Vol 2
Capítulo 13
A Chefe Oculta Reforma Seu Condado
Agora que eu havia retornado a Dolkness, vindo da Marca de Ashbatten, retomei minhas atividades habituais como administradora do condado. Meu relacionamento com Patrick não havia mudado — depois de um ano de estagnação, seria demais esperar que as coisas mudassem em poucos dias. Embora… se eu trocasse a palavra “estagnada” por “estável e constante”, as coisas pareciam estar indo muito bem.
Naquele momento, eu estava viajando em uma carruagem que me levaria do centro do Condado de Dolkness até a fronteira e de volta. O principal objetivo da viagem era inspecionar as estradas do condado e confirmar se elas estavam sendo mantidas, pois estavam em péssimo estado quando cheguei.
Em breve, a primeira etapa da nossa viagem chegou ao fim, e Patrick e eu decidimos sair brevemente da carruagem para respirar ar fresco.
“Não foi tão turbulento quanto da última vez”, comentei.
Patrick assentiu com a cabeça. “Sim, é impressionante o quanto as estradas melhoraram em apenas alguns meses.”
“Aparentemente, os responsáveis pela manutenção contrataram alguns trabalhadores que sabiam usar magia da terra”, expliquei.
Das várias estradas do condado, Daemon, Patrick e eu decidimos priorizar aquelas que precisavam de manutenção com mais urgência. Acontece que as estradas que levavam à capital real eram as mais movimentadas, e por isso concentramos nossa atenção nelas. Sentir a diferença como água e vinho na suavidade da nossa viagem de carruagem fez com que todo o dinheiro gasto valesse a pena.
Ainda não conseguimos providenciar a manutenção das outras estradas. Pensei, preocupada. Precisamos cuidar delas o mais rápido possível. Mas sem mais usuários de magia, nosso progresso provavelmente estagnará…
“Se ao menos tivéssemos mais funcionários que pudessem usar magia da terra…” murmurei.
“Esse comentário foi dirigido a mim?”, perguntou Patrick, com um leve sorriso.
Senti vontade de dar um tapa na minha testa. Patrick tinha razão; havia um candidato bem na minha frente. E, agora que ele estava no nível 80, deveria ser capaz de usar magias de grande escala em ambos os seus elementos — vento e terra.
{ Yoru: finalmente descobrimos o nível do Patrick depois de todo esse tempo. | Moon: Ele está quase lá… Será que alcança? | Del: Oh se alcança. }
“Você seria capaz de fazer a manutenção de todas as estradas do condado ao mesmo tempo?”, perguntei.
Patrick zombou. “Não seja ridícula. Ao contrário de você, minha magia tem um nível normal de potência.”
“Também me preocupo em manter a potência da minha magia sob controle”, observei. “Você provavelmente se acostumou demais a usar magia de uma forma que conserva mana — tenho certeza de que você poderia fazer algo grandioso se se dedicasse totalmente.”
“É verdade…” disse Patrick, de repente pensativo. “Acho que faz um tempo que não uso minha magia com toda a força.”
“Vamos tentar juntos qualquer dia desses!”, eu disse alegremente. “Podemos usar toda a nossa força!”
“Não, isso nunca vai acontecer.”
Fiz beicinho por dentro com a rejeição imediata. Mas a minha ideia teria sido muito divertida! Rejeitá-la tão rápido não é nada justo…
Sentindo-me completamente desanimada, olhei para trás, para a nossa carruagem. Enquanto a observava, pensando se poderia melhorá-la de alguma forma com o meu conhecimento atual, não pude deixar de notar os cavalos. Eram dois, puxando a carruagem, ambos castanhos e adoráveis. Tinham recebido água para beber durante a pausa e ambos a bebiam alegremente.
Ah, que fofo!
O mais legal dos cavalos era que eles não eram só adoráveis, como também inteligentes. Isso significava que, ao contrário dos cães e gatos que rosnavam para mim assim que me viam e acabavam fugindo, eles provavelmente me tratariam como uma pessoa totalmente normal!
A era dos animais de estimação comuns chegou ao fim! Eis a era dos cavalos!
Caminhei até ficar ao lado dos cavalos e escolhi um em particular para demonstrar meu carinho. “Obrigada por puxar a carruagem”, eu disse, hipnotizada por seu rosto gentil e seus grandes olhos negros e redondos. “Posso te fazer carinho?”
É claro que não recebi resposta.
Será que é uma menina? Pensei, estendendo o braço para acariciar o pescoço do cavalo. Mas, pouco antes de meus dedos tocarem sua pele, o cavalo de repente começou a se debater, soltando relinchos de angústia.
Oh não, tentei tocar numa zona proibida! Pensei com horror. Eu devia saber disso antes — é claro que os cavalos têm lugares que não gostam que toquem neles, assim como os cães não gostam que toquem em seus rabos.
Entretanto, o cocheiro correu em pânico. “Com licença, mas a senhorita poderia, por favor, dar um passo para trás? Está assustando o cavalo.”
Dei alguns passos para trás, observando-o passar a mão pelo pescoço do cavalo numa tentativa de acalmá-lo.
Espera aí, essa é a mesma área onde eu tentei acariciá-lo! O que significa… Deixei meus ombros caírem. Parece que estou fadada a ser temida por cães, gatos e cavalos. O efeito pode até se aplicar a todos os outros animais também. Espera aí, isso se aplica à maioria dos humanos também, não é? Suspirei. Tanto faz, pelo menos tenho o Ryuu.
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Depois disso, começamos nossa viagem de volta para casa. Só havia um problema: eu estava ficando louca de tédio e não havia absolutamente nada para fazer dentro da carruagem.
“Faz algum sentido voltar para a carruagem?”, resmunguei. “Já verificamos as estradas.”
Patrick me lançou um olhar. “Vamos lá, não fazemos isso com frequência. Além disso, as coisas podem estar diferentes na volta.”
Tem certeza disso, Patrick? Pensei sarcasticamente. Puxa, eu devia ter corrido para casa, teria sido muito mais rápido.
“Patrick, estou tão entediada!” resmunguei. “Será que não podem aparecer uns ladrões ou algo assim?”
{Moon: Se quiser amiga, aqui no Rio é o que não falta akakak}
“Ei, não nos dê azar”, respondeu Patrick. “Não tenho ouvido falar de ladrões ultimamente, mas isso não significa que eles não apareçam em alguns lugares.”
Revirei os olhos mentalmente, virando-me para encarar fixamente a paisagem pela janela da carruagem. Ah, qual é. Eu só disse isso por tédio — não tem como ladrões aparecerem de verdade. Quer dizer, imagina o quão incompetente o dono de um território teria que ser para deixar uma coisa dessas acontecer em seu domínio…
De repente, a carruagem parou bruscamente.
“Ladrões! Estamos cercados por ladrões!” gritou o cocheiro em pânico do lado de fora.
{Moon: O que a senhorita dizia sobre incompetência?}
Eu pisquei. Parece que aprendi muita coisa hoje. Pensei distraidamente. Primeiro, ladrões existem sim. Segundo, aquela mulher, Dolkness, é uma condessa completamente incompetente. Acho que está na hora de ela dar um tempo de gerenciar o condado e se tornar guarda.
Patrick saltou da carruagem primeiro, enquanto eu aproveitava para me inclinar para fora e observar os arredores. Nossa carruagem estava completamente cercada por ladrões. À primeira vista, eram cerca de trinta; suas idades variavam de jovens a idosos, e todos pareciam ser homens. Apenas alguns portavam armas brancas — os demais estavam armados com ferramentas agrícolas.
“Yumiella, depressa, saia da carruagem”, ordenou Patrick, conduzindo nosso cocheiro assustado até a porta. “Quero escondê-lo lá dentro.”
“Tudo bem”, concordei, saltando para o chão e ajudando o cocheiro a entrar na carruagem. “Fique escondido, está bem?”
Ele assentiu com a cabeça. “Desejo a vocês dois muita sorte!”
Será que realmente precisamos de sorte? Fiquei pensando. Quer dizer, é uma boa intenção, mas parece um pouco exagerado. Derrotar trinta homens não é nada, especialmente se forem lutadores inexperientes como esses caras.
Patrick desembainhou a espada que carregava na cintura. Fiz o mesmo… ou pelo menos tentei, antes de perceber que havia deixado minha espada em casa. Sem arma, fiquei parada ao lado de Patrick, do jeito que estava.
“Proteja a carruagem, eu capturo os ladrões”, disse Patrick, com o olhar fixo nos homens à sua frente.
Assenti com a cabeça. “Entendi.”
Sinceramente, provavelmente faria mais sentido se nossos papéis fossem invertidos, mas se Patrick queria capturar os ladrões pessoalmente, quem era eu para impedi-lo? Sentei-me na frente da carruagem e me acomodei para assistir ao espetáculo.
Como eu já esperava, os ladrões não eram páreo para Patrick. Ele avançava pelo campo de batalha com facilidade, golpeando os homens com o lado plano da espada, derrubando-os com os pés e, ocasionalmente, usando magia do vento para jogá-los para trás e fazê-los cair no chão.
{ Yoru: Patrick virou a Jean do nada… (Genshin referências) }
Ao que parecia, Patrick não seria o único a ter a chance de lutar — eu sentia uma presença se aproximando sorrateiramente por trás enquanto observava a batalha unilateral se desenrolar à minha frente. Diferentemente do bando de ladrões que cercava Patrick, essa alma em particular parecia ter como objetivo me derrotar.
Que tolice.
No início, fingi não o notar, principalmente porque queria tentar esquivar-me de um ataque pelas costas com o mínimo de movimento possível. Achei que seria bem legal; parecia algo que um guerreiro experiente faria com facilidade.
Vou executar esse movimento tão bem que ele vai se perguntar se eu tenho olhos na nuca!
Finalmente, o homem se aproximou por trás de mim. Ele se movia silenciosamente pelo chão, sem emitir um único som. Preparei-me para o golpe de espada que atingiria de cima, mas… o golpe nunca veio. Por algum motivo, em vez disso, ele me abraçou, erguendo a lâmina diante dos meus olhos.
“Não se mexa!” gritou o homem. “Solte essa espada, ou a dama vai se machucar!”
O que está acontecendo? Fiquei perplexa, estupefata.
Troquei olhares com Patrick, mas ele parecia igualmente perdido. Ficamos ali parados, congelados, olhando um para o outro, confusos.
{ Del: (inspira) (expira) Cômico. }
“Anda logo, rapaz!” gritou o homem que me mostrava a espada. “Se você se importa com esta mocinha, é melhor se apressar e se livrar dessa arma! Serei generoso o suficiente para poupar suas vidas se vocês entregarem seus pertences.”
Ainda não entendi o que está acontecendo aqui. Eu pensei.
Patrick, no entanto, pareceu ter entendido. “Só para ficar claro… você está fazendo dela refém?”, perguntou ele, com dúvida na voz.
{Moon: Pode rir já?}
“Claro!” exclamou o homem, aproximando sua lâmina de aparência cega da minha bochecha. “Olha só, vou arranhar o rostinho bonito da sua namorada!”
Ah, entendi. Pensei, assentindo mentalmente. Então, sou uma refém. Já me envolvi em todo tipo de confusão violenta até agora, mas é a primeira vez que me encontro numa situação como esta. Preciso aproveitar esta oportunidade e fazer tudo o que uma refém faz! É uma experiência única na vida!
“S-Socorro!” gritei, reunindo todas as minhas habilidades de atuação.
{ Yoru: a Yumiella sempre dá um jeito de me surpreender, eu acho incrível… }
Infelizmente, eu não tinha muita habilidade teatral, e as palavras saíram sem graça e monótonas.
Patrick pareceu definhar diante dos meus olhos, o vigor se esvaindo dele e deixando-o com uma aparência exausta.
Ei, Patrick, sua noiva está em perigo! Você deveria levar isso mais a sério!
Incorporando meu papel de refém, gritei para Patrick: “Não se preocupe comigo! Crave sua lâmina, mesmo que tenha que me atravessar para isso! Eu o arrastarei direto para o inferno!”
“Eita!” exclamou o ladrão, aparentemente horrorizado com a minha determinação.
Patrick, por outro lado, parecia completamente indiferente à situação. Ele nem sequer tentou se aproximar para me salvar.
Acho que é isso que acontece quando erro minhas falas. Eu pensei. Acabei soando como a rival do protagonista em algum gibi de ação, em vez de uma linda garota chamando por seu amado predestinado. Mesmo assim… a reação dele parece um pouco insensível.
Ao que parece, os ladrões concordavam comigo, pois de repente os homens que cercavam Patrick avançaram e tentaram convencê-lo a largar a espada.
“Vamos lá, cara!” implorou um deles. “Prometemos que não vamos te matar, então larga essa espada logo.”
“Tenha um pouco de compaixão!” exclamou um dos outros ladrões. “Como você ainda não se importa mesmo depois do discurso tão impactante da sua namorada?!”
“Não dê ouvidos a eles, Patrick!”, exclamei, decidindo entrar na brincadeira. “Eu vou ficar bem!”
Patrick soltou um longo e profundo suspiro, e então pareceu finalmente tomar uma decisão. Ele jogou a espada que tinha na mão no chão e ergueu os braços acima da cabeça.
“Como ousam fazer minha noiva de refém!” gritou ele, lançando um olhar fulminante para todos os ladrões. “Libertem-na depressa!”
{ Yoru: Esse é o Patrick! | Moon: Gente o que está acontecendo akakakak???}
Os ladrões recuaram, um pouco desconcertados com a intensidade dele. Eu, por outro lado, estava radiante de alegria.
Patrick está entrando na brincadeira!
A atuação dele foi tão incrivelmente realista que eu não consegui conter o riso. “Hehe, você é demais, Patrick! Como você consegue atuar tão bem?”
Patrick corou imediatamente, abandonando a compostura. “Foi você que começou”, murmurou, desviando o olhar, envergonhado. “Enfim, a brincadeira acabou. Vamos terminar com isso.”
Enquanto Patrick pegava a espada que havia deixado cair, soltei um suspiro. Sabe, ser refém não é nada divertido. O Patrick tem razão, está na hora de acabar com isso.
