Volume 5

Capítulo 5: Um Lado Inesperado

Tōjō Ayaka

 

   Durante as férias de verão do meu segundo ano do ensino médio, acho que estudei mais do que em qualquer outro período da minha vida.

   Estudei tanto, muito mais do que em qualquer outra férias de verão anteriores. Afinal, se eu tirasse mais de oitenta em todas as matérias nas provas periódicas pós-férias, eu receberia uma recompensa do Haruto-kun.

“Certo, vou devolver as provas agora. Venham buscar a sua quando o nome for chamado.”

   Ao ouvir as palavras do professor de matemática, cerrei as mãos com força debaixo da carteira.

   Para garantir que eu receberia a recompensa do Haruto-kun, estudei com afinco desde as férias de verão, e isso tinha dado resultado — todas as provas devolvidas até agora tinham sido acima de oitenta pontos.

     Agora, se esta prova de matemática também for acima de oitenta...

“Próxima, Tōjō.”

“Sim.”

   Chamada pelo professor, caminhei nervosamente em direção a frente da sala.

   No momento em que ele me entregava a prova, o professor falou comigo.

“Você se esforçou bastante nesta prova.”

   Peguei a prova das mãos do professor e imediatamente conferi a nota.

   Escrito ali, em caneta vermelha, estava um noventa e sete.

   No instante em que vi aquela nota, quase pulei de alegria ali mesmo.

     Noventa e sete!! Tirei a maior nota que já consegui em uma prova de matemática!

   Depois de voltar para o meu lugar, conferi a nota mais uma vez.

     Isso! Agora eu posso receber minha recompensa do Haruto-kun!

   Enquanto eu me elogiava por ter estudado direitinho e realmente me esforçado, o professor chamou o nome do Haruto-kun.

“Próximo, Ōtsuki.”

“Sim.”

   Segui Haruto-kun com os olhos, quase por reflexo, enquanto ele caminhava do fundo da sala em direção ao púlpito.

[Almeranto: O professor virou um sacerdote agora? Kkkkkk. Pra quem não sabe, “Púlpito” é uma plataforma elevada utilizada por oradores e leitores em uma igreja ou templo, mas no caso aqui, pode-se utilizar para o local onde o professor, que é a autoridade da sala, fica.]

“Muito bem, Ōtsuki. Nota máxima.”

“Obrigado.”

   Ao ouvir as palavras do professor, um murmúrio de “Oooh” se espalhou pela sala de aula.

   Haruto-kun abaixou levemente a cabeça em resposta à reação dos colegas e voltou para o seu lugar.

     Isso é tão a cara do Haruto-kun... tirar cem é incrível. E ele nem se gaba por isso.

     Haaah, meu namorado realmente é maravilhoso demais...

     Ah, é verdade. Se o Haruto-kun for o primeiro da série de novo nesta prova, eu também vou ter que dar uma recompensa para ele.

     Que tipo de recompensa será que o Haruto-kun vai querer?

   Meu coração bateu um pouco mais rápido ao pensar no tipo de recompensa que ele poderia pedir.

     O que será que o Haruto-kun quer que eu faça por ele?

     Talvez ele queira que eu faça carinho na cabeça dele? O cabelo do Haruto-kun é macio, então é muito gostoso de afagar.

   Lembrei da vez em que dei um colo para o Haruto-kun durante nosso treino de namorados e fiz carinho na cabeça dele.

     Ou talvez, alguma outra coisa... c-como um beijo de recompensa?

   No instante em que esse pensamento surgiu na minha mente, senti meu rosto ficar quente.

   Ao mesmo tempo, lembrei do Jogo do Hokky que joguei com o Haruto-kun outro dia.

   Ele de repente me puxou para perto com um olhar sério, e então me beijou.

   Ao lembrar da sensação de Haruto-kun roubando o Hokky de dentro da minha boca, não aguentei e enterrei o rosto na minha prova, me contorcendo de vergonha.

[Almeranto: Desculpa estragar, mas esse jogo eu achei meio nojento kkkkkk. Tirar comida mastigada da boca de outra pessoa, mesmo sendo a namorada, é meio… né?]

“Ugh...”

“...O que você está fazendo, Ayaka?”

   Enquanto eu me contorcia silenciosamente sobre a carteira, Saki, que se sentava na diagonal atrás de mim, me chamou com uma voz exasperada.

“Eh? Ah, é que, o Haru... ah, não, nada.”

   Quase falei o nome do Haruto-kun e fechei a boca às pressas.

   Seria um desastre se o nome “Haruto-kun” escapasse da minha boca no meio da sala de aula assim.

“Hm? Isso soa suspeito.”

“N-Não, não é nada!”

   Balancei a cabeça desesperadamente, tentando evitar o olhar investigativo da Saki.

