Volume 5

Capítulo 4: O Clássico Jogo

Ōtsuki Haruto

 

   Sábado, pouco depois do meio-dia.

   No quarto de Ayaka, Haruto e Ayaka tinham seus materiais de estudo espalhados, preparando-se diligentemente para as provas. Ambos estavam concentrados, e o único som no quarto era o arranhar das canetas nos cadernos. Ayaka, que vinha escrevendo em seu caderno com um olhar sério, de repente ergueu os olhos para o relógio de parede.

“Será que o pessoal já vai chegar?”

“Provavelmente. O Tomoya me mandou uma mensagem há pouco dizendo que tinha se encontrado com todo mundo, então eles devem chegar a qualquer momento.”

   Haruto também interrompeu os estudos para responder, conferindo o aplicativo de mensagens.

“O Akagi-kun e a Shizuku-chan iam se encontrar em frente à estação, não era?”

“Sim, exatamente. Eles disseram que não sabiam onde ficava a casa, então iam pedir para a Aizawa-san guiá-los.”

   Hoje, Tomoya, Shizuku e Saki estavam programados para ir à casa dos Tōjō para uma sessão de estudos.

   Tudo começou durante o intervalo do almoço de quinta-feira.

   Assim que Shizuku chegou à sala de aula de Haruto, ela declarou para Ayaka: “Vamos fazer uma sessão de estudos na sua casa no sábado, Aya-senpai.”

   Depois de anunciar isso em uma voz que ecoou por toda a sala, Shizuku foi até Haruto e disse, como se fosse a coisa mais natural do mundo: “Você vem também, Haru-senpai, e nos ajuda a estudar.”

   Como era de se esperar, a declaração de Shizuku causou um grande alvoroço na sala.

   Em meio à comoção, vários alunos perguntaram se poderiam participar da sessão de estudos, mas Shizuku recusou a todos de forma direta, usando o tamanho do quarto de Ayaka como justificativa. No final, ficou decidido que cinco pessoas participariam, incluindo Tomoya e Saki. A estratégia de Shizuku era estabelecer o fato de que Haruto havia ido ao quarto de Ayaka e espalhar essa informação por toda a sala.

   Embora entendesse a intenção e a eficácia da estratégia dela, Haruto sentiu uma leve dor de cabeça ao se lembrar da cena na sala de aula quando a sessão de estudos foi proposta. Foi então que o som da campainha ecoou.

“Ah, será que são eles?”

   Ayaka parou de estudar e saiu do quarto em direção à porta da frente.

   Haruto a seguiu, e Ryōta, que estava brincando com Ikue na sala de estar, correu até ele.

“É visita, Onii-chan?”

“É. Meus amigos e os da Ayaka vão vir hoje estudar com a gente.”

   Enquanto Haruto se agachava para falar com Ryōta, Ayaka destrancou a porta da frente e convidou Saki e os outros a entrarem.

“Ufa, aqui é fresquinho! Oh, oi, Ryōta.”

“Saki-oneechan!”

   Saki, que havia entrado no hall de entrada, levantou a mão em cumprimento para Ryōta, que estava ao lado de Haruto. O rosto de Ryōta se iluminou ao ver Saki, e ele começou a correr em direção a ela. No entanto, ao ver Tomoya e Shizuku surgirem atrás dela, ele parou subitamente.

   Ryōta olhou para Haruto com um pouco de apreensão. Percebendo a reação de Ryōta, Haruto sorriu gentilmente e os apresentou.

“Esses são o Tomoya e a Shizuku. Os dois são meus preciosos melhores amigos.”

   Quando Haruto disse isso, Tomoya foi o primeiro a abrir um sorriso e estender a mão para Ryōta.

“Prazer em conhecer você, Ryōta-kun. Eu sou Akagi Tomoya.”

“...Prazer em conhecer.”

   Enquanto segurava a barra da calça de Haruto com uma mão, Ryōta apertou a mão de Tomoya com a outra e a sacudiu. Em seguida, Shizuku se posicionou à frente de Ryōta, agachando-se para ficar na altura de seus olhos.

“Prazer em conhecer você, Ryōta-kun. Eu sou Dōjima Shizuku.”

“...Prazer em conhecer.”

   Quando Ryōta fez uma pequena reverência, Shizuku estreitou os olhos.

“Como era de se esperar do irmão da Aya-senpai. Essa aparência desde tão jovem. Verdadeiramente um amontoado de potencial... Ryōta-kun, não quer se juntar a esta irmã mais velha e conquistar o mundo?”

“...O mundo?”

“Ei, Shizuku! Não coloque ideias estranhas na cabeça do Ryōta-kun!”

   Haruto rapidamente se colocou à frente de Shizuku para proteger Ryōta.

   Ayaka, que observava a troca com um sorriso torto, notou uma grande sacola na mão de Shizuku.

“Shizuku-chan, o que tem nessa sacola?”

“Fufufu, são itens essenciais indispensáveis para uma sessão de estudos.”

   Shizuku se levantou do agachamento. Então, dizendo “Ta-da!” com a própria boca, ela mostrou o conteúdo da sacola para Ayaka.

“Lanches?”

“Sim, lanches. Uma sessão de estudos não pode existir sem eles”, declarou Shizuku, estufando o peito.

   Os olhos de Ayaka se arregalaram levemente ao ver a quantidade de lanches dentro da sacola.

“...Você comprou bastante coisa.”

“Esses são os lanches de escolha suprema, selecionados junto com o Tomoya-senpai e a Saki-senpai.”

“Ahaha, meio que ficou divertido escolher tudo com todo mundo.”

   Saki coçou a cabeça e sorriu para Shizuku, que, apesar da expressão inexpressiva, exalava uma sensação de satisfação presunçosa. Nesse momento, Ryōta encarava a sacola que Shizuku segurava com grande interesse. Percebendo isso, Tomoya pediu permissão a Ayaka.

“Tōjō-san, tudo bem se compartilharmos alguns com o Ryōta-kun?”

   Ao ouvir isso, Ryōta voltou para Ayaka olhos brilhantes.

“Mesmo comendo lanches, você tem que jantar direito, está bem?”

“Sim!!”

   Ryōta assentiu energicamente às palavras da irmã, então voltou o olhar para a sacola que Shizuku segurava.

   Shizuku entregou a Ryōta alguns lanches baratos que pareciam com Umaibo.

(TL/N: Umaibo é um lanche popular de milho tufado japonês, conhecido como “graveto delicioso.”)

“Concederei estes a você, Ryōta-kun. Sabor corn potage e sabor natto.”

“Uau! Eba!!”

   Ryōta recebeu os lanches de Shizuku e começou a pular de alegria.

“Ryōta, agradeça direito.”

“Obrigado! Shizuku-oneechan!”

“Guh.”

   O agradecimento radiante de Ryōta pareceu atravessar o coração de Shizuku em cheio.

“...Ryōta-kun, você poderia dizer ‘Shizuku-oneechan’ mais uma vez?”

“Eh? Shizuku-oneechan?”

   Ryōta inclinou a cabeça, piscando confuso, e repetiu.

“...Mais uma vez.”

“? Shizuku-oneechan.”

“Aya-senpai, eu poderia levar o Ryōta-kun comi—”

“Claro que não!!”

   Ayaka interrompeu Shizuku no meio da frase.

“Tch.”

“Não faça ‘tch’ comigo!”

“Aya-senpai, você sempre tenta monopolizar tudo. Isso é bem problemático.”

“Isso é normal, não é?! A problemática é você, Shizuku-chan!”

   Enquanto Ayaka e Shizuku começavam imediatamente a discutir, Haruto baixou a voz e perguntou a Saki sobre a timidez de Ryōta.

“O Ryōta-kun costuma ser tímido com estranhos, não é?”

“Isso mesmo. Mas, bem, acho que ele também é facilmente influenciado por comida.”

“O Ryōta-kun é inesperadamente fácil de agradar?”

“Bem, talvez dependa da situação. Mas a Ayaka também foi bem fácil quando se tratava de você, não foi, Ōtsuki-kun? Acho que eles são irmãos parecidos.”

“Haha...”

   Haruto riu um pouco, meio sem graça, para desviar do comentário travesso de Saki.

   Nesse momento, Ikue entrou vindo da sala de estar.

“Oh, olá.”

“Ah, desculpe pela intromissão.”

“Com licença.”

