Vol 2
Capítulo 12
A Chefe Secreta Visita A Família Do Noivo
Já haviam se passado dois meses desde minha chegada ao Condado de Dolkness. As reformas em todo o condado, lideradas por Daemon, estavam progredindo sem problemas e, apesar de achar que não seria de nenhuma utilidade, acabei sendo de grande ajuda nos esforços de construção, atuando como uma espécie de máquina pesada ambulante. Recentemente, eu ajudei a cavar uma passagem de água. Mas, para ser sincera, eu exagerei um pouco… Acabou virando mais um canal do que apenas uma passagem. Mesmo assim, provavelmente é melhor do que ser pequeno demais, não é...?
O condado também estava indo bem financeiramente agora, graças às nossas frequentes incursões em masmorras, minhas e de Patrick, e estávamos prestes a quitar totalmente a dívida existente. O nível de Patrick também vinha aumentando por causa de todas as nossas explorações de masmorras, então era praticamente como matar dois coelhos com uma cajadada só. Eu tinha que admitir, ele tinha ficado muito forte.
Além disso, tínhamos trabalhado na recuperação de algumas estradas e lidado com diversos extermínios de monstros, mas essas eram tarefas obrigatórias em qualquer território. Isso significava que tínhamos evoluído de um condado ruim para um condado normal, o que também significava que era hora de passar para a próxima etapa: mostrar o charme local do Condado de Dolkness. Afinal, não podíamos continuar dependendo de masmorras para financiar o condado para sempre; precisávamos encontrar outra fonte de renda para sustentá-lo no futuro. O problema era que o Condado de Dolkness não tinha nenhum produto especial em particular e parecia não ter recursos úteis. Era apenas uma área sem graça, composta por planícies e montanhas.
Por isso, naquele momento, eu estava no escritório de Daemon, discutindo qual rumo daríamos ao condado. “A maior parte do condado cultiva cevada, certo?”, perguntei a ele. “E se mudássemos para uma cultura comercial como o algodão?”
“Bem, o algodão é a principal cultura dos nossos vizinhos no Condado de Cottoness. Outras culturas que poderiam ser uma opção para nós seriam folhas de chá ou vários tipos de frutas, mas essas levam tempo para se tornarem uma fonte de renda estável.”
{Del: Cottoness é ossada fácil kkkkkk. | Moon: Pérolas kkkkkk}
“Não acho que precise ser lucrativo imediatamente…”, disse pensativamente. “E mesmo que nos aventurássemos nesse tipo de cultivo, não temos nenhuma garantia de que conseguiríamos superar as vendas dos fornecedores atuais.”
“É verdade”, concordou Daemon. “Duvido que consigamos vender mais do que produtos especializados que já estão consolidados em determinadas áreas há muitos anos. Principalmente quando se trata de produtos premium que agregam valor por conta de sua origem.”
Então precisamos de uma marca, Eu decidi. Não que eu entenda alguma coisa de construção de marca. Vai ser ainda mais difícil, já que temos que começar do zero.
Entrei nisso pensando que talvez pudesse usar o conhecimento que adquiri na minha vida anterior, mas descobri que as coisas não eram tão fáceis. O mundo de LMH era semelhante à Europa medieval, o que significava que o padrão de vida era bastante elevado. Coisas como açúcar e especiarias eram facilmente encontradas, e a cultura alimentar era avançada.
“Seria ótimo se pudéssemos fazer algo que nenhum outro setor estivesse fazendo…” murmurei.
“Com todas as ideias inovadoras que você tem, acredito na sua capacidade de ter uma boa ideia, senhorita Yumiella”, disse Daemon, com os olhos esperançosos.
Ainda assim, apesar da clara confiança que ele depositava em mim, eu não conseguia pensar em nada.
Hum… Refleti. Em que sou boa? O que só eu consigo fazer…? Um longo momento se passou. As únicas coisas que me vêm à mente estão relacionadas a combate…
“Que tal atrair as pessoas com nossa masmorra, como em Valius?”
“A masmorra, hmm? Bem, não é minha área de especialização, mas nossa masmorra do elemento Sombrio dá a impressão de ser bastante perigosa…”
“Ah, sim, você tem razão. É um elemento contra o qual a maioria das pessoas não terá vantagem.”
Bom, parece que a masmorra não presta. Então, em que mais eu sou boa…? Em ganhar experiência?
“Talvez pudéssemos ajudar os soldados a ganhar experiência e fundar uma companhia independente?”, propus. “Não, espera, isso não daria certo.”
Daemon levou a mão ao queixo, pensativo. “Não seria? Acho que correria bem se você os liderasse, senhorita Yumiella.”
Esse é exatamente o problema, Daemon! Eu pensei. As pessoas já estão bastante assustadas com o meu poder. Isso só vai piorar se eu acabar com um exército à minha disposição.
{Moon: Isso seria engraçado kkkkk.}
“Hum… Vou pedir a opinião do Patrick também”, eu disse ao meu deputado.
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Depois de sair do escritório de Daemon, vaguei pela mansão à procura de Patrick. Encontrei-o rapidamente — ele estava parado na entrada, acabando de voltar.
Isso é meio estranho. Eu pensei. Ele não mencionou que ia embora, e agora está voltando com uma espada…?
Deixei isso de lado e me aproximei dele. “Bem-vindo de volta”, eu disse. “Onde você foi?”
“Ah, acabei de participar do treinamento dos soldados. Eles são muito mais habilidosos do que eu esperava.”
Ao falar em “treinamento de soldados”, Patrick se referia ao treinamento do exército particular contratado pela família Dolkness. Embora devessem estar presentes para manter a ordem pública e exterminar monstros, na realidade eram terrivelmente fracos. A última vez que ouvi falar deles, a maioria dos nossos soldados estava por volta do nível 10. Para deixar claro, eu não tinha a intenção de transformá-los em um exército invencível. Eu apenas achava problemático que as pessoas que deveriam zelar pela segurança do nosso povo fossem tão pouco confiáveis.
“Devo participar e ajudar daqui para frente?”, ofereci.
Patrick balançou a cabeça. “Não se meta com eles. Em hipótese alguma. Alguém pode morrer se as coisas piorarem.”
Isso é um pouco exagerado, não acha? Pensei, indignada. Eu simplesmente os levaria para uma masmorra e usaria minha flauta de invocação de monstros! Preferiria que entrassem um por um, mas isso talvez seja um pouco extremo.
Ao ver minha expressão de insatisfação, Patrick suspirou. “De qualquer forma, você estava me procurando, não é? Deve ter algo que queria me perguntar.”
“Ah, é verdade, quase me esqueci”, percebi. “Quero saber sua opinião sobre algumas mudanças que estamos implementando no condado.”
Começamos a voltar para o escritório de Daemon, continuando nossa conversa pelo caminho. Expliquei a ele o problema que estávamos discutindo e pedi seu conselho. Imaginei que, sendo filho de um marquês, Patrick certamente teria algum conhecimento adquirido ao longo dos anos sobre administração territorial.
“E quanto à Marca de Ashbatten?”, perguntei finalmente. “Eles se especializam em alguma coisa?”
“Nós?”, disse Patrick pensativo. “Não acho que tenhamos nada em particular. Nem sequer temos algo que possamos chamar de produto especializado.”
“O quê? E a marca está indo bem?”
Patrick deu de ombros. “Bem, a situação lá é bem diferente da sua aqui no condado. Nossa marca recebe financiamento do reino como pagamento pela proteção de suas fronteiras. Além disso, os tamanhos da Marca de Ashbatten e do Condado de Dolkness são em escalas totalmente diferentes.”
Entendo, pensei. Assim, a função de uma marca é fundamentalmente diferente da de um condado, uma vez que partilha uma fronteira com outro reino.
Mas esse conhecimento só me deixou com a mesma pergunta de antes. Se os Ashbattens priorizaram a defesa da fronteira do reino contra invasores, o que deveríamos priorizar aqui em Dolkness? Deveríamos nos concentrar apenas em ter um condado próspero no geral? Isso levaria a um aumento na arrecadação de impostos, no mínimo.
Quanto à questão das “escalas diferentes” que Patrick mencionou, ele provavelmente se referia ao fato de o Condado de Dolkness ter uma composição territorial diferente da Marca de Ashbatten. Mais especificamente, ele se referia à quantidade de terra arável em cada território.
No condado de Dolkness, onde não havia outras indústrias além da agricultura, o tamanho das fazendas estava diretamente relacionado à população da área circundante. Em outras palavras, se houvesse terras férteis não utilizadas, poderíamos usá-las para aumentar a produção de alimentos, o que aumentaria nossa população, o que aumentaria a arrecadação de impostos…
Nesse instante, uma ideia genial me ocorreu. E o momento era perfeito: tínhamos acabado de chegar ao escritório de Daemon. Animada, decidi apresentar minha ideia aos dois assim que entrasse.
“Já sei!”, proclamei em voz alta, arrombando a porta. “Só precisamos aumentar o tamanho do condado!”
“Nada de invasões”, repreendeu Patrick.
“Não foi isso que eu quis dizer!”, respondi bruscamente.
Nossa, por que o primeiro pensamento dele é algo tão violento...?
{Moon: Por que será??!}
“Estou dizendo que devemos aumentar a quantidade de terras agrícolas que temos! Dessa forma, nossa população aumentaria e, consequentemente, nossa arrecadação de impostos também! Todos sairiam ganhando!”
“Cultivar terras agrícolas, hum? Não fazemos isso há algumas décadas…” disse Daemon lentamente.
Ele não pareceu muito interessado na ideia, mas eu não me importei — eu esperava que a reação dele fosse parecida com essa.
“Espere, você não queria diferenciar o Condado de Dolkness de outros lugares?”, perguntou Patrick. “Tenho quase certeza de que outros lugares também desenvolvem suas terras.”
“Mas… eles não viram muitos resultados, não é?” perguntei, tremendo por dentro de tanta empolgação.
Os dois homens pareciam pensativos. “Bem… se você observar o reino inteiro, há um ligeiro aumento na população e na produção de alimentos, mas não houve mudanças significativas.”
Exatamente como eu pensava!
O Reino de Valschein tinha um histórico de uso agrícola. A terra foi cultivada por pelo menos algumas centenas de anos após a fundação do reino e, se estivermos falando de um período anterior, provavelmente foi utilizada por humanos por milhares de anos. Dito isso, toda a terra que poderia ser usada para a agricultura provavelmente já havia sido cultivada. Isso deixa apenas terras áridas, cadeias de montanhas e áreas onde monstros apareciam como os únicos lugares disponíveis para desenvolvimento.
É claro que todos esses ambientes eram bastante inabitáveis. E mesmo que você investisse muito tempo e dinheiro para desenvolver essas terras, provavelmente não haveria muito retorno sobre o investimento. Mas... e se você tivesse o poder de mudar o terreno num instante? Sabe, como o tipo de poder que eu tenho?
“É por isso que vamos arrasar o condado inteiro com a minha força de Yumiella!”, proclamei triunfante. “Vou me livrar das montanhas, preencher os vales e erradicar os monstros!”
Na minha opinião, era uma lógica completamente irrefutável. Eu era boa em nivelar terrenos — com minha força física e magia, eu nem precisaria de dinamite ou picareta.
“Você está falando sério? Você está brincando, né?”, disse Patrick com uma expressão de dor.
“Talvez eu tenha exagerado um pouco, mas a essência é essa.”
Bem, talvez dizer que eu arrasaria o condado inteiro tenha sido um pouco exagerado. Obviamente, sei que o meio ambiente ficaria completamente devastado se eu fizesse isso.
Se eu realmente fosse tão longe, os rios parariam de correr devido à falta de diferença de altitude, e a quantidade de água disponível nos rios seria limitada. Além disso, havia alguns lugares onde monstros surgiriam indefinidamente, não importando quantos eu eliminasse. Mesmo assim, isso não significava que meu plano fosse ruim. Só precisávamos escolher um lugar que tivesse sido deixado intocado por ser trabalhoso ou por falta de verba para desenvolvê-lo, e eu cuidaria do resto. Se fizéssemos tudo certo, aquele lugar poderia se tornar um verdadeiro celeiro para o condado.
“Baseando-me apenas na possibilidade… eu acho que é possível”, disse Daemon, aparentemente ainda não totalmente convencido.
“Não é? É à prova de falhas!”
“É uma ideia bem… ao estilo da Yumiella, eu acho”, disse Patrick, com um leve sorriso.
Com certeza! Pensei, meus lábios arqueando um pouco.
