Vol 2
Capítulo 11
O Chefe Oculto Se Torna Dono De Um Condado
Na manhã do segundo dia depois de Patrick ter me convencido a voltar para casa de carruagem e ter feito os preparativos subsequentes, nós dois partimos para o Condado de Dolkness. Fomos despedidos pelos criados da mansão e por Eleanora, que apareceu por algum motivo inexplicável.
Eu viajei com Patrick e Rita na primeira parte da viagem, enquanto a irmã mais nova de Rita, Sara, viajou na carruagem que seguia atrás de nós, que estava lotada com nossos pertences.
Tínhamos parado para almoçar algumas horas depois de iniciarmos a viagem e mal tínhamos retomado a jornada quando uma onda de sonolência me atingiu. Minha consciência começou a oscilar, mas quando eu estava prestes a adormecer completamente, fui despertada bruscamente pelo balanço violento da carruagem.
Que tipo de estrada é essa? Pensei, descontente. É feita de cascalho ou algo assim?
Bocejei e me virei para Patrick. “A carruagem não está balançando demais?”
“As estradas devem estar em péssimo estado”, disse Patrick, com uma expressão de desagrado no rosto que me fez pensar que ele também não estava gostando muito do balanço. “É isso que acontece quando o dono relaxa.”
Quem quer que seja o responsável pela manutenção aqui realmente não entende nada do assunto, pensei com um suspiro interno. Não sei se são mesquinhos ou o quê, mas qualquer pessoa com um mínimo de inteligência sabe que se as estradas estiverem ruins, o transporte de mercadorias ficará estagnado, o que resultará na diminuição do número de visitantes. Se isso acontecer, a economia não poderá crescer e a arrecadação de impostos diminuirá.
Com o passar do tempo, fiquei cada vez mais irritada — eu conseguia suportar a baixa velocidade da carruagem, mas não aguentava o balanço incessante.
Gostaria de conversar com quem estiver no comando, caso eu venha a encontrá-lo(a). Pensei de forma sombria.
“Sério, o que essas pessoas estavam pensando?”, reclamei em voz alta. “Vocês sabem o nome do território em que estamos?”
“Decorei o mapa, mas como é a minha primeira vez visitando o local, não tenho certeza”, admitiu Patrick.
Acho que vamos ter que perguntar para alguns moradores locais.
Nesse instante, Rita, que estava sentada à nossa frente, lançou-nos um olhar hesitante e disse: “Erm… Entramos no Condado de Dolkness há alguns instantes.”
“Eu… entendo…” eu disse.
Peço desculpas, mas parece que o problema está no meu próprio condado.
Me virei para o Patrick, na esperança de que ele me salvasse da intensa vontade que eu sentia de fugir gritando daquela situação, mas ele apenas desviou o olhar, sem jeito.
“Mas também há coisas boas no Condado de Dolkness!” exclamou Rita. “Tipo... ladrões praticamente não vêm para cá!”
“Certo. Obrigada…” eu disse, sem reação.
Mesmo tendo agradecido a ela, eu não tinha muita certeza se suas palavras tinham me ajudado em alguma coisa. Quer dizer, claro, o mundo de LMH era perigoso, mas eu nunca tinha ouvido falar de alguém que tivesse se deparado com ladrões.
Eu simplesmente não acho que roubar esteja na moda agora, sabe?
Mesmo assim, não adiantava ficar chateada. Eu precisava primeiro entender o terreno — e, a julgar por essas estradas, o estado do condado era ainda pior do que eu imaginava. E isso foi antes de virarmos em uma nova estrada, que se estendia entre dois campos de cevada. Eu sempre associei a cevada a um tom dourado, amarelado, mas as hastes nos campos à minha frente estavam completamente verdes. Os grãos nem sequer tinham germinado.
“Elas não estão crescendo bem”, murmurou Patrick, com os olhos fixos e sombrios nos campos de cevada verdejantes.
Você não pode estar falando sério! As estradas estão esburacadas, os campos estão devastados… Tenho até medo de perguntar como as pessoas estão.
Sinceramente, nem precisei ir verificar — pessoas que vivem em um condado tão decadente certamente não estariam por aí cheias de vida.
“Se eu soubesse antes que era tão ruim assim…” eu disse baixinho.
Mas, no fim das contas, eu sabia que estava apenas com pena de mim mesma. Se eu tivesse visitado minha casa ao menos uma única vez enquanto frequentava a Academia, teria percebido o que estava acontecendo. Mesmo assim... eu suspirei. Acho que não adianta chorar pelo leite derramado.
Eu caí no meu assento, refletindo sobre como tinha sido tola ao me contentar apenas em ver um monte de números positivos em um balanço patrimonial.
“Não precisa ficar tão triste”, disse Patrick, tentando me consolar. “Seus estudos na Academia serão vitais para administrar o condado agora.”
“Obrigada”, eu lhe disse, mas minha voz estava fraca.
“Além disso… não estou tentando te culpar nem nada, mas como você não percebeu o quão ruins as coisas estavam quando você morava aqui?”
“Na época… em que eu morava aqui?”, perguntei lentamente.
Ah, sim. Eu morava em uma mansão no Condado de Dolkness até três anos atrás, quando entrei para a Academia.
A verdade é que, naquela época, eu passava a maior parte dos meus dias andando de um lado para o outro entre a mansão da minha família e a masmorra que ficava ali perto. Eu não tinha a menor ideia da situação horrível em que o condado se encontrava.
“Eu… não me lembro de ter ido a nenhum lugar além da masmorra e de casa”, respondi finalmente. “Também não falava com ninguém daqui naquela época.”
“Desculpe…” disse Patrick, com uma expressão triste no rosto. “Eu não deveria ter perguntado.”
De repente, o clima na carruagem ficou incrivelmente constrangedor. Eu não achava que tinha tido muito azar — afinal, eu tinha conseguido ganhar tanta experiência quanto queria — mas pelos olhares de pena nos rostos de Patrick e Rita, ficou claro que eles discordavam.
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Depois de passar mais de meio dia balançando em uma carruagem, finalmente chegamos ao nosso destino: a vila de Dolkness. O sol estava se pondo e uma luz dourada banhava a cidade, que não tinha muralhas para lançá-la na sombra.
A vila de Dolkness era a maior cidade do condado e ficava quase exatamente no meio do território da minha família. Sendo assim, era natural que fosse nessa cidade que se localizava a mansão do proprietário do condado.
Ao contemplar o lugar onde passei minha infância, percebi que ele parecia bastante lento em comparação com a capital real.
Acho que é assim mesmo que é o interior, mesmo que você esteja na cidade mais importante do condado, pensei.
“A economia deles parece estar em péssimo estado…” murmurou Patrick.
Ele havia me dito há poucos instantes que, comparada a outras cidades provinciais de porte semelhante, a vila de Dolkness carecia seriamente de energia e vigor. A rua principal por si só já bastava para perceber o quão precária era a situação da cidade — era feita de paralelepípedos que pareciam ter sido colocados ali sem qualquer manutenção, assim como as estradas que davam acesso ao condado. A superfície irregular fazia com que as rodas da nossa carruagem saltassem e tilintassem ruidosamente a cada curva.
À medida que nossa carruagem avançava pela cidade, lembranças da minha antiga casa começaram a surgir em minha mente. Pensando bem, aquela mansão em que eu morava já deve estar bem velha. Percebi.
Abri uma janela e coloquei a cabeça para fora bem a tempo de a mansão aparecer à vista. Tinham passado apenas três anos, mas ainda assim senti nostalgia ao vê-la novamente.
Poucos instantes depois, a carruagem deslizou até parar em frente à antiga mansão, e os sons horríveis que as rodas vinham produzindo cessaram completamente.
Os criados saíram em massa, como se nossa chegada tivesse sido anunciada por todo o barulho. Enfileiraram-se às dezenas em frente à mansão.
Eu enviei uma carta informando a eles da data e hora aproximadas da nossa visita, pensei. Certamente, eles parecem ter se preparado.
Patrick se levantou, virou-se para mim e saiu da carruagem. “Já disse isso antes, mas vou repetir: a primeira impressão é importante. Por favor, lembre-se de ser o mais gentil possível.”
Assenti com a cabeça. “Entendi! Tudo o que preciso fazer é garantir que eles não tenham medo de mim.”
Patrick inclinou a cabeça silenciosamente em resposta à minha observação e, em seguida, saiu da carruagem.
Muito bem, hora de mostrar minha simpatia!
