Vol 1
Capítulo 6
O Chefe Oculto Recebe Uma Confissão
Se eu pudesse escolher, não teria desejado nascer na aristocracia. Havia tantas coisas para aprender, como etiqueta e danças, e eu detestava as conversas com as excessivas formalidades sociais exigidas entre os aristocratas.
No entanto, houve alguns momentos em que pensei que talvez tivesse sido uma coisa boa ter nascido aristocrata, geralmente quando estava saboreando uma guloseima deliciosa. Comer algo delicioso custava uma pequena fortuna — essas guloseimas estariam fora do meu orçamento se eu fosse plebeia.
Algumas guloseimas eu comprei para mim, e outras foram presentes de Sua Majestade ou de Eleanora. Hoje, eu planejava comer os biscoitos que Eleanora me deu. Embora os biscoitos não parecessem grande coisa, provavelmente eram bem gostosos, já que foi Eleanora quem os escolheu, e a única coisa em que eu podia confiar nela era o seu bom gosto.
“Rita, você poderia me preparar um chá?”
“Sim, senhorita.”
Rita era muito talentosa em preparar chá e sempre limpava meu quarto impecavelmente. Se você ignorasse o fato de que ela era empregada do meu pai, ela era a empregada perfeita.
Guloseimas deliciosas e um chá delicioso… Mais um dia lindo.
Dei um gole gracioso no meu chá, como uma verdadeira filha da aristocrata.
Hm…? Este chá tem um gosto diferente do habitual. Sinto um formigamento na ponta da língua… Será que a Rita trocou as folhas de chá? Ou talvez este lote fosse de má qualidade.
“Ei, Rita, essas são as mesmas folhas que você costuma usar?”
“Sim, está tudo igual ao de sempre.”
{Yoru: tem caroço nesse angu em… | Moon: Se ela notou uma diferença, TEM uma diferença…}
Ao que parece, era a minha língua que era de má qualidade. Talvez não valesse a pena ser um aristocrata, afinal. Os doces que comprei no centro da cidade eram bons o suficiente, de qualquer forma.
O chá que tomei no dia seguinte também tinha um gosto estranho.
Talvez eu esteja começando a pegar um resfriado. Não que eu já tenha pegado um antes.
Depois da aula, decidi voltar mais cedo para o meu quarto e descansar por precaução, mas fui parada no caminho por um homem que eu não reconheci.
“Com licença. A senhorita seria Yumiella?”
“Sim, eu sou a Yumiella.”
“Meu nome é Alastor. Trabalho no Departamento de Desenvolvimento de Instrumentos Mágicos do reino. Gostaria da sua colaboração em experimentos de desenvolvimento de instrumentos mágicos.”
Eu não tinha obrigação de cooperar, mas estava interessada em instrumentos mágicos que estavam sendo desenvolvidos. Graças a esses instrumentos, pude viver uma vida não muito diferente da minha vida anterior.
“Claro, se não demorar muito.”
“Sim, vai acabar logo. Preparei algumas coisas naquela sala de aula vazia.”
O fato de estarem me perguntando significava que provavelmente era um teste de resistência ou algo do tipo. Eu estava me perguntando para onde me levariam, mas aparentemente era um experimento que poderia ser feito em uma sala de aula da Academia.
“Este é um novo tipo de algema para selar magia”, explicou ele. “Queremos testar se ela consegue resistir à sua magia, que provavelmente é a mais poderosa deste reino.”
“Ah, então é um teste de resistência, afinal.”
Alastor sacou um instrumento mágico que parecia um par de algemas.
Se bem me lembro, as algemas de selamento mágico tornam certos tipos de magia inutilizáveis. Acredito que sejam usadas para restringir magos.
Alastor colocou a algema de selamento mágico em mim. Eu não tinha certeza do que era feita, mas seu peso era incomparavelmente maior do que o de algo como ferro. Provavelmente era resistente tanto no sentido mágico quanto no físico.
Um homem e uma estudante algemada, sozinhos em uma sala de aula vazia… De repente, isso parece criminoso.
{Yoru: Rapaz… kkkk | Moon: Nem te conto.}
“Devo tentar usar magia com isso?”
“Sim, tente aumentar gradualmente a potência da sua magia. Se parecer que o instrumento não aguenta, eu aviso para que você pare.”
Tentei lançar um pequeno feitiço, exatamente como me foi dito, mas nada aconteceu. Aumentei gradualmente a quantidade de magia que liberava, mas não houve nenhum sinal de mudança. Por fim, tentei usar minha magia com toda a minha força, mas até isso terminou em fracasso.
Este instrumento mágico é incrível. Esta é a primeira coisa que resistiu à minha magia.
“Era todo o meu poder. Este instrumento mágico é incrível”, eu lhe disse, maravilhada.
Enquanto eu tremia, meio comovida e meio frustrada por aquela que talvez fosse a minha primeira sensação de derrota, as próximas palavras de Alastor quase passaram despercebidas por mim.
“Muito bem, agora é a nossa chance!” ele gritou. “Vamos matá-la e sair daqui o mais rápido possível!”
Não, eu não perdi, ainda não. Se eu não puder usar magia, terei que lutar com força física.
“Hyah!” Usei toda a minha força para romper a algema que selava a magia. A corrente da algema quebrou com facilidade. Ótimo, agora nós dois temos uma vitória e uma derrota. Acabou empatando. “Hã?”
Só então percebi que estava cercado por homens armados.
“Ei, o que vocês estão fazendo? Depressa, matem-na!” Alastor ordenou aos outros com uma expressão lasciva no rosto.
“Hum, com licença…” eu disse.
“É isso mesmo”, respondeu Alastor com um sorriso presunçoso. “O experimento com o instrumento mágico foi uma farsa. Não pensei que você fosse cair nessa tão fácil.”
“Erm… eu quebrei isso…” Desviei o olhar da algema e voltei a olhar para cima.
“Hã?” Os outros homens congelaram ao me verem quebrar a algema, mas Alastor pareceu ter percebido só agora. Embora estivesse gargalhando alegremente momentos atrás, agora estava pálido. “E-Era só uma brincadeira. Agradecemos sua cooperação com o experimento. Bem, então vou indo.”
“Você acha mesmo que eu acredito nisso?”
Parecia que eu estava prestes a ser morta há um instante, e fiquei apavorada com a ideia de que pudessem me neutralizar apenas selando minha magia. Capturei Alastor e seus homens e os entreguei aos soldados do reino. Segundo o diretor, havia alguém nos bastidores que os havia levado até a Academia, então eu ainda precisava ser cautelosa.
Dois dias depois, senti algo estranho no meu peito e acordei com um homem mascarado à minha frente.
Ele é algum tipo de pervertido? Ele tocou nos meus seios?
“N-Não acredito…” o homem murmurou, com os olhos arregalados em choque. Percebi que ele segurava uma faca grande e que havia um buraco na altura do meu peito, na minha roupa. Provavelmente eu tinha sido esfaqueada, apesar de não haver nenhum ferimento no meu corpo.
“Hum… Você é tipo um assassino, né?” perguntei.
“Aaah! Você é um monstro!”
Ao que tudo indicava, eu havia sido vítima de uma tentativa de assassinato mais uma vez. Eu não tinha certeza do nível do assassino, mas não havia como eu ser morta tão facilmente.