Para ser sincera, embora sempre tenha considerado minhas opções, parecia que eu estava destinada a resolver as coisas na base da força bruta. Pelo menos, era assim que eu tinha lidado com as coisas até agora.
Quebrar a cabeça para ter ideias é para os fracos, os fortes se viram mesmo sem sabedoria! Hahaha!
“O que faremos em relação aos moradores?”, perguntou Daemon, como se tivesse acabado de ter uma ideia. “Mesmo que construamos uma nova vila, precisaremos recrutar moradores para viver lá.”
“Ah…” eu disse, murchando um pouco.
Eu poderia facilmente conseguir terras para nós e reunir os fundos necessários nas masmorras, mas pessoas eram algo que eu não podia fornecer. De repente, meu plano parecia cheio de falhas. Mesmo assim, me apeguei à minha teimosia, continuando a tentar pensar em soluções.
“Será que poderíamos… recrutar pessoas de outras aldeias?”
“Duvido muito”, disse Patrick, acabando imediatamente com minhas expectativas. “Não acho que nenhuma das aldeias tenha gente a mais. Também já ouvi histórias de aldeias que se dividiram porque outras aldeias estavam reunindo moradores.”
Voltei a mergulhar em pensamentos. Será que existem nômades vagando por aí em busca de um lugar para se estabelecer? O Condado de Dolkness poderia ser a terra prometida deles!
Incentivada por essa nova ideia, perguntei: “E se trouxéssemos pessoas de outras áreas? Tenho certeza de que existem lugares sem terra suficiente.”
Uma expressão de pensamento surgiu no rosto de Daemon. “Bem, tenho certeza de que encontraríamos alguns se procurássemos. O único problema é que quem administra aquele domínio não ficará muito contente com a nossa presença. Não que alguém fosse reclamar na sua frente.”
“Ah, mas eu não quero causar problemas com mais ninguém… Além disso, isso soa quase como se eu estivesse ameaçando-os para que cumprissem.”
Não era muito educado comparar pessoas a objetos, mas para alguém que administrava um domínio, eu sabia que tanto suas terras quanto seus habitantes eram seus principais bens. Sendo assim, seria natural ficar insatisfeito com alguém que se apropriasse desses bens sem permissão. Dito isso, parecia que outra das minhas ideias estava descartada. Eu não queria agir de uma forma que levasse alguém a ser forçado a ceder por causa da ameaça iminente da minha força.
Eu resmunguei. “Este é realmente um assunto complicado. Acho que tudo o que podemos fazer agora é expandir as aldeias existentes.”
Os dois homens pareceram concordar. “Sim, acho que as aldeias atuais não estão totalmente povoadas, então com um pouco de trabalho devemos obter bons resultados.”
Assim, no fim, decidimos simplesmente nos concentrar na expansão das aldeias existentes e na melhoria das áreas circundantes. Não mudaria muita coisa, mas imaginei que seria um começo.
Suspirei. Parece que não vou conseguir achatar o mundo tão cedo...
{Del: Terra plana by Yumiella não confirmado? Triste… | Moon: Quem sabe dia…}
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Após concluirmos nossa discussão inicial, decidimos fazer um pequeno balanço, já que nós três estávamos reunidos. Assim, compartilhamos algumas informações, como o progresso de cada um em determinadas tarefas, e assim por diante.
“O condado foi revitalizado a tal ponto que está irreconhecível em comparação com seu estado anterior”, disse Daemon, compartilhando a boa notícia. “Parece que até mesmo nosso setor de hotelaria está indo bem.”
“Por que?”, perguntei.
“Bem, convidamos profissionais da construção civil para trabalhar em projetos de obras públicas e contratamos mão de obra extra de outras áreas. Isso resultou na vinda de comerciantes para cá também, na esperança de vender para esses trabalhadores. O aumento temporário de pessoas também levou a um aumento no consumo no setor de hotelaria, principalmente no que diz respeito ao aluguel de acomodações.”
Entendi, pensei. Parece que foi uma boa ideia injetar dinheiro em vários setores. Com capital suficiente circulando para impulsionar diversas indústrias, parece que estamos começando a desenvolver uma economia de verdade. Não que eu entenda alguma coisa de economia…
“Então, acho que o próximo passo é fazer com que essas pessoas gastem mais dinheiro”, eu disse, sem dar muita importância ao assunto.
Os olhos de Daemon se arregalaram. “A senhorita estudou para se tornar uma oficial de alta patente, senhorita Yumiella?”
Olhei para ele com uma expressão confusa. Por que ele está tão surpreso com uma ideia tão simples? Ele pensa que eu sou tão estúpida assim…?
Com um suspiro de desaprovação, afastei esses pensamentos. Pensar em maneiras de aumentar os gastos era mais interessante de qualquer forma.
Hum… tenho certeza de que já vendem comida, mas me pergunto se poderíamos fazer algo relacionado ao turismo. Seria ótimo se as pessoas pudessem comprar lembrancinhas depois de visitarem nosso condado.
Virei-me para Daemon. “Há algum item à venda como presente no Condado de Dolkness?”
“Vamos ver…” ele murmurou em resposta. “Existem alguns trabalhos em madeira, mas não é uma indústria tão grande. Para ser sincero, não temos muitos turistas. Mas acho que isso vai mudar se criarmos algum tipo de produto especial que só esteja disponível aqui.”
Presentes… Refleti, relembrando as viagens que fiz em minha vida passada. Que tipo de presentes eu comprei.? Talvez… katanas de madeira?
“Katan… quer dizer, espadas de madeira talvez sejam uma boa opção.”
“Espadas de madeira?”, repetiu Daemon, em tom de dúvida.
“Com certeza vão vender”, insisti. “Eu compraria uma.”
“Tem certeza?”, perguntou Patrick. “Tenho quase certeza de que você seria a única que compraria.”
{Yoru: Eu compraria. | Del: Eu também. | Moon: Take my money!}
Isso simplesmente não era verdade. Quando fui a uma excursão escolar com a minha turma do ensino fundamental, metade dos meus colegas comprou katanas de madeira. É claro que eu também comprei uma. Pelo que me lembro, a turma era composta por dezenove meninos e vinte e uma meninas, e uma das minhas amigas com quem eu dividia o quarto me implorou para não comprar a katana, pois achava que seria constrangedor. Mesmo assim, não consegui resistir. Afinal, quem não compraria uma espada com um nome tão legal quanto “A Lâmina do Tigre Branco”?
Eu também comprei uma katana de madeira na viagem da minha escola. Menos colegas tinham comprado na época, mas curiosamente, a mesma amiga que tinha reclamado comigo antes comprou uma para si mesma, como se o aviso anterior nunca tivesse existido. Aparentemente, ela tinha desejado uma, afinal. Embora eu tenha achado estranho o “Lago Touya” gravado no cabo.
Quando entrei no ensino médio, já tinha deixado para trás a fase de comprar katanas de madeira. Em vez disso, gastei quase toda a minha mesada para comprar uma réplica de katana. A mesma amiga de antes tinha zombado de mim, mas quando entramos na faculdade, ela se convenceu e entendeu o quão boas eram as espadas japonesas. Ela me disse que se arrependia de não ter comprado uma réplica da espada de Toshizo Hijikata, a Izuminokami Kanesada, naquela época, e que isso não tinha nada a ver com ela ter se tornado fã do Shinsengumi.
{Yoru: Coloquei explicações sobre os dois parágrafos no fim do capítulo.}
“Hum, ei, Yumiella? Terra chamando Yumiella…”
Voltei a mim com um pequeno sobressalto. “Ah, desculpe, me perdi um pouco nos meus pensamentos. Estava pensando no passado.”
A ideia das katanas de madeira parecia tão nostálgica que acabei relembrando memórias sem relação alguma com o assunto. Mesmo assim, eu não tinha a menor dúvida de que, se as fabricássemos, elas venderiam muito.
Como Patrick pareceu se opor à minha ideia, decidi focar em Daemon. “Patrick não parece muito interessado, mas você compraria uma, não é, Daemon?”, perguntei a ele.
Ele resmungou. “Desculpe, senhorita Yumiella, mas acho que não compraria uma espada de madeira como turista.”
Ele está mentindo… isso é impossível! Ou talvez nenhum dos dois seja do tipo que compra presentes?
“Bem, que tal um chaveiro?”, sugeri. “Talvez um com um dragão enrolado em uma espada?”
“Desculpe, o que você disse...?”
“Uma… decoração, com um dragão enrolado numa espada!”, eu disse, tentando transmitir o tamanho do objeto que estava descrevendo com as mãos.
Isso sim é algo que todo mundo gostaria. Tem aquelas com duas lâminas que se combinam, ou aquelas em que você pode embainhar a espada… Algumas são tão detalhadas, é incrível! Eu sempre adorei, mas não consigo me lembrar do nome...
Tentei desesperadamente explicar o objeto, mas nem Patrick nem Daemon pareciam entender a grandiosidade de um chaveiro com um dragão enrolado na espada.
“Vocês não compram nenhum presente quando visitam algum lugar?”, perguntei finalmente, já farta.
“Compro coisas como guloseimas que não estragam facilmente e peças de tecido interessantes”, disse Patrick.
“Ah, eu também teria interesse nesse tipo de item”, acrescentou Daemon.
O que há de errado com esses dois? Eles têm os hábitos de compra de senhoras idosas em um passeio turístico!
“As espadas com certeza venderiam…” murmurei.
“Mas é só uma espada de madeira comum, não é?” perguntou Patrick, perplexo. “Você pode comprar uma dessas em qualquer lugar. Você poderia até fazer uma você mesmo!”
{Yoru: Ter uma espada de madeira na era contemporânea é uma coisa, mas na idade média que todo mundo tem que saber usar espada é outra coisa kkkk. | Moon: Yumi-chan, só esqueceu de considerar a época akakak}
“Você não entende”, murmurei, mal conseguindo conter um bico. “Elas têm inscrições nas alças… é simplesmente especial!”
“Certo… Que tipo de inscrições?” perguntou Patrick.
“Hum, tipo o nome da região ou de pessoas importantes daquele lugar?”
Pensando bem, o que você inscreveria em uma katana de madeira feita no Condado de Dolkness? Fiquei pensando. Não conheço ninguém especial daqui… e se for o nome da região, seria simplesmente Dolkness. Existem muitas outras áreas no condado, mas não são famosas.
“Sabe, eu acho que uma espada pareceria bem poderosa se tivesse a inscrição ‘Dolkness’ nela”, disse Daemon após pensar por um momento.
“Não é verdade? Não é mesmo?!”
Para ser sincera, fiquei meio constrangida ao pensar em vender uma espada com meu próprio nome gravado, mas era um pequeno sacrifício a se fazer para conseguir o que eu queria. E, se tudo mais falhasse, eu sempre poderia dizer que era apenas o nome da região.
“Que tal escreverem isso em conjuntos de louç-”
“De jeito nenhum”, interrompi, parando Daemon rapidamente.
Louça com meu nome gravado parece coisa de lembrancinha de casamento. Definitivamente, não vai acontecer.
No fim, minha ideia de uma espada de madeira foi escolhida, finalmente recebendo a glória que merecia. Também produziríamos o chaveiro com o dragão enrolado na espada. Patrick e Daemon ainda não pareciam muito entusiasmados com a ideia, mas acabaram concordando. Embora não tivessem dito nada, eu sabia que esperavam que meu plano falhasse — provavelmente só o tinham escolhido por causa do baixo custo de produção.
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Algumas semanas depois, chegou o dia em que as espadas de madeira seriam colocadas à venda. Em preparação para esse dia, alguns exemplares foram criados sob minha supervisão, e organizamos tudo para que fossem vendidos na Vila Dolkness. Eu não esperava que muitos fossem vendidos imediatamente, mas ficaria feliz se ao menos dez fossem vendidos.
Por isso, já tarde da noite do primeiro dia em que as espadas estavam disponíveis para compra, fiquei acordada esperando os relatórios de vendas.
Quando eu já estava prestes a explodir, Daemon entrou no escritório onde eu estava sentada.
“Estava esperando, senhorita Yumiella?”, perguntou ele. “Pensei que compartilharia o relatório com a senhorita amanhã de manhã.”
“Eu não consegui esperar. Como estão as vendas?”
Meu coração estava acelerado. Se eu ia passar por tanta agonia, devia ter vendido eu mesma na loja!
“Bem, acabei de receber um relatório do dono da loja”, disse Daemon, sorrindo alegremente.
Isso significa que há boas notícias?!
“Aparentemente, conseguimos vender uma espada!”
“U-Uma…?”
“Sim, e era a mais cara, aquela pintada de preto”, respondeu Daemon. “Estou surpreso que alguém pagaria um preço tão alto por uma espada de madeira.”
