Vol 2
Capítulo 16
O Chefe Oculto Enfrenta o Duque
No dia seguinte ao nosso retorno ao Condado de Dolkness, eu ainda estava preocupada com o que estava acontecendo com Duke Hillrose, mas não tive escolha a não ser deixar esses pensamentos de lado — meu trabalho como senhora do condado havia se acumulado.
Os moradores da vila do Viscondado Cottoness haviam acabado de se mudar para sua nova vila, e nós continuávamos enviando ajuda enquanto eles cultivavam os campos. Eu havia considerado ajudá-los pessoalmente também, mas tanto Patrick quanto os próprios moradores logo me impediram. Não me senti ofendida pela decisão deles — afinal, eles só recusaram minha ajuda porque estavam determinados a se virar sozinhos, não porque temiam que algo terrível acontecesse se deixassem tudo por minha conta.
Com os moradores instalados, comecei meu dia no escritório, endereçando e assinando envelopes sem parar. Eu ainda estava lá, aliás, e honestamente já estava ficando um pouco exasperada com a montanha de envelopes que Daemon tinha me empurrado para assinar, por razões que me eram desconhecidas.
Virando-me para o homem mais velho, perguntei: “Ei, para que servem esses envelopes?”
“Bem…” Os olhos de Daemon se voltaram para Patrick, que estava em outro canto do escritório examinando alguns documentos, e depois voltaram para mim. “Você já contou para ele?” perguntou em voz baixa.
Ah, devem ser convites para a festa de comemoração do nível 99 do Patrick! Isso explica os envelopes endereçados ao marquês e ao rei.
Na verdade, eu não tinha contado ao Patrick sobre a festa — queria manter segredo até o último segundo possível, para que fosse uma surpresa. Eu estava determinada a não deixar o Patrick descobrir, mesmo sabendo que ele geralmente tinha uma boa capacidade de pressentir esse tipo de coisa.
{Moon: Vai ser uma surpresa para ela também, vai vendo kkkk.}
Balancei levemente a cabeça para Daemon, indicando uma resposta negativa à sua pergunta, e então disse: “Ah, sim, os convites!”, como se nada estivesse acontecendo. “Mas onde estão as cartas que deveriam estar neles?”
“Eu vou preparar isso”, respondeu Daemon. “Não são convites oficiais, apenas um aviso de que haverá uma cerimônia por volta do inverno. Tudo o que você precisa fazer é endereçá-los e assiná-los; isso deve ser suficiente.”
Assenti com a cabeça. Avisar com seis meses de antecedência parece um pouco demais, mas imagino que a maioria das pessoas na nossa lista de convidados esteja bastante ocupada. Mesmo assim, endereçar todos esses envelopes é cansativo.
Pensei na pilha infernalmente grande de cartas que eventualmente teria que encarar e estremeci com um pressentimento ruim.
“Ah, e seu vestido ficará pronto em breve”, disse Daemon de repente, como se a informação tivesse acabado de lhe ocorrer. “Você precisará experimentá-lo uma vez, e então eles precisarão fazer alguns ajustes.”
“Você está falando daquele branco, certo?”
“Sim, esse mesmo.”
Suspirei por dentro. Será que eu realmente preciso usar um vestido de gala? E um branco, ainda por cima? Eu sei que é uma comemoração e tudo mais, mas usar um vestido tão chique é a única coisa que eu não estou ansiosa para fazer. Além disso… e se nos esforçarmos tanto para planejar essa festa enorme e o Patrick nem chegar ao nível 99 a tempo? Mesmo que estejamos comemorando nós dois, ele pode se sentir humilhado. Eu preciso que ele continue se esforçando até o inverno chegar.
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Certa tarde, aproximadamente uma semana depois de Patrick e eu termos retornado da Capital Real, quando já havia transcorrido tempo suficiente para que eu quase me esquecesse completamente de todos os envelopes que fora obrigada a endereçar, uma carta chegou à mansão Dolkness. Segundo o jardineiro a quem a carta fora entregue, um homem misterioso aparecera e a entregara a ele.
Lancei um olhar desconfiado à missiva que agora estava em minhas mãos — a julgar pelo selo de cera que decorava a frente, era inequivocamente do duque de Hillrose. Mesmo assim, não havia como ignorá-la, então Patrick e eu cedemos e abrimos a carta cuidadosamente juntos.
“É para você”, eu disse, virando-me para Patrick. “Diz para você ir ao palácio hoje.”
“Ele deve estar tentando nos separar.”
Assenti com a cabeça. Embora o objetivo final do Duque Hillrose ainda fosse um mistério para mim, o propósito da carta era claro. Por algum motivo, o duque queria que Patrick e eu nos separássemos, e provavelmente instruiu alguém de sua equipe a nos entregar esta mensagem em um horário específico para atingir esse objetivo.
“Bem, não precisamos dar ouvidos ao Duque Hillrose, de todas as pessoas”, Patrick sibilou, fazendo uma careta. “Devemos ignorá-lo e ficar aqui.”
“Mas… diz que a Capital Real vai estar em apuros se você não for. O próprio duque provavelmente está na Capital Real, certo?”
“Sim, mas eu não posso simplesmente ir embora…”
Se analisarmos a situação logicamente, entre a Capital Real e o Condado de Dolkness, um dos locais tinha que ser uma distração e o outro, o verdadeiro perigo. Parecia óbvio que a Capital Real seria este último, o que significava…
Será que o duque está tentando me impedir de ir à Capital Real? Isso faria sentido se ele estivesse planejando algo que Patrick não pudesse fazer sozinho. Embora eles também possam estar tentando atrair Patrick para longe para tentar me dominar aqui em Dolkness… mas as chances de esse ser realmente o objetivo dele parecem bem pequenas. Soltei um resmungo interior de frustração. Quem ou o que Duque Hillrose realmente está visando?
“Onde você acha que está o verdadeiro perigo, Patrick?”, perguntei finalmente.
“Na capital real, muito provavelmente.”
“Eu também acho isso”, concordei. “Então… talvez eu devesse ir para a Capital Real, em vez de você?”
Nesse caso, eu cuidaria de tudo que acontecesse na área central do reino, enquanto Patrick ficaria aqui no Condado de Dolkness caso algo desse errado. Parecia um bom plano para mim — era o melhor que eu tinha.
Patrick ficou em silêncio por um momento, pensativo. Então, ergueu o olhar, fixando-se em mim. “Você não pode simplesmente ignorar uma crise na Capital Real, pode?”
“Definitivamente não.”
“E você também não consegue deixar de se preocupar com o que pode acontecer no Condado de Dolkness, consegue?”
“Não.”
Em suas palavras, percebi um reconhecimento dos meus medos. Havia dois lugares que me preocupavam, mas só havia uma de mim. Ao me lembrar disso, Patrick provavelmente estava tentando me mostrar que eu precisava fazer uma escolha.
“Seja o reino ou o condado, você precisará fazer tudo o que puder para salvar um, estando preparada para abandonar o outro”, disse Patrick, com o rosto incomumente sério. “Você escolhe, Yumiella: o que é mais importante para você, a Capital Real ou o Condado de Dolkness? Vá para aquele que mais te chamar, e eu irei para o outro.”
“Hehe.” Fiz uma careta — a risada tinha acabado de escapar sem que eu percebesse.
Será que o Patrick pensa que está me fazendo tomar uma decisão difícil agora? Quer dizer, claro, nós dois poderíamos ter escolhido um lugar e ido juntos, mas eu sabia desde o início que ele não tinha intenção de abandonar nenhum deles. Nem estou preocupada que o lugar que eu não escolher não seja bom — o Patrick estará lá para me ajudar.
“Então eu protegerei o Condado de Dolkness”, decidi. “Afinal, sou a senhora deste território e esta é a minha casa. Deixarei a Capital Real para você.”
Patrick assentiu com a cabeça. “Entendi. Se algo acontecer, volto imediatamente.”
“O que seria ‘algo’?”
“Qualquer coisa. Tipo, se você causar algum tipo de problema.”
Ergui as sobrancelhas. Espera aí, eu que vou causar problemas?
“Será que sou mesmo tão indigna de confiança?”
Patrick riu. “Desde que você tocou aquela flauta invocadora de monstros no nosso primeiro ano na Academia, nunca mais fui tolo o suficiente para confiar em você.”
“Então é melhor você voltar para casa se eu tocar a flauta”, eu disse, estreitando os olhos para ele.
“Eu irei”, prometeu ele, virando-se para a janela. “Vamos, Ryuu.”
Confiei em Patrick e deixei a Capital Real aos seus cuidados. Patrick confiou em mim, que era completamente indigna de confiança, e deixou o condado aos meus cuidados.
Ryuu estava espiando a mansão por uma janela, percebendo a atmosfera inquietante, e rugiu em resposta a Patrick. Patrick pulou nas costas de Ryuu e saiu voando em direção à Capital Real.
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Poucos minutos depois da saída de Patrick, o barulho aumentou bastante do lado de fora da mansão.
Intrigada com os sons que chegavam aos meus ouvidos, franzi a testa. Será que o duque estava mesmo de olho no meu condado o tempo todo? Será que ele estava observando para ver se Patrick iria embora?
Saí correndo às pressas e logo avistei uma carruagem parada em frente à mansão. Estava decorada com o brasão da família do duque. Meus olhos se estreitaram quando a porta se abriu e de lá saltou…
Eleanora? Por que você está aqui?!
