Vol 2
Capítulo 15
O Chefe Oculto Ganha Uma Amiga
Enquanto tomávamos o café da manhã, Patrick e eu conversávamos sobre nossos planos para o dia. Ainda não tínhamos decidido o destino do nosso encontro romântico, então esse assunto logo se tornou o foco da nossa conversa.
“Vou te levar a um lugar que eu adoro”, anunciei. “É parecido com um daqueles pubs que não têm placa na fachada, mas na verdade é uma loja de instrumentos mágicos que vende seus produtos por debaixo dos panos.”
“Por que não vamos para um lugar um pouco mais seguro?”, sugeriu Patrick, rejeitando minha recomendação imediatamente.
Bem, se for um lugar com baixa criminalidade que ele procura… o bairro aristocrático parece uma boa opção. Refleti. Fica no centro da capital real, e a propriedade de Dolkness não está muito longe de lá. Estamos situados mesmo nos arredores.
Se você julgasse apenas pelo nome, o bairro aristocrático soaria como uma área repleta de residências de nobres, mas na verdade também havia muitas lojas por lá. Naturalmente, essas lojas eram compostas por restaurantes que atendiam a aristocratas ou varejistas que vendiam itens caros.
“Não estou muito familiarizada com o bairro aristocrático…” eu disse lentamente.
“Isso é o que se espera de você”, respondeu Patrick.
Para ser sincera, evitei ao máximo o bairro aristocrático durante meus passeios pela capital real. Não saberia explicar exatamente o porquê, mas algo na atmosfera do lugar me incomodava — eu não me sentia à vontade ali.
As únicas pessoas que poderiam se divertir num lugar como aquele são damas verdadeiramente nobres, como a Eleanora. Eu pensei.
Talvez tivéssemos discutido o assunto mais a fundo, mas naquele instante a porta do quarto se abriu de repente e Rita entrou correndo. Estava com tanta pressa e pânico que até se esqueceu de bater.
“Você tem uma visita”, disse ela apressadamente. “Ela chegará a qualquer momento!”
Só existe uma pessoa que apareceria sem ser convidada na mansão Dolkness. Pensei, dando um suspiro interior. Ela é a única dama nobre que conheço disposta a fazer coisas tão incompatíveis com sua posição.
Eu estava certa quando as portas se abriram novamente e a pessoa em que eu estava pensando invadiu nossa sala de jantar.
“Vim fazer uma visita!” exclamou ela, com a voz transbordando vigor. “Pensei que você estaria aqui se eu chegasse cedo! Parece que eu estava certa, como eu esperava!”
Presumi que ela ficaria quieta por um tempo depois de ter levado uma bronca do Ronald ontem. Pensei, observando o rosto alegre de Eleanora Hillrose. Acho que é isso que acontece quando deixo ela escapar da minha mente.
Recorri a Patrick em busca de ajuda.
Muito bem, mande-a embora. Eu o instruí mentalmente, lançando-lhe meu olhar mais suplicante.
Com um suspiro, Patrick cedeu. “Senhorita Eleanora”, disse ele gentilmente, “Yumiella e eu temos planos de sair juntos hoje. Eu agradeceria se você fosse—”
“O que?! Você tem um encontro, Yumiella?! Então, por que não me contou?”
Quando eu teria tido tempo de lhe dizer isso, Lady Eleanora? Por favor, eu imploro, me informe. Soltei um suspiro interno. Tanto faz, pelo menos conseguimos nos defender dela. Eu sabia que podia contar com o Patrick. Além disso… ela chamou nosso passeio de encontro. Hehe.
“Considere isso como um aviso, senhorita Eleanora”, informei à problemática senhora parada à minha frente. “Por que não nos encontramos em outra ocasião?”
“Claro! Eu jamais atrapalharia o amor! Mas, hum… para onde vocês dois estão indo? Estou só… um pouco curiosa…”
{ Yoru: Imagino a Eleanora com um bloquinho e uma caneta agora. | Moon: Eu imagino ela com um pano na cabeça e um óculos escuros seguindo os dois.}
Ela está… corando? Pensei incrédula. Como ela pode ficar vermelha por causa de um simples encontro, se vive falando sem parar que vai se casar com o príncipe? Agora eu também estou morrendo de vergonha…
“Hum… Nós íamos apenas dar um passeio pela capital real”, eu disse, inventando uma resposta na hora. Afinal, Patrick e eu ainda não tínhamos decidido para onde iríamos de fato.
“Vocês vão dar um passeio?”, perguntou Eleanora, pensativa. “Eu gosto bastante de passeios de charrete, mas acho que uma caminhada juntos também parece ótima. A área ao redor da igreja é tranquila e encantadora.”
“A igreja?”, perguntei. “Nunca fui a uma igreja.”
“O quê?!” exclamou Eleanora, genuinamente chocada.
Quer dizer, acho que simplesmente nunca me dei ao trabalho de visitar uma. Eu pensei. Tenho quase certeza de que também existe uma pequena na Vila Dolkness, mas nunca parei para visitá-la.
A religião mais ativa em Valschein girava em torno do culto a um deus da luz e era conhecida como Sanonismo. Havia também outras religiões estabelecidas, baseadas no culto aos deuses dos quatro elementos principais: fogo, água, etc. Nenhum deles era estritamente monoteísta, então minha falta de fé provavelmente não era um problema.
“Eu simplesmente… não consigo acreditar que você nunca foi a uma igreja, nem uma vez sequer!”, exclamou Eleanora. “Isso é inacreditável!” Olhando fixamente para mim, ela cobriu a boca aberta com uma das mãos.
É mesmo tão chocante assim? Eu fiquei pensando, lançando-lhe um olhar duvidoso.
Virei-me para Patrick. Até onde eu sabia, ele era tão pouco devoto quanto eu, então minha falta de visitas à igreja não deveria ser um grande problema para ele. “Não deveria” era a palavra-chave — logo percebi que ele estava me olhando com o mesmo choque que Eleanora.
“Você realmente nunca foi a uma igreja, nem uma única vez?”, perguntou ele, incrédulo.
Assenti com a cabeça. “N-Não, ainda não”, disse hesitante. “Isso é ruim?”
“Não é ruim, é só que…”
Ah, qual é?! Eu tive uma explosão interna. Quando eu deveria ir para uma igreja? O que eu faria lá?!
“Quer dizer, eu não tive nenhuma oportunidade de ir a lugares assim quando era mais jovem, e não tinha ninguém para ir comigo”, acrescentei, percebendo o quão desconcertados eles estavam.
Isso soa bem deprimente agora que eu disse em voz alta, né?
Antes que eu percebesse, Patrick já tinha segurado minha mão direita e Eleanora minha mão esquerda.
“Eu vou com você!” exclamou Eleanora.
“Sim, vamos todos juntos”, concordou Patrick.
Nossa, sou muito grata por todos serem tão atenciosos comigo. Eu pensei. Mas, erm… eu não quero ir a uma igreja dedicada ao deus da luz. Além disso… eu não vou mais sair com o Patrick, né…?
{ Yoru: coitada kkkkk | Moon: O “Encontro” virou um dia na igreja… Mas que coisa akkaakak! }
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Pouco tempo depois, nós três saímos da mansão Dolkness na carruagem em que Eleanora havia chegado, em direção à igreja.
Tenho um mau pressentimento sobre isso. Pensei, reprimindo o suspiro que me subiu aos lábios para que os outros dois não percebessem minha falta de entusiasmo. Para mim, ir a um lugar tão imerso no Sanonismo e no poder do deus da luz…
A maior parte da minha preocupação residia na certeza de que o elemento luz não gostava de mim — era, na verdade, a minha fraqueza, e um inimigo que eu preferia evitar.
“Vocês acham que eu vou ficar bem?”, perguntei preocupada aos meus companheiros de viagem. “Tenho medo de ser purificada e desaparecer.”
“Você não tem nada com que se preocupar”, disse a senhorita Eleanora, tentando me tranquilizar. “Porque onde há luz, a escuridão pode… Hum… Bem, o grande sacerdote disse algo parecido.”
Você está me perdendo, Lady Eleanora. Aliás… você acabou de dizer “grande sacerdote”? Eu não sabia que você conhecia alguém assim. Parece ser uma pessoa muito importante.
“Você visita a igreja com frequência, senhorita Eleanora?”, perguntei.
Ela assentiu com a cabeça. “Nunca faltei uma semana! Conheço todo mundo lá.”
Eu jamais imaginaria que a senhorita Eleanora fosse tão religiosa. Pensei, surpresa.
Me voltei para o Patrick, pensando no que ele responderia.
“Só estive na igreja da Capital Real uma vez”, admitiu. “Mas eu ia com bastante frequência à Marca de Ashbatten.”
“Por que você não continuou?”
“Bem, a igreja na capital real é o principal local da religião sanonista, então é realmente glamurosa”, Patrick me disse. “Há um ar no lugar que o torna desconfortável para pessoas comuns visitá-lo, o que eu não gosto.”
E é para lá que estamos indo agora? Pensei, me sentindo desconfortável. Acho que estou com dor de estômago…
Nesse instante, Eleanora apontou animadamente para fora de uma das janelas da carruagem e disse: “Estamos quase chegando. Além disso, apesar do que Patrick diz, todos são bem-vindos à igreja.”
Espiei pela janela e observei os prédios passando. Aquele para o qual nos aproximávamos parecia imponente e enorme, a ponto de ser tão grande que não dava para vê-lo completamente através da pequena janela da carruagem.
Ah, eu já vi esse prédio de longe antes. Percebi isso ao examiná-lo mais de perto. Então essa é a igreja. Patrick tinha razão — aquele lugar não parece ser de fácil acesso para um plebeu.
Para ser sincera, eu também não queria entrar, mas Eleanora não me deixou outra escolha. Assim que a carruagem parou e saímos, ela foi na frente, caminhando em direção à entrada da igreja.
“Vamos!” ela gritou.
Numa tentativa de oferecer alguma resistência, caminhei lentamente atrás dela. Cogitei deixá-los entrar no prédio antes de mim, para depois dar meia-volta e ir direto para casa, mas Patrick frustrou esse plano ao escolher caminhar ao meu lado.
Pare com isso! Resmunguei por dentro. Não é cavalheiresco demais da sua parte ir devagar e acompanhar o ritmo de uma garota, não é?! Um homem atencioso perceberia isso e seguiria em frente.
Foi nesse momento que Patrick resolveu abrir a boca e perguntar: “O que foi, Yumiella? Você não quer tanto assim entrar?”
“Não é nada…” eu disse fracamente. “Você provavelmente vai abrir a porta para mim também, não é?”
Com um olhar confuso, ele respondeu: “Posso abrir portas para você sempre que quiser…”
Nossa, Patrick, resmunguei por dentro. Você simplesmente não entende nada de mulheres. Quer dizer, você sempre puxa a cadeira para mim e me cobre com seu casaco quando esfria um pouco… Não basta ser gentil, sabia? Ahh… Eu gosto tanto dele…
{ Yoru: Acho massa ela com raiva e ao mesmo tempo apaixonada. | Moon: Aquele vídeo “Eu não quero casar com você, você é legal demais comigo” “Eu vou ser menos legal”… }
Enquanto minha mente trabalhava a mil, continuamos caminhando, com meu noivo, infinitamente cavalheiro, me escoltando a passos de tartaruga em direção à igreja.
E-Espere! Eu percebi. Não é uma daquelas coisas que se fazem em casamentos?! Mas a noiva deve entrar depois do noivo... Preciso entrar lá e mostrar a ele o quão pouco condizente com um casamento é o que estamos fazendo!
Acelerei o passo, entrando apressadamente na igreja antes de Patrick. Então, de repente…
“Ai!” exclamei.
“Yumiella? O que houve?”
Minha testa latejava — eu tinha batido com força em alguma coisa. Normalmente, quando eu não estava prestando atenção e esbarrava em algo assim, a coisa em que eu batia quebrava e eu não ficava com um arranhão. Por algum motivo, porém, essa colisão doeu bastante.
