Volume 4

Capítulo 3: Dia do Festival em Casa

 Tōjō Ayaka

 

   Eu sentei na minha cama, abraçando meus joelhos.

   Um murmúrio, “Sinceramente... Por quê...?”, cheio de frustração, escapou dos meus lábios por conta própria.

   A única resposta foi o som feroz da chuva batendo.

   Assistir aos fogos de artifício iluminarem o céu noturno de verão, olhando para eles junto da pessoa de quem eu amo, lado a lado. Sempre foi meu sonho... algo que eu desejava há muito tempo...

   Eu me apaixonei pela primeira vez, meus sentimentos foram correspondidos, e nos tornamos um casal... Eu achei que meu sonho estava prestes a se tornar realidade, mas bem diante dos meus olhos, ele escorreu como água segurada nas mãos.

“Ugh... Eu realmente queria ver os fogos de artifício...” Eu disse ao abaixar a cabeça e apoiar minha testa nos joelhos.

   Eu estava de tão bom humor enquanto trocava para meu yukata, meu coração dançava enquanto eu o vestia, imaginando qual seria a reação do Haruto-kun...

   Eu me perguntava se ele diria que eu estava bonita.

   Tudo que restava era arrumar o meu cabelo.

   Lá fora, a chuva ainda caía forte. Era como se aquela chuva fria estivesse caindo dentro do meu próprio coração, e meu humor ficava cada vez mais pesado.

   Eu soltei um longo suspiro — já tinha perdido a conta de quantos — e então forcei a mim mesma a levantar a cabeça e tentar sorrir.

   Minha voz alegre de um jeito artificial explodiu dizendo: “Mas só foi adiado! Tenho certeza de que vamos conseguir ver os fogos de artifício juntos na próxima semana!”, mas isso não ajudou, misturando-se ao som da chuva.

   Eu estava totalmente sozinha em casa hoje.

   Pai estava fora em uma viagem de negócios, Ryōta estava em um evento de pernoite na creche, e Mãe não estava aqui porque tinha ido com ele como supervisora.

   Estar longe da minha família fazia o peso da solidão no meu coração ficar ainda mais intenso.

“Certo, talvez eu tente ligar para o Haruto-kun de novo.”

     Nós somos um casal agora, então não seria estranho ligar para ele de novo, mesmo sem um motivo específico, certo?

     Não seria incômodo... certo?

   Pensando nisso, eu abri a tela de conversa com Haruto-kun. Eu ia poder ouvir sua voz. Só de pensar nisso meu coração bateu um pouco mais rápido, e o sentimento pesado de antes começou a se dissipar. Com a ponta dos dedos leve, apertei o botão de ligação no meu celular.

“...Hã? Ele não está atendendo...”

   O som de chamada continuou no meu celular, mas não havia sinal de que Haruto-kun atenderia.

   Ao mesmo tempo, os cantos da minha boca, que tinham se levantado sem perceber, caíram novamente.

“Será que ele... está estudando?”

   No fim, eu não consegui falar com Haruto-kun.

   Ele tira as melhores notas do nosso ano, mas ele se esforça para merecê-las. Talvez estivesse concentrado e não tivesse percebido a ligação.

   Eu estava prestes a tocar na tela para ligar mais uma vez, mas parei meu dedo e lentamente o abaixei.

“Seria ruim... atrapalhar ele.”

   Se ele está focado estudando, eu não quero incomodar ligando várias vezes.

“Eu também preciso estudar.”

   Eu tenho que tirar mais de oitenta em todas as matérias nas provas depois das férias de verão para receber minha recompensa do Haruto-kun. Eu preciso estudar bastante para isso.

   Eu fiz o possível para pensar em algo divertido para melhorar meu humor.

“Ah, mas primeiro eu tenho que tirar esse yukata...” eu disse enquanto me levantava da cama, só lembrando naquele instante que ainda estava usando ele.

     Eu não posso deixá-lo sujar ou amassar, então tenho que trocar...

   Com isso em mente, eu alcancei o obi do meu yukata, mas minhas mãos simplesmente pararam por conta própria. Se as coisas tivessem acontecido de outro jeito, eu estaria caminhando entre as barracas do festival com o Haruto-kun agora, segurando sua mão...

“Eu queria comer algodão-doce e essas coisas com o Haruto-kun...”

   Não importava o quanto eu tentasse melhorar meu humor, imediatamente me sentia para baixo de novo, mas eu sabia que não podia continuar assim, então decidi ao menos acender as luzes do meu quarto.

   Nesse momento, a campainha tocou de repente.

“Hã? Quem poderia ser?”

   Eu não estava esperando nenhuma entrega. Além disso, a chuva lá fora ainda estava tão forte; não era o tipo de clima para uma visita casual.

   Confusa, saí do meu quarto e chequei o monitor do interfone na sala para ver quem era o visitante. No mesmo instante, meus olhos se arregalaram em choque.

   Meu coração bateu tão forte que parecia que poderia saltar do peito.

“Haruto-kun!?”

   Vendo sua figura na tela, eu esqueci até de responder e corri para a porta, abrindo-a com toda a força. Do outro lado estava o Haruto-kun, completamente encharcado pela chuva torrencial.

   Ele estava segurando um guarda-chuva em uma mão, mas estava tão molhado que fez o guarda-chuva ser praticamente inútil. Ele apenas sorriu para mim enquanto eu permanecia parada com a porta aberta.

“Desculpa... Eu acabei de chegar.”

   As palavras dele finalmente fizeram meu corpo voltar a se mover.

