Volume 4
Capítulo 7: Novos Começos
Ōtsuki Haruto
Sob o agradavelmente vasto céu azul.
Uma brisa suave atravessava o terraço da escola, como se tentasse amenizar o forte sol de verão.
Em um canto do terraço banhado pela luz do sol, um local perfeito para almoçar. De um ponto à sombra da torre de água, a voz surpresa de Tomoya ecoou.
“Sério!? Hã!? Isso não é basicamente morar junto!?”
Cuspindo pedaços do pão de yakisoba que havia comprado na loja de conveniência pela boca, Tomoya ficou completamente chocado com a confissão surpreendente.
“Ei, não cuspa seu yakisoba. Isso é nojento.”
“Seu idiota! Depois de ouvir uma notícia tão absurda, é natural que um pouco de yakisoba saia voando!”
“Não faça disso um hábito, é falta de educação. Engula o que está na boca antes de falar.”
Haruto disse, soando como um pai dando uma bronca. Tomoya ignorou a reclamação de Haruto e perguntou animado.
“Morar com a Tōjō-san é o sonho de todo cara aqui! Isso não é simplesmente o melhor!?”
“Ei, você está falando alto demais!”
À medida que a voz de Tomoya aumentava de empolgação, Haruto rapidamente olhou ao redor e colocou o dedo indicador sobre os lábios, pedindo silêncio ao melhor amigo.
Se outros estudantes ouvissem eles falando sobre “morar com a idol da escola”, Haruto, sem exagero algum, provavelmente seria cercado e espancado pelos outros garotos.
Felizmente, como Haruto e seu amigo estavam à sombra da torre de água, não havia estudantes por perto que pudessem ouvir a conversa. No entanto, um pouco mais adiante, sob a luz do sol, outros dois grupos também estavam almoçando.
Esses dois grupos conversavam alegremente entre si e não pareciam ter ouvido a voz de Tomoya.
Haruto soltou um pequeno suspiro antes de começar a falar.
“Você chama isso de ‘morar junto’, mas não é um pouco diferente?”
“Como assim é diferente?”
“Bem, porque ‘morar junto’ me dá a imagem de um casal vivendo sozinho, só os dois.”
“Hmmm? Agora que você mencionou isso, é verdade...”
Com as palavras de Haruto, Tomoya cruzou os braços com uma expressão um pouco séria.
A proposta de Shūichi de contratar a avó de Haruto como empregada residente. E o convite para que o próprio Haruto também ficasse morando na residência dos Tōjō.
Quando ele contou isso a Tomoya, ele exclamou animado: “Vocês estão morando juntos!”. Mas, de acordo com a proposta da família Tōjō, os pais de Ayaka, Shūichi e Ikue, o irmão mais novo Ryōta e até mesmo sua própria avó estariam todos vivendo sob o mesmo teto. Essa situação parecia um pouco diferente da ideia de “morar junto” que Haruto tinha em mente.
“A família Tōjō inteira estará lá, e além disso, minha própria avó também estará. Dá mesmo para chamar isso de ‘morar junto’?”
“Hmmm. Mas... essa situação não é, na verdade, um nível ainda mais alto do que simplesmente morar junto?”
Tomoya, ainda com os braços cruzados, inclinou levemente a cabeça e então abriu a boca lentamente.
“Isso é um passo completo além de apenas morar junto, não é? Morar com a família da sua namorada... Tudo o que falta é vocês dois se tornarem adultos, carimbarem os papéis, e pronto, estão casados.”
“Não, não. Isso é cedo demais. Nós só começamos a namorar há uma semana, sabia?”
“Hmph, Haru. O tempo não tem significado quando se trata de amor verdadeiro, sabia?”
Tomoya disse essa frase brega enquanto, de forma misteriosa, jogava a franja para trás e colocava uma expressão exageradamente digna.
Haruto fez uma careta ao ouvir as palavras do melhor amigo.
“Quando você fala assim, só soa assustador.”
“Que crueldade. Ah, espera, já sei! O que você está fazendo não é ‘coabitar’, é mais como ‘se mudar para a casa de alguém’.”
“Se mudar... Isso é... o que é?”
“É, provavelmente.”
Tomoya assentiu uma vez à pergunta de Haruto, então tirou o celular do bolso e pesquisou a definição de “se mudar para a casa de alguém”.
Em seguida, mostrou os resultados da pesquisa a Haruto.
“Viu! Diz aqui que ‘se mudar’ significa um casal casado ou membros da família morando juntos na mesma casa!”
“Não, não, mas logo abaixo também diz que pode significar uma pessoa que não é da família morando na casa de uma família, não diz?”
“Hum? Então, isso não é exatamente a sua situação atual?”
“Eh? Ah... acho que sim...”
Haruto acabou concordando com Tomoya sem perceber.
“Então isso quer dizer que eu vou me mudar para a casa da Ayaka... ou melhor, me mudar para a casa da família Tōjō?”
“Acho que sim, né? Estou morrendo de inveja, seu desgraçado!”
Enquanto Tomoya o cutucava com um sorriso malicioso, Haruto inclinou a cabeça mais uma vez.
“Mas não é como se eu fosse morar lá o tempo todo. Não posso deixar minha própria casa vazia para sempre.”
Quando se diz “se mudar”, dá a sensação de que você passa a viver constantemente naquela casa.
Em contraste, Haruto não ficaria o tempo todo na residência dos Tōjō; seu estilo de vida envolveria ir e voltar entre sua casa atual e a casa dos Tōjō. Os retratos de seus pais e de seu avô, assim como o altar budista da família, estavam em sua casa, então ele não podia deixá-la vazia por longos períodos, pois precisava limpá-la e cuidar dela.
“Eles dizem que uma casa se deteriora rápido quando ninguém mora nela.”
“Mas, ei? Quando sua avó estiver trabalhando como empregada na casa da Tōjō-san, você vai ficar sozinho em casa, certo?”
“Bom, sim.”
Foi justamente por se preocupar com isso que Shūichi sugeriu que Haruto fosse morar com eles também.
“Então, você vai experimentar se mudar para a casa da Tōjō-san e, ao mesmo tempo, experimentar morar sozinho?”
