Volume 4

Capítulo 2: Ideais e Realidade

 Ōtsuki Haruto

 

   Tendo terminado seu relatório para Ikue, Haruto agora estava no quarto de Ayaka, estudando ao lado dela.

   Parando o lápis mecânico que se movia por seu caderno, Ayaka disse: “Desculpa pelo Ryōta ter pirado”, com um sorriso torto.

   Ao lembrar do Ryōta declarando orgulhosamente que iria economizar dinheiro para os dois, Haruto também parou de estudar e coçou a cabeça com uma das mãos, parecendo um pouco envergonhado.

“Não, bom, eu não me importo. Na verdade, estou até bem feliz com isso... eu acho.”

   Tanto Ryōta quanto Ikue haviam abençoado a notícia de Haruto se tornar o namorado de Ayaka do fundo de seus corações; ouvir aquilo o deixou incrivelmente feliz.

“Embora falar de casamento e tudo mais pareça um pouco cedo demais, não é?”

“C-certo, você tem razão! Casamento ainda é cedo demais para a gente!” disse Ayaka, concordando enquanto lançava um olhar de canto para Haruto para avaliar sua expressão.

“Mas, o Pai parece gostar muito de você, Haruto-kun, então pode ficar intenso quando ele voltar da viagem de negócios.”

“Isso... é verdade. Eu fico muito feliz que ele goste de mim, mas...”

   Recordando as reações de Shūichi até agora, Haruto fez um sorriso um pouco preocupado, dizendo: “O Shūichi-san volta neste fim de semana, certo?”

“Sim, isso mesmo.”

“Então tá, no meu último trabalho de casa, todo mundo vai estar aqui.”

   O trabalho de meio período com serviços domésticos que ele havia começado durante as férias de verão.

   Embora tivesse começado como um emprego de curto prazo para economizar para a faculdade, ele passou umas férias de verão agitadas, sendo querido pela família Tōjō, assinando um contrato regular e até entrando em um relacionamento falso com Ayaka.

   Aquelas férias de verão, que haviam parecido tão longas, terminariam naquela semana.

“De certa forma, essas férias de verão pareceram realmente longas,” murmurou Haruto de modo reflexivo.

   Ayaka assentiu profundamente, respondendo: “Eu sei, né? Pareceram super longas pra mim também, mas foram as férias de verão mais divertidas e felizes que eu já tive.”

   Dizendo isso, Ayaka se apoiou em Haruto, repousando a cabeça suavemente em seu ombro.

“E agora, eu estou tão feliz de ser sua namorada, Haruto-kun...”

“Eu sinto o mesmo. Mas eu nunca imaginei que começar um trabalho de serviços domésticos acabaria me fazendo namorar com você, Ayaka,” disse Haruto, acariciando gentilmente a cabeça da garota que estava tão docemente apoiada nele. Ao sentir seus dedos passando suavemente por seu cabelo, Ayaka semicerrava os olhos de felicidade.

“Eu estive sonhando que isso aconteceria há muito tempo, sabia?”

“Sério? Mas nós não tínhamos nenhuma conexão antes das férias de verão, né? Nunca tínhamos nem tido uma conversa de verdade.”

“Mas mesmo que não tivéssemos nos encontrado durante as férias de verão, acho que acabaríamos nos encontrando em algum lugar e terminaríamos assim.”

“Isso é... o que chamam de destino?”

“Hehehe... talvez?”

   Talvez se sentindo envergonhada por suas próprias palavras, Ayaka corou e sorriu de maneira tímida. Sua fofura fez o coração de Haruto acelerar. Diante do poder devastador do charme de Ayaka olhando para ele de tão perto, ele desviou o olhar reflexivamente e mudou de assunto com: “Ah, é, amanhã tem o festival de fogos de artifício, né?”

   Ayaka soltou um pequeno “hehe” diante da mudança óbvia de assunto, mas confirmou a pergunta com um “Sim.”

“Se você quiser, gostaria de ir junto?”

“Eu adoraria!” exclamou Ayaka, respondendo ao convite de Haruto com um enorme sorriso. Então, ela mostrou uma expressão ligeiramente aliviada, acrescentando: “Eu estou feliz. Obrigada por me chamar.”

