Volume 1 – Arco 2
Capítulo 12: Esconderijo.
Após longos minutos, talvez horas, caminhando floresta adentro, Takashi finalmente parou. Ambos assassinos estavam visivelmente tensos, apesar de não haver nada demais à frente deles.
Zudao achava estranho. O casal, por outro lado, familiarizados com a cabana de Reiji, entendiam que a entrada para o covil dos assassinos não estaria tão visivel.
— Nós... Chegamos? — perguntou Zudao, exausto.
— Zudao e Xin — disse Erina, tomando a frente —, fiquem aqui. Não vamos demorar.
E de onde estava, Zudao sentou-se; arfava incessantemente. Xin tomou a liberdade de se afastar alguns passos de seu mestre, encontrou uma árvore que lhe fosse de seu agrado, escalou-a e repousou; decidiu cuidar das unhas para passar o tempo.
Os demais seguiram em frente, ainda em silêncio.
Caminharam algum tempo a mais, viraram subitamente para a esquerda, e viram o começo de um grande morro. Nenhuma entrada, qualquer que fosse, apenas uma parede natural rochosa.
Kenshiro pensou que deveria escalar, Takashi o impediu adiantando-se, revelando uma passagem escondida em meio as rochas. As pedras perspicazmente posicionadas, escondiam uma passagem lateral. Criavam uma ilusão de ótica.
— Bem engenhoso, devo admitir — disse Kenshiro.
Cruzando a passagem, deram de cara com um grande e escuro corredor. Não havia nenhuma luz, guiaram-se pelas paredes.
Todos mantiveram-se em silêncio.
Sabendo o que lhe aguardava no final do corredor, Takashi lembrou-se de sua conversa com Erina; seu tempo estava acabando, precisava decidir quem eram seus aliados e inimigos. Embora não quisesse ficar contra sua família, sabia que não poderia vencer o casal.
“Ao menos, posso salvar uma única pessoa...”
— Kuroda, você disse que queria explorar o mundo, não é? Acho que conseguiu a desculpa que precisava para partir...
— É. Acho que sim.
— Erina?
— Sim?
— Se importaria de levá-lo consigo? — Kuroda ficou surpreso com a postura de seu amigo. — Ele pode ser impaciente, egoísta e irritante a maior parte do tempo, mas é leal e firme em suas convicções. Pode confiar nele.
Erina permaneceu em silêncio.
Kenshiro pouco se importava com qual seria sua decisão.
— Espere, Takashi, e quanto a você? — perguntou Kuroda.
Takashi não respondeu.
— Eu aceito ele — disse Erina, fazendo um cafuné no pequeno assassino. — Conversaremos mais a respeito de suas obrigações quando sairmos daqui.
— Esperem, vocês dois! — exigiu Kuroda, parando no meio do caminho, obrigando todos a escutá-lo. — Eu só aceitarei andar com eles se você for comigo, Takashi. Você vem?
— Eu... — Takashi não conseguia decidir. — Vamos descobrir.
Ele não podia aceitar que um único erro pudesse causar a morte de toda a sua família. Tentaria de todas as formas encontrar uma solução pacífica, mostraria para Erina que ela estava errada a respeito de sua irmandade. Seus fundamentos e crenças, os quais foram a base de sua criação, ainda estavam intactos.
Era o que ele acreditava.
A intuição de Kuroda começou a lhe importunar, sentia que sua vida corria perigo, mesmo estando em seu lar. Não sabia ao certo o motivo para aquilo, mas ela nunca falhara com ele antes. Deixou uma mão próxima de sua lâmina por garantia.
Ainda que estavam prestes a encarar um grupo de inúmeros assassinos, Erina e Kenshiro não demonstravam um único sinal de medo.
(...)
Com o fim do corredor, uma câmara subterrânea foi revelada.
A quantidade de assassinos não havia diminuído, mal pareciam ter se movido de seus lugares, algo que chamou a atenção da dupla.
— Ahem! — Takashi forçou uma tosse.
Os assassinos, ao perceberem duas pessoas desconhecidas — intrusas — sacaram rapidamente suas armas, cercando-os. Utilizavam armas diversificadas: espadas, adagas, arcos, bestas, maças, lanças, garras, sais, e até nunchakus.
— O que diabos é isso?! — questionou um assassino.
— Houve um engano no contrato, preciso ver o Pai — respondeu Takashi.