Fazia apenas três anos que eu não via os funcionários da mansão, mas as coisas estavam completamente diferentes agora — eu não era mais a garotinha que eles não sabiam como lidar e haviam abandonado à própria sorte — eu era a chefe da família. Como tal, era totalmente compreensível que eles temessem que eu quisesse me vingar por alguma ofensa infantil que eles acreditavam ter cometido.
Preciso deixar claro desde já que não tenho nenhuma intenção de fazer isso.
Saí da carruagem depois de Patrick e tentei dar a todos um sorriso afetuoso, mas... bem, isso foi impossível para mim, então acabei mantendo minha expressão impassível de sempre.
“Olá”, eu disse a todos. “Faz tempo. Não me esqueci dos dias divertidos que passei aqui; adoraria retribuir a todos vocês por cuidarem de mim.”
Muito bem, estamos começando com o pé direito! Pensei, comemorando mentalmente. Tudo o que preciso fazer agora é deixar claro que sou uma pessoa pacífica e madura. Talvez eu deva tentar transmitir uma imagem de confiabilidade também.
Determinada a fazer tudo certo, continuei: “Como todos vocês sabem, estou no nível 99… Vocês entendem o que isso significa, certo?”
{Moon: Com essa apresentação completamente amigável, se eu fosse uma das antigas funcionárias, eu teria me cagado!}
Ah, é bom poder dizer a eles que posso garantir a segurança deles, aconteça o que acontecer, pensei com um pequeno suspiro de satisfação.
Sinceramente, eu estava me sentindo bastante orgulhosa de mim mesma com aquela última frase — eu tinha soado como uma verdadeira durona. Todos os outros, no entanto… bem, eles não reagiram muito bem. Os homens e mulheres mais velhos estavam todos paralisados, servos e empregadas domésticas.
{Del: Todos simplesmente gelando até a última gota de sangue.}
Virei-me para Patrick para lhe perguntar o que havia de errado, mas encontrei-o com as mãos na cabeça. Ele soltou um suspiro profundo e cansado.
Ah, o que é isso?! Pensei, decepcionada. Alguém pode ao menos me responder?
Percorri com o olhar o grupo à minha frente, e todos se curvaram profundamente antes de ousarem fazer contato visual comigo.
Afinal, eles têm medo de mim? Eu me preocupei. Eu realmente não sou boa em construir relações interpessoais…
Eu não me importava de ficar sozinha na Academia, mas isso era diferente — eu ia trabalhar com todos eles dali em diante! Não tinha como fugir disso. Então, decidi encará-los de frente.
“Lembre-se, você não pode fugir, mesmo que queira”, murmurei para mim mesma. Eu havia dito aquelas palavras apenas para mim, mas elas ressoaram mais do que eu esperava, ecoando por toda a área silenciosa.
“Ih!” gritou uma das empregadas, caindo no chão.
Vários outros criados desmaiaram depois dela, espalhando corpos inertes pelo chão. Estendi a mão para uma das pessoas que havia desmaiado, com a intenção de ajudá-la, já que ninguém havia feito nada nesse sentido, quando Patrick agarrou meu braço e me impediu de continuar.
“Ei, por que você está me impedindo?” perguntei, confusa. “Minha magia seria útil aqui.”
Patrick me encarou sem expressão por um instante, então a compreensão surgiu em seu rosto. “Ah, você quer dizer sua magia de cura.”
“Sobre o que mais eu estaria falando?”, perguntei.
Eu deveria ser capaz de cuidar de todos de uma vez… e se eu espalhar minha magia de cura por toda esta área, posso curar também seus ferimentos antigos.
Levantei os braços em direção a todos, preparando-me para lançar meu feitiço, mas então congelei quando Patrick me deu uma pancada na cabeça.
{Moon: Respiração Cearense: 1° forma, Tanjiro?!}
“Você está tentando assustá-los ainda mais?!” ele perguntou, claramente exasperado comigo. “Fique quieta e não diga nada.”
Fiquei um pouco intimidada pela força de suas palavras, então permaneci em silêncio. Mas não gostei disso.
Agora que ele tinha me tirado da jogada, Patrick começou a falar, com a voz forte e ressonante. “Peço desculpas pela Yumiella ter assustado a todos”, começou ele. “Sou Patrick Ashbatten e vim aqui para apoiá-la na administração do condado. Ela é frequentemente incompreendida, mas a Yumiella é uma boa…” Patrick fez uma pausa. “Uma boa…”
Não hesite!
Patrick pigarreou. “Bem, ela não é uma pessoa má, então vocês podem relaxar.”
Ao ouvirem as palavras de Patrick, os criados entreolharam-se e depois olharam para nós, como se estivessem avaliando a situação.
Ah, agora entendi, só preciso contar uma piada totalmente doentia e acabar com as preocupações de todo mundo!
Assim que eu me preparava para esperar o momento perfeito para atacar, Patrick se virou para mim. “Como eu disse antes, não diga mais nada”, disse ele firmemente.
Assenti com a cabeça em silêncio. Parece que este não é o momento certo.
De repente, me ocorreu uma ideia. Eu queria muito contar para o Patrick, mas não podia falar, então decidi tentar transmitir minha mensagem por meio de mímica. Apontei para o céu e bati os braços como se fossem asas.
Ele com certeza deveria receber isso! Pensei com confiança. Já estamos praticamente conectados telepaticamente.
“E agora?”, disse Patrick com um suspiro. “Você pode falar — apenas me diga.”
Ele não entendeu… Bem, agora não importa; provavelmente ele mesmo vai perceber.
Mesmo assim, senti que devia lhe contar. “O Ryuu está aqui já.”
“O quê?!” O rosto de Patrick empalideceu. “Espere, Ryuu deveria vir o mais devagar possível—”
Balancei a cabeça negativamente. Mesmo que Patrick quisesse que Ryuu demorasse um pouco para chegar, isso simplesmente não ia acontecer. Eu não havia usado magia para sinalizar nossa localização, mas Ryuu já estava no céu acima de nós — o que significava que ele estava seguindo nossa carruagem do ar, indicando que ele estava preocupado de que pudéssemos nos separar durante a mudança.
Antes que Patrick pudesse protestar mais alguma coisa, meu dragão, sempre tão grudento, veio voando em nossa direção a toda velocidade. Houve um estrondo ensurdecedor quando ele pousou, e o chão tremeu com a força do impacto, levantando uma nuvem de poeira no ar. Eventualmente, porém, a poeira se dissipou, e meu dragão preto como a noite emergiu de dentro dos destroços. Ele soltou um longo rosnado, como se dissesse: “Prazer em conhecê-los”.
“Pessoal, este é Ryuu, meu dragão. Ele acabou de dizer que é um prazer conhecer todos vocês.”
Mais algumas pessoas desmaiaram, e Patrick soltou um suspiro.
Hã? Eu pensei, Que estranho. Achei que o clima por aqui ficaria mais tranquilo com a presença de um mascote.
Em meio a toda aquela comoção, um homem de meia-idade deu um passo à frente, curvando-se levemente. “Bem-vinda de volta, mestre”, disse ele respeitosamente. “Sou Daemon, o delegado interino deste condado.”
“É um prazer conhecê-lo, Sr. Daemon”, respondi.
Lancei um olhar avaliador ao homem. Então, aquele homem com cara de cansado é o delegado suspeito de falsificar nossos livros contábeis, né? Acho que talvez eu já o tenha visto por aqui enquanto morava.
O assistente corou. “Não há necessidade de tanta formalidade com um empregado, mestre! Por favor, dirija-se a mim simplesmente como Daemon.”
Eu sabia que não devia, de verdade. Falar de forma tão formal era apenas um reflexo da minha vida passada, quando eu tinha que tratar todos com cortesia com quem mantinha relações comerciais, independentemente da hierarquia. Pensei que tinha superado isso, considerando o quanto convivi com a sociedade aristocrática na Academia, mas parece que ainda não consegui me desapegar completamente.
Agindo dessa forma, só vou causar problemas para ele. Eu decidi. Preciso me concentrar e mudar o tom da minha fala com ele. Mesmo assim, ele me chamar de “mestre” pareceu um pouco demais. Acho que ‘senhorita’, ‘senhor’ e ‘senhora’ estariam todos errados, então foi isso que ele escolheu.
Finalmente, respondi: “Obrigada, Daemon. Mas, erm… eu gostaria que você não me chamasse de mestre.”
Ele assentiu. “Entendido, senhorita Yumiella. A senhorita deve estar cansada da longa viagem. Já preparamos seu quarto, então, por favor, descanse. Começaremos a preparar um quarto para o Sr. Patrick imediatamente também. Só falta…” Daemon olhou para Ryuu e ficou em silêncio.