“Você estava, por acaso, esperando que eu te chamasse?”

“...Sim,” ela assentiu timidamente. “Assistir aos fogos lado a lado com a pessoa de quem eu gosto sempre é um sonho meu, então eu estava torcendo para que você me chamasse, Haruto-kun.”

   Parecendo totalmente encantada, ela apoiou levemente o queixo no ombro de Haruto.

“Obrigada. Por me convidar.”

“Não, bom, hmm...” disse Haruto, desviando o olhar por estar tão perto do sorriso da bela garota.

   Em resposta, Ayaka inflou levemente as bochechas.

“Você me disse ontem que não ia fugir mais...”

“Ugh...”

   Atingido onde doía, Haruto virou a cabeça, o rosto ficando vermelho vivo, e encarou o olhar da garota bem à sua frente. Vendo Haruto retribuir o olhar, mesmo com o rosto vermelho como um tomate, Ayaka também corou e sorriu com uma expressão misturada entre timidez e felicidade.

   O sorriso dela despertou em Haruto um leve senso de competição.

“Ayaka, você tem noção de que é fofa o suficiente para os garotos na escola te chamarem de idol da escola?”

“Hh... O que importa pra mim é só o que você pensa de mim, Haruto-kun.”

   Ayaka reagiu à palavra “fofa” que Haruto disse, seus lábios incapazes de segurar um sorriso enquanto devolvia um comentário tocantemente doce.

   Ele deu um sorriso torto diante das ações e palavras dela, que estavam aumentando constantemente a frequência do seu coração.

“Eu sou um cara, sabia. Se você vier forte demais, eu posso acabar querendo agir, sabe?”

   Haruto aproximou rapidamente o rosto do dela e puxou levemente sua cintura fina. Então, sussurrou com uma voz um pouco mais baixa.

   Instantaneamente, Ayaka ficou tão vermelha, até as orelhas, que ele seriamente pensou que vapor poderia sair dela.

“Qu-!? I-isso...”

   Ela rapidamente afastou o rosto do ombro de Haruto e se distanciou aflita.

“E-então, não agora... é... n-não é que eu não queira, Haruto-kun... mas... ainda... m-mas, e-eu não estou preparada mentalmente... mas, hum... ugh...”

   Ayaka, falando em fragmentos quebrados, acabou apenas olhando para o chão. Vendo-a assim, Haruto exibiu uma expressão levemente satisfeita.

   Quando ele tinha ido ao cinema com Ayaka no primeiro encontro deles, Haruto havia tentado contra-atacar ao apertar as mãos dadas, apenas para ser completamente derrotado. Ele se perguntou se finalmente havia conseguido sua vingança, deixando seu lado competitivo aparecer.

“Eu quero te valorizar, Ayaka, então eu nunca iria simplesmente avançar em você de repente.”

   Quando Haruto sorriu suavemente para tranquilizá-la, Ayaka o encarou, seu rosto tão vermelho quanto um tomate. Seus olhos estavam levemente úmidos e, combinados com seu olhar de baixo para cima, o poder destrutivo era extraordinário.

“...Então, isso significa que você vai avançar em mim se não for de repente?”

“Qu-... Não, independente de ser de repente ou não, eu não vou avançar em você em primeiro lugar.”

“Hmm... entendi...”

   Ayaka o encarou, com a cabeça um pouco inclinada para baixo; sua expressão parecia aliviada, mas ao mesmo tempo carregava um leve toque de insatisfação. Para Haruto, era tão encantadora que parecia perigosa.

   Ele desviou seu próprio rosto corado do olhar úmido de Ayaka. Haruto tinha sido um pouco agressivo, fazendo seu coração acelerar, e pensou que tinha vencido. Mas no fim, tinha sido derrotado de novo.

“C-certo, precisamos ficar sérios com os estudos.”

   Ayaka assentiu à declaração monótona de Haruto e virou-se novamente para a mesa, dizendo: “...Você está certo. Eu tenho que tirar mais de oitenta pontos e ganhar minha recompensa de você, Haruto-kun.”