“Hm? Bom, não vou te forçar a contar. Embora eu tenha um palpite bem forte, Srta. Pervertida Secreta Ayaka”, disse Saki com um sorriso malicioso.

“C-Caramba, Saki!!”

“Ei, Tōjō. Estamos em aula. Faça silêncio.”

“S-Sim... desculpa...”

   Por causa das provocações da Saki, acabei levantando a voz sem querer e levei uma bronca do professor. Sentindo meu rosto esquentar de vergonha, abaixei a cabeça e depois lancei um olhar afiado para a Saki atrás de mim.

   Saki levantou a mão diante do rosto e mexeu os lábios dizendo “Desculpa, desculpa”.

     Sinceramente... ultimamente, entre a Shizuku-chan e a Saki, todo mundo só fica me provocando...

   Depois de inflar as duas bochechas para mostrar minha indignação para a Saki, virei-me para frente e foquei na aula para não levar outra bronca.

   Depois da aula de matemática veio a educação física, então fui com a Saki para o vestiário feminino para trocar de roupa.

“Então, como foram os resultados das provas? Você alcançou sua meta?”

“Sim, tirei acima de oitenta em todas as matérias. Na verdade, esses devem ser os melhores resultados que já tive.”

“Ooh! Isso é incrível! Acho que ter um excelente tutor realmente deu resultado, hein?”

“Sim, acho que sim.”

   Quando respondi, a Saki riu e disse: “Você está super feliz com isso.”

“Então, já que o período de provas acabou e você alcançou sua meta com sucesso, Ayaka, que tal a gente ir ao karaokê e fazer uma grande comemoração?”

“Parece ótimo!”

   Meus olhos brilharam com a sugestão da Saki.

   Justo quando íamos discutir qual karaokê escolher, fomos cercadas pelas garotas da nossa turma.

“Ei, ei, Tōjō-san. Você estava sorrindo bastante durante a aula de matemática agora há pouco. Estava pensando nele?”

“Eh? Ah... não, isso foi só porque tirei uma nota boa na prova.”

“Tōjō-san, você está namorando ele, né?”

“Isso é segredo.”

“Ele é aluno desta escola?”

“Quem sabe~?”

   Desviei da corriqueira enxurrada de perguntas com um sorriso educado colado no rosto. Então fiz contato visual com a Saki para dizer: “Vamos discutir sobre isso depois”. A Saki assentiu de volta: “Entendido”.

   Mais tarde, quando a aula de educação física terminou e voltamos para a sala, meu olhar naturalmente se desviou para um ponto específico do ambiente.

   O assento na última fileira, perto da janela. O lugar do Haruto-kun.

   Enquanto estou na escola, tomo cuidado para não segui-lo conscientemente com os olhos. Mas inevitavelmente, meus olhos o procuram por reflexo. Especialmente em momentos como este, quando volto de outra sala ou, ao contrário, quando o Haruto-kun sai da sala, meu olhar simplesmente não me obedece.

   Mais uma vez, ignorando minha vontade superficial, meus olhos se fixaram no Haruto-kun.

   E então, eles se estreitaram.

   Para minha frustração, vários alunos estavam reunidos ao redor do Haruto-kun e, para piorar, havia garotas misturadas entre eles.

   Essas garotas estavam provocando o Haruto-kun com vozes doces.

     ...Ou pelo menos, foi isso que pareceu para mim!

“Ōtsuki-kun, tirar cem na prova de matemática é incrível!”

“Não, desta vez eu apenas acabei estudando antes exatamente os mesmos problemas que caíram na prova.”

“Ōtsuki, você é o primeiro da série de novo desta vez?”

“Não sei. Ainda não recebemos os boletins, então não posso dizer.”

“Aposto que você é o primeiro da série, Ōtsuki-kun!”

“Haha, obrigado.”

“Talvez eu pudesse pedir para você me dar aulas particulares algum dia, Ōtsuki-kun...”

“Ah... bom, se for no intervalo ou algo assim...”

“Sério?!”

     Ah não! Isso vai dar um desastre!!

     Os olhos da garota que está falando com o Haruto-kun já viraram corações!!

     Ou pelo menos, é o que parece!!

     Mas o Haruto-kun é bonito, inteligente, perfeito nos afazeres domésticos, atencioso e gentil, então é natural que ela se apaixone por ele.

     Na verdade, é até um mistério como ele não teve uma namorada até agora.

     Se um pacote de charme como o Haruto-kun desse aulas particulares individualmente, qualquer garota se apaixonaria! Como namorada do Haruto-kun, eu tenho que impedir isso a todo custo!!

     ...M-Mas... como...

     Se eu falar com o Haruto-kun aqui e agora, todo mundo pode acabar descobrindo que “ele” é o Haruto-kun... Mas se eu deixar assim, o Haruto-kun vai ficar com outra garota... Ugh...

