Vol 2

Epílogo

Já fazia um mês desde a confusão causada pelo Duque Hillrose no Condado de Dolkness. As coisas estavam um pouco caóticas, mas o reino parecia estar conseguindo controlar a situação.

Quanto ao que aconteceu depois que derrotei o Dullahan naquele dia, conseguimos derrotar todos os outros monstros com bastante facilidade. Felizmente, quase não tivemos baixas e, por mais sorte, nenhuma das cidades ao redor da Vila Dolkness foi afetada.

Embora… tivéssemos sofrido uma perda brutal. Patrick destruiu a flauta de invocação de monstros — sabe, aquela enorme. Eu teria feito o possível para salvá-la se tivesse tido a chance, mas quando terminei de derrotar a maioria dos monstros e voltei para a vila, já era tarde demais. Foi uma perda significativa para toda a humanidade.

{Yoru: Essa foi a perda brutal…? | Moon: Para a Yumi-chan, o que mais seria? Um Duque??}

Assim que a situação ficou sob controle, partimos direto para a Capital Real. Usando nosso conhecimento dos planos do duque, lançamos um ataque em grande escala à propriedade de Hillrose, onde todos os radicais convenientemente se reuniram para preparar o golpe de estado. As coisas ficaram um caos por um tempo depois disso, mas agora finalmente estavam se acalmando. Eu finalmente consegui me concentrar novamente no Condado de Dolkness.

Hoje, eu tinha planejado ir ver como estava o desenvolvimento da nossa vila mais nova. Mas, antes de ir, decidi convidar mais uma pessoa para ir comigo — uma certa moça que estava hospedada na minha propriedade e que parecia estar a caminho de se tornar uma reclusa.

“Senhorita Eleanora, por favor, poderia sair?”, chamei de fora do quarto dela.

Nenhuma resposta foi ouvida do outro lado da porta. Isso não era nenhuma surpresa — Eleanora vinha agindo assim desde que eu lhe contara sobre a morte de seu pai. Talvez ela ainda estivesse atordoada pelo fato de agora ser uma plebeia, o título que acompanhava o nome Hillrose tendo sido destruído devido aos atos de traição de seu pai.

{Yoru: O senso de prioridade da Yumiella continua 10/10} 

Muito bem, como vou sair daqui? Fiquei pensando. Eu poderia mencionar o Edwin para provocá-la… Não, ela provavelmente ficaria ressentida comigo por isso depois.

Sem mais ideias, finalmente disse com a minha melhor voz persuasiva: “Vamos para um lugar divertido…”

Ouviu-se um farfalhar no quarto de Eleanora. “Já vou!”, gritou ela.

Ela está deprimida ou não…?

 

<==<>==<>==<>==>

 

Embora tivesse jurado estar pronta imediatamente, Eleanora só se juntou a mim na entrada da casa uma hora depois.

Não tem como ela ter levado tanto tempo para se preparar. Refleti. Começo a ter a sensação de que existe uma boa chance de minha casa conter algum tipo de distorção espaço-temporal.

{Yoru: Eu não duvido… | Moon: Pensando bem…}

Buscando confirmação de uma segunda fonte, me virei para Patrick, que estava esperando ao meu lado o tempo todo. “Não é estranho levar uma hora inteira para se arrumar para sair?”, perguntei a ele. “Não deveria levar uns quarenta segundos?”

Patrick bufou. “Até eu levo um pouco mais de tempo do que isso. Para ser honesto, acho que a senhorita Eleanora estava mesmo se esforçando para ser rápida.”

Fiz uma careta para ele. Sem chance, Pensei, resoluta. Se você demorasse tanto tempo se arrumando todos os dias e morresse aos oitenta, isso significaria que você passou três anos da sua vida só se arrumando para sair! É uma loucura!

{Yoru: Yumiella Matemáticas}

Nossa conversa foi interrompida por Eleanora, que veio correndo em nossa direção. Ela estava usando uma roupa que não parecia nada apropriada para visitar uma vila remota em meio à natureza, mas guardei isso para mim.

“Obrigada por esperar”, disse Eleanora com um grande sorriso no rosto. Ela não parecia nem um pouco arrependida.