“Ah é, a gente fez essa promessa, né...”

   Com tudo o que havia acontecido — desde Ayaka tentando beijá-lo até sua confissão — Haruto havia esquecido completamente.

“Se eu tirar mais de oitenta em tudo, que tipo de recompensa eu deveria pedir de você, Haruto-kun?” disse ela com um sorriso levemente travesso.

“Hã? É você que decide a recompensa, Ayaka?”

“Você não gostaria se eu decidisse?” disse ela de forma fofa, inclinando a cabeça para o lado.

   Era um gesto calculadamente fofo, mas extremamente eficaz contra Haruto.

“Eu não me importo, mas por favor mantenha dentro do razoável.”

“Claro, eu vou pensar direitinho dentro do senso comum de um casal normal, tá?”

   Ayaka disse alegremente, mas Haruto sentiu uma pontada de ansiedade.

   Através da “prática de namorados” deles, Haruto havia percebido que os padrões dela para um relacionamento eram um pouco, não, bastante distantes do normal. Que tipo de recompensa ela pediria com base nesses padrões distorcidos?

“Peça algo que eu realmente possa atender, tá?”

“Uhum. Vai ficar tudo bem.”

   Ayaka ainda exibia um sorriso alegre. O sorriso dela apenas fez a ansiedade de Haruto crescer.

   Depois disso, os dois se concentraram e estudaram seriamente.

   O tempo passou das 14h30, se aproximando da hora do trabalho doméstico dele. Ayaka, tendo chegado a um bom ponto nos estudos, se espreguiçou com um “Mmm~”. Ao lado dela, Haruto também girou o pescoço para aliviar a tensão.

“É verdade, as aulas começam na semana que vem...”

   Haruto murmurou para si mesmo e então se virou para Ayaka como se tivesse acabado de se lembrar de algo, dizendo: “A propósito, o que a gente vai fazer sobre ir para escola? Quer ir caminhando juntos?”

   O rosto de Ayaka se iluminou por um momento com a pergunta de Haruto. Mas logo foi substituído por uma expressão preocupada, respondendo: “Eu quero ir pra escola com você! Mas...”

   Ela exibiu uma expressão extremamente conflituosa.

   Como a popularidade da garota conhecida como Tōjō Ayaka na escola era simplesmente incrível, ela era tão imensamente popular entre os alunos do sexo masculino que um deles até usou o sistema de som da escola para chamá-la e se declarar. O que aconteceria se aquela idol da escola aparecesse no primeiro dia após as férias de verão, de mãos dadas carinhosamente com um outro aluno?

“...Causaria uma comoção enorme, não é?”

“Bom, provavelmente tem muitos caras que gostam de você, Ayaka.”

   Os olhares misturados de inveja e ciúmes que ele recebia apenas por ficar ao lado dela — a ideia de ter aqueles olhos sobre ele o dia inteiro na escola — deixaram até a expressão de Haruto um pouco sombria.

“Mas, como eu posso dizer isso... eu gosto tanto de você, Ayaka, que acho que eu não ligaria se as pessoas me olhassem com inveja ou antipatia... então, hum, eu acho que eu gostaria de ficar com você normalmente na escola também?” disse Haruto timidamente.

   Os olhos de Ayaka se arregalaram e, como se fosse dominada pela emoção, ela o abraçou.

“V-você! Dizer algo assim de repente é contra as regras!”

   Embora fosse isso que sua boca dizia, sua expressão havia suavizado completamente.

   Talvez para esconder sua vergonha, ela pressionou a testa firmemente contra o bíceps de Haruto por um instante antes de se afastar lentamente.

“Então, o que você quer fazer na escola, Ayaka?” perguntou Haruto, incapaz de conter o sorriso diante de sua reação adorável.

“Eu quero ficar com você o tempo todo também, Haruto-kun! Eu quero, mas...”

   A expressão de Ayaka escureceu levemente quando ela começou a falar.

“Na verdade, tem algo de que eu tenho um pouco de medo... Sabe...”

   Em um tom ligeiramente triste, Ayaka confidenciou a Haruto um acontecimento do passado.

