Volume 5

Capítulo 6: Como Recompensa Pela Prova

Ōtsuki Haruto

 

   No caminho de volta da loja de karaokê.

   Haruto e Ayaka caminhavam lentamente em direção de casa, com as duas sombras se estendendo mais do que costumavam durante as férias de verão.

“O karaokê foi divertido.”

“Foi. Você canta muito bem, Ayaka.”

   Haruto assentiu em concordância e a elogiou. Ayaka corou levemente e soltou um tímido “Ehehe.”

   Mesmo tendo deixado escapar sem querer que tinha jogado o Jogo do Hokky sozinha com ele, o que levou Saki e Shizuku a desvendarem toda a história e a provocarem sem piedade, a sessão de karaokê ainda assim tinha sido divertida para Haruto.

“Você também foi incrível, Haruto-kun. Eu não entendo muito de enka, mas achei que você cantou muito bem. Queria ter ouvido mais.”

   Vendo-a dizer isso com os olhos brilhando, Haruto exibiu um sorriso um pouco envergonhado.

“Obrigado. Meu avô costumava ouvir muito enka quando eu era pequeno.”

   Haruto voltou o olhar para o céu tingido de vermelho profundo e começou a falar como se estivesse relembrando o passado.

“E quando eu cantava enka, ele ouvia com tanta alegria. Eu queria deixá-lo ainda mais feliz, então ficava ouvindo enka o tempo todo e praticando.”

“Isso é tão gentil da sua parte, Haruto-kun.”

“Hahaha, mas isso foi quando eu ainda estava no começo do ensino fundamental.”

“Entendo. Queria ter visto o pequeno Haruto-kun cantando enka com todas as forças para deixar o avô feliz.”

   Dizendo isso, Ayaka também ergueu o olhar para o céu do entardecer, assim como Haruto, e murmurou com um sorriso: “Aposto que você era super fofo.”

   Sentindo-se envergonhado com a reação dela, Haruto coçou a cabeça com uma das mãos para disfarçar e mudou de assunto.

“Aliás, você tirou acima de oitenta em todas as matérias, não foi?”

“Sim! Na verdade, não foi só acima de oitenta, esses talvez tenham sido os melhores resultados que já tive!”

   Ayaka assentiu com um sorriso radiante.

“Vou me gabar para a minha Mãe quando chegarmos em casa.”

   Vendo-a caminhar com passos tão felizes, inocentes e saltitantes, uma sensação calorosa de alegria se espalhou também pelo coração de Haruto.

“Bom, já que você alcançou com sucesso a meta de tirar acima de oitenta em todas as matérias, o que você quer como recompensa da minha parte?”

“Sobre isso… você tem algum plano para amanhã, sábado, Haruto-kun?”

“Amanhã? Nada em especial.”

   Atualmente, sua rotina era passar as sextas e os sábados na casa dos Tōjō. Então, ele planejava ajudar a avó, brincar com Ryōta e talvez encaixar um pouco de estudo no meio disso.

   Quando Haruto respondeu, Ayaka fez uma breve pausa antes de falar.

“Então, que tal a gente sair em um encontro amanhã?”

“Um encontro?”

“Sim. Eu percebi que a gente não saiu em um encontro desde que viramos oficialmente um casal.”

“É verdade.”

   Haruto assentiu às palavras de Ayaka.

   Durante as férias de verão, eles tinham começado com um encontro no cinema, ido ao parque Floresta dos Animais, explorado a cidade procurando sorvetes de edição limitada e até acampado. No entanto, desde que se tornaram oficialmente um casal, eles não tinham tido um encontro de verdade sequer.

“Então está decidido, vamos sair em um encontro amanhã. Tem algum lugar que você queira ir, Ayaka?”

   Quando Haruto perguntou, Ayaka tirou o smartphone do bolso.

“É um pouco longe, mas faz tempo que eu quero ir aqui. O que você acha?”

   Dizendo isso, ela mostrou a tela do smartphone para Haruto.

