Volume 5
Capítulo 3: A Estratégia de Shizuku
Ōtsuki Haruto
No pátio da escola, banhado pela luz persistente do sol de verão.
Haruto estava sentado de pernas cruzadas na grama, à sombra de uma árvore, encarando distraidamente a marmita que havia trazido.
Vendo que os hashis de Haruto não se mexiam nem um pouco, Tomoya, sentado de pernas cruzadas ao lado dele, falou.
“Ei, Haru. Sofrendo de cansaço do verão? Se não estiver com apetite, me dá esse frango frito.”
“Pode pagar...”
“Você vai mesmo me dar? Tem certeza? Eu vou comer, hein.”
“Vai logo...”
Haruto, com a mente claramente em outro lugar, continuou respondendo de forma apática e distraída.
“Eu perguntei direito, então não reclame depois”, disse Tomoya, e então se serviu do frango frito da marmita de Haruto.
“Hmm, sua marmita é deliciosa como sempre.”
“Pode...”
“...Ei, Haru. Tem algo errado com seus ouvidos? Você ficou mexendo nos lóbulos o tempo todo.”
Já fazia um tempo que Haruto vinha beliscando os lóbulos das orelhas entre o indicador e o polegar, puxando-os de leve e brincando com eles.
“...Ei, Tomoya.”
Após um leve atraso, ele virou lentamente o rosto na direção de Tomoya.
“Você já teve o lóbulo da orelha mordido?”
“Hã? Lóbulo da orelha? Ah, não...”
Tomoya parecia confuso com a pergunta de Haruto.
“O que foi, Haru? Um cachorro de rua te atacou ou algo assim?”
“Talvez... eu tenha sido atacado...”
“Sério?! Você está bem?!”
“Sim... Não é como se eu tivesse odiado ou algo assim. Na verdade, foi até meio bom, eu acho... Ter a orelha mordida não é tão ruim...”
“Você... está falando sério?”
A expressão de Tomoya se contorceu. Já Haruto continuava respondendo de forma vazia, com a mente claramente em outro lugar.
Enquanto os dois mantinham aquela conversa desencontrada, uma voz os chamou à distância.
“Ah, ali estão eles. Ōtsuki-kun.”
Era Saki.
Ao avistar Haruto e Tomoya no pátio, ela se aproximou, acenando levemente com a mão.
“Aizawa-san, o que foi?”
Haruto ergueu o olhar para Saki quando ela entrou na mesma área de sombra.
“Eu queria te perguntar uma coisa, Ōtsuki-kun. Posso me sentar aqui?”, disse Saki, apontando para o espaço ao lado de Tomoya.
“Fique à vontade.”
“Obrigada.”
“A Tōjō-san não está com você?”
“Ah, a Ayaka ainda está sendo bombardeada com perguntas, como sempre.”
Saki normalmente era vista junto de Ayaka, mas agora não estava com ela.
Saki deu um sorriso torto e solidário, imaginando Ayaka provavelmente cercada por um monte de estudantes.
“O interesse dos nossos colegas pela Tōjō-san é meio anormal, não é?”
“Pois é. Mas se todo mundo descobrisse o segredo da Ayaka, a escola inteira ficaria em chamas.”
Saki concordou com Tomoya, então lançou um sorriso provocador para Haruto.
“...O que você queria me perguntar, Aizawa-san?”
Recebendo o olhar de Saki, Haruto coçou a cabeça com uma das mãos para esconder o constrangimento antes de perguntar.
“Ah, é mesmo. Eu ouvi da Ayaka, mas é verdade que a Dōjima-san é tipo uma amiga de infância sua, Ōtsuki-kun?”
“A Shizuku? Bem, a Shizuku é a filha única do mestre do dojô de karatê que eu frequento desde criança, então acho que dá para chamá-la de amiga de infância.”
“Hmm, entendo...”
Saki colocou a mão no queixo e assentiu profundamente diante da explicação de Haruto.
“Tem algo de errado com a Shizuku?”
“Hoje de manhã, a caminho da escola, a Ayaka encontrou aquela Dōjima-san. E aparentemente, a Dōjima-san pediu para ser amiga dela.”
Ao ouvir as palavras de Saki, os olhos de Haruto se arregalaram levemente, surpresos.