   Era sobre um incidente no ensino fundamental em que ela teve um desentendimento com uma amiga por causa da confissão de um garoto. Uma amiga com quem ela era próxima até então havia gritado repentinamente: “Não rouba o garoto de quem eu gosto!” e elas tinham parado de se falar.

   Aquele acontecimento foi a causa do comportamento atual de Ayaka na escola: agir completamente desinteressada em romance, não deixar que garotos se aproximassem e rejeitar todas as confissões.

   Criar uma impressão fria em relação a romance na escola era sua própria maneira de proteger suas amizades.

“Então... se descobrirem na escola que eu estou namorando você, Haruto-kun, eu fico com um pouco de medo de que as meninas que gostam de você fiquem bravas comigo de novo...”

“Entendo...”

   Diante da voz fraca de Ayaka, Haruto apertou os lábios e murmurou pensativo.

   Ele mesmo não achava que alguma garota gostasse dele desse jeito, então pensava que a preocupação de Ayaka era infundada. No entanto, ele também entendia por experiência própria que traumas do passado não eram algo que pudessem ser facilmente superados.

   Da parte dele, Haruto tinha um forte desejo de passar seus dias escolares junto de Ayaka. Se apenas ele fosse alvo de inveja, Haruto poderia se firmar e ir para a escola com Ayaka. Mas, se fazer isso transformasse Ayaka em alvo de ciúmes ou destruísse suas amizades, então ele precisava ser cauteloso.

“Então, talvez devêssemos esperar para não começarmos, de repente, a ir juntos para a escola...”

“...É. Embora, na verdade, eu queira declarar para a escola inteira: ‘Haruto-kun é meu namorado!’”

“Isso é meio embaraçoso...” disse Haruto, corando e coçando a parte de trás da cabeça com uma das mãos. Vendo isso, Ayaka também sorriu, parecendo um pouco divertida.

“Mas, por agora, vamos manter nosso relacionamento em segredo na escola, tudo bem?”

   Depois de dizer isso, Ayaka acrescentou: “Além disso, eu meio que tenho um fetiche por isso...”

“Um fetiche por isso?”

“Sim, sabe. Ficar juntos como um casal na escola enquanto tentamos não deixar ninguém descobrir, é uma situação comum em mangás de romance e tal.”

“Oh... bom, é mesmo?”

   Haruto, que não lia muito desse gênero, inclinou a cabeça levemente e deu uma resposta vaga.

“Então, depois das férias de verão, vamos agir como se fôssemos apenas conhecidos na escola por enquanto?”

“Acho que sim. Vou ter que tomar cuidado para não te abraçar na sala de aula, Haruto-kun”, disse Ayaka com uma expressão séria.

   Sem saber se ela estava brincando ou falando sério, a expressão de Haruto se contraiu diante das palavras dela.

“Mesmo que fôssemos um casal assumido abertamente, por favor, não me abrace de repente, tudo bem? Se você fizesse isso na frente de todo mundo, muita coisa ia simplesmente explodir.”

   Um garoto sendo abraçado pela idol da escola era um caso que garantia uma surra de todo o corpo estudantil masculino.

“Haaah... eu não quero que as férias de verão acabem...” disse ela, suspirando com um olhar preocupado. Haruto disse de modo encorajador: “Amanhã temos o festival de fogos de artifício. Por agora, vamos só esperar por isso.”

“Yeah! Você tem razão!”

   Com as palavras dele, a expressão de Ayaka imediatamente se iluminou, e ela deu a Haruto um sorriso quase ofuscante.

 

✦ ✦ ✦

 

   No dia seguinte à promessa de ir ao festival de fogos de artifício com Ayaka, Haruto estava se esforçando ao máximo na prática de sparring no Dōjō Dōjima.

   Seu parceiro de treino era Ishikura. A disputa entre os dois, que possuíam habilidades de nível máximo dentro do dōjō, era bastante intensa, com ataque e defesa trocando de posição em uma velocidade rápida demais para o olho acompanhar.

   Enquanto aparava habilmente o fluxo implacável de ataques de Ishikura, Haruto sentia seu corpo mais leve do que o normal.