     Ah, mas... graças à estratégia da Shizuku-chan, eu agora tenho uma pequena conexão com o Haruto-kun! Então não deve parecer estranho eu falar com ele um pouquinho... C-Certo!! Eu vou falar com o Haruto-kun!!

   Fechei o punho com força e, me preparando mentalmente, me aproximei da carteira do Haruto-kun.

“...Haru—Ah, uh, Ōtsuki-kun.”

   Quase disse “Haruto-kun” e corrigi às pressas.

   O Haruto-kun e os alunos ao redor dele me olharam com expressões surpresas.

     O rosto surpreso do Haruto-kun é meio raro... fofo...

“Aya—Tōjō-san, o que foi?”

“Ah, hum... na verdade, eu tirei notas muito boas nesta prova e estava pensando que talvez tenha sido graças a você ter me ajudado a estudar naquela sessão de estudos outro dia, Ōtsuki-kun.”

“É mesmo? Fico feliz que você também tenha tirado boas notas, Tōjō-san.”

   O Haruto-kun rapidamente recompôs sua expressão surpresa e me deu um sorriso.

   O sorriso dele era um pouco distante e, combinado com ele me chamar de “Tōjō-san” como quando nos conhecemos durante as férias de verão, senti uma pontada de nostalgia.

   Parecia que ele tinha voltado a ser o Haruto-kun de quando eu o chamei pela primeira vez para o serviço de limpeza.

     Nossa, a diferença de distância entre o Haruto-kun de agora e o Haruto-kun daquela época é tão clara.

   Eu consigo realmente sentir que me tornar a namorada do Haruto-kun nos aproximou de verdade.

   Esse fato me deixou tão feliz que tive que lutar contra a vontade de abraçar o Haruto-kun ali mesmo e esfregar meu rosto no peito dele.

“...Tōjō-san?”

   O Haruto-kun me chamou com desconfiança enquanto eu tremia levemente, suprimindo desesperadamente meus desejos.

“Ah, desculpa. É que... só se você estiver livre, Ōtsuki-kun. Mas, um... eu estava pensando, que tal fazermos… uma comemoração no karaokê com as mesmas pessoas do grupo de estudos do outro dia?”

“Karaokê?”

   No momento em que convidei o Haruto-kun para o karaokê, a sala de aula ficou silenciosa como um túmulo. Mas fiz o possível para ignorar o silêncio e continuei.

“Sim... Eu, a Saki, você, o Akagi-kun e a Shizuku-chan, nós cinco. O que você acha?”

     Graças à estratégia da Shizuku-chan, convidar o Haruto-kun para o karaokê não deveria parecer estranho! Além disso, não somos só nós dois, é uma comemoração com todos os cinco, então não deve haver problema!

   Ainda com os punhos cerrados, esperei ansiosamente pela resposta do Haruto-kun.

   Depois de checar o clima da sala por um breve instante, o Haruto-kun sorriu e respondeu.

“Claro. Vamos todos ao karaokê então.”

“Tá bom!”

   Assenti com um sorriso à resposta do Haruto-kun.

   Naquele momento, senti como se a sala de aula tivesse se enchido de sussurros.

 

✦ ✦ ✦

 

Ōtsuki Haruto

 

   No momento em que Ayaka convidou Haruto para o karaokê, a sala de aula se encheu de sussurros.

   Haruto olhou ao redor da sala por um segundo, avaliando as reações dos colegas, e então imediatamente colocou um sorriso agradável no rosto.

“Claro. Vamos todos ao karaokê então.”

   Ayaka, que havia dito querer manter o relacionamento deles em segredo devido a traumas passados, tinha tomado a iniciativa de falar com ele.

   Como namorado dela, ele não pôde deixar de responder ao passo corajoso que ela deu.

   Diante do consentimento imediato do Haruto, Ayaka disse “Tá bom!” com um sorriso radiante e voltou para o seu lugar.

   No instante em que ela se afastou, os alunos ao redor do Haruto imediatamente o bombardearam com perguntas.

“Uau, Ōtsuki! Karaokê com a Tōjō-san, é sério?!”

“É coisa em grupo, sabe. O Tomoya e a Aizawa-san também vão.”

   Haruto respondeu com um sorriso torto aos garotos que o questionavam de olhos arregalados.

“Ōtsuki-kun, desde quando você ficou tão próximo da Tōjō-san? O que deu início a isso?”

   Em seguida, as garotas perguntaram com olhos brilhantes e curiosos.

“O que deu início... bom, a Shizuku é bem amiga da Tōjō-san, então talvez seja por isso.”

“Quando você diz Shizuku, quer dizer a Dōjima-san do primeiro ano, certo? Qual é a sua relação com a Dōjima-san, Ōtsuki-kun?”

“Na verdade, eu frequento um dojo de karatê desde pequeno, e a Shizuku é a única filha do mestre.”