Pouco tempo depois, Patrick me chamou nos corredores da Academia, mas eu ter mantido certa distância entre nós por um tempo foi uma coisa boa. “...Então, já que já houve duas tentativas de assassinato contra mim, é melhor você ficar longe”, eu disse a ele, mas apesar da minha explicação, ele não se moveu.
“Mas está tudo bem com você, Yumiella?”, perguntou ele, olhando fixamente para mim.
“O quê? Como você pode ver, estou perfeitamente bem—”
“Não estou preocupado com a possibilidade de você ser morta. Não sei bem como dizer isso, mas… duvido que você consiga ficar ‘perfeitamente bem’ sabendo que alguém quer te matar.”
Alguém estava tentando me matar… Provavelmente era a primeira vez que isso acontecia comigo. Será que alguma parte de mim ficou magoada com isso?
Acho que já experimentei essa sensação de ser atacada em algum lugar antes…
“É por isso”, continuou Patrick enquanto eu permanecia perdida em pensamentos, “acho que você deveria ficar comigo por um tempo. Você não precisa se preocupar com nada. Eu cuidarei dos seus inimi—”
“Ah! É a sensação de lutar contra monstros!”
“O quê? Monstros?”
Eu estava acostumada com a intenção assassina vinda de monstros. Levei mais tempo para reconhecer esse sentimento nos assassinos porque não era tão forte vindo deles. Era seguro dizer que eu estava acostumada a estar em situações de matar ou morrer. Expliquei isso para Patrick, mas ele não pareceu satisfeito.
“Bem, com monstros é diferente do que com humanos—”
“Cuidado!”
Uma flecha entrou voando pela janela aberta. Provavelmente não teria me machucado se tivesse me atingido, mas eu não queria que rasgasse minhas roupas, então a agarrei com a mão.
“Vou capturar o atirador! É melhor você se esconder, por precaução”, eu disse a Patrick antes de pular pela janela para capturar o amador que atirou a flecha.
Não o perdoarei de jeito nenhum. E se a flecha tivesse atingido o Patrick?
Talvez a Academia tivesse se tornado um ninho de assassinos. Não tínhamos aulas amanhã, então planejei sair da Academia. Claro, eu ia manter isso em segredo do Patrick, já que ele provavelmente me impediria — eu não queria envolvê-lo. Talvez os assassinos me deixassem em paz do lado de fora da Academia.
“Cerquem ela! Cerquem e ataquem ela!”
Eu estava cercada por cerca de vinte malandros em um beco escuro da Capital Real. Os homens tinham a aparência de vilões típicos, armados com lanças e espadas.
Isso ainda pode ser considerado um assassinato?
“Amarras Negras”, eu disse, lançando o feitiço com um suspiro. Um após o outro, os homens foram contidos por braços que emergiram de suas sombras.
“Aaaah! O que é isso?!”
Eu estava começando a chegar ao meu limite. Eu vinha deixando para os soldados do reino a tarefa de interrogar os assassinos, mas a identidade do responsável por tudo isso ainda era incerta. Provavelmente era hora de eu tomar as rédeas da situação e procurar o culpado por conta própria.
“Quem é o seu líder?” Ninguém me respondeu, mas os olhares dos homens se fixaram em um só — o homem que os havia instruído a me cercar. “Você deve ser o líder. Quem pediu essa tarefa?”
“Como é que eu vou saber?”
“Lança Sombria.” Lanças surgiram das sombras e perfuraram seu pé, fazendo o sangue jorrar por toda parte.
“Aaaah!”
“Cura.” Tratei o ferimento dele com magia de cura. Não sobraria nem cicatriz. “Quantas vezes preciso fazer isso para você falar?”
Eu não tinha as habilidades necessárias para torturá-lo de maneira eficaz sem matá-lo, então minha única opção era repetir esse processo. Não havia como ele morrer, e isso não causou nenhum dano permanente, então pode-se dizer que foi um método de tortura humanitário.
{Moon: Tortura humanitária… Ta aí uma coisa que eu não sabia que poderia existir…}
“Isso é brutal…”
“Isso não é algo que uma pessoa faria.”
“Ela é mesmo uma aberração…”
Bem, eu chamei isso de humanitário, mas os outros homens não pareceram reagir muito bem. “Não precisa ser o líder a falar”, eu disse, virando-me para os outros homens. Eles imediatamente se calaram, desviando o olhar.
“Eu realmente não sei! Você tem que acreditar em mim!” implorou o líder desesperadamente. “Acabei de receber ordens de uma pessoa que não quis mostrar o rosto para matar a garota de cabelos negros que está saindo da Academia Real!”
“Parece que você ainda não teve o suficiente. Não se preocupe, eu não ficaria sem mana mesmo se fizéssemos isso cem vezes.”
“Você entendeu tudo errado! Estou falando a verdade! Por favor, acredite em mim!” No fim, o líder começou a chorar. Parecia que ele realmente não sabia de nada. Os outros assassinos provavelmente tiveram seus serviços solicitados por alguém que eles também não conheciam. Não era de se admirar que a investigação não tivesse avançado.
Agora que eu estava sob ataque por todos os lados, meu quarto se tornou meu único refúgio. Ele já havia sido invadido uma vez, mas agora, todas as entradas e saídas possíveis estavam barricadas. Considerei voar indefinidamente em Ryuu, mas eu não conseguiria dormir no céu, e o esforço para Ryuu continuar voando daquele jeito seria considerável, então descartei a ideia.
Suspirei. Estava no meu quarto, bebendo o chá que Rita havia preparado para mim. Ainda tinha um gosto estranho.
Devo consultar um médico se isso continuar? Todo o resto tem gosto normal.
Comecei a pensar em como os ataques recentes tinham se tornado meio desleixados.
Normalmente, os assassinos usam algo como veneno...
“Ei, Rita… Poderia experimentar este chá para mim?” perguntei, entregando-lhe a xícara que eu estava bebendo. Ela a pegou com as duas mãos e olhou fixamente para a xícara. Suas mãos começaram a tremer, fazendo o chá dentro dela se movimentar. Ela ficou completamente pálida quando começou a levar a xícara lentamente aos lábios.
“P-Por favor, me perdoe. Minha irmã foi feita refém”, disse Rita, com a voz trêmula, enquanto colocava a xícara sobre a mesa.
Então era veneno, afinal.
{Yoru: falei… }
Ao que tudo indica, eu estive bebendo chá envenenado durante a última semana. O veneno provavelmente era fraco, visto que não foi muito eficaz.
“Que tipo de veneno tem aqui?”
“É, me disseram que era um veneno forte, com uma dose letal de uma gota. Eu coloquei cinco gotas em cada vez…”
Vamos lá, como você não percebeu, eu?
No jogo, o veneno tinha vários níveis de força, cada um causando uma quantidade fixa de dano. Parecia que o mesmo acontecia no mundo real. Se o dano fosse proporcional, eu já poderia estar morta — ou melhor, eu teria percebido se estivesse realmente morrendo. Este incidente foi uma tragédia causada pelos meus incontáveis pontos de vida.
É muito provável que Rita tenha recebido ordens de seu empregador para me envenenar. “Então, a pessoa que lhe deu essa ordem foi…”
“Sim, foi o patrão”, admitiu Rita. Talvez ela tivesse desistido e pensado que não havia saída.
A pessoa que tentou me matar foi meu pai.