Estendi a mão à minha frente, apenas para encontrar uma parede invisível me impedindo de prosseguir. Imitando meu movimento, Patrick tentou tocar a parede, mas sua mão simplesmente se movia. Ele continuou a gesticular no ar, visivelmente perplexo.
Enquanto isso, Eleanora aparentemente se cansara de nos esperar lá dentro. Ela apareceu na entrada, resmungando para si mesma. “Até quando vocês dois vão me fazer esperar?”, perguntou ela, irritada, e então me lançou um olhar impressionado ao ver minha mão pressionada contra a parede invisível. “Nossa, você é ótima em mímica, Yumiella!”
“Não estou fazendo mímica”, corrigi.
Com certa hesitação, Eleanora estendeu a mão para tocar o espaço onde a parede deveria estar, mas sua mão passou facilmente; não parecia haver nada ali.
Então é uma parede que só eu não consigo atravessar. Refleti. Será que o deus da luz está me rejeitando…? Bem, se estiver, que assim seja! Desafio aceito!
{ Del: Yumiella Vs. Parede Invisível! X1 do Século, quem ganha?! }
“Parece que existe uma barreira que só a Yumiella não consegue atravessar”, disse Patrick, pensando em voz alta. “Será que tem algum instrumento mágico criando essa barreira, ou… Ei, o que você está tentando fazer?”
“Vou apenas dar um soco de leve”, eu disse, dando de ombros.
{Moon: NÃO!!!}
Afinal, mesmo sem saber o que havia atrás da parede, ela tinha forma física suficiente para que eu pudesse tocá-la. Isso significava que eu podia socá-la — ou, em outras palavras, destruí-la.
De jeito nenhum eu, Yumiella Dolkness, vou perder para uma parede invisível! Meu orgulho não vai permitir!
Cerrei uma das mãos formando um punho cerrado e assumi uma postura de luta. Mas, nesse instante, um jovem padre saiu correndo da igreja.
“P-Por favor, espere!” ele gritou. “Eles estão desligando a barreira agora mesmo!”
Infelizmente para ele, já era tarde demais — eu já havia desferido um soco com toda a força contra a barreira. O soco atingiu a robusta barreira que protegia a igreja na Capital Real, a principal igreja da fé sanonista, e então…
“Ai!”
Encarei, horrorizada, minha mão, completamente paralisada pela barreira. A parede pareceu ranger um pouco em protesto quando meu golpe a atingiu, mas não se moveu um centímetro sequer.
Não acredito… Será que eu perdi?!
{ Del: Parede wins! }
O padre que havia saído correndo da igreja veio apressadamente em minha direção. “Eles estão desligando o instrumento mágico que controla esta barreira agora mesmo”, disse ele apressadamente. “Depois disso, você também poderá entrar, Condessa Dolkness.”
É, tá bom, tanto faz. Não é como se eu tivesse dado tudo de mim naquele soco agora. Quer dizer, se eu tivesse me esforçado de verdade, teria conseguido romper essa barreira facilmente… Sabe de uma coisa? Hora do segundo round.
Fechei os olhos e me recompus, concentrando toda a minha força no meu punho direito.
“Parece que chegou a hora de lançar o Soco da Yumiella”, murmurei.
Para explicar, o Soco da Yumiella é um soco que eu, Yumiella, desfiro. Como era um simples soco direto, pude abandonar meu foco consciente e inconsciente habitual em conter minha força por consideração ao efeito que ela teria no meu entorno, em favor de usar todo esse poder ao máximo.
Consigo sentir a corrente de mana fluindo dentro de mim. Pensei, eufórica. O círculo de poder é tão vasto que consigo até sentir a própria energia da natureza respondendo! Até mesmo a energia mágica gerada pela rotação da Terra está fluindo para o meu corpo… Se alguma vez houve um momento para eu atacar, é agora!
Ou pelo menos era o que eu pensava. Mas antes que eu pudesse desferir um soco na barreira, senti uma mão pousar no meu ombro. Virei-me e dei de cara com a expressão exasperada de Patrick.
“A barreira desapareceu, Yumiella”, ele me disse.
“O quê, sério?” Estendi o braço, mas ainda sentia a mesma parede de antes. “Ainda está aqui”, reclamei para Patrick enquanto continuava a cutucar a parede. “Espera... ela sumiu?”
Patrick soltou um enorme suspiro de alívio. “Essa foi por pouco”, murmurou. “Parece que conseguiram desligar a tempo…”
Ei, fugir do local após uma vitória é jogo sujo! Pensei, irritada. Como ousa essa barreira desaparecer depois de resistir a um dos meus socos!
“Revanche! Eu gostaria de ter a oportunidade de uma revanche!”
“Você é surpreendentemente uma má…” Patrick fez uma pausa e depois deu uma risadinha. “Não, eu devia ter imaginado que você seria uma péssima perdedora.”
Ei, eu não sou uma má perdedora, seu idiota. Pensei, estreitando os olhos para ele. Eu detesto a ideia de as pessoas pensarem que eu perdi! E já que você atrapalhou minha batalha séria contra aquela barreira… vou te dar um Soco da Yumiella!
Fiquei ali parada, encarando Patrick, rangendo os dentes de frustração, mas depois de alguns instantes consegui me acalmar. Aos poucos, comecei a perceber que provavelmente havia causado uma má impressão na igreja ao tentar destruir a barreira. Pior ainda era o fato de ela ter me impedido.
Será que eles vão me levar a julgamento? Não tem como, né? Quer dizer, é natural querer destruir uma barreira forte quando você se depara com uma… Espero que me perdoem…
Interrompendo meus pensamentos sombrios, o jovem padre inclinou a cabeça em minha direção. “A senhora deve ser a Condessa Dolkness”, disse ele. “O cardeal está à sua espera, por isso, por favor, entre.”
Tem certeza de que posso entrar na igreja, senhor padre? Eu pensei. Parecia que aquilo poderia ser uma barreira anti-Yumiella…
O padre, porém, não pareceu temer essa possibilidade e nos conduziu completamente para dentro do edifício. Painéis de vitrais nos receberam, brilhando à luz do sol.
Apesar de saber que era uma construção humana, havia algo de sagrado naquele lugar.
Então isto é uma catedral, né…? Pensei, tomada pela admiração.
O padre que nos guiava não parou, atravessando o espaço sem parar. Ele nos conduziu a uma sala nos fundos da catedral, onde um homem que aparentava ter cerca de sessenta anos nos aguardava.
“É um prazer conhecê-la”, disse o homem. “Bem-vinda à Igreja Central de Valschein, a principal igreja do Salonismo. Eu sou Gerald, o cardeal.”
“O prazer é meu”, respondi, inclinando minha cabeça. “Eu sou Yumiella Dolkness.”
Internamente, minha mente havia entrado em desordem. Ele é obviamente importante, mas quão importante?! O quão alta é a posição de um cardeal? É o cargo mais alto que se pode ocupar na Igreja? Tenho a impressão de que deveriam existir vários, então não pode ser só isso, certo?
“Eu tinha a impressão de que a senhora não gostava muito de igrejas, Condessa Dolkness”, continuou o cardeal, interrompendo meus pensamentos frenéticos. “Agradeço que ao menos tenha vindo.”
“Ah, não, de jeito nenhum. Eu só… não tive a oportunidade de visitar…”
“Que bom ouvir isso. Confesso que fiquei um pouco preocupado depois que você recusou nossos convites para nos visitar enquanto ainda frequentava a Academia.”
“C-Como assim?” Olhei para o cardeal, confusa.
Não me lembro da igreja ter entrado em contato comigo quando eu estava na escola… Será que eu poderia ter recusado junto dos convites que recebi de outros alunos? Isso seria muito ruim.
O cardeal se virou para Eleanora, que estava ao meu lado, e disse: “Se bem me lembro, você me disse que a Condessa Dolkness a rejeitou, não é?”
Eleanora assentiu. “Isso mesmo, Grande Sacerdote. Mesmo que eu a tenha convidado em muitas ocasiões…”
“O quê?!” Virei-me e encarei Eleanora com os olhos semicerrados. “Saiba que esta é a primeira vez que ouço falar disso.”
Embora Eleanora estivesse constantemente me importunando para sair com ela naquela época… Será que ela estava tentando me convidar para a igreja o tempo todo, e eu simplesmente ficava evitando?
“Eu te perguntei várias vezes se você queria ir a algum lugar comigo nos nossos dias de folga!”, respondeu Eleanora, indignada.
Parece que… eu estava certa…
O cardeal e eu ficamos ali parados, olhando para ela, imóveis, enquanto Patrick se esforçava ao máximo para conter o riso.
“Eu nunca soube que era isso que você queria dizer”, admiti finalmente.
O cardeal suspirou. “Talvez eu tenha escolhido a pessoa errada para transmitir minha mensagem”, murmurou.
Eleanora, por sua vez, parecia completamente confusa sobre o que estávamos falando.
Não consigo deixar de pensar que tudo isso é culpa do cardeal. Eu pensei. Quer dizer, eu jamais confiaria na Eleanora para entregar uma mensagem importante minha.
{Moon: Akakak, assim, eu também não, mas isso também conta com você Yumi-chan!}
“Na verdade, há um motivo para eu ter escolhido você, Eleanora”, disse o cardeal com um sorriso nervoso. Ele lançou um olhar gentil para Eleanora. “Os sanonistas não estão completamente alheios à política aristocrática, então eu não poderia convocar a condessa à força. Se a condessa me acompanhasse em uma visita com sua amiga da escola, no entanto… Isso seria muito mais natural.”
“Minha amiga…?” repeti, confusa.
“Ah… entendi.” Minha breve declaração pareceu transmitir muito sobre nossa relação ao cardeal. Seu sorriso se distorceu, tornando-se tão irônico e melancólico que era difícil de encarar. “Eleanora, amigos são—”
“Sim, eu sei! Se eu considerar uma pessoa como amiga, ela se tornará minha amiga também! O senhor já me ensinou isso, Grande Sacerdote!”
“Peço desculpas”, disse o cardeal, virando-se para mim. “Aparentemente, a culpa é minha.”
“Está tudo bem”, eu lhe disse. “Acho que é uma maneira maravilhosa de encarar a amizade. Repleta de amor.”
Pensando bem, não posso culpá-lo por tudo. Afinal, a tenacidade da senhorita Eleanora provavelmente faz parte de sua natureza. Pelo menos, é o que vou continuar dizendo a mim mesma. Se eu me convencesse do contrário, talvez enlouquecesse…
“A Yumiella também gosta de mim”, declarou a garota no centro da nossa conversa. “É por isso que somos a imagem perfeita de boas amigas!”
“Eu… eu tenho certeza de que é assim que parecemos para você, senhorita Eleanora…” comecei, mas depois desisti.
Lancei um olhar para o cardeal, que parecia querer falar comigo, mas a algazarra de Eleanora tornava impossível para mim me concentrar o suficiente para prestar atenção no que ele ia dizer.
O que devo fazer—
“Sabe, eu adoraria dar uma olhada nesta catedral…” disse Patrick distraidamente. “Senhorita Eleanora, se importaria de me mostrar o local?”
“Claro! Você também deveria vir, Yumiella!”
Patrick sorriu gentilmente para ela. "Parece que Yumiella tem algo a discutir com Sua Eminência. Se não se importar, gostaria que fôssemos apenas nós dois."
Um rubor tomou conta do rosto de Eleanora. “Oh, meu Deus! Acho você maravilhoso, Sir Patrick, mas eu tenho Sir Edwin… E quanto a Yumiella…?”
Senhorita Eleanora, você entendeu tudo errado. Patrick não tem nenhum interesse em você, é um mal-entendido…
Qualquer um perceberia claramente o quanto Patrick estava irritado; dava para perceber pela sua expressão facial.
Embora, talvez, ‘qualquer um’ fosse um exagero — era mais tipo qualquer pessoa além de Eleanora pode perceber.
Ao ver o Patrick sair da sala, pensei para ele, Sinto muito! Não deixarei que seu sacrifício seja em vão!
Eleanora caminhou até a porta para segui-lo, olhando repetidamente por cima do ombro. Finalmente, desistiu e correu para fora para alcançar Patrick.