“Você está colocando um viés positivo demais nisso.”
Haruto deu um sorriso torto para o melhor amigo, que parecia um pouco animado.
“Na realidade, ainda precisamos discutir como minha avó vai trabalhar lá e o quanto eu vou ficar na residência dos Tōjō, então não sei como isso vai acabar.”
“Hmmm. Quando vai ser essa conversa?”
“Neste sábado, minha avó e eu estamos planejando ir à residência dos Tōjō para cumprimentá-los.”
Como Shūichi e Ikue têm folga do trabalho nesse dia, todos — Haruto, sua avó, Ayaka e Ryōta — estão programados para discutir como será o arranjo de trabalho e até que ponto Haruto ficará na casa deles.
Depois de ouvir Haruto, Tomoya murmurou “Entendi” e sorveu o resto de sua caixinha de suco de laranja. Haruto estranhou a combinação de pão de yakisoba com suco de laranja, mas também bebeu a caixinha de café com leite que Tomoya havia pago para ele.
“Ah, é mesmo, o festival de fogos que foi adiado é neste domingo, né? Você vai com a Tōjō-san?”
Tomoya amassou a caixinha vazia de suco de laranja na mão.
“Sim, esse é o plano.”
“Morar junto significa que vocês não precisam combinar um local de encontro. Isso é bom.”
“Agora que você mencionou isso... mas, como eu disse antes, tudo depende da conversa de sábado.”
A menos que a conversa aconteça no sábado e eu acabe ficando lá já naquele mesmo dia, não vai ser como o Tomoya diz, de estarmos juntos desde o momento em que saímos de casa.
“Eu não acho que vá acabar comigo ficando lá imediatamente no dia em que conversarmos, sabia?”
“Você acha? Pelo que ouvi, a família da Tōjō-san gosta muito de você, certo? Eu diria que as chances são altas, não são?”
Com as palavras de Tomoya, a imagem de um Ryōta extasiado e hiperativo surgiu na mente de Haruto. O jovem Ryōta, puro de coração, poderia, no momento em que soubesse que Haruto iria se mudar, implorar com todas as forças para que ele começasse a ficar lá já naquele mesmo dia.
Haruto, que conseguia imaginar essa cena com clareza, deu um pequeno sorriso torto.
“Bom, há uma... possibilidade, eu acho.”
“Viu só? Estou morrendo de inveja.”
Tomoya entrelaçou as mãos atrás da cabeça, olhou para o céu e repetiu: “Estou morrendo de inveja.”
“Sabe, quando você mora com uma garota, não dá para evitar alguns ‘acontecimentos’, né?”
“O que você quer dizer com ‘acontecimentos’?”
“Bem... tipo esbarrar nela no vestiário e ver a Tōjō-san nua?”
“Isso não é um mangá. Um ‘acontecimento’ desses não vai acontecer.”
Haruto lançou um olhar exasperado ao melhor amigo.
“E quanto à Tōjō-san, meio adormecida, confundir sua cama com a dela e se enfiar nela com você?”
“Nem a Ayaka é tão distraída assim... provavelmente.”
Haruto negou isso também, mas sua voz soou menos confiante do que quando falou sobre o incidente no vestiário.
Depois de passar as férias de verão com ela, Haruto havia chegado à conclusão de que Ayaka era, se fosse para dizer algo, do tipo distraída. Além disso, suas ideias sobre romance eram um pouco fora do comum, então, embora a possibilidade de ela subir sonolenta em sua cama fosse infinitesimalmente pequena, ele não conseguia negá-la completamente.
Ao imaginar Ayaka subindo em sua cama, o rosto de Haruto ficou vermelho.
Vendo isso, os lábios de Tomoya se curvaram em um sorriso.


“Estou morrendo de inveja~. Morar com a Tōjō-san. Se o Kaitō-senpai soubesse disso, com certeza ele choraria lágrimas de sangue, sabia?”
“Eu não faria algo tão cruel. Além disso, estamos mantendo o fato de que estamos namorando em segredo por enquanto.”
“Na situação atual, se você anunciasse que é o namorado dela, as coisas provavelmente ficariam caóticas.”
Desde a declaração de Ayaka — “eu tenho alguém de quem gosto” — após as férias de verão, não houve um único dia em que esse assunto não tivesse vindo a tona.
É claro que isso aconteceu na sala de aula, mas mesmo ao caminhar pelos corredores, ele ocasionalmente ouvia conversas sobre o assunto.
“Acho que não vou poder me aproximar muito da Ayaka na escola por um tempo...”
“Ei, ei, meu querido amigo. Não fique tão para baixo. Assim que você chegar em casa depois da escola, poderá passar todo o tempo com ela.”
Tomoya disse em um tom provocador para um Haruto levemente abatido.
Assim que Haruto estava prestes a responder, ele ouviu passos se aproximando e fechou a boca que estava meio aberta. Tomoya também percebeu isso, e sua expressão de deboche se endireitou em um rosto sério enquanto ele escutava os passos que se aproximavam.
Os dois estavam sentados com as costas apoiadas na base da torre de água, que ficava em um ponto cego em relação à entrada do terraço. Por causa disso, eles não conseguiam ver quem se aproximava. Os passos ficaram cada vez mais altos e, por fim, uma única pessoa espiou por trás da base da torre de água.
“Ora, ora? Se não são Akagi-kun e Ōtsuki-kun. O que vocês dois estão fazendo em um lugar como este?”
Quem falou com eles foi Saki.
Ela olhou para os dois sentados de pernas cruzadas com uma expressão levemente surpresa.
Haruto ficou um pouco aliviado ao ver que quem havia aparecido era Saki. Ela sabia sobre o relacionamento dele com Ayaka, então não haveria problema mesmo que ela tivesse ouvido a conversa anterior.
“Eu estava apenas conversando com o Tomoya sobre a Ayaka.”
“Ah, então é por isso que vocês estão em um lugar deserto como este.”
Saki assentiu como se tivesse entendido as palavras de Haruto.
“E você, Aizawa-san?”
“Eu também estava procurando um lugar deserto com a Ayaka—”
“Haruto-kun!?”