Eu puxei o braço do Haruto-kun, dizendo, “D-Depressa, entre rápido! Você vai pegar um resfriado!”, e o arrastei para dentro da casa. Parado na entrada, ele fechou o guarda-chuva, dizendo, “Ufa~ essa chuva estava intensa.”

“P-Por que...”

     Isso não é um sonho, é? Não é como se eu estivesse alucinando porque queria ver o Haruto-kun tão desesperadamente, certo? Querendo confirmar que ele estava mesmo ali, eu estendi a mão devagar e toquei seu braço.

     Ah, minha mão não atravessa ele...

“Hm? O que foi?”

“N-Não, não é nada... M-Mais importante, você precisa trocar de roupa! Vai ficar congelado até os ossos!”

   As roupas que eu toquei estavam frias e úmidas da chuva.

“Eu tenho algumas roupas do meu pai, então você pode usá-las por enquanto.”

“Ah, não precisa. Eu já sabia que ia me molhar, então trouxe uma troca comigo”, ele disse, levantando uma pequena mochila.

“Posso só usar o seu vestiário por um minuto?”

“Sim, claro. Você deve estar com frio, né? Pode usar o chuveiro também.”

“Sério? Então, acho que vou aceitar.”

“Sim, sim. Seria terrível se você pegasse um resfriado.”

    Embora se ele ficasse doente por causa disso, eu cuidaria dele dia e noite. Enquanto pensava nisso, Haruto-kun levantou levemente uma sacola que segurava na outra mão.

“E essas coisas. Vou levar para a cozinha depois, então posso deixar aqui por enquanto?”

   As palavras dele me fizeram perceber que ele estava segurando uma sacola reutilizável completamente cheia.

“O que é isso?”

“Hehe, isso é uma surpresa para depois.”

   Eu não pude evitar desviar o olhar de Haruto-kun quando ele me deu um sorriso levemente convencido. Tendo vindo até minha casa sob a chuva pesada, o cabelo de Haruto-kun estava molhado, deixando-o com uma aparência como se tivesse acabado de sair do banho.

   Era... como eu posso dizer... de alguma forma atraente, e meu coração começou a disparar por conta própria.

“B-Bom então, eu levo isso para a cozinha, tá? Você deveria ir tomar banho, rápido.”

“Não, mas é bem pesado, sabe?”

“Tudo bem. Vai logo tomar o seu banho,” e enquanto eu segurava a sacola, o peso substancial pressionou meus braços. Haruto olhou para mim com um olhar preocupado.

“Você consegue levar até a cozinha?”

   Eu respondi, “Sim, estou bem. Vá tomar seu banho com calma,” com a cabeça baixa, enquanto Haruto-kun me observava preocupado.

   A sacola do Haruto-kun era realmente pesada, mas mais do que isso, eu precisava colocar alguma distância entre mim e essa versão incrivelmente atraente dele para me acalmar. Se não o fizesse, meu autocontrole iria quebrar e eu o abraçaria...

   Eu falei com Haruto-kun enquanto carregava a sacola.

“Certo, vá com calma e se aqueça.”

“Obrigado. Vou usar seu chuveiro, então.”

   Haruto-kun foi para o vestiário, e eu levei a sacola dele até a cozinha.

“Eu me pergunto o que o Haruto-kun trouxe?”

   A sacola reutilizável pesada estava fechada com um zíper, então eu não conseguia ver o que havia dentro.

     Eu não posso simplesmente olhar dentro sem permissão... mas estou tão curiosa...

   Lutando contra a tentação de espiar a sacola, fui até o vestiário por um momento. Do outro lado da porta que o separava do corredor, eu podia ouvir o som do Haruto usando o chuveiro do banheiro.

   Eu bati firme na porta antes de chamar.

“Haruto-kun, eu trouxe uma toalha de banho, então está tudo bem se eu entrar no vestiário por um segundo?”

“Ah, claro. Obrigado. Pode entrar.”

   Depois de ouvir a resposta dele, entrei no vestiário.

“Vou deixar a toalha de banho no balcão da pia, tá?”

“Entendi.”

“Ah, e pode usar o shampoo e o sabonete líquido na prateleira.”

“Certo. Obrigado.”

“...Bem então, vou esperar na sala de estar. Certifique-se de se aquecer direitinho.”

   Eu disse isso meio rápido e saí do vestiário.

   A situação — Haruto-kun tomando banho do outro lado de uma única porta — me deixou extremamente envergonhada. Na porta que separava o banheiro do vestiário, a silhueta do Haruto-kun era vagamente visível, e eu voltei para a sala tentando acalmar meu coração que disparava de maneira estranha.

“Ufa~”

   Sentando no sofá da sala, soltei um suspiro bem longo. Olhei pela janela e vi que ainda estava chovendo, mas meu humor já não estava mais afundando.

     Deve ser porque o Haruto-kun veio até minha casa.

“O que eu vou fazer? Estou feliz demais...”

     Ele veio até aqui só para me ver, nessa chuva, ficando tão encharcado. Só de pensar nisso fiquei incrivelmente feliz, e os cantos da minha boca se levantaram. Quando toquei minhas bochechas com as mãos, elas estavam até um pouco quentes. O sentimento sombrio que tive quando estava sozinha desapareceu como se fosse mentira.

   Enquanto eu sorria para mim mesma na sala de estar, Haruto-kun voltou, tendo terminado o banho.

“Obrigado por tudo. Estou me sentindo bem renovado.”

“Hã!?”