“Eles foram embora…” murmurei aliviada.
“Sim.”
O cardeal e eu assentimos um para o outro em concordância; eu podia ver o cansaço em seu rosto, e sem dúvida ele também podia vê-lo no meu.
Pelo menos sei que os sanonistas não vão começar a me tratar como um herege. Pensei, feliz. Eles provavelmente deveriam diminuir o nível de segurança.
Após um breve silêncio que se estendeu entre nós, o cardeal falou mais uma vez. “Bem”, disse ele. “Onde estávamos?”
Lancei-lhe um olhar ligeiramente perplexo. “Ainda nem começamos.”
“Ah, sim, é verdade. Preciso mesmo descobrir o que fazer com Eleanora. Ela é uma boa pessoa, sem dúvida, mas… Hum. Não deveria estar falando disso. Há apenas uma coisa que eu queria lhe contar, Condessa.”
Parece que finalmente chegou a hora do assunto principal. Eu pensei, me preparando mentalmente. Concentrei-me nervosamente nas palavras do cardeal.
“Como representante da fé sanonista, desejo transmitir uma mensagem da nossa igreja à senhora, Condessa Dolkness. A igreja quer que a senhora saiba que não tem nenhuma intenção de se opor à senhora, nem de tentar obrigá-la a aderir à nossa fé.”
Assenti com a cabeça solenemente, mas por dentro estava dando pulos de alegria. Esse homem é um deus ou algo assim?! Isso é muito melhor do que eu jamais poderia ter imaginado! E eu aqui, pensando que um dia teria que cruzar espadas com o deus da luz.
Mas, por mais que eu achasse vantajoso que a igreja concordasse que eu mantivesse distância deles, como vinha fazendo até então, eu ainda tinha algumas perguntas que precisavam ser respondidas.
“Sou uma praticante de magia negra de cabo a rabo”, disse ao cardeal. “Isso realmente não te incomoda?”
“Isso não é problema algum para nós. Veja bem, embora alguns elementos sejam mais compatíveis entre si do que outros, não existe uma hierarquia definida entre eles. Além de Sanon, o deus da luz, também existem…” O cardeal se interrompeu, como se estivesse se desviando do assunto. “Você conhece a Cidade da Água?”
“Sim”, concordei. “Ouvi dizer que eles têm um templo dedicado ao deus da água.”
“Isso mesmo. Assim como não temos nenhum problema com você, também não temos nenhum problema com eles. A Igreja do Sanonismo não acredita em perseguir outras religiões. Embora o nome do deus das trevas tenha se perdido, continuamos a respeitá-lo.”
Eu não era particularmente adepta do deus das trevas — na verdade, nunca tinha ouvido falar dele. Enquanto eu conhecia histórias sobre as crenças dos seguidores dos deuses da água, do vento, da terra e do fogo, o deus das trevas era apenas um vazio.
“Porque existe luz, existe escuridão. Porque existe escuridão, existe luz”, recitou o cardeal com um sorriso gracioso. “Acreditamos que a escuridão é uma necessidade para a existência do nosso deus, Sanon. E assim, como uma rara portadora do elemento das trevas, eu a respeito. O que eu disse a Eleanora, quando lhe pedi que a trouxesse aqui…”
“Ela não me disse nada.”
“Era o que eu pensava.”
O cardeal e eu suspiramos juntos.
Eleanora tentou me contar tudo isso durante a viagem de carruagem até aqui, não foi? Refleti. Teria sido bom se ela tivesse conseguido. É uma mensagem realmente bonita; eu não teria ficado tão na defensiva se a tivesse ouvido.
Sentindo-me mais tranquila, decidi passar para minha segunda e última preocupação: a barreira que me impedira de entrar na igreja anteriormente.
“Gostaria de discutir mais uma coisa com o senhor”, disse ao cardeal. “Quero saber mais sobre a barreira na entrada da igreja que me impediu de entrar.”
“Ah, sim, fui informado sobre isso. Peço desculpas, Condessa Dolkness. Essa barreira é produzida por um instrumento mágico transmitido entre os membros da igreja; dizem que impede que monstros invadam nossas terras. Só hoje percebi que ela bloqueava o elemento das trevas.”
“Era uma barreira realmente robusta”, informei-o. “Não creio que nem mesmo um monstro do tipo Sombrio de alto nível conseguiria atravessá-la.”
“Que ótimo ouvir isso”, disse o cardeal com um sorriso. “Antes, alguns duvidavam até mesmo de sua existência, já que todos conseguiam atravessá-la sem problemas. Seu apoio certamente lhe trará prestígio.”
Essa barreira merece isso. Eu pensei. Cara, eu ainda quero muito uma revanche… Nunca consegui dar meu soco Yumiella! Mas, se eu arriscar minha credibilidade e desafiar a barreira de novo, é possível que ela perca o prestígio depois que eu vencer. Espero que o cardeal me perdoe se isso acontecer.
{Moon: Vamos lá, ela quer tirar X1 com uma PAREDE??! | Del: Porque não? Essa é a questão.}
Minha mente divagou um pouco, e comecei a refletir sobre como poderia obter permissão para me aproximar da barreira novamente. Mas antes que eu pudesse ir muito longe, porém, o cardeal começou a falar mais uma vez.
“Daqui para frente, agradeceríamos se você pudesse nos avisar com antecedência quando pretende nos visitar”, ele me disse. “Conseguimos desativar a barreira hoje porque eu estava aqui, mas isso nem sempre é possível.”
Hum, eu pensei. Pelo jeito que ele fala, essa barreira provavelmente é produzida por um instrumento específico que pode ser ligado e desligado. Se eu pudesse pegá-lo emprestado por um tempinho… mas não, ele recusaria se eu pedisse. Vou ter que dar uma cutucada nele na direção de uma revanche da forma mais casual possível, de um jeito que disfarce meu desejo e faça a batalha parecer benéfica para a igreja.
Com o plano definido, dei ao cardeal meu melhor sorriso. “Entendido. Ah, e o que acha de aproveitarmos a oportunidade para testar a durabilidade da barreira?”
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Pouco tempo depois, eu estava sentada na carruagem novamente, sentindo-me um pouco deprimida. “Não acredito que ela simplesmente fugiu depois de ganhar daquele jeito…” resmunguei.
“Yumiella”, disse Patrick, visivelmente exasperado. “O que você faria se acabasse destruindo o instrumento mágico junto com a barreira? Como você compensaria a igreja por isso?”
Como provavelmente já ficou óbvio, meu plano de fazer o cardeal marcar uma revanche entre mim e a barreira falhou. Ele estava preocupado com a possibilidade do instrumento mágico quebrar, exatamente como Patrick acabara de dizer.
Dizem que aquilo é lendário, Pensei, fazendo beicinho por dentro. Aparentemente, isso foi transmitido através da igreja por gerações! O cardeal não deveria ter um pouco mais de fé nele…? Entendimento. Bem, acho que vou ter que desistir. Por enquanto.
{ Yoru: Por enquanto… }
Fui arrancado desses pensamentos ruins por um grito histérico.
“Aah! Aaah!” Eleanora lamentou.
“O que é agora?”
“E-Esse anel!” Com a mão tremendo, Eleanora apontou para minha mão esquerda.
{Moon:... AGORA?!}
Nossa! Eu pensei. Ela deve estar realmente surpresa por eu estar usando acessórios.
“Este é um presente surpresa que recebi do Patrick”, comecei a explicar, com um toque de orgulho. “Meu noivo é uma pessoa gentil que me dá presentes mesmo quando não são para nenhuma ocasião específica.”
“O quê? Foi um presente surpresa?”
“Foi sim! Não foi?”
Me virei para Patrick em busca de confirmação, mas ele tinha uma expressão de profundo desagrado no rosto.
Ah. Talvez ele não goste quando falo sobre nossa vida amorosa…?
“Ela tem razão, foi um presente surpresa”, disse Patrick com voz irritada, virando-se em seguida, bufando.
O que ele é, uma criança?!
Mas Eleanora pareceu achar que havia algo mais por trás da reação dele. Sua expressão congelou e ela disse lentamente: “Yumiella, posso te fazer uma pergunta? Por que você usa seu anel nesse dedo?”
Olhei para ela confusa. “Hum… não tem nenhum motivo em particular. O Patrick simplesmente colocou neste dedo.”
“Oh… oh meu Deus…” Eleanora pressionou as mãos contra a boca, com os olhos marejados de lágrimas de compaixão.
Espere, Eu pensei. Agora que penso nisso, um anel não significa coisas diferentes dependendo do dedo em que é usado? Tipo, um anel de noivado vai em… qual dedo? Nunca me preocupei em aprender essas coisas. Aposto que a senhorita Eleanora sabe. Talvez eu devesse perguntar a ela.
“Existe algum significado específico por trás do quarto dedo da sua mão esquerda?”
“Hum… bem…” Eleanora parou de falar, com uma expressão estranha.
Que estranho. Normalmente ela adora falar sobre essas coisas. Por que está sendo tão vaga dessa vez? E por que fica olhando para o Patrick, com aqueles olhares preocupados?
Patrick deu um suspiro irritado, com os olhos ainda fixos em algo do lado de fora da janela. “Senhorita Eleanora, eu vou contar a ela, então prefiro que você não diga nada. A culpa é minha por não ter deixado as coisas claras para ela.”
“Entendido.”
A atmosfera na carruagem mudou, de repente lembrando um velório. Decidi que era melhor ficar quieta e admirar em silêncio o dedo que ostentava o anel de Patrick.
Acho que não preciso descobrir sozinho se o Patrick vai me contar. Eu pensei. Para ser completamente honesta, eu realmente não me importo com o significado por trás do anel.
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Era o dia seguinte à nossa visita à igreja, e Patrick e eu estávamos à espera para nos encontrarmos com o rei numa sala do Palácio Real. O palácio não era apenas a residência do rei, mas também o local que abrigava as instituições mais importantes de Valschein.
“Estou com o cabelo desarrumado?”, perguntei a Patrick, passando os dedos pelos meus cabelos.
Era uma pergunta necessária — nós dois estávamos no meio da nossa última checagem de aparência. Seria desrespeitoso para com Sua Majestade se o encontrássemos com uma aparência muito desleixada.
“Estamos prestes a nos encontrar com Sua Majestade, o rei de Valschein, e é isso que mais te preocupa?”, perguntou Patrick, revirando os olhos.
Notei que ele estava vestido de forma diferente hoje, suas roupas um pouco mais ajustadas ao seu corpo do que o habitual. Eu, por outro lado, estava usando meu típico vestido casual do dia a dia.
“Devia ter usado um vestido de gala?”, perguntei lentamente.
“Quer dizer, nossa audiência com Sua Majestade não será pública, então…”
Relaxei um pouco. Patrick tinha razão; nossa reunião seria apenas entre nós dois e o próprio rei. As coisas teriam sido um pouco diferentes se tivéssemos que falar na frente de vários outros aristocratas também, mas Sua Majestade era um homem de grande importância. Provavelmente, ele não se importava com pequenos detalhes, como se eu estava vestida com um traje formal ou não. Para falar a verdade, porém, tudo isso eram apenas desculpas — eu realmente não queria usar um vestido formal.
Com a minha aparência agora devidamente arrumada, concentrei-me em terminar o bolo que nos tinham servido enquanto esperávamos. Não fui muito longe, porém, antes de baterem à porta.
Eu estava um pouco ocupada comendo bolo, então foi Patrick quem foi atender. Ele abriu a porta e o Príncipe Edwin entrou.
{ Yoru: prioridades }
“Já faz um tempo, senhorita Yumiella, Patrick.”
Após engolir em seco, respondi: “É um prazer vê-lo, Alteza.”
“Corri para cá depois de saber que vocês dois estavam visitando o palácio. Parece que seu condado está indo bem.”
Inclinei a cabeça. “Sim, obrigada.”
Imagino que a notícia de que o Condado de Dolkness está em ascensão se espalhou tanto que até o príncipe já ouviu falar disso. Eu pensei. É difícil lembrar que ele próprio está em meio a uma ascensão meteórica. Morando no campo há tanto tempo, parece que toda essa política nem existe mais.