Com um gesto casual, estendi a mão e agarrei a espada que o homem que me mantinha em cativeiro segurava diante do meu rosto. A arma não resistiu à força do meu aperto e, em segundos, se estilhaçou em minhas mãos. Atrás de mim, meu “captor” ficou paralisado.
“Sabe, eu nunca pensei que teria a chance de ser feita refém”, disse eu, com leveza, ainda olhando para frente. “Tenho que te agradecer por isso.”
“O quê…? Espera, como você é tão forte?!”
“Todos vocês, ladrões! Reúnam-se em um lugar, por favor!”
Estendi a mão e agarrei o braço do ladrão atrás de mim, catapultando-o por cima do meu ombro em direção a Patrick e aos outros ladrões. Ele voou pelo ar por um breve instante antes de se chocar contra outro ladrão. Ambos caíram no chão.
{ Yoru: gomen… Amanai, parte 2 }
Nos poucos segundos em que meu potencial captor esteve no ar, Patrick terminou de lidar com o resto dos ladrões. Todos os trinta estavam agora ou caídos no chão ou haviam perdido a vontade de lutar.
“Bom trabalho”, comentei, aproximando-me de Patrick. “Eles não eram tão fortes assim… né?”
“Não, não eram”, concordou Patrick. “Pareciam todos muito inexperientes, e suas armaduras estavam em mau estado. Provavelmente são apenas fazendeiros de algum lugar.”
Espere, e se eles forem cidadãos do Condado de Dolkness? Pensei de repente. Tenho certeza de que eles têm um motivo para se rebaixarem ao ponto de se tornarem ladrões. E se... a culpa for toda minha...?
Tentando não parecer muito assustadora, proclamei: “Eu sou a Condessa Yumiella Dolkness, a senhora desta região. De onde vocês vieram?”
“Espere, a condessa do Condado de Dolkness”, sussurrou um dos ladrões. “Não é aquela garota que derrotou o Rei Demônio?!”
“Ouvi dizer que ela dá os subordinados de quem não gosta para o seu dragão”, sussurrou outro em resposta.
“Isto é terrível!” exclamou outro. “Atacamos a carruagem da pessoa mais perigosa do reino!”
“Ei, é melhor você ficar de boca fechada, mesmo que esteja sendo torturado. Lembre-se da sua família!”
Ao vê-los passar da calma ao tremor de medo, uma onda de depressão me atingiu. Parece que as coisas vão acabar como sempre, com todo mundo com medo de mim.
Patrick deve ter chegado à mesma conclusão, pois deu um passo à frente e fez um sinal com a mão para que eu recuasse. “Antes de ouvirmos o que vocês têm a dizer, gostaria que nos contassem de onde vieram. Viajaram até aqui para ganhar dinheiro? Por que escolheram este local?”
Os ladrões mantiveram-se em silêncio apesar do questionamento de Patrick.
Puxa, Patrick, você está sendo muito autoritário. Para ser um bom interrogador, é preciso usar tanto a boca quanto o chicote. Você precisa parecer pelo menos um pouco mais gentil.
Tentei trocar de lugar com ele para poder retomar o controle, mas Patrick me impediu. Parecia que ele havia chegado a uma conclusão semelhante. Só que a ideia dele de bondade… Bem…
“Se você for ficar quieto, eu troco de lugar com a garota atrás de mim.”
“Contaremos tudo para vocês!”
Você poderia não me usar como chicote?
Depois disso, o interrogatório de Patrick começou de verdade. Ele perguntou a todos os ladrões de onde tinham vindo, e eles disseram que eram aldeões que viajaram para Dolkness vindos de um dos nossos territórios vizinhos. Aparentemente, a aldeia deles havia empobrecido por causa de uma grande montanha que se erguia sobre o lado sul do assentamento, bloqueando o sol por um período de tempo todos os dias. Como resultado, suas colheitas eram cronicamente baixas, deixando-os sem um produto para vender, bem como sem comida. À medida que se aproximavam da morte por inanição, os homens planejaram atacar uma carroça que parecia estar cheia de objetos de valor para roubá-los, o que levou à nossa situação atual.
{ Del: Solução: Derrubar a montanha. | Moon: Del?!... }
Ouvindo essa história à distância, uma certa pergunta me veio à mente. “Espere, então vocês só começaram a roubar recentemente? Vocês estavam bem até agora?”
“Aah!” gritou um homem.
“Não vou fazer nada com vocês…” eu disse com um suspiro.
Entendi, mundo, eles estão com medo de mim como sempre! Nossa…
Patrick fez um gesto para que eu me afastasse ainda mais, e eu o fiz antes de repetir a pergunta: “Aconteceu alguma coisa na aldeia recentemente?”
“Agora temos um problema enorme. Até recentemente, nenhum deles aparecia por perto da aldeia, mas agora estão destruindo nossos campos.”
Hum… Eu pensei. É raro monstros aparecerem perto de assentamentos humanos. Normalmente, eles fazem seus ninhos em áreas desabitadas. O fato de esse não ser mais o caso desses bichos é preocupante.
“Vocês estão bem?”, perguntei, as palavras escapando sem que eu pensasse.
“Aah!”
“Patrick, você pode…?”
Sabe, seria bom se eles pudessem se acostumar comigo de uma vez por todas. Resmunguei por dentro. Sinceramente, que tipo de informação está circulando sobre mim nessas aldeias rurais? Nem mesmo as pessoas do meu próprio condado tinham tanto medo de mim quando nos conhecemos. Na verdade, elas rezavam para mim. Não que eu queira que façam isso… Massageei minha testa. Existe algum grupo de pessoas normal por aqui?
Com um suspiro resignado, Patrick perguntou: “Os monstros feriram alguém?”
Os ladrões balançaram a cabeça negativamente.
“Nenhum de nós se feriu”, explicou um dos homens, “mas a destruição de nossos campos é uma sentença de morte por si só. Nosso visconde também não nos ajudará.”
Assim, sua aldeia, já pobre, foi devastada por monstros, e eles nem sequer têm um senhor feudal com quem possam contar para ajudá-los. Pensei, franzindo a testa.
Ao ouvir a situação deles, uma ideia me veio à cabeça. A ideia que eu tivera de reformar o Condado de Dolkness com a minha própria força, ideia que fora rejeitada devido à falta de moradores.
“Ei!”, gritei.
“Aah!”
“Será que sou tão assustadora assim…? Tanto faz, isso não importa. Se você odeia tanto morar ao lado, por que não vem morar com a gente?”
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Assim, apesar de termos sido atacados por ladrões, Patrick e eu conseguimos terminar a inspeção das estradas rurais sem grandes problemas. Imediatamente quis começar a ajudar a aldeia de onde os ladrões tinham vindo, mas construir um novo assentamento levaria tempo, então Patrick e eu decidimos enviar-lhes comida suficiente para que não morressem de fome.
Para falar a verdade, estávamos infringindo as regras dos proprietários de terras ao fazer algo assim para uma aldeia em outro território, mas como eu já planejava tomar posse de todas elas de qualquer maneira… Resumindo, decidi optar pela abordagem mais agressiva.
Os aldeões até concordaram em se mudar para as terras de Dolkness depois que tive uma conversa calma e pacífica com eles, embora ainda parecessem assustados com a possibilidade de algo mais estar acontecendo nos bastidores. Patrick me disse que eu basicamente os havia coagido a aceitar tudo, mas eu não conseguia entender como — eu havia falado de forma completamente normal! Se eles interpretaram minhas palavras de outra maneira… bem, isso estava fora do meu controle.
Já fazia uma semana desde o nosso encontro com a quadrilha, e Patrick e eu tínhamos feito um curto passeio em Ryuu até o terreno onde pretendíamos construir a nova vila.
O plano para hoje era que eu preparasse o terreno para a construção. Só havia um problema: eu não tinha certeza se tínhamos escolhido o local certo.
Passei os olhos novamente pelo campo gramado onde estávamos, salpicado de árvores, mas sem nenhum ponto de referência discernível. “Tem certeza de que este é o lugar certo?”, perguntei a Patrick, que estava parado bem ao meu lado. “Tipo, certeza mesmo?”
“Já confirmamos isso várias vezes durante o voo, lembra? A julgar pela posição das montanhas e rios ao nosso redor, este é definitivamente o lugar que estávamos procurando.”
Aliviada, examinei os arredores com o olhar mais uma vez. Ao observar com mais atenção, as imperfeições começaram a se revelar. Consegui ver vários pontos onde o terreno se elevava ligeiramente, formando pequenas colinas, e uma dispersão de grandes rochas que pareciam atrapalhar os agricultores ou os trabalhadores da construção civil.
Este é o lugar certo! Sem a minha magia, limpar tudo isso seria uma verdadeira trabalheira.
“Muito bem”, eu disse, erguendo minha arma secreta — uma varinha. “Vamos começar.”
Os olhos de Patrick se estreitaram ao olhar para a varinha, uma expressão de perplexidade cruzando seu rosto.
“Por que você tem uma varinha?”, ele perguntou, indagado.
A pergunta era válida — normalmente eu não tinha utilidade para itens mágicos como varinhas, que aumentavam a potência dos feitiços. Eu tinha poder de fogo mais do que suficiente por conta própria. O mesmo valia para Patrick, que carregava apenas uma espada. Esse conhecimento fazia com que a varinha elaborada que eu agora segurava, com uma enorme e reluzente pedra mágica na ponta e desenhos intrincados esculpidos no cabo, se destacasse consideravelmente.
“Achei que seria bom usar para conservar minha mana”, expliquei. “Além disso, esta varinha é incrível! Funciona com todos os elementos!”
As varinhas normalmente funcionavam apenas com um elemento, embora às vezes fosse possível encontrar uma que funcionasse com dois. Mas e as varinhas que funcionavam com todos os elementos? Eu nunca tinha ouvido falar de uma que pudesse ser encontrada no jogo. Isso só demonstra o quão incrivelmente preciosas elas eram.
A expressão de Patrick só aumentou de confusão. “Usar uma varinha dessas não é um desperdício, já que só se pode usar magia negra?”
“Ah, devo ter me esquecido de te contar! Na verdade, eu consigo usar qualquer tipo de magia, exceto a magia da luz.”
{ Yoru: Ohh, interessante }
Sim, meu nível de habilidade com os quatro elementos principais era fraco em comparação com a minha capacidade de usar magia negra, mas ainda assim eu conseguia utilizá-los.
Sinceramente, parece que deveria ser contra as regras ser tão poderosa quanto eu. Ah, bem, não tem jeito — afinal, sou um gênio.
Embalada pelo meu próprio talento, observei a área à minha frente, tentando descobrir por onde começar. Por fim, decidi usar magia da terra para nivelar o solo. Imaginei uma imponente parede de terra e, então, lancei minha varinha para a frente.
Vamos fazer isso mais alto que as muralhas do castelo da capital real!!!
O alarme estampou-se no rosto de Patrick — ele percebeu que eu estava prestes a usar toda a minha força. Ele se lançou para a frente para me impedir, mas já era tarde demais.
“Ó grande terra, ergue-te e atravessa o limiar do céu!”
“Ei, pare! Se você usar toda a sua força para lançar um feitiço, então… Hein?”
Olhei com orgulho para o resultado bem-sucedido do meu feitiço de magia da terra: uma protuberância redonda que surgiu do chão à nossa frente. Quanto à sua altura... bem, talvez fosse alta o suficiente para fazer tropeçar alguém que não estivesse prestando atenção por onde andava.
Com uma expressão estranha no rosto, Patrick cutucou o pequeno monte de terra com o pé. O pequeno montículo desmoronou sem o menor esforço.
“É só isso que você tem?” perguntou Patrick, arqueando uma sobrancelha para mim.
“O quê?!” exclamei.
Um choque me percorreu como um sino. Ele acabou de fazer isso. Ele acabou de dizer a frase que estava em terceiro lugar na minha lista de ‘Coisas que Patrick nunca vai me dizer’!
(Como observação adicional, a frase número um era “Vou parar de gostar de você se você não parar com isso!”)
{Moon: Tá bom… E a número 2?}
Incapaz de suportar a ideia de Patrick me considerar alguém com magia fraca, reuni cada resquício de poder dentro de mim. Cheia de determinação, lancei um feitiço de fogo, enviando uma labareda flamejante puxada diretamente das profundezas do inferno. A labareda tinha… bem, aproximadamente o tamanho da chama de um isqueiro.
Houve um momento de silêncio ensurdecedor, e então Patrick disse calmamente: “Pelo menos não teremos problemas para acender uma fogueira.”
Ahh, não me olhe com tanta gentileza! Seu olhar me queima!
Eu não podia deixar as coisas terminarem aqui — não desse jeito.
Só me resta finalizar as coisas com um feitiço de magia negra em sua potência máxima!!!
“Amarr-”
“Não, isso não vai acontecer.”

Encarei Patrick com puro desprezo, sem conseguir acreditar que ele havia arrancado minha varinha de minhas mãos.
Você estava se preparando para isso o tempo todo, não é? Pensei, com a irritação fervilhando dentro de mim.
“Yumiella”, disse Patrick com firmeza. “Estou bem ciente da sua força. Depois de todo esse tempo, realmente não preciso de outra demonstração.”
“E quanto à sua força total?”, perguntei, mal-humorada. “Você deveria tentar usá-la agora que seu nível está mais alto.”
Na verdade, eu ainda não tinha uma compreensão sólida da aptidão mágica de Patrick. Ele definitivamente não era especialista em magia — disso eu tinha certeza. Ele também não era alguém cujo estilo de luta englobasse uma combinação de ataques mágicos e corpo a corpo. Aliás, ele raramente usava feitiços de ataque. E como analisar esse tipo de magia era a maneira mais fácil de avaliar a aptidão de uma pessoa, eu estava completamente no escuro.
Houve um momento de silêncio enquanto Patrick ponderava sobre minha ideia. Então, ele deu de ombros. “Acho que você tem razão”, admitiu. “Não há muitas oportunidades para me soltar completamente assim. Suponho que posso tentar.”
Com a varinha estendida em ambas as mãos, Patrick fechou os olhos. Eu podia sentir a energia mágica se acumulando dentro dele, mesmo estando ao seu lado. Havia algo suave naquela sensação, diferente da pontada aguda que vinha com a minha magia negra. Eu tinha acabado de começar a me acostumar com ela quando Patrick abriu os olhos.