No meio da frase de Saki, outra pessoa apareceu por trás dela.
Era Ayaka, com o rosto repleto de um sorriso brilhante e feliz que rivalizava com o sol de verão. Espiando por trás de Saki, no instante em que viu Haruto, ela estava prestes a correr em sua direção com um enorme sorriso no rosto. Ela parecia exatamente um filhotinho que havia encontrado seu dono.
Se Ayaka tivesse um rabo, ele certamente estaria balançando energeticamente.
Mas Saki agarrou a parte de trás da gola de Ayaka, interrompendo sua investida.
“Ayaka, fica!”
Saki disse, como se estivesse dando o comando “fica” a um cachorro.

Ayaka, segurada pela nuca, inclinou levemente a parte superior do corpo para trás e soltou um adorável “Fugyu!” ao parar. Em seguida, ela se virou imediatamente e lançou um olhar insatisfeito para Saki.
“Muu!”
“Não venha com esse ‘muu’ para cima de mim.”
Saki disse, como se estivesse descartando a reclamação dela, e rapidamente olhou ao redor.
No terraço, outros dois grupos de alunos estavam almoçando.
Depois de lançar um olhar para cada um deles, Saki puxou o braço de Ayaka, aproximou-se de Haruto e de seu amigo e, quando já estavam completamente à sombra da torre de água, repreendeu Ayaka.
“O que você faria se outras pessoas vissem isso? Já esqueceu dos problemas que teve no primeiro dia depois das férias, quando declarou que tinha alguém de quem gostava?”
“D-desculpa...”
Repreendida por Saki, Ayaka pediu desculpas com uma expressão abatida.
Os dois grupos de alunos comendo seus bentôs ao sol estavam completamente envolvidos em conversas com seus amigos e não pareciam ter notado a aparição da idol da escola.
No entanto, se alguém tivesse visto Ayaka naquele momento, seria fácil imaginar quem era a pessoa de quem ela gostava. Depois de se desculpar com Saki, Ayaka também se virou para Haruto.
“Desculpa, Haruto-kun.”
“Não, bem, ninguém percebeu nada ainda, e eu também fico feliz em te ver, Ayaka.”
No instante em que ouviu essas palavras, a expressão levemente abatida de Ayaka floresceu em um sorriso radiante.
Ao ver isso, Saki soltou um pequeno suspiro, como se dissesse ‘ai, pelo amor de Deus’, e olhou ao redor mais uma vez para confirmar que ninguém estava observando.
“Ayaka, boa garota!”
“S-Saki! Eu não sou um cachorro!”
Ayaka estufou as bochechas e protestou contra a melhor amiga, que estava lhe dando comandos como se fosse uma dona de cachorro.
“Mesmo você tendo acabado de tentar avançar no Ōtsuki-kun como um cachorro?”
“I-isso é... porque quando encontrei o Haruto-kun inesperadamente, meu corpo simplesmente se moveu sozinho.”
Ayaka disse, inventando desculpas timidamente.
Vendo-a daquele jeito, Tomoya estreitou os olhos e perguntou a Haruto, que estava sentado ao seu lado.
“Ei, Haru-san. O que exatamente você fez com a Tōjō-san? Ela está completamente caidinha por você.”
“Eu não fiz nada. Eu apenas me declarei normalmente e começamos a namorar.”
“Você tem um talento natural surpreendente para encantar as pessoas. A Tōjō-san também foi vítima disso?”
“O que você quer dizer com isso? Não fale coisas tão enganosas.”
“O pior é o fato de você nem perceber isso.”
Enquanto Tomoya e Haruto tinham essa conversa, Ayaka interveio timidamente.
“Akagi-kun. Tudo bem se eu me sentar ao lado do Haruto-kun?”
“Claro! Por favor, fique à vontade!”
“Obrigada.”
Ao ouvir a resposta de Tomoya, Ayaka se sentou, aconchegando-se imediatamente ao lado de Haruto, como se não pudesse esperar. Ao ver o sorriso radiante dela naquele momento, Tomoya fechou os olhos silenciosamente, colocou uma mão no peito e olhou para o céu.
“Uma deusa desceu...”
“Que tipo de bobagem você está dizendo?”
“Haru. Por enquanto, só vá explodir por favor.”
“Como se eu fosse.”
“Droga, estou com muita inveja~”
Tomoya rangeu os dentes, o rosto tomado por uma expressão de inveja. Então, Saki falou com ele.
“Akagi-kun, tudo bem se eu me sentar ao seu lado?”
“Eh? Sim, claro.”
Quando Saki se sentou suavemente ao lado dele, Tomoya lançou-a um olhar levemente curioso.
Saki encontrou o olhar dele com um sorriso irônico e olhou para Ayaka, que estava sentada ao lado de Haruto.
“Quando a Ayaka entra no ‘modo donzela apaixonada’, ficar perto dela me dá algum tipo de azia.”
“Ah, entendi.”
Tomoya assentiu às palavras de Saki. Ayaka, sentada ao lado de Haruto, praticamente irradiava uma aura de felicidade, com o rosto constantemente estampando um sorriso largo e radiante.
“Hee hee, estou tão feliz por poder ficar ao seu lado na escola também, Haruto-kun.”
Quando Ayaka disse isso timidamente, os lábios de Haruto também se curvaram em um sorriso feliz.
Ao ver os dois bem ao seu lado, Tomoya fez uma careta, como se um bloco de chocolate ao leite tivesse sido enfiado em sua boca. Então, ele arrancou o café com leite que Haruto estava segurando.
“Ei, esse é o meu café com leite!”
“Cala a boca!”
Haruto protestou, tentando pegar de volta seu café com leite.
Tomoya afastou o braço dele e engoliu o resto do café com leite de uma vez.
“Droga, esse café com leite é doce demais. Preciso de café preto, isso não serve.”
Depois de virar o café com leite, Tomoya reclamou, ignorando completamente o olhar de reprovação do melhor amigo.
“Aizawa-san, vamos buscar um café sem açúcar juntos mais tarde. Eu pago.”
“Obrigada. Isso ajudaria bastante.”
Saki assentiu com um sorriso irônico ao convite de Tomoya. Então, Haruto fez uma pergunta.