“Uma daquelas que foi pintada de preto…?”
“Sim, aparentemente a pessoa que comprou era um sujeito encapuzado suspeito. Talvez estivesse com vergonha de comprar”, brincou Daemon.
Meu humor desmoronou instantaneamente ao ouvir que as vendas tinham ficado muito aquém até mesmo das minhas expectativas mínimas. Mesmo assim, Daemon riu e disse que não havia nada com que se preocupar.
“Para lhe dizer a verdade”, continuou ele, “eu não achava que sequer uma única espada fosse vendida. Parece que existem algumas pessoas por aí que têm o mesmo tipo de gosto que você, senhorita Yumiella. Também informarei ao Sir Patrick sobre os resultados.”
“Não precisa disso”, resmunguei. “Obrigada, vou para a cama agora.”
“Muito bem, boa noite.”
Arrastei os pés até meu quarto, talvez parecendo ainda mais abatida do que o normal. Relutantemente, olhei para o canto do meu quarto, onde repousava uma solitária espada de madeira preta.
Basta dizer que eu não havia recebido nenhuma amostra.
“É um zero redondo!”, gritei.
Empurrei a espada de madeira que havia comprado disfarçadamente mais cedo naquele dia para debaixo da minha cama e depois subi em cima dela.
“Espero que amanhã elas comecem a sumir das prateleiras…” murmurei para mim mesma, suspirando.
Fechei os olhos, me desligando da realidade e mergulhando de volta no mundo dos meus sonhos.
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O tempo voou e, quando me dei conta, já haviam se passado três meses desde minha chegada ao Condado de Dolkness. As coisas finalmente estavam começando a se acalmar, o que significava que Patrick finalmente poderia visitar sua família. Ao contrário de mim, Patrick tinha um bom relacionamento com os pais, então eu realmente queria que ele pudesse passar um tempo com eles. Principalmente porque ele não os via desde que se formou na Academia.
Ele mantém contato com eles por meio de cartas, pelo menos. Eu pensei. Ainda assim, isso não é lá grande coisa.
Levantei os olhos das cartas que estava escrevendo, as quais planejava enviar aos proprietários de terras adjacentes ao Condado de Dolkness, numa tentativa de demonstrar o quanto eu ansiava por construir um relacionamento com eles como vizinhos. Virando-me para poder ver Daemon, disse hesitante: “Vamos ficar bem sem o Patrick por perto... não é?”
Daemon olhou para mim atentamente e respondeu: “Para ser honesto, tenho algumas preocupações. Mas não acho que haverá problemas.”
Será que… o problema sou eu?
Encarei Daemon com a mesma intensidade, o que o fez desviar o olhar em pânico.
“Falando em Sir Patrick”, disse ele apressadamente, “quando vocês dois estão pensando em realizar a cerimônia?”
“Que cerimônia?”
“Sua cerimônia de casamento”, disse Daemon, como se fosse a coisa mais natural do mundo. “Precisamos fazer uma grande celebração.”
“Nossa o quê?!” gritei, sua declaração inesperada fazendo minha voz sair num guincho agudo involuntário.
Ele acha que eu e o Patrick vamos ter um “casamento”? Tipo, aquelas cerimônias em que as pessoas se casam? Aquelas em que você “cria laços”? Esse tipo de casamento?! Respirei fundo, com a voz trêmula. Talvez eu tenha entendido errado. Ele poderia simplesmente ter dito que precisavam caçar, não é? Quer dizer, eu nem pensei em me casar! É muito cedo — eu precisaria de pelo menos dez anos para descobrir o momento certo. Além disso... Patrick e eu somos mesmo um casal? Quer dizer, o que é um casal, afinal? O que é um casamento? O que… é o amor…?
{Yoru: what is love? Baby don’t hurt me… | Moon: …no moreeee!!!}
Ao refletir sobre os últimos três meses, Patrick e eu não tivemos sequer um momento de carinho juntos. Se eu levasse isso em consideração ao analisar nosso relacionamento... provavelmente éramos apenas amigos. E se isso fosse verdade, eu precisava urgentemente dar uma lição em Daemon.
“Patrick e eu não somos necessariamente um casal…” eu disse ao meu assistente em voz baixa. “Nem disse nada sobre estarmos juntos.”
Daemon franziu a testa, confuso. “E, no entanto, Sir Patrick definitivamente me disse que você era.”
“Sério?!” Endireitei-me na cadeira, uma sensação de euforia me invadindo. “Vou ir até o Patrick!”
Deixando um Daemon perplexo para trás, saí correndo do escritório em busca do meu namorado recém-aprovado. É isso aí! Status de casal: confirmado! Se o Patrick está dizendo que somos um casal, então deve ser verdade — agora não depende mais de mim.
{Moon: Sério amiga? Cê’ jura???}
<==<>==<>==<>==>
Depois de vaguear um pouco pelos corredores, encontrei Patrick conversando alegremente com alguns dos criados.
“Hum, Patrick?” interrompi. “Tenho algo que quero te perguntar...”
O som da minha voz fez com que os criados se calassem abruptamente. Viraram-se, fizeram-me breves reverências e voltaram correndo ao trabalho.
Suspirei por dentro. Não precisam fugir de mim tão abertamente… pensei. Isso meio que magoa meus sentimentos…
“N-Não se preocupe”, gaguejou Patrick, claramente percebendo meu mau humor. “Você pode conhecê-los melhor com o tempo.”
As palavras não trouxeram muito consolo, vindas de alguém com quem eles tinham se dado tão bem.
“Esta é a minha casa, certo?” perguntei. “Se for verdade, por que você parece estar mais à vontade aqui do que eu?”
“De qualquer forma, isso não é tão ruim assim, né?” disse Patrick, dando de ombros. “Quer dizer, eventualmente esta casa também será a minha casa.”
“S-Sim…” eu disse, sentindo meus lábios repentinamente dormentes.
Como ele conseguiu pegar minha provocação e transformá-la num ataque surpresa desses? Será que fez de propósito…? Ou talvez ele só soubesse que dizer algo assim me acalmaria…?
“Enfim, o que você queria me perguntar?”, perguntou Patrick, me tirando dos meus pensamentos. “Você quer conversar sobre isso no escritório?”
“Hum… Não, meu quarto seria melhor”, decidi.
Pelos meus cálculos, Daemon provavelmente ainda estaria no escritório se fôssemos conversar lá, e se fôssemos discutir a natureza do nosso relacionamento, provavelmente seria melhor fazer isso sem a presença de mais ninguém.
Decidido isso, fomos para o meu quarto, um silêncio se instalando entre nós. Quando a porta se fechou, eu já não conseguia mais esperar.
“Há algo que quero esclarecer com você”, eu disse, interrompendo sem rodeios. “Até agora, ficou meio ambíguo, mas… você e eu somos…”
Você e eu somos um casal? As palavras pairavam na ponta da minha língua, mas eu não conseguia fazê-las sair de jeito nenhum. Isso é muito mais constrangedor do que eu imaginava… Reclamei por dentro. Não admira que tenhamos mantido as coisas tão vagas durante todo esse tempo.
Ainda assim, eu precisava fazer isso. Me preparei psicologicamente, analisando como deveria conduzir a conversa.
Bem, primeiro, o termo “casal” é constrangedor demais para usar. Quer dizer, em japonês, o kanji é quase igual a “esquisito”. Ugh, por que uma palavra tão boba tem tanto poder?!
{Yoru: o kanji para “casal” é 恋人 enquanto o de “esquisito” é 変人 }
“Nós somos o quê?” perguntou Patrick, claramente impaciente por me ver parada ali, congelada, incapaz de terminar a frase.
“Aquela… coisa, sabe, é meio parecido com a palavra ‘esquisito’...”, murmurei.
A chance de Patrick entender aquilo era zero. Quer dizer, kanji nem existia no mundo de LMH! Mesmo assim… eu acreditava nele.
“Nós somos… esquisitos…?” Patrick repetiu. “Eu não acho que eu seja esquisito.”
Meu coração afundou. Nada do que eu tentava transmitir havia chegado até ele. Além disso… Tudo bem você não ter entendido o que eu quis dizer, Patrick, mas por que você não disse que eu também não era esquisita?!
Enfim, eu tinha coisas mais importantes em que pensar. Ou seja, como eu iria seguir em frente a partir dali.
Existe outra palavra que eu possa usar para casal? Tipo… namorados? Eu tremi. Não, não, isso é ainda mais constrangedor. O que mais poderia ser… talvez, noivo? Acho que eu poderia dizer noivo. E, como somos aristocratas, tecnicamente nosso relacionamento não está tão longe de ser um acordo formal decidido por nossos pais! Senti um alívio enorme — gostei da ideia. Desculpem por usar a palavra de vocês, casais noivos do mundo!
“N-Não, eu quis dizer… Patrick, você é meu noivo, certo? Estamos noivos?”
“Noivo?” perguntou Patrick, arregalando os olhos. “Ainda não estamos noivos.”
“N-Não estamos…?”
De repente, senti-me profundamente magoada. O que está acontecendo? O Patrick acabou de… terminar comigo? Será que essa foi a maneira dele de me dizer que não está interessado em se casar comigo?
“O noivado é algo que se decide entre as famílias”, disse Patrick com cautela, observando meu rosto. “Precisa ser discutido entre os chefes de família.”
Minha mágoa diminuiu. “Ah, tudo bem. Então, precisamos ir ver sua família agora mesmo.”
Assenti com a cabeça para mim mesma, finalmente entendendo. Agora entendi perfeitamente — um noivado é um contrato entre aristocratas, então é natural que tenhamos que conversar com os pais do Patrick. Eu nem tinha pensado nisso. Nossa, por que ele não me contou antes?
Entretanto, o rosto de Patrick ficou inexpressivo de choque. “Você realmente quer ir?”
Ignorei a pergunta dele — eu tinha coisas mais urgentes na cabeça. “Espere, seu pai vai ficar chateado comigo por ter demorado tanto para conhecê-lo? Como eu resolvo isso…?”
Sem falar que, o que eu vou dizer quando conhecer o pai dele? “Senhor, gostaria de sua bênção para me casar com seu filho?” Ai, isso é só um palpite, mas acho que provavelmente estou errada.
{Yoru: Normalmente é o homem que fala isso para o pai da mulher, não…? | Moon: Shiuuuuu Yoru, finalmente ela tá juntando os pontos, se for ela, será ela então akakakak}
“Ah, tenho certeza de que ele não se importará”, Patrick me assegurou. “Tenho contado a eles em minhas cartas como as coisas têm estado agitadas por aqui, desde que você assumiu o condado recentemente.”
Isso me trouxe um pouco de paz de espírito, mas nossa conversa tinha se desviado um pouco do assunto que eu queria discutir inicialmente. Eu só mencionei o noivado por impulso; o que eu realmente queria perguntar ao Patrick não tinha nada a ver com nossas famílias, nem com o encontro com os pais dele. Eu só queria saber se ele realmente gostava de mim.
“Se ficarmos noivos, isso significa que nos casaremos algum dia, certo?”
Tive que revirar os olhos internamente ao ouvir isso — por que diabos eu estava perguntando algo tão óbvio?
A expressão de Patrick ficou um pouco estranha, quase como se ele estivesse pensando exatamente a mesma coisa. “Quer dizer, isso é óbvio, não é?”
“Bem, eu só… eu estava me perguntando se você se sentiria confortável com isso…”
Quer dizer, não era como se eu tivesse pedido ele em casamento, e ele certamente também não tinha me pedido em casamento. De repente, comecei a me sentir profundamente desconfortável. Continuar a conversa me parecia apavorante — como se eu fosse cometer um erro fatal se dissesse mais alguma coisa.
Enquanto eu estava ali parada, prestes a ser esmagada pelo medo, Patrick estendeu a mão e a colocou no meu ombro. “Você é mesmo incrível, Yumiella”, disse ele com uma risada nervosa. Ele me puxou para mais perto, diminuindo lentamente a distância entre nossos rostos.
Olhei em seus olhos. Seu olhar silencioso e intenso me envolveu, deixando-me com a sensação de estar me afogando nele.
“O que… o que isso quer dizer?”, finalmente consegui murmurar. “Se você não disser o que está pensando, eu nunca vou entender.”
“Mesmo que eu não diga com palavras”, murmurou Patrick, “tenho quase certeza de que você vai entender se eu fizer isso.”