Estreitando ligeiramente os olhos, respondi: “Foi uma longa espera.”

Isso pareceu passar completamente despercebido pela Eleanora. “Na verdade, eu também gostaria de ver a Vila Dolkness!”, disse ela. “Você poderia me mostrar o local?”

“Como desejar…”

Ela é membro da alta classe em todos os sentidos. Pensei, dando um suspiro interior. Ainda assim, mesmo que o fato dela ser uma nobre decadente e parasita torne as coisas difíceis, sua bondade e sua completa ingenuidade em relação a más intenções compensam. Afinal, são essas as coisas que mais gosto nela.

Com Eleanora a tiracolo, nós três fomos até a vila de Dolkness. Caminhamos pelas ruas a pé, o que me preocupou que pudesse incomodar Eleanora, mas ela me surpreendeu ao seguir em frente com energia.

“O que é isso?”, ela perguntou, indagando.

“Essa é uma loja que vende grãos.”

Ela apontou para outro prédio. “E aquele alí, então?”

“É apenas uma casa.”

Espere aí. Porque parece que a Vila Dolkness não tem nada de interessante? Como isso é possível, sendo que é o centro administrativo e econômico do condado?

Enquanto eu me deixava levar pelas preocupações diante da paisagem urbana monótona à minha frente, Eleanora caminhava alegremente, alheia a tudo.

“Oh! Tem gente reunida ali!” exclamou ela, apontando para uma praça no cruzamento de várias ruas principais. “Está acontecendo alguma coisa?”

Minha testa se franziu levemente enquanto eu observava a multidão à minha frente. Claro, às vezes os vendedores montavam barracas na praça, mas isso não atraía tanta gente assim.

“Hum…” murmurei, confusa. Virei-me para Patrick, que estava ao meu lado. “Há algum evento hoje?”

Ele deu de ombros, com a cabeça inclinada em confusão enquanto olhava para as pessoas que lotavam a praça.

Ele parece tão perdido quanto eu.

Eleanora não perdeu tempo e correu para a praça; mergulhou na multidão e começou a abrir caminho até a frente. Fui atrás dela, lutando para chegar à origem de todo o barulho. Fui empurrada enquanto atravessava a multidão de corpos aglomerados, mas finalmente consegui chegar ao meu destino.

Olhando para a frente, vi um homem segurando um instrumento de cordas. Ele provavelmente era um bardo, e havia algo nele que me parecia um pouco familiar… mas não tive tempo para pensar nisso, pois ele começou sua apresentação.

{Del: Eleanora reclusa… pera, ela não vai ter uma crise Chuunibyou, né?!}

O bardo cantou a história das aventuras de uma jovem. A garota tinha cabelos negros e um poder sombrio em seu braço direito, que ela passou a vida inteira tentando suprimir. Infelizmente, ela foi forçada a libertá-lo para usar sua força proibida e derrotar seu arqui-inimigo. No ato final, a garota venceu a batalha, mas quase foi engolida por seu próprio poder. Ela só pôde ser salva e trazida de volta a si graças aos esforços de seu amado parceiro.

Hum, entendi. Refleti. A história parece um pouco com algo que uma criança inventaria para ser ousada, mas, no geral, é muito bem escrita.

Terminada a história principal, o bardo concluiu com um epílogo. Cantou que a jovem de cabelos negros se tornara condessa e, a partir de então, governara um condado.

Isso me fez refletir. Espera… Sou só eu, né? Ah! É verdade, encontrei aquele bardo na Capital Real. Ele realmente levou a sério as ideias edgy que me vieram à cabeça na hora?! Ele é maluco?! Levei a mão à testa. O que ele vai fazer se algumas dessas crianças normais se revelarem uns esquisitos constrangedores?! Quando elas caírem na real, vão ter que carregar essa dor pelo resto da vida, assim como eu! Assim como eu!

Quis fugir dali imediatamente, mas os aplausos estrondosos da multidão, intercalados com vivas, me fizeram paralisar. Eleanora, que estava mais à frente do que eu, olhou por cima do ombro e nossos olhares se encontraram.