“Como Vossa Alteza tem passado esses dias?”, perguntei ao príncipe. “Os radicais estão como sempre?”
O príncipe Edwin fez uma careta. “Na verdade, a situação piorou. Agora estão dizendo que eu conseguiria facilmente o trono com a ajuda do duque. Não só querem roubar a posição do meu irmão como herdeiro, como acham que podem tomar o próprio trono do meu pai. Falam disso como se não fosse nada demais. É exaustivo.”
Nenhuma das notícias do príncipe me chocou muito — na verdade, tudo estava dentro das minhas expectativas. Com o líder dos radicais agora tendo ligações com outro país, era natural que as coisas tomassem um rumo mais extremo.
Neste momento, talvez não consigamos resolver as coisas pacificamente. Pensei tristemente. Devemos deixar a Capital Real assim que terminarmos nossos afazeres.
Patrick reconheceu a dificuldade da situação e então perguntou: “O Duque Hillrose deu algum sinal de que pretende fazer alguma coisa?”
O príncipe Edwin balançou a cabeça. “Nada aconteceu que possa ser atribuído diretamente a ele. A senhorita Eleanora também tem se mantido sumida, então pelo menos há algo de bom em toda essa confusão.”
O príncipe Edwin inclinou levemente a cabeça para mim, como que a agradecer pelo comportamento dela, mas eu sabia que não fora apenas minha capacidade de persuasão que havia acalmado as investidas de Eleanora. Segundo ela, até mesmo seu pai, o duque, havia lhe dito que ela deveria se manter longe do príncipe.
Ainda não entendo porque o Duke Hillrose fez essa sugestão. Pensei, sentindo-me inquieta. Mas antes que pudesse refletir sobre o assunto, ouvi o som de várias pessoas correndo do outro lado da porta.
Me preparei para a confusão, imaginando o que estava acontecendo, mas o som passou pelo nosso quarto e lentamente pareceu se afastar na distância.
“As coisas têm estado agitadas desde esta manhã”, disse o príncipe Edwin com um suspiro. “Tudo porque o instrumento mágico que cria a barreira para a igreja foi roubado.”
Patrick se virou para me olhar tão rápido que deixou um som de assobio para trás.
“N-Não, não fui eu! Eu não fiz nada de errado!” Eu gritei, me encolhendo ao ver sua expressão.
Puxa, isso só fez parecer que eu era a culpada! Eu prometo, Patrick, eu não fiz nada! Claro, eu posso ter mencionado que queria pegar emprestado, mas eu jamais faria algo sorrateiro como roubar alguma coisa!
Patrick olhou para mim com os olhos semicerrados, assumindo um olhar acusador ao perceber minha reação desconfiada.
“Quer dizer, eu não consigo entrar na igreja de qualquer jeito”, eu disse apressadamente. “Eu nem sei onde eles guardam o instrumento! Tudo o que eu queria era resolver as coisas com a barreira, eu teria simplesmente destruído o instrumento em vez de roubá-lo…”
Patrick relaxou, parecendo decidir que eu era inocente, e eu afundei na cadeira. Qualquer outra pessoa certamente teria concluído que eu era a culpada. Eu grunhi por dentro. Falar desse jeito só me fez parecer ainda mais culpada…
Virando-se para o príncipe, que nos encarava com uma expressão de completo espanto, Patrick disse: “Por favor, nos conte mais. Na verdade, visitamos a Igreja do Sanonismo ontem mesmo.”
“É mesmo?” perguntou o príncipe Edwin, um pouco surpreso. “Resumindo, o cardeal confirma que o instrumento mágico está seguro duas vezes por dia, uma vez de manhã e outra à noite. Descobriram que ele havia desaparecido durante a confirmação noturna de ontem.”
“Bem, a barreira definitivamente estava lá por volta do meio-dia”, garantiu Patrick. “A Yumiella não conseguiu entrar na igreja por causa dela.”
“Essa barreira não deveria bloquear monstros…? Ah, então deve reagir ao elemento sombrio.”
O príncipe se virou para mim com um olhar de pena, mas minha mente já estava em polvorosa.
Se o instrumento que criou a barreira foi roubado em algum momento entre o meio-dia e a noite, e eu só descobri sua existência ontem por volta do meio-dia… As evidências circunstanciais estão se encaixando perfeitamente! Será que eu sou a culpada?! Talvez meu subconsciente tenha feito algo ruim…
“Fique tranquila, senhorita Yumiella”, disse o Príncipe Edwin com um sorriso. “Eu não suspeitaria que você faria tal coisa. Você não é o tipo de pessoa que faria algo assim, e não acredito que teria qualquer motivo para roubá-lo.”
“Exatamente! Quer dizer, eu pensei em destruí-lo, mas nunca me passou pela cabeça roubá-lo.”
A boca do príncipe abriu, fechou e abriu novamente. “Então você realmente considerou destruí-lo?”
“Sim”, respondi simplesmente. “Com certeza vou destruí-lo um dia.”
Olha, eu sei que é errado destruir o instrumento mágico, tá bem? Eu entendo, de verdade. É só que… é uma necessidade que vai além dos critérios de certo e errado. Há momentos em que você simplesmente precisa fazer algo, não importa o quê, independentemente de como a sociedade vai te julgar por isso. Mesmo que eu seja desprezada ou que o mundo inteiro se volte contra mim, minha convicção jamais se apagará!
Pelo menos o príncipe Edwin acreditava na minha inocência, por mais suspeita que eu parecesse. Já o cara sentado ao meu lado… Lancei um olhar ressentido para o rosto despreocupado de Patrick.
“Só para você saber, eu nunca disse que desconfio de você”, disse ele calmamente.
Resmunguei. “Mas você pensou isso, não é mesmo? Tanto faz, estou mais preocupada com o instrumento mágico. Preciso ser capaz de destruí-lo.”
“Patrick, você tem certeza de que a senhorita Yumiella não fez isso?”, perguntou o príncipe.
Soltei um suspiro de espanto. Príncipe Edwin, como você pôde me trair assim?! O roubo do tesouro escondido da igreja é um assunto com graves consequências. Talvez… eu deva me juntar à busca para provar minha inocência. E, se por acaso eu o encontrar, talvez haja um pequeno mal-entendido e, por pura coincidência, eu consiga minha revanche contra a barreira. É totalmente possível; tenho certeza absoluta disso!
“Eu também gostaria de ajudar a encontrar o instrumento mágico”, declarei, deixando transbordar todo o meu entusiasmo. “Qual é o formato do instrumento? Por favor, compartilhe comigo qualquer outra pista que você tiver. Além disso, se você tiver uma lista de quem visitou a igreja ontem, eu também gostaria de recebê-la.”
O príncipe Edwin olhou para mim com desconfiança e depois suspirou. “Você definitivamente está planejando destruí-lo. Eu preferiria se você não ajudasse em nada.”
Como se eu fosse aceitar essa rejeição tão fácil assim! Pensei, teimosa como sempre.
A expressão do príncipe Edwin começou a congelar, como se ele tivesse percebido o quão determinado eu realmente estava.
“Vossa Alteza”, disse Patrick, agora com um tom exasperado, “A Yumiella provavelmente não fez nada. Apesar da aparência, ela não é boa em mentir.”
Minha mão deslizou até meu peito. “Patrick…” eu disse, emocionada.
Será esta a confiança que um casal constrói um com o outro…?
“Como você pode ver claramente, a única coisa que passa pela cabeça da Yumiella é destruir a barreira. Se ela soubesse onde ela está localizada, já estaria agindo de acordo com esse desejo.”
O príncipe assentiu com a cabeça. “Ah, entendi.”
Poxa, Patrick, eu não sou nenhuma viciada em brigas. E é muito ridículo você não ter confiado em mim. Tudo o que eu quero é deixar claro quem é o mais forte!
Nesse ponto, nada da conversa me parecia certo, mas não valia a pena discutir agora que Patrick havia convencido o príncipe da minha inocência. Soltei um suspiro e desisti.
Aquele ladrão chegou na pior hora possível para mim… Um dia ele vai pagar.
Depois disso, o assunto voltou para o Condado de Dolkness, e continuamos conversando por mais algumas dezenas de minutos. Então, murmurando algo sobre como já era hora, o príncipe se levantou.
“Em relação à barreira, ela ainda não foi divulgada ao público, portanto, não discuta o assunto com outras pessoas.”
“Entendido.”
“Não é como se pudesse ser usado para o mal, então não é realmente um grande problema.”
É verdade. Eu percebi. A única coisa que a barreira realmente faz é impedir que monstros e pessoas como eu, que usam magia negra, entrem na igreja. Por que será que o ladrão resolveu ir atrás dela? Havia uma infinidade de outros objetos de aparência valiosa na igreja, então acho que não estavam atrás de dinheiro…
Mas, infelizmente, não pude me deter por muito tempo no roubo do meu arqui-inimigo. Finalmente chegara a hora de encontrar o rei.
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Depois de se despedir do Príncipe Edwin, o secretário do rei veio até a sala onde estávamos esperando e nos acompanhou até a saída. Ele nos conduziu ao último andar do Palácio Real, onde ficava o escritório do rei. A sala estava repleta de documentos organizados e não parecia ter nenhuma decoração. Parecia ser um lugar destinado exclusivamente ao trabalho administrativo.
Em meio ao caos cuidadosamente organizado, o rei estava sentado sozinho, absorto em um duelo de olhares com os documentos em sua mão. Quando nos ouviu entrar, porém, ele os deixou de lado e voltou seu olhar sério para nós. “Saudações, senhorita Yumiella, Patrick. Peço desculpas, muita coisa se acumulou.”
“Ouvimos falar da barreira imposta pela igreja por Sua Alteza”, expliquei.
“Entendo”, disse o rei, suspirando. Ele acenou com a mão, convidando-nos a sentar.
Atendemos ao pedido e, em seguida, trocamos algumas gentilezas antes de abordarmos o principal motivo da nossa visita.
“Vossa Majestade”, disse eu respeitosamente, “estamos aqui hoje para relatar algo que o duque de Hillrose está planejando.”
O rei assentiu com a cabeça. “Sim, Ronald me deu uma visão geral da situação. Gostaria de ouvir mais sobre isso da sua parte também, senhorita Yumiella.”
Continuei explicando os planos do duque, conforme os tínhamos ouvido do visconde.
—Contei-lhe tudo sobre como os radicais planejavam agir em conluio para remover do poder os membros da facção do rei, e como o nosso reino vizinho de Lemlaesta estava envolvido em tudo isso.
O assunto me pareceu bastante delicado, mas o rei nem pestanejou.
Ao ver sua falta de reação, ficou claro para mim que Ronald não havia impedido que nossa informação chegasse ao rei. Se ele não tivesse ouvido tudo antes, certamente isso teria ficado evidente em sua expressão.
Após eu terminar de explicar a situação, o rei fechou os olhos e pensou em silêncio por um instante, como se estivesse tentando resgatar alguma lembrança perdida. Então, soltou um suspiro e abriu os olhos lentamente.
“Só o Hillrose sabe exatamente como Lemlaesta vai se envolver em tudo isso, certo?”
“Foi isso que ouvimos do visconde de Cottoness. Ele mencionou que o próprio duque estava tomando providências, pela primeira vez em muito tempo.”
“Entendo… então não deve haver nenhum problema.”
Hum, ainda parece haver muitos problemas para mim! Eu pensei.
Mas o rei, assim como Ronald, não pareceu nem um pouco preocupado com as informações que tínhamos. Para mim, a situação parecia bastante séria, já que todo o reino poderia acabar envolvido nas facções em conflito, mas não senti a menor urgência da parte do rei. Eu não tinha intenção de desafiar qualquer decisão que ele tomasse, mas mesmo assim me vi tomada pela preocupação. Antes que eu percebesse, todas as minhas preocupações já tinham escapado da minha boca.
“O Ronald está bem? Sei que ele é filho do duque e que atualmente trabalha como seu confidente, então não posso deixar de pensar que existe a possibilidade de ele se juntar ao duque durante toda essa confusão…”
“Isso não é um problema.”