Ele se aproximou cada vez mais, a ponto de até mesmo alguém tão desatento quanto eu conseguir entender o que ele estava tentando fazer. Ora, vamos lá, a única razão pela qual um homem e uma mulher se aproximariam tanto assim seria para se posicionarem para um golpe perfeito de baixo para cima! Um... gancho, acho que é assim que se chama?
O maxilar forte de Patrick já estava na posição perfeita, então balancei minha mão direita para cima com toda a minha força. Ele voou pelos ares, um grito abafado escapando de seus lábios. A memória muscular me fez ajustar minha postura para um ataque subsequente, mas me contive antes de me posicionar completamente.
Eu… estraguei tudo agora, não é?
Corri até Patrick, que agora cambaleava, esfregando o queixo. “Desculpe, você está bem?”
“Bem, eu não pensei que você fosse me dar um soco do nada”, murmurou Patrick, lançando-me um olhar irritado. “Você realmente não queria tanto assim?” De repente, sua raiva desapareceu, transformando-se em uma profunda tristeza. “Acho que eu só estava pensando no que eu queria quando se tratava do noiva–”
“Não!” exclamei, interrompendo-o imediatamente. “Eu não te dei um soco por causa disso! Eu só te acertei porque seu rosto estava na posição perfeita! Eu não sou contra o n-noivado de forma alguma!”
Nesse ritmo, Patrick vai achar que sou louca. Pensei, miserável e envergonhada.
Mal sabia eu que ele já tinha me desmascarado completamente.
“Então, essa foi apenas a sua maneira de esconder o quão envergonhada você estava, não foi?”
Fiz uma careta. “Você deve estar pensando que sou uma pessoa bastante perigosa…”
Patrick deu uma risadinha. “Ah, eu já pensava isso há algum tempo.”
“Entendo… Bem, desculpe por ter mencionado de repente o fato de sermos noivos e tudo mais…”
Não posso culpá-lo por pensar isso — quer dizer, é muito estranho dar um soco em alguém de repente, mesmo que tenha sido só para disfarçar meu constrangimento. Isso é um problema completamente diferente do noivado e do casamento.
De repente, uma expressão incomumente séria tomou conta do rosto de Patrick. “Não sei se consegui te fazer entender”, disse ele, ainda esfregando o queixo, “então deixe-me ser claro. Yumiella, no que diz respeito aos meus sentimentos por você, eu—”
Meu rosto ficou quente. “Vou dar uma olhada no quintal!”, gritei.
Me virei, tomada por uma necessidade repentina e avassaladora de escapar, e mergulhei em direção à janela do meu quarto. O vidro explodiu num dilúvio de estilhaços brilhantes, e eu caí com tudo na grama.
“Yumiella!” Patrick gritou atrás de mim, em tom de repreensão. “Não pule do segundo andar!”
Ao ouvir sua voz, tomei uma decisão: por ora, precisava concentrar todos os meus esforços em conhecer a família de Patrick.
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Agora que Patrick e eu tínhamos decidido visitar a casa onde ele passou a infância, a Marca de Ashbatten, havia muitos preparativos a serem feitos.
“Precisamos escrever uma carta aos seus pais para informá-los da data e hora da nossa visita, precisamos providenciar uma carruagem e… ah, eu também vou precisar de um vestido adequado.”
“Você não pode simplesmente montar no Ryuu e ir vestida como de costume?”, perguntou Patrick, em tom de dúvida.
“Isso é absurdo!” gaguejei. “Você não tem bom senso?!”
{Del: Yumiella, é você??}
Ele zombou. “Não acredito que você esteja mencionando o bom senso…”
Ignorando-o, continuei a andar de um lado para o outro no quarto, resmungando para mim mesma. Patrick observava, exausto.
Como ele consegue ser tão otimista? Quer dizer… Ai, meu Deus, o que eu vou fazer se o pai dele disser: “Você não tem o direito de me chamar de sogro!” ou algo assim…?
“Yumiella”, disse Patrick insistentemente, obrigando-me a olhar para ele. “Só para você saber, eu já contei ao meu pai sobre a verdadeira você por carta.”
“A-A verdadeira eu?”
“Sim. Eu já contei tudo para ele sobre como você costuma agir e as coisas que você tem o costume de fazer. Então é um pouco tarde para agir diferente—”
“Ah, a verdadeira eu…” repeti, assentindo com a cabeça. “Talvez as coisas acabem bem então.”
Quer dizer, eu já tinha feito algumas coisas estranhas no passado, mas nada que destruísse minha imagem. Não conseguia pensar em nada tão ruim que deixasse os pais dele enojados de mim.
“Certo…” murmurei, assentindo para mim mesma. “Acho que consigo fazer isso.”
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No fim, decidimos ir até a Marca de Ashbatten usando o Ryuu. Enquanto eu me preocupava com várias coisas, Patrick já tinha decidido quando iríamos visitá-la e entrado em contato com os pais dele por carta.
“Ei, você não podia ao menos ter me consultado sobre quando iríamos?”, perguntei a ele assim que descobri.
Ele bufou. “Com o jeito que você tem se comportado, provavelmente levaria anos só para escolher um presente para trazer.”
“Um presente?!”
Fiquei paralisada. Nem sequer tinha pensado em levar um presente para eles. E era a primeira vez que visitava a casa do meu futuro noivo — um presente era obrigatório!
Ah, não! O que devo escolher…? As pessoas podem julgar com base em uma única ação — aliás, em um único presente. Preciso dar o meu melhor!
“Hum, o que está acontecendo com você?”, perguntou Patrick, com um olhar cauteloso. “Por que toda essa agitação repentina?”
“Vou dar o meu melhor, Patrick, eu juro!”
Ao perceber a profundidade da minha motivação, o rosto de Patrick se contorceu em desaprovação. “Yumiella, não faça isso. Não sei o que você está planejando, mas seja lá o que for, sei com certeza que é um erro. Então, eu imploro: não se esforce tanto.”
Por que ele está tão confiante sobre isso? Eu fiquei pensando, fazendo beicinho diante de sua convicção inabalável.
“Eu ia preparar um presente para levar à sua família…” murmurei.
“Ah, você estava falando de um presente?” Um alívio tomou conta do rosto de Patrick. “Espere… O que você pretende comprar?”
Hum, fico pensando o que eles gostariam? O que eu ficaria feliz em receber, mas que não é tão fácil de conseguir…?
“Talvez… um ovo de dragão ou algo assim?”
{Moon: Yumiella Dolkness… Não!}
Para deixar claro, não seria um ovo do Ryuu. Dragões domesticados por humanos só formavam casais reprodutores com outros dragões domesticados, então as chances dele conseguir uma esposa eram bem pequenas. Além disso, submetê-lo a algo assim não seria justo. Isso significava que obter um ovo de dragão provavelmente exigiria toda a minha força.
“É, definitivamente não faça isso”, disse Patrick com firmeza. Ele me lançou um olhar suplicante.
Eu suspirei. Parece que ele não gosta dessa ideia.
“Hum”, eu disse pensativo. “Então, que tal…”
Eu poderia dar a eles uma das katanas de madeira, ou um daqueles chaveiros com o dragão enrolado, eu acho.
Eu não tinha certeza de como isso seria recebido, já que tínhamos começado a vendê-los recentemente, e apenas um deles havia sido vendido… para mim.
Virei-me para Patrick, e de repente me dei conta de algo. “Será que… talvez eu tenha gostos diferentes da maioria das pessoas…?”
Um sorriso radiante se abriu no rosto de Patrick. “Uau! Nunca pensei que você fosse perceber isso sozinha! Estou tão orgulhoso de você, Yumiella!” Ele estendeu a mão e deu um cafuné na minha cabeça.
{Moon: akakakakak Genial demais Patrick!!}
Hehe, Dei uma risadinha por dentro, me sentindo repentinamente feliz. Espere, não, estamos saindo do contexto.
{Del: Aha, ela ficou feliz com o Pat pat.}
Uma parte de mim queria continuar, para que pudéssemos ter uma longa conversa sobre como Patrick me via, mas deixei isso para depois. Encontrar o presente certo para a família dele era mais importante.
“Obrigada, mas temos assuntos mais importantes para resolver!”, declarei, tentando afastar a mão dele da minha cabeça.
Patrick recuou, esquivando-se do meu golpe. Minhas sobrancelhas se ergueram com o movimento rápido, embora eu não estivesse muito surpresa; Patrick vinha me ignorando dessa forma cada vez mais à medida que seu nível subia.
Imagino que ele fazer coisas assim seja melhor do que eu o mandar voando sem querer, mas ainda assim é irritante. Pensei, estranhamente frustrada.
“Foco — agora precisamos pensar no presente que estamos oferecendo. Quero parecer humilde ao entregá-lo e dizer: ‘Ah, não é nada de especial’ não estar contando a verdade!”
“Mas uma caixa de guloseimas ou algo assim não seria suficiente?”, perguntou Patrick.
Ele realmente não parece se importar nem um pouco com isso. Pensei, chocada e consternada com a discrepância em nossas atitudes em relação ao presente.
“Isso não seria nada bom”, eu disse a Patrick com firmeza. “E se eles pensarem que sou uma garota ridícula e sem bom senso, e decidirem se opor ao nosso casamento?”
“Eles já sabem que você não tem bom senso”, respondeu ele, com os lábios tremendo.
Encarei-o com raiva. Talvez eu devesse mudar da Operação “Vejam, Sou Uma Nobre Encantadora!” para a Operação “Vejam, Não Sou Tão Ruim Assim, Sou?”.
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Pouco tempo depois, Patrick e eu saímos para visitar a Marca de Ashbatten. Deixamos o condado nas mãos competentes de Daemon, montamos no Ryuu e partimos.
Apesar de já ter montado no meu dragão várias vezes, Patrick ainda parecia ter medo de altura — quando olhei para o seu rosto, ele parecia visivelmente indisposto. Ryuu até se esforçava para voar devagar e com cuidado, mas, pelo que eu podia perceber, isso não estava ajudando Patrick a se adaptar.
“Acho que chegaremos lá em breve…” eu disse a ele, fazendo uma leve careta. “Você está bem?”
“Sim…” ele respondeu, com a voz rouca. “Só que, o que quer que faça, não acelere de repente nem comece uma descida repentina.”
Ele está falando sério ou…? Ah! Ele acabou de me encarar. Tudo bem, tudo bem, eu entendi! Não vou fazer nenhuma dessas coisas, okay?
“Ah, então deve ser a cidade onde fica a mansão do marquês”, eu disse, olhando para o terreno abaixo de nós. “Hum? As coisas parecem meio tensas por lá.”
Mesmo da nossa posição atual, eu conseguia ver muitas pessoas com armaduras reunidas no centro da principal cidade da Marca de Ashbatten. Pareciam estar em alerta, como se a batalha estivesse no horizonte…
Patrick inclinou-se para a frente. “Aquela bandeira…” murmurou, com os olhos fixos no mastro que se projetava do telhado do edifício mais alto da cidade. “É a que hasteamos em caso de emergência — uma das mais importantes. Será que Lemlaesta está avançando sobre nós…?”
Minhas sobrancelhas se ergueram. Nosso reino vizinho está nos atacando?
{Moon: Por que eu sinto que sei o motivo… | Del: A namorada nível 99 está chegando…}
De repente, fiquei irritada. “Como podem?! Nosso futuro depende deste dia…”
Eu estava tão perturbada pensando nisso na noite anterior que não consegui pregar o olho. E se eu não pudesse conhecer os pais de Patrick hoje, teria que passar por tudo aquilo de novo.
Será que estão tentando me dar uma úlcera?! Eu não vou te perdoar, Lemlaesta!
“Tente se acalmar”, disse Patrick, tentando tranquilizá-la. “Eu entendo por que você está chateada, mas precisamos manter a calma por enquanto.”
Sabe, ele parece estranhamente tranquilo para alguém cuja casa está sendo atacada. Eu pensei, olhando para ele de um jeito estranho. Quer dizer, se alguma vez houve um momento para abraçar seu lado demoníaco e se tornar um protetor implacável do reino, reduzindo a cinzas todos os tolos inferiores que ousassem prejudicá-lo, esse momento é agora.
“Ryuu, acelere ao máximo! Vou te dar um impulso extra!”
Ryuu bateu as asas com toda a sua força, ganhando velocidade enquanto eu o apoiava lançando energia mágica para trás. Acabamos indo tão rápido que o arrasto causado pelas asas se tornou um problema, então ele acabou recolhendo-as. Dali em diante, tudo dependia de mim — o corpo de Ryuu era o jato de combate, e minha magia era o combustível que o impulsionava para frente.