Ele certamente não sabe como lidar com um dragão.
Decidindo ajudá-lo, perguntei: “Quanto ao Ryuu… temos algum espaço no quintal?”
Um semblante de alívio surgiu no rosto do delegado. “Se é lá que você prefere que ele fique, há um campo aberto no extremo oposto da mansão. O único problema é que ele acabará fora dos muros da mansão.”
Daemon explicou que Ryuu ficaria exposto à chuva por um tempo, mas eu sabia que meu garoto dormiria como uma pedra mesmo em uma área sem cobertura no meio de um temporal, então imaginei que ele provavelmente ficaria bem por enquanto.
Se for preciso, eu durmo lá fora com ele. Consigo dormir como uma pedra mesmo no meio de um temporal!
“Agradeço sua ajuda, Daemon”, eu disse ao delegado, me virando para meu dragão. “Você ouviu isso, Ryuu? Você fica com a área aberta atrás da casa. Mamãe precisa trabalhar um pouco agora, então você está livre para fazer o que quiser.”
Após soltar um grunhido de afirmação, Ryuu bateu as asas e voou para o céu, sua figura logo desapareceu na distância.
Ele provavelmente está curioso sobre os arredores de sua nova casa e saiu para explorar. Eu pensei. Só espero que ele não me traga um monstro de presente.
Daemon relaxou um pouco e soltou um suspiro agora que Ryuu havia partido, mas logo retomou sua postura digna. “Minhas desculpas. Bem, então, deixe-me mostrar-lhe o seu quarto.”
Fiz uma pausa, observando os criados que vieram me cumprimentar no gramado. Metade deles parecia estar inconsciente.
“Hum, você tem certeza de que essas pessoas vão ficar bem?”, perguntei. Não me parecia certo simplesmente deixá-las lá e entrar.
Patrick, no entanto, não teve tais escrúpulos. Ele me empurrou por trás, incentivando-me a entrar na mansão.
“Ei!” eu disse, estreitando os olhos para ele por cima do meu ombro.
“É melhor para a saúde deles que você não esteja por perto”, disse Patrick sem rodeios.
Eu cedi um pouco, me rendendo à força de Patrick. Será que a minha mera presença representa mesmo um risco tão grande para a saúde? Eu deveria… ser regulamentada por lei…?
Não podia ter certeza disso, mas tinha certeza de que meu encontro com os criados da mansão tinha sido um desastre.
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Depois disso, Daemon assumiu o controle, nos guiando pelos corredores da mansão.
Eu estava me sentindo um pouco distraída, pois estava preocupada em deixar Rita para trás. Espero que ela esteja bem. Pensei, dando um suspiro interior.
“Daemon”, chamei o homem que caminhava à nossa frente, “não estou muito cansada, então adoraria que você me mostrasse o escritório antes de qualquer outra coisa.”
Após uma breve pausa, Daemon respondeu: “Sim, como desejar.”
O tempo que ele levou para responder fez com que Patrick e eu trocássemos olhares silenciosos — nossos rostos pareciam dizer: “É, afinal ele estava fraudando os livros contábeis e desviando fundos.”
Quer dizer, era óbvio que algo nefasto estava acontecendo.
Enquanto continuávamos a caminhar, decidi fazer algumas perguntas a Daemon de forma casual. “Então, há quanto tempo você trabalha como delegado, Daemon?”, perguntei.
“Acredito que já faz uns vinte anos”, disse ele após um breve debate.
Então ele começou antes de eu nascer. Isso é bastante tempo.
“Entendo…” eu disse lentamente. “Meus pais residem atualmente na Capital Real; você preferiria servi-los?”
O delegado balançou a cabeça negativamente. “Minha lealdade é com a família Dolkness e com o Condado de Dolkness. Meu propósito é servir ao proprietário do condado.”
Eu não sabia bem como interpretar aquilo — eu tinha feito a pergunta para tentar entender como ele se sentia em relação à confusão que eu havia causado na minha família, mas ele me deu uma resposta tão inocente que eu não consegui captar nada. Daemon podia parecer um velho acabado, mas era evidente que ele era um sujeito bastante durão.
Antes que eu pudesse continuar meu interrogatório, Daemon parou em frente a uma porta. “Este aqui é o escritório”, disse ele.
Espiei lá dentro — estava tão organizado que nem parecia um espaço de trabalho.
Eles devem ter se apressado para limpar tudo há uma semana, quando descobriram que eu viria. Eu decidi.
Prossegui e pedi para ver os livros contábeis dos últimos anos, e me entregaram os mesmos documentos que Ronald havia me mostrado na Capital Real. Assim como naquela ocasião, a receita tributária apresentava um leve crescimento anual, o que era extremamente incomum para um condado cuja economia girava em torno da agricultura. E agora que eu havia constatado o estado deplorável em que a economia do condado parecia se encontrar, tinha certeza absoluta de que algo estava errado.
“Daemon, nossa arrecadação de impostos sempre aumentou dessa maneira?”, perguntei.
“Sim, tem sido assim desde que assumi este cargo”, concordou ele. Foi uma resposta indiferente, mas não deixei de notar a gota de suor que se formou em sua testa.
Me voltei para o Patrick, que estava analisando os extratos em silêncio, e ele balançou a cabeça negativamente. Parecia que ele não tinha ideia do que havia sido alterado, ou mesmo como isso tinha sido feito. Mergulhei em pensamentos profundos, o que pareceu impulsionar Daemon adiante.
“A arrecadação de impostos continuará aumentando enquanto você deixar tudo em minhas mãos”, ele jurou, com a voz em pânico. “Você pode simplesmente aproveitar seus dias de folga tranquilamente e não se preocupar com o condado, senhorita Yumiella…”
Lancei-lhe um olhar duvidoso. “Pelo que vi no caminho, o condado parece estar em péssimo estado…”
“Está tudo bem, Lady Yumiella, eu lhe asseguro! Os lucros aumentarão no próximo ano e no ano seguinte, e irão inteiramente para você.”
Ele não parece querer que eu me intrometa na administração do condado. Refleti. Ele é definitivamente culpado. Mas se isso for verdade, por que nossa arrecadação de impostos continua aumentando? Deveria estar diminuindo se ele estivesse enriquecendo ilicitamente. Imagino que seria um problema para ele se suas habilidades fossem questionadas como resultado disso, mas a agricultura depende muito do clima, e a agricultura representa a maior parte da nossa arrecadação de impostos. É natural que haja algumas reduções. As únicas pessoas que não entenderiam algo assim são… Ah.
Agora que uma explicação adequada me ocorreu, me virei para o Patrick para confirmar minhas suspeitas. “Patrick”, eu disse, “se levarmos em conta a dimensão do Condado de Dolkness, nossa arrecadação de impostos é alta ou baixa?”
“É definitivamente alta”, disse Patrick enquanto guardava os documentos que havia terminado de ler. Ele provavelmente estava pensando a mesma coisa que eu.
Voltei-me para o meu assistente, que tinha olheiras muito escuras. Chegou a hora de lhe fazer algumas perguntas para que possamos obter uma resposta concreta.
“Ei, Daemon”, perguntei casualmente, “por que seu antecessor deixou este emprego?”
“Ele foi demitido devido à queda nos lucros…” disse ele lentamente.
Meu Deus, é exatamente como eu pensava, percebi. Por pouco não dei um tapa na testa. Minha teoria estava certíssima.
Quando eu estava pensando nas ações de Daemon, cheguei à conclusão de que o Condado de Dolkness provavelmente era apenas um mecanismo para gerar dinheiro para o meu pai. A única maneira de um delegado manter o emprego sob o comando de um homem como ele era garantir que a receita do condado aumentasse a cada ano — se ele falhasse e a receita diminuísse, meu pai simplesmente o demitiria.
Além disso, se a arrecadação de impostos não aumentasse mesmo após a troca de deputados, meu pai provavelmente teria sido irracional e decidido aumentar a alíquota de impostos. Para evitar esse problema, Daemon aparentemente sempre se certificava de apresentar documentos que afirmavam que a arrecadação de impostos estava aumentando a uma taxa constante.
Fraude é fraude, mas se eu estiver certa, essa fraude foi resultado de Daemon fazendo o que era melhor para o povo do Condado de Dolkness.
E agora, o que fazer? Não podemos evitar que ele seja punido, já que falsificou os documentos submetidos ao reino… Mas, espere, eu também seria responsável como sua supervisora? Sorri por dentro. Então, por uma vez, agirei como uma verdadeira aristocrata e darei o meu melhor para preservar a minha saúde!