   Exibido ali estava um parque temático com temática marinha, que combinava um aquário com atrações.

“Ah, esse lugar. Sim, dá para passar o dia inteiro se divertindo lá.”

“Você concorda, Haruto-kun?”

“Sim. Então amanhã vai ser um encontro no aquário.”

“Yay!! Mal posso esperar!”

   Ayaka abriu um sorriso tão largo que parecia que ia transbordar, e Haruto não pôde deixar de sorrir também.

   Depois disso, os dois conversaram sobre os planos para o encontro de amanhã até chegarem à porta da frente da residência dos Tōjō.

   Quando Haruto e Ayaka chegaram em casa e entraram na sala dizendo “Chegamos”, encontraram Kiyoko e Ryōta jogando Othello.

   Kiyoko, que observava Ryōta encarar o tabuleiro com uma expressão preocupada e olhos carinhosos, voltou o olhar para Haruto e Ayaka ao vê-los entrar.

“Bem-vindo de volta, Haruto. Bem-vinda de volta, Ayaka-san.”

“Cheguei, Vó.”

“Cheguei, Kiyoko-san.”

   Os dois responderam em sequência.

   Haruto se aproximou de Ryōta, que ainda murmurava “Hmm…” com uma expressão aflita no rosto.

“Acha que consegue ganhar, Ryōta-kun?”

“Onii-chan, escuta. Eu quero colocar uma peça branca aqui, mas se eu fizer isso, a vovó pega o canto. Mas se eu colocar aqui, só viro uma peça preta…”

[Del: Provavelmente eles estão jogando Reversi. É um jogo onde você tem que dominar o tabuleiro, e o canto é uma vantagem absurda porque sua peça fica “imortal”, não podendo ser mais pega pelo oponente.]

   Ryōta explicou a situação atual da partida para Haruto, que observava o tabuleiro por trás dele, sem mudar a expressão preocupada.

“Entendo, este é o ponto decisivo da partida.”

   Haruto assentiu, assumindo uma expressão séria para demonstrar empatia com Ryōta.

   Nesse momento, Ayaka abriu a boca para dar um conselho ao irmão.

“Ryōta, se você colocar aqui—”

“Aaaah!! Não, Nee-chan!”

   Ryōta gritou alto, interrompendo o conselho de Ayaka no meio da frase.

“Dicas são trapaça! Esta é uma partida séria entre mim e a vovó! Você não pode me dar dicas, Nee-chan!!”

“O-Ooh, é mesmo? Desculpa, desculpa.”

   Diante da expressão séria de Ryōta, Ayaka retirou rapidamente a mão que estava prestes a apontar para o tabuleiro.

   Kiyoko sorriu calorosamente ao ver a troca entre os irmãos Tōjō.

“O Ryōta-kun realmente é um bom menino.”

“Eu quero jogar de forma justa e te vencer, vovó.”

   Dizendo isso, Ryōta voltou a murmurar “Hmm…” com uma expressão séria.

   Haruto e Ayaka observaram em silêncio enquanto Ryōta pensava desesperadamente.

   Por fim, após uma longa deliberação, ele fez sua jogada decisiva.

   A partida avançou até o final, e o resultado foi a vitória de Ryōta por uma diferença de duas peças.

[Del: Tabuleiro 8x8, resultado 31x33.]

“Yay!! Eu ganhei!!”

   Ryōta ergueu os dois braços no ar em triunfo.

“Eu perdi. Ryōta-kun é forte.”

“Ehehe.”

   Ryōta sorriu timidamente diante do elogio de Kiyoko.

   Ao ver aquele sorriso, Haruto percebeu que era exatamente igual ao sorriso de Ayaka quando ele elogiou o canto dela no caminho de volta mais cedo. Impressionado com o quanto eles realmente eram irmãos, Haruto observou enquanto Kiyoko olhava para o relógio de parede e se levantava com um pequeno som de esforço.