“Terra,” ele sussurrou.
Um rugido profundo ecoou pelo ar enquanto o terreno à nossa frente começava a se elevar cada vez mais. Quando o som finalmente se dissipou alguns segundos depois, uma enorme parede de terra ficou, tão alta que doía meu pescoço só de olhar para cima. Para falar a verdade, a parede também era bastante larga — quando olhei para a esquerda e para a direita, ela se estendia até onde a vista alcançava.
Patrick olhou boquiaberto para sua própria criação, como se estivesse sem palavras.
Acho que não posso culpá-lo. Quer dizer, ele realmente invocou uma parede que parece dividir o mundo inteiro em dois…
{ Yoru: O cara criou a Grande Muralha da China assim do nada…? | Moon: Ele também chocado só me lembrar aquele meme que a mina fala que namora o cara e o amigo dele vira e fala: “Por que você também tá em choque???”}
“Ora, veja só quem é forte agora”, eu disse arrastando as palavras. “Acho que já passou da hora de você parar de me dizer que minha magia é ‘demais’.”
O silêncio foi minha única resposta. Me sentindo um pouco estranha, fiquei esperando que Patrick me respondesse com uma alfinetada, como costumava fazer. Mas ele não disse nada.
O que está acontecendo…?
Eu tinha acabado de me inclinar para a frente, tentando ver melhor o rosto dele, quando Patrick olhou para a parede de terra e caiu de joelhos imediatamente.
“Desculpe”, resmunguei. “Passei dos limites. Você está bem?”
Patrick assentiu com a cabeça, embora parecesse genuinamente chateado. “É… eu só… eu sabia que seria capaz de exercer mais força depois de subir de nível, mas não imaginava que seria a esse ponto.”
Por que ele parece tão aflito com isso? Fiquei pensando. Não é motivo de orgulho ser tão forte assim…?
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Patrick levou algum tempo para se recuperar. Quando finalmente se levantou, me entregou a varinha. “Isto é incrível”, disse ele. “Sinto que minha energia mágica combina muito bem com ela.”
“Não é?” respondi animada. “E como funciona bem com todos os elementos, pode fortalecer tanto a sua magia do vento quanto a minha magia negra! Incrível, não é?”
“Sim. Mas desde quando você tem uma coisa dessas?”
Fiz uma pausa antes de responder. “Então, há cerca de um mês, esse mercador apareceu na mansão…”
Sim, era verdade! Eu havia comprado minha varinha, que agora estava destinada a ser uma preciosa herança da família Dolkness, de um vendedor ambulante. Não achei que tivesse feito nada de errado nisso — era normal que comerciantes visitassem as casas de aristocratas, e eu achei que o preço da varinha era justo considerando sua qualidade. Mas esse preço justo… digamos que era um pouco alto.
Para ser sincera, depois que o mercador me disse que a varinha vinha de uma masmorra, eu considerei brevemente explorar masmorras em busca de algo semelhante. Mas, mesmo tendo feito excursões frequentes ultimamente, eu não tinha sequer vislumbrado uma varinha que funcionasse com três elementos, muito menos com seis. Além disso, eu sempre tive muita má sorte com o RNG (gerador de números aleatórios) dos drops de masmorras no passado — nunca era inteligente usar um RNG quando havia apenas um item que você realmente queria.
“Tem certeza de que precisa mesmo disso?”, perguntou Patrick com um suspiro, apontando para o meu tesouro. “Estou com a impressão de que você foi convencida com lábia a comprar isso.”
“De jeito nenhum!”, respondi secamente. “Eu teria comprado mesmo se tivesse visto em uma loja.”
“Quanto custou?”
“Provavelmente algo em torno de… cinquenta vezes o preço de uma varinha normal?”
Para que fique claro, quando me referi a “varinha normal”, estava falando de uma varinha da mais alta qualidade, mas que funcionava apenas com um elemento.
O rosto de Patrick se contorceu em horror ao ouvir minhas palavras. “Yumiella, você deveria se lembrar de todas as coisas que vamos precisar agora que estamos construindo uma vila”, disse ele amargamente. “Não que não precisássemos de coisas antes. É só que… não estou dizendo para você não comprar nada para si mesma, mas não faria mal nenhum se você fosse um pouco mais econômica.”
“Isso não é grande coisa”, insisti. “Não compro coisas como vestidos e pedras preciosas, então, no fim das contas, não gasto muito.”
“E quantos vestidos você acha que poderiam ser feitos com o dinheiro dessa varinha?”, perguntou Patrick, secamente.
Estou apenas supondo… Pensei com hesitação, Mas provavelmente por volta de cem? Espera aí… será que sou gastadora compulsiva ou algo assim?
Era importante lembrar que, no LMH, o dinheiro de um aristocrata não era dividido entre uso pessoal e profissional. Parte do orçamento para as operações do condado vinha da minha mesada, e se eu decidisse ostentar, havia toda a possibilidade de que eu pudesse fazê-lo usando o dinheiro dos impostos de outro personagem.
Preciso me lembrar disso quando gastar dinheiro com despesas desnecessárias. Eu me lembrei. Preciso reduzir as coisas ao mínimo daqui para frente. Mas a varinha... eu tinha que comprá-la.
“Você tem razão, é errado gastar dinheiro com coisas desnecessárias”, admiti para Patrick. “Mas algumas coisas são compras necessárias, não é?”
“Sim”, concordou ele. “O motivo de eu ter mencionado isso é justamente porque esta varinha não era necessária.”
Fiz beicinho por dentro. Patrick, como você pôde dizer uma coisa tão horrível? Você não sente pena, nem que seja um pouquinho, dessa pobre varinha? Imagine só, juntando poeira num canto do meu quarto, ao lado da minha espada de madeira! Claro, eu não conseguia pensar em nenhuma utilidade para ela antes de hoje, mas eu precisava dela, com certeza!
Enfim, Patrick e eu já tínhamos conversado o suficiente — era hora de trabalhar. Primeiro, precisávamos limpar o muro que alguém tinha erguido.
Hehe, então hoje os papéis se inverteram, pensei, sorrindo por dentro. Aqui estou eu, tendo que me esforçar tanto para limpar a bagunça que outra pessoa fez.
Enquanto eu ponderava se deveria usar minha força física ou mágica para destruir a parede de terra que meu noivo havia invocado do chão, Patrick colocou a mão contra ela.
“Volte!”, gritou ele.
De repente, a enorme parede de terra afundou de volta na terra. Era como se eu estivesse assistindo ao momento de sua criação se desenrolar ao contrário.
Isso é... mais impressionante do que construir aquele muro em primeiro lugar, não é? Refleti. Quer dizer, como é que isso sequer segue as leis da física…?
{ Yoru: amiga, você tá num mundo de magia e tá preocupada com leis da física? | Moon: Legal ela só pensando nisso agora, depois de bom… tudo! | Del: Então, a conservação de energia pelo Black Hole vai pro nada né.}
Decidi não tocar no assunto. Afinal, o funcionamento da minha magia negra também era bastante questionável.
“Muito bem, então”, eu disse a Patrick, “vamos começar. Vou dar uma forma geral de suavizar as coisas, então deixarei os ajustes finos para você.”
“Entendi.”
Na minha opinião, seria uma perda de tempo remover as pedras uma a uma ou carregar a terra. Em vez disso, poderíamos simplesmente nos livrar de todas as coisas que precisávamos ao mesmo tempo.
Já faz um tempo que não uso um feitiço de magia negra tão poderoso como este, mas agora é o momento perfeito!
“Buraco negro,” Eu pronunciei.
A escuridão se alastrou por todos os lados, engolindo árvores, pedras e colinas. Eu havia lançado o feitiço com o chão como centro, então, embora parecesse curvar-se sobre a Terra como um hemisfério em miniatura do lugar onde estávamos, eu sabia que, na verdade, era uma esfera completa. O que significava que a parte não visível estava engolindo toda a terra abaixo…
Opa.
Enquanto isso, Patrick parecia bastante impressionado com minha cúpula de escuridão. “Eu não sabia que você conseguia fazer outras formas além de esferas”, comentou ele. “Parece que o chão vai ficar bem plano quando você terminar. Talvez nem sobre nada para eu fazer.”
“Então, é o seguinte…” eu disse lentamente. “Aquela cúpula é, uh… na verdade, uma esfera. Me desculpe.”
“Espere, você não fez isso…”
{ Yoru: pois é, ela fez… }
Lancei um olhar deplorável para Patrick. Uma vez lançado o feitiço, não havia volta. Em poucos instantes, o orbe negro que eu havia invocado desapareceu, levando consigo toda a terra que engolira.
O vento soprava de trás de nós, impulsionado pelo ar consumido pelo meu buraco negro. Por fim, desapareceu, deixando a paisagem à nossa frente drasticamente alterada. Um buraco enorme havia sido escavado no chão. O fundo era escuro, como se nem mesmo a luz do sol conseguisse alcançá-lo.
Sabe, eu já alterei bastante o terreno ao longo da minha vida, mas isso é realmente excepcional. Pensei, de forma um tanto histérica.
“Talvez pudéssemos usar esta área como reservatório para a agricultura?”, perguntei a Patrick após uma breve pausa.
Apesar de ter sido eu quem sugeriu, me pareceu um exagero. Se um buraco tão grande fosse enchido de água, se tornaria um lago ou uma lagoa — para ser honesta, eu não sabia a diferença entre os dois.
O que devo fazer…? Pensei, miseravelmente. Nesse ritmo, vou afundar essa vila antes mesmo que ela consiga nadar! Quer dizer, o que é isso, afinal? Uma represa?
Eu nem sequer conseguia usar minha magia para preencher o buraco — eu era especialista em destruição, não em consertar coisas. A única razão pela qual eu achava que conseguiria nivelar o terreno era porque eu era boa em quebrar coisas e fazê-las desaparecer.
Depois de encarar o buraco com um olhar vazio, Patrick estendeu a mão na minha direção. “Me dê a varinha”, disse ele. Sua voz era tão monótona que eu não conseguia decifrar seus sentimentos. “Eu conserto.”
“Desculpe…” murmurei, entregando-o.
Eu deveria ter pensado melhor no que estava fazendo antes de agir… Me sinto muito mal.
Em poucas horas, Patrick conseguiu limpar a bagunça que eu fiz. Ele usou magia da terra, potencializada pela minha varinha, para preencher o buraco aos poucos.
Então, afinal, minha decisão de comprar aquela varinha não foi um erro! Comemorei por dentro. Não quando era de tanta ajuda assim. Mesmo assim, é melhor eu não dizer isso em voz alta.
Me sentindo desanimada, deixei meus ombros caírem. Agora que Patrick havia terminado o trabalho, minha presença não era mais necessária no canteiro de obras.
“Yumiella”, disse Patrick, com a voz exausta. “Só queria lembrar que gosto de tudo em você, até mesmo do lado que faz coisas assim. Não se preocupe muito com isso.”
“Patrick…” murmurei, emocionada.
Tenho muita sorte de ter um noivo tão gentil! Agora entendi — ele gosta quando eu faço bagunça!
“Vou fazer o possível para causar ainda mais bagunça de agora em diante!”, jurei para ele.
Patrick pressionou a mão com força contra a testa. “Vou parar de gostar de você se não parar com isso.”
{ Yoru: ELE FALOU A FRASE KKKKKKKKKKKK | Moon: Por favor, imaginem o final de Avenida Brasil com a Yumiella olhando pra trás dramaticamente akkakak}
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No dia seguinte ao trabalho de preparação do terreno para a vila que estávamos desenvolvendo, Patrick e eu visitamos uma certa vila. Era a mesma de onde eu havia removido a pedra apenas alguns meses antes, deixando uma cratera em um dos campos.
É verdade que estávamos um pouco atrasados, mas tínhamos vindo para consertar a minha bagunça, agora que sabíamos que Patrick podia usar a sua magia para tapar os buracos.
“Hã? Este lugar sempre foi tão animado?”, perguntei em voz alta.
Pelo que me lembrava, essa vila era apenas uma vila agrícola comum, e não era muito grande. Havia mais gente do que eu esperava, e estavam bem vestidas.
Eles estão visitando a região vindos de algum lugar…? Pensei, completamente perplexa.
A fileira de casas em frente à qual estávamos tinha placas anunciando hospedagem, então parecia provável. Mas como a área se tornou um destino turístico popular em tão pouco tempo?
“Nossa deusa—! Hm-hm, Senhora Condessa!” Um aldeão me chamou enquanto caminhávamos pela aldeia. “Devo lhe agradecer. É tudo graças à senhora que nossa aldeia se tornou tão movimentada.”
“Mas eu não fiz nada…”
“Ah, é mesmo? Tínhamos certeza de que você esperava que isso acontecesse, e foi exatamente por isso que você fez aquilo para nós.”
“Onde fica… ‘aquilo’?” perguntei.
O aldeão então apontou para uma estrada que saía da aldeia, e Patrick e eu seguimos direto para lá. Enquanto caminhávamos, cruzamos com um fluxo interminável de pessoas, algumas saindo da aldeia e outras voltando. Isso despertou minha curiosidade.
O que será que há no fim desta estrada…?
Enquanto eu refletia sobre a resposta para essa pergunta, Patrick deu um suspiro de espanto, como se tivesse percebido algo.
“Yumiella, não foi nessa direção que você jogou a pedra?”
“Quer dizer, sim”, admiti. “Mas não acho que isso tenha algo a ver com o assunto.”
Ora, porque todas essas pessoas se reuniriam em uma cratera enorme? Não tem como ser isso que está acontecendo.
E assim prosseguimos, até chegarmos à nova “atração turística”.
“O que é isso?”
“É um… lago?”
Patrick e eu ficamos olhando fixamente para a massa de água à nossa frente, que tinha o formato de um círculo perfeito. Parecia ter menos de cinquenta metros de diâmetro, e havia vários barcos na água, transportando grupos de duas pessoas que provavelmente eram casais.
“Este é o buraco enorme que eu fiz sem querer, não é?”, perguntei a Patrick com a voz rouca.
Patrick assentiu com a cabeça. “Sim. Acho que acumulou água e isso aconteceu.”
