Volume 4
Capítulo 9: Assistindo aos Fogos de Artifício Juntos
Ōtsuki Haruto
Haruto sempre acorda cedo para estudar; esse hábito já estava tão enraizado nele que, na manhã seguinte à noite em que passou na casa dos Tōjō, ele acordou como de costume, justamente quando o céu começava a clarear.
Haruto sentou-se lentamente e, quando por acaso lançou um olhar para o lado, viu Ryōta dormindo com braços e pernas bem abertos, em forma de estrela.
“Esse é o Ryōta-kun mesmo. Que jeito ousado de dormir”, murmurou para si mesmo com um sorriso.
Haruto estendeu o cobertor-toalha que estava todo amassado aos pés de Ryōta e o colocou sobre o estômago dele. Então, tomando cuidado para não atrapalhar o rosto tranquilo de um Ryōta dormindo, saiu lentamente do futon, pegou uma toalha de mão e sua escova de dentes da bagagem no canto do quarto e seguiu para o lavatório do primeiro andar.
Ainda se sentindo sonolento, Haruto escovou os dentes distraidamente enquanto encarava seu reflexo no espelho do lavatório.
O lavatório da família Tōjō era espaçoso e predominantemente branco, condizente com uma mansão, e Haruto sentiu um leve toque de elegância ao lavar o rosto e secá-lo com a toalha de mão que havia trazido.
Depois de lavar o rosto com água fria, o sono já havia desaparecido completamente. Haruto soltou um pequeno suspiro e usou o espelho para ajeitar sua aparência. Foi então que notou manchas brancas de água na borda do espelho.
“Hm? O que é isso...”
Haruto aproximou o rosto da mancha que havia percebido. Então, encontrou várias outras também.
“Hm... Isso está me incomodando...”
Murmurando para si mesmo, Haruto prontamente puxou alguns produtos de limpeza debaixo do lavatório.
Como havia feito serviços domésticos para a família Tōjō durante as férias de verão, Haruto já estava muito familiarizado com a casa.
O frasco de spray que ele segurava agora continha um limpador caseiro para manchas de água, feito com vinagre de acordo com a receita de sua avó, o mesmo que ele usara quando cuidava da limpeza da casa deles.
Ele borrifou o limpador caseiro sobre as manchas e, após deixá-lo agir por um instante, limpou tudo com um pano. Como as manchas ainda eram pequenas, saíram facilmente sem precisar de muito tempo de ação.
“Hehehe, agora você conhece o poder do limpador especial da vovó!”
No silêncio da manhã, o sussurro de Haruto, acompanhado de um sorriso presunçoso, ecoou suavemente.
Depois disso, com seu “interruptor de limpeza” ativado, Haruto passou do espelho para limpar a área ao redor do lavatório.
Por fim, enquanto um Haruto satisfeito admirava o lavatório brilhando de tão limpo, ele foi repentinamente chamado pelo nome por trás.
“Haruto-kun?”
Quando Haruto se virou ao ouvir a voz, Ayaka estava ali, vestindo seu pijama.
“Ah, bom dia, Ayaka.”
“Bom dia... Você estava limpando?”
“Sim. As manchas de água no espelho começaram a me incomodar enquanto eu escovava os dentes.”
Haruto respondeu, parecendo um pouco envergonhado.
Ayaka olhou para ele e então voltou o olhar para o lavatório, que agora estava excepcionalmente limpo.
“Não é só o espelho que está limpo...”
“Acho que meu ‘interruptor de limpeza’ foi ativado.”
“Hehe, que tipo de interruptor é esse?”
Ao ouvir as palavras de Haruto, Ayaka levou a mão à boca e riu, divertida. Haruto se viu cativado por aquela visão.
Ver Ayaka de pijama, algo que ele normalmente não tinha a chance de ver, fazia com que ela parecesse um pouco indefesa.
Seu cabelo, geralmente bem arrumado, estava levemente bagunçado pelo sono, e um único fio rebelde se destacava próximo ao topo da cabeça.
E seus grandes e belos olhos de pálpebras duplas estavam agora semicerrados, com as pálpebras pesadas e lânguidas de sono, dando-lhe uma aura geral suave e sonolenta.
Sentindo uma avassaladora sensação de carinho por aquela Ayaka recém-acordada e distraída, Haruto deixou as palavras escaparem involuntariamente.


“Ayaka, você fica inacreditavelmente fofa quando acaba de acordar.”
“Huh? ...H-Hã?!”
Por um momento, Ayaka ficou olhando sem expressão. Mas então seu rosto imediatamente ficou vermelho vivo, e ela o cobriu freneticamente com as duas mãos.
“N-Não! Não olha!!”
“Eh? Eu não posso?”
“Não pode! Meu cabelo está todo bagunçado, e eu nem lavei o rosto ainda!”
“Mas esse cabelo levemente bagunçado é justamente o que eu acho tão encantador, sabia?”
Ao ouvir essas palavras, ela espiou por entre os dedos e gemeu: “Ugh...”
“Haruto-kun, você é muito provocador...”
“Eu não estou tentando provocar você.”
Haruto deu um sorriso torto para Ayaka, que estava corando até as orelhas.
“Eu realmente acho você fofa. Quase te abracei na hora.”
“............Sério?”
A visão dela espiando para ele por entre os dedos, ainda escondendo o rosto, era tão adorável que Haruto sorriu e assentiu.
“Sim, sério.”
“Ugh, então... tudo bem. Você pode me abraçar.”
“Você vai deixar?”
“Mas você não pode olhar para o meu rosto, está bem?”
“Mmm. Que pena.”
Apesar de dizer isso, Haruto se aproximou suavemente e envolveu Ayaka em seus braços, puxando-a para um abraço macio.
Ela, que estava cobrindo o rosto com as mãos, rapidamente pressionou o rosto contra o peito de Haruto para escondê-lo e, então, envolveu as costas dele com os braços agora livres.
“Eu gostaria de ver o seu rosto, nem que fosse só um pouquinho.”
“Ugh~ Não.”
Enterrando o rosto no peito de Haruto, Ayaka balançou a cabeça de um lado para o outro.
Vendo sua resistência adorável, Haruto disse com uma voz desapontada:
“Entendo... Eu não quero fazer nada que você não goste, então não vou insistir.”
Com isso, Haruto apertou levemente os braços ao redor de Ayaka.
“Como seu namorado, acho que querer ver minha namorada fofa é um desejo perfeitamente normal, sabia.”
Um pequeno arrepio percorreu as costas de Ayaka com as palavras de Haruto.
“...Eu não estou fofa agora.”