   Ao ver Ikue, Tomoya e Shizuku se curvaram e a cumprimentaram. Ryōta, segurando lanches nas duas mãos, mostrou-os para Ikue e disse com uma voz animada.

“Olha, mamãe! Ela me deu lanches!”

“Ora, que gentil da parte dela.”

   Ao ouvir a conversa entre mãe e filho, murmúrios baixos de “M-Mamãe?” e “Hã? Não era a irmã mais velha? Que?” puderam ser ouvidos vindos de Tomoya e Shizuku. Haruto sentiu uma onda de nostalgia ao se lembrar da primeira vez que conheceu Ikue. Naquela época, Haruto também havia confundido Ikue com a irmã mais velha de Ayaka.

   Ikue fez um carinho na cabeça de Ryōta e sorriu alegremente para Tomoya e os outros.

“Muito obrigada.”

“N-Não foi nada. Ah, e também isso aqui... não é grande coisa, mas...”

   Gaguejando um pouco, Tomoya tirou uma sacola da mochila e a ofereceu a Ikue. Ikue pegou a sacola de Tomoya, e sua expressão se iluminou de alegria quando viu o logotipo nela.

“Minha nossa! Sonhos de creme da loja perto da estação! Eu adoro esses. Muito obrigada por terem se dado ao trabalho.”

“De forma alguma, já que somos tantos invadindo e causando incômodo.”

   Tomoya se curvou, sua expressão relaxando um pouco. Então, Saki sorriu para Ikue.

“Eu me lembrei que a Ikue-mama gostava dos sonhos de creme daqui, então todos nós compramos juntos.”

“Oh, minha nossa! Obrigada, Saki-chan. E, vejamos...”

   Depois de agradecer a Saki, Ikue voltou seu sorriso animado para Tomoya e Shizuku.

“Ah, meu nome é Akagi Tomoya! Eu sou, uh, o melhor amigo do Haru... do Ōtsuki-kun!”

“Da mesma forma, eu sou Dōjima Shizuku, a melhor amiga do Haru-sen... do Ōtsuki-senpai. Muito prazer.”

“Minha nossa! Os dois são melhores amigos do Haruto-kun! Tomoya-kun e Shizuku-chan, certo? Muito prazer, eu sou Ikue, a mãe da Ayaka. Embora, em um futuro próximo, eu talvez me torne a sogra do Haruto-kun”, disse Ikue com um “ufufu” brincalhão e um sorriso.

“Espera, mãe?! Não diga coisas estranhas!!”

“Oh, desculpe por isso.”

“Poxa!”

   Ayaka estufou as bochechas e olhou para Ikue com raiva.

“Ei, Haru... deixe o discurso em nome dos amigos comigo.”

“Eu também fornecerei episódios engraçados sobre o Haru-senpai.”

“Não, esperem! A Ikue-san estava só brincando!”

   Tomoya olhou para ele com os olhos cheios de motivação, e Shizuku fez um sinal de positivo com o polegar. Haruto tentou desesperadamente detê-los. No entanto, Saki, que conhecia bem Ikue, sorriu de canto e disse:

“As palavras dela podem ter sido brincadeira, mas os olhos da Ikue-mama pareciam bem sérios.”

“...”

   Haruto não respondeu às palavras de Saki, apenas pressionou os lábios em uma linha fina.

   Depois de terminarem as saudações a Ikue, Tomoya e os outros seguiram para o quarto de Ayaka.

“Cara, eu já tinha ouvido falar disso pela Aizawa-san antes de vir, mas a casa da Tōjō-san realmente é uma mansão.”

“Eu tenho certeza de que conseguiria morar no corredor dessa casa.”

“É, eu também pensei isso.”

   Lembrando da largura do corredor que se estendia desde a entrada, Shizuku falou com confiança. Tomoya assentiu repetidamente em concordância. Enquanto Tomoya e Shizuku trocavam esse tipo de conversa ao subir as escadas, Saki falou com orgulho, exibindo um olhar presunçoso.

“Viu só? Eu disse que a casa da Ayaka era incrível.”

   Tomoya riu e rebateu.

“Não, não, por que você está toda orgulhosa, Aizawa-san? Não deveria ser a Tōjō-san?”

“É aquela coisa, sabe? O que é da minha melhor amiga é meu também, algo assim. Não é, Ayaka?”

“Não me envolva nessa sua lógica falha...”

   Ayaka deu a Saki um sorriso constrangido enquanto abria a porta do seu quarto e convidava todos a entrar. Ao entrarem, Shizuku rapidamente examinou o quarto antes de direcionar o olhar para a iluminação no teto.

“Hoh, então a iluminação não é um lustre, Aya-senpai.”

“Eu não conseguiria relaxar se tivesse algo assim no meu quarto.”

   Vendo o rosto levemente exasperado de Ayaka, Shizuku inclinou um pouco a cabeça, ainda com a expressão inalterada.

“Acho que um lustre combinaria com você, Aya-senpai.”

“...Shizuku-chan, você está me elogiando? Ou zombando de mim?”

“Metade-metade.”

“Você devia simplesmente dizer que está me elogiando...”

“Só brincadeira.”

   Enquanto Ayaka e Shizuku trocavam provocações de forma descontraída, os outros se sentaram nas almofadas dispostas ao redor da mesa.

“De alguma forma, pensar que este é o quarto da Tōjō-san me deixa nervoso. Não é, Haru?”

“Ahh, bem, eu também fiquei nervoso no começo.”

“Ah, certo. Haru, você já é figurinha carimbada neste quarto, não é?”

“Não, não exatamente. Eu não venho aqui com frequência suficiente para ser chamado de figurinha carimbada.”

   Haruto sorriu de forma irônica para Tomoya, que assentiu para si mesmo como se estivesse convencido.

“Onde você habita nesta casa, Haru-senpai?”

   Shizuku interrompeu sua conversa com Ayaka para perguntar a Haruto.

“‘Habita’? Eu sou algum animal selvagem?”

   Depois de uma resposta leve, Haruto apontou o polegar em direção ao quarto ao lado.

“Tecnicamente, eu estou usando o quarto ao lado do da Ayaka. Embora originalmente fosse o quarto do Ryōta-kun.”

“Sob o mesmo teto, garoto e garota adolescentes em quartos adjacentes... Isso é erótico.”

   Olhando alternadamente para Haruto e Ayaka, Shizuku falou lentamente.

   Em resposta, as vozes de Haruto e Ayaka se sobrepuseram.

““Por quê?!””

   Shizuku inclinou levemente a cabeça diante das reações idênticas.

“Hã? Porque do outro lado de uma única parede está a pessoa que você mais ama, certo?”

“Como isso se torna erótico?”

“Vamos lá, não tem como nada acontecer numa situação dessas. Não é, Saki-senpai?”

   Quando Shizuku olhou para Saki em busca de concordância, ela assentiu lentamente.

“Verdade... é erótico.”

“Poxa! Não fale coisas estranhas você também, Saki!”

   Ayaka levantou a voz em protesto diante da provocação de sua melhor amiga.

   Ainda com as bochechas estufadas, Ayaka se jogou em uma almofada.

“Vamos logo estudar, pessoal. Nós nos reunimos hoje para uma sessão de estudos, afinal.”

   Com suas palavras, todos se sentaram ao redor da mesa e espalharam seus materiais de estudo.

   Depois disso, todos se concentraram diligentemente nos estudos para a prova.

   Surpreendentemente, Shizuku se conteve de fazer piadas ou provocar Ayaka, concentrando-se em seu livro de referência com um olhar sério enquanto fazia anotações.

   Por um tempo, não houve conversa, já que todos estavam concentrados nos estudos, mas Saki, que estava resolvendo matemática, resmungou “Hmm...” e mostrou o livro didático para Haruto.

“Ei, Ōtsuki-kun, você entende este problema aqui?”

“Hm? Ah, este...”

   Haruto explicou como resolver o problema sobre o qual Saki havia perguntado.

“Entendi! Entendi mesmo! Uau, como esperado do Ōtsuki-kun! Ser o primeiro da turma não é só fachada. Sua explicação também é super fácil de entender”, disse Saki com uma expressão aliviada após resolver o problema. Diante disso, Tomoya fez uma cara presunçosa.

“O Haru é incrível. Ele consegue explicar qualquer problema de um jeito fácil de entender.”