Mesmo diante dessa explicação, porém, tive dificuldade em entender por que aquele lugar em particular havia se tornado uma atração turística popular.
Talvez seja porque o lago forma um círculo perfeito? Acho que isso é um pouco irregular…
Eu ainda estava olhando para o lago, pensando no que fazer agora, quando a voz de um vendedor de barcos de aluguel soou, chegando aos meus ouvidos.
“Venham alugar um barco!”, exclamou ele. “Se vocês conseguirem atravessar este lago juntos, você e seu parceiro estarão destinados a nunca mais se separarem!”
Bem, isso certamente parece suspeito. Pensei com ceticismo. De onde eles tirariam a base para essas afirmações? Ah, bem, acho que se isso trouxer pessoas para o Condado de Dolkness, tudo bem. Tudo fica bem, quando termina bem.
Continuei a examinar a área e logo notei que havia até uma loja de lembrancinhas na margem do lago. Os negócios pareciam estar indo muito bem, então me aproximei e dei uma espiada por curiosidade.
Eles provavelmente vendem coisas estranhas, como um amuleto que ajuda a fazer o seu relacionamento dar certo. Refleti.
Imaginem, então, a minha surpresa quando vi, no lugar mais chamativo da loja, uma espada de madeira.
Espere, mas esse espaço não costuma ser reservado para coisas que estão vendendo bem? Pensei, entusiasmada.
“Não acredito que tenham espadas de madeira!” exclamei, correndo e pegando uma. Eu conhecia intimamente o modelo — essa espada sem graça com “Dolkness” escrito na alça era a que havia sido feita sob minha supervisão.
“Essas espadas de madeira ficaram muito populares entre os meninos”, disse um funcionário da loja, claramente tentando me convencer a comprá-las. “Dizem que se você comprar uma, pode ficar forte como a condes… sa… Espera aí.”
A funcionária da loja paralisou, com os olhos fixos nos meus cabelos negros.
Entendi, então estão vendendo bem, e para meninos bem jovens ainda por cima. Espera aí, isso significa que eu tenho o gosto de um garoto do ensino fundamental…?
“Eu gostaria de comprar uma dessas”, decidi.
{Moon: Dobrar a força?}
“C-Claro…” gaguejou a funcionária da loja. “Hum, você é a condessa, certo?”
Fiz um gesto de desdém com a mão. “Sou apenas uma nobre de passagem pela região. Fique à vontade para usar meu exemplo e começar a anunciar este produto como popular entre as garotas.”
Quer dizer, veja bem — eu não queria mudar meu gosto, mas comparar meus gostos e desgostos com os de um garoto do ensino fundamental era demais. Portanto, o melhor era tratar as espadas como itens destinados a jovens damas aristocráticas. Em teoria, isso me tornaria a dama perfeita e indicaria que eu também tinha a sensibilidade adequada para uma aristocrata!
Patrick, que chegara atrasado, soltou um suspiro. “Yumiella, não seja ridícula. Você só está causando problemas para ela.”
Depois disso, caminhamos por toda a área do lago e decidimos encerrar nossa visita com um passeio de barco. Enquanto eu observava a superfície da água, que brilhava com a luz do pôr do sol, vi Patrick remando pelo canto do olho. Ondas suaves lambiam o casco do nosso barco, agitadas pelos remos dos outros barcos ao nosso redor. A superfície da água ondulava.
Gostaria de ter sido eu quem estivesse remando o barco. Pensei melancólica.
“Sabe”, eu disse de repente para Patrick em voz baixa, sem tirar os olhos da água que balançava. “Eu não gosto muito de atividades assim, que atraem as pessoas usando o romance. É quase como se… as pessoas estivessem sendo enganadas.”
“Todo mundo sabe que os efeitos românticos não são reais”, apontou Patrick. “As pessoas estão escolhendo ser enganadas.”
“Será mesmo?”, perguntei, com dificuldade em compreender aquilo.
“Sim”, disse Patrick baixinho. “Então, Yumiella… o que você acha de… nos deixarmos enganar?”
Espera aí, será que ele quer dizer… que quer que a gente ore para que o nosso amor dê certo?
Isso foi terrível — eu tinha embarcado no navio errado. Fui enganada pela relativa normalidade da situação, mas parecia que, se eu deixasse as coisas se desenrolarem mais, poderia ser catapultada através do espaço-tempo romântico direto para um mangá shoujo.
Talvez esteja tudo bem… Talvez eu consiga dizer algumas coisas que normalmente não consigo, agora que estamos em um ambiente diferente. Nunca consegui expressar meus sentimentos por Patrick em palavras, nem compartilhá-los com ele, mas agora, quem sabe…
“Hum, Patrick?”
Agora que éramos só nós dois naquele barco, flutuando sobre um lago que refletia a luz do sol como um espelho alaranjado, senti que finalmente podia dizer a Patrick que gostava dele.
Preparando-me, comecei: “Eu gosto — Bleeeh!”
{ Yoru: … }
Com uma forte ânsia de vômito, coloquei a cabeça para fora da borda do barco. Algo ácido quase inundou minha boca, mas nenhum líquido jorrou entre meus lábios.
Me sinto doente.
“Uau, você está bem?” Patrick perguntou, ofegante. “Eu… eu acho que estou… enjoada, Patrick”, resmunguei.
Então, essa é a doença maldita do mar. Será que eu pararia de me sentir assim se simplesmente me entregasse e deixasse tudo sair?
Patrick se aproximou de mim, tentando massagear minhas costas, mas seu movimento sacudiu o navio, fazendo-o balançar de um lado para o outro.
“Não, não mesmo. Vou vomitar.”
Apesar do meu intenso enjoo, Patrick e eu conseguimos, de alguma forma, me tirar do barco sem que eu vomitasse. O homem que trabalhava na loja de aluguel ficou visivelmente impressionado — parecia que ele nunca tinha visto alguém passar tanto enjoo quanto eu em um lago que quase não tinha ondas.
“Não ando mais de barco”, murmurei para Patrick.
“Certo”, disse ele, com um leve sorriso em seus lábios. “Enfim, o que você estava tentando dizer antes?”
“Nada.”
Assim, enquanto o Condado de Dolkness dava passos magníficos, adicionando um novo destino turístico às suas conquistas, bem como uma lembrança popular, o relacionamento entre Patrick e eu permanecia estagnado como sempre.
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Desde que comecei a morar no Condado de Dolkness, um fluxo interminável de visitantes passou a frequentar a mansão. Muitos deles eram proprietários de terras ou figurões de territórios vizinhos, embora até mesmo comerciantes de reputação duvidosa aparecessem querendo se encontrar comigo.
Fiz o possível para conhecer todos, mas muitas vezes acabava sendo uma perda de tempo, principalmente quando se tratava dos comerciantes. Os que tentavam me vender móveis ou pinturas caras não eram tão ruins, mas eu detestava os que vinham me passar a perna com seus esquemas duvidosos, tentando me convencer de que o sucesso era garantido. Por isso, às vezes eu inventava uma desculpa ou outra para espantá-los.
“Será que gente suspeita como essa sempre visita os senhores de um território?”, perguntei a Patrick.
Ele deu de ombros. “Normalmente, esse tipo de gente aparece mais quando a nova geração assume o poder. Eles estão procurando aristocratas que possam enganar facilmente.”
Eu detestaria que as pessoas pensassem que sou o tipo de pessoa que se deixa enganar facilmente. Eu pensei. De qualquer forma, provavelmente sou o pior tipo de cliente para esses caras, já que não tenho interesse em comprar coisas caras.
“Ei, Patrick”, eu disse de repente. “Eu pareço alguém que pode ser enganada facilmente? Acho que sou bem sensata…”
Houve uma breve pausa. “Você acha mesmo?”, perguntou Patrick finalmente.
“Bem, pelo menos eu não sou o tipo de pessoa que eles conseguiriam persuadir a comprar coisas caras ou algo do gênero.”
“Hum, você está se esquecendo da varinha?”
Fiquei em silêncio, incapaz de contradizê-lo nesse ponto. Talvez tivesse sido útil para preencher aquele grande buraco, mas fui eu quem o causou em primeiro lugar.
Naquele momento, fui informada de que um dos comerciantes que eu ouvira dizer que visitaria a cidade naquele dia havia chegado. Ele havia avisado que trouxera algo que certamente me interessaria, mas era o que todos diziam. No passado, outro comerciante havia anunciado isso, mas acabou me presenteando com um perfume.
Ora, quem pagaria por água perfumada? Simplesmente não entendo a lógica.
“Devo simplesmente mandar o mercador embora?”, perguntou Patrick. “Não precisa se dar ao trabalho de se encontrar com ele.”
“Está tudo bem… Oh! Mas você deveria ficar aqui e observar; eu vou dizer um não bem firme para ele.”
Ele provavelmente só vai tentar me vender algo que eu não preciso. Tudo o que eu preciso fazer é ouvi-lo um pouco e depois recusar veementemente!
A composição do nosso grupo foi definida, e nós entramos na sala onde o comerciante estava esperando. Ele era um homem de aparência suspeita, com uma barba peculiar. Enquanto o observávamos, ele se levantou, sorriu para nós e depois inclinou a cabeça.
“Obrigado pelo seu apoio contínuo”, disse ele, olhando diretamente para Patrick. “Sou da Empresa de Mercado Arrei.”
Não me surpreendeu ser ignorada — honestamente, isso acontecia com bastante frequência. Era raro encontrar uma aristocrata mulher que chefiasse sua família em Valschein, quanto mais uma condessa como eu. Consequentemente, os comerciantes geralmente se dirigiam aos homens em vez das mulheres e concentravam sua atenção em Patrick quando se tratava de cumprimentos iniciais ou assuntos de natureza política. Alguns se recusavam a falar comigo a princípio, mudando de ideia apenas quando o assunto era a venda de roupas e acessórios.
Mesmo assim, essas pessoas não deveriam saber que eu sou a responsável aqui…?
“Eu, Yumiella Dolkness, condessa desta terra, dou-lhe as boas-vindas”, disse eu solenemente, tentando deixar claro que eu era quem mandava ali. “Mas, devo perguntar, não é um pouco estranho mencionar apoio contínuo quando este é o nosso primeiro encontro?”
“Para ser honesto, senhora Condessa”, respondeu ele sem hesitar, “disse isso porque vim entregar algo ao Sir Patrick.” Em seguida, virou-se para meu noivo e inclinou a cabeça. “Peço desculpas pela demora nos retoques finais.”
A-Ah, Pensei, completamente envergonhada. Então, esse cara veio aqui para falar com o Patrick. Não acredito que eu simplesmente o abordei daquele jeito quando ele só estava tentando se apresentar. Estou tão paranoica…
“Desculpe”, eu disse, estremecendo ao me lembrar do meu tom agressivo. “Não sabia que você estava aqui para ver o Patrick.”
“Não há problema nenhum; na verdade, acho que vocês dois ficarão interessados no que eu trouxe comigo hoje. Nossa empresa é especializada em itens raros retirados de masmorras.”
{ Yoru: hehe | Del: Neuron activation da Yumiella. }
Senti meu coração ser tocado — nunca havia me encantado tanto com nenhum dos outros comerciantes que ali passaram. Fiquei um pouco triste por ter acabado de declarar que não compraria nada. Realmente, o momento foi péssimo.
Deixei esses sentimentos de lado, porém, e me voltei para Patrick. Não pude deixar de ficar curiosa para saber o que ele havia comprado, já que o fez numa loja que parecia ter sido feita especialmente para mim.
“Ei, Patrick”, eu disse, chamando sua atenção. “O que você comprou?” Houve uma pequena pausa.
“Sabe, eu não sei”, ele finalmente disse.
É, isso é uma mentira deslavada, se é que já ouvi alguma. Eu pensei. Ele provavelmente comprou secretamente algum instrumento mágico feito em uma masmorra ou algo assim. O sorriso daquele mercador é a prova… Não, espera. Ele está sorrindo assim desde o começo…
“Devo apresentar o item mais tarde, então?”, perguntou o homem, com um sorriso ainda maior.
“Sim, obrigado.”
{ Yoru: acho que todos nós sabemos o que é… }
E assim terminou essa parte da conversa, sem nenhuma intervenção minha.
Gostaria de saber o que Patrick comprou. Refleti. É óbvio que ele está tentando esconder isso de mim. Será que ele queria me surpreender? Se for esse o caso, espero que seja um soco inglês. Me sentindo empolgada, fiz o possível para controlar minhas emoções. Não, não, não posso me deixar levar pela ansiedade. Meus palpites costumam estar bem errados. Além disso, nada de bom aconteceu recentemente, e não temos nada previsto. Talvez eu não devesse fazer tantas perguntas… não é como se o Patrick fosse comprar alguma coisa perigosa. Hehe, olha só pra mim, sendo uma ótima namorada que entende os hobbies do meu namorado.
Antes que meus pensamentos pudessem se dispersar ainda mais, o mercador começou a falar novamente.
“Devo dizer que estou surpreso ao ver como o Condado de Dolkness cresceu incrivelmente, tornando-se irreconhecível em tão pouco tempo. Especialmente considerando que a Capital Real anda um pouco agitada ultimamente e que todas as áreas próximas estão em recessão. Dito isso, se eu pudesse obter sua permissão para fazer negócios aqui por um tempo, ficaria extremamente grato.”
Parei um instante para assimilar todas aquelas informações. O comerciante falava tão rápido que parecia que mal parava para respirar. Finalmente, respondi: “Se quiser fazer negócios aqui, precisará seguir os procedimentos oficiais como todos os outros.”
“Não há problema algum, é claro”, disse o mercador obedientemente. “Não faria nada para incomodá-la, senhora Condessa.”
Enquanto falava, suas mãos se moviam, alinhando seus produtos sobre a mesa à sua frente. Assim que tudo estava no lugar, ele começou a explicar o que eram, começando pelo primeiro item: um frasco cheio de pó branco.
{ Yoru: rapaz… | Moon: Fala assim não… PeloAmordeDeus}
Oooh, isto está a ficar divertido! Eu pensei. Isso deve ser algo muito louco!
“Este é um açúcar que não será absorvido pelo corpo.”
Suspirei, desapontada. “Ah, então é só açúcar.”