“Não houve um único momento em que você não estivesse fofa.”
“E-Então isso quer dizer que você sempre quer me ver, Haruto-kun, não é?”
“Não vou negar.”
“M-Môu! Baka, baka!”
Ayaka começou a dar leves tapinhas nas costas dele com os braços que tinha enrolado ao redor dele.
Enquanto Haruto aceitava de bom grado o ataque sem dano algum, os braços dela acabaram parando.
“S-Só um pouquinho, está bem? Só por um segundo, está bem?”
Ayaka disse, como se estivesse confirmando, antes de afastar o rosto do peito de Haruto e lentamente olhar para cima, em sua direção. Olhando para ela de tão perto, Haruto lhe deu um sorriso gentil.
“Você é fofa.”
“O-O-Okay, o tempo acabou!”
“Ah, que pena.”
Disse Haruto, sem parecer particularmente desapontado.
“Você está mesmo me provocando, Haruto-kun...”
Enquanto dizia isso, pressionando novamente o rosto contra o peito dele, os cantos da boca de Ayaka estavam curvados em um sorriso impossivelmente largo.
✦ ✦ ✦
Com o coração cheio por ter abraçado Ayaka naquela manhã, Haruto estava na cozinha, planejando fazer o café da manhã como agradecimento por tê-lo deixado passar a noite.
Ele deixou o gobo de molho em água para o kinpira gobo, depois descascou e cortou uma cenoura em tiras finas. Ao seu lado, Ayaka, que havia se oferecido para ajudar, despejava o caldo dashi de um recipiente de plástico em uma panela.
(TL/N: “Kinpira gobo” é um acompanhamento japonês clássico feito com raiz de bardana (gobo) cortada em tiras finas, frita em óleo de gergelim e depois cozida em um molho agridoce de shoyu, açúcar e mirin.)
O dashi, guardado no recipiente, também era uma das coisas que ele havia preparado previamente quando trabalhava como faxineiro para a família.
“Haruto-kun, o que devemos colocar na sopa de missô?”
“Hmm, que tal cebola e abura-age?”
(TL/N: “Abura-age” é tofu fatiado finamente que foi frito até ficar dourado e inflado.)
Haruto respondeu enquanto fazia o preparo das berinjelas que ele transformaria em ohitashi.
“Parece bom. Cebola e abura-age... vamos ver, o abura-age é...”
Ayaka, que havia pegado a cebola no armário embaixo da pia, então espiou dentro da geladeira para encontrar o abura-age.
“Ah, o abura-age está no freezer.”
“Esse aqui?”
“Isso, isso, é esse mesmo.”
Ayaka tirou o abura-age, que já estava cortado em pedaços pequenos e congelado.
Graças ao seu trabalho como faxineiro, Haruto conhecia a geladeira da família Tōjō de cabo a rabo.
“Devo descongelar isso primeiro?”
“Não, pode colocar direto na panela.”
“Okay.”
Deixando a sopa de missô com Ayaka, Haruto começou a refogar o kinpira gobo enquanto colocava as berinjelas preparadas no micro-ondas para aquecê-las.
Da frigideira, o aroma do gobo e o cheiro saboroso do óleo de gergelim se espalharam pelo ar, fazendo Ayaka, que estava cortando cebolas, sorrir.
“Cheira tão bem.”
“Tem algo especial em um café da manhã no estilo japonês, não tem?”
Enquanto tinham essa conversa, o casal Tōjō chegou.
“Oh! Ōtsuki-kun, você está fazendo café da manhã para nós?”
“Eu pensei em fazer como agradecimento por me deixarem passar a noite. Peguei as berinjelas que sobraram na gaveta de legumes.”
“Oh, Ōtsuki-kun. Você não precisa se dar a todo esse trabalho, sabia?”
Apesar de suas palavras, Ikue tinha um sorriso feliz no rosto.
Ao lado dela, Shūichi também abriu um grande sorriso ao olhar para o kinpira gobo que Haruto estava refogando.
“Bom dia, Haruto-kun. Obrigado por fazer o café da manhã!”
“Bom dia, Shūichi-san. Vai ficar pronto em breve, então, por favor, sentem-se e aguardem.”
Disse Haruto com um sorriso, então pegou as berinjelas aquecidas do micro-ondas e as colocou no dashi previamente preparado que Ayaka havia usado antes.
Nesse momento, Ryōta, com os olhos sonolentos, entrou na sala de estar.
“Ah, o Onii-chan está aqui...”
Ryōta murmurou ao ver Haruto na cozinha.
“Onii-chan, quando você acordou? Eu queria ter acordado com você também.”
“Desculpa por isso. Da próxima vez, eu acordo você também, Ryōta-kun.”
Ryōta pareceu ficar só um pouquinho desapontado por Haruto não estar ao lado dele quando acordou.
Haruto falou gentilmente com ele.
“Ryōta, o café da manhã vai ficar pronto em breve, então vá lavar o rosto e escovar os dentes.”
Ayaka disse ao irmão mais novo enquanto servia a sopa de missô pronta nas tigelas.
“Falando nisso, Ayaka. Você vai ver os fogos de artifício com o Ōtsuki-kun hoje, não é?”
“Sim, é isso mesmo.”
Ikue perguntou à filha enquanto se sentava à mesa de jantar.
“O que você vai fazer quanto a um yukata? Quer usar o meu?”
“Eh? Sério?”
“Claro. Você tem que usar todo tipo de yukata para realmente capturar o coração do Ōtsuki-kun, não é?”
“B-Bem, isso é verdade, mas não diga isso de forma tão direta bem na frente dele. É constrangedor.”
Ayaka disse isso enquanto lançava um olhar para Haruto, com as bochechas coradas.
No outro dia, quando o festival de fogos de artifício foi adiado por causa da chuva, Haruto havia realizado um festival em casa para ela, e ela já tinha mostrado seu yukata a ele. Ayaka havia planejado usar aquele mesmo yukata novamente hoje.
No entanto, pensando que isso estragaria a novidade de sua aparência em yukata, Ikue se ofereceu para emprestar o seu próprio.
Enquanto Ikue sorria radiante diante da reação encantadora da filha, ela bateu as mãos como se tivesse acabado de ter uma ideia.
“Isso mesmo! Ōtsuki-kun, você tem um jinbei?”
“Eh? Não, eu não tenho.”
“Então, que tal você pegar emprestado o do Shūichi-san?”
Ikue disse, virando-se para o marido com um sorriso.
“Oh! Essa é uma ótima ideia! Haruto-kun e eu temos mais ou menos o mesmo tamanho, então tenho certeza de que vai servir em você sem problemas, certo?”