“Ei, Patrick, tinha alguma coisa estranha nos documentos?”, perguntei num tom forçado.
Ele balançou a cabeça. “Não, não havia absolutamente nada de errado. Aqueles documentos pareciam perfeitos para mim.”
“Então… seria correto dizer que Daemon é um deputado que trabalhou com integridade, certo?”
“Sim, você pode fazer o que quiser”, disse Patrick com um sorriso gentil, claramente entendendo onde eu queria chegar.
Como não havia provas e a fraude não havia sido motivada por ganância, meu plano era agir como se não tivéssemos visto ou percebido nada. Mesmo assim, eu realmente queria agradecê-lo por todo o seu trabalho árduo até agora.
“Daemon, peço desculpas por todas as dificuldades que lhe causei no último ano”, pedi desculpas sinceramente. “Obrigada por continuar apoiando o Condado de Dolkness.” Daemon ficou paralisado, em choque, enquanto eu continuava: “Este era um trabalho que alguém da família Dolkness deveria estar fazendo, então espero que você continue nos ajudando agora que estarei… ‘ajustando’ suas funções.”
Inclinei-me diante dele, e Daemon pressionou os dedos contra os olhos. “E-eu… Erm…” ele gaguejou, engasgando com as palavras.
Espere, você está chorando?
“Eu falsifiquei documentos… Ocultei os lucros dos anos em que tivemos colheitas e os apliquei nos anos sem produção.”
Levantei a mão. “Ei, você não deveria admitir isso.”
O homem mais velho fungou. “Os problemas do condado estavam além do meu alcance, e agora sua situação financeira está um caos. Faz tempo que não consigo trabalhar em nenhum projeto de obras públicas.”
“Bem, as finanças do condado estão um caos porque a maior parte do dinheiro estava sendo enviada para meus pais na capital real, certo?”, apontei.
Pelo que eu vi, se Daemon não estivesse aqui, o condado poderia ter acabado em um estado ainda pior do que estava agora.
Meu louvável assistente olhou diretamente nos meus olhos e disse: “Sim, mas é verdade que eu falsifiquei documentos.”
É como se ele estivesse preparado para ser punido. Eu pensei.
“Mesmo assim”, respondi, “gostaria que você continuasse apoiando o Condado de Dolkness daqui para frente. Tudo bem para você? Ah, mas se você não quiser mais estar associado a este condado, tenho um convite para você de alguém em um alto cargo na Capital Real…” Peguei a carta de recomendação de Ronald e entreguei a Daemon, mas ele a recusou imediatamente.
“Eu, Daemon, juro fazer tudo ao meu alcance por este condado e por você, senhorita Yumiella”, disse ele, curvando-se em sinal de respeito.
De repente, senti-me um pouco estranha. Erm, não foi a mesma coisa que aconteceu com a Rita…?
{Del: Tava pensando o mesmo…}
Ainda assim, senti-me profundamente reconfortada pelo fato de Daemon, que tinha trabalhado arduamente como adjunto do condado durante anos, ter prometido continuar a trabalhar comigo.
“Peço sinceras desculpas pelo mal-entendido, senhorita Yumiella”, disse ele, curvando-se novamente.
“Não, peço desculpas”, eu lhe disse. “Eu deveria ter vindo antes. Tenho certeza de que você pensou que eu só queria dinheiro, como meus pais.”
“Ah, bem, isso fazia parte…”
‘Fazia parte’?! O que mais ele poderia ter pensado de mim?
Antes que eu pudesse perguntar, a mão de Patrick pousou delicadamente na minha cabeça e me interrompeu. “Que bom que você conseguiu esclarecer as coisas”, disse ele, sorrindo gentilmente para mim.
“Sim”, concordei. “Embora algumas pessoas tenham desmaiado mais cedo, depois disso acho que tudo ficará bem.”
Pensar em como eu poderia construir um bom relacionamento com todos os criados, a maioria dos quais havia sido nocauteada na entrada, me deixou profundamente comovida. Pelo menos, até Patrick estourar meus sonhos.
“Não tem jeito, as coisas não vão ficar bem só por causa disso”, proclamou Patrick cruelmente. “Essas pessoas provavelmente têm mais medo de você do que as pessoas tinham na Academia!”
Mas as pessoas tinham muito medo de mim na Academia… Pensei com relutância. O Patrick realmente acha que aqui será pior do que lá? Isso não é verdade, é…?
Olhei para Daemon em busca de alguma garantia de que não era esse o caso, mas ele evitou abordar meus medos mudando de assunto.
“Eu… eu ia perguntar antes”, gaguejou ele, “mas estou correto em supor que Sir Patrick é seu cuida—… quer dizer, noivo?”
Ele quase chamou o Patrick de meu cuidador? E depois… de meu noivo? Ele não é, pelo menos não ainda. Além disso, mesmo que fosse, eu jamais poderia apresentar o Patrick como meu noivo. Seria muito constrangedor.
Meu cérebro parou de funcionar direito por causa do constrangimento, então tentei explicar de forma simples. “O Patrick é, hum, você sabe… Ele meio que veio junto.”
{Del: Patrick… sinto muito meu mano.}
“Ele meio que ‘veio junto’?”, disse Daemon, repetindo minhas palavras com uma expressão vazia.
Ouvir isso da boca de outra pessoa me fez parecer insensível. Virei-me para Patrick para pedir desculpas, mas ele parecia completamente apático.
“‘Meio que vim junto…’”, murmurou ele baixinho para si mesmo.
{Moon: Coitado…}
“Desculpe, não era essa a minha intenção”, falei apressadamente. “Sou muito grata por você ter vindo comigo ao Condado de Dolkness, mas nosso relacionamento não é como o de um casal de noivos, onde é natural estarmos juntos. Para sermos mais radicais, somos quase estranhos em alguns aspectos.”
Fiz uma pausa, ficando cada vez mais constrangida. Quanto mais eu falava, pior parecia ficar para mim mesma. E para Patrick, a julgar pela atmosfera pesada ao seu redor.
“Hum, mas se eu tivesse que escolher entre gostar ou não gostar de você, eu não diria que não gosto! E se eu tivesse que escolher entre estar feliz ou infeliz que você veio, eu não diria que estou infeliz, então…”
Por dentro, eu gritava de agonia. Por que eu não posso simplesmente dizer honestamente: “Fico feliz que você tenha vindo porque eu gosto de você”?!
{Moon: Amiga…Vocês namoram!!! | Yoru: ENTÃO!!! | Del: NÉ, agora eu entendi porque falaram que a Yu é meio derê.}
Enquanto eu permanecia ali, sem saber o que fazer, Patrick soltou um suspiro e me deu um leve sorriso.
“Ah, acho que entendi”, disse Daemon para si mesmo.
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Eu queria falar mais sobre como iríamos administrar o condado daqui para frente com o Daemon, mas nós três decidimos descansar por hoje e ter uma reunião adequada amanhã.
O quarto que a equipe havia preparado para mim era o mesmo em que eu morava antes; ficava no segundo andar. Levei um tempo para perceber que era o mesmo quarto, pois não havia um único objeto pessoal meu lá dentro, e a planta da mansão não me era familiar. Mas, assim que olhei pela janela, soube exatamente onde estava. Eu costumava pular dessa mesma janela para a árvore do lado de fora e usar seus galhos para escalar os muros que protegiam a mansão.
“Que nostalgia…” suspirei. “Agora eu poderia pular os muros com um único salto, então não precisaria mais daquela árvore.”
“Por favor, não saia pela janela”, disse Rita por trás de mim, me interrompendo bruscamente em meus devaneios.
Aparentemente, ela foi designada para trabalhar para mim mais uma vez.
“Você acha que vai se dar bem com todo mundo aqui, Rita?”
Ela assentiu alegremente. “Sim, eles têm nos tratado, a mim e a Sara, com muita gentileza. Eles também me deixaram responsável por cuidar de você.”
Você parece estar se gabando, Rita, mas acho que eles simplesmente te obrigaram a fazer um trabalho que não queriam… Dei de ombros, pensando comigo mesma. Contanto que ela esteja feliz com isso, acho que está tudo bem.
“No entanto,” Rita disse, com uma expressão de desagrado: “Não posso aceitar a atitude deles em relação à senhorita, senhorita Yumiella. Não importa o quanto eu lhes fale sobre sua benevolência, eles não acreditam em mim.”
Suspirei. Quanto mais Rita falava, mais o efeito que ela fazia sobre a minha reputação provavelmente era o oposto.