[Almeranto: Na tradução estava “Heave-ho”, que seria uma onomatopeia para o português: “Uff” ou “Hop”, que é um sinal de esforço para se levantar. Decidi trocar a onomatopeia pela explicação dela para um melhor entendimento.]

“Já está na hora de começar a preparar o jantar.”

“Ah, então eu ajudo também. O que vai ser o jantar hoje?”

“As berinjelas estavam baratas no supermercado, então hoje é mabo de berinjela.”

“Uau, estou ansiosa pelo seu mabo de berinjela, Kiyoko-san!”

   O rosto de Ayaka se iluminou ao ouvir o cardápio da noite.

“O preparo já está adiantado, então logo ficará pronto. Haruto, você poderia fazer a sopa?”

“Entendido.”

   Dizendo isso, os dois foram para a cozinha.

   Enquanto Kiyoko começava os preparativos do jantar, Ayaka ficou responsável por brincar com Ryōta.

“Certo, desta vez eu vou jogar Othello com você.”

[Del: Mesmo jogo.]

“Tá bom. Eu também não vou perder para você, Nee-chan.”

“Eu também não vou perder, viu?”

   Ouvindo a conversa dos irmãos, Haruto ficou na cozinha ao lado da avó.

“Vovó, já que é mabo de berinjela, uma sopa chinesa está bom, né?”

“Sim. E posso pedir para você fazer uma salada também?” perguntou Kiyoko, enquanto colocava uma frigideira no fogão.

“Sem problema. Acho que tem quiabo e broto de feijão na geladeira, né? Vou usar isso para fazer uma salada chinesa.”

   Dizendo isso, ele tirou os ingredientes da geladeira.

   Desde as férias de verão, quando começou seu trabalho de meio período como ajudante doméstico, Haruto já conhecia a cozinha da família Tōjō — a localização dos ingredientes, temperos, utensílios e louças — tão bem quanto a da própria casa.

   Haruto preparou o jantar habilmente ao lado de Kiyoko.

   Assim que o aroma delicioso do mabo de berinjela começou a se espalhar pela cozinha, Shūichi e Ikue chegaram juntos do trabalho.

“Chegamos. Mmm, algo cheira muito bem.”

“Chegamos. Ah, hoje é mabo de berinjela. Parece delicioso.”

   O casal Tōjō sorriu ao sentir o aroma do jantar.

“Bem-vindos de volta. Vai ficar pronto em instantes.”

   Enquanto Kiyoko levantava o olhar educadamente, Ryōta, ao ouvir suas palavras, abandonou a partida de Othello com Ayaka e correu para a cozinha.

“Papai, Mamãe, bem-vindos de volta! Vovó! Eu ajudo a levar os pratos!”

“Obrigada, Ryōta-kun, isso ajuda bastante. Aqui, pode levar esses pratos?”

“Sim!”

   Ryōta pegou os pratos de Kiyoko e os colocou alinhados na mesa.

   Depois disso, Shūichi e Ikue voltaram após trocarem de roupa, e todos se reuniram em volta da mesa de jantar para começar a comer.

“Mmm, Kiyoko-san. A refeição de hoje também está deliciosa.”

“Muito obrigada.”

   Shūichi estalou os lábios satisfeito, e Kiyoko sorriu e se curvou.

“Onii-chan, essa sopa também está gostosa.”

“Obrigado, Ryōta-kun. Experimente essa salada também.”

“Tá!”

   Quando Haruto serviu a salada para Ryōta, o menino encheu as bochechas alegremente e sorriu, dizendo: “Gostoso!”

   Como sempre, a mesa de jantar da família Tōjō estava envolta em uma atmosfera alegre e animada. Em meio a isso, Ayaka falou com Ikue sobre o dia seguinte.

“Mãe? Sobre amanhã, eu vou sair em um encontro com o Haruto-kun.”

“Oh, é mesmo? Que bom. Para onde vocês estão planejando ir?”

   Ao ouvir o relato da filha, Ikue sorriu agradavelmente e lançou um olhar para Ayaka e Haruto.