“Yumiella! Eu! Cheguei!”
Eleanora disparou na minha direção; quase esbarrou em mim antes que eu recobrasse os sentidos o suficiente para segurá-la e impedi-la.
“Hum… o que você está fazendo aqui?”
“Parabéns pelo seu noivado!”
Lancei um olhar desconfiado para a garota que estava muito animada. Do que ela está falando…? Eu me perguntei, começando a guiá-la em direção à mansão.
“O que você está dizendo sobre eu estar noivando?”, perguntei a Eleanora enquanto caminhávamos.
“Você anunciou isso nesta carta, bobinha! Enfim, como foi o pedido de casamento?”
Ignorando Eleanora, que estava se exaltando novamente, concentrei-me na leitura da carta que ela me entregara. Para minha surpresa, nela estava escrito o anúncio de que Patrick e eu iríamos nos casar e que nosso casamento seria realizado em breve no Condado de Dolkness.
Não me lembro de ter enviado algo assim. Pensei, ao inspecionar o envelope, e constatei que minha assinatura estava nele. Essa é a minha letra, com certeza. Será que este é um dos convites para a festa de nível 99 do Patrick? Mas como é que essa confusão aconteceu? Só pode haver uma pessoa culpada. Nossa, o Daemon pode ser surpreendentemente inepto.
Mas eu me distraí com a carta e com a dama despreocupada que passeava à minha frente.
Mais importante ainda, o que exatamente está acontecendo aqui? Será que isso faz parte do golpe de estado do duque? Não consigo acreditar que ele deixaria a filha fazer algo tão ultrajante… Talvez haja um grande mal-entendido, como houve com o convite de casamento.
Enquanto eu olhava pensativamente para Eleanora, minha atenção foi capturada e mantida por um grande envelope debaixo de seu braço.
Eu não enviei isso para ela, enviei…?
“Senhorita Eleanora, o que tem nesse envelope?”
“Que envelope?” perguntou Eleanora, lançando-me um olhar confuso. “Ah, esse envelope! É uma carta que preciso entregar ao meu irmão!”
“Para o Ronald? Entendi.”
Acho que não tem nada a ver comigo. Eu pensei.
Mas, assim que eu havia descartado o conteúdo do envelope da minha mente, Eleanora repentinamente abriu a carta, revelando vários documentos que estavam guardados lá dentro.
“Hum, você pode abrir isso?”
Eleanora acenou com a mão, indiferente. “É uma carta entre familiares; não deve haver problema nenhum em eu dar uma olhada.”
Não tenho tanta certeza disso. Pensei com desconfiança. Mesmo que alguém seja seu parente, essa pessoa ainda quer ter privacidade, não é mesmo…? Meus pensamentos dispersos foram interrompidos abruptamente quando uma constatação me atingiu. Espere, se essa é uma carta para Ronald entre membros da família, e não é da Eleanora, isso não significaria que seria… do duque?
Eleanora me cutucou, estendendo os documentos na minha direção; ela devia ter acabado de lê-los. “Não entendi”, disse ela, franzindo a testa. “E você?”
Hesitei antes de pegar os documentos de suas mãos. “Hum…”, disse fracamente, “não seria ruim se eu lesse isso?”
Eleanora apenas me encarou em silêncio, expectante, e logo sucumbi à minha curiosidade, folheando rapidamente os papéis que agora tinha em mãos.
Rapidamente percebi que estava diante dos planos de um golpe de estado. Os documentos detalhavam a estratégia dos rebeldes, que aparentemente consistia em atrair monstros para atacar a Capital Real e, em seguida, capturar o rei e o primeiro príncipe durante o caos. Com eles em mãos, eles teriam conquistado o poder necessário para obter o controle total de Valschein. Como se isso não bastasse, as forças do duque pareciam ser reforçadas por diversos guerreiros habilidosos enviados de Lemlaesta.
Ah, e eles também estão organizando um comício para os aristocratas radicais que apoiam o duque esta noite. Percebi. Parece que vai acontecer esta noite.
No geral, o conteúdo do envelope era universalmente terrível. Levei a mão à testa. “Eu não devia ter lido isso…” murmurei, enquanto minha mente começava a trabalhar a mil.
Por que o duque teria enviado isso para o Ronald? Será que o Ronald está planejando trair o rei e se juntar ao duque…?
Nesse instante, um pequeno bilhete que estava entre dois documentos caiu. Eleanora inclinou-se, pegou-o e começou a lê-lo em voz alta.
“‘Querido Ronald, por favor, cuide da Eleanora.’” Um sorriso carinhoso surgiu no rosto de Eleanora. “Oh, pai, eu estou perfeitamente bem sozinha.”
Fiz uma careta. Embora eu não tivesse a menor ideia de qual seria a reação de Ronald ao receber aquela carta, uma coisa era certa: o Duque Hillrose era culpado. Ele estava absolutamente planejando um golpe de Estado.
Como vou contar para a Eleanora…? Uma sensação de mal-estar me invadiu o estômago.
É claro que esse foi exatamente o momento em que Eleanora decidiu fazer a pergunta que eu mais queria evitar.
“Então… o que tudo isso significa?”
Ela vai descobrir eventualmente. Eu pensei. A única dúvida é se isso vai acontecer mais cedo ou mais tarde. Eu… acho melhor contar para ela agora.
“O duque de Hillrose está… Seu pai está tramando um golpe de estado.”
“Golpe de Estado?”
“Uma revolta.” Diante de outro olhar de incompreensão, reformulei: “Ele está, hum, tentando derrubar Sua Majestade, de certa forma. Ele está planejando virar o reino inteiro de cabeça para baixo.”
“O quê…?”
“Você provavelmente deveria ficar comigo por um tempo; a Capital Real provavelmente ficará bastante turbulenta. Te oferecer abrigo até que as coisas se acalmem é o mínimo que posso fazer.”
Eleanora deve ter ficado bastante chocada, pois não respondeu. Ela apenas olhou para o chão, tremendo. Finalmente, ela se recompôs e olhou para cima, seus olhos se estreitando em um olhar fulminante para mim.
“Isso é impossível!”, declarou ela.
“Quer dizer, os planos do duque estão bem aqui…”
“Mas não tem jeito… Se isso for verdade, talvez eu não consiga me casar com Sir Edwin…”
{Moon: Mas num é possível… | Del: Patrick! Cadê você para nos salvar??}
É mesmo com isso que você deveria se preocupar num momento como este, senhorita Eleanora…? Pensei, um pouco exasperada. Mas foi aí que Eleanora provou que não era só o príncipe que estava em sua mente.
“Yumiella… você provavelmente me odeia, não é?”
“O quê?! Do que você está falando?”
“Meu irmão provavelmente também me odeia…” disse Eleanora, com a voz baixa e deprimida. Ela olhou para baixo mais uma vez, com lágrimas se formando em seus olhos. “Talvez, só talvez, não exista uma única pessoa que realmente goste de mim.”
“Senhorita Eleanora?” Preocupada, aproximei-me dela.

“Mas!” ela gritou, com lágrimas escorrendo pelo rosto. “Mas meu pai… eu sei com certeza que ele ama o Reino de Valschein! Há muitas coisas neste mundo que eu não entendo, e é difícil para mim saber o que os outros estão pensando, mas uma coisa eu sei com certeza: meu pai ama muito este reino!”
Soluçando, Eleanora enterrou o rosto no meu peito e começou a chorar como uma criança. Em segundos, apagou.
O choro provavelmente a deixou cansada. Refleti enquanto a pegava no colo e a levava para a cama.
Assim que acomodei Eleanora, parei e a observei brevemente enquanto dormia. Enquanto eu estava ali, Rita aproximou-se cautelosamente e me entregou uma folha de papel, que estava amassada como se tivesse sido dobrada momentos antes.
“Isso foi jogado na entrada”, explicou Rita.
“Isso é…”
O papel amassado tinha o brasão da família do duque e o que estava escrito nele era brutalmente direto: “Estarei esperando fora da cidade.”
Não havia necessidade de eu me perguntar quem estaria à espera. Parecia que havia chegado a hora de eu acertar as contas com um certo pai terrível, que fizera sua única filha chorar.
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O único lugar que me veio à mente onde o duque poderia estar esperando ‘fora da cidade’ foram os campos gramados localizados bem na divisa da Vila Dolkness. Era o mesmo lugar onde eu estivera naquela noite especial com Patrick, quando experimentei álcool pela primeira vez. Eu também não me importei de usá-los como ponto de encontro — eu não queria ir muito longe da Vila Dolkness, e os campos mais do que atendiam a esse desejo.
Assim que parti, não demorei muito para encontrar o Duque Hillrose, que me aguardava em um local de onde podia observar toda a Vila Dolkness. Caminhei até ele, mas ele sequer me dirigiu um olhar.
“Hum…” ele resmungou, olhando para a cidade atrás de mim. “Esta cidade não tem nada de interessante. Não é particularmente grande e não parece estar ligada a nenhuma indústria específica. É apenas uma cidade comum, sem nada de especial.”
“Pense o que quiser”, respondi. “De qualquer forma, eu gosto bastante dela.”
O duque me lançou aquele seu sorriso malicioso característico. “Claro que sim. Você é uma boa pessoa por natureza; não tem como você não se apegar a uma cidade que administra.”