“Mas por que o duque abandonaria o próprio filho, então?”
“Tudo foi feito em benefício de Ronald. Hillrose previu o futuro.”
Franzi a testa. Era a segunda vez que a capacidade do duque de prever o futuro era mencionada. Agora que tanto o rei quanto Ronald a tinham mencionado, eu estava ávida por saber os detalhes.
Como se o rei pudesse pressentir minha insatisfação com sua resposta anterior, ele continuou murmurando: “O Hillrose já foi meu amigo mais próximo. Ele previu que, mesmo se resolvêssemos a questão com o Rei Demônio, o reino continuaria a sofrer com a instabilidade.”
“Mas se essa era a previsão do duque, ainda não entendo porque ele decidiria que seu filho deveria ser criado longe dele”, interrompi.
“Nós… acabamos seguindo caminhos diferentes”, admitiu o rei. “Não temos escolha a não ser estar em lados opostos agora. Ele queria manter o filho fora de tudo isso, então o deixou aos meus cuidados.”
Comecei a sentir dor de cabeça. Mas isso soa como se o duque estivesse indo para a batalha contra o rei sabendo muito bem que vai perder! Por que ele faria isso? Depois de envolver outro reino, não há como ele escapar da pena capital.
Me voltei para o rei, mas ele balançou a cabeça negativamente, encerrando nossa conversa ali. Parecia que ele tinha mais a dizer, mas não estava disposto a expressá-lo.
“Não posso falar mais sobre o assunto”, disse-me ele. “Peço desculpas, mas não posso quebrar minha promessa ao meu melhor amigo.”
“Mas você poderia ao menos me dizer o que o duque está tentando fazer? O que ele está tentando realizar?”
“O duque de Hillrose está…” o rei suspirou. “Ele liderará sua facção e até mesmo se apropriará da força de outro reino para obter poder sobre Valschein. É só isso. E eu impedirei seus planos, custe o que custar.”
Depois disso, não consegui mais perguntar nada ao rei. Uma expressão de profunda dor tomou conta de seu rosto enquanto ele falava dos males que seu outrora amigo mais próximo estava prestes a lhe infligir. Mas nossa conversa não terminou aí. Assim que o rei se recompôs por um instante, redirecionou o assunto para a administração territorial.
“Como tem sido trabalhar como senhora de um território?”, ele me perguntou. “Posso te dar alguns conselhos se você estiver tendo algum problema.”
“Agradeço a oferta, mas felizmente quase tudo tem corrido bem.”
“Bem, lamento não poder ajudar mais.”
Sei que a ajuda do rei poderia resolver instantaneamente praticamente qualquer um dos problemas que enfrentamos no Condado de Dolkness neste momento. Eu pensei. Mas eu simplesmente não quero me envolver mais com a família real.
Comentei isso com o rei, e um sorriso irônico surgiu em seu rosto. Ele até coçou a cabeça e deu uma risadinha discreta.
Suas ações não me parecem muito dignas. Pensei, observando-o. Talvez ele só esteja agindo assim porque não estamos em público.
“Ah”, disse o rei, inclinando-se ligeiramente para a frente. “Também ouvi dizer que você foi à Marca de Ashbatten. O marquês é uma boa pessoa, não é?”
Assenti com alegria. “Sim, e o Patrick e eu conseguimos a aprovação dele para ficarmos oficialmente noivos.”
“Que maravilha, parabéns…” disse o rei alegremente, sorrindo para nós. Seus olhos se voltaram tardiamente para minha mão esquerda. “Ah, eu nem tinha reparado…”
Ele deve supor que o relacionamento está indo bem, a julgar pelo presente surpresa do Patrick! Eu supus.
Patrick gemeu. Até então, ele só havia trocado cumprimentos educados com o rei, mas agora disse: “Majestade, o problema é que ela parece não entender o que…”
O rei fez uma pausa por um instante antes de se virar para mim. “Senhorita Yumiella, o que é esse anel em seu dedo?”
“Hã? Ah, este é um presente surpresa que recebi do Patrick.”
A expressão do rei se contorceu em algo indescritível depois de ouvir minha resposta.
Talvez ele não tenha gostado do que eu disse… Pensei, nervosamente. Ah, entendi! Ele não queria saber quem me deu este anel, ele queria saber sobre suas habilidades mágicas, como se fosse um instrumento!
“Este anel é um instrumento mágico raro que pode armazenar a energia mágica de uma pessoa e funciona como uma garantia caso o usuário fique sem mana”, eu disse, as palavras jorrando de mim como água de uma fonte. “Pedras mágicas também são repletas de energia mágica, mas não podem ser convertidas em uma forma utilizável por humanos. Você pode pensar que poções de recuperação de mana são suficientes, mas o benefício de poder usar energia mágica sem precisar fazer mais nada é imenso. Se você estiver em uma situação que esgote sua mana, a necessidade de beber uma poção pode lhe custar a vida. Além disso, há um certo tempo de espera entre beber uma poção e sua mana se recuperar. Ademais, o que eu acho realmente incrível neste anel é que ele pode armazenar elementos que eu não consigo usar—”
“Yumiella, já chega”, disse Patrick, interrompendo minha explicação apressada ao segurar meu ombro. “Você está incomodando Sua Majestade.”
Voltando a mim, concentrei-me novamente no rei. Ele parecia completamente incomodado com a minha presença, como se as palavras “Meu Deus” estivessem à espreita em seus lábios, prontas para serem proferidas a qualquer momento.
{Moon: Por nada… “Meu Deus…” | Del: Eu tenho um certo medo do “Ah, entendi” da Yumiella…}
“Acho que suas considerações infinitamente minuciosas para a batalha são incríveis”, disse o rei finalmente, voltando à realidade. Ele falou apressadamente, como se temesse não conseguir encontrar as palavras. “Não é ruim ter algo pelo qual você seja apaixonada, sabe? Só fiquei um pouco surpreso ao ver a geralmente quieta senhorita Yumiella de repente se tornar falante.”
Ele acha mesmo que eu sou uma daquelas nerds que falam super rápido quando estão falando sobre seus interesses! Majestade, eu não sou nada assim!
{ Yoru: … | Moon: … | Del: … }
O rei olhou de um lado para o outro, entre Patrick e eu, algumas vezes, e finalmente disse: “Hum. Bem, boa sorte.”
“Obrigado”, disse Patrick, inclinando a cabeça. “Encontrarei uma oportunidade e resolverei as coisas.”
Espera aí, por que ele está nos desejando boa sorte? Pelo menos o Patrick parece entender. Acho que posso perguntar para ele mais tarde, mas… talvez ele só esteja me desejando sorte com o meu planejamento de batalha?
Depois disso, discutimos brevemente o novo destino turístico no Condado de Dolkness, juntamente com alguns outros tópicos menores, e então nossa reunião com o rei chegou ao fim.
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Depois de sairmos do gabinete do rei, Patrick e eu demos uma volta pelo Palácio Real. Pessoalmente, eu achava que deveríamos sair o mais rápido possível — havia uma grande chance de encontrarmos algum aristocrata irritante por ali, e eu não queria isso de jeito nenhum.
Talvez eu devesse ter pedido para enviarem alguém para nos guiar até em casa e afastar o azar. Refleti. Isso significaria que eu teria que voltar de charrete para casa, e eu preferiria não fazer isso. Eu realmente não tive escolha na ida, já que mandaram uma para nos buscar, mas charretes são horríveis. São desconfortáveis, e correr para casa é muito mais rápido! Lancei um olhar distraído para a parede do corredor por onde caminhávamos. Será que consigo sair sem encontrar ninguém se escapar por uma daquelas janelas? Seria um atalho bastante ousado, já que este é o último andar do palácio…
{Del: Os pensamentos do antissocial são de fato incríveis.}
“Patrick, vou sair por aqui”, eu disse, virando-me para a parede.
“Só tem janelas por aí…” Seus olhos se estreitaram. “Ei, não.”
“Não se preocupe, eu não quebraria as janelas de ninguém”, repreendi-o.
“Isso não é—”
Não precisa se preocupar, Patrick! Vou abrir a janela antes de pular!
Ignorando a tentativa frenética de Patrick de me impedir, abri uma das janelas com um puxão e saltei. Havia um jardim logo abaixo, e acabei caindo em uma área onde lindas flores desabrochavam magnificamente em todas as direções. Consegui um pouso bem legal também — fiz aquele negócio de três pontos, em que você termina com uma perna esticada com o pé totalmente no chão, a outra perna dobrada no joelho e uma mão estendida à frente.
{Del: Pouso de super-herói.}
Isso provavelmente faz mal para os meus joelhos, né? Eu pensei. Ainda assim, vale a pena se a probabilidade de eu encontrar alguém que não quero ver diminuir significativamente.
Ouvi um ruído à minha frente e inclinei a cabeça para cima, deixando-a de estar voltada para baixo, para ver alguém parado a poucos metros de distância.
Então, acabou a minha estratégia de evitar pessoas que eu não queria ver…
“Com licença”, eu disse ao Duque Hillrose, que ainda me encarava em choque depois de me ver cair do céu. “Já vou indo, então não se incomode comigo.”
“Espere”, chamou o duque. “Senhorita Yumiella? Não a vejo desde aquela cerimônia, há um ano.”
Infelizmente, meu plano de escapar enquanto ele ainda estava confuso falhou. Ignorá-lo agora seria indelicado.
Olhei para trás sem me virar completamente para ele. “Sim, sou eu. Obrigada por tudo.”
“Eu não fiz nada!,” tetrucou ele. “Foi você quem derrotou o Rei Demônio, condessa. Creio que foi uma cerimônia para parabenizá-la, não é?”
Observei o duque atentamente. Ele não demonstrava nenhum sinal de envelhecimento desde a última vez que o vira, mas havia algo sombrio no ar ao seu redor. Tinha uma expressão condescendente, como se estivesse olhando de cima para baixo para todas as pessoas à sua volta. Certamente não me passou a impressão de ser uma boa pessoa. Decidi manter distância dele — não havia mal nenhum nisso, mesmo que me tivessem dito que não havia motivo para ter cautela.
“Pelo que me lembro, Sua Alteza era o convidado de honra daquela cerimônia”, eu disse, com um sorriso maroto.
Talvez não tenha sido a melhor ideia insistir com o duque para obter informações sobre a facção do segundo príncipe, mas não consegui me conter. Estava curiosa, e ir embora imediatamente não satisfaria o sentimento que me consumia.
“Ora, ora”, respondeu o duque com uma risada. “Qualquer pessoa com bom senso e um mínimo de inteligência não se deixaria enganar a ponto de pensar que aquele príncipe foi uma peça fundamental na derrota do Rei Demônio.”
“Sua Alteza é um dos lutadores mais habilidosos deste reino”, destaquei.
O duque sorriu, como se estivesse realmente achando graça. “Heh, deve ser bom para o príncipe ser reconhecido pela lutadora mais habilidosa do mundo.”
Suspirei por dentro. Acho que é melhor eu ir agora.
Não era como se eu tivesse aprendido algo novo — eu esperava que o Duque Hillrose descobrisse a realidade por trás da nossa batalha contra o Rei Demônio. Como ele mesmo disse, qualquer um bem informado sacaria rapidinho. Só que… eu estava começando a achar que devia sumir dali.
“Tenho certeza que é verdade”, respondi ao duque, com neutralidade. “Mas já está na hora de eu ir embora.”
Tentei passar por ele sem ser notado, mas ele não deixou.
“Espere um pouco”, disse o duque. “Tenho uma pergunta para você. Apenas uma.”
Eu poderia ter continuado, mas decidi ceder e parei imediatamente. “O que foi? Não tenho nenhuma intenção de me juntar à sua facção.”
O duque zombou. “Não precisa ficar andando com esses tolos. O que eu quero saber é: você gosta deste país ou não?”
Lancei-lhe um olhar desconfiado. É um pouco demais da parte dele simplesmente abandonar os membros da própria facção desse jeito e chamá-los de tolos, não é? E o que dizer daquela pergunta tão importante? Ele só perguntou se eu gostava deste reino! Não consigo acreditar que alguém que parece tão antipatriótico me perguntou se eu sou patriota.
