Volume 4

Capítulo 5: O Último Serviço de Limpeza Doméstica

 Ōtsuki Haruto

 

   Haruto caminhava pelo silencioso bairro residencial, sentindo o calor escaldante na nuca. Então, ele parou em frente a uma residência luxuosa.

   Seu murmúrio suave de “Eu estava bem nervoso da primeira vez que vim aqui...” foi engolido pelo grande coro das cigarras estridentes.

   O trabalho temporário de limpeza doméstica que ele havia começado durante as férias de verão.

   Quando viu aquela mansão pela primeira vez, ele sentiu um aperto no peito, pensando que seu primeiro cliente era algum tipo de celebridade.

   Recordando vagamente aquele sentimento, Haruto apertou o botão do interfone.

“Sim?”

   Um sorriso surgiu naturalmente no rosto de Haruto ao ouvir a voz.

“Olá, aqui é do serviço de limpeza.”

   Haruto respondeu deliberadamente em um tom formal. Uma risadinha, “Heh”, veio do interfone.

“O que deu em você? Está sendo tão formal.”

“Bem, hoje é meu último dia de serviço. Pensei em voltar ao começo.”

“Hehe, então devo pedir para o Ryōta gritar ‘Ladrão!’ de novo?”

“Não... por favor me poupe disso.”

   A primeira vez que Haruto veio à residência Tōjō para o serviço de limpeza, Ryōta, que estava brincando lá fora, voltou para casa e gritou ‘Ladrão!’ ao vê-lo. A lembrança passou por sua mente.

   Era uma história engraçada agora, mas na época, o sangue de Haruto gelou, pensando que poderia acabar lidando com a polícia logo no seu primeiro dia de trabalho.

   Cerca de um mês havia passado desde então. Parecia um evento de um passado distante, e Haruto foi tomado por uma sensação de nostalgia.

   Nesse momento, a porta da frente se abriu com um clique.

   Banhada pela luz do sol de verão, Ayaka o cumprimentou com um sorriso radiante, dizendo “Bem-vindo, Haruto-kun.”

   Ela era considerada a garota mais bonita da escola de Haruto, elogiada como “a idol da escola”.

   Quando as férias de verão começaram, eles eram apenas “funcionário” e “cliente” de um serviço de limpeza. Agora, só de vê-la seu rosto suavizava e seu coração acelerava, ao mesmo tempo trazendo paz à sua alma. Ela havia se tornado alguém verdadeiramente insubstituível para ele.

   Ayaka, que havia passado de “cliente” para querida “namorada”, tocou felizmente o braço de Haruto.

“Entre.”

“Sim, com licença.”

   Guiado por seu braço, Haruto entrou no hall de entrada e seguiu direto para a sala de estar.

“Onii-chan!!”

   No momento em que Haruto entrou na sala, Ryōta veio correndo até ele como um javali investindo.

“Ei, Ryōta-kun. Está cheio de energia hoje, hein.”

   Haruto segurou Ryōta com ambas as mãos quando ele se chocou contra sua cintura.

“Sim!! Você vai fazer comida gostosa de novo hoje?” perguntou Ryōta, ainda abraçando Haruto e olhando para cima com olhos brilhantes.

   Desde que Haruto fez hambúrgueres para ele no primeiro dia, Ryōta estava completamente encantado com sua comida.

“Claro. Vou dar o meu melhor para preparar uma refeição deliciosa para você hoje, Ryōta-kun.”

“Ebaaaa!!”

   Haruto sorriu diante do grito de alegria de Ryōta. Nesse momento, Ikue entrou na sala.

“Bem-vindo, Ōtsuki-kun.”

“Com licença por incomodar.”

“Hoje é seu último dia de serviço. Muito obrigada por tudo.”

   Ikue sorriu calorosamente e lhe ofereceu palavras de agradecimento. Em resposta, a expressão de Haruto suavizou.

“O trabalho aqui foi muito gratificante e divertido. Sinto-me realmente afortunado por vocês terem sido meus clientes.”

“Oh, que coisa bonita de se dizer. Nós também tivemos muita sorte de ter você vindo fazer os serviços! Não é, Ayaka?”

“Sim. Eu estou tão feliz que tenha sido você, Haruto-kun.”

   Quando solicitada por Ikue, Ayaka voltou seus olhos para Haruto, sorrindo com um leve toque de timidez.