Meus olhos se estreitaram. Você me causou muitos problemas, Duque Hillrose. Estou começando a ficar irritada. Continue assim e eu posso acabar capturando você — afinal, quem fizer o primeiro movimento vence. E, se eu lhe der um soco um pouco forte demais no processo, bem… isso é só um gesto de amizade.
{Yoru: Yumiella e seus gestos de amizade.}
Quanto mais eu pensava nisso, melhor o plano me parecia. Eu poderia ouvir o que o duque tinha a dizer mais tarde, e isso me daria bastante tempo para decidir o que fazer com ele.
Firme em minha decisão, joguei minha espada e varinha no chão e comecei a correr, indo direto para o duque.
Devo socá-lo com a mão direita ou com a esquerda? Ou… com as duas? Observando o duque, que era tão lento que jamais conseguiria reagir aos meus movimentos, decidi: Não, vamos optar pela direita por enquanto.
Mas no momento em que me preparei para dar o golpe, algo colidiu com a minha testa. “Ai!”
“Ora, ora. Não pensei que você fosse me atacar de repente.”
Por um instante fiquei sem palavras; pressionei a mão contra a testa, onde a dor era mais intensa, e me encolhi, quase em posição fetal. A sensação era como se eu tivesse batido de frente com uma parede, mas que, por algum motivo, eu é que havia sofrido o dano, e não ela.
{Moon1: EU OUVI PAREDE???}
“Espere! A barreira da igreja!”
“Você está correta; esta barreira foi de fato produzida pelo instrumento mágico transmitido dentro da principal igreja do Sanonismo. Ao produzir uma barreira menor do que a que eles produzem na igreja, aumentei sua força em algumas — não, algumas dezenas de vezes —”
Meus lábios começaram a se curvar nos cantos, bem levemente. “Não acredito que finalmente nos encontramos aqui de novo…”
“Ahem. E isso não é tudo! Além de sua forte resistência contra o elemento das trevas, também resiste a ataques físicos… Ei! Está me ouvindo?”
Para falar a verdade, eu não estava. Cada palavra que o duque dizia entrava por um ouvido e saía pelo outro — tudo o que eu sabia era que ele estava divagando. Isso porque…
Eu consegui! Finalmente te encontrei! Minha arqui-inimiga! Eu estava pensando que nunca mais te veria porque você tinha sido roubada, e então você apareceu diante de mim. Eu sabia; eu sabia que éramos rivais predestinadas! Como duas criaturas destinadas a batalhar para resolver nossas diferenças, é natural que sejamos atraídas uma pela outra dessa forma.
{Moon: Yumiella VS Parede é real!!! KAAKKAAKAK}
Minha primeira tentativa de romper a barreira foi acertá-la com um chute giratório, mas ela não se moveu. Foi então que percebi que, ao contrário da nossa batalha anterior, eu conseguia ver um contorno tênue da minha nêmesis. Senti uma onda de adrenalina ao ver sua forma cúbica, com um brilho fraco — este era o formidável inimigo que eu precisava destruir!
Parece menor do que antes. Percebi. Provavelmente só cabem umas cinco pessoas.
Comecei a rir baixinho. “Heh, você ficou mais forte, minha nêmesis.”
“Ei, escuta. Eu—”
Preciso ser rápida! Vamos tentar… um soco com a mão direita!
Meu punho se chocou contra a barreira, e um grande estalo reverberou pelo ar.
Eu… consegui?
Olhei para minha mão direita e vi que meu pulso estava dobrado numa direção impossível. Levantei-a em direção ao meu rosto e ela balançou frouxamente no meu braço.
Resmunguei pensativa. “Se meu pulso quebrou em vez do meu braço, isso significa que provavelmente não estou usando minha força nos lugares certos”, murmurei. “Preciso me concentrar mais.”
{Yoru: amiga, acho que não é com isso que você deveria se preocupar…| Moon: kaakakakakakakakka eu só consigo rir.}
“Ei! Sua… sua mão! Você está bem?! Isso não dói?!”
Ignorando o som irritante da voz do duque, curei minha mão com magia de recuperação. Ao mesmo tempo, concentrei minha mente — afinal, era hora de desferir um dos meus Socos Yumiella com toda a força.
Recuei, mas minha concentração foi perturbada pela reclamação irritante do homem do outro lado da barreira.
Nossa, ele está mesmo insistindo nessa coisa irritante, não é?
“Ei!” gritou o duque. “Escute! A! Mim!”
“O que você quer?”, perguntei com desgosto. “Aliás, quem é você mesmo? Você está me atrapalhando, então, por favor, vá para outro lugar.”
“Yumiella Dolkness! Você não está aqui! Porque! Eu te chamei aqui?!”
Do que ele está falando? Eu fui guiada até aqui pelas leis deste universo, para que eu pudesse me reunir com minha arqui-inimiga… não fui?
Minha mente dava voltas, mas fiz o possível para me concentrar novamente no homem à minha frente. Lembrei-me tardiamente de que ele era o duque de Hillrose — parecia que fazia uma eternidade que eu não pensava nele.
“Ah, certo... agora me lembro. Você é o Duque Hillrose. O que você queria de mim?”
“Já faz! Um tempo! Que tento! Conversar sobre isso! Com você!” gritou o duque, desesperado.
Hum. O duque sempre foi assim…? Ele não estava fazendo alguma coi—
“Ah! É verdade, você está tramando um golpe de estado.”
“É isso que eu estava tentando…” O duque interrompeu-se bruscamente, respirando fundo em seguida. “Sim, é isso mesmo. E agora, convido vocês a me acompanharem numa pequena viagem ao passado.”
Lancei-lhe um olhar desconfiado. Quero dizer… eu preciso mesmo? Eu meio que não quero. Prefiro voltar a lutar contra a barreira.
{Yoru: segue a saga Yumiella vs Barreira}
O duque deve ter percebido meu desejo ardente de batalha, pois continuou a falar em um ritmo mais acelerado. “Vai acabar rápido, entendeu?”
Suspirei. “Tudo bem, por favor, se apresse.”
“Por onde devo começar…? Você sabe como surgiu a família Hillrose?” Lancei um olhar vazio ao duque, e ele grunhiu.
“Vejo que você não está interessada. Mesmo assim… O ducado da família Hillrose foi fundado pelo irmão mais novo do primeiro rei de Valschein, o mesmo rei que celebramos como um herói.”
Eu sei disso, pensei com desdém. Não me subestime — saiba que li todos os livros da biblioteca quando estava entediada na Academia!
E, no entanto… apesar de minhas extensas leituras, eu não tinha ouvido falar sobre o que aconteceu com a família Hillrose após sua fundação. A curiosidade me aguçou, e minha obsessão com a barreira diminuiu, ocupando apenas metade dos meus pensamentos em vez da totalidade.
{Del: Modo fofoca: ativado.}
“O primeiro duque pensou no que poderia fazer para proteger o reino que seu irmão mais velho havia fundado. Em vez de priorizar sua própria família, colocou todo o reino em primeiro lugar. Ele transmitiu essa forma de pensar para a próxima geração, e assim por diante, até a seguinte.”
Isso não me parece muito correto. Refleti. O duque pode dizer isso, mas o rei me contou que os Hillroses estão em conflito com a família real há bastante tempo. Os fatos não estão batendo.
À medida que minha expressão se tornava cada vez mais confusa, um sorriso se espalhou pelos lábios do duque. “Sim, eu sei o que você está pensando. Não temos nos entendido com a família real há gerações. Mas isso sempre foi para o bem do reino.”
“Eu não entendo.”
“Existem vários tipos de aristocratas neste reino. É claro que eles já existiam quando este reino foi fundado, mas seu número aumentou ao longo dos anos. Naturalmente, alguns deles já nutriram pensamentos de rebelião. É extremamente perigoso para a família real não saber onde esses agitadores estão se escondendo.”
Assenti com a cabeça. Essa parte eu conseguia entender. Eu mesma tinha visto que havia muitos aristocratas que não tinham uma boa opinião da família real de Valschein. Eram todos radicais, assim como o duque…
Espere, será que os Hillroses estão em conflito com a família real para poderem reunir todos esses rebeldes em um só lugar?
“I-Isso não pode ser! Isso significaria que você…”
“Oh, parece que você entendeu. Sim, de fato, temos controlado nos bastidores aqueles que antagonizam a família real. Às vezes, os desencorajávamos a fazer algo muito ousado, enquanto em outras ocasiões, recrutávamos aristocratas da facção do rei para resolver suas queixas.”
Mas se isso for verdade, por que ele simplesmente não tenta desencorajar os radicais de levarem adiante essa confusão atual de tentar fazer do Príncipe Edwin rei? Minha mente dava voltas. Ele não poderia simplesmente dizer aos radicais que não era hora de agir e avisá-los de que, se o fizessem, seriam destruídos pela facção do rei? Havia tantas outras coisas que o duque poderia ter feito, então por que ele tomou a iniciativa de planejar um golpe de Estado?!
“Receio que nosso antigo método tenha chegado ao limite”, continuou o Duque Hillrose com um sorriso triste. “O reino foi contaminado profundamente. Chegou a hora de reunir todo o veneno que ainda corre em suas veias e expurgá-lo de uma só vez. Além disso, eu sabia que os métodos que me foram transmitidos acabariam por se mostrar insuficientes para lidar com os descontentes do nosso reino. Eu já havia me comprometido com esta operação antes mesmo de chegarmos perto do incidente com o Rei Demônio. Foi por isso que enviei Ronald até ele.”