“Então, por que você e a Ayaka estão aqui? Você estava prestes a dizer algo sobre procurar um lugar deserto.”
“Ah, bem, estamos apenas um pouco cansadas. Sempre que há nem que seja um pouco de tempo livre, todo mundo bombardeia a Ayaka com perguntas.”
Saki explicou a Haruto e Tomoya com uma expressão levemente cansada.
Desde que Ayaka declarou no primeiro dia após as férias de verão que “há alguém de quem eu gosto”, ela vem sendo incessantemente questionada sobre quem é essa pessoa.
O alvo dessas perguntas não era apenas a própria Ayaka, mas também sua melhor amiga, Saki, que aparentemente também estava sendo abordada em busca de qualquer informação que pudesse ter.
“É um inferno ouvir a mesma pergunta repetida várias vezes em todo intervalo...”
“D-desculpa, Saki. Por te envolver nisso...”
“Bem, como sua melhor amiga, eu fico feliz em te ver tão alegre agora que tem um namorado.”
Saki disse com um sorriso para a Ayaka arrependida, embora um leve traço de cansaço fosse visível nele.
“Entendi, então é por isso que vocês estavam procurando um lugar deserto.”
Tomoya assentiu à explicação de Saki.
“Isso mesmo. Acho que essa situação não vai durar muito, então só precisamos aguentar até que se acalme.”
Saki disse, soltando um “uff” como se estivesse completamente exausta.
“A propósito, ouvi da Ayaka, Ōtsuki-kun, você vai morar na residência dos Tōjō?”
“Ah, bem, não exatamente morar, é mais como ficar lá com frequência.”
Como nada ainda estava decidido, Haruto deu uma resposta vaga.
Então, Ayaka, sorrindo, falou animadamente.
“Vamos discutir isso neste sábado, não é? O Ryōta já está super animado, dizendo: ‘Onii-chan vai ficar aqui!!’”
“E-entendi... Então, na mente do Ryōta-kun, já está decidido que eu vou ficar lá...”
“Haru, parece que você vai ir para a rota de ‘sair de casa juntos para o festival de fogos’.”
Tomoya disse com um sorriso provocador.
Ao ouvir isso, Saki olhou para Haruto e Ayaka como se tivesse acabado de se lembrar de algo.
“A propósito, vocês dois estão planejando ir juntos ao festival de fogos?”
“Sim. Esse é o plano, por quê?”
Ayaka assentiu às palavras de Saki e então olhou para Haruto. Haruto encontrou o olhar dela e assentiu de volta.
Diante das respostas deles, Saki pareceu preocupada.
“O festival de fogos fica absurdamente lotado, então as chances podem ser baixas, mas não seria ruim se alguém da escola visse vocês dois indo juntos ao local desde o começo?”
“Ah... é verdade.”
“Sabe, a Ayaka chama muita atenção.”
“Verdade...”
Haruto assentiu profundamente, concordando com Saki.
Ayaka já atraía os olhares dos transeuntes apenas com sua beleza. Se ela se arrumasse com um yukata, seria impossível evitar se tornar o centro das atenções. A imagem de Ayaka em seu belo yukata no festival do bairro outro dia passou por sua mente.
Então, ao seu lado, veio a voz triste de Ayaka.
“T-Talvez seja melhor a gente não ir ao festival de fogos...?”
Uma onda de culpa tomou conta de Haruto ao ouvir sua voz fraca e abatida.
Nesse momento, Tomoya fez uma sugestão.
“Por que vocês não fingem que vieram com amigos e que apenas se encontraram por acaso?”
“Isso pode funcionar.”
Saki também assentiu à sugestão de Tomoya.
“É inevitável que seja problemático se formos vistos, mas desse jeito pelo menos teremos uma desculpa.”
“Então, eu vou primeiro ao festival de fogos com o Tomoya, a Ayaka vai com a Aizawa-san, e fingiremos que nos encontramos por acaso no local.”
Se eles montassem uma situação em que, como melhores amigos, fossem ver os fogos e acabassem se encontrando por coincidência, mesmo que fossem vistos por algum aluno da escola, teriam mais margem de manobra do que se fossem vistos apenas como um casal.
Tomoya abriu um largo sorriso e deu um tapinha no ombro de Haruto.
“No momento certo, eu vou fingir que me separei e desaparecerei.”
Ele disse isso enquanto também fazia um sinal de positivo com o polegar para Ayaka.
“Obrigada, Akagi-kun.”
“Então, nessa hora eu também deixo vocês dois sozinhos.”
Seguindo Tomoya, Saki também sorriu e disse.
“Desculpa, Aizawa-san. Por te fazer passar por esse trabalho.”
“Tudo bem. Ayaka, você não pôde ter uma vida amorosa até agora, então eu quero que você aproveite este momento ao máximo.”
“S-Saki~”
Diante das palavras de Saki, Ayaka não conseguiu se conter e saiu do lado de Haruto para abraçar sua melhor amiga. Saki fez um carinho em sua cabeça, dizendo “pronto, pronto”.
“Obrigado! Isso é um verdadeiro banquete!”
Vendo as duas garotas interagirem, Tomoya juntou as mãos e se curvou solenemente.
“Para com isso, seu pervertido.”
A resposta exasperada de Haruto foi engolida pelo céu azul de verão.
✦ ✦ ✦
“Vó, esta é a casa da Ayaka.”
“Oh, minha nossa, que magnífica...”
Uma mansão se erguia diante deles.
No primeiro fim de semana após o término das férias de verão, Haruto e sua avó estavam lado a lado diante da residência dos Tōjō, com a boca dela levemente aberta, como se estivesse surpresa.
Eles haviam ido à casa dos Tōjō no início da tarde para discutir os termos do cargo de governanta residente oferecido pela família Tōjō, como o estilo de trabalho e a frequência.
Lançando um olhar para sua avó atônita, Haruto apertou o interfone com uma mão já acostumada.
“Sim, é o Ōtsuki-kun?”
“Sim, olá, Shūichi-san.”
A voz calma de Shūichi veio pelo interfone.
“Eu estava esperando por você. Vou abrir a porta agora.”