“Minha filha conseguiu um namorado tão maravilhoso por causa disso, vou ter que agradecer ao deus dos serviços de limpeza.”

“M-Mãe! Para de inventar deuses estranhos!”

   Enquanto Ikue provocava sua filha como sempre, as bochechas de Ayaka ficaram suavemente coradas enquanto ela protestava.

   Haruto sentiu um calor no peito ao observar aquela comunicação entre mãe e filha da família Tōjō, cena que havia se tornado tão familiar naquele verão.

“Ōtsuki-kun, de agora em diante, por favor venha sempre que quiser como namorado da minha filha.”

“Sim. Muito obrigado.”

   Haruto inclinou a cabeça, sentindo um formigamento no peito — uma mistura de gratidão e felicidade — por Ikue, que estava dando sua total aprovação ao seu relacionamento com Ayaka.

   Nesse momento, Shūichi também entrou na sala.

“Oh! Ōtsuki-kun! Bem-vindo!”

   Ao vê-lo, Shūichi abriu os braços em um caloroso gesto de boas-vindas.

“Shūichi-san, com licença por incomodar.”

   Haruto inclinou-se para Shūichi também, depois se endireitou para encará-lo.

“Hum, Shūichi-san. Tem algo que eu gostaria de conversar com o senhor sobre a Tōjō-san.”

   Ele já havia contado a Ikue que ele e Ayaka tinham começado a namorar. No entanto, Shūichi tinha estado fora em uma viagem de negócios, então ainda não havia falado com ele em si sobre isso.

   Como um gesto de cortesia por estar namorando Ayaka, Haruto sentiu que precisava informar apropriadamente, então ele abriu a boca, olhando firme para Shūichi.

“A verdade é que a Tōjō-san e eu começamos a namor—”

“Sim, sim!! Já ouvi tudo da minha esposa!”

   No instante em que Haruto começou a falar, Shūichi agarrou seus ombros em grande empolgação.

“Ōtsuki-kun! Obrigado por escolher minha filha!!”

“Ah, sim. Hum...”

“Eu posso estar influenciado por ser pai dela, mas acredito que Ayaka cresceu como uma garota gentil e atenciosa. Tenho certeza de que vocês dois conseguirão construir uma boa vida juntos!”

“C-Certo...”

   Shūichi se aproximou ainda mais, seus olhos brilhando intensamente. Diante do entusiasmo de Shūichi — semelhante ao de um pai entregando sua filha em um casamento — Haruto conseguiu apenas dar um sorriso levemente tenso. Shūichi continuou dando tapinhas repetidos em seus ombros, falando alegremente.

“Eu sei! Se não for incômodo, Ōtsuki-kun, que tal irmos pescar juntos algum dia para nos conhecermos melhor?”

“C-Claro... Eu adoraria.”

   A energia e a pressão de Shūichi eram tão intensas que Haruto apenas conseguiu assentir com pequenos movimentos rápidos da cabeça.

“Ótimo, ótimo! Então, quais dias você tem livres?”

“Ah, sim. Hum...”

“Pai! Você está deixando o Haruto-kun desconfortável! Se acalma um pouco.”

   Vendo o comportamento insistente do pai, Ayaka interveio para interrompê-lo.

“Hm? Oh, minhas desculpas. Acho que acabei me empolgando ao saber que os dois estavam namorando.”

   Dizendo isso, Shūichi soltou uma risada animada de “Ahahaha” e coçou a cabeça com uma mão.

   Ryōta correu até o pai. Em suas mãos estava o cofrinho feito em casa que ele tinha mostrado antes para Haruto e os outros.

“Olha, pai! Eu fiz isso! Vou trabalhar duro pelo Onii-chan e pela Nee-chan também!”

   Olhando para a “Caixinha de Economia para o Casamento” feita de uma caixinha de leite, Shūichi acariciou a cabeça do filho, impressionado.

“Isso é ótimo, Ryōta. Certo, então o papai vai colocar um dinheirinho aqui—”

“Nem pense nisso, querido. Ryōta precisa aprender direito o quanto é difícil economizar e o quanto isso é importante.”

“C-Certo. Você tem razão...”

   Shūichi, que estava prestes a tirar uma nota da carteira, ficou abatido quando foi repreendido por Ikue, guardando silenciosamente a nota de dez mil ienes de volta.