“Yumiella, você é demais!” ela gritou em voz alta. De alguma forma, consegui ouvi-la mesmo em meio à agitação da multidão.

“Isso foi completamente fictício!”, gritei de volta.

“O quê? O que você disse? Não consigo te ouvir!”

Senhorita Eleanora, precisa mesmo gritar meu nome tão alto?! Ah… Acho que é tarde demais para pedir que ela se cale.

Soltei um longo suspiro, mas paralisei quando os aplausos da multidão cessaram repentinamente, e todos os olhares se voltaram para mim.

“Será que é… a própria Senhorita Yumiella?”

“De fato, é a condessa em pessoa!”

Preparei-me para o que viria a seguir. Afinal, a essa altura, eu já estava acostumada com o desconforto das pessoas perto de mim. Estava acostumada com elas criando distância, me deixando sozinha em um espaço vazio.

Está tudo bem, Eu disse para mim mesma. Estou destinada a ser temida…

Mas então, do meio da multidão, ouvi uma voz gritar: “Você é tão legal!” E depois, outra: “Senhorita Yumiella, aquela história contada agora mesmo é verdade?!”

Não, não me olhe com esses olhos de inveja. Eu gemi por dentro. Não aguento mais ficar rodeada por todos aqueles olhares brilhantes!

Encarei o bardo com um olhar fulminante, tentando ignorar os olhares intensos da multidão ao meu redor. Infelizmente, ele não me notou.

“Essa música também é muito popular na Capital Real”, começou ele. “Como compositor e letrista desta canção, vim aqui na esperança de apresentá-la no Condado de Dolkness, já que é aqui que a história se passa.”

Já é tarde demais. Por mais inacreditavelmente constrangedor que seja, o conto do bardo baseado em mim já se espalhou entre o público… Não só isso, como toda essa multidão parece convencida de que eu sou realmente a protagonista. Olhei em volta, estremecendo com todos aqueles olhares que me encaravam fixamente.

Preciso sair daqui.

Enquanto eu planejava minha fuga, uma voz me chamou de perto: “Deem uma olhada na especialidade do Condado de Dolkness, a espada de madeira! Feita sob a supervisão total de nossa condessa, ela faz sucesso até mesmo entre os filhos dos aristocratas da Capital Real!”

Pode confiar que um comerciante sempre saberá aproveitar uma oportunidade de negócio. Mas por que você precisa mencionar as espadas de madeira agora? Acho que as pessoas vão ter ideias estranhas sobre elas depois de ouvirem essa história…

Até então, as espadas não estavam vendendo muito bem na Vila Dolkness. Hoje, porém, a demanda parecia ter disparado. A multidão ao meu redor correu em direção ao mercador, desesperada para comprar uma das espadas de madeira. Até Eleanora tentou se juntar a eles; tive que segurá-la pelo braço para impedi-la.

“Eu também quero uma!” ela gritou para mim, fazendo beicinho.

“Vamos indo, eu compro uma para você mais tarde.”

De alguma forma, consegui escapar da multidão, arrastando Eleanora atrás de mim. Encontrei Patrick parado não muito longe; aparentemente, ele estava apreciando a vista de longe enquanto eu estava no meio do caos.

Patrick, eu não vou esquecer isso!

 

<==<>==<>==<>==>

 

Logo após o término da apresentação do bardo, nós três deixamos a Vila Dolkness e seguimos para a área que os moradores de Cottoness estavam desenvolvendo. Eu queria ter feito algo em relação àquela história que o bardo estava contando, mas no fim das contas decidi não fazer. Senti que as coisas só piorariam se eu interferisse.

É apenas uma moda passageira. Eu disse para mim mesma. Em breve, essa história desaparecerá da mente de todos. Espero. Provavelmente.

Não tive muito tempo para refletir sobre isso, pois logo chegamos à vila em desenvolvimento. O voo foi tranquilo e não tivemos praticamente nenhum problema — além da irritação de Ryuu com a empolgação exuberante de Eleanora em relação ao voo.