“Não exatamente”, disse o comerciante, animado. “É tão doce quanto o açúcar comum, mas não tem nenhum valor nutricional.”
“Então… qual é o objetivo disso?”
A maior vantagem da glicose é que ela permite que a pessoa que a consome obtenha energia rapidamente. Eu pensei. Se não pode ser absorvido pelo corpo e não tem calorias, não é simplesmente inútil?
Parecia ser um item raro que ninguém ia querer, nem eu. Por algum motivo, porém, Patrick pareceu se interessar.
“Nossa, isso deve vender muito bem”, comentou ele.
“Sim, é verdade! Geralmente é usado pelas filhas ou esposas de aristocratas. Claro que essa compra é mantida em sigilo.”
Fiz uma careta. Não entendi. Por que o açúcar zero calorias está vendendo tão bem? Será que está na moda morrer de fome comendo doces? É, podem me excluir dessa moda bizarra.
“Não estou interessada”, eu disse.
“Você não precisaria disso”, disse Patrick com leveza.
Foi aí que me dei conta. Ah, entendi! É adoçante diet! Não me admira que o Patrick estivesse olhando meu corpo desse jeito — minha hitbox é bem pequena. Adoçante dietético não era uma coisa comum na minha vida passada? Acho que existiam produtos feitos de aminoácidos e outras coisas que supostamente adoçavam as coisas… e não tinham zero calorias também?
{ Yoru: hitbox kkkkk }
A cada minuto que passava, esse açúcar me parecia menos atraente. Eu não queria perder peso — pelo contrário, queria ganhar. Se eu conseguisse manter minha forma física atual, mas aumentar meu peso para cerca de uma tonelada, isso significaria que eu teria mais força nos meus ataques físicos e não poderia ser arremessada para trás — só vantagens.
Percebendo que não conseguiria vender nada ali, o comerciante desistiu rapidamente do açúcar e passou a apresentar seu próximo produto.
“Esta é uma poção rejuvenescedora”, disse ele, mostrando-nos um frasco cheio de um líquido verde.
Isso com certeza vai ser algo incrível! Que a diversão comece!
A juventude eterna e a vida eterna eram coisas que pessoas no poder buscavam repetidamente. Não seria surpreendente se pessoas ao redor do mundo entrassem em guerra para possuir um item como este que temos diante de nós.
Inclinei-me para a frente para olhar para o jarro, e o comerciante começou a explicar o seu conteúdo no mesmo discurso acelerado de sempre.
“Esta poção é, na verdade, um antídoto para veneno, mas se você a aplicar na pele, ela rejuvenescerá. Quaisquer rugas ou flacidez desaparecerão completamente. Ah, mas a eficácia varia de pessoa para pessoa, então, por favor, leve isso em consideração.”
Minha empolgação despencou imediatamente. É apenas um produto cosmético com um nome meio suspeito!
Minhas expectativas, que haviam aumentado ao ouvir que esse cara carregava itens raros de masmorras, evaporaram. Pelo que pude perceber, todos pareciam inúteis. Quer dizer, açúcar nem era algo que se conseguia em uma masmorra, e poções de antídoto não eram raras!
“Passo”, respondi secamente. “Não tenho muito interesse nesse tipo de coisa. Acho que já vi o suficiente—’
“Espere! Eu também tenho algumas armas comigo…”
Isso chamou minha atenção novamente por um breve momento. “Se você tiver algo como uma espada do tipo trevas ou uma varinha que funcione com todos os elementos, eu compro.”
O mercador, que estava a retirar uma adaga enquanto eu falava, devolveu-a à sua bagagem depois de ouvir as minhas palavras.
Infelizmente para ele, eu não preciso de uma adaga para me proteger. Quer dizer, para mim é mais eficaz simplesmente socar as pessoas com meus punhos nus.
“Não era bem isso que eu esperava”, admiti. “Pensei que você carregaria acessórios com efeitos úteis para o combate.”
“Bem, existem certas circunstâncias com as quais estamos lidando em relação aos acessórios”, disse o comerciante, olhando para Patrick.
Bem, não sei por que seus acessórios não estão vendendo, senhor comerciante. Eu pensei, Mas está na hora de você ir.
Abri a boca para pedir que ele se retirasse, mas paralisei quando um de seus objetos me chamou a atenção. Parecia uma carapaça de tritão e estava em destaque em uma vitrine repleta de mercadorias.
“O que é isso?”
O mercador inclinou a cabeça. “Peço desculpas, trouxe isto comigo por engano. É um item chamado flauta de invocação de monstros. Já ouviu falar delas?”
“Sim, já recebi muita ajuda de uma delas no passado”, eu lhe disse.
Como o próprio nome sugere, uma flauta de invocação de monstros era um instrumento mágico que atraía todos os monstros da área circundante para um único local. Eu costumava usar uma quando eu saía para pegar experiência.
Mas, será que esse item é mesmo…?
“Uma flauta para invocar monstros… te ajudou…? Deixa pra lá. Enfim, este item aqui é uma grande flauta para invocar monstros. Comprei porque era rara, mas descobri que não serve para nada. Ela precisa de uma pedra mágica grande para funcionar, então nem dá para testar.”
“Compro pelo preço pedido!”
Eu preciso disso, mesmo que me custe todas as minhas economias! Não posso deixar esse momento escapar, trazido a mim pelos caprichos do destino!
Infelizmente, minha resolução inabalável foi interrompida pela voz do meu noivo.
“Yumiella”, disse Patrick firmemente. “Não.”
“Mas, Patrick! É tão grande!!! Deve ser muito barulhento também!”
“E daí? Você não precisa disso — posso afirmar isso com toda a certeza.”
Ai, por que eu disse que não compraria nada hoje?! Não quero quebrar minha promessa… Espera. Eu só prometi não comprar hoje, certo? Então não vou poder comprar amanhã?
Me acalmei, confortada pelo meu plano perfeito. Tudo o que eu precisava fazer era manter minha posição de não comprar nada hoje, e então amanhã eu simplesmente visitaria a empresa do comerciante para adquirir a flauta que eu tanto desejava.
“Tudo bem…” eu disse com um suspiro fingido. “Você tem razão — eu não preciso dessa flauta. Acho que terminamos por aqui por hoje.”
O mercador fez uma reverência respeitosa. “Se algum dia encontrarmos boas armas ou qualquer outra coisa, irei falar com você primeiro. Espero contar com seu apoio também no futuro.”
Depois disso, o comerciante prometeu nos visitar novamente e saiu com uma expressão de leve decepção no rosto.
No instante em que a porta se fechou, Patrick se virou para mim. “Você também não poderá comprá-la depois”, disparou ele.
Como é possível?! Ele percebeu meu plano perfeito na hora! Abalada, fiquei olhando para ele. Não vou chegar a lugar nenhum tentando apenas me esquivar dele. Preciso manter a cabeça erguida e enfrentá-lo de frente se quiser convencê-lo!
Isso ainda deixava uma grande questão em aberto: como eu ia convencer o Patrick a me deixar comprar a flauta gigante que invoca monstros?
Provavelmente, o melhor é eu começar pensando nas coisas da perspectiva dele. Eu decidi. Por exemplo, o que eu faria se o Ryuu estivesse olhando fixamente para uma pedra preciosa brilhante e se recusasse a se mexer? E mesmo quando eu dissesse que ele não precisava dela, ele me olhasse com olhos marejados e suplicantes… Como eu poderia negar isso a ele?! Eu teria que comprar a pedra preciosa para ele depois!
Com a decisão tomada, assenti para mim mesma. Meu caminho para a vitória estava claro — era hora de usar meu olhar suplicante! Mas, frustrada, me recusei a piscar até meus olhos se encherem de lágrimas, e então lancei a Patrick minha melhor carinha de cachorro pidão.
“Eu realmente não posso ter isso?”, resmunguei.
“Não pode, mesmo que me encare assim.”
Patrick, eu não estava te encarando! Eu estava te lançando um olhar fofo e suplicante!!!
Soltei um suspiro de desânimo. Meu plano havia fracassado completamente.
Imagino que Ryuu seja uma criança bastante razoável, então ele não é uma boa referência. Refleti.
Ainda assim, usar o exemplo dele tornou minha situação atual um pouco mais clara: eu era uma criança implorando por doces, e Patrick era meu pai severo. Tudo o que eu precisava fazer para alcançar meu objetivo era agir como uma criança mimada.
Levantei-me, movi o sofá que estava em frente a nós para o canto da sala e, em seguida, voltei e peguei a mesa também.
“Ei, o que você está tentando fazer agora?”, perguntou Patrick, ainda sentado.
Sim, fique aí mesmo, Patrick. Fique no seu lugar VIP e caia direto na minha armadilha!
Agora que o centro da sala estava livre de móveis, entrei no espaço vazio e me deitei no chão. De costas para a mesa, comecei a agitar os braços e as pernas.
“Não, não, não!” gritei. “Eu quero, eu quero, eu quero!”
Olhei para Patrick, ainda agitando os braços e as pernas, e vi seu rosto completamente congelado. Todos os sinais de vida haviam desaparecido de seus olhos, e ele se encolheu profundamente na cadeira.
“Y-Yumiella…”
“Não, não, não!” gritei novamente.
Meu comportamento pode ser vergonhoso, mas estou progredindo! Com certeza ele me deixará comprar a flauta para que eu pare de me comportar de maneira tão desonrosa! Sorri por dentro. Enquanto eu continuar destruindo minha própria dignidade, alcançarei meu objetivo!
Assim, continuei meu ataque à determinação de Patrick por vários minutos com extrema intensidade. Patrick manteve-se em silêncio durante todo o tempo, mas agora inclinou-se para a frente e começou a falar.
“Yumiella…”
Chegou finalmente o momento?! Ele vai ceder enfim?!
“Eles estão observando, sabia? Você se sente confortável com isso?”
“Eu quero, eu quero, eu quero!”
“E quando digo ‘eles’, quero dizer todos.” Com um olhar cansado, Patrick apontou para um lugar além do meu alcance de visão no momento.
Quem se importa em ser observada! Mas, hum… quem são “eles”? E o que Patrick quer dizer com “todo mundo”?
Virei-me para o lado, olhando para onde Patrick apontava. Acabou sendo a porta do quarto em que estávamos, que havia sido aberta sem que eu percebesse. Os criados da mansão estavam todos aglomerados na soleira, espiando do corredor. Rita e Sara estavam lá, assim como Daemon e sua equipe de funcionários. Eu até vi o chef!
{Moon: Grande Condessa de Dolkness, a mais poderosa, só pra relembrar aqui…}
Provavelmente me ouviram reclamando e vieram ver o que estava acontecendo. Pensei, analisando suas expressões. Eu não conseguia encontrar um adjetivo sequer para descrever as expressões nos rostos de todos os criados.
Diante de uma multidão tão grande, parei de me mexer e me levantei como se nada tivesse acontecido. “Obrigado pelo trabalho árduo de vocês”, disse respeitosamente. “Por favor, deixem isso comigo e retornem aos seus postos.”
Enquanto todos me encaravam boquiabertos, paralisados, fechei a porta do quarto na cara deles. Não lhes dei um instante para responder.
Virando-me para Patrick, gemi: “Quero morrer...”
“Sabe, você poderia simplesmente comprar alguma coisa só desta vez? De qualquer forma, você estaria usando seu próprio dinheiro…”
“Não quero mais a flauta”, disse eu, fazendo beicinho.
Patrick colocou a mão no meu ombro e fez o possível para me consolar e dissipar minha vergonha.
Quem precisa de uma flauta gigante para invocar monstros? Eu preciso de uma máquina do tempo! Se for preciso, lutarei para voltar ao passado! Embora, acho que também aceitaria um dispositivo que apagasse as memórias das pessoas…
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Após o meu ataque de fúria, a atitude um pouco reservada que os criados tinham de mim mudou. O novo nível de gentileza deles era agradável, mas eu desejava que não me olhassem como se eu fosse uma criança lamentável e infeliz. Chegou ao ponto de me observarem brincando com Ryuu como se fosse uma cena comovente, e até me davam doces escondidos, pedindo para eu manter segredo de Patrick.
Já estou um pouco velha para receber esmolas assim, não é? Pensei comigo mesma, enquanto colocava mais um doce na boca.
Sinceramente, eu não entendi por que os criados estavam agindo daquela maneira. Decidi perguntar à Rita, já que ela continuava exatamente a mesma depois do incidente, para o bem ou para o mal. Eu até esperava que a intensa lealdade dela por mim tivesse diminuído um pouco depois de me ver agir de forma tão vergonhosa, mas parece que não a afetou em nada.
“O que está acontecendo com os empregados?”, perguntei, dando uma grande mordida em um pedaço de pão recheado com creme doce enquanto falava. “Para ser sincera, me dar guloseimas não está sendo muito útil.”
“Por favor, engula antes de falar.”
“Espere, ainda tenho mais cinco para pegar — Ah, você quer um?”
Rita suspirou. “Não, obrigada. Mas esperarei o tempo que você desejar.”
Acreditando em suas palavras, voltei para a minha comida. Devorei tudo em menos de um minuto após ela declarar que estava disposta a esperar, e então voltei a fazer a mesma pergunta com que havia começado.
“Então, por que todos estão sendo tão gentis comigo?”
“Tudo começou depois daquela coisa que aconteceu outro dia. Parece que ver você se debatendo no chão foi a gota d'água que eles precisavam.”
“Então essa não é a única razão pela qual as atitudes deles mudaram?”
Rita balançou a cabeça. “É obra do Sir Patrick. Sempre que tem um tempo livre, ele conta histórias sobre você para todo mundo. Ele faz isso desde que vocês dois chegaram aqui.”
Eu sabia que Patrick estava conversando amigavelmente com os criados, mas não fazia ideia de que estivessem falando de mim. Patrick já havia feito algo parecido antes, quando ainda estávamos na escola e outros suspeitavam que eu fosse o Rei Demônio. Ele contou histórias sobre mim ao Príncipe Edwin para tentar fazê-lo mudar de ideia.
Eu conseguia entender as intenções de Patrick — ele estava tentando esclarecer os vários mal-entendidos que as pessoas tinham a meu respeito. Eu era realmente grata a ele, mas ao mesmo tempo me sentia patética por não conseguir comunicar por conta própria que tipo de pessoa eu era para aqueles ao meu redor.