[Almeranto: Ryōta vai jogar no modo Hard kkkkk (Pô, 10 mil ienes…) | Del: Uns 300 conto.]

“Vou fazer o meu melhor para a Nee-chan poder se casar com o Onii-chan logo.”

   Ryōta fez um gesto determinado com o punho em direção à irmã.

   Recebendo o entusiasmo apaixonado do irmão, Ayaka respondeu “Obrigada” com um sorriso complexo — feliz, envergonhado e um pouco preocupado ao mesmo tempo.

   Os membros da família Tōjō — alegres, animados e um pouco descontrolados. Aquele calor de atmosfera familiar. Sentindo que ele também era um pequeno pedaço disso, a expressão de Haruto suavizou em um sorriso.

“Bem então, vou começar o serviço. Há algum pedido específico?”

“Vamos ver. Sabe, as janelas ficaram sujas de novo, então eu poderia pedir para você limpá-las?”

“Entendido.”

   Quando Haruto respondeu ao pedido de Ikue, Ryōta correu até ele.

“Onii-chan! Você limpa as janelas com jornal, né?”

“Oh, você se lembrou bem disso. Bom garoto.”

   Haruto acariciou a cabeça de Ryōta.

“Heehee. Eu vou ajudar também!”

“Isso vai ajudar muito, Ryōta-kun. Então, poderia limpar ali embaixo?”

“Tá bom!”

   Haruto pediu para Ryōta limpar um local ao alcance dele, enquanto ele próprio limpava as partes mais altas.

   Lado a lado, Haruto e Ryōta limpavam as janelas felizes juntos. Ikue observava os dois com olhos gentis do sofá.

“Eles parecem mesmo irmãos, não é?”

   Ayaka concordou com o murmúrio de Ikue.

“Tenho certeza de que o Haruto-kun seria um ótimo Onii-chan, não acha?”

“Oh? Isso significa que você vai ter que fazer do Ōtsuki-kun seu marido, Ayaka?”

   Ikue disse, provocando. Antes, Ayaka teria ficado vermelha e protestado imediatamente a cada provocação da mãe. Agora, no entanto, embora ainda corasse, ela não discutiu.

“Bem... nós estamos namorando, então um futuro assim pode ser possível, certo?”

Ara... entendi.”

   Ao ver a reação diferente da filha, o rosto de Ikue se abriu em um sorriso feliz.

“Você encontrou uma boa pessoa.”

“...Sim.”

   Ayaka fez um grande aceno à resposta gentil da mãe.

   Enquanto Haruto limpava as janelas com Ryōta, a conversa entre mãe e filha chegava fracamente aos seus ouvidos. Mas, percebendo o clima, ele não conseguiu se intrometer, então concentrou-se diligentemente em limpar as janelas.

   Depois disso, Haruto terminou de limpar as janelas e então prosseguiu para limpar a sala de estar e o banheiro.

   Eventualmente, chegou a hora de preparar o jantar.

“Quanto ao jantar de hoje, há algo que vocês gostariam de comer?”

“Hmm, vamos ver. Tem algo que você queira comer, querido?”

   Perguntada por Haruto, Ikue olhou para Shūichi, que estava lendo o jornal na mesa de jantar.

“Vamos ver. Para mim qualquer coisa que Ōtsuki-kun fizer está bom, mas...”

   Shūichi dobrou o jornal que estava lendo e acariciou o queixo, pensativo.

“Tudo que o Haruto-kun cozinha é delicioso.”

“Eu quero comer carne!”

   Ayaka elogiou a comida de Haruto, e Ryōta fez um pedido vago.

   Vendo as reações da família Tōjō, Haruto sugeriu ele mesmo uma ideia para o jantar: “Hum, se estiver tudo bem para todos, na verdade tem algo que eu gostaria de preparar.”

“Oh, é mesmo? Não nos importamos. Nós confiamos completamente no sabor da sua comida, Ōtsuki-kun.”

   Ikue respondeu, demonstrando interesse na sugestão de Haruto, e perguntou aos outros: “Tudo bem para vocês, certo?”, ao que todos assentiram em resposta.

“Obrigado. Então, para o jantar de hoje...”

   O prato que Haruto queria preparar não era apenas seu favorito pessoal, mas também sua especialidade, algo que ele podia fazer com confiança.

   Além disso, agora era um prato memorável que se tornara o catalisador para que essa família simpatizasse com ele.