“O rosto presunçoso misterioso do Akagi-kun é hilário. Não deveria ser a namorada dele, a Ayaka, que estaria se exibindo, e não o Akagi-kun?”

   Dizendo isso, Saki direcionou a conversa para Ayaka, sentada ao lado dela.

   Ayaka, que estava concentrada nos estudos, fez uma pausa antes de olhar para Saki com uma expressão vazia.

“Hã? O quê? Você me chamou?”

   Vendo o olhar confuso de Ayaka, Saki se inclinou um pouco para frente com um “Hmm?”.

“Você está realmente empenhada nessa prova, não é, Ayaka?”, disse Saki, olhando para o caderno de Ayaka, que estava cheio de anotações.

   As bochechas de Ayaka coraram levemente.

“Um, bem, eu estava pensando em tentar tirar mais de oitenta em todas as matérias desta vez.”

“Oh? Mas Ayaka, você normalmente já tira por volta disso, não tira?”

“Ah, sim. Mas, hum... desta vez eu definitivamente quero passar de oitenta...”

   Ayaka respondeu de forma um pouco hesitante.

   Percebendo que o olhar dela continuava desviando em direção a Haruto, Saki sorriu maliciosamente.

“Por que você está tão obcecada em passar de oitenta, Ayaka-san?”

“Bem, hum...”

“Será que é porque, se você tirar mais de oitenta em todas as matérias, você ganha uma recompensa do seu querido Haruto-kun, ou algo assim?”

   Com as palavras de Saki, os ombros de Ayaka estremeceram.

“Aha! Acertei em cheio.”

   Por ter sido pega em cheio, Ayaka começou a explicar rapidamente, bastante aflita.

“B-Bem, durante as férias de verão, eu estava estudando com o Haruto-kun, e estávamos falando sobre como precisaríamos de alguma recompensa ou algo assim para manter a motivação, então...”

“Entendo. Então, supondo que a Ayaka receba uma recompensa do Ōtsuki-kun se tirar mais de oitenta em todas as matérias, qual seria a condição para o Ōtsuki-kun receber uma recompensa da Ayaka?”, perguntou Saki a Haruto com uma expressão divertida.

“Hã? Não, nada em particular quanto à minha recompensa.”

“Isso não serve! Se a Ayaka ganha uma recompensa, é injusto se o Ōtsuki-kun não ganhar uma também!”, disse Saki, com um sorriso estampado no rosto.

“Não é, Ayaka? Você também tem que dar uma recompensa adequada ao Ōtsuki-kun, certo?”

“I-Isso é... verdade.”

   Ayaka assentiu às palavras de Saki e então disse a Haruto, um pouco envergonhada.

“Então, se você ficar em primeiro lugar da turma nesta prova também, Haruto-kun... eu vou te dar uma recompensa.”

“Ah, tá bom... obrigado.”

   Ela ficou tão fofa dizendo isso de maneira tímida que Haruto sentiu o próprio rosto esquentar. Nesse momento, Shizuku, que até então estava silenciosamente concentrada nos estudos, de repente jogou a caneta que segurava e gritou.

“O queee é isso aqui!? Flertando e se exibindo enquanto o resto de nós está tentando estudar!”

“N-Não estamos flertando.”

   Shizuku lançou um olhar fulminante para Ayaka, que negou enquanto corava.

“Nããão, isso foi definitivamente flerte.”

“N-Não foi.”

“Então vamos deixar o Tomo-senpai, o juiz do flerte, decidir.”

   Dizendo isso, Shizuku olhou para Tomoya, que vinha observando a troca com diversão.

“Tomo-senpai, essa troca agora foi flerte?”

“Hmm, julgando com base nas interações deles até agora...”

   Tomoya cruzou os braços, franziu a testa, olhou para baixo com uma expressão séria e então declarou em um tom solene.

“Haru e Tōjō-san são... CULPADOS!!”

“Ah, cala a boca.”

   Tomoya declarou como se fosse um veredito de tribunal. Haruto retrucou imediatamente, com uma expressão exasperada. “O que diabos é um ‘juiz do flerte’, afinal?”

   Parecia que a concentração de Shizuku tinha sido completamente quebrada, pois ela estendeu a mão para o saco de lanches que havia comprado.

“Ah, que saco, minha boca está doce demais agora, não consigo mais estudar. Hora de fazer uma pausa. Festa de lanches.”

   Com essas palavras, Shizuku virou o saco de lanches e espalhou tudo sobre a mesa.

“Oh, legal, legal!”

   Saki também largou a caneta, parou de estudar e estendeu a mão para a montanha de lanches que havia surgido sobre a mesa.

“Eu estava querendo comer esses”, disse Saki ao abrir um pacote de gomas que pareciam ter uma boa consistência para mastigar.

“Quer um pouco, Ayaka?”

“Claro, eu quero sim.”

   Vendo as garotas pararem de estudar e começarem a comer lanches, Haruto também voltou o olhar para a pilha de guloseimas.

“Vocês realmente compraram um monte. Será que dá para comer tudo isso?”

“Se sobrar alguma coisa, eu dou para você e para a Tōjō-san. Eu já comprei com essa intenção mesmo”, disse Tomoya enquanto jogava uma amêndoa coberta de chocolate na boca.

“Entendi, obrigado. Espera, o que é isso? ‘Hokky’?”

   Haruto inclinou a cabeça ao ver um pacote de lanche que nunca tinha visto antes.

   Shizuku explicou.

“Eu comprei isso na loja antena de Hokkaido. É um lanche sabor marisco feito com mariscos de Hokkaido.”

“Marisco... isso é bom? Quer dizer, isso parece exatamente um Pock—”

“Haru-senpai, apontar isso seria deselegante.”

   Shizuku interrompeu Haruto.

   Então, como se tivesse tido uma ideia, ela bateu o punho na palma da mão.

“Pessoal, vamos jogar um jogo.”

   Com a sugestão de Shizuku, Saki, que estava comendo gomas junto com Ayaka, demonstrou interesse.

“Um jogo? Que jogo?”

“Fufufu, Saki-senpai. Quando jovens homens e mulheres se reúnem, só existe um jogo a ser jogado.”

“Hm? Qual é?”

   Saki inclinou a cabeça, sem entender muito bem o que Shizuku queria dizer.

   Shizuku sorriu de canto.

“É... o Jogo do Rei!”

[Almeranto: A última novel que eu li que teve o ‘Jogo do Rei’ não foi muito saudável kkkkk. | Del: ……]

   Quando Shizuku anunciou isso em voz alta, Ayaka franziu levemente a testa.

“Shizuku-chan, nós nos reunimos hoje para estudar, então brincar demais não é bom.”

“Aya-senpai, trabalho eficiente vem de descanso eficiente. Os estudos vão fluir muito melhor se você fizer uma pausa adequada e recuperar a concentração.”

“M-Mas... o Jogo do Rei é um pouco...”

   Ayaka demonstrou hesitação.

“O Jogo do Rei é aquele, né? Em que as ordens do Rei são absolutas?”

“Isso mesmo. ...Ah, você está imaginando alguma coisa indecente, Aya-senpai? Sua pervertida.”

“E-Eu não estou!”

   Shizuku provocou a Ayaka corada, dizendo “Sériooo?” antes de voltar o olhar para Saki.

“E você, Saki-senpai? Você não gosta do Jogo do Rei?”

“Hm, eu não desgosto... mas meio que tenho essa imagem de caras propondo isso em festas de faculdade com segundas intenções.”

   Cruzando os braços enquanto respondia, Saki continuou.

“Mas eu acho que parece divertido. Então, eu estaria disposta a jogar com condições.”

“Condições?”

“Tipo, não forçar ninguém a fazer algo de que não goste, ou não forçar contato físico excessivo.”

   Shizuku assentiu em concordância com as condições de Saki.

“Entendido. Então, se for um Jogo do Rei saudável dentro dos limites do bom senso, o que acha, Aya-senpai?”

“Se for assim...”

   Ayaka fez um pequeno aceno de cabeça e então olhou para Haruto para avaliar a reação dele.

   Seguindo o gesto dela, Shizuku também voltou seu olhar questionador para ele.

“Bom, para mim tudo bem, desde que ninguém se sinta desconfortável. E você, Tomoya?”

“Eu topo também, desde que as damas não se importem.”

   Satisfeita com as respostas dos rapazes, Shizuku assentiu e imediatamente pegou um par de hashis descartáveis do saco de lanches.

