Vol 1
Epílogo
Aproximadamente um mês depois, visitei o local que antes era conhecido como o castelo do Lorde Demônio. O castelo, que agora eram basicamente ruínas, mantinha uma tranquilidade que permanecia inalterada desde minha última visita. Contudo, desta vez, não havia nada de perturbador na atmosfera.
{Del: Isso me faz lembrar que o castelo foi deletado no anime.}
“Acho que foi por aqui que fui esfaqueada nas costas.”
“Desculpa. Eu deveria ter vindo com você.”
“Você não teve um papel muito ativo na batalha pela defesa? Acho que isso é mais do que suficiente.”
Aparentemente, Patrick chegou a derrotar um dragão sozinho, embora afirme que era um dragão muito menor e mais fraco que Ryuu. Eu teria preferido que ele não comparasse um dragão selvagem e feroz com meu adorável e dócil Ryuu.
“Ainda acho que não está certo que eles estejam simplesmente confinados, e pronto. Deveria haver uma solução mais apropriada—”
“Já tive uma longa conversa sobre isso com Sua Majestade. Está tudo bem.”
Para o público, Alicia e os outros estavam recebendo tratamento para seus ferimentos, mas, na verdade, estavam confinados em algum lugar do palácio real. Julgá-los publicamente por seus atos seria inconveniente por vários motivos, mas não era justo que circulassem livremente como cúmplices da ruína do Lorde Demônio. Eu também não conseguiria ter a consciência tranquila se fossem mortos em segredo. Imaginei que as coisas tivessem se estabilizado em um ponto confortável.
“Pode parecer bom se você pensar nisso racionalmente, mas e os seus sentimentos? Você não guarda rancor?”
“Hum, acho que fiquei ressentida por só estarmos eu e Sua Alteza na cerimônia. Como éramos só nós dois, todos vieram me cumprimentar também.” Uma cerimônia de nível real foi realizada para celebrar a vitória contra o Lorde Demônio. O Príncipe Edwin e eu éramos os únicos membros do grupo encarregado de derrotar o Lorde Demônio que participaram da cerimônia, e uma multidão de aristocratas veio me parabenizar. Algumas pessoas me fizeram sentir genuinamente grata, enquanto outras desconfiavam da ausência de Alicia, o que tornou o evento extremamente tenso.
Patrick revirou os olhos ao ouvir minha história de ressentimento.
Saiba que aquela cerimônia foi realmente difícil.
“Acho que se é assim que você se sente… Então, por que viemos aqui hoje?”
“Pensei em cavar uma cova. Me desculpe por te fazer vir junto quando não é problema seu.”
Eu tinha vindo de tão longe para preparar uma sepultura para o homem conhecido como o Lorde Demônio. Não pude salvá-lo. Tudo o que podia fazer por ele foi lhe dar um enterro digno.
Patrick me acompanhou sem dizer uma palavra. O lugar que escolhi era uma pequena colina com vista para o castelo. Sem usar minha magia, cavei um buraco com as mãos e enterrei uma lembrança — seu capacete Kabuto quebrado. Depois de terminar os preparativos, juntei as mãos e fechei os olhos.
Muitos pensamentos giravam em minha mente enquanto eu rezava, e quando abri os olhos, já era noite e o pôr do sol iluminava seu túmulo.
“Patrick, aquele que era chamado de Lorde Demônio era…”
Eu queria ao menos lhe contar a verdade. Queria que ele soubesse o que eu tinha feito, mas minha boca não se movia como eu queria. Não consegui dizer mais nada. Patrick permaneceu comigo durante um longo silêncio.
“Você não precisa me contar se não quiser”, disse ele atrás de mim.
Fico imaginando que tipo de cara ele está fazendo agora…
Consegui continuar sem me virar para encará-lo. “A pessoa que era chamada de Lorde Demônio era apenas uma pessoa. Era apenas uma pessoa que pensava nos outros, se preocupava com os outros e sentia ressentimento pelos outros.” Eu nem conseguia dizer como minha voz soava naquele momento.
“Entendo.”
“Então, hum, eu… uma pessoa…” Eu matei uma pessoa. Essas eram as palavras que não saíam. Eu não conseguia lidar com essa verdade. Eu tinha medo de que Patrick me odiasse, e me odiava por me preocupar com isso. Antes que eu percebesse, lágrimas escorriam pelo meu rosto, obscurecendo o belo pôr do sol. “Eu, ele…”
“Eu entendo. Você não precisa dizer mais nada. Eu compreendo”, disse Patrick gentilmente enquanto me abraçava por trás.
Ele é quente.
“Acho que você fez o melhor que pôde, Yumiella. Mas mesmo que você tenha feito a escolha errada, eu ainda te amaria e ainda iria querer estar com você para sempre.”
{Yoru: Que lindo, cara… | Del: Que fofo, mas meu coração pesa. | Moon: Simplesmente ele… Mas que cena linda!}
“Ok.”
“Não sei mais o que fazer por você… Dizer isso é a única coisa que eu posso fazer.”