“Para o menu do jantar, que tal carne de hambúrguer?”

   Ao ouvir o prato sugerido por Haruto, todos sorriram. E então se somou o grito de alegria de Ryōta.

   Vendo a reação da família Tōjō, Haruto sorriu e foi para a cozinha. Então, com determinação renovada, ele começou a preparar o último jantar de seu trabalho de limpeza doméstica.

   De pé na cozinha da família Tōjō, Haruto prosseguiu a preparar os hambúrgueres com habilidade ágil.

   A cozinha dos Tōjō agora era como seu próprio quintal; ele estava tão familiarizado com ela que tinha confiança de que conseguiria pegar utensílios e temperos até mesmo de olhos fechados.

   Enquanto trabalhava nos hambúrgueres, Haruto também preparou a sopa e separou vegetais para a salada, realizando várias tarefas em paralelo. Ao ver isso, Ikue falou com admiração:

“Você continua tão habilidoso quanto sempre, Ōtsuki-kun. É tão satisfatório de assistir.”

“Muito obrigado.” respondeu Haruto com um sorriso às palavras de elogio de Ikue, que estava sentada à mesa de jantar assistindo-o cozinhar, enquanto suas mãos nunca paravam.

   Vendo isso, Shūichi, que estava sentado do outro lado de Ikue também observando o preparo, assentiu profundamente. Então ele se virou para Ayaka, que estava fazendo companhia a Ryōta na sala de estar.

“Ayaka, você não vai encontrar muitos rapazes como o Ōtsuki-kun, então trate de segurá-lo firme, ouviu?”

“Pai, não diga coisas estranhas assim na frente do Haruto-kun!” exclamou Ayaka, com as bochechas coradas de vergonha pelas palavras de seu pai.

   Ao lado dela, Ryōta estava tão empolgado por comer os hambúrgueres de Haruto que estava realizando uma dança misteriosa.

“Hambúrgueres!! Hambúrgueres!! Os hambúrgueres do Onii-chan!!”

“Ryōta, agora. Acalme-se um pouco. Não precisa fazer essa dança estranha.”

   Ayaka observou com uma expressão exasperada seu irmão, que dançava energicamente em um estilo que lembrava uma dança folclórica acelerada. Enquanto os animados e barulhentos membros da família Tōjō seguiam se movimentando, Haruto sorriu e continuou cozinhando.

   Ele pegou uma tigela grande da prateleira e a encheu com água gelada. Colocando uma tigela um pouco menor dentro dela, então resfriou as próprias mãos na água fria.

“Hoh, como esperado do Ōtsuki-kun. Muito profissional.” disse Shūichi alegremente ao ver as ações de Haruto.

“Pai, isso é para a gordura da carne não derreter com o calor do corpo do Onii-chan!”

“Oh, você está bem informado, Ryōta.”

“Hehehe.”

   Ryōta, que tinha dançado enlouquecidamente na sala, correu até o pai e explicou com um olhar orgulhoso.

“Você não consegue fazer hambúrgueres deliciosos se a gordura derreter!”

“É mesmo? Então será que os hambúrgueres que o Ōtsuki-kun está fazendo hoje vão ficar deliciosos?”

“Vão sim! Toda a comida do Onii-chan é deliciosa!”

   Ryōta declarou para seu pai. Parecia que ele tinha fé absoluta na culinária de Haruto.

“Obrigado, Ryōta-kun. Vou dar o meu melhor para que fiquem deliciosos hoje também.”

“Sim!! Faça o seu melhor, Onii-chan!!”

   Quando Ryōta lhe enviou seu melhor incentivo, Haruto sentiu uma sensação quente e aconchegante e, rapidamente, começou a amassar a carne moída com as mãos geladas e avermelhadas.

   Quando a carne não estava mais cheia de grumos, Haruto adicionou sal, pimenta e noz-moscada, misturando ainda mais.

   O aroma picante e característico da noz-moscada se espalhou pela cozinha, e Ikue sorriu radiante com o cheiro.

“Esse cheiro está maravilhoso. Me dá vontade de comer imediatamente.”

“Você também caiu no charme da comida do Haruto-kun, não foi, mãe?”

“Claro. Comida deliciosa faz as pessoas sorrirem e enriquece suas vidas. É algo muito importante, sabe?”