Recebendo o olhar da esposa, Shūichi, que parecia ter entendido algo, assentiu energicamente e ofereceu seu jinbei a Haruto com uma expressão animada.
“Eh? Está mesmo tudo bem?”
“Claro! Mas posso acrescentar só uma condição?”
“Sim, qual seria?”
Haruto inclinou levemente a cabeça diante das palavras de Shūichi.
“Minha condição é a seguinte. Depois que o festival de fogos de artifício terminar, quero que você traga a Ayaka de volta para casa.”
“Eh? Essa é a condição?”
Haruto esperava plenamente que lhe pedissem para trazer algum tipo de comida de festival, como takoyaki ou yakisoba, como lembrança. Mas, ao contrário de suas expectativas, a condição que Shūichi apresentou era algo que Haruto faria naturalmente.
“Isso mesmo. Você me promete?”
“Claro. Vou assumir total responsabilidade por trazer a Tōjō-san de volta para casa em segurança.”
Acompanhar sua preciosa namorada de volta para casa com segurança era um dever natural de um namorado. Além disso, ela já era uma garota bonita mesmo com roupas do dia a dia; se estivesse vestida com um yukata, não havia como saber que tipo de pessoas poderiam aparecer abordando-a. Com ou sem a condição de Shūichi, Haruto já pretendia levá-la até em casa de qualquer forma.
“Entendo, entendo. Sim, estou ansioso por isso!”
“Eh? S-Sim.”
Por alguma razão, a empolgação de Shūichi estava aumentando.
Ao lado dele, Ikue também tinha uma expressão muito alegre e radiante.
“Bem, então, eu empresto o jinbei para você depois que terminarmos o café da manhã.”
“Muito obrigado.”
Haruto não entendeu muito bem a reação do casal Tōjō, mas, por enquanto, expressou seus agradecimentos e colocou o café da manhã completo sobre a mesa de jantar.
✦ ✦ ✦
O céu começava a ficar avermelhado, e o horário do dia estava ficando mais escuro.
Em contraste com a noite que se aproximava, a rua pela qual Haruto caminhava estava intensamente iluminada pelas luzes das barracas de comida alinhadas dos dois lados.
Das barracas, vozes animadas chamando clientes iam e vinham, e entre elas, uma grande multidão de pessoas caminhava, deixando pouco espaço livre.
Era o maior festival de fogos de artifício da região de Haruto.
Embora tivesse sido cancelado uma vez devido à chuva, ele foi adiado e agora estava sendo realizado com segurança na data reserva.
Caminhando ao lado de seu melhor amigo Tomoya, Haruto saciou a fome
com um espetinho de frango frito que tinha acabado de comprar.
“Quatrocentos ienes por um desses é insano, não é?”
Haruto murmurou, encarando o espetinho já terminado.
“Esses quatrocentos ienes incluem a taxa pelo clima do lugar. É o que se chama de preço de festival.”
“Bom, isso é verdade, mas ainda assim.”
Haruto lançou um olhar para o espetinho de frango frito antes de jogá-lo
em uma lixeira colocada à beira da estrada.
“Mas ainda assim, essa multidão é tão insana como sempre.”
“É. Só andar pela rua já cansa.”
Para Tomoya, que falou com uma expressão impressionada, Haruto deu de
ombros e respondeu.
Hoje, ele tinha combinado de assistir aos fogos de artifício com Ayaka.
Se não fosse por isso, ele nem teria se dado ao trabalho de entrar em uma
multidão dessas.
Haruto agradeceu a Tomoya, que observava a grande quantidade de pessoas
passando enquanto mastigava takoyaki.
“Valeu, cara.”
“Hm? Valeu pelo quê?”
“Valeu por vir ao festival de fogos comigo.”
Originalmente, o plano era que ele e Ayaka fossem juntos desde o começo
até o local dos fogos. No entanto, se fossem vistos por alunos da escola, isso
revelaria que eles estavam namorando.
Então, Haruto iria até o local dos fogos com Tomoya, e Ayaka viria com Saki. Depois, eles se encontrariam fingindo que foi uma coincidência.
“Beleza. É melhor você ser grato, ouviu?”
“Sim, sim, Tomoya-sama.”
“Diz isso com um pouco mais de emoção.”
Tomoya deu um sorriso irônico diante da resposta desanimada de Haruto.
“Bom, se eu vier com você, Haru, eu posso ver a Tōjō-san usando yukata.”
“Então é isso que você quer.”
“Pode apostar. Se não fosse por isso, você acha que eu viria a um festival de fogos só com um monte de caras sem graça?”
Diante de Tomoya, que declarou isso com orgulho e o peito estufado, foi a vez de Haruto dar um sorriso irônico.
Embora dissesse esse tipo de coisa, Haruto mais uma vez agradeceu em seu coração ao seu melhor amigo despreocupado.
Depois disso, Haruto e Tomoya esperaram Ayaka e Saki chegarem, jogando
conversa fora à beira da estrada, um pouco afastados da multidão.
“A Tōjō-san e a outra já estão no local?”
“Ah, sim. Parece que elas estão vindo para cá agora.”
Haruto respondeu à pergunta de Tomoya enquanto olhava para a tela de
mensagens com Ayaka.
Como eles deveriam fingir que se encontrariam por acaso, não tinham
marcado um ponto de encontro óbvio.
“Aliás, a Aizawa-san também vem de yukata?”
“Acho que sim. A Ayaka disse algo assim.”
Haruto respondeu, lembrando-se de Ayaka dizendo em tom animado “Estou tão animada para ver a Saki de yukata~” quando conversavam na casa dos Tōjō naquela manhã.
“Ei, Haru, desde quando você tem um jinbei?”
“Não tenho. Peguei este emprestado do Shūichi-san, o pai da Ayaka.”
“Uau~ Até que ponto a família da Tōjō-san gosta de você?”
À reação de Tomoya, que era uma mistura de admiração e exasperação, Haruto respondeu com um sorriso irônico.
Por sinal, Tomoya também estava vestindo um jinbei agora, os dois rapazes trajados para o festival de verão. Tomoya espetou o último pedaço de takoyaki com um palito e o levou à boca, então falou casualmente com Haruto.
“Entendo~ então eu também vou poder ver a Aizawa-san de yukata... Isso é
algo para se esperar, não é, Haru-san?”
“Hm? Ah... bom, talvez seja.”
“O que é essa reação morna?! Não me diga que é aquela coisa? Aquela de ‘minha namorada é a mais linda do mundo’?”
“É isso mesmo. Para mim, não existe mulher mais bela do que a Ayaka.”