Para ser sincera, teria que admitir que não nutria nenhum sentimento de patriotismo por nenhum reino, incluindo Valschein, mas decidi dar ao duque uma resposta evasiva.
“Sou membro da aristocracia do Reino de Valschein”, disse simplesmente. “Naturalmente, juro lealdade à família real do reino.”
O duque Hillrose suspirou. “Não, não”, disse ele, com a voz carregada de irritação. “Independentemente da veracidade da sua afirmação, não era isso que eu queria saber. O que eu quero saber é se você ama este reino, ou seja, a sua parte dele. Você ama o seu território ou o seu povo? Eu não dou a mínima para a família real e aquele rei fraco.”
Oh, Pensei, um pouco atordoado. Ele é completamente maluco. De que outra forma teria a audácia de chamar o rei de fraco em seu próprio palácio, onde a monarquia do reino foi estabelecida?!
Com medo de que alguém tivesse ouvido as palavras do duque, olhei em volta, verificando os arredores. Não havia sinal de ninguém; éramos apenas o duque e eu, além das belíssimas rosas que floresciam com esplendor no jardim.
Espera aí, por que sou eu que estou com medo e não o duque? Eu percebi. Foi ele quem disse isso.
Afastando meu desconforto, voltei a me concentrar na pergunta de Duke Hillrose.
Como aristocrata, eu provavelmente deveria gostar deste reino e das pessoas que vivem aqui. Mas quanto ao patriotismo… eu simplesmente não conseguia entender que tipo de sentimento era esse.
Vamos, depressa, pense numa resposta para que possa ir embora. Eu me repreendi, mas simplesmente não conseguia encontrar as palavras.
Poderia dizer que realmente gostava deste reino? Não. Mas também não vivia como aristocrata para meu próprio benefício.
Ao me ver com dificuldade para responder, o duque disse: “Deixe-me reformular a pergunta. Digamos que haja uma aldeia faminta à sua frente. O que você faria?”
“Não consigo criar comida do nada, então—”
“Não, estou perguntando qual seria o seu plano de ação. O que você almejaria?”
“É claro que eu pensaria em maneiras de resolver a falta de alimentos para eles.”
Lancei um olhar confuso ao duque. Por que você me perguntaria algo tão óbvio? Até eu, que tenho consciência, faria isso. Aliás, estou justamente ajudando uma aldeia assim, que se entregou ao roubo por ter sido negligenciada pelo senhor de um território vizinho!
“Entendo…” O duque continuou, com um sorriso malicioso no rosto. “Mas me diga, e todas as outras pessoas no mundo que estão sofrendo de fome, assim como naquela aldeia? Você não vai tomar nenhuma providência para ajudá-las também?”
Balancei a cabeça negativamente. “Seria impossível ajudar o mundo inteiro. Só posso ajudar aqueles que estão ao meu alcance.”
Eu não tinha a ilusão de ser um deus; sabia muito bem que não podia salvar todas as pessoas desafortunadas do mundo. Mesmo assim, podia me concentrar em ajudar aqueles que estavam perto de mim e em usar meu poder para ajudar meu país e este reino. Mas…
Por que o duque me faria essas perguntas, afinal?
Meus olhos se voltaram relutantemente para o rosto do homem, apenas para ver que seu sorriso malicioso havia se aprofundado ainda mais. “Maravilha, vejo que você entende suas limitações em uma idade tão jovem”, disse ele, dando uma risadinha. “Você é completamente diferente daquela criança mimada. Continue sendo tão diligente quanto agora.”
“Eu vou…” eu disse, me sentindo estranhamente desconfortável. “Então eu vou embora.”
Com um arrepio, desviei o olhar, a imagem do sorriso presunçoso no rosto do Duque Hillrose gravada na minha mente. Não pude deixar de comparar aquele sorriso arrepiante e completamente satisfeito com o sorriso amigável de Ronald e a natureza franca e aberta de Eleanora.
Como é possível que os membros de uma mesma família ajam de maneiras tão incrivelmente diferentes? Fiquei pensando.
Independentemente disso, nada do que o duque disse fazia sentido, e eu já estava farta. Comecei a me afastar, mas fui impedida novamente depois de apenas alguns passos.
“Espere”, ordenou o duque.
Virei a cabeça para olhá-lo. “O que é desta vez?”
“Espero que você seja uma amiga para a Eleanora.”
Ele sorriu para mim mais uma vez, mas não era nada parecido com a expressão que me deixara tão desconfortável momentos antes. Era uma expressão gentil, como a de um pai carinhoso.
Antes que eu pudesse formular uma resposta, o duque se virou e saiu apressado. Fiquei sozinha no jardim, com o perfume das rosas se tornando cada vez mais enjoativo a cada inspiração.
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Na noite seguinte, fui arrancada da propriedade dos Dolkness e levada para a casa dos Hillrose. Para meu extremo desgosto, Eleanora, exuberante, estava me obrigando a vestir um vestido.
“Viu? Ficou perfeito, exatamente como eu pensei!”
Fiz uma careta, mesmo que apenas por dentro. “Mas por que preciso usar um vestido de gala? Pensei que íamos jantar juntas.”
“É normal usar um vestido de gala para ir a uma festa!”, respondeu Eleanora.
Uma festa? Pensei que a senhorita Eleanora tivesse me convidado para jantar! Quando foi que decidimos ir a uma festa?!
Me remexi desconfortavelmente, incomodada com a dificuldade de me mover naquele vestido preto que me obrigaram a vestir. Tinha um corte mais ousado do que eu estava acostumada e deixava um dos meus ombros à mostra. Para falar a verdade, eu queria tirá-lo naquele instante. Mesmo assim, apesar de como eu agia na maior parte do tempo, eu era mais civilizada do que um habitante das cavernas que rasgava as roupas só porque elas estavam atrapalhando.
Então, eu simplesmente disse, irritada: “Senhorita Eleanora, a senhorita não mencionou que íamos a uma festa.”
“Hum, sério?” Ela sorriu para mim. “Bom, você também poderá comer lá, então é praticamente a mesma coisa!”
Eu suspirei. Sinceramente, a culpa é minha. Essa é a mesma garota que simplificou um convite para visitar o cardeal da maior igreja de Valschein para um simples “Vamos sair!”. Eu deveria ter esperado algo mais do que um jantar qualquer e ter pedido mais detalhes, em vez de me distrair pensando em como seria bom se eu conseguisse obter mais informações sobre o Duque Hillrose.
Com desânimo, decidi me entregar ao meu destino. Eu não conseguia nem reunir energia para me animar com o jantar, seja lá para onde estivéssemos indo — ou se a comida seria servida em banquete ou em estilo buffet, não havia como a comida me satisfazer.
Afinal, uma boa refeição exige liberdade em todos os aspectos.
Eleanora me examinou de cima a baixo várias vezes enquanto eu vestia meu vestido, e então me deu um sorriso tão largo que eu senti que seus lábios não poderiam se abrir mais. “Você está maravilhosa! Preto fica ótimo em você, Yumiella!”
“Entendo… obrigada.”
Meu coração se enterneceu um pouco, ao perceber o quão sinceras eram as palavras de Eleanora.
Ela nunca tinha dado muita importância à antiga discriminação de Valschein contra cabelos negros, e eu percebi que ela realmente achava que o vestido preto ficava bem com a cor do meu cabelo.
Se isso faz uma moça pura como a senhorita Eleanora tão feliz, talvez eu possa ir a uma festa desta vez. Pensei, com um suspiro. Mesmo que eu deteste profundamente tais eventos.
“Onde será realizada essa festa?”, perguntei.
“Bem aqui! Meu pai está dando a festa. Todos os membros da facção do meu pai estarão reunidos aqui.”
{Moon: Oh coisa boooaa… !!!}
Todo o calor no meu peito se transformou em gelo. Senhorita Eleanora, você está me levando para um encontro de radicais?! Retiro o que disse antes; afinal, não quero ir!
Poucos minutos depois, Eleanora me conduziu até a entrada do salão de baile da propriedade Hillrose. Era menor do que eu esperava, especialmente porque tinha ouvido dizer que era o terceiro maior salão de baile de Valschein, depois dos do Palácio Real e da Academia. Para ser justa, porém, era apenas menor do que eu imaginava — o espaço ainda era enorme, e era improvável que qualquer outro aristocrata no reino possuísse um salão de baile que sequer se aproximasse da imponência daquele.
Das mesas às maçanetas, era possível perceber, só de olhar, que os móveis e os acessórios eram caros. Todos haviam sido bem polidos e emitiam um brilho elegante que agradava aos olhos.
“Não precisa ficar nervosa”, Eleanora sussurrou alto ao meu lado. “Eu estarei com você!”
Não estou nervosa, senhorita Eleanora. Pensei, exasperada. Estou exausta.
Meu tormento não terminou quando Eleanora me obrigou a vestir o vestido. Também tive que suportar tranças no cabelo e maquiagem no rosto. Além disso, fui coagida a usar um par de saltos altos que achei incrivelmente difíceis de usar. Todo o processo foi extremamente desgastante.
Como é que a senhorita Eleanora ainda consegue ser tão enérgica? Fiquei pensando. Ela passou pelas mesmas coisas que eu! Embora, talvez ela já esteja acostumada — ela quase sempre usa vestidos bonitos quando a vejo.
“O duque também virá a esta festa?”, perguntei a Eleanora. “Fui convidada, mesmo que apenas formalmente. Devo ao menos ir cumprimentá-lo.”
“Meu pai não estará lá”, respondeu Eleanora, com a voz confusa.
“O quê? Não foi o duque quem me convidou?”
“Eu te convidei! Meu pai disse que eu podia trazer quantos amigos eu quisesse.”
Ah, então é improvável que o duque saiba que ela me convidou. Percebi. Será que isso está tudo bem…?
Voltando a atenção para Eleanora, insisti para que ela me desse detalhes. Aparentemente, era raro o próprio duque comparecer a encontros como esse, que os radicais realizavam regularmente.
“Serei a anfitriã”, gabou-se Eleanora, claramente vestida a rigor para a ocasião, a julgar pelo fato de estar mais elegante do que o habitual. “Como futura esposa de Sir Edwin, fazer preparativos como este não é nada para mim.”
Assenti com a cabeça. “Tudo bem. Então, o que você fez em relação a este evento?”
“Aprovei as ideias do delegado!”
Isso significa que você não fez nada! Pensei, enquanto minha cabeça começava a latejar. A vida do delegado aqui deve ser bem difícil… Embora, deixar o planejamento para a senhorita Eleanora e vê-la tentar consertar a própria bagunça talvez seja ainda pior do que fazer tudo sozinho.
Olhando para o local, consegui contar aproximadamente cinquenta pessoas — todas elas chefes radicais de famílias aristocráticas ou membros de suas famílias. Sem terem sido avisados previamente da minha presença, os outros convidados ficaram chocados ao me verem ali. Todos nos encaravam, a mim e a Eleanora, de longe, sem saber como reagir. Um homem, porém, quebrou o padrão ao se aproximar de nós.
Por dentro, gemi. Qual é, cara, eu só estou aqui pela variedade colorida de pratos naquela mesa! Não tenho o menor interesse em bater papo com um cara que eu não conheço.
“Muito obrigado por me convidar para a festa de hoje, senhorita Eleanora. Creio que esta é a primeira vez que encontro a jovem ao seu lado.”
Lancei um olhar desconfiado para o homem à nossa frente, enquanto Eleanora respondia alegremente: “Ah, esta é minha amiga, Yumiella!”
Ah, vamos lá, senhorita Eleanora. Pensei, revirando os olhos. É óbvio que aquele homem sacou quem eu sou no segundo em que viu meu cabelo. Que mentiroso descarado. E, nossa, o que está acontecendo com esse sorriso dele? Ele provavelmente acha que está bonito, mas tem algo perturbador na expressão dele.