“Oi? A Shizuku fez isso?”
“Isso mesmo. E elas até vieram juntas para a escola hoje.”
“Sério...?” murmurou Haruto, e então começou a pensar no que Shizuku estaria pensando ao se aproximar tanto de Ayaka. Nesse momento, Tomoya falou.
“Você contou para a Shizuku-chan sobre você e a Tōjō-san, né?”
“Contei. E ela disse que ia me ajudar, mas...”
“Hm? Então a Shizuku-chan está tentando virar amiga da Tōjō-san para ajudar vocês?”
Diante da pergunta de Tomoya, Haruto torceu os lábios.
“Acho que sim...”
Haruto não fazia ideia de como Shizuku se tornar amiga de Ayaka poderia ajudar.
Percebendo a confusão dele, Saki falou com um sorriso irônico.
“A Ayaka veio me pedir conselhos hoje de manhã. Ela disse que a Dōjima-san falou para ela: ‘Vamos ser melhores amigas para a vida toda.’”
“Ah, isso é bem a cara da Shizuku.”
Haruto conseguia imaginá-la dizendo aquilo, e um sorriso se formou inconscientemente em seus lábios.
“A Shizuku é um pouco estranha, mas é uma pessoa realmente boa. Então acho que podemos confiar nela quando ela diz que vai ajudar.”
“Entendo. Se você diz isso, Ōtsuki-kun, então a Dōjima-san deve ser uma boa garota.”
Saki assentiu às palavras de Haruto.
Nesse momento, o sinal preliminar indicando o fim do intervalo do almoço ecoou pelo terreno da escola.
“Droga, eu não comi nada da minha marmita.”
Haruto olhou apressado para a marmita em seu colo.
Então percebeu que o prato principal, o frango frito, havia desaparecido completamente, e lançou um olhar afiado para Tomoya.
“Ei, Tomoya...”
“Eu perguntei direito antes de pegar!”
“Mas você comeu tudo?!”
“Ahahahaha, vocês dois se dão tão bem.”
Saki riu, divertida com a discussão entre Haruto e Tomoya por causa da marmita.
Mais tarde, depois que as aulas da tarde terminaram, Haruto estava na sala de aula, se preparando para ir embora.
Ele lançou um olhar na direção de Ayaka, no centro da sala, e viu que ela já estava cercada por um grupo de alunas.
Haruto soltou um pequeno suspiro e jogou a bolsa no ombro.
Ele estava prestes a sair da sala quando, assim como no dia anterior, Shizuku apareceu na porta dos fundos.
Será que ela veio me chamar para ir para casa com ela de novo?, pensou Haruto, começando a caminhar em sua direção.
No entanto, Shizuku apenas lançou um rápido olhar para ele antes de erguer a voz e chamar em direção ao centro da sala.
“Aya-senpaaaai! Vamos para casa juntas!”
Haruto ficou tão surpreso com as palavras inesperadas de Shizuku que apenas ficou olhando para ela.
Enquanto isso, Shizuku entrou na sala e foi abrindo caminho à força pelo grupo de garotas que cercava Ayaka.
“Vamos, senpai, vamos embora. Hora de bater o ponto do dia.”
“Ah, e-espere, Shizuku-chan.”
Shizuku agarrou o braço de Ayaka e puxou. Ayaka parecia confusa.
Vendo isso, uma das garotas que Shizuku havia empurrado lançou-lhe um olhar desconfiado.
“Ei, o que você pensa que está fazendo, chegando assim do nada? Não está vendo que está incomodando a Tōjō-san?”
“Hm? Do que você está falando? Não tem como a Aya-senpai estar incomodada. Afinal, somos melhores amigas para a vida toda.”
“Hã? Eu não faço a menor ideia do que você está falando.”
A garota zombou. Mas Shizuku não se intimidou nem um pouco. Em vez disso, respondeu com um tom exasperado.
“Sinceramente, você não consegue nem entender algo tão simples. Além disso, não são vocês que estão incomodando a Aya-senpai? Cercando ela assim mesmo depois que as aulas já acabaram.”
“Com licença, nós estávamos conversando. Estávamos nos divertindo. Entendeu?”
“Oh? Ficar despejando perguntas unilaterais agora é conversa? Senpai, você já ouviu falar do conceito de ‘trocar passes’ com palavras?”