Diante de Haruto, que disse isso de forma direta, com uma expressão completamente séria, Tomoya fez uma cara bastante complicada. Um murmúrio de “Ugh” escapou de seus lábios.
“Ah, sim, sim, é mesmo. Que bom para você, por conseguir a namorada mais bonita do mundo.”
“Isso mesmo, obrigado pela bênção.”
“Só exploda!”
Tomoya rebateu com uma resposta afiada ao papo meloso de Haruto.
Enquanto os dois estavam tendo essa troca, alguém de repente falou com eles.
“Ei, vocês dois, estão sozinhos?”
Quando Haruto virou o olhar na direção da voz, uma mulher que parecia um pouco mais velha estava sorrindo para eles. Ao lado dela, estava outra mulher, que parecia ser sua amiga.
“Se vocês estão sozinhos, por que não assistem aos fogos com a gente?”
Elas pareciam ser universitárias.
Quando saía com Tomoya, ele ocasionalmente encontrava esse tipo de situação, comumente chamada de “paquera reversa”. Ele tinha boa aparência e, por algum motivo, uma constituição que agradava mulheres mais velhas, então às vezes era abordado por garotas em idade universitária.
“Ah, desculpa. A gente está esperando alguém.”
Tomoya respondeu com um sorriso à mulher que havia falado com eles.
Aposto que um sorriso desses é o que as mulheres mais velhas acham atraente. Pensando isso, Haruto lançou um olhar para a outra mulher, a que não tinha falado.
Então, por acaso, seus olhos se encontraram, e a mulher rapidamente desviou o olhar.
A mulher que havia cruzado o olhar com Haruto puxou a mão da amiga, em um leve pânico.
“Vamos! Esses caras têm namoradas! Seria chato incomodá-los, então vamos embora!”
“Hmm, que pena! Vocês eram bem o meu tipo, sabe.”
Dizendo isso, a mulher que havia falado primeiro lançou um olhar para Haruto e Tomoya.
Por algum motivo, Haruto teve a ilusão de ser um rato alvo de uma ave de rapina.
“Ahaha...”
Haruto tentou contornar a situação com uma risada educada.
Nesse momento, uma voz familiar veio de uma curta distância.
“Haruto-kun!”
Virando o olhar na direção da voz, ele viu Ayaka e Saki caminhando em direção a eles. Ayaka vestia um yukata emprestado de Ikue, de tecido branco com peixinhos dourados vermelhos desenhados de forma vívida. Caminhando em um ritmo rápido, quase a ponto de bagunçar o yukata, ela se aproximou de Haruto, agarrou o braço dele e o abraçou com força.
“Desculpa fazer você esperar, Haruto-kun!”
“Ah, sim. Está tudo bem, a gente nem estava esperando.”
Haruto respondeu, um pouco sobrecarregado por Ayaka, que falava com uma voz um pouco mais alta, como se estivesse se exibindo para quem estava ao redor. Ayaka tinha um sorriso alegre, mas, por algum motivo, Haruto sentiu dela a mesma aura que sentira no banho no dia anterior, quando Ryōta havia chamado sua barriga de “molinha”.
Ainda com um sorriso radiante no rosto, Ayaka voltou o olhar para as duas mulheres que haviam se aproximado deles.
“Haruto-kun, quem são essas pessoas?”
“Ah, bem, essas pessoas só falaram com a gente por acaso...”
Haruto, percebendo a causa da aura intimidadora de Ayaka, tentou explicar a situação. No entanto, no meio de sua explicação, a mulher que havia se aproximado deles mais cedo soltou uma voz animada.


“Eh?! E-Espere?! Essa garota é sua namorada?!”
“Sim, ela é.”
“Uau!! Sua namorada é super bonita!! O que é esse casal, isso é bom demais para os meus olhos, isso é incrível!!”
A mulher disparava palavras sem parar, absurdamente agitada.
“Você!! Se tem uma namorada tão linda, devia ter dito isso antes!! Cara, isso é ainda melhor do que os fogos de hoje! Uau, eu vi algo maravilhoso! Muito obrigada!”
Com isso, a mulher foi embora, ainda de altíssimo astral. A amiga dela correu apressadamente atrás dela.
“O que foi isso de agora? Aquelas pessoas...?”
Haruto ficou atônito. Nesse momento, Saki chegou, um pouco atrasada.
“Oi~ Ōtsuki-kun, Akagi-kun.”
Em contraste com o yukata branco de Ayaka com detalhes em vermelho-vivo, o de Saki era de um tecido cor de glicínia, com hortênsias desenhadas nele. Aproximando-se deles com um pequeno aceno, Saki olhou para Haruto e Tomoya com uma expressão levemente provocadora.
“Vocês estavam sendo paquerados por aquelas mulheres agora há pouco?”
“Hee hee hee, é difícil ser bonito.”
“Sinto que eu só fui arrastado nisso pelo Tomoya, eu acho?”
Com as palavras de Saki, Tomoya, brincando, passou a mão pela franja de forma exagerada.
Ao lado dele, Haruto respondeu enquanto apontava para o melhor amigo com o polegar.
“Hmm, então é por isso que a Ayaka está intimidando todo mundo agora para defender o precioso namorado dela.”
“Eu não estou intimidando ninguém, sabia?”
Ayaka respondeu com um sorriso radiante.
Apesar do sorriso, Haruto ainda sentia uma pressão que fazia sua coluna se endireitar.
Saki olhou para a melhor amiga, que estava agarrada ao braço de Haruto o tempo todo, e disse com um tom exasperado.
“Então isso não é intimidação, é? Bom, já que conseguimos nos encontrar e ainda tem tempo até os fogos começarem, que tal dar uma olhada nas barracas de comida?”
“Eu topo! Estou morrendo de fome.”
“Cara, você comeu lula grelhada, omusoba e takoyaki, e ainda está com fome?”
“Você acha que isso é suficiente para encher o estômago de um estudante do ensino médio?”
“Ooh? Eu também quero comer lula grelhada.”
Saki reagiu à conversa entre Haruto e Tomoya. Em seguida, Ayaka também olhou para Haruto e disse:
“Eu também gostaria de comer alguma coisa.”
“Entendido. Então, vamos dar uma olhada nas barracas?”
“Certo! Vamos lá! Aizawa-san, eles tinham espetinhos de carne antes, quer experimentar esses também?”
“Bom, parece delicioso.”
Trocando esse tipo de conversa, o grupo de Haruto começou o passeio pelas barracas de comida.
Além da comida, eles também aproveitaram bastante as barracas de pesca de peixinhos dourados, tiro ao alvo e outras.