“Isso é verdade. Eu me sinto feliz sempre que como a comida do Haruto-kun.”

   Como Ryōta havia se movido para a cadeira ao lado de sua mãe para lançar olhares fervorosos a Haruto amassando a carne, Ayaka também foi até a mesa de jantar e sentou-se ao lado de Shūichi.

   Com toda a família Tōjō como plateia, Haruto adicionou as cebolas resfriadas, o pão ralado embebido em leite e um ovo batido à mistura de carne que estava amassando, e trabalhou nela ainda mais.

   Então, quando a mistura ficou homogênea, ele a dividiu, colocou algo dentro de cada porção, moldou-as em formato oval e as colocou em uma frigideira pré-aquecida para cozinhar.

   Enquanto os hambúrgueres cozinhavam, Haruto finalizou a sopa que estava preparando em paralelo, ajustando o sabor. Em seguida, verificando os hambúrgueres, ele começou a preparar a salada, fatiando repolho e cortando tomates.

   Depois de terminar de cortar os vegetais para a salada, Haruto os arranjou em um prato, cobriu-os com queijo e milho e, por fim, para ajudar Ryōta a superar sua aversão a cenouras, derramou sobre ela o molho de cenoura que havia preparado antes. Assim que a salada ficou pronta, os hambúrgueres estavam perfeitamente cozidos, e ele desligou o fogo da frigideira.

   Vendo isso, Ayaka foi até o lado de Haruto.

“Haruto-kun. Eu vou ajudar a pôr a mesa.”

“Obrigado. Então você poderia servir o arroz?”

“Certo, entendido.”

   Ayaka assentiu alegremente e pegou cinco tigelas de arroz do armário.

“Quanto de arroz você quer, Ryōta?”

“Um montão!!”

“Então... assim está bom?”

   Ayaka tirou arroz da panela e inclinou a tigela para que Ryōta pudesse ver.

“Sim!! Essa quantidade!!”

“E você, pai?”

“Um pouco a mais para mim.”

“Assim?”

“Isso.”

“E uma porção pequena para você, mãe?”

“Isso mesmo. Só um pouco de arroz está bom para mim.”

   Ayaka confirmou a quantidade com sua família enquanto servia arroz nas tigelas de cada um.

   Então, ela se virou para Haruto.

“E você, Haruto-kun? Você come bastante?”

   Segurando na mão a tigela de arroz dedicada ao Haruto, Ayaka inclinou ligeiramente a cabeça enquanto perguntava.

   Em algum momento, uma tigela de arroz dedicada ao Haruto havia sido preparada na casa dos Tōjō. Não era apenas uma tigela; havia também hashis, um copo, uma tigela de sopa — um conjunto completo de utensílios havia sido preparado para ele.

   O fato de que se tornara completamente normal para ele jantar junto com a família Tōjō fez Haruto rir involuntariamente.

“Sim. Um pouco a mais, por favor.”

“Okay. Entendido.”

   Ayaka serviu arroz conforme o pedido de Haruto.

   Ao ver os dois lado a lado na cozinha, Shūichi falou com emoção profunda.

“É exatamente como uma cena de recém-casados. Sim, sim.”

“Isso me lembra quando nós éramos recém-casados, não lembra?”

   À observação de Shūichi, a expressão de Ikue também se tornou nostálgica.

“É mesmo. Naquela época, Ayaka e Ryōta não existiam, e nós morávamos juntos em um apartamento de um único cômodo.”

“Que nostálgico. Será que aquele prédio ainda existe?”

“Por que não vamos vê-lo juntos em um passeio qualquer dia desses?”

   Shūichi e Ikue estavam tendo uma conversa carinhosa como um casal.

   Haruto sussurrou baixinho no ouvido de Ayaka, que havia se aproximado segurando a tigela de arroz.

“Shūichi-san e Ikue-san são realmente próximos, não são? Eles realmente parecem o casal ideal.”

   Em resposta ao sussurro de Haruto, Ayaka encarou profundamente seus olhos enquanto perguntava:

“Você acha? ...Um casal assim é o seu ideal, Haruto-kun?”

“...Sim, é.”

   Sentindo uma emoção indescritivelmente forte no olhar dela, o coração de Haruto não pôde deixar de disparar.

“Entendo... hehe.”