Talvez irritada com a garota que estava arrumando briga com ela, Shizuku carregou suas palavras de espinhos.
As sobrancelhas da garota se ergueram diante da atitude dela.
“Qual é o seu problema? Você é do primeiro ano, não é? Não tem respeito nenhum pelos veteranos? Existe um limite para o quão rude você pode ser.”
“Eu mostro respeito àqueles que merecem, independentemente de serem meus veteranos ou não.”
“Ei, qual era mesmo o seu nome, Dōjima? Quem você pensa que é?”
[Almeranto: O bixo tá pegando hein kkkkkk. Ainda bem que a Shizuku é braba no karatê.]
A garota enrolou o cabelo tingido de forma chamativa em torno do dedo indicador e lançou um olhar afiado para Shizuku.
Encarando aquele olhar de frente, Shizuku retribuiu o olhar, ainda com a expressão vazia, sem o menor sinal de medo.
“Acho que sou a Shizuku-sama, mas e daí?”
“Hã?”
Uma atmosfera tensa se instalou entre a garota e Shizuku.
Ayaka olhou de uma para a outra e então levou as mãos ao peito, aflita, tentando acalmá-las.
“V-Vocês duas, por favor, se acalmem, está bem?”
“Tōjō-san, essa garota é mesmo sua amiga?”
“Diga a ela, Aya-senpai. Que somos melhores amigas desde nossas vidas passadas.”
“Hã?! E-Eu, bem...”
Shizuku e a garota se viraram e pressionaram Ayaka dos dois lados.
Sobrecarregada pela pressão, Ayaka entrou em pânico e as palavras ficaram presas em sua garganta.
Nesse momento, Saki, que observava a situação de perto, deslizou para entre Ayaka e Shizuku com um sorriso animado.
“Calma, calma, calma! Vamos nos acalmar. A Shizuku-chan ama a Ayaka já faz muito tempo.”
“Hm? ...Isso mesmo. Afinal, somos melhores amigas.”
Por um instante, parecia que um ponto de interrogação surgiu sobre a cabeça de Shizuku com a aparição repentina de Saki, mas ela logo entrou na brincadeira.
“Digamos que eu goste das minhas três refeições por dia só um pouquinho mais do que eu gosto da Aya-senpai.”
“Ei! Você devia gostar mais da Ayaka do que de comida!”
Saki retrucou imediatamente a Shizuku, que estufava o peito com orgulho apesar da expressão vazia.
“Ei, Aizawa? Essa garota era mesmo amiga da Tōjō-san?”
“Isso mesmo. Não é, Ayaka?”
“Ah, uhum, uhum.”
Ao olhar de Saki, Ayaka balançou a cabeça vigorosamente.
“Hmph.”
Vendo as reações de Ayaka e Saki, a garota olhou para Shizuku com uma expressão descontente.
Saki era conhecida por todos como a amiga de infância de Ayaka e sua companheira mais próxima.
Com ela reconhecendo Shizuku como amiga de Ayaka, e a própria Ayaka concordando com um aceno de cabeça, a garota não teve outra escolha senão aceitar.
A garota soltou um “Hmph” irritado, desviou o olhar de Shizuku e saiu do círculo de estudantes que cercava Ayaka.
Shizuku acompanhou as costas da garota com o olhar por um momento, depois se virou para Saki.
“Você também vai voltar para casa com a gente, Aizawa-senpai?”
“Hã? ...Acho que sim. Que tal irmos nós três juntas para casa?”
Saki pareceu surpresa por um instante com o convite de Shizuku, mas logo abriu um sorriso.
Parecendo satisfeita com a resposta de Saki, Shizuku agarrou o braço de Ayaka e começou a puxá-la.
“Vamos, vamos, vamos para casa, Aya-senpai. Está na hora de let's-a-go para casa.”
[Almeranto: Referências… | Del: Cuidado porque se não vem processo.]
“Ah, espera, Shizuku-chan!”
Ayaka rapidamente pegou a bolsa ao lado de sua carteira e se deixou ser puxada por Shizuku.

Saki veio logo atrás delas com um sorriso irônico.
As três seguiram em direção à saída da sala de aula, mas Shizuku parou de repente no meio do caminho.