{Moon: Eu só escutei a intro tocando: Casos… De família…}
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“O que você quer dizer com sua irmã sendo mantida como refém?”
“Minha irmã mais nova trabalha na residência principal da capital real. Ela não tem nada a ver com isso. Por favor, ao menos poupe ela…”
Segundo Rita, que estava me envenenando, a irmã dela havia sido feita refém pelo meu pai. Decidi pensar no que fazer com ela depois de salvar a irmã dela.
“Muito bem, então, vamos buscar sua irmã. Não sei como ela é, então você terá que vir comigo.”
“O quê? Mas eu estava te envenenando…”
“Não havia a mínima possibilidade do chefe oculto morrer envenenado.”
“O-Oculto?”
“Não importa. Depressa! Vamos!”
Eu havia deixado escapar acidentalmente meu conhecimento sobre o jogo. Por que eu estava tão nervosa? Seria porque a irmã de Rita estava em perigo? Não, meus sentimentos provavelmente estavam à flor da pele por causa da ideia de que meus pais haviam tentado me matar e, agora, eu iria encontrá-los pela primeira vez.
“Venha cá, Ryuu!”
Subimos nas costas de Ryuu e voamos pelo céu noturno até a Capital Real. A cor escura de Ryuu, combinada com a nossa grande altitude, dificultava que nos vissem do chão.
“Ei, Rita, onde fica a casa dos Dolkness?” Eu estava empolgada e tinha acabado de sair, mas, na verdade, não sabia onde ficava a casa da minha própria família. Rita, que eu tinha obrigado a vir comigo, estava com os olhos bem fechados, talvez por medo de altura. “Você pode dar instruções a partir do Palácio Real, certo? Não precisa abrir os olhos.”
“S-Sim. Você sai pelos portões do Palácio Real e segue em frente, virando à direita na terceira rua principal…”
Segui o caminho pelas ruas, olhando para elas como um mapa do nosso ponto de vista no céu. Eu não conseguia distinguir muito bem as cores no escuro, então pedi para a Rita descrever os pontos de referência pelo seu formato.
“E depois é a segunda casa à esquerda.”
“Aquela que tem um anexo nos fundos à direita, em referência aos portões da frente?”
“Sim, e o edifício principal tem formato de L.”
É essa mesmo.
A mansão parecia ser maior do que aquela em que eu cresci. Acho que eles não se importaram, já que nunca tinham visitado o Condado de Dolkness.
“Vamos descer, Rita.”
“Não podemos. Se um dragão pousasse no quintal, causaria um alvoroço.”
Rita provavelmente estava preocupada em causar algum mal à sua irmã, mas não havia motivo para preocupação.
“Está tudo bem. Só nós vamos descer. Ryuu, continue voando acima daquela casa.”
“Minha senhora, o que você está…”
É como se estivéssemos saltando de paraquedas, só que sem o paraquedas. Já fiz isso várias vezes. Sou especialista.
{Del: Padrão Yumiella. | Moon: Quero frisar o “especialista” relembrando a vez em que o Patrick teve que a carregar…}
“Vamos pular agora, mas eu quero entrar sem ser notada, então fique quieta, okay?”
Rita estava mortalmente pálida, mas após um momento de silêncio, assentiu em concordância — provavelmente tendo se preparado para salvar sua irmã.
Com Rita nos braços, saltei das costas de Ryuu. No instante em que saltei, comecei a disparar energia mágica para baixo, garantindo que não ganhássemos muita velocidade. Rita continuou com os olhos fechados, agarrada a mim com força. Ela não emitiu um único som.
Continuei a diminuir a velocidade à medida que nos aproximávamos do solo e, logo em seguida, aterrissamos suavemente no jardim da mansão.
“Muito bem, chegamos. Onde está sua irmã?”
Assim que me soltou, Rita desabou no chão. Depois de recuperar o fôlego por um instante, falou baixinho: “Neste momento, ela deve estar no quarto dela. É só um palpite, mas acho que não lhe disseram nada. Acho que ela terminou o trabalho do dia como de costume e foi para o quarto.”
Entramos sorrateiramente na mansão, com a Rita me guiando, e chegamos aos aposentos dos criados. Ela parou em frente a uma porta específica e bateu suavemente.
“Sara, sou eu, Rita”, ela chamou baixinho.
A porta se abriu. “Rita? O que você está fazendo aqui?”
Ao ver que sua irmã estava a salvo, Rita se emocionou profundamente, com lágrimas escorrendo pelo rosto enquanto a abraçava. Sara, sem entender a situação, parecia confusa.
“Rita? O que houve?” Ela então se virou para mim. “Hã, quem é você?”
“Vamos entrar. Se ficarmos aqui fora, seremos pegas”, eu disse, empurrando Rita e forçando nossa entrada no quarto — entrar sorrateiramente seria inútil se fôssemos pegas agora. Fechei a porta atrás de mim e observei os arredores. O quarto parecia abrigar várias pessoas, mas, no momento, estava ocupado apenas pela irmã de Rita.
Rita ainda chorava, então decidi explicar a situação eu mesma. “Você foi feita refém pelos meus pais. Eles disseram para a Rita que te matariam se ela não me matasse.” A violência da palavra “matar” fez Sara congelar em choque.
Talvez eu devesse ter suavizado um pouco a minha linguagem. Talvez “colocar para dormir” ou “esmagar” tivessem soado melhor. Quase soam fofos.
{Yoru: Me esforcei pra não colocar “mandar de vasco” ali kkkkk }
“Sinto muito, Sara. Este é o meu fim. Obrigada por tudo até agora”, Rita soluçou como se aqueles fossem seus últimos momentos. “Minha senhora, se ao menos pudesse poupar minha irmã…”
“Rita?! Do que você está falando?”
Oi? Como é que a conversa chegou a este ponto?
“Só para você saber, não tenho nenhuma intenção de te entregar aos soldados.”
“Sim, eu sei. Se você pudesse fazer isso de maneira rápida, talvez em algum lugar onde minha irmã não veja…”
Quem sou eu? Algum tipo de demônio que não hesitaria em matá-la depois dessa comovente demonstração de amor fraternal? Fiz muita coisa até agora, mas não matei ninguém, nem pretendo.
“Eu também não vou te esmagar.”
Rita só fez o que fez porque se sentiu ameaçada, e o único efeito que isso teve em mim foi que meu chá ficou com gosto ruim por uma semana. Não me incomodou muito.
Acho que agora entendo por que Patrick me chamou de boa pessoa e excessivamente confiante.
“Não tenho intenção de puni-la. Podemos conversar mais tarde sobre como as coisas vão prosseguir.”
Tenho certeza de que Rita não quer mais trabalhar para a família Dolkness, então precisarei ajudá-la a procurar um novo emprego.
Rita ergueu a cabeça, os olhos arregalados de alívio. Lentamente, seus olhos começaram a se encher de lágrimas novamente.
Espere, por favor, não chore mais.
Ela se aproximou de mim e caiu de joelhos. “Minha Senhora… não, Senhorita Yumiella, eu juro dedicar minha lealdade a você até o fim da minha vida.”
“Ah, sim. Obrigada?”
Hmm, não era bem essa a minha intenção…
Rita parou de chorar e agora me olhava com um olhar em êxtase.
Repugnante…
Tive a sensação de ter resolvido um mal-entendido criando um novo.