   Vendo o Haruto-kun logo após o banho, eu fiquei sem palavras... O Haruto-kun molhado pela chuva já era perigoso, mas o Haruto-kun atual era ainda mais!

   Seu cabelo recém-lavado parecia incrivelmente macio, e seu rosto aquecido estava levemente corado, e o mais perigoso de tudo era que Haruto-kun estava com o cheiro do mesmo shampoo que eu uso!

   Quando o meu próprio cheiro veio suavemente do Haruto-kun, eu finalmente cheguei ao meu limite.

“Ayaka? O que foi, me encarando tão quieta desse jeito — Opa!?”

“Haruto-kun!!”

   Eu mergulhei no peito do garoto de quem eu amava, envolvi meus braços ao redor de suas costas e o abracei o mais forte que pude.

“Eu queria te ver!”

   A voz do meu coração voou diretamente para fora dos meus lábios. Haruto-kun me abraçou de volta, como se me envolvesse.

“Eu também.”

“...Obrigada… por vir.”

   Sentindo meu corpo inteiro se encher de alegria, pressionei minha bochecha contra o peito de Haruto-kun e ouvi o som dos batimentos do seu coração.

“Ah, certo! Haruto-kun, o que tem dentro daquela sacola?”

   Tendo minhas emoções parcialmente satisfeitas ao abraçá-lo, eu expressei a pergunta que estava presa no fundo da minha mente.

“Ah, aquilo... Bem...”

   Haruto-kun colocou suavemente as mãos sobre meus ombros e criou um pequeno espaço entre nós. Ao fazer isso, acabei encarando seus olhos. Os olhos dele brilhavam com diversão enquanto ele falava comigo.

“Ayaka, vamos passear pelas barraquinhas e ver os fogos de artifício juntos.”

 

✦ ✦ ✦

 

Ōtsuki Haruto

 

   Sem entender exatamente o que Haruto queria dizer com aquele tom brincalhão, Ayaka fez uma expressão confusa e disse: “Hã? Mas... o festival de fogos de artifício não tinha sido adiado?”

   Diante das palavras confusas dela, Haruto ofereceu um sorriso gentil.

“Ayaka, você já ouviu falar de um ‘Festival em Casa’?”

“Um festival em casa? Não, nunca ouvi,” ela disse, balançando a cabeça.

   Então Haruto pegou seu smartphone, mexeu nele por um momento e depois mostrou a tela para ela.

“Olha, é assim. Você decora sua casa como se fosse um festival, faz comidas típicas de barraquinhas, e cria aquele clima de festival bem dentro de casa.”

“Uau! Isso é incrível! Parece muito divertido!”

   O rosto de Ayaka se iluminou diante das imagens do “Festival em Casa” exibidas no celular de Haruto. A tela mostrava várias fotos de salas decoradas com lanternas, leques de papel e máscaras, com pratos como yakisoba e algodão-doce dispostos.

“Viu? E eu comprei um monte de coisas para podermos fazer isso.”

   Haruto disse, afastando-se um pouco de Ayaka. Ele abriu o zíper da sacola reutilizável que tinha deixado na cozinha e começou a tirar as coisas de dentro.

“Coisas como lanternas e esteiras de bambu, para dar aquele clima de barraquinha.”

   Haruto mostrou a Ayaka os itens que havia trazido para o festival deles.

“E, claro, os ingredientes para as comidas de festival.”

   Haruto colocou repolho, carne de porco e macarrão de yakisoba sobre a bancada da cozinha.

   Vendo aquilo, os olhos de Ayaka se arregalaram, como se estivesse profundamente comovida.

“Você saiu para comprar tudo isso no meio dessa chuva?”

“Sim. Bom, eu não tinha muito tempo, então não consegui comprar nada muito elaborado...”

   Haruto acrescentou com um sorriso torto: “Essas decorações são quase todas da loja de cem ienes.” Mas Ayaka apenas o encarou, com uma expressão tão radiante quanto possível.

“Eu estou tão feliz... Obrigada. Sério, eu estou tão feliz que é até insano...”

   Enquanto ela repetia “Estou feliz” e “Obrigada” várias vezes, Haruto se aproximou dela novamente e sorriu suavemente.

“É uma pena que o festival de fogos de artifício tenha sido adiado, mas eu pensei que pelo menos poderíamos ter um gostinho do clima do festival. E você já está de yukata, também.”

“Ah, isso... Eu estava prestes a trocar, mas, bem, acabou sendo difícil...”

“Hehe, esse yukata fica ótimo em você. Você está tão linda.”

“O-Obrigada...”

   Diante do elogio direto de Haruto, o rosto de Ayaka ficou vermelho como um tomate, e ela murmurou um obrigada, abaixando o olhar.

   O design do yukata de Ayaka era baseado em um azul índigo, com flores de asagao pintadas em azul claro. O visual geral, calmo e refrescante, combinava perfeitamente com os gostos de Haruto.

“Você disse que gostava de estilos frescos e tranquilos, então...”

“Você se lembrou.”

“Sim.”

   Apesar da vergonha, Ayaka exibiu um sorriso feliz e tímido. Com as bochechas ainda coradas, ela olhou para Haruto.

“Haruto-kun. Hum... Eu ainda não arrumei meu cabelo, então tudo bem se eu for arrumar ele do jeito certo?”

“Claro. Vou preparar a comida do festival enquanto você faz isso.”

“Eu quero ajudar também, então vou ser o mais rápida possível.”

“Não precisa correr. Pessoalmente, eu quero ver uma Ayaka bonita com o cabelo arrumado perfeitamente.”

“E-Ei! Haruto-kun! Sem ataques surpresa!”