   Vendo Haruto assentir, Ayaka soltou um sorriso feliz e levou a bandeja com as tigelas de arroz até a mesa de jantar. Com o coração ainda acelerado, Haruto colocou os hambúrgueres nos pratos, serviu a sopa e seguiu Ayaka até a mesa.

“Uau! Isso parece delicioso!”

“HAAAAMBÚRGUER!!”

   Ao ver o jantar disposto sobre a mesa, os lábios de Shūichi se curvaram para cima, e Ryōta soltou um grito de alegria pela décima vez naquele dia.

“Ryōta, você precisa se sentar direitinho na sua cadeira para comer, okay?”

“Okay!! Ei, vamos comer logo!”

   Diante da empolgação exagerada de Ryōta, Ikue o repreendeu com um sorriso.

“Certo. Todos estão sentados. Vamos comer.”

   Shūichi olhou para Haruto e Ayaka, que já tinham terminado de servir e se sentado, e juntou as mãos.

“Itadakimasu.”

“Itadakimasu!”

   Após todos juntarem as mãos, Ryōta começou a morder seu hambúrguer com uma velocidade incrível. Instantaneamente, seus olhos se arregalaram em surpresa. Ao ver sua reação, Haruto abriu um sorriso.

“Está bom, Ryōta-kun?”

“Tem queijo! Onii-chan! Tem queijo dentro desse hambúrguer!!”

   Do ponto onde Ryōta tinha mordido, queijo derretido escorria.

   Na verdade, pensando que seria pouco criativo fazer exatamente o mesmo que da última vez, ele preparou hambúrgueres recheados com queijo desta vez.

“Você gosta de hambúrgueres com queijo dentro?”

   Haruto perguntou com um sorriso. Ryōta, como se tivesse esquecido como falar, apenas assentiu vigorosamente enquanto continuava devorando o hambúrguer recheado a uma velocidade impressionante.

   Ao lado dele, Shūichi também devorava seu hambúrguer a um ritmo considerável.

“Não, sério, esse hambúrguer está esplêndido. É tão bom que sinto vontade de te pagar separadamente da taxa do contrato de serviços domésticos.”

“Muito obrigado.”

   Diante das palavras de Shūichi, Haruto baixou a cabeça, seu rosto refletindo abertamente o quanto estava feliz. Então, ele próprio deu uma mordida no hambúrguer.

   Os sucos que explodiram quando ele mordeu se misturaram ao queijo quente e derretido, e um sabor rico e encorpado desceu por sua garganta. Depois disso, o sabor da carne moída e o aroma picante da noz-moscada se espalharam por sua boca a cada mastigada.

   Enquanto Haruto exibia uma expressão satisfeita, contente por os hambúrgueres desta vez também terem ficado deliciosos, Ikue, que sorria alegremente por causa da refeição deliciosa, virou-se para ele.

“Ōtsuki-kun, você aprendeu a cozinhar com sua avó, certo?”

“Sim, é isso mesmo. A comida da minha avó é ainda mais deliciosa que a minha.”

“Isso é incrível! Sua avó trabalhava como cozinheira?”

“Trabalhava. Ela ainda trabalha em uma lanchonete bem perto da nossa casa.”

   A avó de Haruto trabalhava na cozinha de uma lanchonete administrada por uma velha amiga. Sua comida tinha uma reputação muito boa, e a lanchonete era razoavelmente famosa no bairro.

“Uma lanchonete onde a avó do Ōtsuki-kun está na cozinha, hein? Fiquei curioso.”

   Shūichi parou de comer seu hambúrguer e ouviu a história de Haruto.

“O lugar onde minha avó trabalha é uma lanchonete no horário de almoço e uma izakaya à noite, então, se tiverem oportunidade, por favor, passem lá. Eu posso garantir o sabor da comida.”

(TL: Uma "izakaya" é um pub japonês casual que serve bebidas e pequenos pratos.)

“É a comida da pessoa que criou o Ōtsuki-kun. Não tem como ser ruim.”

   Haruto sorriu feliz com o interesse de Shūichi pela culinária de sua avó.

   Depois disso, Haruto aproveitou o jantar enquanto conversava alegremente com a família Tōjō.

   Eventualmente, a refeição terminou, e uma atmosfera satisfeita e relaxada tomou conta da sala de jantar.

“Cara, isso estava realmente delicioso.”

“Estava. Foi um jantar perfeito.”

“Haruto-kun, estava incrivelmente delicioso.”

