Vol 2

Interlúdio 14

Phil

Fora das muralhas que cercavam a Capital Real, havia uma vasta extensão de campos gramados com uma vista maravilhosa. Monstros raramente apareciam nesses campos, então eles eram quase exclusivamente uma área de lazer para crianças quando o exército não estava treinando ali.

Uma criança que frequentava os campos regularmente era conhecida por ter o respeito de seus colegas — um menino de cabelos castanho-escuros chamado Phil.

{Moon: Me lembrou vagamente de TPN. Aliás, saudades do Phil, fazia um tempo.}

Phil era amigo de um dragão negro que visitava os campos de vez em quando, e se as outras crianças tivessem sorte, aquelas que estivessem por perto durante essas visitas conseguiam montar nas costas do dragão e voar pelo céu. As crianças da Capital Real achavam essa brincadeira muito divertida e desconheciam completamente o fato de que seus pais provavelmente desmaiariam só de ouvir falar disso.

No passado, Phil sofria bullying por causa da cor do seu cabelo, que era quase preto, mas agora nenhuma criança da sua idade se importa mais com isso. A mudança começou a acontecer cerca de um mês antes, graças a um certo incidente. Mas essa é uma história para outro dia.

Naquele momento, Phil e seu grupo de amigos não estavam fora dos muros da cidade, como costumavam estar. Em vez disso, estavam reunidos em uma das praças da Capital Real. Tinham vindo para assistir à apresentação de um bardo que começara a se apresentar na praça cerca de um mês antes. Phil, junto com seus amigos, estava fascinado pelas histórias que o bardo dava vida com sua música.

{ Del: É… a próxima geração terá uma crise Chuunibyou. }

“Eba!” exclamou um menino. “Conseguimos chegar a tempo hoje!”

“Espere por mim, Collin”, gritou outro.

“Chegou o momento que estávamos esperando… então vamos lá!” acrescentou um terceiro garoto.

O grupo de garotos — que somava cinco — aproveitou sua baixa estatura e abriu caminho pela multidão, chegando até a frente do palco. Assim que conquistaram os melhores lugares, o infame bardo começou a tocar seu instrumento de cordas.

Ele cantou uma história que narrava as aventuras de uma garota: uma garota que vivia com medo do poder sombrio que guardava em seu braço direito. Temendo esse poder traiçoeiro, a garota evitava usá-lo, mas não teve outra escolha senão libertá-lo para derrotar seu arqui-inimigo.

A garota venceu a batalha, mas esse não foi o clímax da história — não, o cerne da ação dramática da história ocorreu quando o poder das trevas que a garota havia libertado se voltou contra ela, ameaçando consumi-la por completo. Foi seu amado parceiro quem a salvou da destruição.

“Uau”, murmurou o grupo de garotos, com os olhos arregalados enquanto ouviam.

A história que o bardo contava era completamente diferente dos contos de fadas que eles tinham lido, e a singularidade da narrativa os fascinou completamente. Phil também ouvia atentamente, é claro, imergindo-se na história.

Havia algo em Phil que o diferenciava dos outros garotos, porém: seu campo de visão era menor que o deles. Na verdade, devido a certas circunstâncias, a capacidade de enxergar do jovem havia sido reduzida à metade. E assim, mesmo enquanto Phil devorava a história do bardo, ele também se lembrava de um incidente que ocorrera um mês antes.

 

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Phil havia sido alvo de bullying por parte de seus colegas até dois anos atrás. Naquela época, ele odiava seu cabelo castanho-escuro, que era o motivo pelo qual era alvo de ataques tão implacáveis.

Tudo mudou quando Phil conheceu uma garota com cabelos tão negros que pareciam um vazio capaz de engolir o mundo. Ela era mais velha, confiante e não se importava com a opinião alheia. Phil logo passou a admirá-la.

Quase dois anos depois daquele encontro, Phil pensou consigo mesmo, com nostalgia: Um dia, quero ser como a Yumiella, mas isso nunca vai acontecer. Ela só vem me visitar de vez em quando porque sou patético. Pelo menos, agora sou amigo de um dragão, já que ela nos apresentou um ao outro. E ele ainda me visita com bastante frequência, mesmo que a Yumiella não more mais na Capital Real. Não estou mais sozinho… mas isso só graças à ajuda deles. Não consegui resolver nada sozinho.