   Ayaka forçou seus lábios sorridentes em um biquinho e deu um leve tapa no braço de Haruto. Em resposta ao ataque de zero dano, Haruto ofereceu um rápido “Foi mal, foi mal”, mas sua expressão estava brilhante e alegre.

   Depois disso, Haruto observou Ayaka ir para o quarto arrumar o cabelo, então ficou sozinho na cozinha e começou a preparar as comidas do festival.

“Certo, vamos começar.”

   Ele primeiro pegou uma panela, colocou óleo dentro e colocou-a no fogo para preparar a fritura.

   Enquanto esperava o óleo esquentar, Haruto pegou outra panela. Desta vez, colocou uma grande quantidade de açúcar e água, aquecendo em fogo baixo.

   Enquanto o óleo e o açúcar esquentavam, ele pegou um pepino. Cortou as pontas e descascou em um padrão listrado. Em seguida, salpicou sal sobre ele e rolou para esfregar bem.

   Depois disso, colocou um tempero para conserva, uma pequena quantidade de chá de alga kombu e pimenta dedo-de-moça fatiada em um saco zip. Quando o líquido para conserva ficou pronto, ele secou a umidade do pepino salgado com um papel-toalha, colocou-o dentro do saco para marinar e então colocou no freezer.

“Agora, a temperatura do óleo está... falta um pouco.”

   Haruto deu uma olhada no termômetro da panela de fritura, depois picou uma cebola e um pouco de repolho, e fatiou a carne de porco, colocando tudo em uma bandeja.

   Nesse momento, o óleo atingiu a temperatura certa, então Haruto colocou o karaage congelado que havia comprado na panela.

“Eu realmente queria fazer do zero em vez de usar congelado, mas...”

   Se ele começasse a preparar as frituras do zero, já estaria tarde da noite antes de o festival em casa poder começar, então ele não teve escolha a não ser comprometer-se.

   Enquanto observava a fritura, Haruto refogou a cebola picada e a carne de porco em um pouco de óleo extra. Ao mesmo tempo, aqueceu levemente o macarrão de yakisoba no micro-ondas. Quando a carne estava cozida, adicionou o macarrão à frigideira. Nesse momento, Haruto tirou o karaage do óleo e começou a fritar as batatas fritas congeladas.

   De novo, observando a fritura, ele refogou o macarrão do yakisoba até ficar crocante, depois adicionou o repolho, seguido do molho de yakisoba. O cheiro saboroso do molho queimando se espalhou instantaneamente pelo ar.

   O aroma do molho provocou seu nariz, e um sorriso surgiu naturalmente no rosto de Haruto. Então, verificando se o repolho estava cozido, tirou as batatas fritas do óleo.

   Finalmente, ele aumentou o fogo para finalizar o yakisoba, evaporando o excesso de umidade, transferiu tudo para uma bandeja, limpou a frigideira e então quebrou um ovo dentro dela.

   Quando o ovo estava cozido e levemente firme, ele adicionou o yakisoba recém-preparado e envolveu tudo.

“Certo, omusoba pronto. Como está o açúcar?”

   Haruto olhou para a água com açúcar que estava esquentando em fogo baixo. A água havia evaporado bem, e o açúcar fazia pequenos estalos.

“Ótimo, ótimo. Hora de cobri-los.”

   Desta vez, ele pegou frutas como maçãs, laranjas e morangos da sacola, espetou palitos nelas e as cobriu com o açúcar derretido. Depois as colocou para esfriar sobre uma folha de papel manteiga. Assim que as maçãs do amor e outras frutas caramelizadas ficaram prontas, Ayaka voltou do quarto, com o cabelo finalizado.

“Uau! Está cheirando a festival aqui!”

   Assim que entrou no ambiente, seus olhos brilharam.

“O cheiro do molho pode estar um pouco forte. Acha que Ikue-san vai brigar?”

   A casa dos Tōjō, apropriada para uma mansão, tinha uma cozinha com ilha, muito aberta e luxuosa, mas justamente por ser tão aberta, o cheiro da comida também se espalhava rápido.

   Enquanto Haruto se preocupava com o cheiro persistente, Ayaka respondeu com uma expressão animada:

“Vai ficar tudo bem. Tenho certeza de que a Mãe só diria: ‘Eu também queria experimentar um Festival em Casa!’”

“Você acha? Bom, acho que vou abrir as janelas mais tarde e arejar bem.”

   Ao dizer isso, Haruto olhou novamente para Ayaka, que havia terminado o cabelo.

   Seu belo cabelo, que normalmente chegava ao meio das costas, agora estava reunido logo acima da nuca em um coque frouxo. Isso revelava sua nuca clara, que normalmente não era visível.

“Você está realmente linda e adorável.”

   Ayaka mostrou um leve traço de timidez. “Ufufu, obrigada,” ela disse, exibindo um sorriso radiante como o sol em resposta ao elogio dele.

    Diante de sua reação adorável, Haruto não conseguiu evitar sorrir de volta.

“Agora mesmo, estou meio que feliz por ter chovido.”

“Hã? Por quê?”

“Porque eu não quero mostrar uma namorada tão fofa para nenhum outro cara.”

“Haruto-kun, você está realmente perigoso hoje!”

“Perigoso? O que você quer dizer?”

   Diante do estado levemente confuso de Ayaka, Haruto deu um sorriso aflito.

“P-Perigoso é perigoso!”

“Mas, sabe, se você não colocar o que está pensando em palavras, não vai ser transmitido, certo?”

“É isso que é perigoso, Haruto-kun!”