Na época em que participei da cerimônia de ingresso na Academia, aconteceu a mesma coisa: eu sempre parecia tropeçar no primeiro passo ao tentar construir relacionamentos com as pessoas. Se eu conseguisse descobrir o que estava fazendo de errado, teria me esforçado ao máximo para corrigir, mas por mais que tentasse, não conseguia pensar em nenhum aspecto de mim que precisasse ser melhorado.
“Será que eu simplesmente tenho uma aura assustadora?”, suspirei.
“Acho que não”, respondeu Rita após um certo instante.
Cerrei os olhos. Qual foi o motivo daquela pausa?
“Fazer algo bizarro e ser incompreendida por aqueles ao seu redor é apenas mais uma de suas características, senhorita Yumiella”, continuou Rita, lançando-me um sorriso para me animar. “Eu também admiro essa sua faceta.”
“Ainda assim… eu gostaria de corrigir essas partes de mim.”
“É mais fácil falar do que fazer”, disse Rita, seriamente.
Precisa mesmo queimar o meu filme logo de cara?! Eu resmunguei por dentro. Você poderia tentar me encorajar, pelo menos um pouco?
Soltei um suspiro, tentando me convencer de que tudo ficaria bem.
Vou conhecendo todos aos poucos, com o tempo. Teremos muitas oportunidades para nos tornarmos amigos, mesmo que nada tenha mudado durante meus três anos na Academia… Suspirei. Acho que já chega por hoje. Amanhã começo o trabalho de verdade.
“Vou para a cama agora”, eu disse para Rita.
Ela assentiu. “Entendido, tenha uma boa noite.”
“Espere! Não me deixe sozinha!”
Rita fez uma pausa, lançando-me um olhar estranho por cima do ombro. “O que foi?” Até aquele momento, eu havia me esquecido completamente de que Patrick também estava nesta mansão. Ele não havia mostrado sua verdadeira face na mansão da Capital Real, mas isso não significava que continuaria sendo um cavalheiro aqui.
Não há dúvida nenhuma, ele está atrás de mim!
“O que eu faço se o Patrick vier aqui?” Balbuciei em pânico. “Será que eu fico bem se trancar a porta? Será que consigo lutar contra ele se ele entrar?”
“Faça o que quiser…” disse Rita com uma rispidez incomum para ela. Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ela saiu rapidamente do meu quarto.
Eu fui… abandonada.
<==<>==<>==<>==>
No dia seguinte, Patrick, Daemon e eu nos reunimos no escritório do administrador do condado para nossa reunião inicial sobre como gerenciaríamos o Condado de Dolkness. Infelizmente, apesar de ser uma reunião importante, a primeira entre nós três, eu estava com sono atrasado.
“O que houve? Você não conseguiu dormir no quarto novo?”, perguntou Patrick, preocupado.
Balancei a cabeça negativamente. “Eu consigo dormir em qualquer lugar… Espera aí, a gente já não teve essa conversa?”
Embora eu estivesse preparada para que algo acontecesse na noite passada, Patrick não apareceu.
Pensando bem, alguém que simplesmente acompanhou outra pessoa em uma visita à sua casa não entraria no quarto dela. Pensei, com um suspiro. Sinceramente, estou começando a me perguntar se Patrick e eu somos mesmo um casal.
Mas, independentemente dos meus problemas noturnos, hoje o assunto era como iríamos administrar o condado. Entramos direto na discussão, com Daemon explicando os detalhes sobre a situação atual do Condado de Dolkness.
“A principal atividade econômica do Condado de Dolkness é a agricultura, com a maioria dos campos dedicados ao cultivo de cevada. Existem outras culturas e alguma criação de gado também, mas são minoria…”
Depois disso, Daemon continuou nos dando uma visão geral do condado. Havia muita coisa que eu já sabia, mas ouvi atentamente para garantir que tinha as informações corretas. Sua explicação abrangeu uma ampla gama de tópicos, desde as principais cidades e pequenas vilas espalhadas pelo condado, informações geográficas como os rios que atravessavam a área e a faixa etária dos moradores.
“Acho que isso cobre o básico”, disse Daemon ao terminar. “Tenho informações mais detalhadas sobre o condado para você, caso tenha interesse, então, por favor, me avise se tiver alguma dúvida.”
“Obrigada. Pelo que você nos contou, o condado é... mais ou menos normal?”
Sinceramente, isso foi tudo o que eu tive a dizer depois de ouvir a explicação dele sobre o condado — era normal. Independentemente de se considerar isso algo bom ou não, o Condado de Dolkness não tinha nenhuma característica especial. A única razão para estar em tão mau estado era a interferência humana.
“Quanto aos problemas no condado,” continuou Daemon, “estamos muito endividados e a manutenção das estradas foi negligenciada. Além disso, há algumas áreas que necessitam da construção de estruturas de controle de enchentes.”
Ouvir a explicação de Daemon me fez sentir como se houvesse uma montanha inteira de problemas para resolver. E, pelo que pude perceber, cada um deles havia sido causado pela falta de verbas do condado. A maior despesa registrada era a quantia enviada aos meus pais, então nossos problemas financeiros certamente melhorariam um pouco daqui para frente, mas ainda havia algumas outras coisas que me preocupavam.
“Há algum problema como fome em nosso condado?”, perguntei a Daemon.
“Ainda não tivemos nenhuma morte por inanição, mas estivemos por perto”, admitiu. “Todas as aldeias estão em uma situação difícil.”
Assenti com a cabeça. “Muito bem, então. Não vamos cobrar impostos este ano.”
“C-Como assim?”, gaguejou Daemon, completamente chocado.
Não era como se eu tivesse planejado isentar as pessoas de impostos todos os anos — foi apenas um benefício especial para este ano em particular, para ajudar as pessoas e mostrar a boa administradora do condado que eu era.
Subornar pessoas para obter favores é uma tática básica. Pensei, satisfeita com minha decisão.
Além disso, também decidi dar continuidade a vários projetos de obras públicas.
“Primeiro vamos consertar as estradas e depois vamos trabalhar no controle de enchentes que está pendente há décadas”, eu disse lentamente. “Podemos cuidar da dívida por último, certo?”
“Erm, senhorita Yumiella, isso é…” Quanto mais eu falava, mais pálido Daemon ficava.
Ah, ele pode estar pensando que sou uma idealista que não entende a realidade da situação em que nos encontramos. Eu percebi. A pessoa responsável se intrometendo na gestão sem entender como as coisas realmente funcionam é exatamente o que Daemon vem evitando há tempos.
Foi então que Patrick, que até então escutava em silêncio de braços cruzados, se pronunciou: “Você é inteligente, no mínimo, então deve ter alguma ideia de como vai financiar tudo isso pelo menos, não é?”
Assenti com a cabeça. Isso mesmo! Eu tinha boas notas na Academia e sou bem inteligente. Mas acrescentar ‘no mínimo’ dá a entender que o resto de mim não é lá essas coisas.
Daemon pareceu confuso com a mesma frase e a repetiu para Patrick: “‘Pelo menos…’?”
“Sim, a Yumiella é esperta. Só que também é maluca.”
“Entendo”, respondeu Daemon.
Encarei os dois, me sentindo ligeiramente ofendida. Ei, Patrick, me encontre lá atrás mais tarde! E por que você se contentou com essa explicação, Daemon?!
Limpei a garganta e então comecei a explicar como planejava financiar as grandes reformas do condado. “Só há um lugar para onde recorrer se precisarmos de dinheiro”, disse eu, com leveza.
Patrick assentiu com a cabeça. “Acho que essa é a nossa única opção. Tenho certeza de que, com a sua reputação, não seria um problema.”
“Bem, sim, comigo tudo deve correr bem.”
“Teremos que encontrar algum lugar com taxas de juros baixas”, ponderou Patrick. “Você pode não gostar, mas se perguntarmos à família real, talvez consigamos negociar sem juros nenhum…”
Bom, pelo menos tenho o Patrick a bordo! Mas, do que ele estava falando no final…?
Daemon pareceu entender do que estávamos falando também, mas não pareceu tão entusiasmado com a ideia quanto nós.
Acho que é justo que ele não goste disso. Eu supus.
“Tem certeza de que devemos fazer isso?”, perguntou Daemon. “Levará décadas para dar retorno.”
Patrick deu de ombros. “É um investimento que faríamos mais cedo ou mais tarde. Nesse caso, quanto antes investirmos, melhor.”