   Quando Haruto explicou sua relação com a Shizuku, os garotos que ouviram ficaram com expressões sérias.

“Se eu entrar nesse dojo também, talvez eu tenha alguma conexão com a Tōjō-san...”

“O Dojo Dōjima está sempre recrutando novos alunos, então, se tiver interesse, quer ir lá dar uma olhada algum dia?”

   O Dojo Dōjima tinha cuidado dele desde que era pequeno.

   Para o Haruto, ver o dojo, que era como um segundo lar para ele, prosperar era algo que o deixava muito feliz.

“Hmm... vou pensar nisso. Depois a gente conversa.”

“Entendido.”

   Haruto continuou sendo interrogado. Ele desviava habilmente da enxurrada de perguntas enquanto misturava convites para o Dojo Dōjima.

[Almeranto: O cara tem um jogo de cintura absurdo kkkkk.]

   Depois da aula. Assim que a reunião de classe terminou, Ayaka foi até a carteira do Haruto com a Saki.

“Ōtsuki-kun, sobre o karaokê que a gente comentou mais cedo, esse lugar está bom?”

   Dizendo isso, Ayaka mostrou ao Haruto a tela do seu smartphone.

   Exibido ali estava o site de uma rede famosa em frente à estação.

“Sim, esse lugar está bom.”

   Quase ao mesmo tempo em que Haruto respondeu, o Tomoya também se aproximou.

“Ah, o Akagi-kun também acha esse lugar bom para o karaokê de hoje?”

“Hm? Top!”

   Tomoya olhou para a tela do smartphone que a Ayaka estava mostrando e fez um sinal de positivo com o polegar.

“Vamos direto para o karaokê?”

“Sim, esse é o plano.”

   A Saki assentiu à pergunta do Tomoya. Então, Haruto se lembrou da Shizuku.

“Ah, eu também preciso avisar a Shizuku.”

“Eu já entrei em contato com a Shizuku-chan. Ela disse que está esperando em frente ao portão da escola.”

“Entendi, então vamos logo.”

   Enquanto trocavam essas palavras, a sala de aula, que até instantes atrás estava cheia do barulho típico do pós-aula, ficou estranhamente silenciosa. Provavelmente todo mundo estava escutando a conversa deles.

   Muitos olhares acompanharam o grupo do Haruto enquanto eles saíam da sala. Haruto deixou a sala fazendo o possível para ignorar aqueles olhares que pareciam carregados de várias emoções.

   Depois de se encontrarem com a Shizuku, o grupo seguiu para a loja de karaokê em frente à estação.

   Guiados por um funcionário até uma sala privada, Shizuku avistou um panfleto sobre a mesa.

“Hm, campanha de desconto de batata frita em porção gigante... Senpais, vamos com essa.”

“Oh, ótimo! Ótimo! Eu topo!”

   Saki assentiu enquanto olhava o panfleto da campanha para o qual Shizuku estava apontando.

   Depois de confirmar que todos os outros também concordaram com um aceno de cabeça, Shizuku prontamente pediu as batatas fritas.

   Enquanto Shizuku fazia o pedido pelo interfone ao lado da porta, Tomoya pegou o controle do ar-condicionado.

“Senhoritas, tudo bem se eu abaixar um pouco a temperatura?”

“Por mim tudo bem. E vocês, Saki e Shizuku-chan?”

   Ayaka assentiu e então perguntou a Saki e à Shizuku.

“Para mim também está tudo bem.”

“A temperatura da sala vai subir com o nosso canto apaixonado, então está tudo bem.”

“Entendido. Vou abaixar a temperatura do ar, então.”

   Depois de receber a permissão das garotas, Tomoya diminuiu a temperatura do ar-condicionado.

   Haruto colocou o controle do karaokê no centro da mesa e falou.

“Quem vai cantar primeiro?”

   Diante da pergunta do Haruto, todos se entreolharam.

   Após um breve silêncio, Saki levantou a mão.

“Eu, eu! Então, Ayaka, vamos cantar juntas!”

“Tá bom. O que vamos cantar?”

“Deixa eu ver...”

   Saki pensou no que cantar enquanto mexia no controle.

   Ayaka sentou ao lado da Saki e olhou no controle junto com ela para escolher a música.

“Vamos com essa.”

“Tá bom.”

   Depois de ficarem um bom tempo em dúvida sobre a escolha da música, as duas confirmaram a canção. O título e a introdução apareceram na tela presa à parede.

“Ooh! Boa!”

   Tomoya comemorou para animar o clima. Em seguida, Shizuku, sacudindo um pandeiro de festa que tinha tirado sabe-se lá de onde, gritou “Yaaay!!”. A discrepância entre a animação da Shizuku e sua expressão normalmente impassível fez Haruto sorrir.

     Como sempre, pensou Haruto, e enquanto ele pensava isso, a introdução da música terminou e Ayaka e Saki começaram a cantar.