✦ ✦ ✦
Ayaka se agarrava ao braço de Haruto, segurando algodão-doce na outra mão e mordiscando-o em pequenas mordidas. Vendo isso, Haruto sorriu gentilmente e falou com ela.
“Está bom?”
“Está. Quer um pouco, Haruto-kun?”
“Só uma mordida.”
“Tá bom, aqui.”
Ayaka levou o algodão-doce que segurava até a boca de Haruto e deu uma mordida para ele.
“Está bom?”
“É doce.”
“Hee hee, quer mais uma mordida?”
“Mm.”
Com uma expressão de pura felicidade, Ayaka deu mais algodão-doce para Haruto. Alguns passos atrás do casal todo meloso, Saki deu uma risadinha enquanto comia um cachorro-quente com queijo.
“Olha só a Ayaka, com esse sorriso apaixonado. O quanto será que ela gosta do Ōtsuki-kun?”
Saki murmurou, mastigando o queijo que se esticava.
Ao lado dela, Tomoya, que mastigava um corn dog, olhou para Saki com uma expressão indescritível.
“Ei, Aizawa-san. A gente não está aqui para que aqueles dois tenham uma desculpa caso alguém da escola os veja?”
“Sim, é isso mesmo.”
“Olhando para eles agora, existe mesmo algum sentido em estarmos aqui?”
“Exatamente o que eu estava pensando.”
Observando o casal irradiar uma aura de felicidade doméstica, os respectivos melhores amigos assentiram em concordância.
“Bom, vendo eles tão perdidos no próprio mundo, a maioria dos caras provavelmente vai desistir.”
Nem mesmo Saki, que a conhecia desde o ensino fundamental, achava que já tinha visto um sorriso tão pleno no rosto de Ayaka. Era o tipo de sorriso que faria qualquer garoto normal perceber que não tinha chance alguma e desistir.
“O problema são as garotas.”
“É algo tão preocupante assim?”
“Tem um número surpreendente de garotas de olho no Ōtsuki-kun, sabia?”
“Hmm, bom, o Haru é um cara legal, afinal.”
“O fato de ele ser o primeiro da turma em notas também faz com que ele se destaque bastante.”
“Verdade.”
“Eu só espero que nenhuma garota fique estranhamente com ciúmes ao ver aqueles dois.”
Ayaka teve uma experiência no ensino fundamental em que uma amizade se deteriorou por causa da confissão de um garoto.
Saki, que sabia desse incidente, não pôde deixar de se preocupar.
“Mas, bem. Olhando para aqueles dois, parece que eles seriam felizes juntos não importa o que aconteça.”
Tomoya disse de forma otimista, observando o casal que continuava todo meloso.
Com essas palavras, Saki também relaxou e ofereceu um pequeno sorriso.
“Talvez seja isso mesmo. A gente deveria se afastar deles em breve?”
“Sim. Se ficarmos muito perto, podemos acabar com azia.”
“Ahaha, você tem razão, Akagi-kun.”
Saki riu em concordância com a piada de Tomoya.
Os dois diminuíram gradualmente o ritmo da caminhada, criando distância entre eles e Haruto e Ayaka. Logo, uma parede de pessoas se formou entre os dois pares, e suas costas já não eram mais visíveis.
Tendo se separado com sucesso de Haruto e dos outros, Tomoya e Saki ficaram sozinhos.
“Bom, o que devemos fazer agora?”
“Vamos ver. Já que estamos aqui, que tal aproveitarmos mais um pouco as barracas?”
“Vamos fazer isso.”
Os dois tinham vindo originalmente como acompanhantes de seus respectivos melhores amigos.
Tendo cumprido esse propósito, Tomoya e Saki decidiram passear pelas barracas por mais um tempo, já que já estavam ali.
“Aizawa-san, quer experimentar aquela coisa chamada doteni?”
(TL/N: “Doteni” é um prato tradicional de Nagoya, no Japão, feito cozinhando vísceras de boi ou porco em missô vermelho e mirin.)
“Oh, eu estava curiosa sobre isso.”
Os dois continuaram visitando várias outras barracas, saboreando comidas de festival que normalmente não comiam.
Enquanto Saki caminhava, com uma expressão satisfeita depois de visitar várias barracas, Tomoya lançou um olhar para ela e abriu a boca de forma casual.
“Aizawa-san, você vai assistir aos fogos depois disso?”
“Hmm... Vamos ver. Já que estou aqui, acho que gostaria de assistir.”
“Então, quer assistir comigo?”
“...Tá bom.”
Após uma pausa muito breve, Saki respondeu a Tomoya ainda olhando para frente.
“Certo, então vamos para um lugar onde dê para ver bem os fogos!”
“Entendido.”
Saki seguiu Tomoya, que falava animadamente.
“Oh, aliás, Aizawa-san, esse yukata ficou muito bom em você.”
“Hee hee, você demorou para elogiar! Dez pontos a menos!”
“Que cruel~”
Trocando esse tipo de conversa agradável, Tomoya e Saki caminharam lado a lado, com expressões felizes.
✦ ✦ ✦
Haruto olhou ao redor para as barracas movimentadas alinhadas dos dois lados e, então, seu olhar caiu sobre o próprio braço esquerdo.

Desde que se encontrara com Ayaka, seu braço estava firmemente preso no aperto dela.
“Ayaka? Podemos andar um pouco mais afastados?”
“Não, a multidão é grande demais, vamos acabar nos separando.”
Ayaka rejeitou instantaneamente as palavras de Haruto, abraçando o braço dele ainda mais forte e murmurando:
“Além disso... alguém pode acabar vindo falar com você... como antes...”
“Aquilo foi porque o Tomoya estava comigo.”
Haruto disse isso com um sorriso gentil para ela, que estava fazendo um leve bico. Ayaka o encarou atentamente e, então, entrelaçou os dedos com os dele, segurando sua mão como amantes enquanto dizia em voz baixa:
“...Eu não quero soltar.”
Ela disse isso como um leve resmungo.
O gesto dela parecia um pouco infantil. Haruto achou fofo, mas, ao mesmo tempo, deu um sorriso irônico, pensando que, se alguém da escola os visse naquela situação, não faria diferença alguma mesmo que Tomoya e Saki estivessem lá.
“A Saki e o Tomoya vieram como disfarce para nós, mas se formos vistos assim, vai ser tudo em vão, sabia? Não é, Tomoya... hã?”
Haruto se virou para buscar a concordância do melhor amigo.
No entanto, não só Tomoya não estava lá, como Saki também havia sumido. Haruto deduziu que eles tinham sido atenciosos e os deixado sozinhos, e mentalmente agradeceu ao melhor amigo pela consideração.