O plano ficou claro para mim: o duque pretendia ser executado e arrastar consigo todos os aristocratas conspiradores que se opunham à família real.
“Mas você… Como pode se comprometer a fazer algo assim?”
O duque inclinou a cabeça. “Algo como o quê?”
“Sacrificar-se completamente por Sua Majestade!”
“Ah, isso. Bem, para começar, você entendeu tudo errado — nada do que estou fazendo é por ele. É pelo reino. Adoro este país, mas aquele rei insignificante? Não me importo nem um pouco com ele.”
Encarei o duque incrédulo enquanto um sorriso largo e genuinamente alegre se espalhava pelo rosto dele. Vocês dois não eram supostamente os melhores amigos um do outro no passado?! Como você pode sorrir assim enquanto o insulta?!
Mas foi aí que me dei conta: o Duque Hillrose passou a maior parte da vida mentindo para aprofundar a divisão entre a família real e a sua própria. Talvez ele continuasse mentindo, mesmo naquele momento.
De qualquer forma, finalmente consigo entender seu objetivo: ele quer eliminar todos os aristocratas radicais pessoalmente, para livrar o reino da influência deles. Mas o que isso tem a ver comigo?
“Agora que entendi o que você está tentando realizar, não posso deixar de me perguntar por que você veio até mim”, eu disse ao duque.
Ele assentiu. “Bem, há dois motivos para eu fazer isso. O primeiro é mostrar ao público que minha intenção de me rebelar contra o reino é real. O segundo tem a ver com meus planos, que provavelmente já chegaram ao conhecimento de Ronald. Neles, afirmo que vou lançar um ataque de monstros contra a Capital Real, enquanto reúno os rebeldes em segurança dentro desta barreira. No entanto, seria muito perigoso para o reino executar tal plano dentro da capital. É por isso que eu queria fazer isso em algum lugar um pouco menos perigoso…”
Estalei a língua em sinal de irritação. “Que chato…”
“Os planos que enviei a Ronald também detalham como os rebeldes tentaram recrutar você, Yumiella Dolkness, para as nossas forças, mas quando você recusou, entramos em frenesi e lançamos um ataque de monstros contra o Condado de Dolkness, em um ensaio para o que planejávamos fazer com a Capital Real. Eu… acho que é tudo.”
Ah, mas espere… os planos para o golpe de Estado não estão com Ronald, mas sim na minha casa. Eu percebi. Bem, acho que perdi a chance de lhe contar. De qualquer forma, tenho algo que me preocupa mais. Ele diz que vai lançar ataques de monstros em locais específicos, mas só o Rei Demônio seria capaz de fazer algo assim. Pelo que sei, humanos não deveriam ter o poder de controlar monstros.
“Não seria um pouco irrealista usar monstros para atacar a Capital Real?”, perguntei.
O duque assentiu. “Correto — não tenho poder para fazer com que monstros se dirijam a um local específico. No entanto, é possível atraí-los para um local específico… Aliás, acredito que chegou a hora de fazermos exatamente isso.”
No instante em que o duque parou de falar, um som familiar ecoou atrás de mim, vindo da Vila Dolkness — o som de uma flauta de invocação de monstros. Era um som nostálgico, já que flautas de invocação de monstros tinham me ajudado muito nos tempos em que eu estava aprimorando minhas habilidades. Mas esse som era estranhamente diferente do da minha antiga flauta — era significativamente mais alto, como se tivesse sido amplificado. O barulho trovejou pelo ar, reverberando por toda a área ao redor da vila.
“Você também conhece esse som, não é?” gabou-se o duque enquanto ouvia a melodia. “É uma flauta invocadora de monstros. E preparei uma raríssima, extra grande, para completar.”
“Ah! Na verdade, ela era minha! Tentei comprá-la de um comerciante, mas não consegui… Enfim, pago o que você quiser, então posso ficar com ela?!”
O sorriso malicioso do duque vacilou por um instante, mas ele conseguiu se recompor. “Em breve, monstros se reunirão na Vila Dolkness. Então, você—”
“Um dos seus subordinados tocou ela, não é? Onde ele está? Ah, talvez você tenha planejado deixá-la lá para que ele fugisse do local? Se eu pegar, quem achar fica com ela, certo?”
“Preste atenção!”
Olhei para ele com uma expressão confusa. Não precisa gritar — minha atenção está claramente voltada para o assunto mais importante aqui — a flauta gigante que invoca monstros! Me arrependo profundamente de não tê-la comprado, principalmente depois de ter passado por uma situação tão embaraçosa tentando consegui-la…
“Peço desculpas, me empolguei um pouco”, disse eu, recuperando a compostura depois de me lembrar do chilique que dei.
“Há algo de errado com você”, disse o duque com um suspiro pesado.
Patrick já me disse isso várias vezes; nem vale a pena mencionar agora. Falando em Patrick, agora que aquela flauta invocadora de monstros acabou de ser tocada…
“Eles virão…”
“Sim, um enxame de monstros virá para cá.” Eu o dispensei com um gesto de mão.
“Não, não os monstros.”
Se ele ouvir isso, meu cão de guarda com certeza virá me pegar. É melhor eu começar a preparar minha explicação.
“Ainda temos algum tempo antes que os monstros apareçam”, começou o duque de Hillrose, tranquilamente, de dentro de sua barreira impenetrável. “Então, posso muito bem lhe contar o segundo motivo da minha visita aqui.”
O duque já havia me dito que o primeiro motivo de sua vinda ao Condado de Dolkness era invocar uma horda de monstros em algum lugar menos perigoso para as pessoas do que a capital. Ele estava certo ao dizer que as coisas não sairiam muito do controle enquanto eu estivesse lá, mas ainda assim era um grande inconveniente.
Ao ver a careta que se formou em meu rosto, o Duque Hillrose soltou uma risada jovial. Eu o encarei com os olhos semicerrados.
Aquele cara tem uma personalidade completamente distorcida. Pensei com desgosto.
“Sabe, a informação que estou prestes a lhe contar é o verdadeiro motivo de eu estar aqui…”
“Ah, vamos logo com isso.” Suspirei.
“Não me olhe assim”, disse o duque, dando uma risadinha. “Você tem um rostinho tão bonito; fazer essa careta é um desperdício.”
“O que diabos você acabou de dizer?!” Rosnei, perdendo finalmente a paciência.
Sinceramente, é quase um milagre que eu tenha conseguido me manter firme por tanto tempo. Pensei com ironia. Mas não posso deixar que ele me distraia; preciso analisar a situação. Essa barreira que ele está usando o protege contra magia negra. Lá na igreja, eu não consegui atravessá-la, mas todos os outros conseguiram. Isso significa que ela só é eficaz contra monstros, magia negra e pessoas que usam magia negra — em outras palavras, ataques físicos que não envolvam meu corpo devem funcionar.
Peguei uma pedra de tamanho adequado e a arremessei com toda a minha força contra a barreira, mirando bem perto do rosto do duque. Ela voou pelo ar tão rápido que ficou vermelha com o atrito.
Ele provavelmente vai começar a correr se eu continuar assim. Refleti sobre isso. Mas, naquele instante, um baque alto reverberou pelo ar, seguido por uma repentina nuvem de poeira.
Hã? Eu mirei aquela pedra especificamente para que ela quase atingisse o rosto do duque; por que parece que ela bateu em alguma coisa?
Para minha surpresa, após uma inspeção mais detalhada, pareceu-me que a pedra havia atingido a barreira e caído no chão. O duque ainda parecia estar bem; ele olhava para a pedra horrorizado, gemendo: “Pensei que fosse morrer…”
Eu, no entanto, estava mais preocupada com outras coisas. “Não entendo”, murmurei. “Por que bloqueou a rocha se ela nem sequer tem um elemento?”
O duque, recuperando rapidamente a compostura, disse secamente: “Ajustei a barreira para que ficasse menor, de modo que sua resistência a ataques físicos também… Eu não expliquei isso antes?”
“Peço desculpas”, disse sinceramente. “Fiquei tão chocada ao reencontrar a barreira que não estava prestando atenção.”
Houve um breve silêncio, e então o duque bufou: “Acabou para mim.”
Suas palavras não faziam sentido para mim, então minha mente começou a divagar. Essa barreira é absurdamente forte, não é? Tipo, forte demais. Hehe, como esperado de uma oponente que reconheço como minha rival. Podemos ser inimigas, mas mesmo assim tenho orgulho de você, barreira.
Algo no meu olhar deve ter irritado o duque, porque ele soltou um gemido e levou as mãos ao rosto. “Droga, será que me envolver com essa garota foi um erro, afinal?”
“Você pode me dizer logo por que está aqui? Nada do que você diz faz sentido.”
O duque olhou para mim com um entusiasmo decididamente menor do que antes, mas, para meu alívio, começou a falar depois que eu o incentivei.
“Já expliquei o papel dos Hillrose, certo?”, começou ele. “Bem, o futuro deste reino tem me preocupado. O que acontecerá se os aristocratas que nutrem ressentimento contra a família real começarem a agir separadamente, por conta própria? Haveria um caos como nunca vimos antes. É por isso que tenho procurado alguém para assumir o legado dos Hillrose — alguém para ocupar a posição que ocupamos até agora.”