   Embora Ayaka protestasse com o rosto completamente vermelho como uma beterraba, sua expressão já estava totalmente suave e relaxada. Seus olhos captaram as maçãs do amor alinhadas no balcão da cozinha, e ela soltou um pequeno grito de alegria.

“Incrível! Maçãs do amor! E tem outras frutas também! Oh! Omusoba! Está realmente parecendo uma barraca de festival!”

“Tem um pepino em conserva no palito esfriando no freezer agora.”

“Esses são tão bons! Mas quando eu compro um em um festival, a Saki sempre me zoa, dizendo ‘Essa é uma escolha refinada~’. Isso não é maldade?”

“Hahaha, isso parece exatamente algo que a Aizawa-san diria.”

   Ayaka inflou as bochechas de forma adorável, mas Haruto sorriu, imaginando Ayaka sendo provocada por Saki.

“Ei, Haruto-kun. O que eu posso fazer para ajudar?”

“Seu yukata pode sujar se você cozinhar, então poderia fazer as decorações?”

“Certo, entendi!” Ayaka assentiu alegremente e começou a decorar a sala com os itens que Haruto havia comprado.

“Haruto-kun, as lanternas ficam bem assim?”

“Sim. Acho que está bom.”

“E este papel aqui?”

“Esse é o menu. O menu da barraca de hoje é omusoba, karaage no palito, batata frita e—”

“Você acha que vai parecer mais festivo se eu colocar este catavento na persiana?”

“É uma ótima ideia.”

“Vamos colocar uma máscara também.”

   Ayaka decorava a sala feliz enquanto conversava com Haruto.

   Enquanto a observava decorar animadamente, Haruto colocava a comida de festival nos pratos.

   Para dar uma sensação de barraca, ele propositalmente serviu a comida em copos de papel e bandejas plásticas. Em pouco tempo, as decorações estavam prontas e a comida de festival organizada na mesa.

“Uau! É uma barraca! Tem uma barraca de festival na minha casa, Haruto-kun!”

“Agora só faltam os fogos de artifício.”

   Haruto olhou para a empolgada Ayaka com uma expressão satisfeita.

“Ayaka, esta TV está conectada à internet, certo?”

“Sim.”

“Posso usar um pouco?” Com a permissão dela, Haruto ligou a TV e abriu um aplicativo de vídeo. Então, ele pesquisou por “Festival de Fogos de Artifício”.

   Depois de decidir qual vídeo reproduzir, ele disse, “Acho que vou com este aqui.”

   Ele escolheu um dos vídeos que apareceram na busca e o reproduziu. Na grande tela montada na parede, imagens de um festival de fogos de artifício do passado começaram a ser exibidas.

“O que acha? Agora podemos passear pelas barracas e assistir aos fogos, mesmo com a chuva, certo?” Com um olhar um pouco orgulhoso, Haruto olhou para Ayaka. Em resposta, ela tentou se segurar por um momento, mas parecia não conseguir conter-se por mais tempo e o abraçou.

“Isso é o melhor! Haruto-kun, você é realmente incrível! Obrigada!”

   Apertando-o com força, Ayaka expressou sua sincera gratidão.

“Estou feliz que você esteja contente. Digo, não estamos realmente andando pelas barracas, e os fogos são só um vídeo, então tem bastante coisa para criticar, mas…”

   Envergonhado pela reação de Ayaka, Haruto coçou a bochecha como se quisesse esconder seu rubor, mas Ayaka balançou a cabeça, rebatendo suas palavras.

“Não é verdade. Para mim, este é o passeio pelas barracas e o espetáculo de fogos mais maravilhoso de toda a minha vida.”

   Ainda abraçando Haruto, Ayaka ergueu o rosto.

“Obrigada… de verdade, obrigada.”

   Enquanto ela agradecia pela que parecia ser a enésima vez, Haruto sorriu suavemente.

“Fico feliz… valeu a pena correr pelas lojas naquela tempestade.”

   Diante de suas palavras, a expressão feliz de Ayaka misturou-se com um leve toque de preocupação, então ela comentou, “Mas, por favor, não faça nada muito imprudente, okay?”

“...Isso talvez seja impossível.”

“Eh?” Os olhos de Ayaka se arregalaram em surpresa quando Haruto negou seu pedido para que ele não fosse imprudente. Olhando para ela, as bochechas de Haruto ficaram vermelhas de constrangimento, mas ele manteve o olhar firme enquanto falava.

“Eu estou mais apaixonado por você do que você imagina, Ayaka.”

   Tomado pela vergonha, Haruto continuou, com as palavras saindo rápido demais e de modo direto.

“Tanto que estou disposto a ser imprudente se isso significar ver você sorrir.”

   No momento em que essas palavras chegaram a Ayaka, ela o encarou como se estivesse sob um feitiço.

“Então, de agora em diante, você me permitiria ser imprudente e me esforçar só para ver seu sorriso?”

[Almeranto: Aqui eu bato palmas pro Haruto, que palavras. Galã de novela esse daí kkkkkk.]

   Os olhos de Ayaka se arregalaram como se seu coração tivesse sido roubado. Então, após inclinar a cabeça levemente, como se saboreasse suas palavras, ela abriu a boca devagar.

“Eu… eu gosto muito de você também, Haruto-kun, sabia? Então, eu quero que você sorria também. Eu não quero que você se force ou seja imprudente.”

   Diante do pedido de Ayaka, Haruto respondeu com um sorriso aflito.

“Hm, isso é um problema.”

“Sabe… eu também me apaixonei por você mais do que você imagina.”