   Recebendo o olhar dela, Haruto contou sobre o parque temático que Ayaka havia sugerido no caminho de volta.

“É um pouco longe, então Ayaka-san e eu estamos pensando em sair cedo de manhã.”

“Que maravilha! Sabe, eu fui lá em um encontro quando ainda estava namorando o Shūichi-san.”

“É mesmo? Então a Mãe e o Pai também foram a esse parque temático quando namoravam.”

   Ayaka demonstrou interesse nas palavras de Ikue.

“Mas isso já faz cerca de vinte anos. Esse homem, mesmo sem ter uma muda de roupa, assistiu ao show dos golfinhos na primeira fila e acabou completamente encharcado. E ainda assim, estava rindo horrores.”

“Ahahaha, verdade, isso aconteceu mesmo.”

   Shūichi riu em voz alta e, em seguida, olhou para Haruto e Ayaka com uma emoção profunda.

“Ainda assim, ver minha própria filha ir a um encontro no mesmo lugar onde eu já fui um dia... isso realmente acerta bem aqui.”

   Dizendo isso, ele virou todo o corpo em direção a Haruto.

“Cuide bem da minha filha amanhã, Haruto-kun.”

“Sim.”

   Ayaka deu um sorriso amargo ao ver os dois homens trocando essas palavras e se curvando um para o outro.

“Aff, pai, você está exagerando.”

   Enquanto Ayaka dava de ombros diante do sempre dramático Shūichi, Ryōta inclinou a cabeça e perguntou.

“Onii-chan. Você vai ao aquário com a Nee-chan amanhã?”

“Sim... ah... você quer ir também, não é, Ryōta-kun?” perguntou Haruto, adivinhando os sentimentos de Ryōta. No entanto, ao contrário de sua expectativa, Ryōta balançou a cabeça.

“Não. Eu vou ficar em casa. Você tem que ir a um encontro com a Nee-chan e cultivar o amor de vocês, Onii-chan, então eu não vou atrapalhar.”

“Ah, obrigado, Ryōta-kun.”

“Nada. Dê o seu melhor no encontro, Onii-chan!”

   Recebendo o incentivo de Ryōta, Haruto respondeu: “S-Sim. Vou dar o meu melhor”, e fez uma pose determinada para ele.

 

✦ ✦ ✦

 

   No dia seguinte ao karaokê.

   Haruto sentiu a suave luz da manhã através das cortinas e lentamente abriu as pálpebras. Ele sentia que já tinha se acostumado um pouco à vida na casa dos Tōjō, que havia começado após as férias de verão.

   Sentando-se e se espreguiçando bastante, Haruto saiu da cama e deixou seu quarto.

   Ele lavou o rosto e escovou os dentes na pia do primeiro andar, depois voltou ao quarto para iniciar sua rotina diária de estudos logo cedo.

   A casa dos Tōjō estava envolta em silêncio, pois ninguém mais havia acordado ainda. O som de páginas de livros sendo viradas e o arranhar de uma caneta em um caderno ecoavam fracamente pelo quarto.

   Depois de cerca de uma hora concentrado nos estudos, Haruto parou a caneta e se espreguiçou.

“Nnngh... certo. Acho que já é suficiente por hoje.”

   Ele organizou sua mesa e foi para a cozinha preparar o café da manhã.

   Sua avó, Kiyoko, já estava lá, começando a preparar o café da manhã para os seis, incluindo eles mesmos.

“Bom dia, Vó.”

“Bom dia, Haruto.”

   Haruto trocou cumprimentos com Kiyoko e, em seguida, ficou ao lado dela e esmagou os pepinos que estavam ao lado da tábua de corte com o lado plano da faca.

   Tendo cozinhado ao lado da avó por muitos anos, Haruto geralmente conseguia adivinhar o que ela planejava fazer apenas olhando para os ingredientes e temperos dispostos.

   Ele adicionou polpa de ume e temperos aos pepinos esmagados, transferiu tudo para um saco e começou a amassar.