“Esperem, do que vocês dois estão falando?”, eu disse, interrompendo-os quando a conversa começou a tomar um rumo que eu não entendia.
Ambos me olharam, perplexos, e decidi explicar claramente minhas intenções antes que a situação saísse ainda mais do controle.
“Vou explorar uma masmorra”, eu disse a eles.
“O quê?!”
“Você vai para uma masmorra!?”
{Moon: Kkkakakakakak Essa é a Yumiella que eu conheço! | Del: Porque esta surpresa? Acabaram de concordar momentos antes que ela era maluca.}
Olhei para os dois com uma expressão confusa. Espera aí, será que eles não entenderam o que eu estava dizendo?
“Sim”, eu disse lentamente. “Veja bem, o negócio com dinheiro é que… você pode ganhar uma quantidade infinita se explorar masmorras.”
Para alguém no nível máximo como eu, as masmorras eram verdadeiras fábricas de dinheiro. Haviam instrumentos mágicos valiosos escondidos nas profundezas das masmorras e, embora eu não entendesse como funcionava, baús de tesouro reaparecem a cada vez que você entra. E, claro, os monstros que surgem deixam cair pedras mágicas.
Obviamente, a quantidade de capital em Valschein e no mundo exterior era limitada, então certamente haveria um limite para até onde eu poderia ir — mas, por enquanto, explorar masmorras poderia ajudar a sustentar o condado.
“Detesto não poder negar que é uma boa ideia…” disse Patrick com uma expressão carrancuda.
Ele certamente entenderia meu raciocínio, já que havia entrado em masmorras em inúmeras ocasiões para subir de nível — as masmorras eram lucrativas, não apresentavam riscos e não exigiam investimento inicial.
“Não sei muito sobre masmorras, mas se algo acontecesse com você, senhorita Yumiella, como chefe da família…” Daemon parou de falar, com um tom preocupado.
Duvido que ele já tenha sequer posto os pés numa masmorra antes. Eu pensei. Mas… o que ele pensa que pode me acontecer?
Inclinei a cabeça e pensei sobre isso, mas não consegui encontrar uma resposta.
“Você não precisa se preocupar com isso”, disse Patrick com a mesma expressão azeda. “Não faz sentido. É uma perda de tempo.”
“É assim mesmo…?”
Eu não tinha certeza do que Patrick queria dizer, mas percebi que ele estava falando algo horrível sobre mim. Tanto faz, pensei. Contanto que todos estejam satisfeitos com a minha ideia, tudo bem. Mas, já que vou estar explorando as minas de ouro conhecidas como masmorras, talvez devessem mudar meu título de dona do condado para mineira…
{Yoru: Yumiella mineira canon? | Del: Ela vai pegar altos trem lá.}
Enquanto eu refletia sobre novos apelidos, Patrick explicou a Daemon quanto dinheiro se podia ganhar em um dia explorando masmorras.
“Masmorras são tão lucrativas assim?!” exclamou Daemon, com os olhos arregalados de choque.
Patrick deu de ombros. “Bem, essa foi uma estimativa baseada nos níveis da Yumiella e nos meus próprios.”
“Entendo, então a lucratividade se deve aos seus altos níveis.” Daemon nos lançou olhares de respeito.
Me senti um pouco tímida ao receber aquele olhar dele — eu estava acostumada a ser elogiada pelo meu alto nível, mas foi bom ser útil de verdade pela primeira vez.
“Talvez eu tenha me dedicado tanto esse tempo em preparação para este dia”, eu disse, com um leve sorriso surgindo em meu rosto.
De repente, senti que entendi o significado da vida e o sentido de todo o esforço que fiz até então. Deixarei a minha própria marca na história!
“Pensei que subir de nível fosse apenas um hobby seu”, disse Patrick friamente. “Ou então, é da sua natureza.”
Suspirei — ele havia arruinado meu momento profundo. Decidi, porém, ser a pessoa mais madura e voltei minha atenção para Daemon. Eu tinha uma pergunta em mente.
“Então, Daemon, houve algum problema com ataques de monstros? Com a situação financeira atual, imagino que você não conseguiria fazer o extermínio.”
Os monstros geralmente não abandonavam seus habitats. Claro que havia exceções, como a superpopulação que levava à invasão de assentamentos humanos. Por isso, era necessário realizar um abate seletivo para reduzir a população de monstros em áreas com risco de superpopulação. A maioria dos locais que necessitavam disso eram montanhas e florestas próximas a vilarejos. Regiões isoladas, inacessíveis a humanos, podiam ser ignoradas, pois os monstros não deixariam esses habitats. Considerando que o Condado de Dolkness teve que cortar drasticamente os custos de obras públicas, como a manutenção de estradas, não seria surpreendente um aumento nos ataques de monstros.
“Atualmente, não há muitos ataques de monstros no Condado de Dolkness”, respondeu Daemon com um olhar ligeiramente preocupado. “Há algumas áreas em que gostaríamos de nos concentrar para diminuir os ataques, mas não houve nenhum caso grave.”
“Ah? Que surpresa.”
“Os ataques diminuíram bastante há cerca de dez anos. Segundo os moradores daquela região, existe algum tipo de deusa da montanha.”
“Uma deusa?”, perguntei, intrigada.
{Del: É ela kkkkkkkk, tá brincando, okay okay, essa é uma boa oportunidade da reputação da Yumiella melhorar.}
Existiam vários mitos e crenças no mundo de LMH, mas todas as histórias sobre deuses aparecendo eram contos bastante improváveis. Eu não gostava muito da ideia de meu condado receber ajuda de uma entidade tão incerta.
“É só um boato, mas também houve quem dissesse ter visto uma garotinha de cabelos negros nas montanhas— Ah.” A voz de Daemon falhou na última palavra, como se uma constatação o tivesse surpreendido a atingir um tom mais agudo.
Eu tremi. Uma menina sozinha nas montanhas parece coisa de filme de terror. Não gosto disso.
{Yoru: quem será que é essa menina em? }
“Acho isso muito suspeito”, pensei. “Eu costumava sair escondida para visitar as montanhas e a masmorra quando morava aqui, mas nunca vi nada parecido.”
“Ah, então, a deusa realmente existe…”
“Sim, com certeza.” Patrick se virou para Daemon, e eles assentiram em concordância.
Naquele momento, eles me deixaram no escuro, mas eu estava destinada a descobrir em breve a identidade da deusa que até então desconhecia.
{Yoru: nem te conto… }
<==<>==<>==<>==>
Já fazia quase duas semanas desde que chegamos ao Condado de Dolkness, e eu passava a maior parte do tempo voando pelo território, exterminando monstros com Ryuu. Eu me sentia mal por deixar a manutenção das estradas para Daemon, mas quando lhe contei isso, ele apenas riu e disse que todos haviam recebido as tarefas mais adequadas às suas necessidades.
Isso significa que ele acha que eu sou a pessoa mais indicada para exterminar monstros? Fiquei pensando. Se for assim, eu apoio totalmente.
Fora isso, estávamos focados em executar políticas de caridade caras, uma das quais era abrir nossas reservas de alimentos para áreas com escassez. Quer dizer, se eles não podiam comer pão, por que não dar bolo? Okay, não estávamos realmente dando bolo para eles, mas certamente poderíamos gastar um pouco de dinheiro para comprar mais pão. Imaginei que, se ficássemos sem dinheiro, eu sempre poderia ganhar mais explorando masmorras.
Como resultado, decidi fazer alguns desvios para a masmorra do Condado de Dolkness entre um extermínio e outro de monstros. Era uma masmorra do tipo trevas — na verdade, era a mesma que eu havia usado no passado para ajudar Alicia a ganhar experiência. Era bem impopular, já que a magia das trevas colocava os outros quatro elementos principais em desvantagem, mas como eu mesma usava magia das trevas, meus feitiços sempre eram igualmente eficazes. Resumindo, a masmorra era perto e conveniente.
O mesmo ciclo se repetiu por tanto tempo que comecei a pensar que meu trabalho como condessa de Dolkness era apenas caçar e derrotar monstros — pelo menos até que outra tarefa me foi atribuída. Ou melhor, me foi imposta por Patrick, que provavelmente estava se sentindo incomodado por eu ter sido designada para caçar monstros por tanto tempo.
Minha nova tarefa acabou sendo fazer visitas de cortesia. Basicamente, eu deveria visitar as cidades e vilas do Condado de Dolkness e me apresentar como a nova condessa. Só havia um problema: eu era absolutamente péssima nesse tipo de coisa.
Eu achava que estávamos designando as pessoas certas para os cargos certos! Pensei com tristeza.