A terra abaixo de nós passou num borrão vertiginoso, e as árvores da floresta desapareceram num instante, deixando-nos em campo aberto. Ondas de choque irromperam atrás de nós… ou melhor, seriam estrondos sônicos?
Devemos estar viajando na velocidade do som!
{Yoru: Assim… uma pessoa normal já teria ido de arrasta nessas condições… | Moon: Que bom então…}
“Patrick! Estou vendo as forças inimigas!” gritei por cima do ombro, mas não obtive resposta. “Alô? Patrick…?”
Será que ele ficou tão impressionado com a nossa velocidade sem precedentes que ficou sem palavras? Fiquei pensando. Eu não o imaginava sendo um fanático por velocidade. E se ele começar a dizer que quer atingir a velocidade da luz…?
Deixando essas preocupações de lado, concentrei-me na área que parecia ser o epicentro do conflito, para a qual nos aproximávamos rapidamente. Dois exércitos estavam estacionados ali e pareciam estar em meio a algum tipo de confronto. A julgar por isso, provavelmente estavam perto da fronteira de Valschein.
Naquele momento, nenhum dos exércitos parecia ter notado Ryuu atirando em sua direção. Fazia sentido, pensando bem: embora ele estivesse deixando estrondos sônicos ensurdecedores em seu rastro, estávamos nos movendo tão rápido que o som ficava atrás de nós, o que significava que os soldados só nos ouviriam quando sobrevoássemos a área.
“Qual seria a melhor maneira de minimizar os danos…?”, ponderei em voz alta. “Talvez… capturar o general deles?”
Patrick era o tipo de pessoa que entenderia muito de táticas de guerra como aquela, mas continuava em silêncio sepulcral atrás de mim. Eu também não tinha tempo para esperar por uma resposta dele — logo estaríamos sobre o campo de batalha, e eu precisava tomar minha decisão.
Muito bem, vamos direto ao quartel-general do inimigo! Decidi. Espera... onde exatamente fica o quartel-general deles...?
“Ugh, não há tempo suficiente! Ryuu, comece a descer imediatamente! Nosso objetivo é ficar entre os dois exércitos!”
Ryuu rugiu e mergulhou em direção à estreita faixa de terra vazia que se estendia entre o exército do marquês de Ashbatten e o do Reino de Lemlaesta. Nossa velocidade diminuiu gradualmente, mas ainda estávamos bastante rápidos. Como resultado, Ryuu não parou imediatamente ao aterrissar — ele deslizou para a frente, suas garras abrindo sulcos no chão enquanto cortava o centro dos dois exércitos. Quando finalmente parou, estava de frente para os soldados de Lemlaesta.

O campo de batalha havia mergulhado em completo silêncio. Os dois exércitos permaneciam imóveis, um de frente para o outro. Coloquei a cabeça entre as mãos, observando-os de cima das costas de Ryuu — eu havia chegado até ali por impulso, mas começava a perceber que talvez só tivesse piorado a situação. Se eu acabasse transformando o que seria apenas uma mera disputa de olhares em uma guerra declarada, jamais me perdoaria.
Preparei-me para retaliar caso alguém fizesse um movimento, mas ambos os exércitos permaneceram imóveis como que mortalmente. Todos pareciam estar me observando.
Bem, no mínimo, eu deveria avisá-los de que lado estou falando. Eu decidi.
Assim que comecei a refletir sobre a maneira correta de fazer isso, Ryuu soltou um pequeno espirro. Achei o grunhido estranho que ele fez absolutamente adorável.
Sabe, seria legal se a fofura do Ryuu aliviasse o clima, Pensei, esperançosa. Talvez até consigamos fazer uma trégua imediata!
Foi aí que os gritos começaram.
“Um monstro do reino de Valschein está aqui!”
“Corram! A escuridão vai nos engolir a todos! Seremos mortos!”
“Acabou, vamos morrer!”
E assim, contrariando minhas expectativas, o espirro de Ryuu deu início à ruína do exército de Lemlaesta. Sua formação desmoronou em questão de segundos; alguns soldados fugiram para as colinas, enquanto outros simplesmente se encolheram no mesmo lugar, com a cabeça entre as mãos. O restante permaneceu onde estava, olhando fixamente para o nada.
Assisti a tudo, sem realmente entender o que estava acontecendo. Mas, ei, pelo menos parecia que íamos conseguir vencer! A felicidade me invadiu ao pensar que, graças às minhas ações, as coisas poderiam ser resolvidas sem que ninguém morresse.
Esta é mais uma oportunidade para eu ajudar a acabar com a discriminação contra cabelos pretos! Eu percebi. Preciso parecer um agente da paz. Assenti com a cabeça para mim mesma. Sim, todos esses soldados me verão como um anjo que pousou no campo de batalha para pôr fim a esta guerra sem derramar uma única gota de sangue! Refleti sobre isso por um instante e depois bufei. É mesmo?Até eu não sou tão iludida assim — sei que eles me veem como um Lorde Demônio e não como um anjo.
{Del: Um anjo da morte, só pode.}
A essa altura, a visão do inferno diante de mim — de onde gritos de agonia irrompiam continuamente — já era demais. Tentando proteger meus olhos, virei-me para o exército de Ashbatten atrás de mim. Isso, porém, não deu certo: no instante em que me virei, estrondos metálicos ressoaram vindos de meus aliados, até então silenciosos. Parecia que um único olhar meu fora suficiente para fazê-los estremecer; o clangor vinha de suas armaduras, que vibravam com a força de seus tremores aterrorizados. Suspirei e me virei para encarar Lemlaesta novamente.
“Como isso aconteceu?”, murmurei para mim mesma.
Quer dizer, tudo o que eu tinha feito era ir visitar a família do meu namorado. Talvez tenhamos exagerado um pouco na animação, mas foi porque fomos avisados de que havia uma emergência!
Soltei outro suspiro. Talvez eu devesse ir capturar o general de Lemlaesta, só por precaução…
Voltei a me concentrar no exército adversário, que parecia estar recuando a toda velocidade, mas não conseguia identificar a posição do general. A formação estava tão desorganizada que eu não fazia a menor ideia de por onde começar a busca.
“Patrick, acorde. Vamos, acorde”, eu disse, me virando e sacudindo-o fortemente pelos ombros.
Se ele ao menos abrisse os olhos, Patrick provavelmente conseguiria me ajudar, dado o seu conhecimento do campo de batalha, mas, infelizmente, ele apenas soltou um gemido e não se mexeu mais.
“Com licença?” Uma voz soou atrás de mim. “Parece que meu filho está à beira da morte.”
Virei-me e vi um cavalo ao lado de Ryuu. Em suas costas estava um homem que aparentava estar no final da meia-idade, e cujo rosto lembrava o de Patrick. Seus cabelos grisalhos também tinham uma tonalidade semelhante, mas os do estranho eram mais claros, quase brancos. A aparência do homem tornava sua identidade óbvia, mas o brasão da família Ashbatten pintado em sua armadura dissipou qualquer dúvida restante. Era o pai de Patrick.
O Marquês Ashbatten incitou seu cavalo a avançar mais alguns passos, deixando seus acompanhantes para trás. Eles o observavam nervosamente, com preocupação nos olhos. Parecia que não tinham outra escolha senão permanecer onde estavam, já que seus cavalos se recusavam a se aproximar.
Okay, Yumiella, calma. Eu sei que você não imaginava que encontraria o pai do Patrick num lugar como este, mas causar uma boa primeira impressão é crucial para construir um relacionamento interpessoal positivo. Se ele aprovará ou não o seu casamento dependerá das suas ações e palavras a partir deste momento.
{Moon: Amiga, eu não sei se tem como causar uma boa “primeira” impressão agora…}
Com isso em mente, saltei das costas de Ryuu e me ajoelhei. “É um prazer conhecê-lo, Marquês Ashbatten”, disse respeitosamente. “Sou Yumiella Dolkness e vim oferecer-lhe minha ajuda.”
“Hum… isso significa que você vai aniquilar Lemlaesta?”
“O quê?” Pensei por um instante. “Se é isso que o senhor deseja.”
“Não desejo nada disso…”
Então, por que você mencionou algo tão violento como eu aniquilar um reino vizinho? Pensei.
Lancei um olhar perplexo ao marquês, que retribuiu da mesma forma. Provavelmente estávamos pensando a mesma coisa naquele momento: Patrick, por favor, acorde.
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“Entendi! Então você veio nos visitar!”
“Sim”, respondi ao marquês, com a tensão diminuindo. “Achei que já era hora de me apresentar.”
Já haviam se passado alguns minutos desde que Patrick acordara e encerrara o silencioso duelo de olhares entre seu pai e eu. Uma das primeiras coisas que o marquês me dissera foi que não tinha a menor intenção de iniciar uma briga com Lemlaesta, um sentimento que me trouxe grande alívio. Agora, ele continuava a falar, nos atualizando sobre a situação em que nos metemos.
“Depois disso, eles simplesmente declararam guerra contra nós.” O marquês concluiu: “Fico muito contente que tenha vindo, Condessa Dolkness — com a sua ajuda, conseguimos resolver a situação sem quaisquer baixas do nosso lado.”
{Del: Não é que ela realmente foi bem sucedida.}
Foi um pouco estranho ouvir o pai de Patrick se referir a mim dessa maneira, mas eu sabia que usar o sobrenome e o título de alguém para me dirigir a essa pessoa era o correto no mundo aristocrático. Eu também o chamava de “Marquês Ashbatten”, mas não conseguia deixar de sentir como se os títulos criassem uma barreira entre nós.
Deixando de lado meu desconforto, inclinei a cabeça em agradecimento. “Parece que foi uma situação bastante turbulenta.”
“De fato. Embora, contanto que possamos proteger a fronteira, estamos satisfeitos. Gostaria, no entanto, que pudéssemos perguntar ao general deles sobre a situação…”
“Então irei capturá-lo para você, Marquês Ashbatten!”
Me endireitei, preparando para sair correndo em direção ao exército de Lemlaesta. Nada como resolver problemas juntos para aproximar duas pessoas!
Infelizmente, assim que me lancei para a frente, fui abruptamente interrompida por uma mão que agarrou firmemente a gola da minha blusa.
“Calma aí, Yumiella!” repreendeu Patrick. “Fique aqui e não faça mais nada!”
Virei a cabeça, piscando para ele, confusa. “Ah, você quer vir também? Precisamos fazer algo para impressionar seu pai.”
Patrick suspirou. “Estou mais preocupado com quantos soldados de Lemlaesta você vai matar se fizer qualquer outra coisa. Se você der um passo sequer lá fora, alguns deles morrerão de choque.”
“O quê?!” Eu zombei. “Isso é impossível.”
Ignorando o conselho de Patrick, me soltei de seu aperto e comecei a caminhar em direção ao exército de Lemlaesta. Fiz contato visual com um dos soldados e paralisei quando ele caiu para trás, com os olhos revirando.
Ah, qual é! Será que Lemlaesta não tem ninguém com um mínimo de força mental?!
Com ar sombrio, voltei para onde Patrick e o marquês estavam. “Ah, então esse é o tipo de garota que ela é”, murmurou o marquês Ashbatten para o filho. “Ela é exatamente como você descreveu.”
Observei Patrick com os olhos semicerrados. O que exatamente você disse sobre mim…?
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Após receber a notícia de que eu era inapta para a batalha — ou melhor, qualificada demais — acabei ficando perto do quartel-general do exército de Ashbatten com Ryuu, enquanto Patrick e seu pai cuidavam do resto. Eu estava lá havia pouco tempo quando eles retornaram, trazendo um homem vestido com o uniforme do exército de Lemlaesta. Ele me parecia… estranhamente familiar.
“Ah, você é aquele agente secreto?!”
“De fato. Agradeço sua ajuda naquela época, Condessa Dolkness. Meu nome é Linus e atualmente sirvo como assistente do tenente do Exército Central do Reino de Lemlaesta.”
Linus já havia entrado em contato comigo no passado, tentando me recrutar para o lado de um dos reinos vizinhos de Valschein. O fato de ele ser militar me surpreendeu, mas fiquei ainda mais confusa com o motivo de alguém de sua posição ter sido escolhido para falar conosco em vez de alguém de patente superior.
Ao que parece, minha confusão o fez perceber, pois ele esclareceu: “O comandante e o tenente estavam entre os primeiros desertores do exército.”
“Ah”, eu disse. “Hum... meus pêsames.”
Parece que esse cara tem um azar danado com seus superiores. Pensei com pena. Quer dizer, o motivo dele ter tentado me recrutar naquela época não foi porque os chefes dele o forçaram? Nossa, será que ele foi rebaixado por causa disso? Um rebaixamento explicaria como ele acabou sendo transferido do departamento de inteligência para as forças armadas.