“Os hambúrgueres do Onii-chan são os melhores!!”

   Recebendo palavras de cada um deles, Haruto exibiu um sorriso tímido.

“Fico feliz que todos tenham ficado satisfeitos.”

“Sim, completamente satisfeitos! Ōtsuki-kun, obrigado por todo o seu trabalho como nosso ajudante doméstico.”

   Dizendo isso, Shūichi inclinou a cabeça para Haruto. Acompanhando-o, Ikue também se curvou com um sorriso radiante.

“Você tornou minha vida muito mais fácil enquanto esteve aqui, Ōtsuki-kun. Obrigada.”

“Eu também estou muito feliz por ter conseguido ajudar todos vocês.”

   Haruto se curvou de volta para o agradecido Shūichi e Ikue.

   Vendo o comportamento educado de Haruto até o fim, Shūichi olhou para ele com satisfação e disse:

“Ōtsuki-kun, eu conto com você para cuidar da Ayaka daqui para frente.”

“Pai, não diga coisas como se eu estivesse prestes a me casar.”

“Você não pode ficar envergonhada com algo assim, Ayaka. Ōtsuki-kun é seu namorado agora, então ser reservada demais é até falta de educação, não é? Você não acha, Ōtsuki-kun?”

“Eh? Ah, bem... Suponho que sim.”

   Para Shūichi, que buscava sua concordância com um enorme sorriso, Haruto apenas assentiu repetidamente, sua expressão um pouco tensa. Ikue então entrou na conversa de maneira animada.

“Sabe, eu ainda tenho a tiara que usei na minha cerimônia de casamento. Acho que ficaria boa em você também, Ayaka.”

“Eu já disse que ainda é cedo demais! ...Mas eu estou um pouco curiosa, então me mostra depois.”

“Claro. Com certeza.”

   Ao ver a filha se remexendo, respondendo com uma voz baixa e o rosto vermelho, a expressão de Ikue suavizou em um sorriso de alegria.

“Onii-chan. Eu posso ir ao casamento também?”

“Eh? Ah, certo. Claro que você pode ir, Ryōta-kun.”

“Estou tão animado!”

“C-Certo...”

   Haruto sentiu profundamente que a conversa estava avançando a todo vapor em uma direção muito específica.

   Ele não podia simplesmente dizer ao Ryōta, que olhava para ele com expectativa, algo como “Ainda não sabemos o que o futuro reserva”, então só conseguiu sorrir.

   Sentindo-se pressionado pela família Tōjō, Haruto terminou de lavar a louça e arrumar tudo após o jantar.

   Tendo concluído todas as suas tarefas como ajudante doméstico, ele endireitou a postura mais uma vez.

“Com isso, o serviço de ajudante doméstico está concluído. Foi por pouco tempo, mas obrigado por utilizarem nossos serviços.”

   Ao dizer isso e se curvar, Shūichi e os outros responderam com coisas como “Bom trabalho” e “Muito obrigada”.

“Haruto-kun, eu te acompanho até a porta.”

   Por fim, Ayaka se aproximou de Haruto de maneira natural.

“Okay, obrigado.”

   Haruto deixou a sala de estar com Ayaka. Atrás dele, Ryōta acenava energicamente, chamando: “Até mais, Onii-chan!!” Haruto acenou de volta enquanto seguia para a entrada.

“A próxima vez que nos virmos será na escola.”

“Sim.”

   Ayaka disse isso de repente para Haruto, que já tinha trocado os sapatos.

   As aulas começariam depois de amanhã. Ayaka aparentemente tinha planos para sair com uma amiga no dia seguinte, e Haruto imaginou que provavelmente também teria seus próprios compromissos. Portanto, a próxima vez que poderiam se ver seria na escola após as férias de verão, no dia da cerimônia de abertura.

“Bem... então nos vemos lá, Haruto-kun.”

“Sim, até lá. Na escola.”

   Haruto virou-se para Ayaka, que estava parada no corredor, e lhe deu um sorriso suave. Em resposta, Ayaka deu um passo à frente e estendeu gentilmente os braços. Haruto, atendendo ao desejo dela, envolveu sua cintura com os braços.

“...Nn.”

   Ayaka fechou os olhos, ficou na ponta dos pés e levantou um pouco o queixo. Haruto pressionou seus lábios contra os de sua querida namorada.