“Estou te dizendo, coisas assim sempre acabam da mesma forma comigo”, eu disse a Patrick enquanto me preparava para sair. “Todo mundo sempre me odeia.”
“Por que você diz isso?”, perguntou Patrick gentilmente, percebendo o quanto eu estava desanimada. “Não é do seu feitio ser tão pessimista.”
Suspirei. “Acho que sou facilmente mal interpretada. E também não sou a pessoa mais sociável.”
“Você só percebeu isso agora?”
Foi o incidente com os criados da mansão outro dia que realmente me fez perceber as coisas. Quer dizer, as únicas pessoas com quem eu conseguia ter uma conversa decente além do Patrick eram o Daemon e a Rita! Talvez eu até me desse bem com a irmã da Rita, a Sara, mas ainda não tinha certeza sobre ela.
Além disso, eu não conseguia nem andar pela Vila Dolkness sem que as pessoas fizessem caretas para o meu cabelo preto ou saíssem correndo e gritando assim que percebessem quem eu era. Mesmo assim, eu ainda teria que ir lá mais cedo ou mais tarde e conhecer todos eles.
Só preciso me preparar mentalmente. Eu decidi.
“Então, para onde vamos primeiro?”, perguntei a Patrick.
“Estamos indo para uma pequena vila aqui perto”, disse ele, virando-se para mim. “Sério, você não precisa ficar com essa cara fechada. Eles já ouviram falar da isenção de impostos deste ano, então tenho certeza de que não vão nos criar muitos problemas.”
“Espero que você esteja certo…”
Quer saber? Eu desisto… Pensei comigo mesma. Eles vão reagir a mim de uma forma insana e exagerada, exatamente como reagiriam se um enxame inteiro de aranhas bebês fosse solto.
Absortos em nossos próprios pensamentos, caminhamos em silêncio até a entrada da mansão Dolkness e, em seguida, saímos.
“Ryuu, vamos dar uma voltinha!” gritei em voz alta.
Meu querido dragão, que estava no extremo oposto da mansão, levantou-se e começou a caminhar em nossa direção.
“Você pretende se esforçar para não assustar todo mundo, certo?” perguntou Patrick, cautelosamente.
Assenti com a cabeça. “Sim, mas não consigo forçar um sorriso nem nada do tipo.”
Existe algo mais que eu possa fazer para deixar as pessoas do meu condado mais confortáveis? Fiquei pensando.
Acariciei Ryuu, que havia pousado na minha frente e na de Patrick não muito tempo atrás, enquanto ponderava minhas opções.
Parte do motivo pelo qual os moradores da cidade e os aldeões têm medo de mim é o meu cabelo preto, então eu poderia tentar disfarçá-lo de alguma forma. Mas, sinceramente, eu acho melhor não. Isso meio que prejudicaria meus esforços para erradicar a discriminação contra pessoas com a cor de cabelo que eu tenho.
Virei-me para Patrick, que acariciava casualmente as garras afiadas de Ryuu, e comecei a explicar meu raciocínio. Quando terminei, ele assentiu, sem parecer surpreso.
“Faça o melhor que puder”, ele me disse.
<==<>==<>==<>==>
Tínhamos chegado ao nosso destino, mas… naquele momento, eu estava numa situação complicada. Olhei para Patrick, que estava ao meu lado, e percebi que ele parecia tão perdido quanto eu. Ryuu já tinha ido embora há muito tempo — ele tinha saído para brincar no rio. Eu queria ter ido com ele.
Sem mais nada a fazer, olhei para trás e vi os aldeões à minha frente, que eram a origem da nossa confusão coletiva. Eles estavam… bem… rezando para mim. De joelhos. Enquanto me chamavam de “deusa da Montanha”.
“Ó deusa da Montanha”, murmurou um aldeão, inclinando a cabeça em adoração. “Agradecemos-te por teres lutado contra os monstros em nosso lugar.”
“Não podemos oferecer-te o tipo de dádivas que te satisfariam, deusa da Montanha”, continuou outro aldeão. “Mas daremos tudo o que temos, se nos pedires.”

O que está acontecendo? Pensei, perplexa.
Tudo começou quando chegamos a esta aldeia e eu cumprimentei um senhor idoso. Ele imediatamente começou a fazer alarde sobre o aparecimento do “deusa da Montanha”, o que levou os aldeões a se reunirem e começarem a rezar para mim, resultando na nossa situação atual.
Eu achava que toda aquela história da deusa da Montanha era só um disparate que o homem tinha dito por causa da idade avançada, mas, a julgar pelas reações dos aldeões, todos eles adoravam a criatura, independentemente da idade ou do sexo.
“Erm, quem exatamente é essa ‘deusa da Montanha’?” perguntei. “Acho que vocês podem estar enganados.”
E eu que pensava que eles teriam medo de mim! Pensei com pesar. Agora tenho que esclarecer um mal-entendido de um tipo completamente diferente.
“A deusa da Montanha é você”, respondeu o ancião que iniciara tudo. Ele parecia estar agindo como representante da aldeia. “Não há dúvidas. Nos preocupamos com você nos últimos anos, pois de repente você parou de nos aparecer.”
“Sinto muito, mas você está enganado”, eu lhe disse com franqueza educada. “Sou apenas uma pessoa comum. Meu nome é Yumiella Dolkness e sou a nova condessa deste território.”
“Uma pessoa comum?”, provocou Patrick.
Lancei-lhe um olhar frio. “Esse não é o ponto agora! Você não pode me apoiar e dizer a eles que eu não sou uma deusa?”
Patrick deu de ombros. “Bem, não posso afirmar com certeza, mas acredito que a ‘deusa da Montanha’ a quem eles se referem seja você.”
Olhei para ele incrédula. Quando exatamente me tornei uma deusa?
Enquanto eu estava ali, com a mente a mil, Patrick começou a fazer uma série de perguntas aos aldeões. Graças ao seu interrogatório cuidadoso, aprendemos muito sobre essa tal deusa da Montanha. Aparentemente, ela havia aparecido pela primeira vez há mais de dez anos e era uma jovem de cabelos negros. Ela parecia envelhecer a cada ano que passava e aparentava ter uns quinze anos da última vez que a viram, há cerca de três anos. Além disso, eles viram a jovem deusa manipular a escuridão para destruir monstros.
Aquela pessoa era… definitivamente eu. Devem ter me notado durante o período em que eu estava realmente me dedicando à subir de nível, o que teria sido alguns anos antes de eu entrar na Academia. Honestamente, eu provavelmente deveria ter percebido que a deusa era eu quando ouvi falar dele por meio de Daemon, mas nunca imaginei que alguém se referiria a mim dessa forma.
“Pessoal, eu não sou uma deusa”, jurei, tentando explicar as coisas mais uma vez. “No entanto, continuarei a derrotar monstros. Se vocês se sentirem em apuros, por favor, me avisem, a mim, sua nova condessa.”
Fiquei em silêncio, me sentindo um pouco nervosa com a possibilidade de os aldeões pensarem que tinham sido enganados. Ficariam chateados comigo? Tristes?
Aparentemente, a resposta não era nenhuma das duas. De repente, gritos de alegria irromperam por todo o acampamento, com alguns moradores até mesmo erguendo os punhos em comemoração.
“Então a deusa da Montanha está governando este condado agora?”
“Não!” eu disse, tentando corrigi-los rapidamente antes que as coisas saíssem ainda mais do controle. “Eu nunca fui uma deusa, então—”
“Que ótimo! A aldeia está em boas mãos!”
“Viva a nossa deusa! Viva a nossa condessa!” gritavam os aldeões, continuando a me aplaudir.
Olhei para Patrick, na esperança desesperada de que ele tivesse uma saída, mas não consegui pensar em nada. Ele apenas me deu um sorriso nervoso, como quem diz: “Agora, tudo isso está fora do nosso controle.”
Sério, por que eles estão reagindo assim? Resmunguei internamente. Como isso foi acontecer?!
<==<>==<>==<>==>
Deparei-me com reações semelhantes em todas as outras aldeias que visitei. Parecia que toda a área estava repleta de fiéis da deusa da Montanha. Houve até uma aldeia que tentou me oferecer um sacrifício humano, o que causou bastante alvoroço.
Depois disso, finalmente cedi. Tanto faz, acreditem no que quiserem.
Quando não estávamos ativamente repelindo os fiéis, tentávamos iniciar um diálogo com os moradores, buscando saber se eles enfrentavam algum problema. A maioria se calava, hesitante em nos pedir qualquer coisa, mas eventualmente encontramos uma aldeia que estava realmente disposta a pedir ajuda.