“Então, vamos jogar o Jogo do Rei.”

   Tomoya deu um sorriso irônico para Shizuku, que parecia animada apesar da expressão inexpressiva.

“Esses hashis... você estava planejando jogar esse jogo desde o começo?”

“Abso-lu-ta-men-te.”

   Shizuku fez um sinal de positivo com o polegar, e Saki exibiu o mesmo sorriso irônico de Tomoya.

“Eu tinha certeza de que você era só do tipo que come salgadinhos com hashis, Shizuku-chan, mas foi tudo premeditado, hein?”

“Para salgadinhos, normalmente uso as mãos. E lamber o dedo indicador e o polegar é o prazer supremo.”

[Almeranto: Tô contigo Shizuku kkkkkk.]

   Enquanto respondia, Shizuku tirou um marcador do estojo e escreveu os números de 1 a 4 e um com o símbolo de coroa nas extremidades dos hashis.

   Então, escondendo as pontas na mão, ela fincou os cinco hashis no centro da mesa.

“Agora, os preparativos estão completos. Todos, por favor, escolham seu hashi favorito.”

   Após um breve momento, Haruto estendeu a mão dizendo: “Certo então.” Assim que ele pegou um dos cinco hashis, os outros fizeram o mesmo.

“Todo mundo já pegou um? Então, ao meu sinal, por favor, puxem.”

   Shizuku olhou ao redor do círculo e disse com a voz um pouco mais alta.

“Lá vamos nós. Quem é o Reeeeiii!?”

   Ao sinal de Shizuku, os hashis foram puxados.

   Todos imediatamente olharam para a ponta do hashi que haviam escolhido.

“Eu não sou o Rei.”

“Nem eu.”

   Saki soou um pouco decepcionada, e Tomoya também informou que não era o Rei.

   Em seguida, Shizuku fez um bico por não ser o Rei.

“Mm, pensar que eu caí em uma posição que não é a de Rei. E você, Haru-senpai?”

“Eu também não.”

   Haruto olhou para a ponta do hashi que havia tirado, depois deslizou o olhar até Ayaka.

“Uhmm... eu sou a Rainha.”

   Ayaka, reunindo o olhar de todos, levantou levemente a mão.

“Então a Aya-senpai pervertida é a Rainha.”

“Eu não sou uma pervertida!!”

   Ayaka negou imediatamente as palavras de Shizuku. Então Saki perguntou a ela.

“Então, qual é a ordem da Rainha Ayaka?”

“Um... hmm, vamos fazer a pessoa número três... elogiar excessivamente a pessoa número um.”

   Saki riu baixinho, “fufu”, diante da ordem que Ayaka conseguiu formular enquanto inclinava a cabeça.

“Uma ordem pacífica, bem do jeito que você daria, Ayaka.”

   Shizuku também falou com Ayaka.

“Eu realmente achei que você ia soltar uma ordem indecente logo de cara.”

“Eu já disse! Eu não sou assim!”

“Sériooo?”

   Ayaka inflou as bochechas, insatisfeita com o olhar desconfiado de Shizuku.

“Aff! Shizuku-chan! Enfim, quem é o número três?”

   Ao mudar de assunto, Haruto levantou a mão.

“Sou eu, o número três.”

“Oh! O Haru vai me elogiar! Estou ansioso por isso.”

   Tomoya sorriu com um “nishishi”, mostrando para Haruto o hashi com o número ‘1’ escrito.

“Ter que elogiar o Tomoya, hein? Essa é difícil.”

“Ei, meu charme é tão vasto que você não conseguiria terminar de falar sobre ele nem em meio dia, sabia?”

   Ignorando a brincadeira de Tomoya, Haruto olhou para ele e começou a elogiá-lo de acordo com a ordem do Rei.

“Eu realmente acho que você é uma pessoa maravilhosa, a ponto de eu ficar genuinamente feliz do fundo do coração por sermos melhores amigos. As pessoas tendem a achar que você é frívolo e desleixado à primeira vista, mas na verdade você observa muito bem as pessoas e tem a consideração de ajudar casualmente quando alguém está em apuros. Isso é algo que eu quero aprender com você.”

  Haruto elogiou Tomoya com fluidez.

   Tomoya, que estava sendo elogiado, coçou a bochecha com o dedo indicador, parecendo um pouco envergonhado.

“O-O... obrigado.”

“Ahaha, Akagi-kun, seu rosto está vermelho.”

   Saki apontou para Tomoya e riu. Envergonhado pelo elogio inesperadamente sincero de Haruto, Tomoya desviou o olhar.

“Certo, vamos para a próxima ordem. Todos, por favor, devolvam seus hashis.”

   Shizuku recolheu os hashis, escondeu as pontas na mão novamente e os fincou de volta no centro da mesa.

“Lá vamos nós de novo. Quem é o Reeeeiii?”

“Ah, eu sou a Rainha desta vez~!”

   Parecia que Saki era a Rainha desta vez, e ela balançou alegremente o hashi com a marca da coroa. “Que ordem eu vou dar~”, murmurou, pensando por um momento.

“Okay, decidido! O número dois tem que mostrar a cara mais engraçada possível, com toda a força!”

   No momento em que ouviram a ordem de Saki, todos conferiram seus números.

“Ainda bem, eu sou o número um...”, Ayaka suspirou, aliviada. Sentada de frente para ela, Shizuku estreitou os olhos.

“Parece que eu sou o número dois.”

“Vamos poder ver a cara engraçada da Shizuku, hein.”

   Haruto sorriu de canto para ela. Uma cara engraçada da sempre inexpressiva Shizuku era realmente algo raro. Shizuku soltou um “uff”, como se dissesse “que situação”.

“Não tem jeito. Então, pessoal, por favor, abram bem os olhos e observem. Testemunhem a preciosa cara engraçada desta garota super bonita.”

   Como Shizuku geralmente não demonstrava muitas expressões, as pessoas ao seu redor tendiam a enxergá-la como um tipo de personagem fria. No entanto, sua verdadeira personalidade era bastante descontraída, e ela era alguém que animava o ambiente, participando ativamente de coisas como essa sem demonstrar qualquer desgosto.

   Ela colocou lentamente as duas mãos nas bochechas e as apertou pelos lados.

“Técnica secreta, Ameixa em Conserva!”

   Com essa frase característica, Shizuku olhou ao redor para todos com o rosto completamente franzido.

“Pfft, esse rosto é demais... fufu.”

“S-Shizuku-chan, fufu... fufufu.”

   Saki e Ayaka não conseguiram se conter, riram e baixaram o olhar. Então, Tomoya gargalhou alto, escancarando a boca.

“O contraste com o seu rosto inexpressivo torna isso brutal!”

   Haruto, com os lábios tremendo de tanto rir diante do rosto engraçado de Shizuku, que havia criado um verdadeiro turbilhão de risadas, falou com ela.

“Como sempre, você realmente se dedica a essas coisas, Shizuku.”

“Fazer isso pela metade não tem graça, só é constrangedor. É muito mais revigorante ir com tudo e arrancar uma risada.”

“Bravo!”

   Enquanto todos riam e tentavam recuperar o fôlego, Shizuku recolheu os hashis de todos com uma expressão satisfeita.

“Certo, vamos continuar. Todo mundo, escolham um hashi, rápido, rápido.”

   Com essas palavras, todos pegaram um hashi e puxaram.

   A terceira Rainha foi Shizuku.

“Fufufu, o tempo do meu reinado finalmente chegou.”

   Shizuku levantou lentamente o hashi com a coroa acima da cabeça.

“Vou começar com uma ordem de nível provocação... número três e número dois, por favor, encarem apaixonadamente os olhos um do outro por um minuto.”

   Com a ordem do Rei dada, Haruto conferiu o seu número.

“Eu sou... o número um.”

“Eu sou o número quatro.”

   Ayaka ergueu o hashi. Então, Tomoya falou, parecendo um pouco envergonhado.

“Ah~ eu sou o número três.”

“Então isso significa que o Akagi-kun e eu temos que nos encarar”, disse Saki, conferindo o número do hashi enquanto olhava para Tomoya.

   Shizuku ajustou o temporizador no smartphone e disse a Saki e Tomoya.

“Certo, ao meu sinal, encarem-se por um minuto. Prontos?”

   Tomoya e Saki assentiram às palavras de Shizuku.