Imediatamente após essas palavras, a porta da frente se abriu e Shūichi apareceu do interior.
Ao ver Haruto e sua avó, ele os cumprimentou com um sorriso amigável.
“É um prazer conhecê-la. Sou Tōjō Shūichi. Sejam bem-vindos.”
“Obrigada pela recepção tão gentil. Eu sou a avó do Haruto, Ōtsuki Kiyoko.”
A avó de Haruto, Kiyoko, curvou-se profundamente diante de Shūichi.
“Muito obrigada por cuidar tão bem do Haruto durante as férias de verão.”
“De forma alguma! Nós é que ficamos em dívida com ele! O trabalho doméstico do Haruto-kun, especialmente suas habilidades culinárias, foi realmente maravilhoso.”
Enquanto Kiyoko se curvava profundamente, Shūichi elogiava o neto dela com um sorriso.
“Bem, não vamos ficar conversando na entrada. Por favor, entrem.”
Ele abriu bem a porta da frente para receber Haruto e Kiyoko.
Ao entrar na residência dos Tōjō, os olhos de Kiyoko se arregalaram de admiração diante do interior que parecia uma mansão.
“Que casa magnífica...”
“Obrigado. Por favor, use estes chinelos.”
Shūichi se curvou com um sorriso diante do elogio de Kiyoko e então preparou um par de chinelos para ela.
Por sinal, os chinelos de Haruto, que ele havia usado durante seu trabalho de meio período como ajudante doméstico, haviam sido mantidos na residência dos Tōjō para seu uso regular.
O olhar de Kiyoko se fixou em seu neto enquanto ele trocava os sapatos com uma naturalidade tranquila, como se estivesse calçando seus próprios chinelos em casa.
“Hm? O que foi, vó?”
“Não, não é nada.”
“Hm?”
Enquanto Haruto inclinava levemente a cabeça, Kiyoko lhe deu um sorriso suave.
“Parece que os Tōjō trataram você muito bem durante as férias de verão.”
“Sim. Fico realmente feliz que meu trabalho de meio período tenha sido na casa do Shūichi-san.”
“Isso é muito gentil da sua parte, Ōtsuki-kun. Nós também achamos que foi ótimo que tenha sido você quem veio para o serviço de limpeza.”
Diante das palavras de Shūichi, Haruto deu um sorriso tímido e disse um pequeno “obrigado”.
“Então, vou levá-los até a sala de estar.”
Disse Shūichi, caminhando lentamente pelo corredor. Seguindo atrás dele, Kiyoko olhava ao redor do corredor, parecendo constantemente impressionada com a residência dos Tōjō. Ao ver isso, Haruto se lembrou de sua própria primeira visita à casa dos Tōjō e sentiu um pouco de nostalgia.
Parecia que fazia muito tempo desde que ele veio pela primeira vez à residência dos Tōjō para trabalhar como ajudante e conheceu Ayaka.
Foi assim que as férias de verão que ele passou com a família Tōjō pareceram densas e cheias para Haruto.
Enquanto pensava nessas coisas, Shūichi abriu a porta no fim do corredor e entrou.
“Esta é a sala de estar.”
Na sala que ele apresentou, os membros da família Tōjō já estavam reunidos.
Shūichi os apresentou a Kiyoko um por um.
“Esta é minha esposa, Ikue.”
“É um prazer conhecê-la. Sou a esposa dele, Ikue. Obrigada por ter vindo hoje.”
“Eu sou a avó do Haruto, Kiyoko. Nós é que estaremos sob seus cuidados a partir de agora.”
Ikue e Kiyoko trocaram reverências educadas. Em seguida, Shūichi apresentou Ayaka.
“Você já conheceu minha filha, Ayaka, não é?”
“Obrigada por me receber outro dia.”
Diante da apresentação de Shūichi, Ayaka sorriu para Kiyoko.
“O prazer é todo meu, Ayaka-san. O Haruto está sempre em dívida com você.”
Como se fosse atraída por aquele sorriso, Kiyoko também sorriu de volta e inclinou a cabeça.
Por fim, Shūichi apresentou Ryōta.
“Este é meu filho, Ryōta. Vamos, Ryōta, cumprimente a Kiyoko-san.”
“...Eu sou Tōjō Ryōta. Prazer em conhecê-la.”
Um pouco tímido, ele se apresentou com uma expressão levemente nervosa.
Kiyoko respondeu a Ryōta com um sorriso gentil e uma postura afável.
“O prazer é meu, Ryōta-kun. Eu sou a avó do Haruto, Kiyoko.”
“É... ‘sobo’ quer dizer ‘Obaa-chan’, Onii-chan?”
(TL/N: Kiyoko usa a palavra ‘sobo’, que é uma forma formal de ‘avó’, enquanto Ryōta usa a forma mais informal ‘Obaa-chan’.)
Ryōta olhou para Haruto e perguntou.
“Isso mesmo, Ryōta-kun.”
“Então... quando o Onii-chan virar meu Onii-chan de verdade, a avó vai virar minha vovó também?”
“Ah... acho que... seria isso mesmo?”
“Então vou ter três vovós!”
Com os olhos de Ryōta brilhando de alegria, todos ao redor sorriram.
Haruto já havia desistido de negar o ‘Projeto Onii-chan de Verdade’ de Ryōta.
Na realidade, ele não sabia o que o futuro reservava para ele e Ayaka, mas se tentasse explicar isso, os ataques de “por quê?” de Ryōta começariam, então agora ele apenas sorria e deixava passar.
Não há nada mais problemático para um adulto do que o inocente “por quê?” de uma criança pequena.
[Del: Filósofos 🤝 Crianças de 5 anos.]
Depois que as apresentações da família Tōjō terminaram, todos se moveram até a mesa de jantar e se sentaram.
“Bem, então, se não se importar, eu gostaria de começar a discutir o trabalho da Kiyoko-san como governanta. Tudo bem?”
“Sim, por favor.”
Kiyoko se curvou educadamente diante das palavras de Shūichi.
A partir daí, eles começaram a discutir como Kiyoko trabalharia como governanta para a família Tōjō.