“Certo, entendi.” Eu não sabia se havia algo mais que eu pudesse ter feito pelo homem conhecido como o Lorde Demônio. Minhas ações poderiam ter sido para o bem ou para o mal. Mas, independentemente da moralidade, Patrick estava do meu lado. “Obrigada. Farei o meu melhor daqui para frente.”
“Não se esforce demais. As coisas dão errado quando você se esforça demais.” Me desvencilhei dos braços de Patrick e me virei para encontrá-lo sorrindo como sempre. Eu provavelmente também estava sorrindo.
Agora está tudo bem.
Havia muitas coisas que eu precisava fazer dali para frente — o condado que meus pais haviam negligenciado provavelmente estava cheio de problemas, e eu precisava fazer algo em relação ao clima social de desprezo contra pessoas de cabelo preto.
De que preciso para lidar com essas coisas? O que me falta atualmente?
“Preciso ficar mais forte. Meu nível não vai subir mais, então talvez eu deva treinar uma nova habilidade.”
“Como o quê?”
“Talvez eu pudesse aprender a parar o tempo? Houve muitas situações que eu teria resolvido melhor se fosse capaz de parar o tempo.” Não era tão difícil. Eu não precisava parar o tempo em si. Bastava parar o movimento das pessoas, impedir que fenômenos naturais acontecessem, impedir o movimento das estrelas e, finalmente, segurar os ponteiros de um relógio no lugar — aí sim eu poderia dizer que parei o tempo.
Ah, estou ficando meio animada.
Patrick ficou em silêncio por um momento antes de responder. “Fico feliz em ver que você voltou ao normal.” Embora tenha dito que estava feliz, não havia um pingo de felicidade em seu rosto.
O Patrick prefere viajar no tempo do que pará-lo?
Mas eu provavelmente estava certa ao pensar que ele também parecia estar se divertindo um pouco.
“Você não tem curiosidade sobre isso?”, perguntei. “Quero dizer, sobre parar o tempo e os movimentos de todos.”
“Se eu parasse o tempo, você também ficaria congelada?”
“Ah, eu não gostaria disso. Digamos que você possa escolher o que quer congelar.”
“Então, gostaria que você ficasse parada por um segundo.” Sem me dar a chance de perguntar o porquê, Patrick me abraçou, desta vez pela frente. O tempo não parou — pelo contrário, parecia que estava passando mais rápido. Meu coração batia incrivelmente acelerado, então devia ser isso que estava acontecendo. Levantei a cabeça, que estava enterrada em seu peito, e nossos olhares se encontraram.
“Patrick…”
“Yumiella…”
Só de pronunciar o nome um do outro, eu me sentia feliz.
Se pudermos passar nosso tempo juntos, então não tenho necessidade de parar o tempo.
“Yumiella! Encontrei uma pedra bonita! Vou te dar de presente!”
Deixa para lá. Eu quero sim ter a capacidade de parar o tempo.
Escapei dos braços de Patrick e vi Eleanora correndo em nossa direção, acenando. Eleanora estava muito preocupada com a minha ida para a batalha contra o Lorde Demônio. Quando voltei à capital real, ela me abraçou, em meio a lágrimas. Desde então, ela me segue por toda parte, sem me abandonar. Até hoje, ela veio conosco à força.
Você não deveria estar preocupada com o príncipe, e não comigo?
Enquanto eu cavava a cova, ela estava por perto brincando com o Ryuu. Ela carregava uma pedra redonda que havia encontrado em algum lugar. Ryuu a seguia, com uma aura de cansaço.
Sinto muito, Ryuu. Isso deve ter sido cansativo.
Eleanora finalmente chegou até nós e ergueu a pedra. “Não é perfeitamente circular?! Eu a encontrei ali, e… Hum?” Ela falava orgulhosamente sobre sua pedra, mas parou e olhou de um lado para o outro, entre Patrick e eu, antes de perceber algo. “Ah! Vou manter distância por um tempo! Por favor, não se apressem!” Ela correu para uma árvore próxima e se escondeu atrás dela.
Não, espera, ela está colocando a cabeça para fora e olhando para cá.
Patrick e eu nos entreolhamos — não era o clima certo para continuar. “Senhorita Eleanora, por favor, saia. Vamos para casa.”
“Eu não estou aqui! Por favor, continuem o que vocês estavam fazendo antes!”
{Del: Sabe, nenhum de nós podemos julgá-la. | Moon: Eu estava pensando o mesmo…}
Que chato…
Enquanto eu resmungava para mim mesma, Ryuu deitou-se ao meu lado e fechou os olhos. Parecia ser hora de dormir para o bom garoto.
“Ryuu, não durma ainda! Não vamos conseguir voltar para casa! Ei, o que você está comendo, Senhorita Eleanora? É uma fruta que você encontrou no chão? Por favor, cuspa agora mesmo! Ei, por que você está rindo, Patrick?!” Patrick parecia estar se divertindo, rindo da minha confusão, e, contagiado pela risada dele, comecei a rir também.
Talvez uma confusão dessas de vez em quando não seja tão ruim assim.
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