“Aquela pedra ali está nos atrapalhando”, explicou o chefe da aldeia, apontando para uma enorme rocha no meio de um campo próximo. “Ela dificulta o corte do campo e está bloqueando a luz solar para as plantações em algumas áreas.”
Assenti com a cabeça. “Eu consigo lidar com isso.”
Caminhei até a rocha, olhando para o topo. A enorme pedra tinha pelo menos o dobro da minha altura e era ainda mais larga do que eu.
Não consigo acreditar que meu primeiro pedido seja uma tarefa física. Pensei, segurando o riso. Este prefeito parece entender onde reside minha verdadeira força.
Ao examinar a pedra, logo ficou claro para mim que eu não conseguiria abraçá-la para carregá-la. Então, em vez disso, simplesmente cravei meus dedos na lateral dela.
“Ei, não seria mais fácil usar magia?”, gritou Patrick.
Eu meio que concordei com ele, mas se eu parasse agora, pareceria que eu não era forte o suficiente para levantar a pedra. Isso não seria nada impressionante.
Comprometida com meu plano, ergui a pedra no ar, apertando-a com força entre os dedos para segurá-la.
“Vamos lá para cima!” exclamei triunfante, mas pisquei ao perceber que uma boa quantidade de terra havia subido junto com a enorme rocha. Parecia que o bloco era consideravelmente maior do que aparentava na superfície — quase o dobro do tamanho.
Então, você escondeu seu verdadeiro poder debaixo da terra? Heh, nada mal para uma pedra.
“Fiquem longe! Vocês vão se machucar!” Patrick avisou os aldeões.
Aqueles que tinham ficado para assistir se dispersaram quando levantei a pedra bem acima da minha cabeça. Na batalha de Yumiella contra a grande pedra, eu saí inequivocamente vitoriosa.
Então, onde devo descartar essa pedra? Refleti. Há plantações de cevada por toda parte, então não posso simplesmente me livrar disso aqui. Deve estar em algum lugar distante… Acho que vou jogar fora.
Girei meu corpo cento e oitenta graus completos, usando o impulso gerado para arremessar a enorme pedra para a frente. Ela voou pelos ares, desaparecendo no céu.
{Del: Agora não é mais bala perdida, é pedra perdida. Que não tenha acertado ninguém lá do outro lado do mundo. Ela poderia ter dado um /delete também né.}
Virei-me triunfante, com um sorriso interior ao ver as expressões de excitação e alegria nos rostos dos aldeões.
Ah, é bom ser útil.
Patrick, no entanto, não pareceu muito contente comigo. “Yumiella, você não se livrou disso com magia, não é?”, perguntou ele.
Balancei a cabeça negativamente. “Eu simplesmente joguei fora. Aconteceu alguma coisa…?”
“Escute com atenção”, disse Patrick. “Tudo que sobe, acaba caindo.”
Eu sei como a gravidade funciona, Patrick. Pensei, revirando os olhos por dentro. Ah, mas e se eles ainda não tiverem descoberto a gravidade neste mundo? Será que Patrick descobriu tudo sozinho?! Ele é um gênio do nível de Isaac Newton?!
A expressão de Patrick era de tanta exasperação naquele momento que repassei mentalmente mais uma vez o que ele havia dito.
A gravidade está presente neste mundo, assim como no meu antigo. Portanto, se eu deixar cair uma xícara, ela cairá no chão, e se eu atirar uma pedra, ela se espatifará no chão… Ah.
“Aquela pedra… ela vai cair em algum lugar”, eu disse, enquanto a ficha caía.
Quer dizer, eu era forte, mas não achava que meu arremesso tivesse força suficiente para realmente mandar o objeto para o espaço. O que significava que o Condado de Dolkness corria o risco de ser destruído por um enorme meteorito.
Olhei para Patrick e assentimos em uníssono, depois saímos correndo na direção para onde eu tinha arremessado a pedra.
“Foi por isso que eu disse para usar magia!”, resmungou Patrick.
“Olha, me desculpa, tá bem?!”
Corremos pelos campos de cevada a velocidades que nem mesmo um animal selvagem conseguiria alcançar.
Eu só podia esperar que fôssemos perdoados pela destruição que estávamos causando ao longo do caminho.
Enquanto corria, olhei para o céu, tentando avistar o rochedo que a qualquer momento cairia sobre nós. Mas, apesar da distância considerável que tínhamos percorrido e do tempo decorrido, o meteorito não estava em lugar nenhum. A essa altura, já tínhamos ido tão longe que nem sequer conseguíamos mais ver a aldeia.
Patrick parou de correr de repente, congelando no lugar, então parei junto com ele. “O que foi?”, perguntei.
“Yumiella… em que ângulo você jogou aquela pedra?”
“Hum… acho que foi bem para cima.”
O rosto de Patrick empalideceu. “Você acha que existe alguma chance de termos passado direto da pedra, já que você a jogou tão alto”
Considerei essa opção. Usando um exemplo extremo, se eu tivesse jogado a pedra diretamente para cima, ela teria caído exatamente no mesmo lugar. Como a joguei em um ângulo bem ascendente, era possível que a pedra não tivesse se afastado tanto da vila e caísse bem perto de onde estava originalmente. Assim que essa constatação se tornou clara, um som estrondoso ecoou pelo ar atrás de nós.
{Yoru: pois é, quem disse que você nunca iria usar o que aprendeu nas aulas de física na vida? Até em outro mundo você pode usar kkkkk }
“Afinal, estava atrás”, murmurou Patrick.
Nos viramos, prontos para correr de volta, mas tropeçamos quando ondas de choque percorreram a terra, causadas pelo impacto da rocha.
Isso deve significar que a pedra está por perto. Pensei, sentindo a tensão se esvair de mim. Então a aldeia está segura, pelo menos.
Enquanto eu permanecia ali aliviada, Patrick saltou à minha frente. Ele ficou de costas para o local onde o meteorito havia caído, estendendo os braços como se fosse me abraçar.
“Você está atrapalhando, Patrick! Eu também quero ver o meteorito!” resmunguei, empurrando-o para o lado para poder observar o local da queda, que estava coberto por uma nuvem de poeira.
Havia um grande buraco no chão, com cerca de trinta… não, cinquenta metros de diâmetro.
Com que velocidade aquela pedra caiu para abrir um buraco tantas vezes maior que ela própria?
Enquanto encarava o buraco enorme, percebi que era quase um círculo perfeito. “Olha, olha!”, exclamei animada, virando-me para Patrick. “Não é incrível?”
“Eu sei que não sou exatamente um escudo confiável para você se esconder, mas vamos lá…” Patrick suspirou. Seu olhar se tornou um pouco irritado enquanto ele olhava para o buraco.
“Desculpe”, eu disse, arrependida. “Eu estava apenas muito curiosa sobre a pedra.”
“Tudo bem, não me incomoda…” ele resmungou. “Então, o que você vai fazer com esse buraco?”
O que vou fazer? Fiquei pensando. Quer dizer, fica bem longe da vila, então não deveria mais atrapalhar.
O buraco, por outro lado, parecia bastante fundo. Se alguém caísse nele, seria muito perigoso. Se isso acontecesse, Daemon e os aldeões poderiam ficar chateados comigo.
“Patrick, posso me esconder atrás de você quando voltarmos para relatar sobre esse buraco?”
“Ah, então agora você quer me usar como escudo?” Patrick me respondeu com sarcasmo. “É, não, obrigado.”
Oh, então o Patrick vai ser o primeiro a ficar bravo comigo. Entendi. Bom, pelo menos ninguém se machucou. Consigo aguentar umas broncas.
“Eu vou me deixar de castigo e refletir sobre as minhas ações!” gritei, correndo na direção de onde eu achava que Ryuu tinha pousado. Pelos meus cálculos, ele provavelmente estava bem perto da vila.
“Ei, espere! Pare de correr, Yumiella!”
Resenha do Tradutor e Revisores
Yoru: E com isso, começamos a saga da Yumiella no condado de Dolkness. Estou me divertindo muito com essa obra até agora, cada capítulo me tira umas boas risadas kkkkk. Rachei quando chamaram a Yumiella de “deusa da Montanha” kkkkkkkkk. Bem é isso, espero que tenham gostado deste capítulo e nos vemos no próximo!
Moonlak: Bom, pelo menos não odiaram ela kakakak Mas te falar, esse capítulo me tirou umas risadas sinceras!!! Espero mais para os próximos, falou guys, atéééé!!!
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