A conversa fluiu muito mais tranquilamente do que o esperado, e eles chegaram a um acordo em cerca de trinta minutos.
Kiyoko trabalharia como governanta residente na residência dos Tōjō cinco dias por semana, de terça a sábado. Então, aos domingos e segundas-feiras, ela retornaria à residência dos Ōtsuki. Em caso de mau tempo, Shūichi ou Ikue a levariam de carro. Além disso, se as costas de Kiyoko estivessem em más condições, eles também a levariam.
Além disso, Shūichi também apresentou a condição extremamente generosa de que ela poderia tirar o dia de folga de suas funções de governanta sempre que tivesse algum compromisso.
Eles também discutiram e decidiram outros detalhes importantes, como questões financeiras e horários de trabalho.
“Então, está decidido que a Kiyoko-san começará a vir à nossa casa a partir da próxima terça-feira?”
Shūichi, satisfeito por a conversa ter sido concluída de forma favorável, confirmou com Kiyoko com uma expressão feliz.
“Sim, espero trabalhar com vocês a partir de agora.”
Kiyoko se curvou de forma profunda e educada diante de toda a família Tōjō.
Enquanto os membros da família Tōjō também se curvavam em uníssono, Ikue sorriu radiante.
“O prazer é todo nosso. Estou ansiosa para comer a sua comida, Kiyoko-san. Não é, Ayaka?”
“Sim. A comida do Haruto-kun também é muito deliciosa, então estou realmente ansiosa pela comida da Kiyoko-san.”
“Eu quero comer hambúrguer!!”
“Ryōta, o Ōtsuki-kun acabou de fazer hambúrguer para você outro dia, não fez?”
Ikue repreendeu Ryōta gentilmente, cujos olhos brilhavam de expectativa, mas um sorriso permanecia em seu rosto. Diante da reação da família Tōjō, a expressão de Kiyoko se tornou alegre.
“Vou dar o meu melhor para atender às expectativas de todos.”
Enquanto Kiyoko respondia com uma postura gentil, Ayaka soltou um pequeno sorriso e sussurrou para Haruto, que estava por perto.
“O jeito de falar da Kiyoko-san é exatamente como o seu era no começo.”
“Eh? Sério?”
“Sim. Exatamente igual.”
Ayaka disse com uma pequena risada: “Famílias são interessantes, não são?”, e parecia feliz. Diante da reação dela, Haruto se sentiu um pouco envergonhado e coçou a cabeça com uma mão.
Depois que a discussão sobre Kiyoko foi resolvida, o assunto mudou para Haruto.
Shūichi juntou as mãos sobre a mesa de jantar, inclinou-se levemente para a frente e começou a falar.
“Pois bem, agora eu gostaria de falar sobre a situação de moradia do Haruto-kun.”
Ele voltou seu olhar para a avó de Haruto e continuou.
“Para mim, é doloroso pensar que o Haruto-kun ficará sozinho em casa enquanto a Kiyoko-san estiver trabalhando em nossa casa. É solitário ficar sozinho em casa quando se tem família. Portanto, eu gostaria que o Haruto-kun também ficasse hospedado em nossa casa.”
Dizendo isso, Shūichi observou a reação de Kiyoko. Kiyoko exibiu uma expressão pensativa.
“Sou muito grata pela sua consideração, mas...”
A expressão dela, aos olhos de Haruto, parecia demonstrar certa relutância.
“Sinto que seria um incômodo para vocês cuidarem não apenas de mim, mas também do Haruto. Peço sinceras desculpas… Isso simplesmente não é possível.”
Ikue se pronunciou com um sorriso em resposta à fala de Kiyoko.
“Nós sabemos, pelo trabalho de governança de meio período, que o Haruto-kun é um menino muito bom, e ficaríamos encantados em tê-lo vindo para nossa casa. Não achamos que seja um incômodo de forma alguma.”
“Eu ficaria muito feliz se o Haruto-kun estivesse em casa.”
Seguindo as palavras de Ikue, Ayaka também expressou seus próprios sentimentos, com as bochechas levemente coradas.
Apesar da recepção calorosa da família Tōjō, a expressão de Kiyoko continuava preocupada.
“Obrigada. No entanto, o Haruto ainda é jovem, e considerando o relacionamento dele com a Ayaka-san, para eles viverem juntos é...”
Kiyoko disse com um tom apreensivo.
Sua maior preocupação parecia ser Haruto e Ayaka.
Kiyoko aprovava o relacionamento de Haruto e Ayaka e o acolhia de bom grado.
Ela estava sinceramente feliz por seu neto ter encontrado uma namorada tão maravilhosa. No entanto, parecia que essa era uma questão separada.
Justamente porque desejava que eles construíssem um relacionamento sólido e o valorizassem, ela se preocupava com a possibilidade de que um erro causado pela imprudência juvenil pudesse acontecer.
Percebendo a preocupação de Kiyoko, Shūichi assentiu uma vez e então sorriu antes de começar a falar.
“Vamos fazer uma pequena pausa. Kiyoko-san, nós temos um deque de madeira no jardim, gostaria de vê-lo?”
Mudando repentinamente de assunto, Shūichi se levantou para mostrar o quintal a Kiyoko. Ao mesmo tempo, ele também lançou um olhar para Haruto e os outros.
“Ah, é mesmo. Recentemente recebi uma torta de maçã muito deliciosa de um parceiro de negócios. Ikue, poderia servi-la ao Haruto-kun e aos outros?”
“Claro, querido.”
Ikue assentiu com um sorriso às palavras de Shūichi e seguiu em direção à cozinha.
Ryōta, que já estava um pouco entediado com a conversa, se animou ao ouvir as palavras “torta de maçã” e acompanhou a mãe com o olhar, parecendo inquieto.
“Kiyoko-san, por favor, por aqui.”
Shūichi guiou Kiyoko até o deque de madeira.
Kiyoko, que inicialmente havia ficado um pouco confusa com a mudança repentina de assunto, parecia ter percebido a intenção de Shūichi e o seguiu obedientemente.
Haruto observou as costas de Shūichi e Kiyoko enquanto eles se dirigiam ao quintal e, em seguida, encontrou silenciosamente o olhar de Ayaka. Quando seus olhos se cruzaram, ela inclinou levemente a cabeça com uma expressão um tanto confusa.