Estreitei os olhos para ele. Então ele está dizendo que estava procurando alguém disposto a se mostrar contrário à família real para que pudessem prender radicais ambiciosos? Dei uma risadinha irônica por dentro. É claro, ninguém concordaria com isso — ninguém sequer conseguiria!
Nesse ponto, eu queria encerrar a conversa. Comecei a ter um mau pressentimento sobre para onde ela estava caminhando, mas, infelizmente, não tive escolha a não ser continuar ouvindo.
“No fim, mirei em você, Yumiella Dolkness. Não tenho dúvidas de que sua casa poderia liderar a oposição contra a família real, assim como nós, os Hillroses, já fizemos.”
“Não, obrigada”, eu disse. “Quer dizer, eu sou apenas uma condessa, afinal. Por que não perguntar ao marquês?”
“O marquês?”, repetiu o duque Hillrose, com desdém na voz. “Essa família está à mercê da coroa! Sem falar que são fracos demais — jamais conseguiriam se opor à família real.”
Quer dizer, acho que minha família também não tem o que é preciso para isso… Você está esperando demais de mim, Duque Hillrose. Se você procura algo além de força bruta, está enganado. Embora… Nossa, é meio deprimente pensar assim, não é? Fui eu quem pensou isso sobre mim, mas mesmo assim…
Sacudi a cabeça para me livrar desses pensamentos. “Mas eu também não posso ocupar o lugar das Hillroses. Posso até ter um nível alto, mas fora isso, sou apenas uma pessoa normal.”
O duque zombou. “Ter um nível tão alto lhe confere uma quantidade absolutamente incrível de poder. E, embora você possa pensar que conseguiu enganar a todos, eu percebi que você é, na verdade, bastante perspicaz.”
Ele está… entendendo tudo errado. Pensei, com um suspiro. Isso está levando as coisas para um rumo ruim, mesmo que ele esteja fazendo suposições positivas em vez das negativas que as pessoas costumam fazer sobre mim.
Mesmo que eu pudesse assumir o papel que os Hillroses desempenharam no reino, ainda assim surgiriam problemas ao considerarmos que se tratava de um compromisso de longo prazo. Gerações da minha família teriam que arcar com o mesmo fardo, e não havia garantia de que alcançariam um nível tão alto quanto o meu. Embora… eu tivesse que admitir que era uma possibilidade, considerando que Patrick estava prestes a alcançar o nível 99.
Após uma breve pausa, eu disse calmamente: “Hipoteticamente falando, mesmo que eu pudesse assumir o papel que as Hillroses desempenham neste reino, eu não teria nenhuma obrigação de fazê-lo.”
Os olhos do duque se estreitaram. “Yumiella Dolkness, você tem carinho pela cidade atrás de nós, não é?”
“Bem… Sim, eu concordo.”
“Tenho certeza de que nem sempre foi assim. Antes, você não dava a mínima para aquela cidade, mas agora ela se tornou algo muito importante para você — o mesmo acontecerá com todo o Reino de Valschein. Acredite em mim; falo por experiência própria.”
Refleti sobre isso. “Somos pessoas bem diferentes”, disse por fim. “Não acho que eu jamais teria esses sentimentos.”
“Então vamos reformular as coisas.” O duque fez uma pausa, e seu rosto se contorceu no sorriso mais desagradável que eu já tinha visto nele.
Isso é ruim; ele com certeza vai recorrer a algum método nefasto.
“Pense nisso, Yumiella Dolkness!” exclamou o duque, soltando uma gargalhada estrondosa que me deu a nítida impressão de que ele havia enlouquecido. “Uma horda de monstros atacará em breve sua preciosa cidade! É claro que você partirá para protegê-la com sua força… mas é nesse momento que eu desativarei esta barreira. E eu… provavelmente serei morto pelos monstros!”
Olhei para o homem com os olhos marejados, confusa. Ele… realmente anunciou um plano que resulta na própria morte de uma forma tão animada e feliz? E, além disso, qual a motivação dele para fazer uma coisa dessas? Eu ainda não entendo o que ele está tentando conseguir. Se ele pensa que pode me fazer obedecer ao seu último desejo se matando, ele está louco. Eu não vou me submeter a um pedido desses.
“Você ainda está muito fraca, condessa”, o duque recomeçou. “Terá que me deixar morrer para salvar sua cidade; essa lembrança a assombrará para sempre!”
“Eu… O quê?!”
“Você pode ter habilidades físicas sobre-humanas e magia negra perfeita para aniquilar vastas áreas de terra, mas isso não significa que você não tenha fraquezas. Magia da luz é uma delas, é claro, mas você também não consegue se coordenar bem com os outros durante uma luta e não tem habilidade para defender um único local. Você sabe disso, não sabe? Que você se atrapalha quando precisa lutar e proteger algo ao mesmo tempo? Você pode ter conseguido se virar antes, já que estava defendendo apenas uma coisa por vez, mas desta vez você ficou com duas. Não tenho dúvidas de que você vai falhar.”
Senti um aperto no peito ao ouvir o duque. Era estranho alguém me desafiar a salvá-lo, se eu pudesse, depois de ter tomado a decisão egoísta de se deixar morrer. Mas, apesar do absurdo do plano, a verdade é que ele se provou bastante eficaz. Aliás, estava funcionando ainda melhor comigo do que eu jamais imaginaria, se tivesse ouvido falar dele antes.
Por isso ele queria me separar do Patrick e do Ryuu. Ele realmente pesquisou muito sobre mim.
Apesar do que eu havia pensado antes, eu sabia que me arrependeria pelo resto da vida se deixasse o duque morrer. Era possível até que eu tentasse controlar os elementos turbulentos do reino agindo em oposição à família real, exatamente como o duque queria. Mas…
Isso só acontecerá se eu realmente sair daqui para defender a cidade.
“Você não precisa ir?”, perguntou o duque com arrogância. “Os monstros estão quase aqui. Em breve, estarão invadindo a cidade em hordas.”
“Na verdade, vou ficar aqui”, respondi calmamente. “Assim que você desativar a barreira, eu te nocauteio e te levo para um lugar seguro. Depois disso… Bem, penso nisso mais tarde.”
“O que… o que você quer dizer?!” o duque gaguejou. “O que é mais importante para você, seu povo ou eu?”
“Os moradores da cidade, é claro. Agora se apresse e desligue essa barreira. Eles vão chegar a qualquer segundo.” Virei-me e apontei para o céu, onde uma grande sombra crescia gradualmente. “Veja? Lá vêm eles: a segunda pessoa mais forte do mundo e o dragão mais adorável que já existiu.”
Eu sempre acreditei que eles voltariam — embora eu odiasse admitir, Ryuu era um monstro por natureza. Não havia como a flauta invocadora de monstros não ter chamado sua atenção; não depois do quão alto ela tinha sido.
Mesmo estando ainda bem longe, ouvi Patrick gritar: “Você consegue me ouvir, Yumiella? O que aconteceu?”
Sorri por dentro, impressionado. É muito esperto da sua parte usar sua magia do vento assim, Patrick.
{Yoru: ele retornou, o GOAT! | Moon: O grande homem está de voltaaaaa!!}
Gritei de volta: “Um dos homens de Hillrose tocou uma flauta para invocar monstros. Era aquela enorme que o comerciante havia trazido antes. Não fui eu, tá bem? Eu realmente não fiz isso.”
Houve uma breve pausa. “Tenho… certeza de que não”, respondeu Patrick. “De qualquer forma, como posso ajudar?”
Ei, por que essa pausa?! Eu sei que não deveria estar tentando limpar meu nome agora, mas como Patrick pode estar tão desconfiado de mim numa hora dessas?
{Moon: Sério…?}
Respirei fundo e me forcei a me concentrar. O Duque Hillrose tinha razão quando disse que eu não era boa em defender um ponto específico — eu deixaria a proteção da cidade para Patrick. Ao contrário de mim, ele era a pessoa perfeita para a tarefa.
“Preciso que você vá para a cidade”, gritei para Patrick. “Acho que monstros vão chegar lá em breve.”
“Entendi”, disse ele seriamente. Ouvi-o dizer fracamente a Ryuu: “Vou descer agora.”
Quase no mesmo instante em que o vento levou as palavras aos meus ouvidos, vi Patrick saltar de Ryuu, que pairava sobre a Vila Dolkness.
Não acredito que ele faria isso sendo que tem medo de altura. Pensei, encorajada por sua coragem. Preciso dar o meu melhor aqui para poder retribuir na mesma moeda.
Mas antes de voltar a lidar com o duque, eu tinha mais uma coisa a fazer. Inclinei-me, peguei a varinha que tinha deixado na grama e saí correndo.
“Patrick, pega isso!” gritei, arremessando a varinha para a frente como se fosse uma lança em um lançamento de dardos.
A varinha avançou em linha reta na direção de Patrick, curvando-se com a força do impacto. Minha visão era boa o suficiente para vê-la atingir Patrick bem no estômago, no meio de sua lenta descida em direção ao chão.
{Yoru: kkkkkkkk coitado}
“Ops, desculpe!” gritei para ele.
Embora a varinha o tivesse atingido em cheio, eu não tinha certeza se meu pedido de desculpas havia surtido o mesmo efeito; enquanto Patrick manipulava cuidadosamente o vento para diminuir a velocidade de sua queda segundos antes, agora ele estava em queda livre, agarrando o estômago.