   As vozes das duas em harmonia eram muito boas, e a voz da Ayaka, em particular, soava agradável aos ouvidos do Haruto. Talvez ainda não acostumada com o clima, Ayaka cantava com uma expressão levemente envergonhada, o que era muito fofo e fazia Haruto querer abraçar sua adorável namorada.

   Sentindo esse impulso, ele ouviu atentamente a música de Ayaka e Saki e, quando ela terminou, aplaudiu alto junto com Tomoya e Shizuku.

   Saki respondeu aos aplausos dos três levantando a mão e dizendo “Valeu, valeu”, enquanto Ayaka sorria timidamente com um “Ehehe”.

“Certo, quem canta agora!?” perguntou Saki, erguendo o microfone.

“Beleza! Acho que eu vou em seguida!” disse Tomoya.

   Ele recebeu o microfone da Saki e colocou uma música de sua banda de rock favorita.

   Em contraste com a escolha de música da Ayaka e da Saki antes, batidas intensas de bateria ecoaram pela sala de karaokê.

   Como Tomoya tocava em uma banda, ele tinha um bom senso de ritmo e afinação.

   Saki soltou um “Ooh” impressionado ao ouvir a voz dele.

“Akagi-kun, você canta bem.”

“O Tomoya toca guitarra desde o ensino fundamental, e agora está em uma banda com alunos de outras escolas, então o senso musical dele é bem alto.”

   Haruto explicou à Saki, que batia palmas acompanhando a música do Tomoya.

“Heeh, então o Akagi-kun é um cara de banda.”

“Ele está super empolgado para se apresentar no palco voluntário do festival da escola este ano.”

“É mesmo? Vai ser divertido.”

   Saki mostrou interesse nas atividades de banda do Tomoya.

“Se você disser para o Tomoya que está ansiosa pelo palco do festival da escola, ele vai ficar muito feliz. Mas se exagerar, ele acaba se empolgando demais.”

“Ahahaha, verdade. Dá para imaginar o Akagi-kun se empolgando.”

   Haruto e Saki trocaram palavras à sombra do canto apaixonado. Quando Tomoya terminou de cantar, todos aplaudiram.

“Isso que é rock, Tomo-senpai.”

“Isso mesmo! Tem que fazer a alma tremer quando canta!”

   Tomoya sorriu diante das palavras da Shizuku.

“Então, agora é a minha vez de fazer a alma tremer.”

   Dizendo isso, Shizuku pegou o microfone das mãos do Tomoya. Ela já devia ter colocado a música, pois assim que a canção do Tomoya terminou, a introdução da próxima começou a tocar.

“Eh? Shizuku-chan, você vai cantar essa?”

   Ao ouvir a introdução, Ayaka pareceu surpresa.

   A música que Shizuku escolheu era de uma banda masculina de rock com popularidade carismática entre os jovens. Tinha um ritmo rápido e muitas letras em inglês, o que a tornava bastante difícil de cantar. Ainda assim, Shizuku fez um sinal de positivo para a Ayaka surpresa e começou a cantar.

   Ela acompanhou o ritmo acelerado sem dificuldade e lidou com as letras em inglês com facilidade. No entanto, apesar da voz potente, sua expressão permaneceu quase completamente inexpressiva, como de costume. Percebendo esse contraste, Ayaka sussurrou para Haruto.

“Ei, Haruto-kun. A Shizuku-chan é meio que... incrível de várias formas.”

“A Shizuku é uma personagem e tanto. Mas esse é um dos pontos fortes dela.”

   À primeira vista, Shizuku era uma beleza de cabelos negros, sem expressão e quieta. No entanto, ao contrário de sua aparência, que poderia ser descrita como uma Yamato Nadeshiko, sua verdadeira personalidade era bem cômica.

“Ela parece super fofa e legal justamente por ser tão impassível, mas no momento em que você fala com ela, ela começa a brincar e a provocar. Já que ela é filha de um mestre de dojo, ela é realmente forte no karatê também?”

“Ela é forte. Agora que estou no ensino médio, provavelmente não perderia por causa da diferença de tamanho e força, mas até o ensino fundamental, a Shizuku era mais forte do que eu.”

“Ela realmente é incrível. A Shizuku-chan.”

   Murmurando isso com admiração, Ayaka aplaudiu alto quando Shizuku terminou de cantar.

   Shizuku, tendo terminado sua música, trocou um soquinho com o Tomoya, que a elogiou dizendo: “Mandou bem, Shizuku-chan!”

“Então, agora, por favor, vá você, Haru-senpai.”

   Dizendo isso, Shizuku entregou a Haruto o microfone que estava segurando.

“Obrigado. Certo então, hum... o que eu devo cantar...”

   Haruto pegou o microfone e mexeu no controle para conferir as músicas populares recentes.