“Vovó, que ingredientes vamos usar para a sopa de missô hoje?”

“Estou pensando em fazer sopa de missô com cogumelos nameko hoje”, disse Kiyoko enquanto refogava as berinjelas restantes do mapo berinjela de ontem em bastante óleo.

“A Ikue-san me disse que o Ryōta-kun gosta de sopa de missô com nameko.”

“Isso é novidade para mim. Eu não sabia que o Ryōta-kun gostava de cogumelos nameko.”

   Haruto achava que tinha entendido as preferências alimentares de todos da família Tōjō através de seu trabalho de meio período como ajudante doméstico, mas parecia que ainda havia coisas a aprender.

   Para registro, Shūichi preferia sabores fortes que combinassem bem com álcool, enquanto Ikue gostava de pratos ácidos usando vinagre ou suco de limão, além de sabores picantes.

   Ayaka basicamente comia qualquer coisa com uma expressão radiante dizendo “Delicioso!”, mas, entre isso, se ele fizesse pratos como peixe cozido um pouco mais doces, podia ver uma expressão de verdadeira felicidade em seu rosto.

“Então, acho que vou fazer a sopa de missô com nameko.”

   No momento em que Haruto estava prestes a assumir o preparo da sopa de missô enquanto Kiyoko fazia a berinjela cozida, a porta da sala se abriu e Ayaka entrou.

“Ah, bom dia, Haruto-kun. Bom dia para você também, Kiyoko-san.”

“Bom dia, Ayaka-san.”

“Bom dia, Ayaka. Você acordou cedo hoje”, disse Haruto, segurando a panela de caldo dashi que havia preparado.

“Sim. Hum... se não for um incômodo, eu estava pensando que gostaria de ajudar no preparo da comida a partir de agora também. Eu me sinto mal deixando tudo sempre para você, Kiyoko-san...”

   Ayaka respondeu de forma um pouco tímida.

“Oh, minha nossa, Ayaka-san, você não precisa se preocupar com isso, sabe?”

   Sua avó levantou o olhar das berinjelas e sorriu calorosamente para Ayaka.

“Já fico muito grata apenas por poder trabalhar aqui, então, por favor, não se preocupe e apenas relaxe.”

“H-Hum... na verdade, bem... há outro motivo pelo qual eu quero ajudar com a cozinha...”

   Ayaka mexeu inquieta as mãos, lançando um rápido olhar para Haruto.

   Então, com as bochechas levemente coradas, ela disse:

“Eu quero aprender o sabor da sua comida também, Kiyoko-san... E eu esperava que, algum dia, eu pudesse fazer o Haruto-kun comer a comida que eu preparar.”

   Os olhos de Kiyoko se arregalaram de emoção diante das palavras tímidas, mas dedicadas, de Ayaka.

“Minha nossa! Minha nossa! Haruto! Você ouviu isso!! Que namorada maravilhosa a Ayaka-san é!!”

“V-Vó, acalme-se. Ficar tão animada não faz bem para a sua saúde.”

   Haruto tentou acalmar a Kiyoko, ofegante de empolgação, usando ambas as mãos.

“Ayaka-san! Se é assim, então, por favor, deixe-me ensiná-la a cozinhar!”

   Kiyoko foi até Ayaka, segurou suas mãos e inclinou a cabeça como se fosse ela quem estivesse pedindo um favor.

   Ayaka rapidamente inclinou a cabeça em resposta.

“Por favor, sou eu quem está pedindo! Vou me esforçar para chegar pelo menos um pouquinho mais perto do seu sabor, Kiyoko-san!”

   Ayaka e Kiyoko trocaram um firme aperto de mãos e, em seguida, imediatamente começaram a preparar juntas a berinjela cozida.

   Kiyoko explicou com muito cuidado os truques da culinária e os pontos-chave do tempero. Ayaka ouvia com uma expressão muito séria, assentindo e, às vezes, tentando ela mesma, aprendendo a cozinhar com Kiyoko.