“O que foi, Haru-senpai? Você ficou me lançando olhares tão apaixonados esse tempo todo.”
“Hã? N-Não, eu não estava...”
Haruto pareceu surpreso por ser subitamente interpelado por Shizuku.
“Não tem jeito. Você pode voltar para casa com a gente também, Haru-senpai.”
“Hã? Ah... t-tudo bem.”
Haruto, entendendo imediatamente a intenção de Shizuku, assentiu de forma um pouco aflita.
“Você vem com a gente também, Tomo-senpai?” Shizuku perguntou em seguida a Tomoya, que estava ao lado de Haruto.
“Tudo bem se eu for junto?”
“Claro.”
“Então eu acompanho vocês.”
“Mm, muito bem. Pode se aproximar.”
Com essa troca, o grupo de três garotas — Ayaka, Saki e Shizuku — se tornou um grupo de cinco, incluindo Tomoya e Haruto, e eles deixaram a sala de aula, atraindo a atenção dos outros alunos.
Depois de saírem do terreno da escola e caminharem por um tempo, Shizuku correu alguns passos à frente do grupo e se virou.
Ela estava com uma expressão extremamente triunfante no rosto.
“O que você acha, Haru-senpai? Do meu plano perfeito?”
Shizuku colocou as mãos na cintura e estufou o peito com orgulho.
“Estou impressionado. Você é incrível, Shizuku.”
“Hm, hm, me elogie mais.”
“Sim, Shizuku-sama.”
Haruto fez uma reverência exageradamente profunda em resposta à Shizuku, que parecia satisfeita.
O plano de Shizuku era o seguinte: ao se tornar amiga de Ayaka, Shizuku se tornaria uma amiga em comum tanto de Haruto quanto de Ayaka.
Então, usando essa posição, ela poderia naturalmente diminuir a distância entre os dois.
Na escola, o relacionamento entre Haruto e Ayaka agora era o de amigos de um amigo, por meio de Shizuku.
“Ah, Shizuku-chan... obrigada.”
“Você também, Aya-senpai. Me elogie.”
“Ah, s-sim. Você é incrível, Shizuku-chan.”
“Fufufun.”
Ao ouvir o elogio de Ayaka, Shizuku bufou alegremente.
Nesse momento, Tomoya, que caminhava ao lado de Haruto com um sorriso divertido, entrou na conversa.
“A propósito, estava tudo bem a gente ir junto mesmo?” perguntou ele, lançando um olhar para Saki.
“Não tem problema nenhum. Na verdade, é até mais conveniente ter pessoas além da Aya-senpai e do Haru-senpai por perto no começo”, respondeu Shizuku à pergunta de Tomoya, fazendo um sinal de positivo com o polegar.
“Fica mais natural ter outros personagens secundários por perto, em vez de destacar apenas o Haru-senpai e a Aya-senpai.”
“Ahaha, personagens secundários, é…?”
“Sim, personagens secundários.”
Tomoya riu animado com a franqueza de Shizuku.
Ao ouvir a explicação de Shizuku, Saki assentiu, impressionada.
“Entendo.”
“Dōjima-san, eu achei que você fosse meio imprudente, mas você pensou tudo direitinho.”
“Claro. Aliás, eu te convidei por impulso, mas quem é você mesmo, senpai?”
Shizuku inclinou levemente a cabeça ao se virar para encarar Saki.
Diante da reação dela, Saki deu um sorriso sem graça e se apresentou.
“Ahaha, eu sou Aizawa Saki. Acho que você pode me chamar de amiga de infância e melhor amiga da Ayaka.”
“Oh, então a Aya-senpai tinha uma melhor amiga de verdade. Eu achei que ela fosse solitária.”
“Por que você achou que eu era solitária?!”
“Não é um clichê clássico? A garota bonita que é perfeita demais para ter amigos.”
“Eu não tenho esse tipo de passado!”
“Que pena.”
“Que pena?!”
Ayaka pressionou Shizuku, perguntando: “O que você quer dizer com ‘que pena’?!”
Mas Shizuku desviou friamente das perguntas dela.
Os cinco continuaram caminhando em um clima animado.
Quando chegaram a um cruzamento, Tomoya levantou a mão.
“Bom, eu tenho algo para resolver na estação, então vou sair por aqui.”