Vou lidar com isso mais tarde.
“Tenho algo para resolver, então vocês duas, esperem nesta sala.” Provavelmente eu deveria ter deixado as irmãs escaparem primeiro, mas havia pessoas com quem eu precisava me encontrar.
Caminhei lentamente pela mansão, seguindo a direção que Rita me indicou. Não esbarrei em ninguém no caminho até o quarto que era meu destino.
Na verdade, eu queria mais tempo para me preparar mentalmente.
Abri a porta e dois pares de olhos se voltaram para mim. As duas pessoas na sala estavam comendo e bebendo vinho.
Parece que o casal está se dando bem.
Meu pai foi o primeiro a falar. “Quem é você? Como entrou aqui?”
“Boa noite. Obrigada por me receberem. Ou seria melhor dizer que estou em casa?”
“Em casa…? Esse cabelo preto… Você deve ser…!”
“É um prazer conhecê-los, pai e mãe. Sou sua única filha, Yumiella Dolkness. A Yumiella Dolkness que vocês tentaram usar. A Yumiella Dolkness que vocês tentaram matar.”
Meus pais pareciam surpreendentemente normais. Eu imaginava que seriam aristocratas típicos, acima do peso e malvados, mas eles não tinham nenhuma característica marcante. Ambos eram loiros e não se pareciam nada comigo. Se não estivessem comendo nesta mansão, eu teria dificuldade em acreditar que eram meus pais.
“Malditos sejam. Eu até os paguei generosamente…” meu pai murmurou.
“Então você admite ter tentado me matar?”
“A culpa é sua por nos trair em primeiro lugar! Você nos odeia tanto assim por termos te isolado em nosso domínio?!”
Só agora, depois de conhecê-los, percebi isso, mas eu não odiava meus pais em particular. Claro, eu tinha algumas ressalvas sobre como eles se comportavam como aristocratas, mas pensava que eu não seria quem sou hoje se eles tivessem me mimado e me tratado com tanta ternura durante minha infância.
“O que você quer dizer com ‘eu traí vocês’?”
“Sabemos que você planeja enviar tropas com aqueles da facção do rei. Por ter se aliado a eles, fomos humilhados!”
É verdade que eu me inclinava mais para a facção de Sua Majestade. No entanto, isso se devia em parte ao meu desejo de me distanciar dos radicais.
“Planejam enviar tropas?”
“Os soldados diretamente subordinados ao comando do reino estão se preparando para um grande destacamento. Aposto que você está envolvida nisso.”
Agora estou começando a ter uma visão mais completa.
Para se preparar para a ressurreição do Rei Demônio, o reino estava organizando o exército. Os radicais, ao obterem essa informação, provavelmente interpretaram mal a situação, pensando que os moderados da facção do rei estavam planejando uma guerra contra outro reino. Eles provavelmente estavam preocupados com o aumento do poder dos monarcas devido ao envio de tropas.
O fato de eu, uma arma de nível estratégico, estar sob a proteção da família real provavelmente só alimentou a ilusão deles, especialmente porque eu havia recusado todos os convites dos radicais. Isso colocou meus pais em maus lençóis com a facção deles, levando-os a tentar me assassinar, pois preferiam me ver morta a me ter nas mãos de seu oponente político.
Essa última parte foi basicamente um palpite, mas provavelmente acertei na maior parte.
“Não serão enviadas tropas para nenhum outro reino, e também não tenho intenção de participar de nenhuma invasão.”
“Por que não?! Se você tivesse sucesso na guerra, a casa Dolkness poderia crescer ainda mais! Talvez até conseguíssemos uma posição central. Não precisaríamos mais ser chamados de pseudo-centralistas!”
Talvez você devesse se concentrar em enriquecer seu condado se não quiserem ser chamados de pseudo-centralistas.
“Pai, por que o senhor não volta para o condado? Acho que nosso condado atual já é grande o suficiente, e seria bom estimular algum tipo de negócio por lá.”
“Que absurdo! O condado pode ficar a cargo do delegado enquanto nós apenas arrecadamos impostos!”
“Como você se sente, mãe?”
“Você quer que eu viva como uma caipira? Já é ruim o suficiente você ter nascido com cabelo preto. Por que uma criança como você teve que nascer?!”
Essa conversa não estava levando a lugar nenhum. Nossos valores eram diferentes, assim como nossa moral. Meus sentimentos jamais seriam compreendidos por eles, e suas maneiras de pensar era algo que eu não conseguia entender. Estava prestes a suspirar, mas reprimi a tentação.
Esses pais não prestavam. Eu já não tinha expectativas em relação a eles como pais, mas eles também não prestavam como aristocratas. Decidi que precisava interagir com eles não apenas como filha, mas como outra aristocrata.
“Pai, por favor, me dê o seu título.”
“O que você está…?”
“Estou usurpando seu título. Pode rejeitar se quiser. Mas no final, sou a única herdeira da casa Dolkness. Assim que você se for, me tornarei automaticamente uma condessa”, eu disse, insinuando a ideia de assassinato. Meu pai, que estava vermelho de raiva, agora empalidecia.
“Alguém! Chamem os guardas!”
“Você tem alguém em seu exército pessoal capaz de me derrotar? Se tiver, deveria ter enviado essa pessoa para me assassinar.”
“Não tem como você sair impune depois de tratar seus próprios pais desse jeito—”
“Olha quem fala, mandando assassinos para matar sua própria filha.” Virei-me para minha mãe, que havia se levantado da cadeira. “Ah, desista de fugir, mãe.”
Ela começou a entrar em pânico e tentou me persuadir. “Yumiella, você sabe que existem muitas boas ofertas de casamento que chegaram para você? Você encontrará a felicidade se casar com alguém de uma família grande.”
“Eu já estou muito feliz agora.”
Além disso, talvez eu goste de alguém agora… talvez.
“Você tem cabelo preto. Não tem como você viver uma vida normal e encontrar a felicidade.”
“Há pessoas que disseram gostar do meu cabelo preto. Por favor, não decidam a minha felicidade por mim.” Eu não via sentido em continuar essa conversa. Numa tentativa de intimidá-los, criei um orbe negro de magia e o deixei flutuar ao meu lado. “Agora, por favor, escolham. Preferem ficar em prisão domiciliar e viver uma vida um pouco inconveniente ou preferem morrer com dignidade aqui e agora?”
“V-Você não conseguiria matar alguém…”
Por que eles estão dizendo algo paternal depois de todo esse tempo?
“Você não sabe o que aconteceu com os assassinos que você enviou para me matar? Minha magia pode fazer o objeto de minha escolha desaparecer. Não preciso me preocupar em limpar nenhum corpo, então é muito útil.”
Os assassinos estavam todos vivos, mas, vendo o quanto meus pais tremiam, provavelmente não sabiam disso. Usei o Buraco Negro para fazer uma cadeira vazia desaparecer, o que finalmente os fez desmoronar. Começaram a gritar como crianças e a implorar por suas vidas.
“Tudo bem! Faremos o que você disser, então só não nos mate!”
Após esses eventos, tive certeza absoluta de que nutria uma forte aversão ao assassinato. Eu havia adquirido uma força impossível para a maioria das pessoas ao matar muitos monstros, mas, aparentemente, eu ainda tinha um coração humano. Ocasionalmente, e isso era muito raro, eu me sentia inquieta quanto a isso, então foi um alívio ter certeza.