“Hã? A Saki sumiu?”
Seguindo o exemplo de Haruto, Ayaka se virou, inclinando a cabeça e olhando ao redor.
“Parece que eles foram atenciosos e nos deixaram sozinhos.”
“Entendo, vou ter que agradecer à Saki depois. E ao Akagi-kun também.”
“É. Ainda tem um tempo até os fogos começarem, mas que tal começarmos a nos mover para um bom lugar para assistir?”
“Sim. Se não formos logo, não vai sobrar nenhum lugar.”
De mãos dadas, Haruto e Ayaka começaram a se mover para garantir um lugar.
Os fogos seriam lançados a partir de uma grande margem de rio. Por isso, o melhor lugar para assisti-los também era na margem do rio, perto do local de lançamento.
“Tem tanta gente, mesmo faltando ainda cerca de uma hora para o início.”
Ayaka, que já tinha terminado o algodão-doce e agora comprara raspadinha de gelo, exclamou “Uau” ao ver o número de pessoas reservando lugares.
“Todo mundo está pensando a mesma coisa. Ah, está vazio ali, vamos para lá.”
Haruto examinou rapidamente a área do alto do dique e apontou para um pedaço de grama vazio.
Ele segurou a mão de Ayaka e desceu lentamente as escadas que levavam do dique até a margem do rio, depois estendeu um pequeno tapete de piquenique, que tirou de seu shingen-bukuro, sobre o pedaço de grama vazio.
(TL/N: “Shingen-bukuro” é uma bolsa tradicional japonesa, usada originalmente por samurais para carregar seus pertences no campo de batalha.)
“Que bom que eu peguei isso emprestado do Shūichi-san.”
Haruto disse, olhando para o shingen-bukuro, e Ayaka assentiu em resposta.
“Né? Yukata e jinbei são super bonitos e criam um clima ótimo, mas é difícil carregar coisas. Não tem bolsos nem nada.”
Dizendo isso, Ayaka balançou a bolsinha fofa com estampa de peixinhos dourados pendurada em seu cotovelo e deu um sorriso torto.
“Isso aqui só cabe meu celular e algumas coisinhas.”
“Mas, por outro lado, se você carregasse uma mochila ou uma bolsa, isso estragaria todo o clima.”
“Exatamente.”
“Temos que agradecer ao Shūichi-san por ter nos emprestado o shingen-bukuro.”
“Obrigada, pai.”
Trocando esse tipo de conversa, os dois se sentaram lado a lado sobre o tapete de piquenique.
Como o tapete que ele havia trazido era bem pequeno, eles acabaram ficando com os ombros fortemente encostados um no outro.
“Parece que ainda falta bastante tempo até começar.”
“Quanto tempo mais?”
“Hum, acho que um pouco mais de trinta minutos.”
Quando Haruto conferiu o horário no celular e disse isso, Ayaka comentou: “Dá para relaxar até lá”, e apoiou suavemente o peso do corpo nele.
A expressão de Haruto se suavizou ao sentir aquele peso quente e precioso encostado nele.
“Ayaka, essa raspadinha de gelo está boa?”
“Sim, está deliciosa. Ah, quer brincar de adivinhar o sabor?”
Ayaka olhou para a raspadinha de gelo em sua mão e depois para Haruto, como se tivesse acabado de se lembrar de algo.
“Não, não, eu consigo ver perfeitamente a cor da calda. É sabor morango, né?”
Vendo o gelo tingido de rosa, Haruto riu baixinho.
“Hee hee.”
Diante disso, Ayaka fez um leve bico e retrucou.
“Nunca se sabe.”
“Pode ser sabor melão que foi colorido para parecer morango.”
“Não tem necessidade de uma finta dessas, tem?”
A réplica forçada dela fez Haruto cair na risada. Então, ele aproximou um pouco o rosto de Ayaka e disse em voz baixa.
“Ou será que você quer brincar desse jogo de adivinhar o sabor aqui, Ayaka?”
“N-Não… não aqui…”
Ayaka corou e abaixou o olhar, depois pegou uma colherada de raspadinha de gelo e levou até a boca de Haruto.
Ele deu uma mordida e declarou.
“Isso mesmo, é sabor morango.”
“Correto. Como recompensa, aqui vai mais uma colherada.”
“Mm.”
Enquanto trocavam esse tipo de interação, os dois dividiram felizes uma raspadinha de gelo.
Depois de um tempo, a raspadinha acabou, e os dois ficaram sentados em silêncio, olhando para o céu noturno ou observando ao redor.
Haruto pensou em quanto o relacionamento deles havia mudado desde o primeiro encontro e baixou o olhar do céu noturno que observava para encarar o perfil de Ayaka logo ao seu lado.
Não havia nada para fazer até os fogos começarem, nem um assunto específico de conversa. Ainda assim, não havia nenhum constrangimento. Mesmo sem falar. Mesmo permanecendo em silêncio. Apenas estar ao lado um do outro já era satisfatório, e parecia que só isso era suficiente. Havia uma sensação de segurança por não precisarem forçar um assunto nem tentar manter a conversa.
“Hm? O que foi, Haruto-kun?”
Percebendo o olhar de Haruto fixo em seu perfil há algum tempo, Ayaka inclinou a cabeça e perguntou.
“Não, eu só estava pensando que você fica linda de yukata. O anterior também era bonito, mas o yukata de hoje também te deixa incrivelmente bela.”
“Hee hee, obrigada. Você também está muito bonito com esse jinbei, Haruto-kun. Estou me apaixonando por você de novo.”
Ayaka, que abriu um sorriso radiante com as palavras de Haruto, elogiou a roupa dele com um humor animado.
Os dois continuaram sentados em silêncio, aconchegados um no outro, esperando o início dos fogos, envolvidos por uma sensação de felicidade.
“Estou ansiosa pelos fogos.”
“Eu também. Tenho certeza de que vão ser bonitos.”
“Sim.”
Ayaka assentiu feliz e então inclinou suavemente a cabeça, apoiando-a no ombro de Haruto de forma carinhosa.
“Os fogos que eu assistir com você, Haruto-kun, com certeza serão belíssimos.”
Ela disse algo tão fofo assim.
Haruto envolveu gentilmente as costas de Ayaka com o braço esquerdo e a
puxou para um abraço suave.
✦ ✦ ✦
Tōjō Ayaka
Minha mãe e meu pai se dão bem.
Acho que eles provavelmente se dão muito melhor do que a média dos casais casados.
É ótimo para uma criança quando o relacionamento dos pais é bom, mas há momentos em que eu os vejo sendo todos melosos e penso: “Me poupem.”