Nem mesmo o pouso diminuiu a alegria de Eleanora; ela saiu correndo praticamente assim que Ryuu pousou, sem nem me dar a chance de explicar nossos planos para o dia.

“Ei, espere aí!” gritei atrás dela.

“Mas eu vejo um rio ali!”, exclamou ela.

Suspirei. Estamos aqui para inspecionar a vila, não para brincar! Mas… será que a senhorita Eleanora sabe disso? É, provavelmente não.

“Vá verificar a aldeia”, disse-me Patrick, seguindo-a. “Eu cuidarei da senhorita Eleanora.”

“Obrigada.”

Salva pela consideração de Patrick, pensei, sentindo alívio.

Com Eleanora em segurança, virei-me para Ryuu e disse que ele podia ir brincar, então segui para a vila. A primeira coisa que fiz foi examinar as áreas que havíamos planejado transformar em campos. Elas estavam bem divididas e, pelo que pude perceber, cerca de metade do trabalho já estava concluído. Parecia que eles poderiam começar a cultivar de verdade no ano que vem.

“Com licença, desculpe incomodá-lo enquanto trabalha”, gritei para um aldeão que estava arando um campo próximo. “Como vão as coisas?”

“Oh! Condessa!” respondeu o homem, que aparentava ter uns trinta anos. “As coisas têm ido bem, muito obrigado. A partir do ano que vem, faremos o possível para conseguir nos sustentar.” Ele me deu um sorriso alegre.

Senti uma onda de felicidade estourar dentro de mim. O jeito como os aldeões me tratavam agora era como se o medo que sentiam de mim quando eram ladrões nunca tivesse existido.

“Ah!” continuou o homem, como se tivesse acabado de se lembrar de algo. “A senhora está bem, condessa? Ouvi dizer que foi atacada pelo duque.”

Tentei esboçar um sorriso tranquilizador para ele. “Estou bem; afinal, ele estava me enfrentando.”

“Que bom ouvir isso. Você sabe o que acabou acontecendo com ele?”

Fiz uma pausa e então disse delicadamente: “Ele… faleceu. O título que os Hillroses detinham também foi destruído.”

Portanto, parece que os detalhes do nosso confronto não se divulgaram. Refleti. Se tivessem feito isso, ele teria ficado sabendo que o mentor de toda a situação, o duque de Hillrose, foi a única vítima fatal da confusão.

O aldeão murmurou baixinho: “Entendo.”

Senti um lampejo de afeto por aquele homem. Mesmo que ele provavelmente pensasse que o duque era apenas mais um aristocrata corrupto, não consegui perceber nele sequer um pingo de felicidade com a morte do duque.

Esse cara parece ter um bom coração. Eu pensei. De qualquer forma, não adianta falar sobre coisas tão deprimentes.

“Hum…” murmurei, tentando pensar em outro assunto. “Como está aquele velho estranho? Aquele que chegou recentemente à aldeia.”

O rosto do aldeão iluminou-se. “Oh, ele é mesmo incrível! Ele é muito inteligente, e outro dia até derrotou um monstro!”

Senti um leve alívio. Eu havia trazido o homem para a aldeia há cerca de um mês, mas estava preocupado com a forma como ele se daria com os outros moradores. Ele tinha uma aparência desagradável, sabe, e sua personalidade também era bastante desagradável. Mas parecia que ele havia se adaptado bem.

Ele se protegeu do enxame de monstros naquela época… Refleti. Acho que ele ainda sabe lutar um pouco, afinal.

“Fico feliz que ele esteja bem”, eu disse ao aldeão. “Por acaso você sabe onde ele está agora?”

“Acho que ele deve estar em casa”, respondeu o aldeão, apontando para uma casa.

Acenando em despedida para o aldeão, dirigi-me ao prédio e o examinei mais de perto. Notei que era pequeno e bastante novo, e que o estranho homem parecia estar morando sozinho ali.

Bati à porta da casa e, segundos depois, uma voz masculina respondeu de dentro. Sem mais delongas, entrei e meus olhares se encontraram com os do homem de meia-idade que me esperava lá dentro.