   Enquanto Haruto lançava olhares para Ayaka enquanto fazia a sopa de missô com nameko, seus olhos se encontraram quando ela ergueu o olhar com uma expressão concentrada. Instantaneamente, Ayaka mostrou um sorriso suave e gentil.

“Apenas espere, Haruto-kun. Um dia eu vou conquistar o seu estômago.”

“Nn... estou ansioso por isso.”

[Del: ……… (Quem sabe, sabe)]

   O coração de Haruto bateu forte diante das palavras um tanto surpreendentes de Ayaka.

   Ele suprimiu desesperadamente o sorriso que ameaçava se espalhar por seu rosto enquanto preparava a sopa de missô com nameko.

   Tendo seu ritmo cardíaco acelerado por Ayaka logo pela manhã, Haruto respirou fundo várias vezes para manter uma aparência calma enquanto fazia o café da manhã.

   Eventualmente, os outros acordaram e vieram para a sala de estar. Então, os seis membros das famílias Tōjō e Ōtsuki se reuniram ao redor da mesa de jantar.

   Shūichi deu uma mordida na berinjela cozida e assentiu profundamente.

“Comer comida deliciosa logo de manhã realmente enche você de energia.”

   Kiyoko sorriu diante de suas palavras.

“A Ayaka-san ajudou a fazer essa berinjela cozida.”

“É mesmo? Então é isso! Está muito deliciosa, Ayaka.”

“Obrigada. Mas eu só ajudei um pouquinho, a Kiyoko-san fez quase tudo”, respondeu Ayaka, envergonhada, ao elogio de Shūichi. Vendo a filha assim, Ikue abriu um sorriso.

“Aprendendo a cozinhar com a Kiyoko-san... será que a Ayaka quer conquistar o estômago do futuro marido?”

“I-Isto é... eu provavelmente vou me casar algum dia também... e é melhor saber cozinhar até lá, não é?”

   Embora seu rosto tivesse ficado vermelho, a filha rebateu. Ikue suavizou um pouco a expressão provocadora e falou com carinho.

“É verdade. Cozinhar é muito importante para uma vida de casados harmoniosa. Não é, querido?”

“Isso mesmo. Bem, eu sou péssimo em cozinhar, então dei muito trabalho para sua mãe nesse aspecto.”

“Eu fiquei surpresa quando pensei que você tinha feito macarrão à tinta de lula, só para descobrir que era apenas napolitano queimado.”

[Almeranto: Que trecho miseravi, tava bebendo água quando li essa parte, agora minha tela tá toda molhada kkkkk.]

“Ahahaha, é, isso aconteceu também.”

   Shūichi riu alto ao lembrar do episódio de seu fracasso no passado. Ayaka olhou para o pai com uma expressão exasperada.

“Pai... isso não é ser péssimo demais?”

“Bem, o apartamento em que morávamos naquela época tinha fogão a gás, sabe. Fogo alto é o romance de um homem, não é? Haruto-kun entende esse sentimento, certo?”

   Sendo subitamente questionado, Haruto pareceu incomodado por um momento, mas rapidamente disfarçou com um sorriso.

“Acho que sim. Ver vídeos de culinária chinesa e coisas do tipo realmente parece legal.”

“Sim! Exatamente! Frigideiras de ferro se movendo violentamente em meio a colunas de fogo que se erguem! Ingredientes dançando no ar! Isso é verdadeiramente o romance de um homem!”

“Colunas de fogo e frigideiras de ferro... mas você estava fazendo napolitano, pai...”

   Ayaka suspirou mais uma vez, dizendo “pelo amor de Deus”, com uma expressão cansada.

   Observando a troca entre pai e filha, Ikue sorriu “ufufu” e perguntou a Kiyoko.

“Kiyoko-san. Como é a aptidão da Ayaka para a cozinha?”

“A Ayaka-san é eficiente e aprende rápido, então acho que ela vai melhorar em pouco tempo”, respondeu Kiyoko, com o rosto suavizado enquanto ouvia a animada conversa da família Tōjō.