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“Eles estão com a impressão errada de que Sua Majestade está se preparando para enviar tropas para outro reino.”
“Entendo. E pensar que os radicais causaram tal impressão… Acho que nem mesmo o Duque Hillrose conseguiu mantê-los sob controle. É verdade que alguns moderados desconfiam do fortalecimento das forças armadas. A ressurreição do Lorde Demônio foi mantida em segredo para evitar comoção, mas talvez devêssemos torná-la pública em breve.”
Eu estava relatando o incidente com meus pais a Sua Majestade — era a segunda vez que eu encontrava o rei pessoalmente. Desta vez, estávamos reunidos a sós em uma pequena sala de estar, em vez da grande sala de audiências em que estávamos anteriormente.
“Também precisamos pensar em como lidaremos com o Conde Dolkness”, continuou o rei. “Hmm, o que fazer com o próximo senhor do condado… Seria ótimo se você assumisse essa responsabilidade.”
“Sim, se Vossa Majestade permitir, gostaria de suceder ao título de condessa”, respondi. O rei arregalou os olhos em surpresa ao ouvir que eu queria assumir o condado, provavelmente porque eu havia evitado obter qualquer poder desse tipo até então.
“Pensei que você fosse rejeitar. O que mudou?”
“Gostaria de tentar eliminar a discriminação contra pessoas com cabelo preto. Para isso, achei que o melhor seria assumir um protagonismo.”
“Eliminar a discriminação… Esse é um caminho cheio de provações e tribulações. A discriminação e o ostracismo são criados pelas partes fracas e desagradáveis do coração das pessoas. Superar esses fatores por conta própria já é difícil. Fazer com que os outros os superem é um esforço ainda maior.”
“Mesmo que eu não consiga eliminar a discriminação, ficarei feliz se puder reduzi-la.”
Por Phil, o menino de cabelo castanho escuro, por mim e pelas crianças que nascerão com cabelo preto no futuro.
{Yoru: tipo seus filhos né? | Del: :) | Moon: hehe!}
“Além disso, Sua Alteza foi capaz de superar o que considerava um coração fraco”, destaquei.
Assim como o Príncipe Edwin foi capaz de mudar, outras pessoas também podem mudar. No entanto, no caso de Sua Alteza, o mais incrível talvez tenha sido Patrick, que o convenceu.
“Entendo. Nesse caso, você vai continuar a alcançar feitos?”
“Sim, mas não pretendo obter quaisquer feitos relacionados à guerra. Mesmo que eu tivesse sucesso na guerra, isso só me tornaria objeto de medo.”
A partir de agora, eu precisava me tornar uma Yumiella gentil que governasse com justiça, não uma Yumiella assustadora com força implacável. Minha força certamente seria uma faca de dois gumes nessa empreitada.
“Então você cumprirá seus deveres como proprietária do condado. Muito bem, prepararei você para suceder ao título de condessa. Temos precedentes para condessas.”
“Muito obrigada.”
“Então, o que faremos com o antigo Conde e a Condessa Dolkness? Podemos executá-los em nome do rei.”
“Eu gostaria que eles ficassem em prisão domiciliar no Condado de Dolkness.”
“Como o Ronald disse, você é uma boa pessoa com um coração enorme”, disse o rei com uma risadinha.
Ronald também tem dito isso?
“Não, é só que acredito que minha reputação seria prejudicada se eu assumisse o título depois de matar meus pais. Eu acho que eles não poderem continuar a levar uma vida luxuosa na capital real já é castigo suficiente.”
Embora estivesse satisfeita com os pontos que apresentei, sentia que o verdadeiro motivo era que a ideia de alguém morrer me incomodava profundamente. Como aristocrata, sabia, logicamente, que não podia ser idealista em tudo. Mas não queria matar se não fosse necessário. Se houvesse vidas que eu pudesse salvar, não conseguia evitar o desejo de salvá-las.
Tudo isso soa estranho vindo da pessoa que provavelmente matou mais monstros no mundo.
“Eu entendo”, disse o rei gentilmente. Talvez ele tivesse me compreendido perfeitamente e soubesse como eu me sentia.
“Em breve, anunciaremos ao público a ressurreição do Rei Demônio. Isso deve acalmar os radicais. Duvido que eles se apresentem e digam que derrotarão o Rei Demônio por conta própria. Gostaria que você estivesse presente no anúncio, senhorita Yumiella. Tenho certeza de que muitas pessoas se sentirão mais tranquilas com a sua presença.”
“Entendido. Sua Alteza e Alicia também estarão lá, certo?”
Eu e o príncipe estávamos bem, mas Alicia ainda me via como uma inimiga. A situação piorou ainda mais depois que a ajudei a subir de nível.
“Sim, vamos pedir ao Edwin para mantê-la na linha, e eu farei o possível para garantir que haja o mínimo de contato possível.”
“Agradeço a sua atenção.”
“O que fazer com a senhorita Alicia… Precisamos pensar em um casamento entre ela e Edwin. Você teria interesse em ser a santa, senhorita Yumiella? ‘Santa’ é apenas um título dado à pessoa que derrota o Rei Demônio junto com o herói. Não é necessário que ela seja usuária de magia da luz.”
“Desculpe, mas…”
“Eu sei. Só pensei em perguntar”, disse o rei com um sorriso irônico.
Se você sabe, prefiro que não pergunte.
Embora me tornar santa provavelmente fosse um plano eficaz para eliminar a discriminação contra pessoas de cabelo preto, essa era a única coisa que eu não queria fazer.
“Não se preocupe”, continuou o rei. “Não vou me intrometer nos assuntos do seu casamento. Há um homem com quem você se dá bem, não é?”
“Você quer dizer o Patrick? Nós não temos esse tipo de relacionamento. Além disso, eu gosto de pessoas mais fortes do que eu.”
Acho que o rei já sabe sobre Patrick, afinal.
Tive que fazer tudo ao meu alcance para esconder meus sentimentos positivos por ele — não por vergonha, mas porque havia a possibilidade de ele ser feito refém. Impulsivamente, usei minha desculpa de rejeição de sempre.
Se Patrick fosse feito refém e os culpados me exigissem algo, acho que não conseguiria negar. Claro, isso só aconteceria se eles conseguissem frustrar meu plano de resgate.
{Yoru: tenho pena de quem fosse sequestrar o Patrick… aliás tenho não, vagabundo tem é que se ferrar msm. | Del: Bom que parece que os caras já vão ficar ferrados com o próprio Patrick, em breve…}
“Sim, provavelmente é melhor você esconder seu relacionamento com ele até que tenha uma situação mais estável. Tenho certeza de que as consequências de qualquer mal que lhe acontecesse seriam terríveis, mas muitos não levariam essas consequências em consideração.”
Bem, a parte sobre não estarmos num relacionamento é verdade… Mas parece que ele não vai acreditar em mim.
“Eliminar a discriminação…” ponderou o rei, relembrando nossa conversa anterior. “É uma tarefa e tanto, mas eu gosto dela. Também vou ajudá-la para que possamos impedir o nascimento de um segundo Lorde Demônio.”
“Um segundo Lorde Demônio?”
Talvez Sua Majestade tenha se deixado levar pela conversa sobre romance. Ele acabara de soltar uma bomba.