Ainda assim… se essa situação atual for culpa do Patrick, acho que não me incomoda.
Assim que cheguei a essa conclusão, duas empregadas passaram pelo corredor em frente ao quarto onde Rita e eu estávamos. Não consegui impedir que a conversa delas chegasse aos meus ouvidos.
“O quê?”, disse uma delas, visivelmente horrorizada. “Ela quebrou uma janela e pulou porque estava envergonhada?”
“Aparentemente”, confirmou a segunda empregada. “As coisas devem estar difíceis para o Sir Patrick.”
“Mas eu não entendo — existe algo mais constrangedor do que o que ela fez outro dia? Eu acho que ela seria capaz de tudo se foi capaz de fazer aquilo.”
A segunda criada deu uma risadinha. “Bem, acho que é assim mesmo que a senhorita Yumiella é.”
Todas as minhas lembranças vergonhosas passaram pela minha cabeça — as vezes em que eu tinha arrombado a janela, a vez em que eu tinha feito birra no chão…
Não estou nada bem com isso!!!
Submersa em meu desespero, minha mente buscava qualquer coisa que pudesse me ajudar a continuar.
Pensando bem, eu nunca tinha bebido álcool antes. Eu pensei. Talvez seja hora de experimentar algo novo.
De repente, com muita vontade de experimentar esse líquido misterioso, saí à procura de Patrick.
Assim que o encontrei, perguntei: “Você já bebeu álcool antes?”
“Sim, eu já bebi—” Seus olhos se estreitaram. “Por que você está me perguntando isso de repente?”
“Eu queria experimentar um pouco.”
Um tom de aspereza surgiu na expressão de Patrick. “Certo, farei os preparativos. Teremos isso esta noite.”
E com isso, ele se apressou em ir embora.
O que ele precisa preparar? Tudo o que ele precisa fazer é comprar a bebida alcoólica, certo…?
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Naquela noite, Patrick me conduziu para fora da mansão Dolkness e pelas ruas da vila de Dolkness. A princípio, pensei que estávamos passeando pela cidade, já que Patrick havia feito uma reserva para nós em algum lugar, mas agora parecia que estávamos indo para um local completamente diferente.
“Ei, para onde estamos indo?”, perguntei.
“Não se preocupe com isso”, respondeu Patrick, num tom mais severo que o habitual. “Apenas me siga.”
Patrick olhou para mim e estendeu a mão. Encarei-a confusa. “Não tenho nada perigoso comigo para te dar”, finalmente disse.
Não ouvi a resposta completa de Patrick, pois ele murmurou algo, mas ouvi: “Ela pensaria…”
Apesar da nossa conversa um tanto enigmática, cedi à sugestão de Patrick. E assim, continuamos caminhando sob o céu noturno até deixarmos a vila de Dolkness para trás.
Por fim, acabamos num campo exuberante de vegetação; fileiras de folhas de grama brotavam da terra, balançando ao vento. E ali, no meio daquele campo, era para onde Patrick estava me levando.
“É tão lindo…” murmurei.
Uma mesa redonda com duas cadeiras havia sido disposta no campo vazio. Sobre a mesa, uma garrafa sendo resfriada com gelo, alguns copos e vários pratos de aperitivos. Tudo estava envolto pela luz da lua perfeitamente redonda e pela miríade de estrelas que preenchiam o céu ao redor. Tudo parecia um sonho, como se o resto do mundo estivesse oculto por um véu.
“É a sua primeira vez bebendo, então você precisa me deixar fazer pelo menos isso por você”, Patrick me disse.
{ Del: Clap clap. }
Parecia que meu noivo era um romântico incurável. Eu não tinha um pingo de romantismo, mas não conseguia evitar sentir…
Meu olhar, que estava fixo na mesa etérea e onírica, voltou-se para Patrick.
Ele sorriu para mim — aquele sorriso gentil que eu adorava — e disse: “Assim você não precisa se preocupar em quebrar coisas, mesmo se ficar bêbada e perder a cabeça.”
Desculpe, o que você disse…?
Levei um instante, mas afastei a leve sensação de ofensa que senti e continuei a aproveitar a festa que Patrick havia preparado com tanto carinho para nós. Ele parecia um pouco preocupado com a possibilidade de eu ficar bêbada e não gostar de bebidas alcoólicas, mas não achei que precisasse se preocupar. O álcool pode ser uma droga, mas eu tinha uma alta resistência a essas coisas. Sinceramente, eu provavelmente nem conseguiria ficar bêbada.
Sentei-me numa das cadeiras da mesa e recuei quando Patrick me entregou o mais fino dos vários copos que estavam sobre a mesa.
Mas eu queria fingir que era uma aventureira e usar um copo de cerveja que parece um pequeno barril de madeira… Reclamei internamente. Embora, provavelmente, isso seja o melhor. Ouvi dizer que as cervejas e ales são amargas.
Retirando a garrafa gelada do gelo onde estava, Patrick a segurou com uma mão enquanto começava a destampá-la com a outra.
“Que tipo de bebida é essa?”, perguntei, curiosa.
“Isto é champanhe”, respondeu ele. “Achei que devíamos escolher este, já que é fácil de beber e é a sua primeira vez—”
{ Del: Curiosidades a parte, não, o Champanhe só pode receber o nome oficial de “Champanhe” quando é produzido em uma região específica da França, quando a mesma bebida é preparada em outra região da França, ela tem o nome de Crémant, já em outros países seria “apenas” um espumante. }
A voz de Patrick se calou quando mergulhei debaixo da mesa. Essa foi por pouco! Você devia ter me avisado que estávamos bebendo champanhe — ouvi dizer que quando se abre a garrafa, a rolha voa como uma bala e o conteúdo jorra como uma fonte!
“O que você está fazendo agora, Yumiella?”, perguntou Patrick com voz resignada.
“Bem, o champanhe é o que explode, certo? Você não aprendeu na escola a se esconder debaixo da carteira durante terremotos e ao abrir champanhe?”
“Tenho que admitir que não”, respondeu ele.
Ouvi um pequeno estalo acima da minha cabeça e, sentindo-me mais segura, rastejei cautelosamente para fora de debaixo da mesa. Patrick estava terminando de servir um líquido que presumi ser champanhe em nossas taças.
“Eu fiquei assustada demais, não é?”
“Sim”, concordou Patrick. “Mas já me acostumei.”
Ah, então existem outras pessoas que também têm medo de champanhe? Saber disso me trouxe alívio — afinal, minha reação tinha sido relativamente normal.
Voltei para a minha cadeira e observei o conteúdo do copo à minha frente. O líquido dentro era dourado e brilhava ao luar.
Que experiência refinada! Eu pensei. Aqui estou eu, neste lugar lindo e elegante, tomando um drinque sofisticado com o homem de quem gosto… Será que esse nível de felicidade é permitido?
“Muito bem, então”, disse Patrick, estendendo a mão e pegando seu próprio copo. “Saúde, Yumiella.”
“Saúde”, respondi.
Aproximamos nossos copos suavemente, como se fosse um beijo delicado, e o choque entre eles produziu um tilintar agradável.
Agora, tudo o que resta a fazer é levar o copo aos lábios e derramar o doce líquido na minha boca—
“Ah! Oh, oh…”
Encolhi-me em mim mesma, sufocando, tentando conter a tosse violenta que me deixava sem ar.
Patrick levantou-se às pressas e correu para o meu lado, acariciando minhas costas para me confortar. Quando recuperei o fôlego, ele me entregou seu lenço.
Certo, eu não posso beber bebidas gaseificadas. Pensei, enquanto limpava a boca. Eu esqueci.
“Você está bem?”, perguntou Patrick, preocupado. “Se o álcool está te fazendo mal—”
“Não é isso”, expliquei. “Eu simplesmente não consigo beber coisas com gás.”
Infelizmente, minha primeira lembrança relacionada ao álcool foi arruinada pelo dióxido de carbono. Então… talvez eu devesse me livrar disso.
Deixando de lado a crise de tosse, disse a Patrick que queria experimentar um tipo diferente de bebida alcoólica. Ele não pareceu muito convencido da ideia.
“Vai ficar tudo bem!”, assegurei-lhe. “Por que não bebemos vinho? Não tem gás, certo?!”
“Então você quer beber vinho branco?” Balancei a cabeça negativamente.
“Prefiro tinto, por favor.”
Quer dizer, como eu poderia escolher um vinho branco para a minha primeira degustação? Tem que ser tinto.
Patrick serviu vinho tinto no meu copo, e o belo líquido carmesim girou, exalando um aroma floral requintado.
Muito bem, chegou a hora de erguer meu copo e engolir o sangue tentador dos deuses! Ele preencherá meu corpo, e…
“Eca.” Fiz uma careta completa.
Que coisa é essa?! Deve ter estragado, né? Não é possível que esteja com um gosto tão amargo e azedo… Encarei meu copo, desapontada. Infelizmente, não sou uma pessoa ruim, nem tenho gosto por coisas ruins.
“Tem certeza de que isso não estragou?”, perguntei a Patrick.
Ele me deu um leve sorriso. “É, é exatamente esse o gosto. Você deveria experimentar enquanto belisca um pouco da comida.”
O próprio Patrick parecia estar me dando o exemplo — ele comeu um pedaço de queijo enquanto terminava o vinho em sua taça. Obedientemente, fiz o mesmo, mas o sabor não mudou. Queijo com suco de uva certamente teria ficado melhor.
O vinho tem um sabor melhor do que as poções, pelo menos. Eu pensei. Uma pena que não recupere sua energia ou mana.
Suspirei. “Bem, acho que vou beber se você quer que eu beba…”
Patrick franziu a testa, inquieto. “Tentei escolher marcas fáceis de beber, mas acho que não são do seu agrado, né? Você devia experimentar o vinho branco — é mais suave.”
Acho que, afinal, devia ter escolhido branco. Eu lamentei. Eu deveria ter desconfiado do vinho tinto quando percebi que estava em temperatura ambiente…
Observando o vinho branco, notei que ele tinha uma tonalidade dourada mais suave do que a do champanhe e um aroma de frutas frescas.
Provavelmente não deveria… provavelmente não vou gostar. Mas… por que não experimentar? Vinho branco tem tudo a ver com a sensação ao descer!
Peguei meu copo e tomei um grande gole de vinho branco. “Hã…?”, exclamei, surpresa. “Eu realmente consigo beber isso.”
Além disso, o sabor era… bom? Só para ter certeza, tomei lentamente o resto da dose. Como não achei o sabor desagradável, coloquei um biscoito com presunto na boca e tomei outro gole.
“Isso pode ser realmente bom.”
Patrick sorriu para mim. “Fico feliz em ouvir isso.”
Brindamos mais uma vez e, em seguida, mergulhamos num silêncio confortável enquanto esvaziávamos nossos copos e beliscávamos mais um pouco de comida.
Eu ainda não tinha certeza de como era a sensação de estar bêbada — pelo que eu podia perceber, parecia que minha resistência ao veneno estava vencendo o álcool.
Então, meu objetivo de me livrar de algumas lembranças foi por água abaixo. Pensei, com um suspiro. Acho que terei que me contentar em ter me divertido muito.
O tempo passou agradavelmente depois disso. Logo eu estava pedindo a Patrick uma terceira taça de vinho, uma proposta que pareceu deixá-lo um tanto desconfortável.
“É a sua primeira vez, então por que não paramos por aqui?”, ele insistiu. “Eu também trouxe um suco.”
{Del: Hum.}
Balancei a cabeça negativamente. “Está tudo bem, eu não estou bêbada”, insisti.
Patrick cedeu e me serviu outro copo, embora parecesse preocupado. Não consegui conter o sorriso ao observá-lo.
Ele é tão preocupado, mas eu também gosto dessa característica dele. Pensei com carinho. Sabe… isto é muito divertido. Estou ficando animada!
“Hehehe…” Eu ri baixinho. “Eiiiii, Patrick.”
“O que foi?”
“Nada. Eu só queria dizer seu nome.”
Nossa, não acredito que estou me divertindo tanto! Me sinto leve e revigorada…
Senti os cantos da minha boca se curvarem para cima por conta própria. Parecia que meus músculos faciais tinham voltado à vida. Encarei Patrick atentamente, meus lábios se abrindo em um sorriso aberto. Seus olhos verdes, quando encontraram os meus, pareciam refletir levemente a luz da lua.
“Já faz… algum tempo, desde que nos conhecemos”, disse Patrick, parando e desviando o olhar do meu como se estivesse ficando envergonhado.
“Sim”, concordei. “Sabe, estou muito feliz por ter te conhecido, Patrick.”
“Entendo… Então, hm, bem.”
Patrick tirou uma pequena caixa preta do bolso. Encarei fixamente o recipiente do tamanho da palma da minha mão, completamente sem saber o que poderia haver dentro. O próprio Patrick parecia estranhamente perturbado — seu olhar vagava por todos os lados. Então, de repente, ele olhou diretamente nos meus olhos, como se tivesse decidido fazer alguma coisa.
Ele fica tão fofo quando está nervoso. Eu pensei, Sinto um friozinho na barriga. Só de encarar os olhos um do outro assim já me deixa feliz.
Naquele momento, algo me dominou e eu deixei escapar sentimentos que normalmente tinha vergonha de expressar.
“Patrick, eu te amo.”
{ Yoru: É… ela tá bebinha da Silva. | Moon: Definitivamente bêbada!}
“O quê…?” Visivelmente perturbado, Patrick desviou o olhar novamente.
Enquanto isso, eu me sentia eufórica. Tudo o que eu tinha feito era colocar meus sentimentos em palavras, mas a sensação era incrível. Comecei a rir descontroladamente, sem conseguir mais conter o riso. Cheguei a sugerir que Patrick se juntasse a mim.
Por que não?! É divertido!
“Você está bêbada?”, perguntou Patrick, com o rosto ficando sério.
“De jeito nenhum! Não estou nem um pouco bêbada! Estou apenas me divertindo.”
“É isso que todo bêbado diz…”
“Eu sei, né?” Dei uma risadinha de novo. “É tão vergonhoso quando as pessoas fazem isso.”