“Então, vamos lá? Prontos... comecem.”

   Ao sinal de Shizuku, os dois se encararam em silêncio.

   Nos primeiros segundos, Tomoya e Saki se olharam com expressões sérias. No entanto, depois de cerca de dez segundos, o rosto de Saki se contorceu repentinamente.

“...Pfft... pffft... fufu...”

“Ah, Saki-senpai, rir é contra as regras.”

   Shizuku, como Rainha, emitiu imediatamente um aviso.

“D-Desculpa, desculpa. Rosto sério, rosto sério... fufufu...”

   Após o aviso de Shizuku, o rosto de Saki voltou a ficar sério por um instante, mas seus lábios logo se curvaram em um sorriso, e a risada ameaçou escapar.

“Saki-senpai?”

“Ufufu... desculpa, de algum jeito pensar que eu não posso rir torna tudo ainda mais... pfft... uha... ahahaha! Hahaha!”

   Finalmente incapaz de se conter, Saki desviou o olhar de Tomoya e segurou a barriga.

“Eu não aguento... fufu... o rosto sério do Akagi-kun acertou em cheio no meu ponto fraco... aha, ahahaha!”

“Saki, rir tanto assim é falta de educação com o Akagi-kun... fufufu... sabia?”

   Talvez contagiada pela risada de Saki, Ayaka tentou desesperadamente conter as próprias gargalhadas enquanto repreendia a melhor amiga.

“S-Sim. Desculpa, Akagi-ku—pfft... pupupu... puhahahaha! Não dá, hahahaha!”

   Saki tentou olhar novamente para Tomoya, mas não conseguiu se segurar e caiu na gargalhada mais uma vez.

   Vendo Saki segurar a barriga e ofegar, dizendo “Ufa, minha barriga está doendo...”, Tomoya virou um sorriso triste e melancólico na direção de Haruto.

“Ei, Haru. Posso... chorar?”

 

“Meu melhor amigo, cada pessoa tem um senso de humor diferente. Não se preocupe com isso,” explicou Haruto enquanto dava tapinhas consoladores no ombro de Tomoya.

   Depois disso, o Jogo do Rei, que havia começado como uma pausa nos estudos, acabou se tornando bastante animado. No meio do jogo, Saki desenvolveu uma condição misteriosa em que começava a rir sempre que olhava para o rosto de Tomoya, mas todos estavam se divertindo mais do que o esperado.

“Tudo bem, eu sou o Rei! Então, número três... cante o refrão de uma música em que você tem confiança, com todo o seu coração!”

   Quando Tomoya deu a ordem do Rei com entusiasmo, Ayaka, segurando o hashi marcado com o número três, pareceu aflita e disse: “Ehh.”

   Ela hesitou por um tempo, mas acabou começando a cantar uma balada popular do momento. Estava longe de ser o “cantar com todo o coração” que Tomoya havia ordenado, mas ao ver Ayaka cantando suavemente, com a voz baixa e as bochechas coradas de vergonha, Haruto sentiu algo puxar suas cordas do coração.

   Em seguida, Haruto se tornou o Rei e, por sua ordem, Tomoya foi derrotado pelo estalo especial de testa de Shizuku. Um por um, eles foram se revezando como Rei, dando várias ordens e aproveitando o jogo. Então chegou a terceira vez de Shizuku como Rainha.

“Pois bem, agora que todos estão completamente cativados pela diversão deste jogo, que tal eu dar aquela ordem?” disse Shizuku em um tom significativo, olhando para o hashi coroado em sua mão.

“Shizuku-chan, o que você quer dizer com ‘aquela’ ordem?”

   Em resposta a Ayaka, que inclinou a cabeça e perguntou, Shizuku quebrou sua rara expressão inexpressiva e sorriu de lado.

“É o movimento clássico quando se fala em Jogo do Rei.”

   Dizendo isso, Shizuku pegou um dos lanches espalhados sobre a mesa e o ergueu diante de Ayaka e dos outros.

“Este é o movimento clássico do Jogo do Rei. O Pocky... quer dizer, o Jogo do Hokky!”

   Com isso, Shizuku ativou sua ordem como Rainha.

“O número dois e o número um vão jogar o Jogo do Hokky!”

   No instante em que ela declarou isso, Haruto e os outros se apressaram em conferir seus números.

“Ah, eu sou o número três.”

“Eu sou o número quatro... o que significa...”

   Assim que Saki e Tomoya confirmaram seus números, eles silenciosamente voltaram seus olhares para Haruto e Ayaka.

“Como esperado de Haru-senpai e Aya-senpai. Só um casal tão apaixonado teria tanta sorte.”

   Shizuku sorriu de forma provocadora para Haruto e Ayaka, que seguravam os hashis de número um e número dois.

“Muito bem, então vocês dois, coloquem cada um uma ponta deste Hokky na boca.”

“E-Espera, Shizuku-chan! Vamos mesmo fazer isso?”

“As ordens da Rainha são absolutas. Vamos, vamos, rápido, coloquem logo na boca.”

   Shizuku segurou o Hokky e pressionou Ayaka, que estava confusa de vergonha.

“M-Mas, na frente de todo mundo, isso é...”

“Durante o jogo, nós vamos fechar os olhos. Problema resolvido. Tudo bem, não é, Haru-senpai?”

“Não, não, espera, espera! Além disso, antes de começarmos o Jogo do Rei, decidimos que as ordens do Rei tinham que estar dentro dos limites do bom senso!”

“Está totalmente dentro dos limites do bom senso. É perfeitamente normal para amantes jogarem o Pocky... quer dizer, o Jogo do Hokky. Não é, Aya-senpai?”

   Segurando o Hokky em uma das mãos, Shizuku buscou a concordância de Ayaka.

   Ayaka, embora demonstrasse confusão, deu um pequeno aceno com a cabeça.

“É-é verdade... se for um casal próximo, talvez seja normal.”

“Espera?! Ayaka?!”

   Durante as férias de verão, Haruto e Ayaka haviam praticado agir como namorados.

   Pelo conteúdo dessa prática, já estava estabelecido que os padrões dela sobre o que era “normal” para um casal estavam longe de ser comuns, mas Haruto nunca imaginou que isso acabaria se voltando contra ele dessa forma.

   Ele tentou desesperadamente impedir Ayaka, que aceitava o Hokky de Shizuku com um olhar determinado nos olhos.

“Ayaka-san! Eu realmente acho que fazer isso na frente das pessoas é um pouco demais!”

“M-Mas, Haruto-kun... como a Shizuku-chan disse, para um casal próximo, um jogo desses é normal, não é?”

“Sim, é normal,” Shizuku assentiu, reforçando as palavras de Ayaka.

   Haruto olhou para Saki em busca de ajuda.

“Ahaha, a Ayaka pode ser bem obstinada às vezes.”

   Recebendo o olhar de Haruto, Saki comentou enquanto observava a situação com diversão.

“Não, não, Aizawa-san, não fique só rindo, pare a investida da sua melhor amiga.”

“Hmm, impossível. Nem eu consigo parar a Ayaka quando ela entra no modo “apaixonada pelo Ōtsuki-kun”.”

   Saki desistiu com facilidade excessiva. Em seguida, Haruto olhou para Tomoya sem muita esperança. Como esperado, ele retribuiu o olhar com olhos cheios de ciúmes.

“Um Jogo do Hokky com a Tōjō-san... Haru, explode logo.”

   Haruto percebeu que não havia mais ninguém ali que pudesse parar o jogo. Nesse momento, ele ouviu a voz de Ayaka, sussurrando e levemente trêmula de vergonha.

“Ha-Haruto-kun...”

   Quando Haruto olhou para Ayaka, viu que ela já tinha uma ponta do Hokky na boca, o rosto vermelho vivo, encarando-o intensamente.

“......”

   Por um momento, Haruto alternou o olhar entre o rosto envergonhado de Ayaka e a ponta do Hokky se estendendo de sua boca, mas, no fim, percebeu que não havia escapatória.

   Ele se preparou mentalmente, aproximou lentamente o rosto e abriu levemente a boca para pegar o Hokky.

   Mas, naquele instante, incapaz de suportar mais a vergonha, Ayaka virou o rosto abruptamente e tirou o Hokky da boca com a mão.

“E-Eu não consigo fazer isso afinal!”

“Aya-senpai, você não deve fugir.”