“Já faz um tempo”, eu disse, com leveza. “Ouvi dizer que você está se adaptando muito bem. Estou um pouco surpresa.”

Houve um breve silêncio, então o homem finalmente respondeu: “Aposentar-se no campo não é tão ruim assim.”

“Que bom ouvir isso. Na verdade, passei por aqui hoje para avisar que quase tudo já foi resolvido.”

“Entendo.”

Enquanto o homem ouvia atentamente, expliquei tudo o que vinha acontecendo na Capital Real desde a tentativa fracassada de golpe de estado do Duque Hillrose. Infelizmente, não tínhamos conseguido prender todos os radicais, mesmo tendo invadido a mansão do duque com a ajuda de Ronald — metade deles havia fugido antes de chegarmos, preocupada com o não comparecimento do duque. Os que fugiram fingiam ignorar completamente o assunto.

“Se você tivesse sido mais rápida, poderia ter resolvido tudo de uma vez”, reclamou o homem. “O Ronald foi muito negligente.”

“Não é culpa da Senhorita Eleanora que o Ronald tenha chegado atrasado?”, observei.

O rosto do homem se contorceu, sua expressão tornando-se indignada. “Não há como ela ter culpa!”

Ignorando a mudança enfática em seu tom, continuei a detalhar o restante do que eu sabia. Pelo que eu ouvira, a maioria dos aristocratas radicais que escaparam da captura eram peões, e não haviam levado nenhum dos planos do duque adiante. Os radicais que foram presos tiveram todos os seus títulos cassados ​​e suas riquezas confiscadas, e foram condenados a viver o resto de suas vidas como plebeus. Esperava que isso fosse suficiente para assustar os radicais que não haviam sido detidos e impedi-los de se meterem em mais problemas.

“Eles poderiam ter recebido uma punição mais severa”, resmungou o homem, com os lábios franzidos em sinal de desagrado.

“Isso é assustador vindo de você”, eu disse, lançando um olhar ao homem antes de prosseguir para o próximo tópico de discussão: o reino.

Felizmente, as ações do duque não causaram praticamente nenhum distúrbio em Valschein. Os territórios confiscados dos antigos aristocratas foram colocados sob o controle direto da família real, o que tornou o reino mais estável do que nunca. Como alguém que priorizava a estabilidade acima de tudo, senti que as coisas tinham corrido tão bem quanto poderíamos esperar.

Mas o interesse do estranho parecia ir além do reino. “E então?”, perguntou ele, nervoso. “Como ela está?”

“Da melhor forma possível, já que eu disse a ela que você morreu”, respondi. “Não posso fazer diferente, pois ela é péssima em guardar segredos.”

{Yoru: EU SABIA!!! A Yumiella não ia deixar nem esse cara morrer. | Moon: The Plot Twist??? Se bem que com os poderes de cura dela, quem sabe né? | Del: Oh, então o Duque Hillrose realmente encontrou seu fim, sem ducado, sem Hillrose, só… qual o nome dele mesmo?}

“Entendo”, respondeu ele. “Bom, contanto que ela esteja bem, acho que está tudo bem… Você não está fazendo com que ela treine seu nível, está?”

“Claro que não”, eu disse, debochando. “Nosso acordo era que, contanto que você se mantivesse longe de problemas, eu não faria isso.”

Ela provavelmente ainda está correndo e brincando no rio agora… pensei. Ah, é mesmo! Eu não contei a ele que a senhorita Eleanora está aqui.

Lancei um olhar rápido para o homem, percebendo o quão inquieto e irritado ele parecia. Heh, no instante em que mencionei Eleanora, sua atitude mudou completamente.

O homem suspirou. “Por que aquela garota é tão apegada a você?”, perguntou, parecendo perdido. “Por que ela gosta tanto de alguém tão louca?”

Dei de ombros. “Eu também não faço a mínima ideia.”

“Por que ela veio para o Condado de Dolkness naquela época? Eu ainda não faço a mínima ideia.”

“Aparentemente, ela veio me parabenizar pelo meu casamento”, informei a ele.