   Vendo isso, Tomoya arrancou o controle das mãos do Haruto. “Ei, ei, o que você está fazendo, Haru?!”

“H-Hey, Tomoya, o que você está fazendo?”

“Não vem com esse ‘o que você está fazendo’. Você tem aquela especialidade que não dá para pular de jeito nenhum.”

“Eh? O quê, o quê? Você tem uma música em que é tão bom assim, Ōtsuki-kun?”

   Diante das palavras do Tomoya, Saki olhou para Haruto com grande interesse.

“Ah, não... eu não chamaria exatamente de especialidade...”

   Em vez de Haruto, que murmurava evasivamente, Tomoya assentiu com vigor.

“O Haru canta muito bem! Você vai entender assim que ouvir essa música.”

   Dizendo isso, Tomoya mexeu no controle e colocou a música que ele dizia ser a especialidade do Haruto, sem nem perguntar.

“Ah, ei, Tomoya!”

“Vai, Haru! Mostra para a Tōjō-san e para a Aizawa-san a sua habilidade de canto!”

   No mesmo instante em que Tomoya disse isso, a música começou a tocar.

   Ao ouvir a introdução extremamente emotiva, Saki fez uma cara um pouco confusa e disse “Eh?”. Haruto, por outro lado, soltou um pequeno suspiro resignado ao ouvir a música, deu de ombros, levou o microfone à boca e assumiu a postura de canto.

   Então, a introdução terminou e Haruto começou a cantar.

   Como Tomoya havia afirmado ao chamá-lo de “ótimo cantor”, a afinação de Haruto estava perfeita, o ritmo impecável, e sua voz relaxada ao cantar era de fato habilidosa.

   Além disso, seu vibrato profundo e a técnica de canto única conhecida como kobushi também estavam perfeitos.

   Observando Haruto cantar, Saki falou com divertimento.

“Eh? A música especial do Ōtsuki-kun é... enka, de todas as coisas?”

(TL/N: Enka é um estilo de música japonesa que combina sons tradicionais japoneses com melodias ocidentais, especialmente influenciadas pela música norte-americana.)

“Viu só? O Haru canta muito bem, não canta?”

“Bom, ele canta bem sim... mas é meio engraçado. Não é, Ayaka?”

   Quando Saki olhou para a Ayaka ao seu lado em busca de concordância, encontrou-a encarando Haruto intensamente.

“A voz do Haruto-kun cantando é maravilhosa...”

   Vendo Ayaka completamente cativada pelo canto dele, Saki exibiu um sorriso irônico.

“Poxa, acho que para a Ayaka não importa se é enka ou qualquer outra coisa...”

   As palavras levemente exasperadas de Saki foram abafadas pelo grito de Shizuku:

“Yo! Haru-senpai, número um do Japão!”

 

✦ ✦ ✦

 

Tōjō Ayaka

 

   A voz de Haruto-kun ecoava pela sala de karaokê.

     É isso que querem dizer com “um deleite para os ouvidos”?

   A música enka que ele estava cantando era uma muito famosa, e eu já a tinha ouvido algumas vezes em programas musicais na TV. A letra expressava um amor agridoce, porém apaixonado e intenso.

   Quando imaginei Haruto-kun cantando aquela letra para mim, uma emoção que eu não conseguia expressar muito bem em palavras — algo como um calor subindo do fundo do meu coração, ou um arrepio — surgiu dentro de mim, e meu coração naturalmente começou a bater mais rápido.

     Queria poder ouvir o canto de Haruto-kun assim para sempre...

   Mas o meu desejo foi em vão, e a música de Haruto-kun terminou em cerca de cinco minutos.

   Enquanto eu o aplaudia com entusiasmo, desejando poder ter ouvido mais, Saki falou comigo com uma expressão divertida.

“Cara, acho que essa é a primeira vez que vejo alguém cantar enka no karaokê.”

“Também é a minha primeira vez, mas o Haruto-kun ficou muito legal cantando, não ficou?”

“Bom, ele cantou muito bem. Mas eu só achei meio engraçado ver um estudante do ensino médio, de uniforme, cantando enka... espera, seu rosto está vermelho, Ayaka?”

“Hã? E-Está? ...Talvez esteja um pouco quente aqui dentro.”

   Se eu dissesse para a Saki que estava me projetando junto com o Haruto-kun na letra da música enka, ela com certeza iria zombar de mim de novo.

“Hm? Será que a gente deveria abaixar um pouco mais a temperatura do ar-condicionado?”

“N-Não, eu estou bem. Ah, eu vou pegar uma bebida.”

   Tentando escapar do olhar investigativo da Saki, peguei meu copo, que estava cerca de um terço cheio de suco. Nesse momento, Akagi-kun levou um microfone até Saki, dizendo: “É a sua vez agora, Aizawa-san.”