De qualquer forma, Linus parecia ser o oficial de mais alta patente disponível no momento, o que significava que agora era sua responsabilidade negociar uma trégua. Naturalmente, o Marquês Ashbatten representaria o Reino de Valschein.
Quanto a mim, eu apenas observaria tudo em silêncio — não tinha intenção alguma de interferir em uma questão política como essa, especialmente por ser uma estranha à situação.
Isso mesmo, então pare de me olhar assim, Patrick! Pensei, irritada, enquanto entrávamos em uma das tendas armadas no quartel-general do exército de Ashbatten. Não farei nada.
“Hum, por onde eu começo…” Linus começou, nervoso. “Atualmente, nosso reino está dividido em dois…”
Isso era algo que eu já sabia. Pelo que eu tinha ouvido, o rei de Lemlaesta adoecera cerca de um ano antes. O primeiro príncipe fora nomeado herdeiro do trono, mas ele só poderia assumir o título do pai após a morte do rei. O segundo príncipe e sua facção viram isso como uma oportunidade para tomar o controle, e tinham poder suficiente para que a luta resultante dividisse o reino em dois.
Quando ouvi falar do assunto pela primeira vez, sinceramente não dei muita importância. Na minha cabeça, significava apenas que nossos vizinhos estavam passando por dificuldades — não imaginei que isso pudesse me afetar no futuro. Mal sabia eu que acabaria me envolvendo.
“Eu sei de tudo isso”, disse o marquês. Como senhor de um território próximo à fronteira, era natural que ele soubesse dos assuntos de Lemlaesta. “O que me interessa mais é saber qual lado liderou esse avanço.”
“Foi o segundo príncipe”, admitiu Linus. “A facção dele está em grande desvantagem numérica, então ele pensou que sua única opção restante era ganhar prestígio se destacando em uma guerra.”
“Então, seu general é…?”
“Sim, é Sua Alteza…” respondeu Linus, com a voz falhando.
“Bem, pela rapidez com que ele fugiu, tenho certeza de que não tentará iniciar mais nenhuma confusão.” Disse o marquês com um suspiro pesado. “E já que não houve vítimas, parece que podemos evitar o início de uma guerra.”
Pelo que pude perceber, era apenas natural que o Marquês Ashbatten não quisesse que o conflito se transformasse em guerra — seu alvo acabaria se tornando o campo de batalha. Eu também não queria guerra, então decidi fazer o possível para apoiá-lo.
“Linus, por favor, diga ao seu príncipe que da próxima vez que ele fizer algo assim, terá que se ver comigo. Não importa o quão longe ele fuja — eu o perseguirei até os confins da Terra, se for preciso.”
“Entendido”, disse Linus, com sua expressão exausta suavizando um pouco. “Vou avisá-lo.”
Coitado, Eu pensei. Ele deve ter passado por muita coisa.
{Yoru: Coitado do Linux (trocadilho intencional)}
Depois disso, o Marquês Ashbatten e Linus discutiram mais alguns assuntos antes do término da reunião. Linus levantou-se de seu assento, preparando-se para retornar ao seu exército e dar-lhes as instruções para se retirarem, mas antes de partir, voltou-se para dizer uma última coisa.
“Ouvi dizer que o Reino de Valschein também tem uma facção pressionando pela ascensão do segundo príncipe ao trono”, disse ele casualmente. “Também ouvi dizer que eles já começaram a tomar algumas medidas para alcançar esse objetivo. Parece que Lemlaesta não é o único reino passando por dificuldades.”
Parece que nossos dois reinos não são tão diferentes assim. Eu pensei. Obrigada, eu detesto isso.
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No fim, eu não fiz muita coisa, mas uma guerra entre o Reino de Valschein e o Reino de Lemlaesta foi evitada. Sinceramente, me pareceu um pouco ridículo nos envolvermos em uma guerra só por causa das disputas internas de outro reino pelo trono, então o fato de a situação ter sido resolvida foi um alívio.
Bom, parece que meu trabalho por aqui está terminado. Hora de ir para casa!
Foi o que pensei, mas sabia que o que trouxera o Patrick e eu aqui estava apenas começando. Não tínhamos viajado até ali para impedir uma guerra, mas sim para que eu pudesse conhecer o marquês de Ashbatten, ou seja, meu possível futuro sogro. Precisava me controlar — não podia cometer nenhuma gafe nem demonstrar falta de bom senso.
Até agora, tudo o que fiz foi mergulhar de cabeça do céu enquanto montava o Ryuu, então provavelmente ainda estou a salvo... Eu pensei.
Agora que Linus tinha ido embora, só restavam eu, Patrick e o Marquês Ashbatten na tenda. Decidindo aproveitar o momento, limpei a garganta, segurei as bordas da minha saia e fiz uma reverência. Uma das poucas coisas de que eu tinha certeza era que minha postura era impecável — afinal, minhas habilidades físicas eram desnecessariamente robustas.
“Marquês Ashbatten, chefe da família Ashbatten, gostaria de me apresentar formalmente. Meu nome é Yumiella Dolkness. É um prazer conhecê-lo.”
Não pude evitar uma pontada de nervosismo; podia sentir o calor intenso do olhar de Patrick. Sua expressão era estranhamente protetora, como a de um pai que observa o filho fazer algo perigoso, mas que se contém na esperança de que isso lhe proporcione alguma experiência de vida.
Um longo e silencioso momento se passou, e então o marquês se virou para Patrick. “Hum… o que ela está fazendo agora…” Ele parou de falar com um olhar preocupado.
“Ela só está dizendo olá”, disse Patrick com um suspiro. “Ela ainda pretende agir como se fosse uma nobre qualquer.”
Estreitei os olhos para ele. Ei, Patrick! Não conte os detalhes do meu plano para ele! Estava tudo indo perfeitamente até agora — eu sou a personificação da feminilidade! Até cair do céu é incrivelmente feminino e bom!
{Yoru: nem te conto… | Moon: Yumiella daqui a pouco: “Doom!” “(Patrick) Doom?!”}
“Ah, entendi”, disse o marquês, assentindo com a cabeça. “Acho que finalmente compreendi o que você estava dizendo. Ela é realmente uma garota infe… quer dizer, uma garota maravilhosa.” Dito isso, ele se virou para mim. “Bem-vinda à Marca de Ashbatten, Condessa Dolkness… ou devo chamá-la de senhorita Yumiella?”
Sorri por dentro. Sim, parece que meu plano funcionou!
O pai de Patrick até me deu um sorriso gentil — sinceramente, foi revigorante, já que eu nunca tinha visto Patrick sorrir assim. Fiquei pensando se Patrick seria assim quando chegasse à idade do pai.
“Apenas Yumiella está ótimo, senhor.”
Patrick suspirou. “Sabe que pode simplesmente agir como sempre faz”, disse-me. Lancei-lhe um olhar fulminante, como uma dama. “O que quer dizer com isso, Sir Patrick? Não faço a mínima ideia do que está falando.”
“Pare com isso, Yumiella. Está me dando arrepios. Além disso, não quero que você engane meu pai de novo.”
Meu plano acabou sendo um fracasso. Pensei, murchando. E agora o Patrick está me fazendo parecer uma pessoa nefasta, dizendo que estou “enganando” o pai dele. Ele podia pelo menos dizer que estou “mantendo as aparências” ou algo assim. Espera, isso não soa muito melhor, né…?
A essa altura, o marquês já devia ter percebido que eu estava fingindo desde o início. Essa constatação me deixou sem jeito, e meus olhos começaram a percorrer nervosamente a tenda.
“Patrick, quero que você prepare para a retirada.” o marquês disse: “Estou transferindo temporariamente o comando do exército para você.”
Patrick aceitou imediatamente as ordens do pai e saiu da tenda.
Espere, não me deixe sozinha com seu pai! Pensei desesperadamente. Que situação constrangedora!
E, no entanto, parecia que eu era a única que pensava assim — quando o olhei nervosamente, o marquês me lançou outro sorriso ameno. Ele havia passado a impressão de ser um comandante forte quando estava no campo de batalha, mas agora parecia muito mais gentil, como se fosse apenas um pai carinhoso.
“Senhorita Yumiella — se me permite dirigir-me assim — gostaria de agradecer por estar presente para o meu filho.”
“N-Não, não!” eu disse apressadamente, endireitando as costas numa linha perfeita. “Se tem alguém que esteve ao meu lado, é o Patrick.”
Eu sabia que Patrick vinha enviando cartas detalhando minhas ações para sua família — o marquês devia saber tudo sobre a vez em que Patrick quase morreu, e sobre aquela outra coisa pela qual Patrick ficou muito bravo comigo. Não tive escolha a não ser me desculpar profusamente com o marquês.
“Não precisa ficar tão tensa”, disse o Marquês Ashbatten com uma risadinha. “Eu mesmo peço desculpas por ter que ficar aqui por mais um tempo, mesmo depois de você ter vindo de tão longe para nos visitar. Existe a possibilidade de o exército de Lemlaesta voltar.”
“Afinal, devo aniquilá-los?”, perguntei pensativa.
“Senhorita Yumiella, por favor”, implorou o marquês. “Isso não me parece uma piada vinda da senhorita.”
Sabe, ele soa exatamente como o Patrick quando me repreende. Eu percebi. Ele até tem a mesma expressão no rosto. Essa conversa me parece tão familiar… Sinceramente, provavelmente já tive uma parecida com o Patrick, não uma, mas diversas vezes.
Deixando esses pensamentos de lado, perguntei: “Lemlaesta já fez alguma investida parecida com você antes?”
O marquês balançou a cabeça. “Temos desavenças frequentes, mas não creio que tenham chegado a um ponto como este em mais de dez anos… Sua presença foi de grande ajuda para nós, senhorita Yumiella.”
Hum, Eu pensei, Isso significa que Lemlaesta tentou atacar Valschein há dez anos…? É surpreendente, mas parece que a Marca de Ashbatten é uma terra mais turbulenta do que eu esperava.
Agora que eu sabia que o marquês ficaria estacionado na fortaleza na fronteira por um tempo, senti-me um pouco desapontada. Por um lado, parecia que tínhamos vindo em boa hora, já que eu pude ajudá-los na luta na fronteira. Por outro lado, era uma pena não poder passar mais tempo com o pai de Patrick. “Talvez devêssemos voltar outra hora?”, perguntei ao marquês. “Bem, veja bem, na verdade viemos para discutir algo…”
O pai de Patrick assentiu com a cabeça, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. “Ah, sim, você deve estar se referindo ao noivado.”
“Eu… Bem, sim.”
Um noivado. Em outras palavras, uma promessa entre duas pessoas de se casarem. Ainda não parecia real para mim, mas Patrick e eu definitivamente éramos um casal. Pelo menos, eu achava que éramos… Por favor, alguém pode me definir o que é um casal?
{Yoru: depende… }
“Para ser sincero, parece um pouco tarde para falar de noivado entre vocês dois”, admitiu o Marquês Ashbatten. “Afinal, vocês já estão morando juntos.”
“Ah, mas na verdade não aconteceu nada! O Patrick só… meio que veio junto…”
Minha voz foi diminuindo, um fato chocante vindo à tona devido à declaração do marquês. Patrick e eu morávamos juntos! Pelas pesquisas que fiz na minha vida anterior, lembrei-me de que muitos casais se separavam depois de morarem juntos. Eles percebiam partes do parceiro de que não gostavam, mas que nunca tinham tido a chance de vislumbrar antes de estarem tão próximos.
Quer dizer, não é como se a gente dividisse um apartamento de um quarto ou algo assim, me convenci. Ele provavelmente não faz ideia do quão desleixada eu sou em particular. Pelo menos… espero que não… E, bem, não é como se ele já tivesse me visto usando a pressão do vento para secar o cabelo correndo ou algo do tipo… É, claro que não…
Quanto mais eu pensava nisso, mais vergonha me consumia.
Oh não, sinto que minha cabeça vai explodir em chamas! E meu rosto está tão quente que parece que vai pegar fogo também… Talvez seja isso — o nascimento de Yumiella, a Chama Explosiva!
{Yoru: Rapaz… esse é um bom nome. | Moon: Já pode ser uma personagem de Chuu.}
Soltei um resmungo, lutando contra a vontade de esconder o rosto nas mãos. E tudo por causa da bomba que o homem à minha frente, o pai de Patrick, havia soltado.
“Não se preocupe, eu sei que o Patrick se convidou”, disse-me o marquês, como se tentasse ser atencioso com os meus sentimentos. “E, de qualquer forma, aprovo o seu noivado. Aliás, até o saúdo.”