Já tive muitas experiências com bêbados que não conseguiam admitir que estavam bêbados.
Tipo, por que eles não conseguem se analisar objetivamente? Se a capacidade de tomar decisões não está boa por causa do álcool, por que não param antes de ficarem tão bêbados? Eles deveriam pelo menos saber o quanto beberam. Inclinei-me para a frente e servi-me de mais uma taça de vinho. Hum, fico pensando em qual número estou…

“Então, o que tem nessa caixa?”, perguntei a Patrick. “São salgadinhos? Uma caixa de doces?”
“Isso é…”
“Que injustiça! Você ia comer tudo sozinho, não ia?”
“Ah, acho que vou desistir disso por hoje…” Patrick puxou o braço para trás, como se fosse guardar a caixa.
Isso só aumenta minha curiosidade quando você tenta esconder assim! Estendi a mão, tentando arrancar a caixa da mão de Patrick, mas percebi que meu braço tinha ido numa direção diferente da que eu havia previsto. Desde quando Patrick consegue criar uma imagem residual de si mesmo…? Fiquei pensando.
“Ei, onde foi que—?”
“Acho que já chega de álcool. Precisa de água?”
Meu rosto inteiro se contorceu em ressentimento. “Como você se atreve! Você vai até tirar o álcool de mim?! Você realmente me odeia tanto assim?!”
“Claro que não te odeio”, disse Patrick com um suspiro, parecendo profundamente cansado. “Na verdade, eu gosto de você.”
Hehehe, ele disse que gosta de mim. Eu também gosto de você, Patrick.
“Então, quanto você gosta de mim?” perguntei. “Qual a dimensão do seu amor?”
Patrick passou a mão no rosto. “Você já deixou de ser fofa e agora é só irritante.”
Ele acha que eu sou irritante? Meus olhos começaram a lacrimejar do nada, gotas de lágrimas escorrendo para dentro da minha taça de vinho.
“Você… me odeia?”
“Eu gosto de você, Yumiella”, disse Patrick, suspirando novamente. “Eu gosto de você, então, por favor, pare de chorar.”
“Eu… eu sou uma mulher tão problemática… E quem diz isso é quem é o pior de todos, não é?”
“Acho que suas perguntas são mais problemáticas do que você”, disse Patrick suavemente, estendendo a mão para acariciar a minha.
Virei a mão e segurei suas costas, querendo sentir mais do seu calor.
“Sabe”, continuou Patrick, “não precisa ser com essa intensidade, mas seria bom se você fosse mais honesta com seus sentimentos regularmente.”
“Mas estou agindo como sempre”, eu disse, confusa. “Acontece alguma coisa?”
Houve uma breve pausa. Em vez de responder à minha pergunta, Patrick perguntou: “O que você sente por mim?”
“Eu te amo”, eu disse simplesmente.
Por que ele me perguntaria algo tão óbvio? Não é como se eu sentisse algo diferente por ele esta noite do que normalmente sinto.
Patrick levou a mão vazia ao rosto, protegendo-o de mim. “Gostaria que você me dissesse isso quando estiver sóbria.”
“Claro…” respondi, dando de ombros. “De qualquer forma, não é meio constrangedor da sua parte perguntar o que eu sinto por você? Que vergonha… Mas eu gosto de você, então tudo bem.”
“Mudou da água pro vinho…”
{ Yoru: Literalmente }
Fui me servir de mais uma taça de vinho, mas Patrick já havia segurado a única mão que estava livre. Por um instante, considerei insistir para que eu bebesse mais, mas logo desisti da ideia — segurar a mão de Patrick era muito melhor.
Eu não tinha dúvidas de que não era o álcool que me fazia divertir tanto, mas sim o fato de estar com Patrick.
E assim, ficamos nos olhando enquanto o tempo passava. Embora nenhum de nós dissesse algo, o silêncio era reconfortante. A lua cheia continuava a subir no céu noturno e, quando finalmente atingiu seu ápice, Patrick se levantou.
“Devemos ir embora.”
Eu também me levantei da cadeira e…
Hã? Por que o chão está tremendo…?
Eu cambaleei para a frente, quase caindo, mas Patrick me segurou antes que eu atingisse o chão. Parecia que andar seria um problema.
“Me carregue”, ordenei.
Aparentemente indiferente, Patrick me pegou silenciosamente em seus braços. Eu o abracei forte, envolvendo seu pescoço com meus braços. Nossos rostos estavam mais próximos do que em toda a noite — só restava uma coisa a fazer.
“Ei”, eu disse baixinho, chamando a atenção de Patrick para mim.
“O que foi?”, perguntou ele. Ele se moveu, aproximando o rosto do meu.
Inclinei a cabeça para trás, meus olhos encontrando os de Patrick. Me inclinei em sua direção e… você sabe.
{ Yoru: Ô se sei… | Del: :) | Moon: Olha o sorrisinho bobo =v=}
Não saberia dizer como Patrick reagiu depois disso — assim que terminou, adormeci em seus braços.
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Meus olhos se abriram de repente, revelando um teto familiar. Me sentei, apoiando a cabeça latejante, e logo percebi que estava no meu quarto.
“Então, tudo aquilo foi um sonho…?” murmurei para mim mesma.
Se tivesse acontecido, teria sido algo bastante intenso. Eu compartilhei meus sentimentos sobre Patrick diretamente com ele, e no final até cheguei a…
Algo tão irrealista jamais teria acontecido.
{Del: Errado, aconteceu sim, eu estava ali, eu era o suco de uva. | Yoru: Eu também estava, eu era a noite (yoru é noite em japonês). | Moon: É verdade, eu era a Lua.}
Mesmo assim, achei minha versão onírica incrível. Eu sabia que, não importa o quão intensamente eu pensasse em algo e o direcionasse a outra pessoa, não chegaria até ela se eu não o dissesse em voz alta.
Espero poder dizer diretamente ao Patrick que gosto dele, assim como disse que faria no meu sonho.
Nesse instante, bateram na minha porta.
“Você está acordada, Yumiella?”, perguntou o homem em quem eu estava pensando. “Posso entrar?”
“Sim! Entre.”
Após receber minha permissão, Patrick entrou no meu quarto carregando uma bandeja com uma jarra de água e uma xícara. Só de vê-lo, lembrei-me do que havia acontecido no meu sonho, o que fez minhas bochechas corarem.
“Você se lembra do que aconteceu ontem?”, perguntou Patrick enquanto me servia um pouco de água.
“‘O que aconteceu ontem?’”, perguntei, confusa. “Do que você está falando?”
Patrick acenou com a mão. “Não importa, tudo bem se você não se lembrar.”
Huh…? Então isso significa que meu sonho… não era um sonho?
Se meu sonho foi real, eu já teria cometido o erro de dizer que não me lembrava. Sem querer me contradizer de imediato, comecei casualmente a tentar obter mais detalhes de Patrick.
“Você poderia me lembrar o que fizemos ontem?”
“Nós tomamos uns drinques juntos, e depois…” Patrick parou de falar. “Você realmente não se lembra?”
Você só pode estar brincando! Tudo o que aconteceu no meu sonho é totalmente real! Inconscientemente, olhei para as roupas que estava vestindo e descobri que eram as mesmas que eu havia usado no dia anterior. Patrick, você nem aproveitou a oportunidade para me ajudar a tirar a roupa!
{ Yoru: YUMIELLA???!?!!?! | Del: …… | Moon: AMIGA??? }
Mas agora não era hora de pensar nessas coisas — eu precisava colocar todo o resto sob controle.
Sem pensar, comecei a mentir e a fingir que não me lembrava. “Hum… Sabe, eu acho que tenho uma vaga lembrança disso, mas só isso. Será que acabei ficando bêbada e pirando ou algo assim?”
Patrick balançou a cabeça. “Você só deu um gole e caiu no sono como se fosse desmaiar. É melhor evitar beber daqui para frente.”
Fiz um esforço enorme para não estreitar os olhos para ele. Patrick, seu mentiroso! Mas ele está mentindo por gentileza, não é? Então… por que eu estou mentindo? Estou tentando fugir e evitar dizer a ele como me sinto de novo? Eu simplesmente decidi que não vou mais fazer isso!
Mesmo assim, não tive forças para lhe contar a verdade. Apenas disse: “Tudo bem, então. Não vou mais beber álcool.”
“Por mim, tudo bem”, respondeu Patrick. Eu não conseguia discernir se ele realmente acreditara nas minhas mentiras ou se simplesmente aceitara o que eu dizia como verdade absoluta. “De qualquer forma, você deveria descansar mais um pouco; talvez ainda não esteja totalmente recuperada.”
Depois disso, Patrick se virou e foi em direção à porta do meu quarto, evidentemente tentando sair. Levantei da cama e o segui, o que ele só percebeu quando já estava na metade do caminho. Virando-se completamente, ele tentou empurrar a porta quase fechada para abri-la de vez, mas eu a fechei à força.
“Não vá ainda!” gritei.
“Você diz isso, mas certamente não está agindo como se quisesse que eu ficasse!”
Agora que estávamos conversando através da porta fechada, relaxei um pouco. Mesmo que eu não pudesse dizer diretamente a ele como me sentia enquanto o olhava, ter aquela placa de madeira entre nós me dava a sensação de que eu podia.
“Hum… eu…” Apertei a maçaneta com força, impedindo que a porta se abrisse.
Tudo o que preciso fazer agora é dizer que gosto dele. Olhando para trás, parece que levei uma eternidade para chegar até aqui. Mas chegou a hora! Hora de quebrar a porta do meu coração!
Nesse instante, ouviu-se um estalo alto.
“O que foi isso…?” perguntou Patrick, confuso.
“Ah, a maçaneta simplesmente se soltou”, eu disse com uma casualidade forçada.
{ Yoru: Insira aqui o gif de um monte de gente batendo a mão na testa… }
Olhei para as minhas mãos, encarando a maçaneta quebrada que ainda segurava, enquanto a porta se abria lentamente.
Sabe, não era isso que eu queria dizer quando falei que ia quebrar uma porta…
Desabei em desespero. Agora que havia destruído mais uma parte da mansão, tinha certeza de que levaria outra bronca de Patrick. O clima propício para lhe contar meus sentimentos havia sido completamente arruinado.
Patrick, que agora podia ver o estrago que eu tinha feito na porta, soltou um longo suspiro. “Com que força você girou a maçaneta para ela ficar assim? É esse tipo de coisa que se acumula e faz com que todos ao seu redor fiquem com medo—”
“Eu sei, me desculpe”, eu disse, olhando penitentemente para o chão.
Pelo canto do olho, vi alguns criados nos encarando enquanto passavam pelo corredor. Quase podia ouvi-los pensando: Parece que ela fez besteira de novo… No passado, isso teria me magoado, mas a essa altura eu já havia me acostumado.
Deixei meu olhar vagar enquanto o silêncio se instalava entre nós, e meus olhos finalmente pousaram no bolso da camisa de Patrick. Havia um volume quadrado ali.
Será que é… a caixinha que ele tirou e guardou imediatamente ontem? Fiquei pensando. Bom, agora estou curiosa. E isso significa que não vou me conter!
“Isso”, eu disse abruptamente, apontando para o peito de Patrick.
“O quê? Eu ainda não terminei de falar—”
“Essa é a caixa de ontem, certo?”
“B-Bem…!”
Uau, Pensei, encarando o rosto visivelmente perturbado de Patrick. Não sei bem o que provocou essa reação, mas aposto que se eu continuar insistindo, vou conseguir descobrir o que tem na caixa e ele vai esquecer de terminar de me dar sermão!
Era uma excelente oportunidade para matar dois coelhos com uma cajadada só, e eu não ia deixá-la passar de jeito nenhum. Decidi simplesmente aproveitar a chance.
“Talvez eu seja lerda, Patrick”, disse eu num tom condescendente, “mas você realmente achou que eu não ia descobrir o que tem aí dentro?” Apontei o dedo na direção dele, indicando o bolso da camisa. “Já chega — tira a caixa daí.”
“Então você já sabia, né?”, disse Patrick, soltando uma risada cansada. “Acho que você tem razão; não adianta ficar prolongando as coisas.”
Com um longo suspiro de desânimo, ele começou a tirar a pequena caixa preta do bolso. Até o último segundo, eu me perguntava o que havia dentro. Meu último palpite era um soco inglês, por causa do tamanho. Mas então, Patrick finalmente revelou o conteúdo da caixa: um anel. Era de prata, com uma pedra preciosa transparente incrustada na parte superior.
Por que um anel? Pensei comigo mesma, confusa.
Enquanto eu olhava para Patrick perplexo, ele tirou o objeto da caixa e o colocou em um dos meus dedos.
Nossa, é tão bonito! Pensei. A pedra preciosa no anel era ainda mais transparente que uma conta de vidro — se eu não olhasse com atenção, quase se confundia com o fundo. Ah, já sei o que é isso! É um diamante!
Só para ter certeza, me virei para Patrick e perguntei: “Isso é um diamante… certo?”
Mas ele balançou a cabeça. “Não. Você disse que não precisava de uma pedra preciosa, então eu imediatamente preparei outra coisa.”
“Será que eu disse mesmo isso?”, perguntei depois de pensar por um instante.
“Yumiella…” Patrick gemeu. “Você é mesmo uma figura…” Rindo baixinho, ele dispensou minha reação com um “Ah, bem”, e prosseguiu explicando qual era o seu presente. “Este é um anel especial que pode armazenar energia mágica. Lembra daquele mercador suspeito? Aquele que tentou te vender a flauta que invoca monstros? Eu comprei dele.”
Então ele comprou daquele comerciante. Eu pensei. Entendi. Se puder armazenar energia mágica, eu poderia usá-la em uma emergência e lançar feitiços. Isso é muito—
“Não consigo imaginar uma situação em que você ficaria sem mana”, disse Patrick, interrompendo meus pensamentos, “mas não é como se fosse totalmente inútil. Então, erm… espero que você goste.”
“Obrigada, Patrick!”
Radiante com o melhor presente de todos os tempos, dei um salto para a frente e o abracei sem pensar. Ao me agarrar à sua cintura, ele virou o rosto, envergonhado. No fim das contas, Patrick também parecia um pouco tímido.