— “Um engano"? Não é possível... vocês trouxeram os alvos para cá?! Quanta imaturidade!
— Calma, é verdade! — disse Kuroda.
— O contrato precisa ser cumprido! Eu mesmo o farei!
O assassino saltou até conseguir alcançar o topo da caverna. Utilizando-a como apoio, lançou-se em direção ao casal.
Sacando seus sais, mirou no pescoço de Erina.
— Sua cabeça é minha! —Plink! — O que?
Um elmo apareceu em Erina, ainda mantinha seu longo cabelo para trás, fora feito sob medida.
Com o assassino ainda no ar, Erina o atacou. Com as costas de seu punho, desferiu um golpe contra o rosto do assassino, lançando-o para o lado, ficando preso nas paredes rochosas.
Estava morto.
Os demais assassinos, amedrontados pela força da mulher, permaneceram em silêncio. Suas armas continuavam em mãos.
Erina deu um passo à frente, deixando-os assustados.
Takashi colocou seu braço na frente dela, queria resolver aquilo no diálogo.
— Viram? Eu e Kuroda não podíamos eliminá-la, nenhum de nós conseguiria, o contrato está errado.
Era um fato para todos os assassinos: nenhum contrato deveria ser passado caso o alvo fosse mais forte que o próprio assassino. Erina era forte demais para qualquer um deles.
— Onde está o Pai? — perguntou Takashi. — Precisamos resolver isso, agora.
— E-ele está no Hall dos Contratos, como sempre, mas ninguém tem autorização de entrar.
— O Pai abrirá uma exceção hoje.
Takashi caminhou à frente, o grupo tentou segui-lo, um assassino — muito assustado — tentou intervir.
— D-desculpem-me, mesmo que não sejam alvos verdadeiros, não podem passar daqui. P-por favor, fiquem aqui.
Erina cruzou os braços e sentou-se, fez questão de sua armadura causar um estrondoso barulho no impacto.
Takashi olhou para trás, queria saber se Kuroda o acompanharia.
— Pode ir, Takashi — disse Kuroda. — Eu fico com eles.
Assim ele seguiu, sozinho. Nenhum outro assassino ousou o escoltar.
— Ufa! Acho que terminou bem, mais ou menos... — disse Kuroda, sentando-se. — Agora que me lembrei desse elmo... quando foi que você o vestiu? E onde o guardara?
O elmo de Erina então se desfez, foi absorvido pela própria armadura.
— Consigo vesti-lo quando eu quiser — respondeu ela, com um sorriso alegre.
— Uau! Como isso funciona? Sua armadura inteira faz isso?
— Só o elmo, infelizmente. É uma armadura muito antiga, um protótipo na realidade. Queriam fazer uma armadura que fosse leve, altamente protetiva e que aparecesse a hora que seu dono quisesse.
— E aí?
— De fato, é armadura mais protetiva que eu já vi. Sinto que estou protegida de qualquer coisa. Porém, é a mais pesada também, além de ser rígida em algumas partes...
Erina desequipou sua luva e deixou-a no chão. Kuroda tentou pegá-la, mas era pesada demais, não conseguiu sequer movê-la. Kenshiro também não tinha forças o suficiente para a mover, não queria demonstrar.
“Qual é a força que essa mulher tem?!”
Após a demonstração, Erina reequipou a luva.
— Não é possível... mesmo que alguém conseguisse utilizar essa armadura, ela seria desgastante demais para utilizar em batalha! O corpo não aguentaria, a menos que...
Erina levou o dedo indicador até os lábios do rapaz.
— Não fala em voz alta, é meu segredinho...
— O que acha que ele irá decidir? — perguntou Kenshiro, chamando a atenção do jovem. Queria afastar o “segredo” de Erina. — Seu amigo, acha que ele virá conosco?
— Difícil dizer. Esse lugar, essas pessoas, esse estilo de vida... é tudo que ele tem, é tudo que ele sabe. Mas não é culpa dele; ele nasceu amaldiçoado.
— Uma maldição? — perguntou Erina.
— Sim. Ele nasceu já com um propósito na vida. Um que ele não pode ignorar. Conseguem imaginar como é isso? Ter sua vida já determinada para você? A maneira como você deve viver, se comportar... morrer.
— Nem todos os propósitos são ruins — disse Kenshiro. — Algumas pessoas nascem com heranças poderosas. Takashi parece saudável o bastante para ser alguma doença familiar.