   Com suas palavras, Haruto riu, seu rosto ficando vermelho de vergonha.

   Ayaka observou a reação de Haruto com um olhar de pura felicidade antes de falar em um tom doce e suplicante.

“Haruto-kun.”

“Hm?”

“Posso pedir uma coisa?”

“Qualquer coisa.”

   Com o aceno imediato de Haruto, Ayaka fez seu pedido com uma expressão que misturava felicidade e timidez.

“Eu quero que você me abrace bem forte.”

“Claro.”

   Respondendo com um sorriso, Haruto envolveu lentamente os braços ao redor das costas de Ayaka, segurando-a gentilmente, mas com firmeza, como se quisesse envolvê-la em calor.

   Apertada por Haruto, Ayaka enterrou o rosto em seu peito.

“Haruto-kun… eu gosto de você.”

“Eu também gosto de você, Ayaka.”

   Haruto sussurrou, suas palavras carregadas de emoção. Então, Ayaka levantou lentamente o rosto de seu peito e encontrou seu olhar.

   A uma distância tão próxima, Ayaka olhou fixamente para Haruto com uma expressão intensa.

   Ela parecia querer dizer algo e, depois de encará-lo por um tempo com uma expressão frustrada, o abraçou com força outra vez.

“Eu gosto de você. Eu gosto muito, muito de você. Eu gosto de você fundo do meu coração.”

   Enquanto falava, Ayaka se agarrava a Haruto, como se quisesse expressar seus sentimentos pela força de seu abraço.

   As palavras ditas pela garota em seus braços fizeram sentimentos de felicidade e afeição se espalharem calorosamente pelo coração de Haruto. E, ao mesmo tempo, um sentimento de constrangimento surgiu com o abraço apaixonado dela.

   Haruto sentiu seu rosto ficar vermelho.

   De Ayaka, que estava tão firmemente pressionada contra ele, ele podia sentir seu perfume e a suavidade única de uma mulher, o que estimulava implacavelmente seu autocontrole.

“...O-Obrigado.”

   Depois de agradecer gaguejando, Haruto afrouxou os braços e a afastou gentilmente antes que seu autocontrole desmoronasse e ele fizesse algo imprudente.

“Ayaka, o que você quer comer primeiro das comidas de barraca?”

   Diante da pergunta de Haruto, claramente feita para mudar de assunto, Ayaka soltou uma pequena risada.

   Depois de olhar para a comida da barraca arrumada na mesa uma por uma, ela virou-se para Haruto com um sorriso e disse, “Hmm... eu quero comer o omusoba.”

“Certo. Vamos começar pelo omusoba então.”

“Tá!”

   Os dois sentaram lado a lado no sofá em frente à mesa. Ayaka pegou o omusoba no recipiente plástico e virou-se para Haruto com uma expressão radiante.

“Sabe, só por estar em um recipiente assim já faz parecer que veio de uma barraca.”

   Ayaka disse alegremente enquanto removia o elástico que mantinha o recipiente fechado.

“Verdade. E se você comer com hashis descartáveis, aí é a experiência completa de barraca.”

   Haruto assentiu às palavras de Ayaka e separou um par de hashis descartáveis.

“Ah, estraguei os hashis...”

“Oh~ eles se separaram de forma estranha.”

“Ugh...”

   Talvez porque ele tivesse comprado os mais baratos, os hashis descartáveis na mão de Haruto se separaram tortos cerca de um terço do comprimento, tornando-os difíceis de segurar.

“Vai ser difícil comer com isso.”

   Enquanto Haruto encarava os hashis com um sorriso torto, Ayaka, sentada ao lado dele, pegou feliz um pouco de seu omusoba com seus próprios hashis e levou até a boca dele.

“Os meus separaram direitinho, então eu vou te dar.”

   Ayaka disse, virando-se para Haruto com um sorriso largo. “Aaaah~.”

   Haruto já tinha experimentado ser alimentado por Ayaka várias vezes antes, quando eles eram um casal de mentira, sob o pretexto de “prática de casal”. Graças àquela prática, ele conseguiu aceitar o omusoba que ela lhe ofereceu sem ficar tão nervoso.

“Está bom?”

“Sim. Bem, eu mesmo fiz, afinal,” respondeu Haruto. Ayaka inclinou a cabeça, com um leve traço de embaraço. Mesmo estando acostumado, Haruto percebeu que provavelmente seria impossível perder totalmente a timidez.

   Depois de alimentar Haruto, Ayaka deu uma mordida no próprio omusoba. Então sua expressão suavizou.

“Mmm~, tudo que você faz é realmente uma delícia, Haruto-kun.”

“Valeu a pena fazer para você.”

   Depois disso, os dois comeram o karaage no palito, batata frita e maçãs do amor.

“Eu não sabia que dava para fazer maçãs do amor em casa.”

“É surpreendentemente fácil, você só precisa derreter açúcar e cobrir a fruta. Eu não usei desta vez, mas se usar corante alimentício, dá para deixá-las ainda mais coloridas.”

   Respondendo a Ayaka, Haruto deu uma mordida no pepino em conserva no palito.

“Hmm, isso não está muito bom… Acho que não ficou tempo suficiente.”

“Mas eu gosto assim, é tipo um picles leve.”

   Enquanto conversavam, os dois aproveitaram seu festival em casa. Então, quando já tinham comido quase toda a comida da mesa, Haruto perguntou a Ayaka:

“Você ainda consegue comer mais?”

“Na verdade, eu estou bem cheia. Mas eu com certeza ainda consigo comer uma sobremesa.”