“Oh, eu vou para casa de trem, então quer caminhar até a estação comigo?” sugeriu Saki em resposta a Tomoya.
“Você vai de trem, Aizawa-san? Então sim, vamos juntos.”
“Certo. Até mais, pessoal.”
“Tchau, Saki.”
Ayaka interrompeu a brincadeira com Shizuku para acenar.
Haruto e Shizuku também levantaram a mão.
Depois que Tomoya e Saki foram embora, os três restantes caminharam com Haruto no meio e Ayaka e Shizuku de cada lado.
Haruto lançou um olhar para Shizuku, que caminhava à sua direita.
“Mas falando sério, obrigado, Shizuku. Graças a isso, acho que vou conseguir me aproximar da Ayaka aos poucos na escola também.”
“Eu fiquei surpresa quando você de repente pediu para ser minha melhor amiga hoje de manhã, mas obrigada, Shizuku-chan.”
“Minha assistência está só começando. Vou aparecer nas salas de aula de vocês de vez em quando a partir de agora.”
“Entendo. Muito obrigado. Deixe-me fazer algo para te agradecer da próxima vez.”
“Oh, não, não, de jeito nenhum. Seria presunçoso demais da minha parte pedir como agradecimento os profiteroles da loja de departamentos perto da estação.”
“O-Oh.”
Diante das travessuras habituais de Shizuku, Haruto assentiu com um sorriso irônico.
Ayaka, observando os dois, cobriu a boca e soltou uma risadinha.
Nesse momento, como se tivesse se lembrado de algo, Haruto falou com Shizuku.
“Somos realmente gratos pela sua ajuda, mas... seria ótimo se você tentasse não causar muitos problemas.”
“Você está se referindo às veteranas que estavam cercando a Aya-senpai?”
“Bom, sim.”
Talvez por ter trilhado o caminho das artes marciais desde criança, Shizuku era incrivelmente forte mentalmente.
Além disso, como também era bastante habilidosa no karatê, ela não tinha medo de expressar o que pensava para qualquer pessoa com quem discordasse, fosse mais velha ou homem.
Esse era um de seus pontos fortes, mas ao mesmo tempo também a tornava propensa a problemas.
“Hm, não é minha intenção causar caos na sua turma, Haru-senpai... Entendido. Vou tomar cuidado para causar o mínimo de problemas possível.”
“Obrigado, isso já ajuda bastante.”
Haruto inclinou a cabeça em agradecimento a Shizuku.
Ayaka, ouvindo a conversa deles, abriu lentamente a boca.
“Ei, Shizuku-chan.”
“Sim?”
“Você não sente medo? Sabe... de dizer o que pensa, de falar sua opinião diretamente para as pessoas.”
“...Há momentos em que sinto”, respondeu Shizuku após uma breve pausa.
“Eu posso ser importunada por confrontar uma veterana. Pode virar alvo de bullying. E por causa desse bullying, eu posso perder amigos. Mas coisas assim não importam para mim. Quando você decide que não importam, o medo desaparece naturalmente.”
“Hã? E-Essas coisas não importam?” Ayaka perguntou novamente, com os olhos arregalados de surpresa.
“Elas não importam. Qualquer pessoa que se afastaria de mim só porque fui alvo de bullying por uma veterana não é uma amiga de verdade. Não me importa se cem pessoas assim desaparecerem.”
Depois de dizer isso, Shizuku olhou para Haruto.
“Mais importante do que isso, eu quero valorizar meus laços com as pessoas que continuariam me tratando da mesma forma mesmo que isso acontecesse.”
“Por que você está olhando para mim quando diz isso?” disse Haruto, coçando a nuca, constrangido.
“Porque não importa o que aconteça, você ainda será meu amigo, Haru-senpai.”
“...Se você ficasse um mês sem tomar banho, eu definitivamente manteria distância.”
“Nesse caso, você pode me dar banho, Haru-senpai.”
Enquanto dizia isso, Shizuku abraçou com força o braço direito de Haruto.
Instantaneamente, as sobrancelhas de Ayaka se ergueram.
“Sh-Shizuku-chan!”
Ayaka chamou o nome de Shizuku em protesto e então puxou o braço esquerdo de Haruto para si, tentando arrancar Shizuku dele.