— Não é exatamente isso que ele tem... ele é... o Flecha Fantasma.
Kenshiro e Erina ficaram surpresos.
O Flecha Fantasma era uma figura folclórica.
Diversos mitos, crenças, histórias e fofocas são contadas a seu respeito. A única coisa que se mantém, são suas habilidades extraordinárias com o arco.
Erina estava impressionada, queria saber mais. Kenshiro não conseguia acreditar, comprovara anteriormente as habilidades de Takashi com o arco, julgava-o ainda um iniciante.
— É claro, Takashi não é uma figura lendária. Pelo menos, não ainda. Ele recebeu seu título de seu mestre, o Flecha Fantasma anterior. Sua maldição é procurar um discípulo para substituí-lo no futuro.
— Não me parece uma maldição — disse Kenshiro, de braços cruzados. — Ele pode muito bem escolher outra coisa pra vida.
— Eu também pensava assim. Mas... quando o mestre Hitoshi morreu, Takashi mudou. Não era apenas luto. Não. Algo dentro dele havia mudado — disse Kuroda, revivendo suas lembranças com seu amigo.
Não sei dizer se realmente é uma maldição, ou se foi Takashi que escolheu focar em seu objetivo, abandonando toda a vida que ele poderia ter. Seu futuro, expectativas, seu verdadeiro eu... tudo por água abaixo, apenas para tentar ser uma lenda, cujo nome ninguém saberá. Isso... isso não é vida.
Kenshiro foi obrigado a reconhecer pelo que Takashi estava passando. Sabia bem o peso em carregar as expectativas dos outros. Decidiu aliviar a barra. Não queria ser mais um incômodo.
— Vocês, aceitariam Takashi no grupo? — perguntou Kuroda.
Kenshiro olhou para sua esposa, era ela quem deveria decidir.
Erina ainda estava pensativa a respeito, não o conhecia muito bem, embora acreditasse que o assassino possuía um futuro promissor. Agora, sabendo que Takashi era o Flecha Fantasma, ela tinha certezas das habilidades que agregariam em seu grupo.
— Sinceramente eu... ABAIXA!
Erina tentou puxar Kuroda para si, mas Kenshiro havia sido mais rápido, impedindo que uma flecha acertasse as costas do jovem.
A flecha fora refletida.
Kuroda, ainda assustado, viu um dos assassinos armando a próxima flecha.
Kenshiro retirou de sua manga uma grossa agulha de ferro. Lançou-a, acertando a garganta do arqueiro.
Menos um.
Os demais assassinos, percebendo que o ataque surpresa havia falhado, se juntaram para uma investida conjunta.
Erina deixou Kuroda atrás dela, tentando protegê-lo com seu corpo e escudo.
— O que está acontecendo?! — questionou Kuroda.
Nenhum assassino respondeu, apenas gritavam em um uníssono.
— Por que estão nos atacando agora? — disse Kenshiro.
— Takashi está com eles? — perguntou Erina, procurando pelo assassino.
— Não. Eu também não o ouvi aqui perto. É uma ação que eles mesmos decidiram.
Kenshiro utilizava suas duas espadas para fatiar e cortar quaisquer assassinos que ousassem chegar perto, precisava desviar constantemente das flechas, setas e facas que voavam em sua direção.
Erina, preocupada com Kuroda, não enfrentava ninguém. Tudo que a atingia ricocheteava.
O espadachim não permitia nenhum assassino se aproximar deles.
— “Takashi”?
Ao ouvir o nome de seu amigo, Kuroda percebeu que o mesmo poderia estar em perigo.
Desprendeu-se de Erina, correu em direção dos demais.
— Kuroda, espera! — gritou Erina.
O jovem assassino, desviou de um ataque, passando por baixo das pernas do seu agressor. Sacou suas duas adagas. Feriu o braço do segundo que o atacou. Saltou para o ar, rodopiando e desviando de quaisquer objetivos disparados contra ele. Ao pousar, cravou as duas lâminas nas costas de outro, matando-o.
Conseguindo sair de perto da multidão, ele seguiu até o Hall dos Contratos.
— Ele já foi — disse Kenshiro, impressionado com as habilidades do jovem.
— Então nós vamos atrás!
Erina equipou novamente seu elmo.
Mantendo o escudo à sua frente, iria passar por todos os assassinos, nem que tivesse que ser por cima de seus cadáveres.
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