Olha só isso, Pensei, surpresa. Ele pousou sem diminuir a velocidade.
A varinha deve ter ricocheteado em Patrick, porque caiu no chão a uma curta distância dele, logo fora dos limites da Vila Dolkness. Parecia que tinha penetrado diretamente no solo.
“Isso foi realmente horrível”, ouvi o duque dizer sarcasticamente atrás de mim.
Eu o ignorei. “Ah, o Patrick se levantou! Eu sabia que ele aguentaria uma queda daquelas.”
“Ele não é apenas o filho do marquês?”, perguntou o duque, sem entender. “O dragão é uma ameaça, mas o que muda a presença dele aqui?”
{Del: O que muda com a presença do simplesmente mais LENDÁRIO desta obra, não é mesmo?}
Do que ele está falando? Eu fiquei pensando, olhando por cima do ombro para o duque. Espera… ele realmente chamou o Patrick para a capital só para que o Ryuu fosse? Se for esse o caso, é muita falta de educação da parte dele. Não há ninguém mais útil do que o Patrick numa situação dessas.
“Acho que você pode estar enganado”, eu disse. “O Patrick é provavelmente a segunda pessoa mais forte do mundo depois de mim.”
Embora estivesse cambaleando um pouco, Patrick se aproximou da varinha, puxou-a do chão e a ergueu acima da cabeça. Eu não conseguia mais ouvir sua voz, já que ele não estava mais usando magia do vento para trazê-la até mim, mas sua magia era facilmente visível. Na verdade, seria preciso estar pelo menos tão longe dele quanto o duque e eu estávamos para contemplar a dimensão completa do que ele acabara de fazer.
“O que… o que é isso…?” murmurou o duque.
Em segundos, a vila de Dolkness, que não tinha muralhas, foi cercada por uma imponente muralha de terra. Era incrivelmente alta e espessa para algo que Patrick havia construído ali mesmo, e ainda mais impressionante, ele havia cercado a cidade inteira com ela.
“Nossas contramedidas para o ataque dos monstros já estão resolvidas”, vangloriei-me para o duque, que ficou em silêncio, atônito. “Bem, então, voltarei à minha partida com minha amiguinha — a barreira.”
Neste ponto, tenho que admitir que essa barreira de luz é tão forte quanto eu. Pensei com ironia. Tenho que dar tudo de mim.
{Yoru: Barreira Nível 99: Posso Ser Apenas Uma Barreira, Mas Consigo Segurar a Pessoa Que Derrotou o Lorde Demônio | Moon: E Que Está No Nível 99… O Boss Secreto! | Del: O cinema grita em vibração!!!}
Agora, sem minha varinha, voltei até minha espada e a peguei do chão. Segurei-a com firmeza, como se fosse um taco de beisebol.
Quem se importa com esgrima!
Balancei a espada com toda a minha força em direção à barreira, preparei-me para o impacto e…
“Hã?”
Tinha certeza de que havia atingido a barreira, mas não senti um pingo de resistência.
Perplexa, olhei para a arma em minhas mãos, apenas para descobrir que a lâmina havia se partido ao meio.
“Não, isso não pode ser…”
Uma onda genuína de tristeza me invadiu. Claro, eu não tinha tido muitas chances de usar a espada sombria pela qual eu havia me esforçado tanto, mas ela ainda era muito importante para mim. Não existia nenhuma outra espada capaz de resistir à minha força total.
Não acredito que quebraria tão facilmente… Espere.
Observei com mais atenção a ponta do que restava da lâmina, onde ela havia se quebrado. Era de cor acastanhada, quase como… madeira.
“Esta é a katana de madeira que eu comprei!” exclamei.
Devo ter trocado as duas espadas, já que são da mesma cor! Ambas estavam pegando poeira debaixo da minha cama, junto com a varinha, então teria sido fácil pegar a errada. Que ideia estúpida — quem foi o idiota que resolveu colocar aquilo ali?!
“Está tudo bem por aí?”, murmurou o duque. Ele me olhou com cautela enquanto eu me contorcia de agonia por causa do meu erro humilhante.
“É que… a barreira, sabe? É incrível — minha espada mágica não fez nada contra ela!”
“Não é uma espada de madei—?”
Antes que o duque pudesse terminar seu pensamento, disparei para a frente, lançando meu próximo ataque.
A única maneira de derrotar essa coisa é com magia. Então… devo dar a ela uma despedida digna com a magia negra mais poderosa que eu puder usar — é o mínimo que se espera!
“Buraco negro!”
{Moon: Esse feitiço é o Mahoraga desse universo kakakk. Quem pegar, pegou!}
Uma esfera negra apareceu, aproximadamente do tamanho de uma cabeça humana. Desta vez, reduzi o tamanho, pois não queria apagar o Duque Hillrose junto com a barreira. A esfera engoliu uma porção da barreira de luz que brilhava suavemente, depois desapareceu e… a barreira de luz desapareceu junto! Um pequeno buraco circular ficou no rastro do meu feitiço.
{Del: Clássico: “A Luz sempre vence a Escuridão”; Buraco negro: “Chega mais perto Luz, para ver se eu não te deito na porrada.”}
Eu consegui! Afinal, eu sou definitivamente uma maga! Alguns podem pensar que sou só músculos e nada de cérebro, mas isso prova o contrário — na verdade, sou uma intelectual que deveria estar na retaguarda!
O duque encarou o buraco na barreira, os olhos arregalados de choque. “Como… Como isso é possível?! Este é um instrumento mágico de classe lendária!” Ele abriu a boca para continuar seu discurso, mas parou, como se tivesse notado algo. “Hã?”
Curioso, segui o olhar do duque de volta para o buraco que eu havia feito na barreira. Ele estava se fechando lentamente.
Ela consegue até se consertar sozinha! Inacreditável!
Enquanto o duque e eu observávamos, a barreira começou a se reparar a um ritmo cada vez mais acelerado. O buraco que antes era grande o suficiente para eu enfiar a cabeça agora mal comportava um dos meus braços. A qualquer momento, ele se fecharia completamente.
“Aah! Espera, calma aí!” gritei. Sem pensar, enfiei meu braço direito no buraco que estava fechando.
Vou simplesmente obrigá-la a permanecer aberta com a minha força descomunal! Acredito nos meus músculos poderosos!!!
Infelizmente, a barreira de luz não se intimidou com o meu braço. Ela se fechou completamente, levando, hum… alguma coisa consigo. Do lado do duque, a parte da frente do meu braço, da ponta dos dedos até o cotovelo, caiu no chão.
“Nossa, isso foi bem legal”, eu disse, examinando o meu coto sangrando. “Se alguém usasse uma barreira dessas para desmembrar alguém, seria bem estiloso, não acha, Duke Hillrose?”
{Yoru: … | Moon: kkakakaakka Eu amo a Yumiella! | Del: Eu acho muito legal quando alguém se machuca e fica tipo: Nooossa, que legal!}
Mas o duque estava ocupado demais gritando de horror para responder à minha pergunta. “AAAH! E-Ei, você está bem?! S-S-Seu braço!”
Examinei meu braço com mais atenção, notando que a barreira o havia cortado de forma limpa, deixando meu coto com uma seção transversal plana.
Já tive muitas lesões até agora, mas acho que nunca vi um corte como este antes. Pensei, intrigada. Mesmo quando aquele monstro com uma foice no lugar do braço me atacou, o ferimento que ele deixou foi muito mais feio.
“Você acha que se eu pressionar a parte da frente do meu braço contra o coto, ele vai voltar a se juntar?”, perguntei ao duque, sem muita convicção.
“EI!” gritou o duque, agora completamente histérico. “Você está derramando sangue ali! Se perder muito sangue, você vai—!”
Levei a mão que me restava ao queixo, pensativa. “Ah, é verdade, tem um pouco menos de sangue do lado direito do corpo do que do esquerdo, né? Talvez seja porque o coração fica do lado esquerdo? Posso estar imaginando coisas…”
Olhei para trás, para o duque, mas ele não tinha condições de responder. Ele se encolheu o máximo possível, afastando-se do meu braço decepado dentro do pequeno espaço atrás da barreira, com as costas pressionadas contra a parede oposta.
Nossa, não precisa ter tanto medo… Embora, acho que seria bem ruim se ele se revelasse um tarado que se excita com braços femininos e tentasse levar o meu para casa.
{Yoru: que…?}
“Peço desculpas, não imaginei que esse tipo de coisa o assustaria tanto”, eu disse ao duque. “Cura.”
Todo o sangue que havia respingado ao meu redor foi absorvido e fluiu de volta para o toco do meu braço, mas meu membro decepado permaneceu onde estava, preso atrás da barreira. E, sem a possibilidade de reconectá-lo, o feitiço decidiu criar um membro completamente novo. Eu podia sentir toneladas de mana jorrando de mim, mas não me alarmei — isso não era novidade.
{Pensamentos intrusivos de alguém: É muito complicado dizer que isso é comida grátis?}
Passaram-se alguns segundos em silêncio entre o duque e eu, e logo eu exibia um braço completamente renovado. A única marca de que algo havia acontecido era que uma das mangas da minha camisa estava bem mais curta que a outra, dando-me um ar ligeiramente vanguardista.
“Você é mesmo humana…? Com que tipo de pessoa eu me meti…?” O duque levou a mão à boca, com uma expressão de nojo.