Um segundo Lorde Demônio? O Lorde Demônio que ressuscitará em breve é o primeiro? O que a família real sabe sobre ele?
“Oh, meu Deus, eu acho… Por favor, esqueça o que eu disse. Achei que não haveria problema em lhe contar, mas acredito que a batalha contra o Lorde Demônio correrá melhor se eu não disser nada. Por favor, evite fazer mais perguntas sobre isso”, disse o rei, curvando-se profundamente.
“Isso significa que você não vai me contar por motivos relacionados a mim, e não por motivos relacionados à família real?”
Ele disse que seria mais conveniente para a batalha contra o Lorde Demônio se eu não soubesse toda a história. É como se ele achasse que eu hesitaria em lutar contra o Lorde Demônio se soubesse sua identidade…
“Peço desculpas. Prometo lhe contar antes de morrer, mas não posso agora.”
“Entendo. Se Vossa Majestade tomou essa decisão, confiarei nela.”
O rei se recusou terminantemente a falar mais sobre o segredo do Lorde Demônio.
No jogo, foi dito apenas que ele era um ser maligno que controlava os monstros, mas que tipo de verdade se esconde por trás disso?
<==<>==<>==<>==>
Após discutir o assunto com o rei, ficou decidido que eu anunciaria minha sucessão ao título de condessa no Festival da Fundação, juntamente com o anúncio da ressurreição do Lorde Demônio. O festival ocorreu bem no início do inverno, e aristocratas de todos os lugares se reuniram na Capital Real para celebrar a fundação do reino.
Patrick estava muito preocupado com as múltiplas tentativas de assassinato contra mim. Eu também obtive permissão do rei, então decidi pelo menos contar a ele o que aconteceu. Estávamos sentados um de frente para o outro em meu quarto nos dormitórios enquanto bebíamos chá quente.
“Então, com isso, agora sou uma condessa.”
“Entendo. Você passou por muita coisa, né?”
“Sim.”
As palavras simples de Patrick foram como um alívio. Eu achava que estava bem, mas muita coisa tinha acontecido, e eu devia estar exausta no final das contas.
“Estou surpreso de que você vai suceder o título. Algo mudou em você?
“Sabe como é difícil viver neste país com cabelo preto? Eu gostaria de mudar isso, então não posso mais evitar me expor.”
“Gosto do seu cabelo. Isso não basta?”, perguntou Patrick, olhando diretamente nos meus olhos.
Nossa, isso me assustou. Por um momento, achei que ele estava me convidando para sair, mas era só sobre o meu cabelo.
{Del: Aqui, o “gosto” estaria dentro do sentido “eu gosto de você”. E o “convidando para sair”, pode ser entendido também como pedido de namoro.}
“Se fosse só sobre mim, já bastaria. Mas graças a um certo garoto—”
“Garoto!? Quem é ele? De onde ele é?”
{Moon: Calma homem… O ciúme dele kakaka que fofo…}
O quê? É isso que você quer saber?
Comecei a contar-lhe sobre os acontecimentos relacionados com Phil, numa ordem cronológica, incluindo o fato de Phil me ter feito sentir que todo o reino precisava de mudanças.
“Por causa disso, achei que precisava trazer mudanças para todo o reino. Provavelmente há muitas pessoas passando por momentos difíceis, e nós simplesmente não percebemos.” Essa foi uma pequena declaração da minha determinação.
Patrick ficou com uma expressão séria depois de ouvir o que eu tinha a dizer.
“Isso te trará felicidade, Yumiella?” Ele se inclinou e sussurrou, genuinamente preocupado com o meu futuro. “Se você for para um lugar bem longe, poderá viver livremente e não se preocupar com isso. Eu também poderia ir, e—”
“Por favor, pare. Eu já me decidi.”
Patrick foi gentil. Se eu o ouvisse por mais tempo, minha determinação teria vacilado.
“Certo, então, ajudarei no que puder. Não é como se eu não tivesse nenhuma relação com o problema”, disse ele com um sorriso discreto enquanto tocava seus cabelos grisalhos.
“Obrigada. Acho que a primeira coisa é garantir que nos formemos. Sua Majestade disse que eu poderia tratar com o condado depois disso.”
A ausência do atual proprietário do condado me deixou apreensiva, mas o Condado de Dolkness já estava há várias décadas com o atual proprietário longe da região. Havia um sistema em vigor no qual o delegado cuidava do trabalho em si, e o proprietário, residente na capital real, apenas assinava os documentos.
É claro que as coisas não poderiam ficar assim para sempre, mas era algo que poderia ser resolvido em um ou dois anos após minha formatura na Academia. Havia uma mensagem de Sua Majestade dizendo que as coisas poderiam ser deixadas a cargo do vice-rei até que eu derrotasse o Lorde Demônio e me formasse.
“Isso significa que você voltará para o Condado de Dolkness imediatamente após se formar?”
“Sim, esse é o plano. Mas acho que seria melhor se eu visitasse pelo menos uma vez antes disso acontecer.”
“Acho que você pode simplesmente enviar uma carta. Você está planejando ir para o Condado de Dolkness com o Ryuu, não é? Isso causaria um frenesi inimaginável.”
Puxa, eu sabia. O rei também deu a entender a mesma coisa.
“Acho que vou mandar uma carta, então. Hmm, tenho muita coisa para pensar agora que serei condessa.”
“Você pode ir devagar. Eu também te ajudo.”
Como condessa, eu me tornaria a proprietária do condado de Dolkness, então também precisava pensar no meu herdeiro. Na pior das hipóteses, eu poderia simplesmente adotar, então não havia necessidade de me concentrar no casamento como minha única solução.
Não posso me casar com alguém que só queira minhas terras, e também não quero alguém muito mais velho do que eu. Se possível, gostaria de construir um bom relacionamento com meu cônjuge, e gostaria que ele fosse um aristocrata provincial, segundo filho ou mais jovem, com conhecimento sobre administração de um condado.
{Yoru: sinto que tem uma pessoa que se encaixa perfeitamente com esses requisitos, mas não sei dizer quem… | Moon: Cabelos grisalhos entram nessa?}
Depois de refletir um pouco sobre o assunto, percebi que havia vários requisitos.
Além disso, eu precisaria que ele cooperasse comigo. Não acho que haveria alguém que atendesse a todos esses requisitos...
“Ei, Patrick, o que você acha de eu te adotar?”
{Yoru: … | Moon: …}
“Mais uma vez, dizendo algo completamente do nada… Quê? Adoção? O quê?”
“Você é o segundo filho da sua família, certo? Já que você não sucederá o título de marquês, que tal se contentar com um título de conde?”
“Não quero ser adotado.”
Eu não esperava que ele me rejeitasse de imediato, então fiquei um pouco chocada.
“Hmm, eu pensei que seria legal se pudéssemos nos tornar uma família… mas acho que você não quer isso.”
“Não foi isso que eu disse!” exclamou Patrick, elevando a voz — algo que raramente fazia.
Deve haver outro motivo pelo qual ele não queira, então.
Decidi conversar com ele e argumentar. “Não se preocupe. Vou me aposentar rápido! Não vou implicar com sua esposa nem nada do tipo!”
“Eu simplesmente não quero me referir a você como minha mãe.”
Seu raciocínio era compreensível. Era insano pensar em nós dois como mãe e filho, tendo a mesma idade.