“Entendi.”

   Haruto se levantou do sofá e foi em direção à cozinha.

“O que você está fazendo?”

   Seguindo atrás dele, Ayaka observava com uma expressão curiosa enquanto Haruto tirava um copo escrito “Gelo” da sacola reutilizável.

“Um festival de verão não é completo sem raspadinha, certo?”

“É verdade!” ela concordou repetidamente, acenando com força diante das palavras de Haruto.

“Vou pegar um pouco de gelo emprestado e também um raspador de gelo, tudo bem?”

“Sim, pode pegar!”

   Depois de receber a permissão de Ayaka, Haruto pegou um raspador de gelo de uma prateleira de armazenamento na cozinha. Em seguida, colocou gelo nele, posicionou um copo embaixo e começou a raspar.

   Num instante, uma montanha de gelo, exatamente como o Monte Fuji, se formou no copo.

“Qual sabor você quer, Ayaka?”

   Haruto tirou os clássicos sabores morango, melão e Blue Hawaii da sacola reutilizável.

   Ela se esforçou para escolher. “Ah, o que eu faço? Eu quero morango, mas é difícil resistir ao melão, e estou com vontade de tomar Blue Hawaii pela primeira vez em um bom tempo...” Seus olhos iam e vinham entre os três tipos de xarope alinhados.

“Então, que tal colocarmos um pouco de cada xarope na raspadinha e mudarmos de sabor conforme comemos?”

“Oh! Ótimo! Vamos fazer isso.”

   Ayaka assentiu com um sorriso diante da sugestão de Haruto. Os dois se sentaram novamente lado a lado no sofá, discutindo diante da pilha de raspadinha.

“Com qual sabor devemos começar?”

“Eu gostaria de morango.”

“Entendi.”

   Com as palavras de Ayaka, Haruto derramou um pouco do xarope de morango na borda da raspadinha. Então, ele pegou o gelo tingido de rosa com uma colher e levou até a boca dela.

   Ela deu uma mordida na raspadinha que ele lhe ofereceu e imediatamente abriu um sorriso feliz.

“Delícia~ Tem gosto de morango.”

   Vendo Ayaka comer tão alegremente, a expressão de Haruto suavizou enquanto ele próprio comia um pouco da raspadinha sabor morango.

   Depois disso, eles colocaram xarope de melão e Blue Hawaii aos poucos, compartilhando um único copo de raspadinha entre os dois. Quando estavam na segunda rodada de Blue Hawaii, Ayaka falou, como se tivesse acabado de lembrar de algo.

“Sabe, eu ouvi dizer que todos os xaropes de raspadinha têm o mesmo sabor. Isso é realmente verdade?”

“Ah, eu também ouvi isso. Que eles só mudam a cor e o aroma.”

   Ayaka encarou as garrafas contendo cada sabor de xarope, então abriu lentamente a boca.

“Ei, Haruto-kun. Quer jogar um jogo?”

“Um jogo?”

“Sim. Um jogo em que você fecha os olhos e adivinha o sabor da raspadinha que comer.”

   Haruto deu um sorriso confiante dizendo “Parece bom” e aceitou a proposta dela.

   Haruto, que cozinhava regularmente, tinha um pouco de confiança no seu paladar.

“Certo, então o perdedor tem que dizer três coisas que gosta sobre a outra pessoa”, disse Ayaka, decidindo a punição do jogo.

“Entendi, então eu vou poder ouvir três coisas que a Ayaka gosta em mim. Isso é um pouco constrangedor.”

“Ei! Você já está agindo como se tivesse vencido!”

“Eu não acho que posso perder.”

“Hmph~”

   Diante de Ayaka, que inflou as bochechas de forma fofa, Haruto sorriu e perguntou:

“Quem vai comer primeiro?”

“...Eu vou primeiro.”

   Depois de pensar por um momento com a cabeça baixa, Ayaka disse que aceitaria o desafio de adivinhar o sabor antes de Haruto.

“Certo. Então feche os olhos.”

“Okay.”

“Você não está espiando, está?”

“Eu não trapacearia assim!”

   Diante de Ayaka, que fez um biquinho, Haruto se desculpou com uma risada, dizendo “Foi mal, foi mal.” Então, depois de hesitar um pouco sobre qual dos três sabores escolher, ele derramou um pouco do xarope verde sobre a raspadinha.

“Aqui vai, Ayaka. Abra a boca.”

   Haruto disse, colocando a raspadinha sabor melão em uma colher. Em seguida, colocou-a gentilmente na boca que ela abriu de boa vontade.

“E então, qual era o sabor dessa raspadinha?”

   Haruto perguntou a Ayaka como se fosse o apresentador de um quiz.

“Hmm... Isso é...”

   Ayaka abriu os olhos que estavam fechados, mexeu um pouco a boca para verificar o sabor e então declarou, com uma expressão confiante no rosto:

“Sabor melão!”

“Eh...? Ah, certo. Então, o que você acabou de comer foi sabor melão, você tem certeza?”

   Haruto perguntou, fingindo uma expressão levemente surpresa. Com isso, a expressão confiante de Ayaka ficou imediatamente nublada.

“Eh? Espera... Hã? É melão, certo?”

“Quem sabe?”

   Haruto inclinou a cabeça com um sorriso significativo, como se estivesse vendo algo divertido. Com a reação dele, a confiança de Ayaka desmoronou visivelmente, quase a ponto de ser engraçado assistir.

“Não é melão? Será que é morango?”