“Que bom, Ayaka. Você não herdou as péssimas habilidades culinárias do seu pai.”

“Não, a culinária do pai não é exatamente péssima, é mais que ele continua perseguindo algum romance estranho nela, não é?”

“Ayaka, o romance de um homem é essencial na culinária, sabia?”

“É exatamente esse o problema, pai.”

   Haruto não pôde deixar de rir da conversa de Ayaka com seus pais e, então, olhou para Ryōta ao seu lado, que estava soprando “fuu-fuu” na sopa de missô com nameko para esfriá-la.

“Você gosta mesmo de sopa de missô com nameko, não é, Ryōta-kun?”

“Sim, eu gosto disso!”

“Aquela leve viscosidade não te incomoda?”

   Haruto havia assumido arbitrariamente que crianças pequenas não gostavam muito de cogumelos nameko. No entanto, Ryōta mostrou um sorriso um tanto precoce diante das palavras de Haruto.

“Fufufu. Onii-chan, na sopa de missô com nameko, essa viscosidade é a melhor parte, sabia?”

   A forma madura de falar de Ryōta atingiu em cheio o senso de humor de Haruto, e ele não conseguiu evitar rir.

“Hahaha, você tem razão. A sopa de missô com nameko não fica certa sem a viscosidade.”

“Isso mesmo, Onii-chan.”

   Ryōta assentiu dizendo “uh-huh” e soprou a sopa mais algumas vezes antes de bebê-la com satisfação. Ver o sorriso de Ryōta também fez Haruto se sentir feliz.

   É possível remover a viscosidade dos cogumelos nameko esfregando-os com sal, mas isso também remove seu sabor característico. Por isso, ele havia feito a sopa de missô deixando propositalmente a viscosidade, e mentalmente Haruto se deu um tapinha nas costas por ter feito a escolha certa.

   Enquanto Haruto bebia sua sopa de missô com Ryōta, trocando sorrisos e comentários de “está delicioso”, Ikue falou com ele e Ayaka.

“A propósito, que horas vocês dois vão voltar hoje? Vão jantar fora?”

“Não, planejamos voltar para jantar. Não é, Haruto-kun?”

“Sim, estamos pensando em voltar por volta do início da noite.”

   Hoje, Haruto e Ayaka estavam programados para ir a um encontro.

   O destino deles era um parque temático com aquário e parque de diversões, localizado um pouco distante da casa dos Tōjō. Mas, ao ouvir os dois responderem que voltariam para o jantar, Kiyoko assentiu.

“Então, vou preparar o jantar para seis pessoas como de costume.”

   Quando Kiyoko disse isso, Shūichi olhou para ela de forma apologética.

“Desculpe, Kiyoko-san. O trabalho vai se estender hoje, então não vou precisar de jantar.”

“Oh, é mesmo? Nesse caso, devo guardar um pouco para você?”

“Não, não, eu não sei a que horas vou voltar, então estou pensando em comer fora hoje.”

“Entendo... certo. Então o jantar de hoje será para cinco.”

“Desculpe por isso.”

   Enquanto Shūichi se curvava para Kiyoko, Ayaka olhou para ele com preocupação.

“Você vai trabalhar hoje também, pai?”

“Sim, um projeto bastante importante está em uma fase crítica.”

   Recebendo o olhar da filha, preocupada com o fato de o pai ter ido ao escritório com frequência até mesmo nos fins de semana ultimamente, Shūichi sorriu.

“Se as coisas correrem bem, alcançaremos um marco hoje. Então poderei relaxar por um tempo.”

“Entendo... boa sorte no trabalho, pai.”

“Claro!”

   Shūichi ergueu o punho em resposta às palavras de Ayaka.

   Depois disso, os seis membros das famílias Tōjō e Ōtsuki desfrutaram de um animado café da manhã, intercalado por risadas ocasionais.

 

 

Traduzido por Moonlight Valley

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