Depois de perceber que o convite de Eleanora era para um casamento em vez da festa de nível 99 do Patrick, verifiquei se todos os convites eram assim. De fato, eram, e não só isso — todos, até o próprio rei, haviam recebido um. Daemon e seu povo até já tinham começado os preparativos por algum motivo, então parecia que realmente teríamos um casamento em seis meses, como dizia o convite. Essa informação me deixou completamente perplexa.

{Moon: Droga, ela notou… akakaka}

Eu realmente não entendo… Eu gemi por dentro. Patrick e eu nem sequer decidimos nos casar, muito menos combinar uma festa de casamento! Ficamos noivos, mas o casamento nunca esteve nos nossos planos! Mas eu, sabe... não me importaria de casar. Quem sabe um dia…

{Yoru: Ué…? Até onde eu sei, quando duas pessoas ficam noivas, é uma promessa de casamento…}

Enquanto eu me debatia em conflito interno pela enésima vez desde que tudo veio à tona, as sobrancelhas do homem se ergueram em surpresa.

“Casamento?”, perguntou ele. “Ah, eu não tinha reparado no anel.”

Olhei para ele confusa. “O que tem o meu anel?”

“É um instrumento mágico e um anel de noivado, não é? Não consigo acreditar que a magia dessa coisa foi o que me derrotou.”

Meu cérebro se concentrou na primeira afirmação, ignorando completamente a segunda. Um anel de noivado? Fiquei perplexa, incrédula. Não tem como, este anel que estou usando é apenas um presente surpresa que o Patrick me deu…

Sentindo-me segura, disse ao homem com firmeza: “Isto não é um anel de noivado.”

“Então por que você está usando isso nesse dedo?”, ele perguntou.

Olhei para o quarto dedo da minha mão esquerda. Espera aí, alianças de noivado são para usar nesse dedo? Quer dizer, não é como se eu soubesse disso quando coloquei; eu simplesmente não estava pensando… Espera. Foi o Patrick que decidiu que eu deveria usar a aliança nesse dedo.

“O Patrick é surpreendentemente ignorante…” murmurei para mim mesma.

O homem soltou um longo, longo suspiro. “Estou começando a sentir pena daquele garoto.”

{Yoru: Nós também, meu amigo… Nós também… | Moon: Bem-vindo ao Clube Duque… Ou melhor, Cara “Morto”.}

Nesse instante, a porta da casa do homem se abriu de repente. Senti uma necessidade irresistível de levar a mão à testa.

Ela segue algum princípio que a impede de bater na porta ou algo do tipo?

“Yumiella, eu peguei um caranguejo! Podemos comer—”

Eleanora parou de falar no meio da frase, encarando o homem parado atrás de mim. Ele também havia ficado rígido, com o olhar fixo nela.

“P-Pai…?” Eleanora sussurrou, pronunciando as palavras com dificuldade.

“Eu sou… eu sou apenas um simples aldeão. O duque de Hillrose está morto.”

A surpresa desapareceu do rosto de Eleanora. “Entendi, meu engano! Você se parece muito com meu pai.”

“E-Eleanora…?” o homem gaguejou.

{Yoru: KKKKKKKKK | Moon: MAS NEM FERRAN— | Del: Meu Deus…}

Ah, é mesmo — a senhorita Eleanora aceita tudo ao pé da letra. Até mesmo isso.

Fiz um esforço enorme para conter o riso ao ver a expressão de total incredulidade no rosto do homem. O fato de saber que um reencontro emocionante estava prestes a acontecer tornou tudo ainda mais engraçado.

“Ah, Yumiella”, começou Eleanora, virando-se para mim. “Eu também peguei um caran—”

“Eleanora, é o seu papai!”

Todos nos viramos para olhar para o homem. Ele parecia um pouco envergonhado por ter falado aquilo em um momento de pânico. Então, o rosto de Eleanora se iluminou.

“Pai! Eu sabia, você é o meu pai!”

“Sim, minha querida filha, sou eu! E você é a menina mais linda do mundo inteiro!”

Lancei-lhes um olhar de desdém enquanto se abraçavam e, em seguida, saí. “É o seu papai”?! Ah, fala sério! Não suporto pais superprotetores como ele; são tão sem dignidade. Será que ele tem noção do quão ridículo isso é?