“Hmm, morango, você diz…”

“Espera, espera, espera! Hã? Eu pensei que era melão... Morango? Será que é Blue Hawaii?”

   No instante em que ela disse isso, Haruto deliberadamente mexeu a sobrancelha só um pouquinho.

“Você pensou que era melão no começo, certo, Ayaka? Você provavelmente deveria confiar na sua primeira impressão, sabia?”

“Essa reação! É Blue Hawaii! Porque sua sobrancelha acabou de mexer, Haruto-kun!”

“Então... sua resposta é Blue Hawaii?” Haruto perguntou, com o tom um pouco menos entusiasmado.

   Em resposta, Ayaka assentiu enfaticamente, como se já tivesse descoberto a resposta correta.

   Ayaka declarou “Isso mesmo! O que eu comi foi Blue Hawaii!” com total confiança.

   Haruto tentou desesperadamente impedir que seu rosto se abrisse em um sorriso enquanto anunciava a resposta correta.

“Vou dizer a resposta certa, tudo bem?”

“Tudo bem!”

“O sabor que a Ayaka acabou de comer foi............ sabor melão! Que pena! Você errou.”

   Ayaka imediatamente soltou um “Ehh!?” surpreso e então lançou um olhar de protesto para ele.

“Eu disse sabor melão no começo!”

“Você chegou tão perto.”

“Você me enganou, Haruto-kun!”

“Eu te aconselhei a confiar na sua primeira impressão, não foi?”

“Hmph~! Grrr~!”

   Com frustração estampada no rosto, Ayaka deu leves tapinhas no braço de Haruto.

   Quando Ayaka parou de dar seus tapinhas leves, ela então disse, “Agora é sua vez de adivinhar o sabor, Haruto-kun”, ainda com as bochechas infladas.

   Com suas palavras, Haruto fechou os olhos silenciosamente.

“Nada de espiar e trapacear, okay?”

“Eu não vou”, respondeu Haruto com uma risada para Ayaka, que dizia exatamente a mesma coisa que ele havia dito a ela.

   Então, após uma breve pausa, ela fez uma proposta para o jogo.

“Ei, Haruto-kun.”

“Hm?”

“Tudo bem se eu deixar mais difícil para você?”

   Depois de pensar por um momento, ele disse, “...Tudo bem.” e assentiu.

   Mesmo que ela aumentasse a dificuldade, havia apenas três sabores. Para aumentar a dificuldade com tão poucas opções, o máximo que ela provavelmente poderia fazer seria misturar dois sabores. Seria difícil adivinhar exatamente, mas ele achava que provavelmente conseguiria acertar mesmo se os sabores fossem misturados, perguntando várias coisas para Ayaka depois de comer e deduzindo os sabores a partir das reações dela.

   Enquanto pensava nisso, ele ouviu a voz de Ayaka.

“Certo, lá vou eu. Pronto?”

“Quando você quiser”, ele respondeu com os olhos fechados e abriu a boca, esperando a colher entrar.

   No entanto, ao contrário do que esperava, o que entrou em sua boca não foi uma colher. Foi algo muito macio, pressionado contra todo o seu lábio e, ao mesmo tempo, algo úmido e suave tocou sua língua, como se a acariciasse.

   Diante da sensação desconhecida, os ombros de Haruto estremeceram e ele abriu os olhos. Em seu campo de visão estava o rosto de Ayaka, corada como a raspadinha de morango, olhando fixamente para ele.

   Haruto ficou sem palavras enquanto a expressão tímida de Ayaka preenchia sua visão.

   Ela então sussurrou, “E agora, que sabor de raspadinha eu comi?”

“......Isso não é deixar a dificuldade um pouco alta demais?”

“Se eu não fizer pelo menos isso com você, Haruto-kun, você vai acertar na hora.”

   Inclinada sobre ele, com os braços envolvendo seu pescoço, Ayaka perguntou novamente.

“Que sabor eu comi?”

“...Desculpa. Eu- ah, não consegui dizer.”

“......Então, vou fazer mais uma vez. Pode fechar os olhos?”

   Como ela pediu, Haruto fechou suavemente as pálpebras.

   A sensação macia foi pressionada contra seus lábios novamente. Ao mesmo tempo, algo suave e levemente quente tocou sua língua. A partir disso, ele conseguiu sentir vagamente o sabor de morango. E uma doçura muito intensa.

   Assim que a sensação macia deixou sua boca, Haruto levantou lentamente as pálpebras.

   Para Ayaka, que estava tão perto que seus narizes podiam se tocar, Haruto sussurrou.

“O que você comeu foi... sabor morango.”

“...Mesmo?”

   Com um ar levemente sedutor, ela olhou dentro dos olhos dele e disse:

“...Posso confirmar mais uma vez?”

“Claro. Confirme quantas vezes quiser.”

   Os dois fecharam os olhos novamente.

   No fim, o jogo de adivinhar o sabor da raspadinha terminou com a vitória de Haruto. No entanto, ele não sentia nem um pouco que havia vencido a partida.

     É isso que querem dizer quando falam que você venceu a batalha, mas perdeu a guerra? Em sua mente atordoada, onde seus pensamentos não se alinhavam, Haruto se perguntou vagamente sobre isso.

 

— Almeranto: O que foi esse final? Rapaiz… os dois mal começaram a namorar e já avançaram tanto assim? Tô com medo dos próximos. Será que vai acontecer um sinistro?

-DelValle: Yeah… intensinho, mas de alguma forma, eu já tinha uma previsão que daria neste desfecho kkkkkkk.

 

 

Traduzido por Moonlight Valley

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