Eleanora estava prestes a continuar falando, mas o homem a interrompeu e se voltou para mim. “É um prazer conhecê-la, Condessa Dolkness”, disse ele. “Sou Arkleton e também possuo o título de conde.”
“É um prazer conhecê-lo”, respondi de forma rígida.
“Já que você está participando da nossa reunião hoje, posso presumir corretamente que você está se juntando ao lado do duque?”
“Não pode.”
Eu deveria ter previsto isso no momento em que a senhorita Eleanora disse que este era uma festa dos radicais. Pensei isso com um aperto no estômago. É claro que o homem está sorrindo tanto, pensando que eu escolhi apoiar a causa deles. Se eu fizesse isso, o plano deles de tornar o Príncipe Edwin o próximo rei estaria garantido. A pergunta do homem fez com que minha mente voltasse ao meu encontro com o visconde de Cottoness. O visconde ficou com a impressão de que eu também havia aderido à causa dos radicais. De onde surgiu esse boato?
Entretanto, o rosto do Conde Arkleton tornou-se suspeito. “Então, por que você está aqui?”
“Porque… minha amiga me convidou”, respondi com uma careta interna. “Não tenho outro motivo.”
“Sim, entendo”, disse o conde, suavizando o semblante. “Sim, a senhorita veio hoje apenas para ver a senhorita Eleanora. Vamos deixar por isso mesmo.”
Ao observar a expressão satisfeita no rosto do Conde Arkleton, percebi que ele achava ter descoberto algum significado oculto inexistente por trás das minhas palavras.
Mal-entendidos como esse só trazem problemas. Eu pensei, me controlando para não passar a mão irritada pelos meus cabelos. Já consigo sentir que isso vai gerar algum outro incômodo.
Assim que esse pensamento me ocorreu, Eleanora segurou uma das minhas mãos na dela. “Yumiella! Bem agora! Você me chamou de amiga! É a primeira vez que você diz isso!”
“Sim, eu sei”, disse eu, cansada. “Então, por favor, pode me deixar ir. Vamos, você precisa cumprimentar todos, não é, senhorita Eleanora? Afinal, é a festa dos Hillroses.”
“Isso mesmo!” ela concordou. “Então vou indo!”
E com isso, Eleanora saiu apressada em direção aos outros convidados da festa, com um sorriso alegre ainda estampado no rosto.
Muito bem, isso já está resolvido. Pensei, relaxando um pouco. Em seguida, preciso deixar claro que não tenho nenhuma intenção de me juntar à facção do duque.
No entanto, fui imediatamente distraída desse objetivo pelo Conde Arkleton, que ainda estava parado diante de mim. Ele se virou para olhar Eleanora com desdém enquanto ela se afastava.
“Parece que você também está passando por um momento difícil”, disse ele, com uma voz enjoativamente doce. “Quer dizer, aquela moça não parece ser muito esperta. Mas isso é bom para nós, já que ela é fácil de manipular.”
Ouvir ele menosprezar Eleanora com tanta naturalidade acendeu uma chama dentro de mim. Fiquei irritada de repente, a ponto de quase retrucar. Mas… eu não falava dela da mesma forma? Mesmo agora, eu a tinha manipulado para que me deixasse em paz. Isso era realmente tão diferente do que esses homens fizeram, instigando-a a falar mal do Príncipe Edwin e fazendo-a correr para o lado dele?
Soltei um longo suspiro. Até agora, tenho evitado me aproximar muito da senhorita Eleanora por ela ser filha do duque, mas… talvez eu precise começar a construir uma amizade de verdade com ela.
Mesmo assim, antes de agir de acordo com esse pensamento, eu precisava lidar com o homem à minha frente. Ele continuou tagarelando mesmo depois que eu me distraí, ignorando completamente minha falta de resposta.
“No fim das contas, o segundo príncipe é o mais apto para ser nosso próximo rei”, ele dizia. “Fico feliz em ver que você também chegou a essa conclusão, Condessa Dolkness.”
“Mesmo que isso fosse verdade, acredito que Sua Alteza já deixou claro que não tem interesse, não é? Acredito que ele mesmo já disse que não tem intenção de suceder ao trono.”
O Conde Arkleton minimizou a situação. “Ele só disse isso por preocupação com a própria reputação — sei que, no fundo, ele quer o trono. Eu não seria um súdito muito leal se não conseguisse entender seus sentimentos.”
Cara, acho que você não está sendo nem de perto tão atencioso quanto pensa. Eu pensei. Embora esse cara seja tão bajulador que não consigo dizer se ele realmente acredita no que está dizendo, ou se decidiu atacar o segundo príncipe justamente por causa da falta de ambição dele.
Independentemente do que o homem realmente pensasse, era mais do que óbvio que ele não tinha um pingo de lealdade. O fato de já estar pensando em sua posição futura era prova disso. Seu objetivo era claramente tirar proveito do fato de que, uma vez que assumissem o poder, todos os membros da facção do rei que ocupavam posições importantes seriam eliminados e substituídos por membros da facção do duque. Ele queria ser ministro de algum partido ou algo do tipo.
Nesse momento, minha expressão neutra se transformou em um olhar frio. O conde, porém, não percebeu e continuou a falar em um tom monótono e sonoro.
“Além disso, Sua Alteza derrotou o Rei Demônio. Todos os verdadeiros aristocratas devem desembainhar suas espadas quando o reino está em crise e, no fim, quanto mais força você tiver ao seu lado na batalha, mais fácil será a vitória. Tenho certeza de que você entende muito bem esse princípio, Condessa Dolkness.”
“Você pode ter razão”, admiti.
Eu não podia exatamente contradizer o homem com total confiança, já que havia resolvido a maioria dos meus problemas usando força bruta. Mesmo assim, não achava que ele estivesse completamente certo. Claro, eu era incrivelmente forte, mas também não era uma boa aristocrata nem uma boa senhora para o meu condado. Força em batalha não era tudo o que importava neste mundo — eu era a prova disso. Então, decidi deixar isso bem claro.
“Você diz que a força é tudo”, eu disse pensativamente ao conde, “mas se for esse o caso, o nível de alguém não determinaria quem é o mais importante? Vamos comparar? Qual é o seu nível, senhor?”
O rosto do Conde Arkleton corou levemente. “E-eu não sou muito bom em lutas…”
“Ah, entendi”, eu disse, assentindo com a cabeça. “Acho que isso significa que você continuará sendo um aristocrata insignificante de agora em diante.”
{Moon: Ai… corte rápido? É Tramontina!}
As bochechas rosadas do conde ficaram ainda mais vermelhas. “C-Como ousa?! Estou falando de quem merece o trono! Está dizendo que existe um aristocrata que poderia derrotar Sua Alteza, o segundo príncipe, o homem que derrotou o Rei Demônio?!”
Sim, estou bem aqui. Eu declarei internamente. Ah, e por acaso eu sou a pessoa que derrotou o Rei Demônio. Eu realmente pensei que você já soubesse disso, mas acho que você nem é tão inteligente assim.
Nesse momento, percebi que não fazia sentido continuar a conversa com o conde. Decidi encerrar o assunto.
“Bem, tem eu, por exemplo. É melhor você se lembrar de mim se estiver planejando governar o reino usando a força como arma. Não vou impedir seu progresso, mas se você representar uma ameaça para aqueles ao meu redor, darei tudo de mim.”
O rosto vermelho do conde empalideceu. “N-Não há necessidade… Eu jamais faria algo para lhe desagradar, condessa.”
“É mesmo? Bem, então, vou observar de longe. Fique à vontade para fazer o que quiser.”
{Del: Aqui a Yumiella bateu o martelo.}
Dito isso, virei as costas para o Conde Arkleton e comecei a atravessar o salão de baile. Os outros aristocratas ao nosso redor, que observavam nossa conversa, afastaram-se de mim, abrindo caminho.
Uma parte de mim esperava que os radicais se acalmassem um pouco depois da minha ameaça velada, mas o resto de mim já sabia que eu não tinha abalado muito a sua determinação. Aqueles que torciam pelo segundo príncipe iriam se rebelar contra o rei e o primeiro príncipe de qualquer maneira — deixar minha posição clara não seria suficiente para mudar o rumo da situação atual.
Tanto faz, eu só vim aqui jantar. Eu pensei. Preciso comer enquanto posso; afinal, é de graça. Se nada mais, pelo menos devo pegar algo para beber.
Nesse instante, Eleanora apareceu. Ela estava conversando com algumas garotas da nossa idade, que pareciam familiares.
Ah, essas são as garotas da Academia que costumavam se impor, já que faziam parte da comitiva da senhorita Eleanora. Eu percebi.
“Agora é a sua chance”, disse uma delas. “Sua Alteza se tornará rei, e você será sua rainha, senhorita Eleanora… Que lindo, não é?”
Eleanora mexeu os pés desconfortavelmente. “Mas tanto meu pai quanto a Yumiella sugeriram que eu desistisse…”
“Tenho certeza de que eles estão apenas tristes por você se casar com um membro da família real! Com certeza ficarão felizes por você se você e o príncipe ficarem juntos.”
“Será que vão mesmo?”, perguntou ela, relutantemente. “Mas eu…”
Ela parece estar prestes a mudar de ideia. Eu pensei. Não é de surpreender, com todas aquelas damas nobres a cortejando ao mesmo tempo.
O grupo de garotas pareceu perceber isso também, pois seus lábios começaram a se curvar para cima. Parecia que elas achavam que já tinham conseguido.
“Você está a um passo de se casar com o segundo príncipe, senhorita Eleanora”, disse uma das garotas, rindo baixinho.
“Sério? Se eu puder ficar com Sir Edwin, eu…” Eleanora parou de falar.
Uma sensação ruim começou a me invadir. Eleanora estava sempre rodeada de pessoas na Academia — mesmo agora, ela era o centro de um grupo de garotas da sua idade. Mas… quantas daquelas garotas estavam realmente do lado dela? Por mais que eu tivesse pensado em Eleanora como meu oposto, talvez ela estivesse tão sozinha quanto eu já estive no passado…
De repente, me lembrei da expressão no rosto do duque de Hillrose no dia anterior. Não a desagradável, mas o sorriso gentil que ele me deu pouco antes de partir, quando me pediu para cuidar de Eleanora.
Balancei a cabeça, tentando afastar a onda de sentimentos que me dominava. Não, você não faz parte dessa coisa radical toda. Eu me lembrei. Fiz a minha escolha sem qualquer influência deles. Foi minha decisão aproximar-me da senhorita Eleanora.
Convencida disso, exclamei: “Senhorita Eleanora! Não acha que eu deveria ser quem grita seu nome de vez em quando?”
“Huh?” Eleanora se virou e me lançou um olhar confuso. “Yumiella?”
Antes mesmo de perceber o que estava fazendo, dei um passo à frente e peguei na mão de Eleanora. Afastei-a da multidão de nobres e a conduzi para longe. Atrás de nós, sua comitiva observava tudo com um olhar vago, como se ainda estivessem processando o que acabara de acontecer.
Puxando Eleanora atrás de mim, acelerei o passo e comecei a correr. Ela nem sequer resistiu enquanto a arrastava para fora do salão de baile e corria por um corredor.
“Espere aí!” ela bufou atrás de mim. “Para onde estamos indo?”
“Não tenho certeza”, respondi. “Ainda não decidi. Acho que qualquer lugar serve, contanto que possamos comer.”
Nossa, senhorita Eleanora, por que você é tão lenta? Você vai acabar tropeçando ao tentar me acompanhar. É o que acontece quando se usa sapatos com salto.
Minha estratégia era clara. Sem lhe dar um momento para protestar, peguei Eleanora nos braços.

Um rubor coloriu as bochechas de Eleanora. “Aah! V-Você não pode fazer isso, Yumiella! Meu coração pertence ao Sir Edwin…”
{ Yoru: KKKKKKKK eu to rachando aqui | Moon: akakakak (nmrl agr, a Yumi-chan tá bonita mesmo…) A Eleanora mano— akakka}
Lancei um olhar duvidoso para a garota em meus braços. Que tipo de mal-entendido é esse, senhorita Eleanora? Certamente você não está tão constrangida por ser carregada no colo. Talvez eu devesse mesmo tê-la carregado nas costas…
Enquanto esses pensamentos me passavam pela cabeça, saí correndo da propriedade do duque e atravessei as ruas da capital real em disparada.