Parecia que Ayaka também não sabia sobre o que Shūichi pretendia falar com Kiyoko.
Enquanto aceitava a torta de maçã oferecida por Ikue, a mente de Haruto estava tomada pelo pensamento: Afinal, sobre o que o Shūichi-san vai conversar com a minha avó?
✦ ✦ ✦
Shūichi e Kiyoko saíram da sala de estar para o deque de madeira do quintal.
O brilho intenso do sol que caía de cima fez com que ambos semicerrassem um pouco os olhos.
“Minha nossa, que lindo.”
“Este ano eu estive ocupado demais para fazer qualquer coisa, mas no próximo ano estou pensando em colocar alguns vasos aqui e plantar várias flores.”
“Acho que é uma ideia maravilhosa.”
Enquanto dizia isso, assentindo, Kiyoko viu Shūichi gesticular em direção ao sofá disposto no deque de madeira.
“Por favor, sente-se ali.”
“Com licença.”
Depois de confirmar que ela havia se sentado no sofá, Shūichi também se sentou no sofá imediatamente ao lado dela.
A sensação confortável de afundar levemente no sofá macio e envolvente trouxe um sorriso incontrolável ao rosto de Shūichi. Esse deque de madeira e o sofá eram seus lugares favoritos, algo em que ele havia insistido durante a construção da casa.
“É muito confortável.”
Kiyoko, sentada ao lado dele, também relaxou a expressão, aparentando estar confortável.
Mesmo com o fim das férias de verão, o calor sufocante continuava.
No entanto, parecia que a luz do sol havia suavizado um pouco após o meio-dia. Uma brisa suave, soprando levemente, percorria agradavelmente a pele aquecida pelo sol.
“É perfeito para tomar sol.”
“Fico feliz que tenha gostado. Kiyoko-san, de agora em diante, por favor, não hesite em usá-lo quando quiser descansar em casa.”
“Obrigada.”
Kiyoko inclinou a cabeça com gratidão diante das palavras de Shūichi.
Aos poucos, os dois aproveitaram o sol e o ar do verão, recostando-se profundamente no sofá.
Depois de um tempo, Shūichi iniciou casualmente uma conversa.
“Kiyoko-san. O Haruto-kun é um garoto realmente maravilhoso.”
“Obrigada. Mas eu também acho que a Ayaka-san é uma garota muito fofa e maravilhosa, sabia? Acima de tudo, acredito que a Ayaka-san tem um coração bonito. Ela é uma garota pura e de bom coração.”
“Hahahaha. Muito obrigado.”
Vendo Kiyoko elogiar sua filha, o sorriso de Shūichi transbordou de felicidade genuína.
“Você pode achar que sou um pai coruja, mas a Ayaka realmente cresceu sendo honesta e direta. Às vezes ela pode ser um pouco desligada e grudenta. Mesmo assim, acredito que ela seja uma garota gentil que compreende os sentimentos das pessoas.”
“Você não é um pai coruja de forma alguma. Acho que a Ayaka-san é exatamente o tipo de garota que o senhor descreveu.”
“Fico muito feliz em ouvir você dizer isso.”
Shūichi se curvou diante de Kiyoko com um sorriso amigável, então olhou diretamente em seus olhos e falou.
“Talvez eu ainda não conheça tão bem o Haruto-kun. Faz apenas cerca de um mês que o conheci. Mas eu observei minha filha, Ayaka, por dezessete anos, desde o dia em que ela nasceu até hoje.”
Shūichi se endireitou, afastando-se do encosto do sofá, virou o corpo em direção a Kiyoko e continuou a falar.
“Essa minha filha escolheu o Haruto-kun. Como pai, quero respeitar a decisão da minha filha. Além disso, se a Ayaka fizesse uma escolha claramente errada, acredito que seria meu dever como pai corrigir esse erro. Mas, pelo que observei do caráter do Haruto-kun, ele é alguém muito respeitável.”
Shūichi fez uma pausa, estreitou levemente os olhos e ergueu o olhar para o céu de verão.
“Com ele, acredito que a Ayaka possa ser feliz. Acho que o Haruto-kun tem algo que me faz sentir isso.”
“Sou muito grata por o senhor pensar tão bem do Haruto. No entanto...”
Kiyoko ainda demonstrava hesitação quanto a Haruto ficar na residência dos Tōjō.
Diante dela, Shūichi baixou o olhar do céu e, agora olhando para o quintal, abriu a boca.
“Ouvi do Haruto-kun que foi você, Kiyoko-san, quem o ensinou tudo sobre as tarefas domésticas. É verdade?”
“Sim, aquele menino é muito inteligente e habilidoso. Ele consegue fazer qualquer coisa que eu lhe ensino imediatamente.”
A expressão de Kiyoko, ao se gabar de seu neto com um toque de orgulho, era muito gentil e feliz sob o sol de verão.
“Entendo. Sim, eu realmente acho que as habilidades de vida do Haruto-kun são muito elevadas.”
Shūichi assentiu em concordância com as palavras de Kiyoko. Então, fez-lhe uma pergunta.
“O motivo de você ter ensinado o Haruto-kun tão perfeitamente as tarefas domésticas foi para que ele pudesse viver sozinho no futuro sem problemas, certo?”
Por que Haruto, que nunca havia morado sozinho, era tão versado em tarefas domésticas? Shūichi, que havia deduzido o motivo, falou em um tom baixo e atencioso.
Kiyoko baixou levemente o olhar e assentiu.
“Estou ficando velha. Um dia, terei de deixar o Haruto para trás. Quando isso acontecer, ele não terá mais família. Não terá ninguém em quem confiar. Mas ele terá que continuar vivendo. Então, eu quis que ele ao menos fosse capaz de cuidar de si mesmo sem dificuldades.”
“Mesmo sendo jovem, ele não tem família. Isso deve ser muito solitário e angustiante.”
Os pais de Shūichi ainda estavam vivos, e ele era cercado pela família: sua esposa Ikue, sua filha Ayaka e seu filho Ryōta. Apenas imaginar todos eles desaparecendo lhe causava um arrepio na espinha, um frio que parecia congelá-lo até o âmago.