Poucos instantes depois, afastei-me um pouco e declarei: “Vou tentar injetar um pouco de energia mágica nisso.”
Assim que comecei, fui devagar e coloquei apenas um pouco de cada vez, tomando cuidado para não quebrar o anel. Depois de filtrar uma boa quantidade da minha energia mágica negra nele, a gema transparente começou a brilhar em um tom negro sinistro. Parecia um objeto amaldiçoado que destruiria o mundo.
Patrick e eu ficamos olhando, chocados, para a pedra brilhante, que assumira a aparência de um objeto do caos capaz de despertar nas pessoas seus desejos mais profundos e sombrios. Ambos ficamos completamente sem palavras.
Se minha energia mágica é assim, que tipo de monstro eu sou?!
“Talvez fosse melhor você usar sua energia mágica nisso, Patrick”, sugeri após uma pausa. “Sabe, já que é um presente seu.”
“Sim…” ele concordou.
Ele prosseguiu e preencheu o anel com sua energia mágica do vento, o que fez a pedra preciosa brilhar em um verde semelhante ao de uma esmeralda. Era uma lembrança de seus olhos e absolutamente encantadora.
Soltei um suspiro de alívio. No final, felizmente, ficou bonito. Acho que tudo está bem quando termina bem!
“Obrigada, Patrick! É tão bom ganhar um presente sem motivo nenhum. Um dia desses, vou te surpreender com algo também!”
Embora, acho que não será surpresa se eu lhe disser que estou fazendo isso…
“Sem… motivo algum?”, murmurou Patrick.
“Hã? Bom, não é meu aniversário nem nada do tipo, é?”
“Ah, droga! Yumiella, você quer se cas— Na verdade, dizer isso agora provavelmente é…”
‘Cas’, pensei. ‘Cas’ o quê?
A resposta não parecia que viria tão cedo, então, alegremente, voltei minha atenção para a pedra no meu dedo anelar esquerdo. Patrick, enquanto isso, gemia e tremia, quase como se estivesse com dor.
Você está bem, Patrick…?
{ Yoru: Todos consolemos o mano Patrick… | Moon: Coitado…}
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Passei o resto do dia radiante de felicidade por ter recebido o presente surpresa do Patrick. O simples fato de ele ter me dado algo já era ótimo, mas ele ainda me deu algo útil! O fato de ser em formato de anel foi mais uma vantagem, pois eu poderia carregar meu novo instrumento mágico facilmente caso precisasse usá-lo como fonte de energia mágica em uma emergência.
Acomodada confortavelmente em meu escritório, fiquei olhando para o anel que brilhava em meu dedo anelar esquerdo.
Hum… Acho que usar um anel nesse dedo tem um significado… Pensei nisso, mas não me detive por muito tempo. Duvido que Patrick tenha pensado muito sobre em qual dedo colocaria o anel, de qualquer forma. Os homens não parecem se interessar muito por esse tipo de coisa.
{ Yoru: Mano… | Moon: Frieren e Himmel em outra vida…}
Voltando a me concentrar na papelada à minha frente, deixei minha mente divagar sobre o que eu deveria fazer para agradecer a Patrick por sua gentileza. Já que o presente dele era uma surpresa, eu também queria surpreendê-lo.
O que ele ia querer…? Fiquei pensando. Talvez fosse melhor organizar um evento para ele em vez de comprar algo. Tipo… uma festa surpresa? Será que temos algo para comemorar? Espera, temos sim! Ótimo, então está decidido!
{ Del: Ela simplesmente começando a preparar a cerimônia de casamento sem saber kkkkk. }
Depois disso, me concentrei totalmente no meu trabalho e concluí todas as minhas tarefas do dia em poucas horas. Daemon ainda estava no escritório comigo, então decidi pedir a opinião dele sobre o evento que eu havia planejado para Patrick.
“Hum, Daemon? Eu tenho algo importante que gostaria de lhe pedir…”
Meu assistente se virou para me olhar mais atentamente. “Devo chamar o Sir Patrick também?”
Balancei a cabeça violentamente. Era o oposto do que eu queria, já que estava tentando manter tudo em segredo.
Basicamente, eu queria usar essa festa como uma oportunidade para parabenizar o Patrick por alcançar o nível 99. Eu não tinha certeza do nível exato dele, já que fazia um tempo que não fazíamos uma avaliação, mas tinha quase certeza de que ele chegaria lá nos próximos meses. Achei que uma festa surpresa seria uma ótima maneira de agradecê-lo pelo meu anel e, como queria que ele ficasse tão surpreso quanto eu, queria muito que tudo fosse mantido em segredo até o último momento.
“O Patrick não pode saber”, enfatizei. “Eu mesma contarei a ele.”
“Certo…” disse Daemon lentamente, suspirando confuso. “Então, o que você queria me perguntar?”
“Hum, é sobre uma festa, ou tipo, um evento para comemorar alguma coisa…” eu disse em voz baixa. Eu tinha que ter cuidado — não sabia de onde Patrick poderia estar ouvindo.
Daemon ainda parecia perplexo com o que eu estava dizendo, pelo menos até ver minha mão esquerda. “Ah! Entendo”, disse ele, os olhos brilhando com compreensão e a voz adquirindo um tom de entusiasmo. “Comemorações são mais do que merecidas! Por favor, diga você mesma ao Sir Patrick, senhorita Yumiella.”
“Certo?”, eu disse, inclinando-me para a frente na cadeira. “Você acha que isso vai acontecer em breve?”
Eu estava na ponta da cadeira, me perguntando quando isso ia acontecer!
Por dentro, eu estava radiante. Daemon era um trabalhador habilidoso, então ele entendeu o que eu estava planejando sem que eu precisasse dizer quase nada. Era absolutamente incrível como ele conseguiu deduzir que eu estava preparando uma festa surpresa só de olhar para o anel que Patrick me deu! E ele ainda estava tão animado porque o Patrick chegaria ao nível 99… Ficou claro que eu estava certa ao pensar que alcançar o nível máximo era algo que deveria ser comemorado.
Para organizar meus pensamentos e confirmar o que precisávamos, decidi compartilhar minhas ideias com Daemon. “Primeiro, precisamos preparar um local, certo?”
Meu assistente assentiu com a cabeça. “Você gostaria de fazer isso no condado ou na capital real?”
“Aqui é melhor.”
“Entendido. Tenho certeza de que os moradores do condado também ficarão felizes.”
Será que vão? Fiquei pensando. Achei o sentimento um pouco estranho, mas decidi continuar com as minhas perguntas.
“Há mais alguma coisa que precise ser preparada?”
“Se for algo com que você tenha alguma preferência…” disse Daemon pensativamente. “Talvez o bolo?”
“Sim, com certeza vamos precisar de um bolo”, concordei.
Daemon assentiu com a cabeça. “Então prepararei um tão grande e extravagante quanto possível.”
Excelente! Eu pensei. Afinal, nenhuma celebração estaria completa sem bolo! Ah, eu nunca deveria ter duvidado de Daemon — é óbvio que estamos em total sintonia.
{ Yoru: Eu conto ou vocês contam…? | Moon: No final, tudo vai dar erradamente certo, então, simbora, eu acho?}
Agora, só faltava decidir quem convidar. As pessoas que trabalhavam na mansão Dolkness estavam definitivamente convidadas, então tudo o que eu precisava fazer era descobrir quem mais deveria vir.
“Quem você acha que devemos convidar?”, perguntei a Daemon.
“Bem, os pais de Sir Patrick, é claro, assim como Suas Majestades, o Rei e a Rainha.”
“O quê?! Até o rei?”
Daemon assentiu com a maior seriedade. “Claro, isto é uma cerimônia. Isso tem a ver com o futuro do reino.”
Chamar isso de cerimônia dá a impressão de ser algo grandioso, mas acho que é verdade que não há mais ninguém por perto que tenha chegado ao nível 99 além de mim. O rei não pode simplesmente ignorar Patrick quando ele está tão forte quanto eu… Parece que este evento vai se tornar uma grande repercussão.
Para ser sincera, as coisas não pareciam que iam acontecer exatamente como eu tinha imaginado, mas isso não me incomodou muito.
“Também precisaremos de roupas”, disse Daemon de repente. “Teremos um vestido maravilhoso preparado para você, senhorita Yumiella. Tenho certeza de que ficará linda.”
“Você quer que eu use um vestido?”
Daemon assentiu com a cabeça. “Você é a estrela do evento, então é natural.”
“Mas… não é o Patrick a estrela aqui?”
“Você também, senhorita Yumiella”, explicou Daemon. “Este será um evento para vocês dois.”
Certo, acho que também estou no nível 99… Daemon deve estar pensando em comemorar com Patrick. Deve ter sido daí que veio aquela sensação estranha que eu tive mais cedo. Mas será que eu realmente preciso usar um vestido? Eu não quero…
“O vestido é mesmo necessário?”, perguntei a Daemon, lançando-lhe o meu melhor olhar suplicante.
“Claro que sim!”, ele me repreendeu, frustrando minhas esperanças. “Este é um evento único na vida! Você não vai querer se arrepender no futuro.”
Quer dizer, chegar ao nível 99 é um evento único na vida, pensei, mas já faz um tempão que cheguei lá! Por que eu tenho que usar um vestido agora…?
Depois de refletir bastante, finalmente disse: “Não quero nada muito chamativo.”
“Acho que deveríamos optar por um vestido branco puro com muita renda”, disse Daemon, com uma estranha intensidade no rosto. “Pode ser um pouco chamativo, mas acredito que sua pureza angelical compensará isso.”
Branco?! O Daemon acabou de dizer um vestido branco?! Se eu usar branco, então… vou ter que tomar muito cuidado para não derramar comida! Nem vou conseguir comer direito porque vou ficar preocupada demais em manchar o vestido. Bom, talvez o bolo seja tão branco quanto o vestido. Aí eu provavelmente poderia derramar algumas migalhas e ainda assim não teria problema. Só vou ter que tomar cuidado com comidas que mancham, tipo espaguete ou udon com curry. Ah, e espera aí… será que vamos precisar de faixas dizendo que somos as estrelas do evento?! O Patrick talvez não goste disso, então talvez seja melhor esperar um pouco…
Enquanto meus pensamentos continuavam a divagar, Daemon começou a lacrimejar. “Eu estava preocupado com quando isso aconteceria”, disse ele, com a voz embargada. “Mas agora estou verdadeiramente radiante de alegria.”
Lancei-lhe um olhar de soslaio. “Será que é mesmo motivo para tanta alegria?”
“Sim!”, insistiu ele. “Agora a família Dolkness ficará mais estável e continuará a prosperar. Esse anel também fica muito bem em você.”
Fazia sentido que as coisas se estabilizassem mais com duas pessoas no nível 99, mas duas era pouco. Seria ótimo se mais pessoas descobrissem as maravilhas de subir de nível. Já que ele estava ali na minha frente, eu poderia começar com o Daemon. Ele era um pouco mais velho, mas a idade não importava quando se tratava de subir de nível.
“Talvez você seja o próximo, depois de Patrick e eu”, disse pensativamente.
Daemon recuou. “O quê? O meu não foi tão grandioso, mas aconteceu há muito tempo…”
Espera aí, o Daemon está no nível 99?!
“O quê?! Sério?!” Gritei de volta, chocada.
“Sim”, disse ele, assentindo com a cabeça. “Tenho uma esposa que me apoia nos bastidores, então estou bastante satisfeito com o que já conquistei.”
Ah, entendi. Eu pensei. Ele só quis dizer que estava feliz no nível atual. Acho que, considerando o trabalho dele, ele não precisa necessariamente subir muito de nível. Mas, mudando de assunto, por que ele está se gabando da esposa de repente…?
Eu queria voltar a preencher os detalhes do plano, mas Daemon se recusou a me deixar ajudar mais. Ele me disse, com firmeza, para deixar o resto com ele.
“Avisarei todos os empregados imediatamente e começaremos os preparativos”, concluiu.
“Obrigada. Gostaria de avisar o Patrick pessoalmente, então—”
“Vamos impor uma ordem de silêncio. Tenho certeza de que, se explicarmos a situação, todos irão cooperar.”
Assenti com a cabeça em sinal de aprovação. “Quanto ao prazo… acho que em cerca de seis meses seria bom?”
“Isso seria por volta do inverno, então”, disse Daemon pensativamente. “Acho que o período após o Festival da Fundação seria perfeito.”
Inclinei a cabeça mais uma vez para agradecê-lo, e nossa conversa sobre a festa para comemorar o Patrick ter chegado ao nível 99 chegou ao fim. Naquele dia, Daemon e eu achávamos que estávamos em sintonia, discutindo o mesmo evento — disso não havia dúvida, pelo menos.
Resenha do Tradutor e Revisores
Yoru: Rapaz… esse capítulo foi de zero a cem a zero a cem muitas vezes e muito rápido kkkkkkkkkkkk. Primeiro descobrimos que o Patrick já está quase na linha de chegada do nível 99 e com isso tivemos algumas demonstrações de poder dele. Além disso, descobrimos que a Yumiella pode ficar bêbada, e como ela fica quando está bêbada. E então, mais um mal entendido GIGANTE se formou. Espero que estejam tão ansiosos quanto eu para o próximo capítulo, que pelo visto vai ser CINEMA!!! Enfim, vejo vocês lá! :)
DelValle: Gente… que capítulo CINEMA, tava mó na preguicinha de revisar isso aqui devido as 57 páginas, mas uwou… passaram tão lisas, que delícia de cap, como um apreciador nato do romance, eu gostei. Os 2 são uns fofos, né não? Apesar das confusões da Yumiella kkkkkk, há um charme nisso e a autora sabe fazer divertir hahahhah. Mas é, flws galera!
Moonlak: Maaaar rapazzz, eu não esperava isso, EU NÃO ESPERAVA ISSO… Tô a todo momento como inspira, expira… Mas gente, que capítulo maravilhoso, simplesmente Yumiella como akakak FAZENDO A BOA SEM TER NOÇÃO NENHUMA akakakz. Na birra dela eu tive que até pausar de tamanha vergonha, tadinha, mas agora, no final com o anel e o Daemon… SO-COR-RO!! Que coisa.. Enfim, forças ao guerreiro Patrick e é isso ai, até o próximo capítulo, bye byeeee
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