se ao lado de Xin que comia e bebia sem qualquer emoção.
— Sei que algo dentro de você está ardendo, querendo gritar para sair. Isso é o máximo que posso fazer por você no momento. Espero que consiga ao menos aproveitar.
Xin manteve-se neutra.
Quando Erina estava para partir — para se juntar à dupla que se divertia —, a jovem estendeu o prato, e com um sorriso no rosto, sinalizou perguntando se podia comer mais.
Kaji e Erina sorriram.
— É claro!
Enquanto isso, Zudao permanecia acordado.
Não dormirá em nenhum momento sequer.
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