Ou, na verdade, talvez não seja tão incomum entre aristocratas. Acho que já ouvi falar de pessoas cujas segundas esposas eram mais jovens que seus filhos.
Patrick parecia ser totalmente contra, então interrompi a conversa sobre adoção ali mesmo e começamos a relembrar o passado juntos. Nem tinham se passado dois anos desde que entramos na Academia, mas os assuntos eram infinitos.
“Já faz um tempo que não conversamos tanto, principalmente porque não tenho tido muito tempo para passar com você ultimamente”, admiti. “Você não pode me dizer logo aonde tem ido todo esse tempo?”
“Aguarde só mais um pouquinho. Depois disso, tenho algo para lhe dizer.”
Com isso, Patrick foi embora. Era por volta da época em que entrávamos no segundo ano da Academia agora, mas Patrick frequentemente saía sozinho dos arredores. Não poder passar muito tempo com ele me fazia sentir solitária.
Solitária, né? Passei a vida toda sozinha, mas mesmo assim me sinto solitária agora. É bem óbvio o que eu sinto por ele.
“Acho que meu tempo com o Patrick vai terminar na formatura”, murmurei para mim mesma.
Eu temia nossa formatura na Academia em um ano e meio mais do que a ressurreição do Lorde Demônio em seis meses.
Será que até lá conseguirei dizer a ele como me sinto?
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A época da colheita havia terminado e o inverno estava prestes a chegar com força total. O Festival de Fundação do Reino de Valschein era o dia em que a maior parte das pessoas se reunia na Capital Real. Com o festival da colheita acontecendo também, até mesmo os plebeus estavam animados e festivos. Os aristocratas também se reuniam na Capital Real neste dia para celebrar a fundação do reino. No ano passado, passei o feriado visitando a Capital Real, mas este ano não seria tão tranquilo.
No grande salão do Palácio Real, eu estava de prontidão na lateral do palco. Estava vestida adequadamente, com um vestido, já que se tratava de uma cerimônia. Espiei o local e vi muitas pessoas conversando em pé, além de uma grande quantidade de comida disposta como em um bufê; no entanto, a maioria das pessoas mal havia bebido um gole das bebidas que tinha nas mãos, e ninguém sequer havia tocado na comida.
Eu gostaria de ter alguns recipientes comigo.
{Yoru: Levando uma vasilha pra trazer a comida da festa? Yumiella BR confirmada. | Del: Pensei o mesmo kkkkkk.}
“Sua Majestade chegou!”
Com esse anúncio como sinal, os aristocratas pousaram suas bebidas e fizeram uma reverência, assim como eu. O rei então começou a falar.
“Agradeço a todos pela presença. Por favor, levantem a cabeça e relaxem.”
Ao levantar a cabeça, pude ver Alicia e o Príncipe Edwin logo atrás do rei — eles estavam na ala do palco oposta à minha. Se estivéssemos juntos, poderíamos ter causado um escândalo, então fiquei grata pela consideração deles.
O rei proferiu algumas palavras comemorativas sobre a fundação do reino e, em seguida, passou para o próximo tópico.
“Tenho algo importante para contar a todos. Algumas pessoas podem ter percebido por causa das declarações involuntárias de Edwin, mas em menos de um ano, o antigo Lorde Demônio será ressuscitado.”
Ao ouvirem isso, os aristocratas começaram a cochichar entre si, mas não havia muita confusão. Afinal, o Príncipe Edwin já havia mencionado publicamente que o Lorde Demônio seria ressuscitado. Embora o rei tivesse negado, provavelmente muitos suspeitavam que fosse verdade.
“O Lorde Demônio foi selado pelo herói, que foi nosso primeiro rei, e pela santa, que foi nossa primeira rainha. Contudo, até mesmo os selos mais fortes acabam se rompendo, e o primeiro rei havia estimado com precisão quando isso aconteceria. O Lorde Demônio certamente estará fraco assim que despertar. Mesmo que o herói não tenha conseguido, é possível derrotá-lo definitivamente e acabar com o sofrimento das nossas futuras gerações!”
O público presente no local explodiu em aplausos com a declaração do rei de que realizaria um feito que superaria o do primeiro rei.
“Dizem que o Lorde Demônio pode controlar monstros. É bem provável que ele envie um exército de monstros para atacar nosso país a fim de fortalecer seu poder. Deixarei a tarefa de lidar com isso a cargo do Comandante Adolphe. Já começamos a nos preparar para um grande envio do Exército Real, mas não importa quantas tropas tenhamos, não será o suficiente. Gostaria de pedir aos presentes que enviem também algumas de suas tropas.”
Houve diversas reações ao pedido de soldados feito pelo rei. Alguns estavam entusiasmados por lutar pelo reino, outros pareciam estar em uma situação difícil, talvez por não terem tropas suficientes para emprestar, enquanto outros pareciam estar pensando em como maximizar seus feitos.
“Quanto ao próprio Lorde Demônio, tão crucial…” Os aristocratas se aquietaram e se concentraram nas palavras do rei para não perderem de vista como ele lidaria com o Lorde Demônio, já que apenas o selar era tudo o que o primeiro rei podia fazer. “Uma pequena unidade de elite entrará na base do Lorde Demônio e o derrotará! Gostaria de apresentar os membros…”
O rei começou por apresentar o Príncipe Edwin. O príncipe fez uma declaração de sua determinação, que foi aplaudida por toda a multidão. William, Oswald e Alicia também foram apresentados, até que finalmente chegou a minha vez.
“Finalmente, temos Yumiella Dolkness. Ela alcançou o nível 99, um feito inédito, e domou um dragão. Com certeza, ela será uma força poderosa contra o Lorde Demônio. Gostaria também de aproveitar este momento para anunciar que ela sucedeu o título de condessa e agora é a Condessa de Dolkness.”
Chegou a minha hora.
Me preparei psicologicamente e fui até o palco.
“Obrigada pela apresentação. Meu nome é Yumiella Dolkness. Sofri muitas dificuldades por causa do meu cabelo preto. Cheguei a desistir, pensando que não havia mais nada a fazer, mas conheci um certo garoto e meus sentimentos mudaram. Conheci esse garoto, que tinha um coração bondoso apesar das coisas horríveis que teve que suportar por causa da cor do seu cabelo, e senti que precisava fazer algo a respeito. Por isso, quero fazer tudo o que estiver ao meu alcance para derrotar o Lorde Demônio, o principal responsável por essa discriminação.”
Eu já disse isso na frente de outras pessoas. E se elas não me aceitarem?
O local ficou em silêncio. No salão silencioso, o som de uma pessoa batendo palmas ecoou — o som vinha do meu lado. Era o Príncipe Edwin. Em seguida, o rei e a rainha bateram palmas e, por fim, toda a plateia se juntou a eles.
Após a cerimônia de fundação, haveria um grande baile. Eu deveria estar participando ativamente de eventos sociais como esse; no entanto, perdi completamente as energias depois da minha breve saudação no palco.
{Del: Nível 99, mas nível 1 na bateria social. | Moon: Isso se chama equilíbrio Del kakakakaka.}
Escapei do local do evento e fui até o pátio do Palácio Real. A noite estava nublada e não havia uma única luz brilhando no pátio.
Está tão escuro aqui. Provavelmente consigo evitar ser encontrada se ficar por aqui.
“Ah, Yumiella, aqui está você.”