Naquele momento específico, as outras crianças tinham parado de intimidar Phil por medo do dragão assustador com o qual ele era frequentemente visto, mas não se tornaram amigas dele. Em vez disso, mantiveram distância.

Mas naquele dia em particular, tudo tinha sido diferente. Um menino gritou para Phil: “Seu cabelo é demais!”

“O quê?”, respondeu Phil, perplexo.

O menino, que estava olhando com entusiasmo para os cabelos castanho-escuros de Phil, correu até ele e segurou sua mão. “Vem comigo”, insistiu. “Deixa eu te mostrar uma coisa.”

Cedendo, Phil deixou que o outro garoto o arrastasse enquanto corria por uma das principais ruas da Capital Real. Logo, chegaram a uma praça onde um bardo estava prestes a se apresentar, e o garoto se acomodou ao seu lado para ouvi-lo.

Durante a apresentação, de alguma forma os dois meninos se transformaram em cinco. Assim que o bardo terminou sua história, todos se reuniram para brincar de faz-de-conta. Para surpresa de Phil, eles acabaram brigando para ver quem interpretaria o mago das trevas, um papel geralmente impopular.

Afinal, personagens que usavam magia negra geralmente eram vilões e acabavam morrendo nesse tipo de brincadeira. Mas naquele dia, graças à história do bardo, o mago negro tinha sido, na verdade, o protagonista.

Sendo um garoto relativamente tímido, Phil havia se mantido afastado da discussão, observando os outros quatro meninos brigarem entre si. Para sua surpresa, no entanto, a conversa logo se voltou para ele.

“O cabelo do Phil... é meio que da cor de um praticante de magia negra”, disse um garoto, apontando para Phil.

“O quê?”, disse Phil, nervoso, e o grito repentino o fez estremecer.

“É por isso que eu o trouxe aqui!” exclamou o garoto de antes. “O cabelo dele não é legal?”

Diante de tais elogios, Phil ficou perplexo. Seu cabelo castanho-escuro sempre fora alvo de chacotas, então nunca lhe haviam dito tais coisas antes.

Como devo responder… ele se perguntou. Ah! Eu poderia copiar o personagem principal daquela história.

“Ai… meu braço direito está doendo. Isso… deve estar vibrando com a energia mágica de um demônio!”

Phil sempre fora inseguro em relação à sua timidez, mas naquele momento sentiu como se pudesse se transformar em outra pessoa — não, como se tivesse se tornado ele mesmo. A timidez que o definira antes era apenas um disfarce que ele usava para se esgueirar por aí.

“Uau!” um dos garotos gritou alegremente. “É exatamente como na história!”

“Então eu quero ser o demônio!” gritou um dos outros. “O demônio também usa magia negra, não é?”

“Ei, isso não vale!”

À medida que os papéis dos meninos se encaixavam, eles incentivaram Phil a continuar. E juntos, eles se entregaram completamente à brincadeira de faz-de-conta.

{ Yoru: É, eu acho que isso tomou um rumo não muito interessante… }

 

<==<>==<>==<>==>

 

Desde aquele dia, Phil havia mudado. Ou, mais precisamente, a brincadeira o havia transformado. Ele começou a fazer poses estranhas por coisas aleatórias e a dar risadinhas como um vilão estereotipado. Para piorar a situação, passou a usar um tapa-olho em um dos olhos. Como era de se esperar, sua visão havia sido profundamente afetada.

{ Yoru: Exatamente como eu falei no último capítulo kkkkkk | Moon: Onde eu já ouvi isso antes…}

A nova versão de Phil assistiu à apresentação do bardo com um sorriso no rosto. “Estou tão ansioso para ver o outro usuário de magia negra novamente algum dia…”, murmurou para si mesmo.

Yumiella, a usuária de magia negra que havia contado a história ao bardo, encontraria Phil meses depois. A visão de seu… novo estado… a perturbaria, especialmente porque ela mesma era a causa de toda a situação.



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