Aqui vamos nós outra vez, Eu pensei. Por que todo mundo sempre me trata como se eu fosse algum tipo de ser desumano? Embora não haja muitas pessoas que possam usar magia de cura, acho que não posso culpá-lo por pensar que sou um anjo.
Forçando-me a concentrar na tarefa em mãos, fixei meus olhos na barreira à minha frente mais uma vez. Tudo o que eu precisava fazer era capturar o homem por trás dela agora que Patrick e Ryuu estavam aqui; eles cuidariam dos monstros. Melhor ainda, agora havia sido revelado que minha rival, a barreira, era impotente contra os feitiços de magia negra de classe mais alta. Claro, ela se reparava se fosse parcialmente destruída, mas era lenta o suficiente para me dar uma brecha.
“Chegamos ao fim para você, barreira!”, gritei. “Buraco Negro!”
Dessa vez, invoquei um orbe de escuridão muito maior do que antes. Ele abrangia aproximadamente metade do tamanho do cuboide brilhante do duque. Foi fácil para mim evitar feri-lo também — ele ainda estava com as costas encostadas na lateral da barreira oposta a mim. Então, meu buraco negro desapareceu, e fiquei satisfeita ao ver que levou metade da barreira consigo.
Só falta capturar o duque. Pensei, virando-me para ele. Mas havia algo estranho acontecendo — por que seu peito brilhava de forma tão radiante? As roupas dele são de ótima qualidade; o que poderia estar brilhando tanto a ponto de ser visível através de um tecido tão nobre e de alta qualidade?
Eu estava prestes a atravessar a barreira, mas parei, com meus instintos em alerta. Foi a única coisa que me salvou — antes que eu pudesse entender completamente o que estava acontecendo, a barreira se reparou por completo, com uma velocidade incomparável à sua resposta ao meu ataque anterior.
Se eu tivesse tentado entrar lá, meu tronco teria que se despedir das minhas pernas! Isso seria perigoso.
{Yoru: Cê jura…?}
Claro, minha magia de cura poderia dar conta de curar um braço ou uma perna perdidos, mas regenerar metade do meu corpo? Era bem possível que isso fosse demais. Eu nunca tinha tentado antes, então, sinceramente, não tinha certeza de até onde conseguiria ir.
O duque Hillrose enfiou a mão na camisa e tirou uma joia brilhante, olhando para ela perplexo. Parecia que ele também não sabia bem o que tinha acontecido.
“Pensei que tudo tinha acabado para mim, mas…” Um sorriso malicioso surgiu em seus lábios. “Entendo, este é realmente um instrumento mágico lendário.”
“Isso é…?”
“Sim, é o instrumento mágico que conjura a barreira. Foi bem difícil de roubar.”
Então essa é a joia responsável pela barreira, pensei. Não tenho certeza de onde ela tira sua energia, mas ela deve ficar sem combustível em algum momento, certo? Se eu continuar destruindo-a e fazendo-a se reparar até que ela fique sem combustível… Soltei um suspiro irritado. Seria mais rápido se eu pudesse simplesmente destruir tudo, mas isso eliminaria o duque junto. Será uma batalha de resistência.
Comecei a planejar meu ataque, mas fui surpreendida por uma súbita constatação: a barreira bloqueava apenas magia negra e ataques físicos, não outros elementos. Provavelmente, eles poderiam atravessá-la sem problemas.
Isso significa que tudo o que preciso fazer é esperar a cidade chegar a um ponto seguro, e então posso simplesmente pedir para Patrick mandar o duque para longe usando sua magia de vento! Posso resolver as coisas com meu amigo da barreira mais tarde; agora, preciso ter paciência.
“Preciso me controlar”, murmurei para mim mesma.
“Você não se esqueceu de algo…?” perguntou o duque com arrogância. “Meu objetivo nunca foi fazer você lutar contra monstros.”
Ele deve ter se acostumado com meu braço decepado. Refleti. Aquele sorriso malicioso dele voltou com toda a força.
“Tudo o que eu quero”, continuou o duque, “é morrer e deixar você cheia de arrependimento. Talvez isso não tenha o impacto que eu havia planejado, mas terá que servir.”
Dito isso, o duque sacou uma espada curta e a ergueu até o pescoço.
“O quê?! Espere um minuto.”
Tremendo, pensei, Se ele morrer assim, eu definitivamente vou ter pesadelos.
Meu braço esquerdo foi a primeira parte do meu corpo a reagir — meu braço direito ainda não estava totalmente recuperado depois de todo o processo de regeneração. Mas, quando meu punho estava prestes a atingir a barreira, avistei o anel no meu quarto dedo, brilhando com o mesmo verde dos olhos de Patrick. Recuei, por pouco não o arremessei contra a barreira.
“Preciso ter mais cuidado”, murmurei, apertando minha mão.
Essa foi por pouco — quase estraguei o presente do Patrick. Talvez fosse mais seguro se eu o guardasse em algum lugar em vez de usá-lo, mas…
O anel era um dos meus bens mais preciosos. Toda vez que eu olhava para ele, me lembrava de como Patrick o havia preenchido com sua energia mágica do tipo vento, e…
Espere aí… Vento?
Meus lábios se curvaram, mesmo quando estendi minha mão esquerda de volta em direção ao duque. “Obrigada, Patrick…”
“Por favor…” disse o duque, com a espada curta pressionada contra a garganta, pronta para desferir o golpe a qualquer momento. “Cuide da minha filha, Eleanora.”
“É cedo demais para suas últimas palavras”, respondi secamente. “Além disso, saiba que ela está dormindo na minha casa neste exato momento.”
“O quê?! Aquela garota deveria estar na Ronal—”
“Vento!”
O brilho verde que emanava do anel que Patrick me dera se intensificava, como se em resposta às minhas palavras. De repente, ventos com força de tempestade varreram a área ao meu redor.

O vendaval feroz atingiu o duque em cheio, e ele cambaleou para trás alguns passos antes de cair. Mesmo assim, conseguiu manter a espada curta em mãos. Ele tentou, às apalpadelas, pressioná-la contra o pescoço mais uma vez.
Finalmente, com a arma em posição, ele sorriu. “Heh, é um adeus!”
Ele nem imaginava, mas eu estava de olho na outra coisa que o duque tinha em mãos. Eu sabia; afinal, ele priorizou aquela espada!
“Saiba que não era aquela espada que eu estava mirando”, disse ao duque com leveza. “Era a sua outra mão.”
Enquanto eu falava, o vento se moveu exatamente como eu queria, formando um pequeno tornado que rolou a joia pelo chão em sua direção, e então a lançou do chão para o ar.
Sinto muito, minha querida barreira. Preciso destruir sua verdadeira forma. Você é forte, mas o Buraco Negro ainda pode destruí-la. Se o duque não estivesse aqui, eu teria eliminado você junto com a joia, então eu venceria, certo? Certo?!
Ainda no meio do tornado de vento, a joia disparou ao redor da parte interna da barreira. Ironicamente, ela se chocou contra a própria coisa que estava gerando, estilhaçando-se com o impacto.
“O quê?!” exclamou o duque, arregalando os olhos de surpresa quando a barreira desapareceu. Ele cravou a lâmina um pouco mais no pescoço, e eu me impulsionei no chão, me atirando na frente dele e desviando a espada com um dos pés.
O sorriso perverso do duque se alargou, mesmo enquanto seu olhar se tornava vago e sangue jorrava de sua garganta. “Parece que… você chegou tarde demais…” ele sussurrou.
“Não!”, eu disse firmemente. “Cheguei bem a tempo! Cura!”
Consigo regenerar braços inteiros! Curar um corte na garganta é moleza para mim!
Em questão de segundos, o ferimento do duque havia cicatrizado completamente. A vida retornou aos olhos do duque e, logo, ele recuperou a consciência o suficiente do que o cercava para se virar e olhar para mim com absoluto choque.
Hehehe! Vamos lá, louve o anjo que salvou sua vida!
O rosto do duque se contorceu de raiva. “Maldita! Sua demônia!”
Dei um sorriso irônico. “Isso não é um pouco duro demais?”
“Tanto faz! Você só está perdendo seu tempo! Meu plano já foi descoberto e, como me posicionei contra a família real, não há como eu escapar da execução.”
“Ah, sobre isso. Sua filha parece ter vindo diretamente até mim, sem passar na casa do Ronald, então…”
“O quê?! A Eleanora está mesmo aqui?”
Assenti com a cabeça. Neste momento, os radicais na Capital Real provavelmente estavam perplexos, perguntando-se por que o duque não estava lá. O maior descuido que ele cometera em seu planejamento provavelmente fora deixar a entrega de documentos tão importantes a cargo de Eleanora.
“Considerando a situação atual, acredito que podemos resolver isso de forma privada, então—”
“Isso… isso é impossível! Esse é o papel dos Hillroses — esse é o nosso destino!”
“Você está fazendo tudo isso pelo reino, certo? Bem, acho que você já fez mais do que o suficiente.”
“Não, não fiz!” gritou o duque. “Não tenho mais nada a discutir com você. Apenas… apenas cuide da minha filha. Apesar da aparência, ela se sente sozinha com facilidade, então preste bastante atenção nela. De vez em quando, ela também começa a fazer alguma coisa ridícula, mas logo se cansa e para, então ela ficará bem contanto que você fique de olho nela. E… o que mais?”