Esses sapatos também estão me dificultando a caminhada… Então, está na hora de tirá-los!
Após uma breve pausa, tirei os saltos dos pés e os joguei na beira da rua. Em seguida, voltei a correr imediatamente, desta vez descalça.
Se existe alguma pedra capaz de machucar meu pé, eu a desafio a tentar!
“Nunca imaginei que você fosse uma pessoa tão assertiva, Yumiella”, ouvi Eleanora comentar.
Eu bufei. “Acho que você também é bastante assertiva, senhorita Eleanora. Bem, então… vamos encontrar um lugar para comer!”
Em pouco tempo, minha corrida noturna nos levou do centro do bairro aristocrático ao bairro popular. A paisagem urbana estava escura, iluminada apenas pela luz tênue que vinha das lojas ao longo da rua. Mesmo na rua em que estávamos, repleta de restaurantes, eu não diria que estava totalmente iluminada.
Quando finalmente parei e dei carona para Eleanora, estávamos em frente a um restaurante chique, do tipo que eu normalmente jamais escolheria. Seria um milagre se eu conseguisse entrar.
“Será que isto… é um sequestro?”, perguntou Eleanora, pensativa.
Balancei a cabeça negativamente. “Claro que não. Estamos apenas jantando juntas como amigas.”
“Entendi, então é isso que os amigos normalmente fazem. Eu não fazia ideia.”
Espera aí, é isso que os amigos costumam fazer? Fiquei pensando.
Eu não tinha muitos amigos, então não tinha muita certeza. No fim, decidi que era melhor me abster de falar sobre o assunto.
Chega de enrolação — vamos entrar! Pensei, agarrando a maçaneta e abrindo a porta.
Ao entrarmos, fomos recebidos educadamente por um garçom. Ele pareceu um pouco surpreso com a nossa presença, mas não deixou transparecer muito.
Fomos rapidamente conduzidas a uma mesa perto da janela e, enquanto nos acomodávamos, observei o ambiente ao redor. Agora que eu podia ver o interior do restaurante direito, percebi que era muito mais extravagante do que eu imaginava. Não achei que haveria nada de estranho em ver aristocratas como eu e Eleanora ali, mas, por outro lado, nenhum dos outros clientes usava vestido de gala. Claro, ninguém estava descalço também.
“Este lugar é maravilhoso!”, disse Eleanora depois de dar uma olhada ao redor, com um tom de profunda satisfação. “Sempre achei que estabelecimentos simples como este têm um charme especial.”
Simples? Pensei, olhando ao redor do espaço mais uma vez. Se isso é simples, as minhas lojas favoritas na capital real são o quê?
“Estava delicioso!”, exclamou Eleanora, animada, enquanto tomávamos uma xícara de chá após a refeição. “Não diria que os ingredientes eram bons, mas havia muita criatividade no prato, e foi divertido comer!”
“Concordo…” respondi.
Vamos lá, preciso dizer algo que mostre que também tenho um paladar apurado! Hum… estava… super gostoso! Eu suspirei. Tanto faz, não precisamos falar da comida.
Dei outro gole lento no meu chá, adiando nossa partida inevitável. Minha mente estava focada em um problema específico: como iríamos pagar a conta.
Normalmente, eu carregava dinheiro suficiente para não me preocupar em pagar a comida, mesmo em um restaurante tão chique quanto este. Naquele momento, porém, eu estava completamente sem dinheiro. Tinha deixado meu dinheiro na propriedade do duque, junto com minhas roupas do dia a dia.
É por isso que vestidos de gala não servem para nada! Eu decidi. Qualquer peça de roupa que não tenha bolsos está com defeito! Voltando-me para Eleanora, refleti: Ela provavelmente também não tem nenhum dinheiro consigo…
Ela tinha, no entanto, um colar com uma grande pedra preciosa pendurada no pescoço.
Talvez possamos pagar com isso…?
Percebendo minhas preocupações, Eleanora perguntou: “Yumiella? O que houve?”
Mesmo que pagássemos com o colar, isso poderia causar problemas para o restaurante. Refleti, ainda encarando o peitoral de Eleanora. Mas… ainda não tenho outra forma de pagar.
De repente, uma voz familiar me chamou: “O que você está fazendo?”
“Patrick!”
Eba, minha carteira chegou! Entendi; ele deve ter nos visto pela janela. Então ele estava passando por esse restaurante e acabou me encontrando. Que sorte a minha!
“Estou tão feliz que você esteja aqui”, eu lhe disse sinceramente.
“Por que você está descalça?”, perguntou ele, exasperado. “O que aconteceu com seus sapatos?”
“Eu os tirei porque estavam me atrapalhando.”
“Você é uma criança?! Acho que não tenho escolha…”
Patrick soltou um suspiro profundo e, de repente, me pegou no colo.
Espera, que vergonha! Talvez fosse melhor me dar uma carona nas costas… Espera, não, isso foi mentira. Desculpa.
“Senhorita Eleanora”, disse Patrick calmamente, “a senhorita também virá. Uma carruagem da propriedade do duque está esperando lá fora.”
“Oh, vocês dois são tão adoráveis! Eu também quero que o Sir Edwin… Oh, não! Sir Edwin se transformou em Yumiella! Por favor, saia da minha cabeça!”
Eu ri baixinho — parecia que eu tinha interrompido o devaneio de Eleanora sobre ser carregada no colo como uma noiva. Patrick me lançou um olhar como quem diz: “O que você fez dessa vez?”
Saímos todos e Eleanora entrou na carruagem. Inclinei a cabeça em reverência, mas não parecia muito natural, já que Patrick ainda me carregava. Não me importei, porém — eu ainda estava intrigada com quem havia providenciado uma carruagem, afinal.
“Muito obrigada”, disse Eleanora pela janela da carruagem. “Eu me diverti muito hoje!”
“Que bom ouvir isso”, respondi.
“Você me levaria para sair de novo outra hora, Yumiella?”
Fiz uma pausa por um instante. “Se a oportunidade surgir”, concordei.
Sair com ela de vez em quando não vai ser tão ruim, né? Podemos sair… talvez uma vez a cada quatro anos?
{ Yoru: ah pô, quase toda hora então… | Moon: Eleição?! (Desculpem…) | Del: Real né, faz 4 anos que elas se conhecem também. }
Poucos instantes depois de nos despedirmos de Eleanora, Patrick e eu fomos para casa. Ele ainda não tinha me colocado no chão, então acabei sendo carregada pela cidade. O céu noturno ainda pairava sobre nós, mas só quando chegamos a uma parte menos populosa da cidade é que finalmente me senti confortável o suficiente para levantar a cabeça de onde a havia escondido no peito de Patrick e contemplar as estrelas.
“Ei, Patrick.”
“Sim?”
“Eu… acho que fiz uma amiga.”
Os olhos de Patrick, tão belos quanto as estrelas no céu, fitaram os meus. E encostei meu nariz em seu peitoral.
“Entendo”, disse ele suavemente, sua voz delicada chegando aos meus ouvidos.
{ Yoru: Meu casal }
<==<>==<>==<>==>
No dia seguinte à minha fuga da festa com Eleanora, decidi voltar para casa, no Condado de Dolkness, como havia prometido. Mas, quando estava prestes a partir, Eleanora apareceu na mansão. Ela se agarrou a mim, quase em lágrimas.
Isso… já aconteceu antes, não aconteceu?
“Não acredito que não vamos poder nos ver de novo!” lamentou Eleanora. “Estou tão triste! Espera… eu posso simplesmente ir visitar o Condado de Dolkness e te ver, né?”
Ei, não se meta também no meu condado! Soltei um resmungo interno. Embora... acho que agora somos amigas. Não deve haver problema se ela vier só de vez em quando.
“Claro, mas espere só um pouquinho, tá bom?”, perguntei a ela. “Prometo que em breve te convidarei para o Condado de Dolkness.”
“Sério?!” Eleanora gritou, saltitando nos calcanhares. “Prometa—você tem que prometer!”
“Claro. Ah, e também… se alguma vez ficar perigoso para você aqui na capital, por favor, venha até mim. No mínimo, poderei lhe oferecer abrigo.”
“Se ficar perigoso…?” perguntou Eleanora, inclinando a cabeça em sinal de perplexidade.
A julgar por essa reação, nenhuma informação sobre a rebelião está sendo compartilhada com ela. Refleti. Espero que, se algo acontecer, ela realmente venha até mim. Tenho recursos suficientes para abrigar pelo menos mais uma pessoa.
De repente, percebi que essa seria minha última chance de aprender mais sobre o pai de Eleanora. Talvez eu possa aprender algo hoje, já que não consegui perguntar nada a ela ontem.
“Há muitos perigos no mundo lá fora”, eu disse casualmente, tentando redirecionar a conversa para ele. “O duque não comenta nada sobre você sair com tanta frequência?”
Eleanora assentiu com a cabeça. “Ele me adverte com frequência”, concordou. “Meu pai é um pouco superprotetor.”
“Ele deve te amar muito.”
Um sorriso satisfeito surgiu no rosto de Eleanora. “Ah, mas meu pai também ama este reino, sabia?”, disse ela, balançando-se alegremente enquanto falava.
“Ele… ama o Reino de Valschein…?”
“Sim, e ele também adora limpar! Ele disse que ia juntar tudo o que não precisava em um só lugar e se livrar de tudo de uma vez!”
Para ser sincera, eu não me importava muito com o interesse do duque pelo minimalismo, e não o considerava um grande admirador do reino. Talvez ele estivesse apenas mentindo para a filha, mas algo me parecia estranho. De qualquer forma, não havia nada que eu pudesse ganhar ao descobrir esse lado surpreendente do duque em relação à sua família.
Se bem me lembro, Eleanora perdeu a mãe quando era jovem, e o irmão já tinha saído de casa quando ela já tinha idade suficiente para se lembrar das coisas. Isso significa que o pai foi praticamente o único parente próximo que ela teve.
“Você também deve amar seu pai, senhorita Eleanora.”
Ela assentiu vigorosamente. “Sim! Eu amo muito meu pai e meu irmão!”
“Entendo…” eu disse fracamente.
Fico pensando no que acontecerá com ela se o Duque Hillrose realmente liderar um golpe de estado… Ao contrário de Ronald, todos sabem que Eleanora é uma Hillrose.
A imagem da expressão do duque ao me pedir para cuidar de sua filha passou pela minha mente como um relâmpago. Será o Duque Hillrose realmente um patriota ou um traidor deste reino?
Resenha do Tradutor e Revisores
Yoru: Opa pessoal! Mais um capítulo interessante para vocês. Aqui vimos um pouco da suposta personalidade do Duque Hillrose. Não sei se é só a minha lerdeza, mas assim como a Yumiella eu também não faço a mínima ideia do que se passa na cabeça daquele homem. Em contrapartida, agora na cabeça da Eleanora está a nossa querida protagonista kkkkkkkkkkk. O evento foi tão forte que substituiu o príncipe nas fantasias dela, eu achei isso GENIAL KKKKKKKK. Enfim, aproveitem para entrar no nosso servidor do discord (link abaixo) para conversarmos sobre a obra. Até o próximo capítulo! :)
Moonlak: Hey hey hey pessoas, então, eu só tenho algumas coisas a comentar… 1- COMO A YUMIELLA CONSEGUE SER TÃO INTELIGENTE PRA VÁRIOS ASSUNTOS E TÃO LERDA PRA OUTROS (que são bem mais simples???) mas eu acho que é assim que a mente dela trabalha né?? Akakk A interação entre a nossa Yumi-chan e a Eleanora também foi muito fofinha e engraçada, espero que agora, como amigas, dos dois lados, elas possam aproveitar bastante antes de qualquer acidente. Não é só o Yoru, também não faço a menor ideia do que o Duque quer, e vai ser lendo pra descobrir… Enfim, Forças Patrick! E até a próxima pessoal!
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