“Obrigada. Hmm, o que eu devo cantar em seguida...”

   Vendo Saki deliberar sobre o controle remoto, falei enquanto me levantava.

“Quer alguma bebida, Saki? Posso trazer uma para você já que vou levantar.”

“Não, estou bem. Eu mesma vou depois de cantar.”

“Entendi. Alguém mais quer uma bebida?”

   Perguntei aos outros três se eles também queriam algo.

“Não, estou bem.”

“Eu também.”

“Ah, eu gostaria de uma bebida. Vamos buscar juntas, Aya-senpai.”

   Haruto-kun e Akagi-kun balançaram a cabeça em negativa. Então, Shizuku-chan se levantou segurando seu copo vazio.

“Quer que eu pegue para você, Shizuku-chan?”

“Não, não, seria presunçoso demais pedir para minha senpai buscar uma bebida para mim.”

“Você realmente acha isso?”

“Claro que não. Nem um pingo de mim pensa isso.”

“Poxa!”

   Inflei as bochechas diante da Shizuku-chan, que declarou isso como se fosse algo óbvio. Mas, de alguma forma, eu já esperava que ela dissesse isso, então um sorriso rapidamente voltou ao meu rosto.

“Então vamos juntas, Shizuku-chan.”

“Aye-aye, senhoria.”

   Junto da Shizuku-chan, que fez uma saudação meio desanimada, saí da sala de karaokê e fui em direção ao bar de bebidas.

   O bar de bebidas ficava no final do corredor fora da sala, ao lado do hall do elevador.

   Enquanto caminhávamos em direção a ele, Shizuku-chan me chamou por trás.

“Aya-senpai.”

“Hm? O que foi, Shizuku-chan?”

“Obrigada por me convidar hoje.”

   Vendo Shizuku-chan abaixar a cabeça e dizer isso, fiquei um pouco em guarda.

     Para essa garota abaixar a cabeça honestamente, isso só podia ser o prelúdio de alguma provocação!

“O que deu em você de repente?”

   Preparei-me um pouco e perguntei, e Shizuku-chan fez uma breve pausa antes de falar.

“Para o karaokê de hoje, foi você quem convidou o Haru-senpai, não foi, Aya-senpai?”

“Sim, foi isso mesmo.”

“Como agora você consegue conversar com o Haru-senpai na escola, eu achei que eu, a terceira roda, seria dispensada e deixada de lado.”

“Eu não faria algo tão cruel assim!”

   Neguei imediatamente as palavras da Shizuku-chan, que falava enquanto encarava seu copo vazio com sua expressão neutra de sempre.

   Talvez achando minha reação inesperada, Shizuku-chan inclinou a cabeça para o lado.

“É mesmo?”

“Claro! Porque foi graças a você, Shizuku-chan, que eu também consegui criar um vínculo com o Haruto-kun na escola. Eu não diria simplesmente ‘você já cumpriu seu papel, agora fora’ para alguém que é praticamente minha benfeitora!”

“...Você é bem leal, não é, Aya-senpai?”

“Mesmo que não fosse eu, acho que ninguém seria tão cruel assim...”

“Surpreendentemente, existem pessoas que conseguem fazer coisas cruéis sem pestanejar, sabia?”

“Aconteceu alguma coisa no seu passado, Shizuku-chan?”

   Quando perguntei isso, Shizuku-chan soltou uma risadinha destemida, praticamente sem expressão.

“Fufufu, isso é um segredo. Afinal, uma mulher com um toque de escuridão no passado é legal.”

“É mesmo?”

   Exibindo um sorriso irônico diante das palavras dela, servi suco de laranja no meu copo no bar de bebidas.

“De qualquer forma, você ainda é minha benfeitora, Shizuku-chan. E além disso...”

   Levantei suavemente meu copo já cheio e olhei para Shizuku-chan.

“Você e eu somos melhores amigas para a vida toda, não somos?”

   Quando ela falou comigo pela primeira vez, fiquei confusa com a proposta repentina de nos tornarmos “melhores amigas para a vida toda”. Mas, depois de interagir com a Shizuku-chan algumas vezes desde então, percebi que, apesar de suas excentricidades, ela é uma garota realmente boa.

   No começo, a confusão era o sentimento mais forte, mas agora eu realmente quero ser amiga da Shizuku-chan.

   Colocando esses sentimentos no meu sorriso, sorri radiante para a Shizuku-chan, e ela fez um leve bico enquanto colocava o copo sob o dispensador de bebidas.

“Você é injusta, Aya-senpai.”

“Hã?”

“Ser bonita e ter uma boa personalidade... é injusto. Além disso, você é enorme.”

“Enorme?”

   Sem entender o significado das últimas palavras da Shizuku-chan, inclinei a cabeça.

   Vendo-me assim, ela deu de ombros.