Sem nada para fazer a não ser esperar, vaguei sem rumo pela área até encontrar Ryuu, que estava cavando um buraco no chão nos arredores da vila.

“Ryuu!” gritei. “É a sua mamãe!”

{Yoru: ‘Será que ele tem noção do quão ridículo isso é?’ ~ Dolkness, Yumiella. Dois parágrafos atrás. | Moon: Adicionar nas pérolas mais tarde… check. | Del: A cada página de Akuyaku tem tipo, umas 5 pérolas kkkkkk.}

Meu pequeno dragão-toupeira não reagiu; estava muito absorto cavando, suas patas se movendo rapidamente sobre a terra à sua frente. Em vez disso, uma voz próxima disse com um suspiro: “Você não se sente constrangida por dizer uma coisa dessas?”

Olhei para o lado e vi Patrick; ele deve ter vindo atrás de mim depois de levar Eleanora até a casa.

“O que tem de estranho no que eu estava dizendo?”, perguntei, perplexa.

Ele suspirou. “Deixa pra lá…”

Ele está dizendo coisas estranhas de novo. Eu pensei. Ah, bem, ele é só uma pessoa meio estranha. Não é culpa dele se a compreensão dele sobre as coisas é um pouco distorcida.

{Del: A dele…}

Contemplamos a vista da vila à nossa frente em um silêncio agradável. A paisagem daquele pequeno povoado havia mudado completamente nos últimos meses. Olhando para aquilo, era difícil acreditar que não havia nada ali há tão pouco tempo.

Ah, é verdade! Eu devia contar ao Patrick o que aquele homem acabou de mencionar. Aposto que ele vai ficar surpreso.

“Ei, você sabia que existe um significado por trás de usar um anel em cada dedo?”, perguntei. “Aparentemente, anéis de noivado e alianças de casamento são usados ​​no quarto dedo da mão esquerda!”

Houve um momento de silêncio pesado. “Eu… já sabia disso”, disse Patrick.

Como assim, ele já sabia disso e colocou o anel nesse dedo?! Senti um frio na barriga. Então, acho que esse anel provavelmente é um anel de noivado, né? Espera aí — é esse tipo de anel de noivado?

“Então, hum… isso significa que é… Érm…”

O Patrick… me pediu em casamento sem que eu soubesse? Será que ele estava me pedindo em casamento quando me deu esse anel?!

Logicamente, eu conseguia entender que era isso que tinha acontecido, mas minha mente simplesmente não conseguia assimilar. Mesmo assim, ele merecia uma resposta. Embora, de repente, fosse estranho dar-lhe uma resposta depois de tanto tempo…

Minha mente dava voltas, a confusão e a ansiedade a superaquecendo a um nível perigoso. Mas antes que eu pudesse ter um colapso total, Patrick estendeu a mão, pegou minha mão esquerda na sua e arrancou o anel do meu dedo.

“Hã? Por que você…? Espera, você não me pediu em casamento naquela época? Você não quer se casar?”

Estávamos simplesmente deixando as coisas acontecerem naturalmente, mas de repente ficamos noivos e a data do nosso casamento já estava marcada. Será que Patrick quer alguma dessas coisas? Eu só pensei que tínhamos dado sorte, mas se o Patrick pensa diferente…

“Você não vai entender a menos que eu deixe as coisas claras, então quero te dizer isso formalmente”, disse Patrick. Ele se ajoelhou na minha frente e estendeu o anel com as duas mãos. “Eu te amo, Yumiella. Vamos nos casar.”

Em circunstâncias normais, eu já teria desviado o olhar, envergonhada. Mas, por algum motivo, naquele momento meu olhar estava fixo, meus olhos presos nos dele. Um instante se passou, segundos se estendendo como o que pareceram horas enquanto nos encarávamos. A única coisa que se movia era o nosso cabelo, agitado pelo vento.

Posso ser completamente leiga em assuntos românticos, e talvez nunca tenha tido ideia do que significava usar um anel no quarto dedo da mão esquerda, mas até eu sei o que fazer a seguir.