As circunstâncias de Haruto e de Shūichi eram completamente diferentes.
Ele talvez não sentisse a perda da família da mesma forma que Haruto. Ainda assim, o peso mental, a sensação de ter o coração arrancado, seria a mesma. Shūichi pensava assim.
Talvez Kiyoko também estivesse imaginando a separação inevitável, pois sua expressão estava sombreada.
“Se eu pudesse, gostaria de ficar ao lado do Haruto pelo tempo que um pai ou mãe normal ficaria com seus filhos. Mas esse é um desejo que não pode ser realizado...”
“O tempo é igual para todos... é isso que quer dizer?”
E justamente por ser igual, ele também tem um lado cruel e implacável.
Uma atmosfera levemente sombria pairou entre os dois.
Como se quisesse mudar esse clima, Shūichi falou em um tom animado.
“Para o Haruto-kun, a passagem do tempo pode ser algo que lhe tira a família. Mas você também pode acrescentar novos membros à família, sabia?”
“Eh? I-isso...”
Shūichi sorriu alegremente enquanto Kiyoko, percebendo o que ele insinuava, ficou sem palavras.
“Claro, cabe a eles tomar essa decisão, e acredito que os pais não devem interferir desnecessariamente. No fim das contas, são as próprias vidas deles que devem decidir.”
Enquanto dizia isso, Shūichi continuou com uma expressão levemente divertida.
“No entanto, é da natureza dos pais desejar a felicidade de seus filhos. Queremos que eles tenham uma vida com o máximo de felicidade possível. Para isso, acredito que não há problema em guiá-los um pouco.”
Embora sua expressão fosse alegre, seus olhos continham um brilho sério.
“Eu não sei quais escolhas o Haruto-kun e a Ayaka farão. Eles ainda são jovens. Seja qual for a escolha deles, pretendo respeitá-la. Porém, se os caminhos escolhidos pelo Haruto-kun e pela Ayaka forem os mesmos, nós os receberemos de braços abertos.”
Quando Shūichi concluiu sua fala com um largo sorriso, os olhos de Kiyoko se arregalaram em surpresa e ela ficou imóvel.
“V-você estava pensando tão longe assim...?”
“Conversei apenas superficialmente sobre isso com a Ikue, mas ela compartilha da minha opinião.”
Kiyoko não conseguiu esconder sua surpresa ao perceber que a família Tōjō gostava de Haruto mais do que ela imaginava.
Então, Shūichi deu o golpe final, falando de forma suave, mas firme.
“Kiyoko-san. Você acha o Haruto-kun fofo?”
“Eh? S-sim, claro.”
Embora confusa com a pergunta repentina, Kiyoko assentiu com firmeza e clareza.
Para ela, Haruto era tão precioso e adorável que ela acreditava sinceramente que não sentiria dor mesmo se o colocasse dentro de seus olhos.
“Entendo. Bem, claro que acha.”
“Sim.”
“Se o seu neto é tão fofo assim, e o filho do seu neto? O quão fofo seria o seu bisneto?”
“B-bisneto...”
Diante da palavra inesperada, a boca de Kiyoko se abriu, atônita.
“O Haruto-kun tem um rosto bonito, não tem? Tenho certeza de que o filho dele herdaria essa beleza. Mas, se for uma menina, será que se pareceria com a minha filha Ayaka? Ah, só de imaginar já me faz sorrir.”
“O f-filho do Haruto...”
Naquele momento, uma sensação familiar retornou aos braços de Kiyoko.
Foi a sensação de segurar o recém-nascido Haruto. O pequeno Haruto, dormindo em seus braços, era tão leve e, ainda assim, tão pesado, que a fazia sentir a preciosidade da vida.
[Almeranto: Eu tenho 4 sobrinhos (três meninos e uma menina). Todos eles eu segurei no colo quando eram recém-nascidos, nunca vou esquecer essa sensação de segurar algo tão precioso. (E normal ter tantos sobrinhos assim mesmo tendo apenas 17 anos? Kkkkkk.) | Del: Você é o irmão mais novo né Al, no meu caso eu sou o mais velho, então segurei meu irmão mais novo.]
A felicidade avassaladora que a fazia sentir como se seu coração fosse explodir com um sentimento purificador e cheio de amor apenas por segurá-lo junto ao peito.
Dezessete anos haviam se passado desde o nascimento de Haruto. Apesar da longa passagem do tempo, ela ainda conseguia se lembrar disso com clareza. E daquela sensação que ela achou que nunca mais seria capaz de sentir.
Aquilo, mais uma vez. Talvez, enquanto ainda estivesse viva...
Ao imaginar esse momento, Kiyoko percebeu de repente que seus braços estavam tremendo de emoção.
Então, Shūichi falou com um sorriso gentil.
“Mesmo que vivam sob o mesmo teto, eu também quero que eles estejam cientes de suas posições como estudantes. E acredito que ambos pensarão e agirão com responsabilidade. Acredito que tanto o Haruto-kun quanto a Ayaka são jovens capazes de pensar por si mesmos sobre esse tipo de coisa.”
Em primeiro lugar, a razão pela qual Shūichi sugeriu que Haruto ficasse com eles foi porque, a partir de seu caráter, ele julgou que, mesmo vivendo juntos, ele prezaria por Ayaka.
“Eles não são mais crianças pequenas que agem sem pensar, afinal.”
“Isso é... verdade.”
Diante da persuasão de Shūichi, Kiyoko finalmente assentiu em concordância.
“Não sei qual escolha o Haruto fará, mas, se ele desejar fazer a Ayaka-san feliz, por favor, recebam-no como parte da família.”
Com essas palavras, Kiyoko curvou-se profundamente, profundamente diante de Shūichi.
“Claro. Com prazer.”
Shūichi também se curvou diante de Kiyoko e sorriu alegremente.
— Almeranto: Suichi aqui foi um baita exemplo, ele pode ser do tipo brincalhão, mas sempre supreende com essas falas dele. Sensacional! Quando crescer quero ser que nem ele Kkkkkkkk.
Traduzido por Moonlight Valley
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