“Haaah, Aya-senpai. Você está pressionando inconscientemente essas armas perigosas contra o Haru-senpai? Você tem noção do seu próprio tamanho?”

   Com a Shizuku-chan me encarando de forma neutra enquanto dizia isso, finalmente entendi o que ela queria dizer.

“E-E-E-Eu não faria uma coisa dessas!”

“Sério?”

“S-Sério!”

   Shizuku-chan me observou com desconfiança por um tempo enquanto eu negava desesperadamente, murmurando “Hmm”, mas no fim desviou o olhar e pegou seu copo cheio de ginger ale.

“Aya-senpai.”

“O-O que foi?”

“...Estou ansiosa para continuarmos sendo melhores amigas para a vida toda.”

“Ah... sim, eu também. Shizuku-chan.”

   Shizuku-chan estava tão sem expressão quanto sempre, mas havia um ar de timidez nela. Talvez eu esteja começando a conseguir perceber as sutis mudanças na expressão da Shizuku-chan. Justo quando eu estava me sentindo um pouco feliz por isso, Shizuku-chan levantou o copo em minha direção.

“Um brinde à amizade eterna.”

“Fufu, saúde.”

   Eu também levantei meu copo e toquei levemente no de Shizuku-chan.

   Infelizmente, como os copos eram de plástico e não de vidro, o som foi um baque surdo.

   Quando soltei outra risada, tive a impressão de que a Shizuku-chan também sorriu.

   Depois de reabastecermos nossas bebidas, voltamos caminhando lado a lado para a sala de karaokê.

“Ah, a propósito, obrigada pelos lanches na sessão de estudos.”

   Shizuku-chan e nossos amigos tinham comprado muitos lanches para a sessão de estudos. E tinham deixado todas as sobras, dizendo que era um agradecimento por deixarmos eles usarem o quarto.

“Não foi nada... Ah, acho que deixamos um pouco de Hokky, então depois que saímos, você jogou direitinho um Jogo de Hokky rico e intenso com o Haru-senpai?”

Fueh?! Hã, ah, não, hum...”

“Hã? ...Vocês realmente jogaram o Jogo de Hokky, só vocês dois?”

   Shizuku-chan provavelmente quis dizer isso como uma brincadeira, mas, como a verdade inesperada acertou em cheio, acabei me atrapalhando toda nas palavras.

“N-N-N-NÃO... NÓS... NÃO JOGAMOS.”

“Aya-senpai... eu tenho minhas dúvidas.”

“Ugh...”

“Bom, então, que tal você me contar em grandes e minuciosos detalhes que tipo de Jogo de Hokky você jogou com o Haru-senpai? Sua pequena pervertida, Aya-senpai.”

   Shizuku-chan me encarou com olhos de uma ave de rapina que acabou de capturar sua presa.

“E-Eu não sou uma pervertida...”

“Sim, sim, vou ouvir suas desculpas dentro desta sala fechada. Por favor, entre.”

     Dizendo isso, Shizuku-chan abriu a porta da sala de karaokê.

   Lá dentro estava o que, para mim, parecia uma sala de interrogatório saída diretamente do inferno.

“Saki-senpai, a Aya-senpai tem uma história interessante para contar.”

“Hã? O quê, o quê?”

   Saki, que tinha acabado de terminar de cantar e entregado o microfone para o Akagi-kun, olhou para Shizuku-chan com grande interesse.

     Ugh... o número de interrogadoras acabou de aumentar para duas.

“Ayaka? O que foi, por que você está parada aí na frente da porta?”

   Haruto-kun me encarou com curiosidade enquanto eu hesitava em entrar na sala.

“...Haruto-kun, me desculpa.”

“Hã? Pelo que você está se desculpando?”

   Haruto-kun fez uma expressão confusa diante do meu pedido de desculpas repentino.

   Nesse momento, Saki, após ouvir algo sussurrado por Shizuku-chan, abriu um sorriso largo.

“Ayaka-saaan, anda, anda, vem logo sentar aqui,” disse Saki, batendo no sofá ao lado dela.

“...Tá bom.”

   Desisti de qualquer resistência inútil e me joguei obedientemente ao lado da Saki.

“Nossa, nossa, Ayaka-san, você é bem agressiva, não é? Ah, e Ōtsuki-kun, depois vou querer ouvir a sua versão da história também.”

“Hã? Do que você está falando?”

   Ao ver o sorriso malicioso da Saki, senti meu rosto ficar vermelho de vergonha. Haruto-kun, ainda sem entender a situação, nos olhava com uma expressão vazia.

   Depois disso, nos intervalos entre as músicas de todo mundo, as duas interrogadoras, Saki e Shizuku-chan, expuseram completamente tudo o que aconteceu no Jogo de Hokky entre o Haruto-kun e eu.

   Como era de se esperar, acabei sendo provocada sem piedade por todos...

 

 

Traduzido por Moonlight Valley

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