“Eu fico feliz que você esteja nos ajudando, mas abraçar o Haruto-kun não pode!!”
“Hm? Mas você também está abraçando ele, Aya-senpai.”
Shizuku, com uma expressão de desagrado por ser afastada de Haruto, fez um beicinho e protestou contra Ayaka, que segurava o braço esquerdo dele com as duas mãos.
“E-Eu sou a namorada do Haruto-kun! É normal uma namorada abraçar o próprio namorado!”
“Então também é normal uma amiga de infância abraçá-lo. Hiyah!”
Com um grito animado, Shizuku mais uma vez se atirou no braço direito de Haruto.
“Ei! Eu já disse que você não pode fazer isso, Shizuku-chan!”
“Aya-senpai, uma mulher possessiva e grudenta seria largada pelo Haru-senpai num piscar de olhos, sabia?”
“Isso não é verdade! O Haruto-kun me ama de verdade!” disse Ayaka, desesperada, puxando com força o braço esquerdo de Haruto.
Em resposta, Shizuku falou em um tom calmo e frio, com a expressão ainda inalterada.
“Não basta apenas pedir amor, Aya-senpai.”


“Eu não estou apenas pedindo! E-eu também a-amo o Haruto-kun!!”
No momento em que Ayaka gritou seu amor por Haruto, Shizuku imediatamente soltou o braço dele.
Então, em uma rara quebra de sua expressão inexpressiva, ela abriu um sorrisinho de canto.
“Então é isso que você diz... Haru-senpai, que bom para você.”
“Você...”
“Obrigada pelas palavras apaixonadas de amor pelo Haru-senpai, Aya-senpai.”
Finalmente percebendo que havia sido enganada por Shizuku, Ayaka ficou vermelha até as orelhas.
“U-Ugh... Sua idiota, Shizuku-chan...”
Ayaka cobriu o rosto vermelho como um tomate com as duas mãos, sua voz fraca e trêmula.
Vendo isso, Shizuku olhou para Haruto e disse,
“O que acha, Haru-senpai? Ver uma garota bonita se contorcendo de vergonha e corando assim. Isso não mexe com você?”
“Shizuku... por favor, pare de provocar a Ayaka.”
“Vou me esforçar.”
Descartando levemente as palavras de Haruto, Shizuku voltou seu olhar para a ainda completamente vermelha Ayaka.
Para Haruto, parecia haver um leve traço de diversão nos olhos dela.
Embora tivesse dito que iria “se esforçar”, Shizuku parecia ainda não ter se cansado de provocar Ayaka, e um raro e leve sorriso surgiu em seus lábios.
“Vamos, Aya-senpai? Se você não gritar seu amor pelo Haru-senpai, eu vou abraçá-lo de novo.”
Caminhando pelo lado direito de Haruto, Shizuku fingiu exageradamente que estava prestes a abraçá-lo, entoando: “Vaaai, vaaai.” Ayaka, ainda com as orelhas vermelhas, encarou Shizuku com os olhos marejados de vergonha.
“Ugh... Você é tão malvada, Shizuku-chan... Vou cortar relações com você!”
“Se isso acontecer, você não vai conseguir se aproximar do Haru-senpai na escola, sabia? Tudo bem para você?”
“Ugh...”
“Vamos, vamos, Aya-senpai. Grite seu amor mais uma vez, como antes.”
Shizuku provocava Ayaka sem piedade, sua expressão contida, mas seu tom claramente satisfeito.
Haruto levantou a voz para detê-la.
“Eu já disse, pare de provocar a Ayaka.”
Observando aquela troca, ficava difícil dizer quem era a veterana e quem era a novata.
“Entendo. Então você está do lado da sua amada namorada, Haru-senpai?”
“Bem, sim. Afinal, eu sou o namorado da Ayaka.”
“Haruto-kun...”
Ayaka sorriu timidamente, parecendo feliz com as palavras de Haruto. Ao ver isso, Shizuku estufou as bochechas, ainda mantendo o rosto inexpressivo.
“Hmph. No fim das contas, eu sou só a vela.”
Haruto deu um sorriso torto diante do tom emburrado de Shizuku.
“Mas, falando sério, eu sou grato a você, Shizuku. Graças à sua ajuda, agora eu tenho uma forma de interagir com a Ayaka na escola.”