“Fazer algo assim na frente de todo mundo é vergonhoso demais...”

“Nós estamos mantendo os olhos fechados, sabia?”

“M-Mesmo assim...”

   Ayaka balançou a cabeça vigorosamente, o rosto ainda intensamente vermelho.

“A-Além disso, nós decidimos as regras no começo, certo? Que não forçaríamos ninguém a cumprir uma ordem que não gostasse.”

“Essas eram as regras, mas...”

   Shizuku olhou para Ayaka com um olhar investigativo.

“Você realmente não gosta? Do Jogo do Hokky com o Haru-senpai.”

“Ugh... não é que eu não goste...”

“Hmm?”

   Shizuku lançou um olhar ainda mais interrogativo para a Ayaka que murmurava.

   Como se estivesse tentando escapar de Shizuku e da situação, Ayaka bateu palmas alto.

“O-O Jogo do Rei acabou agora!! Nós só começamos isso como uma pausa dos estudos! Já descansamos o suficiente! Vamos, vamos! De volta aos estudos!”

“Você está fugindo, não é, Aya-senpai?”

“E-Eu não estou fugindo! Vamos, Saki, Akagi-kun, parem de sorrir e estudem!”

   Ayaka encerrou o Jogo do Rei à força e incentivou os outros a retomarem os estudos. Vendo Ayaka tentar desesperadamente recuperar o controle enquanto corava, Saki a observou com um sorriso.

“Bem, se a dona da casa diz isso, não temos escolha a não ser obedecer.”

“É. Ainda assim, o poder destrutivo de uma Tōjō-san envergonhada é insano. Não é, Haru?”

   Concordando com as palavras de Saki, Tomoya deu um tapinha nas costas de Haruto, elogiando a fofura de Ayaka.

   Haruto respondeu com um breve “Sim,” tentando manter a compostura e acalmar o ritmo cardíaco, que havia disparado graças à tentativa do Jogo do Hokky.

   O Jogo do Rei terminou pela autoridade da dona do quarto, Ayaka.

   Shizuku pegou um palito de Hokky, deu uma mordida com um estalo e disse:

“É uma pena que eu tenha perdido o Jogo do Hokky, mas consegui mexer bastante com a Aya-senpai, então considero uma vitória.”

“Eu não sou seu brinquedo, Shizuku-chan!!”

   As risadas dos outros se misturaram com o protesto de Ayaka, e a sessão de estudos continuou de forma animada.

   Após terminarem a pausa, Haruto e os outros estudaram, conversando, ensinando uns aos outros e comendo lanches. Quando o céu do lado de fora da janela começou a adquirir uma leve coloração de pôr do sol, Tomoya levantou os olhos do caderno e conferiu o relógio de parede.

“Uau, já está tão tarde assim?”

   Com suas palavras, Saki também parou de resolver seu problema de matemática e olhou pela janela.

“Você tem razão. O tempo realmente voa quando estamos todos estudando juntos.”

“Vamos nos despedir em breve?”

   Shizuku também olhou para Tomoya e Saki enquanto mastigava um chocolate que haviam comprado.

“Sim, não queremos abusar da hospitalidade.”

“Então vamos encerrar a sessão de estudos.”

   Saki levantou os braços acima da cabeça e se espreguiçou, soltando um gemido.

   Tomoya deu um tapinha no ombro de Haruto enquanto guardava seus materiais de estudo.

“Valeu, Haru. Graças às suas explicações, com certeza vou evitar notas vermelhas nessa prova.”

“Se você estudasse com essa seriedade o tempo todo, poderia facilmente tirar notas altas. É um desperdício.”

   Os resultados de prova de Tomoya sempre ficavam no limite da aprovação, passando raspando para evitar a reprovação, mas com sua inteligência natural e facilidade para aprender, ele tinha potencial para entrar no grupo dos melhores se estudasse de verdade.

   No entanto, como o próprio Tomoya não via muito valor nas notas escolares, ele raramente estudava com afinco.

“Desde que eu evite aulas de recuperação, já estou satisfeito. A vida no ensino médio é limitada, não tenho tempo para passar tudo estudando.”

   Haruto deu um sorriso irônico diante da declaração de Tomoya, que ia contra a ideia de que o dever de um estudante era estudar. Nesse momento, Shizuku, já tendo terminado de arrumar suas coisas, levantou-se com um “hup,” colocando a mochila nas costas.

“Então, Aya-senpai, obrigada por nos deixar usar seu quarto.”

“Nada, fiquei feliz de poder estudar com todo mundo.”

“Embora tenha sido lamentável não poder ver o Jogo do Hokky com o Haru-senpai.”

“I-Isso não!”

   Ao se lembrar daquele momento, as bochechas de Ayaka ficaram levemente coradas outra vez.

   Depois de se satisfazer com a reação de Ayaka, Shizuku voltou seus olhos para Haruto.

“A propósito, Haru-senpai. Sua avó também está nesta casa, certo?”

“Sim, acho que ela está na cozinha preparando o jantar agora.”

“Se não for incômodo, eu gostaria de cumprimentá-la, já que faz um tempo.”

“Ah, eu também!”

   Ao ouvir Shizuku dizer que queria cumprimentar a avó de Haruto, Tomoya também levantou a mão, dizendo: “Eu também, eu também.”

“Eu não me importo, e acho que minha Vó também ficaria feliz...” disse Haruto, olhando para Ayaka.

   Recebendo o olhar dele, Ayaka assentiu para mostrar que estava tudo bem.

“Então vamos todos para a sala de estar.”

   Com isso, Ayaka tomou a dianteira e eles saíram do quarto, seguindo em direção à sala de estar.

   Quando Haruto e os outros entraram na sala, Ikue, que estava trabalhando em um laptop na mesa baixa em frente à TV, chamou-os.

“Oh, a sessão de estudos acabou?”

“Sim. Obrigada por nos receber, Ikue-mama,” respondeu Saki a Ikue com um sorriso, e Tomoya e Shizuku fizeram o mesmo, curvando-se e dizendo: “Obrigado/a por nos receber.”

“Ufufu, venham brincar aqui de novo a qualquer hora.”

   Ikue retribuiu o sorriso a Saki e aos outros. Nesse momento, Ryōta, que estava na cozinha, correu até Haruto.

“Vocês terminaram de estudar, Onii-chan?”

“Sim, terminamos. O que você estava fazendo, Ryōta-kun?”

“Eu estava ajudando a vovó!”

   Ryōta estufou o peito e respondeu à pergunta de Haruto como se dissesse: “Fico tão feliz que você perguntou!”

    A avó de Haruto, Kiyoko, entrou logo depois de Ryōta.

“Ora, ora, olá, Shizuku-chan, Tomoya-kun.”

“Olá. Faz tempo, Kiyoko-obaachan.”

   Shizuku se curvou, e Tomoya a seguiu com um sorriso animado e uma saudação para Kiyoko.

“Olá. Fiquei surpreso quando a senhora desmaiou por insolação, mas fico feliz em vê-la bem desde então. Como está suas costas ultimamente?”

“Obrigada. E também agradeço pela ajuda quando recebi alta do hospital. Agora, o Ryōta-kun me ajuda com várias coisas, então minhas costas estão muito melhores, e isso é uma grande ajuda.”

   Os olhos de Kiyoko se estreitaram de felicidade com as palavras atenciosas de Tomoya, e ela afagou a cabeça de Ryōta, que exibia uma expressão orgulhosa.

   Ryōta estufou o peito com orgulho e soltou um “Heheh” enquanto Kiyoko fazia carinho em sua cabeça. Então Saki deu um passo à frente e cumprimentou Kiyoko.

“Prazer em conhecê-la. Meu nome é Aizawa Saki, e estou na mesma turma que o Ōtsuki-kun.”

“Ora, ora, obrigada por ser tão educada. Eu sou a avó do Haruto, Kiyoko.”

   Depois de se curvarem uma para a outra, Saki se agachou para ficar na altura do olhar de Ryōta.

“Que tipo de ajuda você estava dando, Ryōta?”

   Quando Saki perguntou, Ryōta trouxe um pedaço de papel que estava preso à geladeira com um ímã.

“Isso!” disse Ryōta com energia, apontando para uma parte do papel que havia trazido.

   No papel, estava escrito em letras grandes, como título, “Tabela de Mesada por Ajudar”, e no local que ele apontava dizia “Lavar a louça... 50 ienes.”