“Tenho certeza de que você não pode tomar uma decisão em tão pouco… tempo... Espera, o quê?!”
Você realmente vai tomar uma decisão tão importante com tanta facilidade?
“Tem certeza?”, perguntei. “Está tudo bem para você chegar a uma conclusão dessas tão rapidamente?”
“Bem, já faz um tempo que venho ouvindo falar muito de você pelo Patrick.” O marquês apontou.
Fiquei em silêncio, processando tudo aquilo. Parecia que Patrick vinha impulsionando as coisas nos bastidores.
Você está tentando usar sua família para me convencer a ficar com você? Pensei com desconfiança. Sinceramente, eu nem tinha planos de correr.
Na verdade, a época de fugir tinha acabado — agora que o pai dele nos dera a bênção, estávamos oficialmente noivos. Parecia irreal; tudo tinha acontecido muito facilmente.
O marquês me dirigiu outro sorriso amável. “Não posso fazer muito por você pessoalmente”, admitiu ele, “mas ficaria grato se você pudesse descansar um pouco em nossa casa antes de iniciar a viagem de volta para o seu condado.”
“Sim, nós vamos”, eu disse, aceitando imediatamente a oferta. “Muito obrigada.”
“Hum, só mais uma coisa”, disse o marquês de repente. Seu tom de voz era estranho, e a sensação de alívio que eu estava sentindo se transformou em medo. “Tenha… cuidado com a minha esposa.”
A mãe do Patrick é perigosa?!
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Assim que Patrick voltou para a tenda, nos despedimos de seu pai e deixamos a fronteira da Marca de Ashbatten, cavalgando em Ryuu até uma cidade cercada por muralhas de castelo, localizada no centro do território. Olhando para baixo, não pude deixar de pensar em como aquele era o lugar onde Patrick havia crescido.
“Ei”, eu disse de repente. “Sua mãe é assustadora? Seu pai me disse para ter cuidado.”
“Ah…” disse Patrick, hesitante. “Ela é… Bem, ela geralmente é normal. Acho que vai ficar tudo bem.”
{Moon: Geralmente? Yumiella 2.0?! Ou pior… ELEANORA 2.0!}
Bom, isso é útil. Pensei, com um suspiro. Ainda não tenho ideia de que tipo de pessoa ela é.
O que eu podia imaginar era um conflito se formando entre nós duas — afinal, desde os tempos antigos, as mães deixavam de lado tanto a moral quanto a etiqueta social para encontrar suas noras no campo de batalha. Tais guerras eram de se esperar, embora eu nunca tivesse presenciado nada parecido.
Ah, sim. Eu me lembrei. O Patrick também tem um irmão mais velho. Eu também quero conhecê-lo.
“Patrick? Como é o seu irmão?”
“Hum, bem… quer dizer, não sei se você terá a oportunidade de conhecer meu irmão. Acho que ele não vai querer ser apresentado a você.”
O quê?! Ele já me odeia? Ele nem me conheceu ainda! De repente, uma onda de dor irradiou do meu estômago; senti como se estivesse todo contraído.
Depois disso, fiz vários pedidos ao Ryuu para que ele voasse mais devagar, mas, infelizmente, ele não os percebeu. Fiquei aliviada quando a cidade finalmente se aproximou o suficiente para pousarmos.
“Hum… onde devemos pousar?” perguntei a Patrick.
Pelo que pude observar da nossa altura, a cidade ainda parecia um pouco tensa devido à emergência anterior na fronteira. As pessoas, porém, não pareciam estar se comportando de forma desordeira.
“Aquele prédio ali é a mansão do marquês”, respondeu Patrick. “Ryuu, você pode pousar no pátio, por ali?”
Observando para onde Patrick apontava, Ryuu começou a descer lentamente em direção ao solo do lado de fora de uma grande mansão. Felizmente, ele não teve problemas para pousar — havia uma grande área de terra disponível para ele tocar o solo, provavelmente porque o quintal também era usado como campo de treinamento.
Então, esta é a casa do Patrick. Pensei, absorvendo tudo.
Assim que Ryuu se acomodou, uma mulher saiu correndo da mansão. Ela acenou amplamente em nossa direção, seus longos cabelos prateados brilhando enquanto seus movimentos os faziam balançar. Ela não parecia muito mais velha do que eu, mas até onde eu sabia, Patrick não tinha uma irmã mais velha.
Espera… esse é o irmão mais velho dele?! Eu não sabia que meu cunhado era tão bonito.
“Essa é…”
“Sim, é minha mãe.”
Oh. Sentei-me por um segundo, controlando meus pensamentos tolos e direcionando-os para algo mais normal. Acho que entre um irmão mais velho que se veste com roupas do sexo oposto e uma mãe com aparência jovem, a segunda opção parece mais realista, né?
Ouvi um baque suave e me livrei dos meus devaneios. Ryuu tinha acabado de se deitar delicadamente no chão.
Tudo bem! Declarei internamente, preparando-me para uma luta. Esta é a primeira batalha na guerra mãe-filha! Usando meu poder de nível 99, eu atacarei primeiro!
Impulsionado por esses pensamentos, saltei das costas de Ryuu e corri até a mãe de Patrick.
“É um prazer conhecê-la, senhora”, eu disse, fazendo uma profunda reverência. “Sou Yumiella Dolkness.”
“Ah, não precisa ser tão formal”, respondeu ela. Parecia um pouco surpresa.
Ainda curvada, respondi: “Obrigada por ser tão atenciosa!”
Infelizmente, devido à decisão de um político de alto escalão, meu primeiro movimento foi cancelado.
Quando finalmente me endireitei, percebi que a mãe de Patrick estava olhando fixamente para o meu rosto. Comecei a me perguntar o que havia de tão estranho, mas então ela repentinamente estendeu a mão e agarrou minhas bochechas, apertando-as para cima e para baixo.
“Ah, você é tão fofa! Sua expressão não muda mesmo, exatamente como o Patrick disse!”
“Mãe, você está deixando-a desconfortável”, disse Patrick com um suspiro.
“Na verdade, não me importo”, corrigi-o. “Por favor, toque-me o quanto quiser.”
Quer dizer, se tudo o que é preciso para construir um bom relacionamento com a mãe do Patrick é deixá-la tocar minhas bochechas, é uma recompensa incrível.
A mãe do Patrick pareceu acreditar em mim, pois continuou a brincar com minhas bochechas à vontade. Enquanto ela fazia isso, eu a observei mais atentamente — ela parecia incrivelmente jovem, como se tivesse apenas vinte e poucos anos.
Pouco depois, ela soltou um suspiro e largou minhas bochechas, como se já tivesse se divertido. “Venham, venham, vocês dois”, disse ela. “Vamos entrar. Receio que o Ryuu não caiba lá dentro… tudo bem?”
“Sim, não tem problema nenhum”, eu disse a ela.
Virei-me para ver como Ryuu estava, e o encontrei quase dormindo, com a cabeça apoiada no rabo como se fosse um travesseiro. Parecia que, assim como eu, ele conseguia dormir em qualquer lugar.
Acho que é verdade o que dizem, que os filhos puxam aos pais. Mas, o mais importante, que fofo! Ele deve estar cansado depois de voar uma distância tão longa hoje.
Confiante de que Ryuu estava confortável, virei-me e segui Patrick e sua mãe para dentro da mansão. Durante todo o caminho, não pude deixar de pensar em como ela havia sido atenciosa com meu querido dragão. Era um pouco impressionante, mas eu precisava ter cuidado — não podia me basear apenas na primeira impressão que ela me causou.
Após uma curta caminhada, nós três paramos em frente a uma porta, que a mãe de Patrick abriu. Parecia dar para uma sala semelhante a uma sala de estar. Patrick deu um passo à frente, como se fosse entrar, mas sua mãe ergueu a mão.
“Não”, disse ela. “Vá para outro lugar. Tenho certeza de que você tem pessoas que quer ver, já que faz tanto tempo que você não volta para casa.”
“Bem… tenho um relatório para você sobre o avanço daquele reino—”
“Tudo bem, vou saber de tudo pela Yumiella.”
De repente, senti como se o perigo estivesse à espreita. Como eu poderia esquecer—ainda estamos no meio da nossa guerra entre mãe e futura esposa! Isso é jogo sujo, se livrar do Patrick…
“Mãe, por favor, não diga nada estranho para a Yumiella”, disse Patrick com um suspiro. “E você”, ele apontou para mim, “também não faça nada de estranho.”
Espera aí, você vai mesmo me deixar aqui com ela?! Além disso, eu jamais faria algo estranho.
Sem mais nada a fazer, virei-me para entrar na sala à minha frente, mas Patrick agarrou-me pelo pescoço, puxando-me para perto. “Não importa o que aconteça, não diga ‘Lemlaesta’ na frente da minha mãe”, sussurrou-me ao ouvido. A sua respiração roçou o meu lóbulo da orelha, causando-me um arrepio na espinha.
Ei! Não estou interessada em você por causa da sua voz bonita, então pare com isso! Eu ordeno que você nunca mais faça algo assim! Quer dizer, se você realmente quisesse, eu acho que poderia permitir mais uma vez… Talvez duas ou três vezes, dependendo da situação? Ou, hum… quantas vezes você quiser…? Mas definitivamente não estou interessada!
{Moon: Não mesmo?}
Sacudi-me, forçando meus pensamentos a voltarem ao foco.
Espera aí, o que o Patrick me disse agora? Toda aquela respiração perto da minha orelha me distraiu — não me lembro de uma palavra! Heh, isso significa que vamos ter que fazer de novo, né? Quer dizer, eu só preciso garantir que absorvi corretamente todas as informações que ele está tentando me passar. Não tem jeito…
{Yoru: Essa Yumiella, rapaz… | Del: Quem diria...}
Olhei por cima do ombro, totalmente preparada para dizer a Patrick que ele precisaria tentar sussurrar o que quer que tivesse me dito pelo menos mais três vezes, já que eu não tinha conseguido ouvi-lo direito, mas… ele havia desaparecido.
Comecei a tremer de medo. Ai, não! Conheço bem essa situação! Já vi algo parecido em novel; ela vai mudar completamente de personalidade agora que o Patrick se foi!
“Yumiella? Não fique aí parada, entre e sente-se! Estou tão feliz que você veio. Eu estava ansiosa para te conhecer.”
“Tudo bem, obrigada”, eu disse, cedendo.
Será que “Eu estava ansiosa para te conhecer” é um código para “Estou ansiosa para torturar minha futura nora”? Fiquei pensando enquanto me sentava em frente a ela. Se for esse o caso, é melhor eu me preparar mentalmente.
“Então…” começou a mãe de Patrick. “Até onde você foi com o meu filho?”
{Yoru: Que é isso?! Assim de graça!? | Moon: Na lata! Ela me lembra a mãe de um outro personagem aí… | Del: Certamente Moon, eu também percebo quem é.}
Pisquei para ela, minha mente ficando completamente em branco. “Eu… eu não sei como responder a isso.”
“Ah, olha só para você! Está com um leve rubor nas bochechas. Que gracinha.”
Espere, o que está acontecendo? Pensei, perplexa. Será que ela é mesmo uma pessoa legal? Será que me iludi pensando que seria vítima de bullying quando nada de ruim ia acontecer? Que vergonha… Perdi completamente o controle…
Sinceramente, agora que parei para pensar, eu não seria exatamente a nora da mãe do Patrick no sentido tradicional. Patrick é que se casaria com alguém da minha família, e não o contrário. Desde o início, nunca houve motivo para que houvesse uma disputa entre mãe e futura esposa.
Além disso, a mãe do Patrick tem sido tão gentil comigo até agora! Não tem como ela se transformar de repente em uma pessoa assustadora.
“Ah, mas você poderia me contar primeiro o que aconteceu no campo de batalha, Yumiella?”, disse a mãe de Patrick, interrompendo meus pensamentos. “Podemos falar sobre todas as outras coisas da minha lista depois.”
“Certamente”, concordei. “Quanto ao avanço de Lemlaesta, parece que todo o exército deles se retirou. O marquês ficará na fortaleza perto da fronteira por… Hum, senhora?”
Algo no sorriso da mãe de Patrick havia mudado, causando-me arrepios. Ela ainda parecia tão feliz como sempre, mas o ar ao seu redor estava carregado de algo sombrio.
“Lemlaesta, hein…?” disse ela lentamente. “Um reino como esse deveria desaparecer de vez. Você não acha também, Yumiella?”