“Você está mesmo grato?”
Shizuku lançou a Haruto um olhar desconfiado.
“Sim, estou.”
“E você também é grata, Aya-senpai?”
“Sim, sou grata do fundo do coração, sabia?”
“Então me beije, Haru-senpai.” Shizuku disse algo absurdo com uma expressão completamente séria.
Haruto, já acostumado às brincadeiras dela, apenas riu com um “Haha”, mas Ayaka, sem nenhuma resistência a Shizuku, entrou completamente em pânico e protestou com veemência.
“O que você está dizendo, Shizuku-chan?!”
“Já que vocês dois dizem que são gratos, pensei em receber uma prova dessa gratidão.”
“Por que isso teria que ser um beijo do Haruto-kun?!”
“Ah, viu só, Aya-senpai? Você sempre tenta monopolizar o Haru-senpai desse jeito.”
“Eu sou a namorada dele, então é claro que faço isso!”
Abraçando firmemente o braço esquerdo de Haruto novamente, Ayaka implorou desesperadamente. Diante da reação dela, Shizuku estreitou os olhos.
“Ficando tão agitada assim... não me diga, Aya-senpai... você ainda não beijou o Haru-senpai?”
Provocada pelas palavras de Shizuku, Ayaka rebateu com veemência.
“N-Nós beijamos!”
“Não na bochecha, sabe? Boca com boca.”
“N-Nós também fizemos boca com boca!!”
“Então, vocês deram beijo de língua?”
“B-B-Be-Beijo de l-língua... de língua... de língua também...”
Sob o olhar desconfiado de Shizuku, Ayaka tentou responder, com as bochechas queimando de vergonha, mas estava tão envergonhada que tropeçava nas próprias palavras. Incapaz de continuar assistindo, Haruto interrompeu Shizuku mais uma vez.
“Dê um descanso para ela, Shizuku. Ayaka, acalme-se um pouco.”
“Auh... tá bom...”
Ayaka baixou a cabeça, seu rosto tão vermelho que parecia que vapor começaria a sair dela.
“Uma Aya-senpai tímida é fofa.”
“Eu te odeio, Shizuku-chan...”
“Acho que vou acabar te amando de verdade, Aya-senpai.”
Haruto exibiu um sorriso cansado e torto enquanto as duas garotas trocavam provocações sobre ele.
Depois disso, eles caminharam por alguns minutos, repetindo o ciclo de Shizuku provocando Ayaka e Haruto a interrompendo. Quando chegaram a outro cruzamento, Shizuku parou de andar.
“Bom então, Aya-senpai, eu vou por aqui.”
“Ah, é mesmo? Nós vamos por aqui, então é a direção oposta.”
Shizuku apontou para a direita do cruzamento, e Ayaka apontou para a esquerda.
“Então é aqui que nos separamos. Até mais, Shizuku-chan.”
Ayaka parecia aliviada por se livrar das provocações de Shizuku. Ela rapidamente acenou com a mão direita, dizendo “Tchau-tchau” para Shizuku. No entanto, a sobrancelha de Shizuku tremeu em reação às palavras de Ayaka.
“Nós...? A sua casa não fica logo à frente, Haru-senpai?”
Vendo Shizuku inclinar a cabeça, confusa, Haruto coçou a cabeça com uma das mãos e falou de forma um pouco constrangida.
“Ah... na verdade, no momento, eu estou ficando na casa da Ayaka.”
“O que você disse?!”
A declaração de Haruto deve ter sido um grande choque, pois a expressão inexpressiva habitual de Shizuku desmoronou, e seus olhos se arregalaram de surpresa.
“Aya-senpai, você já começou a morar junto com o Haru-senpai de forma estratégica?!”
“Ah, não, hum... é um pouco diferente de morar junto...”
“O que tem de diferente nisso?! Se amantes morando sob o mesmo teto não é morar junto, então o que é?!”
Dizendo isso, Shizuku avançou sobre Ayaka. Em resposta, Ayaka levantou as mãos em um gesto de “calma” para apaziguar a empolgada Shizuku.
“U-Uhm, sabe... o Haruto-kun está ficando na minha casa porque a avó dele está trabalhando como empregada residente para a nossa família...”