Mas, por vê-los assim desde pequena, sempre pensei que, um dia, gostaria de encontrar alguém maravilhoso e me apaixonar. Então, nos tornaríamos um casal, nos apaixonaríamos cada vez mais e nos casaríamos. Nos tornaríamos um casal feliz como minha mãe e meu pai, nossa família cresceria e teríamos dias animados.
Mesmo quando fôssemos velhos e cheios de rugas, ainda daríamos as mãos e sairíamos para caminhar.
Eu queria conhecer alguém assim. Eu tinha esse tipo de desejo dentro de mim.
Mas a realidade não foi tão gentil, e eu não conseguia encontrar ninguém que me fizesse pensar: “É essa pessoa!”
Só aprendi o quanto é preciso coragem para se confessar depois que me apaixonei de verdade. Por isso, tenho um respeito genuíno pelas pessoas que se confessaram para mim. Mas, entre aqueles que se confessaram, não havia ninguém com quem eu sentisse que poderia construir um relacionamento como o dos meus pais.
Até que, durante as férias de verão, eu solicitei um serviço de limpeza.
Ōtsuki Haruto-kun.
Um garoto com grandes habilidades domésticas, excelente em tarefas de casa e que sempre faz comidas deliciosas.
Um garoto gentil, calmo e um pouco maduro.
A pessoa por quem me apaixonei pela primeira vez, que conheci durante as férias de verão. E agora, meu namorado.
“Vai começar em breve.”
Eu digo, apoiando a cabeça no ombro do Haruto-kun.
“Parece que os fogos deste ano são divididos em duas partes.”
“Sério?”
“Sim, olha.”
Haruto-kun segura o celular na frente do meu rosto e me mostra o site do
festival de fogos.
“A primeira parte são fogos tradicionais, e o destaque são os impressionantes shaku-dama.”
“Shaku-dama?”
“Parece que é o tamanho da bomba do fogo de artifício. As bombas variam do tamanho 2,5 até 40, e a bomba de tamanho 10 tem exatamente um shaku, por isso eles chamam de shaku-dama.”
Haruto-kun me explica enquanto pesquisa informações sobre fogos de artifício no celular.
“Hm.”
“Acho que um shaku tinha cerca de trinta centímetros, então é bem grande.”
Haruto-kun levanta os dedos indicadores à sua frente e diz coisas como: “Trinta centímetros é mais ou menos isso?”
Olhando para o perfil dele, minhas bochechas relaxam e não consigo evitar um sorriso.
Haruto-kun não é bom apenas em tarefas domésticas, ele também é bom nos estudos.
As notas dele são as melhores da turma, mas ele não se gaba disso.
Ele é realmente uma pessoa encantadora, mais do que eu mereço.
Ainda não consigo acreditar que um garoto assim seja meu namorado.
Enquanto fico encarando o perfil dele, Haruto-kun percebe meu olhar e olha para mim, dizendo: “Hm?”
Só o fato de nossos olhares se encontrarem já enche meu peito de felicidade.
“Ei, que tipo de fogos tem na segunda parte?”
“Vamos ver… a segunda parte é uma fusão de fogos e música. Diz que fogos e luzes de laser vão colorir o céu noturno no ritmo da música.”
“Uau! Isso parece tão bonito! Estou super animada!”
“É.”
Haruto-kun concorda com minhas palavras e me oferece um sorriso gentil.
Estou tão feliz por tê-lo conhecido.
Apoio suavemente a cabeça no ombro de Haruto-kun novamente e penso profundamente.
Quero me elogiar por ter reunido coragem para convidar o Haruto-kun para ir ao cinema na primeira metade das férias de verão.
E também a mim mesma por ter demonstrado meus sentimentos de forma tão direta durante nosso namoro de mentira.
Graças a isso, agora posso assistir aos fogos lado a lado com o meu amado Haruto-kun.
Enquanto nós dois observávamos tranquilamente o céu noturno, um anúncio do início dos fogos ecoou pela margem do rio.
Logo em seguida, ouviu-se um som fino e agudo de “shhh”, seguido por um pesado “BOOM”.
Ao mesmo tempo, lindos fogos se espalharam pelo céu noturno.
“Uau! Começou, Haruto-kun! É tão bonito!!”
“Sim, é realmente bonito.”
Digo ao Haruto-kun, com a voz empolgada, enquanto os fogos coloridos preenchem meu campo de visão.
Ao meu lado, ele também olha para mim com uma expressão suave e fala.
Ah, eu estou tão feliz…
Como reação a não conseguir encontrar amor na realidade, eu li muitos mangás e romances de amor.
Enquanto pensava: “Quero um amor assim algum dia.”
Neles, um evento de fogos de verão quase sempre aparece.
Um evento emocionante, em que a garota da história assiste aos fogos com o garoto por quem ela tem sentimentos.
Agora, estou vivendo esse evento de fogos com que sempre sonhei, junto da pessoa que amo.
Realmente parece que estou em um sonho…
“Olha, olha, Haruto-kun! É em formato de coração! Ah, aquele ali é uma borboleta? Incrível!”
Fogos que projetam várias formas no céu noturno.
Quando um fogo de artifício no formato de um personagem que se tornou popular recentemente foi lançado, Haruto-kun disse, admirado:
“Os fogos modernos são realmente incríveis, não são? Como eles reproduzem formas tão complexas? Será que existe algum tipo de software para os cálculos? Ou é um trabalho artesanal excepcional?”
Ao meu lado, enquanto ele pondera dizendo “Hmm”, não consigo evitar soltar uma risada.
“Você também vai querer virar um artesão de fogos, Haruto-kun?”
“Não, acho que prefiro assistir aos fogos do que fazê-los.”
Ele dá um sorriso irônico diante da minha sugestão.
Entendo… eu até queria ver o Haruto-kun vestindo um happi e uma faixa na cabeça.
Enquanto conversávamos, um “BOOM” particularmente alto ecoou.
Logo depois do som grave que parecia ressoar até no meu estômago, uma grande flor desabrochou no céu noturno, preenchendo todo o meu campo de visão.
“Incrível! Tão bonito!”
“É enorme. Será que é um shaku-dama?”
Um após o outro, grandes fogos coloridos são lançados.
Eles vão ganhando intensidade gradualmente e, por fim, fogos de todos os tamanhos são lançados de forma contínua, como se quisessem preencher cada espaço do céu noturno.
Star mine. Grãos de luz lançados sem qualquer contenção iluminam toda a área lá do alto. O som dos fogos de artifício e das explosões de luz não cessa.