Então, acho que eu estava errada. As pessoas podem mudar de repente. Devo dizer que pessoas que sorriem quando estão com raiva são realmente assustadoras…
“H-Hum…” gaguejei fracamente. “Bem, não houve vítimas, então…”
“Ora, eu não diria isso”, disse a mãe de Patrick, com uma voz melosa e enjoativa. “Você veio de tão longe para nos visitar e nem sequer podemos lhe dar as boas-vindas como deve ser. Não acha que isso é uma espécie de consequência? Talvez tenhamos que erradicar Lemlaesta, afinal. Eles não nos deixaram outra escolha.”
{Yoru: Pronto, encontramos alguém mais louca que a Yumiella! :D | Moon: Por que você tá sorrindo?? | Del: Boa pergunta, mas, POR FAVOR, alguém pode não deixar essa mulher se tornar nível 99?!}
Eba, ela gosta de mim. Fico tão feliz que você se importe comigo, sogra. Mas… eu ficaria ainda mais feliz se você se acalmasse…
Tive a sensação de que o aviso que Patrick sussurrou no meu ouvido mais cedo tinha algo a ver com isso — eu deveria ter ignorado o quão bonita era a voz dele e prestado mais atenção!
Muito bem, preciso acalmá-la. Preciso dizer algo sensato aqui para poder apaziguar essa confusão…
“Se você decidir aniquilar Lemlaesta, eu te ajudo”, ofereci.
Nãooo, Eu lamentei por dentro. Acabei de jogar mais lenha na fogueira! Como pude dizer algo tão impulsivo?! Eu só… pensei que tudo acabaria bem se ela gostasse de mim… V-Vai ficar tudo bem, tenho certeza de que, na pior das hipóteses, Patrick e o pai dele vão nos impedir. Quer dizer, as garotas mantêm os pés no acelerador e as mãos no pedal! Freios e líquido de arrefecimento são para homens!
Olhei para a mãe de Patrick, apavorada que minha declaração acalorada apenas inflamasse ainda mais seu ódio por Lemlaesta, mas, em vez disso, vi que seu rosto estava inexpressivo, sem nenhuma emoção.
Okay, isso é ainda mais assustador do que o sorriso! N-Não que eu seja a pessoa mais indicada para falar… Mas enfim, por que ela detesta tanto Lemlaesta?!
Eu conseguia ouvir meu coração batendo forte no peito. O silêncio se estendeu pela sala enquanto os segundos passavam, nós duas encarando os rostos inexpressivos uma da outra. Então, de repente, a expressão da mãe de Patrick mudou e o sorriso voltou ao seu rosto.
Eu tremi. Ela é realmente assustadora.
“Desculpe”, disse a mãe de Patrick. “Receio ter me exaltado um pouco. Não seria correto envolver você nisso.”
{Moon: Ps.: Ela não disse “não” para a proposta! :) }
“Ah, não me importo nem um pouco, está tudo bem! De qualquer forma, acho que as coisas com aquele reino ficarão bem por um tempo. Parece que eles estão divididos internamente e provavelmente não têm tempo para enviar um exército novamente.”
“Entendo, fico feliz em saber disso”, ela respondeu. “Bem, então, gostaria de saber como você conheceu meu filho. Ele sempre é vago sobre os detalhes importantes quando me conta as coisas.”
“Hum, nós conversamos pela primeira vez durante um treino ao ar livre…”
Isso mesmo, continue falando normalmente. Aja como se nada estivesse errado, como se você não estivesse apavorado com a possibilidade dela explodir de novo…
<==<>==<>==<>==>
Quando Patrick voltou, eu e a mãe dele já devíamos estar conversando há pelo menos algumas dezenas de minutos.
Você está atrasado! Dei um grito interno.
“Mãe, acho que a Yumiella está cansada da nossa longa viagem de hoje. Gostaria que ela descansasse agora, se não se importar.”
Um olhar ligeiramente culpado passou pelo rosto da mãe de Patrick. “Oh, me desculpe, Yumiella! Eu estava apenas me divertindo muito.”
“Eu também me diverti”, menti.
Na verdade, eu estava apavorada. Fiquei mais do que feliz em seguir Patrick para fora da sala de estar e para um quarto de hóspedes.
“Você acha que vai se dar bem com a minha mãe?”, perguntou Patrick de repente. “Tenho a impressão de que foi você quem mencionou aquele reino, não foi?”
“Eu… Sim…”
Ele fez uma careta. “Desculpe, eu sabia que devia ter ficado lá com você.”
Isso teria sido bom, mas não era o que eu tinha em mente no momento. Eu queria saber por que ela odiava tanto Lemlaesta, especialmente quando Patrick e seu pai não pareciam sentir o mesmo. Abri a boca para perguntar, mas Patrick começou a explicar antes que eu tivesse a chance.
“Para ser honesto, as pessoas por aqui geralmente não gostam muito de Lemlaesta. Embora o ódio da minha mãe seja particularmente extremo. Não há muitas pessoas, além dela, que os odeiem tanto assim.”
“Sim, eu percebi.”
“Basicamente, tudo começou quando eles… Bem, quando destruíram o casamento dela”, disse Patrick.
Você disse casamento casamento? Aquele tipo de casamento em que você veste um vestido de noiva, corta um bolo, troca votos e se casa…?
{Yoru: Não pô… }
“Minha mãe era originalmente filha de um marquês da região central”, continuou Patrick, “então a família dela era completamente contra o casamento dela com meu pai, que iria herdar o título mais rural de marquês. Apesar desses problemas, meus pais perseveraram e finalmente conseguiram se casar, mas uma briga com Lemlaesta aconteceu na véspera do casamento. A situação era tão séria que não era hora de realizar uma cerimônia, e meu pai acabou tendo que ir até a fronteira para ajudar.”
Bem, eu entendo por que ela ficaria chateada, com um evento tão importante, que acontece uma vez na vida, arruinado… Se alguém atrapalhasse nosso casamento… Espera aí. Não seria tão ruim assim, seria? Aí eu não precisaria usar vestido e me comportar, certo? Seria ótimo! Quer dizer, sério, por que existe essa tradição de fazer um evento desses? Eu preferiria que não tivesse nenhum, se pudesse. Mas aí eu não ia poder comer um bolo gigante…
“Ei!”, exclamei de repente. “Vamos nos casar? Só hipoteticamente, eu prometo! Hipoteticamente, num futuro muito, muito distante!”
Patrick me lançou um olhar estranho. “Claro. E não vou deixar ninguém atrapalhar, aconteça o que acontecer. Vamos fazer uma grande festa.”
“Não seria melhor, sei lá… não ter um? Quer dizer, você não gosta dessas coisas mesmo…”
“Eu não gosto muito de festas elaboradas, mas acho que é diferente quando se trata de um casamento.”
Patrick, você só pode estar brincando! Por que você está tão empolgado com isso?!
Mergulhei em pensamentos. “Um casamento, hein…?”
Um evento tão cheio de alegria não parece muito a minha praia, mas… ah, bem. De qualquer forma, vai demorar muito para acontecer.
<==<>==<>==<>==>
Acabamos ficando na Marca de Ashbatten por três dias no total. Passamos a maior parte do tempo com a mãe de Patrick, que se comportou de maneira completamente normal, contanto que o assunto não fosse o Reino de Lemlaesta, uma verdadeira bomba-relógio. No entanto, houve um momento em que a reação dela ao ouvir a palavra “limão” me fez temer pela minha vida.
Além disso, conversei bastante com a mãe do Patrick sobre minha metodologia de treinamento de nível — e descobri que ela era uma grande fã. O Patrick tentou me impedir de falar demais, mas eu não consegui me conter! Não depois de a mãe dele ter gostado tanto das nossas conversas.
{Del: Estou com franco medo dela surgir por aí em uma masmorra agora.}
Não foi apenas a mãe de Patrick que me recebeu de braços abertos — descobri que as pessoas que trabalhavam na mansão eram igualmente simpáticas. Nunca me senti tão mimada em toda a minha vida.
Sabe, talvez eu devesse pedir aos pais do Patrick para me adotarem… Pensei, sentindo um pouco de tristeza, que havia chegado a hora de partirmos. Os três dias passaram tão depressa, e nem sequer conseguimos nos despedir do pai de Patrick, pois parecia que ele ficaria retido na fronteira por mais algum tempo.
“Obrigado por tudo!” falei com a mãe do Patrick do meu lugar nas costas de Ryuu.
“Apareça quando quiser”, disse ela com um sorriso. “Só venha sozinha da próxima vez, está bem? Patrick não precisa vir.”
Eu ri baixinho. “Isso parece ótimo!” Para o meu dragão, acrescentei: “Certo, Ryuu. Hora de ir.”
Ryuu começou a bater as asas com grande força. Assim que ganhou impulso suficiente, decolou do chão e voou para o céu, com Patrick e eu em suas costas. Lá embaixo, a mãe do Patrick acenava em despedida; ela continuou até desaparecer de vista.
Tudo bem, Eu pensei. Finalmente conheci os pais do Patrick e agora estamos oficialmente noivos. Consegui realizar tudo o que eu queria — Espere…
“Não consegui conhecer seu irmão!” exclamei, virando-me para Patrick, consternada. “Ele não estava em casa?”
“Não, ele estava em casa”, gritou Patrick de volta.
Isso é bem estranho, não é? Fiquei pensando. Estivemos na mesma casa por três dias inteiros! Não deveria tê-lo encontrado pelo menos uma vez? A menos que… ele estivesse se escondendo de mim. Mas não tem como ser isso.
Aumentei ainda mais o tom de voz — não tínhamos outra escolha senão gritar um com o outro para que nossas palavras não se perdessem no sopro do vento. “Você acha que ele estava me evitando?”
“Sim!”
Então, foi isso…
De repente, senti uma certa tristeza. Eu já tinha me acostumado a ser evitada na Academia, mas o irmão do Patrick fazer isso? Foi um pouco doloroso.
Percebendo meu humor depressivo, Patrick gritou em pânico: “É que meu irmão não se dá muito bem com mulheres! Não se preocupe, se ele se esconder da próxima vez, eu o obrigarei a vir te cumprimentar!”
Eu relaxei um pouco, já não me sentindo tão magoada. Ah, então ele só tem medo de mulheres. Sabe, eu meio que tinha esquecido que eu era uma antes disso. Se me lembro bem, acho que ouvi dizer que os caras que têm medo de mulheres são especialmente ruins em se comunicar com pessoas da mesma idade que eles inevitavelmente percebem como sendo do sexo oposto. Ter o irmãozinho dele trazendo para casa uma mulher linda como eu deve ter sido humilhante. Quer dizer, eu sou tão linda que chega a ser quase um crime.
Enquanto eu me deliciava com esses pensamentos, Patrick me interrompeu bruscamente, falando novamente: “Meu irmão não se dá bem com mulheres de personalidade forte, especialmente as agressivas e de temperamento difícil. Acho que é por causa da mãe dele…”
“Você acha… que eu sou agressiva e mal-humorada?”, perguntei, hesitante.
Eu, bonita?! Ha! Patrick não mencionou minha beleza uma vez sequer! Espero que todas as tais garotas bonitas desapareçam da face da Terra!
“Bem, eu não acho que você tenha um temperamento ruim…” disse Patrick, relutantemente. “Mas, sobre ser ‘agressiva’…”
É isso aí! A partir de amanhã, vou viver como Buda! Deixarei minha agressividade para trás e trabalharei duro pelo meu condado!
Resenha do Tradutor e Revisores
Yoru: Aqui vai o contexto.
Lago Touya: Um lago de caldeira vulcânica que fica no Parque Nacional Shikotsu-Touya no distrito de Abuta em Hokkaido, Japão. Eu também não entendi a referência então fui pesquisar. Aparentemente o protagonista do anime Gintama tem uma espada de madeira com o nome “Touya-ko” (lago Touya) gravado no cabo.
Toshizo Hijikata: Foi um samurai e vice-comandante do Shinsengumi, uma força policial de elite que serviu ao Xogunato Tokugawa no final do período Edo no Japão.
Izuminokami Kanesada: A espada de Toshizo Hijikata, forjada pelo armeiro de mesmo nome da espada. Curiosamente, também é um personagem de um jogo/anime chamado Touken Ranbu, onde espadas lendárias encarnam como samurais que lutam contra uma força do futuro que quer mudar o passado.
Resumindo, a amiga da Yumiella era uma grandissíssima otaku kkkkkk. Além disso, finalmente encontramos alguém capaz de botar medo até na Yumiella! Sogra é complicado, nem com nível 99 dá pra competir, é fogo… Enfim vejo vocês no próximo capítulo! :)
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