“A avó do Haru-senpai é empregada na sua casa, Aya-senpai?”
Com a explicação de Ayaka, Shizuku franziu a testa e desviou o olhar para Haruto. Recebendo o olhar dela, Haruto explicou sua situação atual.
“Na verdade, o restaurante onde minha avó costumava trabalhar fechou, e quando ela estava procurando um novo emprego, a família da Ayaka a contratou como empregada.”
“Entendo... mas como isso levou você e a Aya-senpai a morarem juntos, Haru-senpai?”
“Ah, isso foi sugestão do Shūichi-san... o pai da Ayaka.”
Haruto explicou as circunstâncias de como acabou indo morar na casa da Ayaka.
Shizuku ouviu a explicação até o fim, então cruzou os braços e assentiu lentamente, murmurando: “Hmm.”
“Entendo... Prender o Haru-senpai com a família inteira, e ainda acolher o ponto fraco dele, a avó... Você é uma grande estrategista, não é, Aya-senpai?”
“O-O que você quer dizer, Shizuku-chan? Eu só queria ajudar o Haruto-kun, só isso.”
Ayaka respondeu um pouco rápido demais, embora mantivesse um sorriso no rosto.
Shizuku a encarou com os olhos semicerrados e murmurou em resposta: “Que atitude tão admirável.”
“De qualquer forma, contratar uma empregada significa que sua família é super rica, Aya-senpai?”
“Ah... bem...”
Haruto ficou sem resposta e olhou para Ayaka.
“Hum... eu acho? Meu pai e minha mãe administram as próprias empresas, então...”
“Você é herdeira de presidentes de empresa, Aya-senpai?”
“É estranho ser chamada de ‘herdeira’ nesse sentido, mas acho que... tecnicamente?”
Ayaka inclinou a cabeça, hesitante, e olhou para Haruto.
“Bom, considerando apenas o cargo, não é isso mesmo? Já que tanto o Shūichi-san quanto a Ikue-san são presidentes.”
Vendo Haruto assentir em concordância, Shizuku olhou para o céu.
“Com essa aparência, esse corpo incrível, e agora ainda um histórico familiar prestigioso... Igualdade não passa de uma fantasia vazia, afinal...”
Enquanto Shizuku murmurava com uma expressão vazia, Ayaka só conseguiu manter um sorriso tenso no rosto.
“Aya-senpai, se você é tão rica assim, isso significa que sua casa é enorme também?”
“Umm, eu não sei? Talvez um pouco maior que uma casa normal?”
Shizuku lançou um olhar para Ayaka, que desviava os olhos enquanto respondia, e então olhou para Haruto ao lado dela.
“Bom, para dizer de forma moderada, a casa da Ayaka é uma mansão.”
“Hoh.”
Haruto complementou a explicação de Ayaka com palavras concisas. Ao ouvir isso, Shizuku colocou uma mão no queixo e assentiu levemente, como se estivesse pensando em algo. Então, após uma pausa, ela alternou o olhar entre Haruto e Ayaka.
“Eu pensei na próxima estratégia.”
“Eh? Que tipo?”
Ayaka deu meio passo à frente para perguntar.
“Fufufu, isso é segredo. Aliás, já que sua casa é uma mansão, é espaçosa, certo, Aya-senpai?”
Shizuku olhou para Haruto como se estivesse confirmando.
“Sim, é espaçosa.”
“Então não tem problema. Ah, é mesmo, Aya-senpai, vamos trocar contatos.”
“Eh? Ah, tá bom.”
Diante do pedido repentino de Shizuku, Ayaka tirou o smartphone, atrapalhada, mas concordando, e elas trocaram informações de contato.
Shizuku ficou olhando por um momento para o ícone de Ayaka, que havia sido adicionado ao aplicativo de mensagens, antes de erguer o rosto da tela.
“Bom então, amanhã eu falo com você sobre a estratégia.”
Dizendo isso, Shizuku virou-se rapidamente de costas para Haruto e Ayaka e foi embora.
“Haruto-kun, o que você acha que é a estratégia da Shizuku-chan?”
“Hmm, eu a conheço há muito tempo, mas é difícil prever as ações dela.”
Haruto respondeu com um sorriso torto à Ayaka confusa.
Traduzido por Moonlight Valley
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