E… fui imediatamente encontrada. A pessoa que vinha em minha direção era Patrick.
Que estranho. Acho que ele não foi convidado para a cerimônia.
“Patrick? O que você está fazendo aqui?”
“Estou aqui por cortesia de Sua Alteza. Mas não consegui encontrar a pessoa que queria convidar para dançar comigo, então vim procurá-la.”
“Quem você está procurando? Gostaria de ajuda para encontrá-la?”
As únicas pessoas convidadas eram os chefes de famílias aristocráticas e suas esposas, então quem poderia ser ela? Será que ela era… esposa de alguém ou viúva?
“Patrick, eu acho que viúvas não são um problema, mas acho que você deveria ficar longe de mulheres casadas.”
“Que tipo de mal-entendido você teve desta vez? Não, espere. Não diga. Não quero ouvir”, suspirou ele, olhando para mim com decepção.
Tem algo estranho…
Este pátio está bastante escuro, e eu só conseguia enxergar sem problemas graças aos meus sentidos de nível 99. Patrick não deveria ter conseguido enxergar naquela escuridão com o nível dele.
“Patrick, você consegue enxergar agora?”
“Eu estava escondendo, mas não achei que você fosse notar assim. Sim, agora estou no nível 60. Meus sentidos ficaram mais aguçados, mas nesta escuridão, eu só consegui distinguir uma figura humana.”
O nível 60 o colocaria no topo da hierarquia de poder neste reino.
Quando foi que ele…?
“Ah, então você não tem estado na Academia recentemente porque…”
“Sim, eu passava todo o meu tempo livre indo a masmorras. E recebi muita ajuda disso”, disse Patrick, tirando um amuleto que estava em seu pescoço.
“Será que isso é um amuleto de crescimento? Ei! É perigoso não ter um amuleto de proteção por perto. O que você faria se algo acontecesse com você?!”
“Foi você quem disse que deveríamos usar isso, não foi?”
Hã? Ele tem razão. Eu realmente acreditava que o amuleto do crescimento era a única opção para subir de nível. Acabei dizendo que era perigoso porque…
“Não, é perigoso. Eu não gostaria que algo acontecesse com você.”
“Só para você saber, eu me sentia da mesma forma sempre que você fazia algo imprudente.”
“Eu… sinto muito por isso?”
Daqui para frente, preciso ser menos imprudente. Dito isso, o que exatamente eu fiz até agora que poderia ser considerado imprudente?
“Não consigo ver seu rosto porque está escuro, mas sei que você não entende o que estou dizendo. Tudo bem. O que eu queria perguntar era se você me deixaria participar da batalha contra o Rei Demônio.”
No jogo, o nível 60 era o nível apropriado para enfrentar o Rei Demônio. Ele provavelmente seria um recurso adequado na batalha, mas havia algo mais que eu queria que Patrick fizesse.
“Não posso fazer isso. Quero que você proteja o reino.”
“Acho que, afinal, não sou forte o suficiente.”
“Não é isso. Acho que você seria de grande ajuda se se juntasse à batalha contra o Rei Demônio, mas acredito que seu maior talento reside em batalhas em grupo de grande escala. Quero que você defenda o reino contra o exército de monstros, pois não posso ajudar nisso.”
O domínio que ele demonstrava em combates em grupo, que observei durante nosso treinamento ao ar livre na Academia, praticamente não apresentava comandos desnecessários e era até mesmo belo. Eu seria suficiente para lidar com o Lorde Demônio, então queria que ele minimizasse o dano da batalha defensiva.
Os marqueses provavelmente também enviariam um exército. Mesmo que ele não pudesse comandá-los, com suas habilidades, certamente teria sucesso. Com a capacidade de provar sua força com algo tão claro quanto níveis, não havia como negar sua ajuda.
“Aliás, você sabe como serão chamados o primeiro e o segundo colocados de maior nível, homem e mulher, que derrotarem o Rei Demônio?”, perguntei. “Isso mesmo… Eles seriam o herói e a santa.”
“Acho que não teria problema se você quisesse fundar um novo reino comigo.” Se Patrick quisesse derrotar o Lorde Demônio para provar que era digno de ser rei e fundar seu próprio reino, eu não me importaria de ajudá-lo.
“Não, eu não quero ser visto como um desafiante ao trono. Mas se você quisesse se tornar rainha, eu não me importaria de fazer isso por você.”
“Obviamente, eu não quero isso.”
Isso significaria que nos casaríamos, mas talvez ele não tivesse se dado conta disso.
“Entendo. Tenho certeza de que Ashbatten enviará soldados, então os apoiarei.”
“Certo, me desculpe. Aliás, por que você se apressou tanto em subir de nível? Acho que não mencionei nada sobre a ressurreição do Rei Demônio.”
“Você…” ele parou de falar.
Eu o quê?
Seu rosto, que eu conseguia ver apesar da escuridão, se contorcia em várias expressões.
“O que tem eu?”, perguntei.
“Eu queria ser mais forte que você.”
Hum, se você olhar para os nossos atributos básicos, acho que isso é um sonho distante.
“Você se sente frustrado por ser mais fraco? Tudo bem. Ei, a força não é o único valor que uma pessoa possui.”
“Foi você quem começou. Você disse que gostava de caras mais fortes do que você.”
Essa era a minha desculpa para rejeitar filhos de aristocratas. Na realidade, a pessoa por quem eu tinha sentimentos era fraca em comparação a mim.
Espera aí, então eu disse que gostava de pessoas fortes, e ele quis ficar forte depois de ouvir isso…
Minha mente começou a ficar confusa.

“Hum, isso foi algo que inventei para dispensar as pessoas, então… na verdade, não acho isso”, expliquei sem jeito.
“Era o que eu imaginava, mas pensei que ficar ao seu lado exigiria ser forte”, disse Patrick com uma expressão triste.
Isso significa que é assim mesmo, né? Até eu consigo perceber isso. Algo… preciso dizer alguma coisa…
“Hum, Patrick, vamos jogar pedra-papel-tesoura.”
“O que?”
“Vamos lá. Pedra, papel, tesoura.”
Embora estivesse confuso, Patrick estendeu a mão corretamente. Infelizmente, eu ganhei.
“Qual foi o resultado? Está muito escuro para eu dizer quem ganhou.”
“Você ganhou. Você é mais forte em pedra, papel e tesoura. Acho que, no fim das contas, gosto de pessoas mais fortes do que eu, então…”
Patrick, é tudo o que posso dizer. Por favor, entenda onde quero chegar.
“Yumiella…”
Patrick colocou as mãos nos meus ombros e—
Patrick, você deve ter mentido quando disse que estava escuro demais para ver meu rosto, porque você sabe exatamente onde estão meus lábios.
Resenha do Tradutor e Revisores
Yoru: Isso é CINEMA, meus consagrados. É com essa incrível cena que fechamos o sexto capítulo da obra. Não se preocupem, ainda temos mais um capítulo até a conclusão do primeiro volume. Espero vê-los em breve. :)
DelValle: Pog! Top demais, casalzão do caramba. Os dois combinam tão bem um com o outro.
Moonlak: FINALMENTE!!! Meu Deus, eu não aguentava mais a aflição deles se fazendo, na verdade, ela, ele deixava bem óbvio, enfim, ela se fazendo de desentendida… Oficial agora rapaziada, PODEM ESTOURAR OS CHAMPANHES.
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