Estendi a mão esquerda, meus olhos ainda fixos nos de Patrick enquanto eu dizia: “Claro, seria um prazer.”

{Yoru: Já pode acender o rojão?! | Moon: Aeeee! Finalmente!!! Finalmente… | Del: Fiiuuuuuuuu… PROW BUM BUM POW!! Aeee rapaziada, já tava achando que era impossível kkkkkkk.}

Eis aqui meu golpe final! Com um simples ‘Claro, será um prazer’, declarei meus sentimentos sem usar palavras como ‘gostar’, ‘amar’ ou ‘quero me casar com você!’. Ah, que frase conveniente! Entendo por que quem trabalha com atendimento ao cliente a usa com frequência.

Mas… algo estava errado. Tentei dar uma risadinha, feliz por ter conseguido dar a ele uma resposta satisfatória, mas o som saiu embargado e meus olhos se encheram de lágrimas. O anel, com seu brilho verde pálido, foi colocado novamente em minha mão esquerda. Mas as lágrimas não pararam.

 

“Não é que eu esteja triste nem nada, só que…”

“Eu sei.”

Mesmo que Patrick enxugasse minhas lágrimas com um lenço, elas continuavam a cair. Parecia que não iam parar até que toda a água tivesse sido drenada do meu corpo.

Foi então que a voz estridente de certa pessoa invadiu nossos ouvidos.

“Ei, você! O que é isso que eu ouvi sobre você carregando a Eleanora enquanto corria por aí?!”

“Espere, pai! Foi bom, mas não foi assim!”

Nesse momento, minhas lágrimas pararam completamente de cair. Meus olhos, que estavam excessivamente hidratados no instante anterior, secaram.

Muito bem, Hillroses. Agora não preciso me preocupar em deixar toda a água escorrer pelos meus olhos e virar uma múmia.

Ao perceber a presença barulhenta, porém alegre, dos dois ex-aristocratas, Ryuu também voou até eles. Eleanora acenou animadamente para ele, mas seu pai permaneceu à sua frente como se quisesse protegê-la.

“Ryuu, por aqui!” Eleanora chamou, inclinando-se ao redor do corpo do pai.

“Não— Eleanora! Ei, depressa, faça alguma coisa com o dragão!” O homem agarrou a filha, segurando-a no lugar. “Eleanora, fique aí!”

“Não se preocupe, pai, eu sou amiga deste dragão!”

“E daí?! E se algo acontecer e você for esmagada?! Não, eu não vou deixar isso acontecer — seu pai vai te proteger!”

Parece que essa dupla pai-filha barulhenta demais vai ficar na minha vida por um bom tempo. Pensei comigo mesma, com um suspiro.

“Você acredita que esse é o cara que se rebelou contra a família real?”, perguntei, virando-me para Patrick.

“Ele me parece apenas um pai superprotetor.” Nós dois nos entreolhamos e soltamos uma risada irônica.

 

Resenha do Tradutor e Revisores

Yoru: Meus companheiros, SOLTEM OS FOGOS!!! Finalmente, depois de tanto sofrimento (do Patrick e nosso), nossos pombinhos se uniram em noivado. O próximo passo é, sim, o tão aguardado matrimônio, que já está com data marcada, inclusive. Marquem em seus calendários, no próximo volume teremos uma cerimônia inédita (espero). Enfim, nos vemos no posfácio deste volume. Fui! :)

MoonLak: É meu povo, não esperava nada, me entregaram tudo nesse capítulo. Eu dei um pulo legal aqui da cama e um surto básico como uma amante de romances, mas coisa básica. Finalmente o grande goat Patrick poderá aproveitar um tempo com a sua NOIVA que está consciente de seu ‘título’. Parabéns aos pombinhos!!!

DelValle: De alguma forma, esses capítulos de epílogo são o pico para vermos aquilo que tanto nos agonizamos para tentar ver durante essa obra kkkkkkkk. Mas zoeiras rapaziadas, é muito divertido ler e fazer isso aqui! Foi um ótimo volume, mas já já vem mais aí da nossa lendária dupla dinâmica! Bye bye!



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