“Eu vou ajudar bastante e juntar muito dinheiro!”

“Heeh, por que você quer tanto dinheiro, Ryōta?” perguntou Saki com uma expressão carinhosa, e Ryōta abriu um grande sorriso.

[Del: Lá vem…]

“É para a Nee-chan e o Onii-chan! Espera aqui um pouquinho!!”

   Dizendo isso, Ryōta saiu correndo da sala para buscar algo. Ayaka percebeu de repente o que ele estava fazendo e entrou em pânico, tentando detê-lo.

“E-Espere! Ryōta! Pare!”

   Mas a tentativa da irmã foi tarde demais, e Ryōta voltou à sala, apertando contra o peito uma certa caixa, como se fosse algo precioso.

“Hm? O que é isso, Ryōta-kun?”

“Esta é a caixa de poupança para o casamento da Nee-chan e do Onii-chan!”

   Quando Shizuku voltou o olhar para o objeto que Ryōta segurava com as duas mãos, ele respondeu e imediatamente começou a explicação.

“A Nee-chan e o Onii-chan não podem se casar porque não têm dinheiro! Então eu também estou juntando dinheiro, para ajudar o Onii-chan a se tornar parte da nossa família de verdade mais rápido!”

   Ao ver Ryōta desejar do fundo do coração o casamento de Ayaka e Haruto, Tomoya fez uma expressão impressionada.

“Ter uma determinação dessas com tão pouca idade...”

   Tomoya olhou para Haruto com uma expressão extremamente séria.

“Haru, deixa o discurso do padrinho comigo.”

“Não, eu estou dizendo que isso é...”

“Você consegue mesmo olhar nos olhos do Ryōta-kun e chamar isso de brincadeira, Haru-san?”

“Ugh...”

“Haru-senpai, eu fico responsável pelo entretenimento da festa depois.”

   Shizuku seguiu Tomoya com um joinha, deixando Haruto sem palavras para responder. Saki também olhou para a “Caixa de Poupança para o Casamento” de Ryōta e, em seguida, voltou um sorriso provocador para Ayaka.

“Ayaka, certifique-se de jogar o buquê na minha direção quando for arremessar.”

“Ugh, Ryōta...”

   Ayaka cobriu o rosto vermelho vivo com as duas mãos para escondê-lo.

   Nesse momento, Ikue apareceu com um sorriso gentil.

“Certo, Ryōta. Você foi um bom menino e ajudou direitinho hoje também.”

   Dizendo isso, ela colocou uma moeda de cinquenta ienes dentro da “Caixa de Poupança para o Casamento” que Ryōta segurava com as duas mãos.

“Brigado, mamãe!”

   Ryōta agradeceu feliz e sacudiu a caixa, produzindo um som alto de chocalho enquanto as moedas já dentro dela batiam umas nas outras.

   Aos ouvidos de Haruto, aquele som pareceu incrivelmente alto.

   Usando a “Caixa de Poupança para o Casamento” de Ryōta como material, Tomoya e os outros provocaram Haruto e Ayaka sem piedade antes de irem para casa. Depois disso, como ainda havia um tempo antes do jantar, Haruto voltou ao quarto de Ayaka para estudar até a refeição ficar pronta.

“Haaah, aquilo foi vergonhoso...”

   Assim que voltou ao quarto, Ayaka caiu de bruços sobre a mesa e soltou um grande suspiro.

“A caixa de poupança do Ryōta-kun vai ser motivo de zoação por um bom tempo.”

“A Shizuku-chan com certeza vai usar isso contra mim.”

“Ahaha...”

   Como esse futuro era praticamente certo, Haruto apenas soltou uma risada seca.

“Poxa, a Shizuku-chan implica comigo por qualquer coisa. E a Saki e o Akagi-kun também entram na onda...”

   A “Caixa de Poupança para o Casamento” de Ryōta aparentemente havia sido demais até mesmo para Saki resistir, já que ela havia sorrido de lado e se juntado a Tomoya para provocá-los.

   Ao se lembrar disso, Ayaka inflou as bochechas de forma adorável e olhou para os lanches que ainda restavam sobre a mesa.

   Seu olhar pousou diretamente no Hokky.

“A caixa de poupança do Ryōta foi uma coisa, mas a Shizuku-chan também foi quem sugeriu o Jogo do Hokky. Eu não consigo fazer algo assim na frente de todo mundo... não é, Haruto-kun?”

“...É verdade. Se fizéssemos, só daria mais motivos para eles nos provocarem.”

“É...”

   Ayaka, concordando com as palavras de Haruto, encarou silenciosamente a caixa de Hokky por um tempo. Por fim, ela levantou a parte superior do corpo da mesa e lentamente estendeu a mão em direção ao Hokky.

“Mas... será que realmente é normal para casais jogarem coisas assim...?”

“Eh? Não, eu acho que a Shizuku só inventou isso.”

“Mas... eu também não acho que as palavras da Shizuku-chan sejam completamente falsas.”

   Dizendo isso, Ayaka se levantou, foi até a estante junto à parede, pegou um mangá e voltou para se sentar ao lado de Haruto.

“Olha, Haruto-kun, leia o título deste mangá.”

   Haruto conferiu o título do mangá que ela havia trazido, e sua bochecha deu uma leve contraída.

“Meu Namorado Mandão Me Ama Demais e Eu Estou em Apuros...?”

“Isso mesmo! ‘Bossy-Love’, para abreviar! Esse mangá é super interessante e popular!”

   Haruto gritou internamente ao ver os olhos dela brilhando.

     Então este era o motivo pelo qual o senso comum de Ayaka em relação a namorados estava completamente quebrado!!

   Diante da fonte de toda a pressão imposta ao seu coração durante as sessões de prática de namoro e afins, ele leu cuidadosamente o conteúdo do mangá shoujo.

   A cena que Ayaka mostrou retratava um garoto com uma aparência meio delinquente pressionando uma garota de aura tranquila a jogar o tal jogo mencionado.

   Embora a garota ficasse confusa com o garoto um pouco insistente, ela não parecia totalmente contra, provavelmente porque tinha sentimentos por ele.

“Isso é...”

“Isso mesmo!”

“Eles estão namorando?”

“Não, eles ainda não estão namorando nesse ponto!”

   Ayaka respondeu à pergunta de Haruto com os olhos brilhando.

“...Eles não estão namorando.”

“Sim. Mas, se você pensar pelo outro lado, se eles estão jogando esse jogo mesmo sem estarem namorando, então significa que é natural para casais fazerem isso, certo?”

“Eu... acho que sim...”

   Haruto assentiu, sentindo-se um pouco sobrecarregado pelo ímpeto de Ayaka.

   Haruto sentiu um arrepio percorrer seu corpo ao perceber o quanto um mangá shoujo popular podia influenciar a visão de uma garota sobre romance.

   Com Saki e os outros já tendo ido embora, o constrangimento de Ayaka havia desaparecido. Ansiosa para jogar o Jogo do Hokky com Haruto, ela colocou uma ponta de um palito de Hokky na boca e se virou para ele.

“Aqui, Haruto-kun.”

   Ayaka inclinou levemente o rosto para cima, alinhando a ponta do Hokky com a boca de Haruto. Haruto sentiu seu coração acelerar à medida que a situação fluía naturalmente para o Jogo do Hokky.

   Vendo-a avançar de forma tão agressiva, ele se lembrou das práticas de namoro durante as férias de verão e sentiu uma leve pontada de nostalgia. Naquela época também, ela havia avançado com várias coisas, como trocar palavras de amor casualmente ou oferecer-lhe um colo.

   A idol da escola, Tōjō Ayaka, na verdade era uma garota bastante ousada.

   Se os alunos da escola soubessem disso, que tipo de expressões eles fariam?

   Imaginar isso fez Haruto soltar uma pequena risada, e um leve sorriso se formou em seus lábios.

“O que foi, Haruto-kun?”

   Ayaka inclinou a cabeça de forma curiosa, com o Hokky ainda na boca.

   Haruto balançou a cabeça com um sorriso.

“Não, nada.”

   Respondendo a ela, Haruto colocou na própria boca a outra ponta do Hokky que se estendia da boca de Ayaka.

“...Isso é meio vergonhoso.”

“É. Está mais perto do que eu imaginava.”