“Hehe...”

   Quando Haruto se afastou, Ayaka mostrou um sorriso feliz e envergonhado ao mesmo tempo.

“Até mais.”

“Sim, tchau.”

   Sentindo certa relutância em se separar, Haruto acenou levemente para Ayaka e deixou a residência Tōjō pela última vez naquele recesso de verão.

 

✦ ✦ ✦

 

   O céu acima estava em chamas com o vermelho ardente do pôr do sol, mas o rosto do céu noturno também começava a se mostrar.

   Comparado ao início das férias de verão, ele sentia que os dias haviam ficado apenas um pouco mais curtos, e nisso, Haruto percebeu o quanto os dias de verão tinham passado por ele.

   A garota considerada a idol da escola, que ele conhecera por meio de seu trabalho de meio período como ajudante doméstico.

   A garota que, ao longo deste verão, havia se tornado sua namorada insubstituível.

   Enquanto Haruto caminhava sozinho para casa, seus pensamentos vagaram até ela. Então, inesperadamente, o smartphone em seu bolso começou a vibrar.

   Ele puxou o telefone do bolso e verificou a tela, que exibiu o nome Akagi Tomoya. Exatamente como esperava, uma ligação tinha chegado, e Haruto atendeu com um sorriso torto.

[Ora, ora, Haru! Esse dia chegou de novo este ano!]

“Sim, sim, eu sei. E então? Quanto você não fez desta vez?”

[Como esperado do meu melhor amigo! Você entende! Ah, eu terminei a lição de japonês!]

“E o resto?”

[Nem encostei!!]

   Para seu melhor amigo, que declarou isso com um senso estranho de orgulho, Haruto soltou um suspiro profundamente exasperado.

   O último dia das férias de verão de Haruto havia se tornado um evento anual em que ele deixava seu melhor amigo, Tomoya, copiar sua lição de casa.

“O que você quer dizer com ‘nem encostei’?! Honestamente…”

[Mas você é um cara legal, Haru, então vai vir me ajudar amanhã, certo? Hein?]

“Haaah... bem, minha avó recebeu alta do hospital e tudo mais.”

[Esse é o meu Haru!! Estou contando com você amanhã, então!]

“Sim. Ah, aliás, tem algo que eu preciso te contar, Tomoya.”

[Oh? O que é?]

   À resposta de Tomoya, Haruto sentiu uma mistura de nervosismo e vergonha enquanto abria a boca.

“Eu comecei a namorar a Ayaka.”

[...Bem, eu já imaginava.]

   Haruto esperava uma reação surpresa. Mas, ao contrário de suas expectativas, a resposta de Tomoya soou como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.

“Você não está surpreso.”

[Claro que não. Não depois de ver vocês dois na loja de departamentos em frente à estação.]

“Entendi...”

[E além disso, começou com aquele trabalho de ajudante doméstico, certo?]

“Sim.”

[Então isso significa que você conheceu os pais da Tōjō-san, certo?]

“Isso mesmo.”

[O que os pais dela acham de você? São do tipo: ‘Como ousa pôr as mãos em nossa preciosa filha!’ ou algo assim?]

   Diante das palavras de Tomoya, Haruto recordou as reações de Shūichi e Ikue de pouco tempo atrás.

“Não, na verdade é o contrário... tipo, eles já estão acelerando o processo até o nosso casamento?”

[Como assim? Nós ainda estamos no ensino médio, sabia?]

   Haruto pôde ouvir a risada de Tomoya através do telefone após suas palavras.

“Bem... você não está errado.”

[Estou com inveja. Você está me dizendo que tem a idol da escola e a aprovação oficial dos pais dela?]

   Acompanhando as palavras invejosas de seu melhor amigo, Haruto deixou escapar um pequeno sorriso e levantou o olhar para o céu.

   O vento que passava, acariciando sua bochecha, ainda carregava o calor do verão. No entanto, ele também podia sentir uma leve suavidade nele, e parecia como se pudesse ver as costas do outono ao longe.

   Sentindo vergonha das emoções que borbulhavam dentro de seu próprio coração, Haruto falou de maneira levemente brincalhona, quase como uma piada.

“Eu Comecei a Trabalhar Como Ajudante Doméstico e Acabei Sendo Apreciado Pela Família da Garota Mais Bonita da Escola.”

 

 

Traduzido por Moonlight Valley

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