Parece que o Duque Hillrose previu a destruição de sua família anos atrás, quando mandou Ronald embora. Eu me pergunto por que ele não fez o mesmo com Eleanora, mas… parece que ele simplesmente a amava demais. Ele não suportava ficar longe dela.
“Se a senhorita Eleanora é tão importante para você, por que não fica com ela?”, perguntei.
Mas o duque não pareceu interessado em me dar uma resposta. “Posso deixá-la aos seus cuidados, ou não?”, perguntou ele.
Vamos lá, me escute, tá bom? Eu não quero fazer todas aquelas coisas que os Hillroses andam fazendo. Embora… se tudo que eu tenho que fazer é cuidar da Eleanora, provavelmente consigo dar conta disso.
“Acho que você pode confiar em mim para cuidar dela”, eu disse lentamente. “Mas ela não será mais uma aristocrata, então seria bom para ela aprender algumas habilidades de luta…”
“Você vai transformá-la numa aventureira ou algo assim?!”
Eu o dispensei com um gesto de mão. “Não se preocupe, eu a ajudo a subir de nível. Ah! Posso ficar com a flauta gigante de invocação de monstros? Quero usá-la para upar de nível.”
O rosto do duque empalideceu de horror. “O que… O que você pretende fazer com a Eleanora?! Eu não posso morrer… Eu tenho que proteger a Eleanora!”
E eu aqui, preocupada que ele pudesse interpretar tudo aquilo como se eu fosse alguém em quem ele pudesse confiar sua filha. Pensei com um sorriso discreto. Eu só estava sendo legal, cara. Sinceramente, não entendo o que tem de tão assustador nisso, mas acho que as coisas acabaram acontecendo do jeito que eu queria.
“Se você não quer que eu submeta Eleanora a coisas assim, você precisa viver”, eu disse ao duque com firmeza. “Você precisa ir vê-la de novo também — ela é totalmente uma filhinha do papai.”
O duque Hillrose soltou um gemido de desagrado e seus ombros caíram. Agora que aceitara a derrota, os acontecimentos estavam resolvidos, e—
“O que… o que estou sentindo?”, perguntou o duque, estremecendo.
Hã, Eu pensei. Agora que você mencionou, realmente parece que o ambiente mudou.
“Há algo… quase nostálgico nisso…”
“Nostálgico?! Não, é algo terrível… Espera, o que é aquilo?”
O olhar do duque estava fixo em um ponto singular à distância. Virei-me e olhei na mesma direção, e me deparei com um cavaleiro a cavalo. O cavalo era enorme, e o cavaleiro vestia uma armadura impressionante, envolto por uma névoa negra. E, além disso… tanto o cavalo quanto o cavaleiro estavam sem cabeça.
“Um Dullahan…” o duque sussurrou. “Eu nem sabia que eles existiam.”
Não fiquei tão chocada quanto o duque — afinal, o chefe final da masmorra do tipo sombrio no Condado de Dolkness era um Dullahan. Mesmo assim, eu não sabia que a flauta que o Duque Hillrose usara podia invocar monstros até mesmo de dentro das masmorras.
Enquanto observávamos, monstros começaram a aparecer um a um atrás do Dullahan; pareciam estar seguindo seus passos. Pelo que pude ver, cada um dos monstros era um inimigo poderoso que eu normalmente só encontraria nas profundezas da masmorra do tipo sombrio. Trabalhando juntos, era possível que fossem ainda mais fortes do que o Lorde Demônio.
{Yoru: novamente, só usar um tipo lutador ou fada que tá suave}
Dei uma olhada rápida na Vila Dolkness e vi que monstros também a rodeavam. Não parecia que eles conseguiriam escalar o muro de terra de Patrick, e com ele e Ryuu protegendo a vila, provavelmente tudo ficaria bem.
“Deixe-me em paz e vá embora!” lamentou o duque. “Será difícil manter os monstros afastados se você não ajudar o garoto Ashbatten!”
Olhei para trás e vi o Duque Hillrose cair no chão, dominado pela forte presença da morte que emanava do Dullahan.
“Vai ficar tudo bem”, eu disse a ele com um suspiro de cansaço.
“Com base em que evidências você chegou a essa conclusão?!”
“Relaxa”, eu disse a ele. “Por enquanto, vou me concentrar em derrotar o chefe. Depois, te levo para um lugar seguro.”
E com isso, comecei a correr em direção ao cavaleiro sem cabeça, ignorando completamente os gritos frenéticos do duque que eu podia ouvir por cima do meu ombro.
É isso aí, Eu pensei. Vou enfrentar um dos monstros mais fortes usando apenas minhas próprias mãos.
Meus olhos se voltaram para a cabeça que estava agarrada à direita do Dullahan, e por um instante quase senti como se tivesse feito contato visual com ele. Não tinha certeza, porém, já que seus olhos estavam escondidos atrás de um capacete.
Talvez eu esteja apenas imaginando coisas. Eu fiquei pensando, mas naquele exato momento o cavalo do Dullahan, que vinha caminhando em ritmo tranquilo, soltou um relincho de pânico. O cavalo empinou, erguendo as patas dianteiras no ar, e o Dullahan caiu de suas costas.
Olhando para a cena com perplexidade, tudo o que consegui dizer foi: “Hã?”
O cavalo sem cabeça virou-se e disparou a toda velocidade, deixando seu dono para trás. Abandonado, o Dullahan pegou sua cabeça decepada e se virou para me encarar.
Ah, nós trocamos olhares naquela hora. Acho que não somos totalmente estranhos, então… devo dizer olá?
“Já faz um tempo”, eu falei ao Dullahan. “Obrigada por toda a ajuda que você me deu no passado.”
Olhando para o monstro, não pude deixar de pensar: Nossa, isso me traz tantas lembranças. Eu tinha realmente passado meus últimos níveis na masmorra do tipo sombrio; eu nem conseguia contar quantas vezes derrotei o Dullahan à minha frente.
Nos conhecemos há tanto tempo, meu amigo. Nossos encontros são inúmeros, impossíveis de quantificar.
{Del: Tenho quase certeza de que o Dullahan é o ser que mais sofreu nesta obra toda. Coitado.}
Houve um longo momento de paralisia, e então o Dullahan girou e começou a correr para longe de mim a toda velocidade.
“Será que… está fugindo?” murmurou o Duque Hillrose. Seu medo do Dullahan parecia ter diminuído um pouco.
Não tem como, né? Um monstro que espalha a morte não fugiria assim, fugiria…?
“Espere, pare!”, gritei, correndo atrás do Dullahan.
O cavaleiro sem cabeça apenas acelerou a corrida, como se estivesse fugindo desesperadamente. Então…
Ah, caiu.
A cabeça do Dullahan se desprendeu de seus braços e rolou pelo chão.
Será que está… tentando fugir de mim? Fiquei pensando.
Quando lutei contra o Dullahan no passado, ele parecia ficar mais rápido a cada batalha. Quando cheguei perto do nível 99, tornou-se uma tarefa extremamente difícil acertá-lo. Observando sua patética tentativa de fuga, senti um pouco de pena, mas não podia deixá-lo escapar — o Dullahan seria um monstro complicado de enfrentar, até mesmo para Patrick. Eu definitivamente não ia mandá-lo para ele.
O Dullahan corria em pânico à minha frente, aparentemente procurando sua cabeça caída. Com um suspiro, comecei a atacá-lo com minha magia. Não demorou muito para eu desferir o golpe final.
“Veja, está tudo bem”, eu disse, virando-me para olhar para o duque.
Foi então que eu vi — o Duque Hillrose estava sendo atacado por vários monstros. Eu estava tão concentrada em matar o Dullahan que me esqueci de que ele não era o único monstro que havia aparecido.
As palavras do Duque Hillrose, ditas mais cedo, passaram pela minha mente. Ele tinha razão — minhas habilidades eram infinitamente inadequadas para defesa. Para piorar a situação, eu agora estava a uma distância considerável do duque, já que havia ido atrás do Dullahan. Eu poderia usar um ataque de longo alcance para tentar me livrar de todos os monstros que estavam atrás do duque, mas isso provavelmente também o feriria.
Em pânico, comecei a correr em direção ao duque, mas era tarde demais — a horda de monstros já estava se aproximando. O desespero me invadiu ao ver aquilo.
E assim, o homem conhecido como Duque Hillrose encontrou seu fim.
Resenha do Tradutor e Revisores
Yoru: E é aqui que nos despedimos do famigerado Duque Hillrose. Finalmente descobrimos o seu real plano contra o reino, ou melhor, a favor do reino. Mas ele não contava com a incrível imprevisibilidade da nossa querida Yumiella Dolkness. Enfim, estamos a um capítulo (e meio) do fim do volume 2. Portanto, guardem sua ansiedade até lá. Vejo vocês no próximo capítulo. : )
MoonLak: Uma coisa que percebi é como a Yumiella e a Eleanora se completam. Pensem comigo, uma entende de amor, mas não sabe nada de política e a outra é o inverso. Uma delicada e inocente, a outra forte e bruta (mas meio lerda tbm kakak)... Enfim, só pensei nisso mesmo e quis comentar. No final, o Duque realmente se foi ein… Agora que eu estava dando altas risadas com ele e a sua interação com a Yumi-chan… Até o próximo capítulooo!!!
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