Dominada pela visão, eu simplesmente fiquei encantada com o céu noturno cintilante.
“Uau...”
“Incrível...”
Ao meu lado, Haruto-kun também encara os fogos, sem dizer nada.
Por fim, acontece um grand finale em que os fogos florescem todos de uma vez, deixando os arredores claros como o dia.
Gritos de “Uau!” e uma enorme salva de palmas irrompem da multidão.
Eu me viro para o Haruto-kun ao meu lado, um pouco animada.
“Foi incrível!”
“De fato, foi absurdamente bonito.”
“Eu fiquei tão emocionada.”
Consigo ouvir vozes dos espectadores ao redor dizendo coisas como “Isso foi insano” e “Incrível demais”.
Enquanto absorvo o rescaldo daquele star mine de tirar o fôlego, desvio meu olhar da fumaça que lentamente se espalha pelo céu noturno para Haruto-kun ao meu lado. Ele ainda olhava vagamente para o céu.
“Hee hee, você também se emocionou, Haruto-kun?”
“Eh? Ah, sim. Eu estava só pensando que faz muito tempo desde a última vez que assisti fogos de artifício de verdade.”
“Sério?”
“Quando eu era criança, eu costumava assistir completamente absorvido, mas conforme fui crescendo, comecei a aproveitar mais as barracas de comida do que os fogos.”
“Comida em vez de flores, é?”
Quando digo isso, Haruto-kun ri e responde: “É isso mesmo.” Nesse momento, ouço uma música.
“Ah, isso é o começo da segunda parte?”
“Parece que sim.”
Nós dois voltamos a olhar juntos para o céu noturno. A segunda parte do festival de fogos apresenta fogos lançados no ritmo de músicas populares e, junto com eles, feixes de laser dançam pelo céu.
“Essa música é boa, não é?”
A música usada como trilha sonora dos fogos é uma que ficou popular recentemente, e é uma das minhas favoritas, que eu escuto com frequência. Mas parece que Haruto-kun não conhece essa música.
“Essa é uma música recente?”
“É. Hã? Você não conhece, Haruto-kun? Acho que ela toca bastante em
lojas de conveniência e coisas assim.”
“Ah, agora que você mencionou, acho que reconheço um pouco a melodia.”
Será que o Haruto-kun é surpreendentemente desligado das tendências?
Pensando bem, eu não sei que tipo de música o Haruto-kun escuta.
Não só música. As comidas favoritas dele. Suas preferências de gosto. Por outro lado, as coisas de que ele não gosta, as coisas em que ele não é bom.
Esportes favoritos ou hobbies dos quais ele gosta. Se ele tem algum programa de TV favorito, se gosta de comédia ou se não gosta.
Há tantas coisas que eu não sei.
Quando pensei nisso, uma leve sensação de solidão surgiu em meu coração.
Mas, mais do que isso, sinto uma sensação eletrizante, pulsante, no meu peito.
Eu já sou a namorada do Haruto-kun. Então, de agora em diante, podemos passar tempo juntos, e eu posso conhecê-lo, uma coisa de cada vez.
Lembro das palavras que a Saki me disse quando consultei ela sobre a minha vida amorosa antes.
“Não é justamente porque você não sabe que acabou se apaixonando por ele?”
Quando me apaixonei pelo Haruto-kun, a Saki disse isso para mim quando eu estava confusa sobre o motivo de ter me apaixonado.
Porque eu não sei, eu quero saber. E, ao descobrir um novo lado dele, eu me apaixono ainda mais.
Eu ainda não sei muito sobre o Haruto-kun. Isso significa que eu ainda posso me apaixonar ainda mais por ele.
Quando penso nisso, meu coração dispara. Assim como os fogos que florescem diante de mim, a felicidade explode.
“Talvez esses sejam dias ainda mais felizes do que eu imaginei...”
Eu murmuro suavemente e apoio meu peso no Haruto-kun.
Então, ele envolve gentilmente meu ombro com o braço e me puxa para mais perto.
Desvio meus olhos do céu noturno cheio de luzes e olho para Haruto-kun.
“Haruto-kun.”
“Hm?”
“Sabe, quando tivemos nosso primeiro encontro no cinema, eu achei que
aquele tinha sido o dia mais feliz da minha vida.”
“Foi mesmo?”
“Foi. Porque foi a primeira vez que dei as mãos a alguém de quem eu gosto. Naquela noite, eu queria te ver até nos meus sonhos, então dormi segurando minha mão esquerda como se fosse um amuleto da sorte.”
“O quê? Isso é super fofo!”
“E então… eu pensei naquela época. Que, se eu pudesse namorar o Haruto-kun, a felicidade de dar as mãos seria superada em um instante.”
“E então? Namorar comigo superou a felicidade daquela época?”
“Sim! Superou em um instante! Todo dia é o melhor dia da minha vida.”
Quando digo isso com um sorriso enorme, Haruto-kun retribui com um sorriso parecido.
“Entendo. Eu também estou feliz por estar namorando você, Ayaka.”
Haruto-kun diz isso e volta seu olhar para o céu noturno.
“Daqui para frente, acho que muitas coisas vão acontecer enquanto passamos tempo juntos. Talvez nem tudo sejam coisas boas e divertidas. Mas, com você, Ayaka, eu acho que podemos encontrar todos os tipos de felicidade, pequenas e grandes, e valorizá-las e construí-las, uma a uma. Então.”
Nesse momento, Haruto-kun abaixa o olhar e me encara, dizendo:
“Eu te amo, Ayaka. Vamos continuar juntos de agora em diante.”
“?! E-Eh, s-sim...”
Ataque surpresa é contra as regras!! Se você diz algo assim, sussurrando bem perto de mim, com fogos de artifício ao fundo, meu coração vai parar, sabia?!
Está tudo bem eu morrer de excesso de fofura?! Se isso acontecer, você vai ter que me fazer respiração boca a boca, está bem?!
Poxa… meu namorado é maravilhoso demais, mas esse lado dele é perigoso.
O Haruto-kun às vezes lança ataques surpresa, então eu não posso baixar a guarda.
Mas sinto que ele disse algo realmente maravilhoso.
Entendo, pequenas felicidades e grandes felicidades...
Hm? Grandes felicidades...? Grandes felicidades na vida?
Isso é… talvez… c-c-c-casamento, ou algo assim?
Será que o que ele acabou de dizer foi… um p-p-p-pedido?
Eh? Foi? Não foi? Eu me pergunto. Ei, ei, Haruto-kun?
Qual foi a intenção por trás daquilo que você disse!? Haruto-kun?
Traduzido por Moonlight Valley
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