   Com as duas pontas do Hokky presas entre os lábios, os dois coraram com a proximidade.

“E-Então... a gente começa a comer no ‘preparar, apontar, já’, tá bom? Vamos lá? Preparar... apontar... já.”

   Ao sinal de Ayaka, Haruto começou lentamente a comer o Hokky pelo seu lado.

   À sua frente, Ayaka também ia mordiscando o Hokky, observando Haruto atentamente.

   Quando ele mordeu a ponta do Hokky pela primeira vez, Haruto sentiu que a distância entre ele e Ayaka já era bem pequena, mas, conforme iam quebrando e comendo o doce, eles se aproximavam ainda mais.

   Por fim, a distância ficou constrangedora demais para Haruto manter contato visual, e ele fechou os olhos suavemente. Alguns segundos depois, uma sensação macia, cheia e cativante encontrou seus lábios enquanto ele mordia.

   Haruto puxou o rosto levemente para trás e abriu os olhos.

   Ayaka, sorrindo de forma tímida e adorável, preencheu seu campo de visão.

“...A gente acabou de se beijar normalmente.”

“É.”

   Dizendo isso um ao outro, os dois mastigaram lentamente o Hokky em suas bocas.

“Pensando bem, como é que se decide o vencedor e o perdedor desse jogo?”

“Acho que o perdedor é quem se afasta do Hokky antes do beijo, né?”

“E se beijar?”

“Hmm... talvez o vencedor seja quem comeu mais Hokky...?”

   Haruto inclinou a cabeça e respondeu à pergunta de Ayaka sem muita confiança.

   Em primeiro lugar, esse jogo era uma espécie de disputa de coragem, feito para aproveitar a emoção de possivelmente acabar em um beijo conforme o jogo avançava. Portanto, se um casal que não tinha nenhum problema em se beijar jogasse isso, acabaria virando apenas uma paquera descarada.

“Quem comeu mais agora, eu ou você, Haruto-kun?”

“Não sei. Eu fechei os olhos no final, então não tenho certeza.”

“Eu também.”

   Ayaka riu e pegou outro palito de Hokky, olhando para Haruto.

“Quer ir de novo?”

“Claro. O vencedor é quem come mais Hokky, certo?”

“Isso.”

   Como beijar já era algo inevitável para os dois, eles estabeleceram uma condição de vitória diferente da do jogo original.

   Haruto e Ayaka colocaram novamente as duas pontas de um palito de Hokky em suas bocas.

“Tá bom, vamos lá?”

   Desta vez, Haruto deu o sinal para começar.

“Preparar... apontar... já!”

   Ao mesmo tempo em que deu o sinal, Haruto tentou comer mais rápido do que antes. Mas, de repente, a voz doce de Ayaka chegou aos seus ouvidos.

“Eu te amo, Haruto-kun.”

“Q-Quê?!”

   Completamente pego de surpresa, Haruto sentiu o coração disparar, e sua boca parou de se mover. Aproveitando a abertura, Ayaka avançou pelo Hokky com grande impulso, aproximando-se dele rapidamente.

   Ao vê-la se aproximar, Haruto voltou à realidade e começou a comer o Hokky às pressas. No entanto, ele não conseguiu compensar o atraso inicial, e os dois acabaram se beijando em um ponto mais próximo de Haruto do que do centro do Hokky.

   Tendo garantido uma porção maior do Hokky em sua boca do que Haruto, Ayaka exibiu um sorriso satisfeito com o sucesso de sua estratégia. Observando-a saborear lentamente o Hokky, como se estivesse desfrutando do gosto da vitória, o espírito competitivo de Haruto se acendeu.

   Ele se lembrou.

   Da primeira vez que foram ao cinema, ela havia virado o jogo quando ele tentou segurar sua mão.

   Durante a prática de namoro, ele fora dominado pela Ayaka assertiva, e perdera a disputa de fogos de artifício no churrasco. E até mesmo no jogo de adivinhar sabores de raspadinha no festival do bairro, embora tivesse vencido, Ayaka havia mantido totalmente a iniciativa.

   Já estava na hora de deixá-la sem palavras.

   No momento em que esse pensamento brotou na mente de Haruto, o mangá shoujo que ele havia visto antes passou por sua cabeça. O garoto daquele mangá havia se aproximado da protagonista de forma bastante agressiva. A ponto de até parecer um pouco forçado.

     Será que Ayaka, na verdade, deseja algo assim?

   Pensando nisso, Haruto fixou o olhar em Ayaka, que ainda mastigava o Hokky tranquilamente.

   Então, ele estendeu lentamente o braço em sua direção e a puxou para um abraço.

“Fwe?”

   Os olhos de Ayaka se arregalaram com a ação repentina de Haruto, e um som meio bobo escapou de seus lábios.

   Haruto pressionou seus lábios contra os dela.

“Nn.”

   Pegada em uma sequência de surpresas, a boca de Ayaka se abriu levemente. Sem perder a oportunidade, Haruto roubou cada último pedaço do Hokky de dentro de sua boca.

Nnngh.”

   Os olhos de Ayaka se moveram de um lado para o outro diante da sequência de ações de Haruto.

   Satisfeito com a reação dela, Haruto engoliu o Hokky que havia roubado.

“Eu ganhei esta rodada.”

   Haruto declarou sua vitória. Então, Ayaka, que o observava com os olhos marejados e as bochechas coradas por causa do beijo repentino, voltou à realidade.

“...I-Isso é trapaça!! Isso foi falta!”

“Não existe nenhuma regra dizendo que não pode roubar o Hokky do oponente, existe?”

“Muuu~! Vamos ter uma revanche!”

“Tudo bem.”

   Haruto assentiu com um sorriso confiante ao ver Ayaka desafiá-lo, já toda empolgada.

   E assim, os dois colocaram o terceiro Hokky na boca.

   Haruto deu o sinal de início.

“Vamos lá? Preparar... apontar... já!”

   Ao sinal, Haruto e Ayaka começaram a comer o Hokky com vigor.

   Ayaka não podia usar a mesma estratégia duas vezes, então simplesmente comeu o Hokky o mais rápido que pôde. No entanto, as mordidas de Haruto eram decisivamente maiores, e ele acabou comendo a maior parte do Hokky que ela segurava.

“Fufun.”

   Tendo comido mais Hokky do que Ayaka, Haruto mastigou como se estivesse saboreando a vitória.

   Então, Ayaka estendeu as duas mãos para frente e apertou as bochechas do vitorioso sorridente, Haruto, entre as palmas. Ela puxou o rosto dele em sua direção e pressionou seus lábios contra os dele, tentando roubar o Hokky de sua boca.

   No entanto, Haruto manteve os lábios firmemente fechados, bloqueando a entrada e defendendo o Hokky até o fim.

“Mmm! Muuu!”

   Ayaka pressionou seus lábios contra os dele repetidas vezes, tentando de alguma forma roubar o Hokky de Haruto, mas os lábios dele se recusavam a se abrir. Ayaka abaixou lentamente as mãos das bochechas de Haruto, passou-as por baixo de seus braços e o abraçou com força.

“Você é tão maldoso, Haruto-kun...” disse Ayaka com uma voz triste, abatendo-se desanimada.

   Ao vê-la assim, Haruto entrou em leve pânico.

“V-Você não precisa ficar tão para baixo—”

“Te peguei!!”

“Guh.”

   Haruto havia começado a abrir a boca para oferecer palavras de consolo.

   Ayaka não perdeu aquela abertura de fração de segundo; ela rapidamente pressionou seus lábios contra os dele e roubou o Hokky de sua boca com um beijo apaixonado.

“Mufufufu.”

   Com sua estratégia bem-sucedida, Ayaka comeu feliz o Hokky que havia roubado de Haruto.

   Ela engoliu o Hokky mastigado e sorriu radiante.

“Essa foi minha vitória.”

“Não, isso foi...”

“Não existe nenhuma regra dizendo que não pode roubar o Hokky do oponente.”

   Ayaka devolveu exatamente as palavras que Haruto havia dito antes.

   Diante disso, Haruto deu um sorriso torto, murmurou internamente “não dá para ganhar dela”, e pegou mais um palito de Hokky.

“Então, vamos mais uma vez?”

“Sim, vamos.”

   Depois disso, os dois continuaram jogando o Jogo do Hokky com regras bem distantes do jogo original.

 

 

Traduzido por Moonlight Valley

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