   Ultimamente, seu estado mental tem estado instável — ou incapaz de se concentrar devido às preocupações sobre Ayaka, ou, ao contrário, tentando se jogar na prática com foco absoluto para evitar pensar nela.

   No entanto, agora que ele finalmente havia se tornado o namorado verdadeiro de Ayaka, suas distrações haviam desaparecido. Essa era a razão para os movimentos melhorados de Haruto.

   Diante dos movimentos afiados de Haruto, Ishikura se viu na defensiva, mas sua expressão era de grande diversão, seus olhos ardendo com um feroz espírito de luta. Em resposta, Haruto também ergueu os cantos da boca em um sorriso, seu olhar afiado fixo em Ishikura.

   Haruto e Ishikura, rivais cujas habilidades eram equilibradas desde a infância, sempre impulsionaram um ao outro.

[Del: “Assim como o ferro afia o ferro, um amigo afia o seu companheiro.”]

   Os dois estavam prestes a intensificar ainda mais sua batalha já acalorada, mas, naquele momento, um cronômetro soou, sinalizando o fim da sessão de sparring.

   Os dois imediatamente tomaram distância e fizeram uma reverência profunda um ao outro.

“Muito obrigado.” — “Muito obrigado.”

   Com isso, o treino de hoje no dōjō chegou ao fim.

“Ei, Haruto. Você estava bem bom hoje, não estava?”

“Valeu. Graças a você, Kazu-senpai, muitos dos meus problemas foram resolvidos.”

   Ishikura colocou uma toalha ao redor do pescoço e enxugou o suor que escorria de sua testa enquanto falava com Haruto.

   Em resposta, Haruto também sorriu com uma expressão renovada.

“São aqueles problemas pelos quais você estava se lamentando sozinho no parque naquela noite?”

“Sim. Graças a você naquela vez, Kazu-senpai, uh... eu consegui uma namorada.”

   Disse Haruto, com o rosto ficando um pouco vermelho de vergonha enquanto coçava a bochecha.

   Ontem, em sua conversa com Ayaka, eles haviam decidido manter seu relacionamento em segredo na escola. No entanto, seria impossível esconder completamente. Então, decidiram contar para aqueles mais próximos.

   No caso de Haruto, era seu melhor amigo, Tomoya. Além disso, ele decidiu contar aos companheiros do dōjō, Ishikura e Shizuku, sobre seu relacionamento com Ayaka.

   Com as palavras de Haruto, Ishikura sorriu e disse: “Entendi.”

“Isso é ótimo. Parabéns.”

“Foi tudo graças à sua palestra naquela vez, Kazu-senpai.”

“Não foi bem uma palestra; eu não disse nada tão grandioso assim”, respondeu Ishikura com um sorriso levemente envergonhado.

   A atmosfera tensa e carregada da sessão de sparring havia mudado completamente, e os dois conversavam agora de maneira amigável.

   Nesse momento, Shizuku, com sua expressão inexpressiva de sempre, enfiou a cabeça na frente de Ishikura.

“Kazu-senpai, o que é esse sorriso maligno? Você descobriu uma maneira de destruir a humanidade?”

“Pare de me fazer parecer um rei demônio toda vez,” rebateu ele. Era a resposta habitual à piada padrão de Shizuku.

“O Haruto arranjou uma namorada. Eu só estava parabenizando ele, isso não tem nada a ver com a sobrevivência da humanidade.”

“Oh? Haru-senpai tem uma namorada...”

   Com as palavras de Ishikura, as sobrancelhas perfeitamente moldadas de Shizuku tremeram e seu olhar se voltou para Haruto.

“Poderia ser que essa namorada seja a Tōjō-senpai?”

“Bem, sim. É ela mesma.”

“Entendo... então isso significa que eu devo me tornar a amante do Haru-senpai, certo?”

“Não, eu não entendo o que isso quer dizer.”

   A compreensão de Haruto não conseguia acompanhar Shizuku, que falava como se estivesse dizendo algo perfeitamente lógico, e ele negou suas palavras um pouco rápido demais.

“Então... segunda esposa?”

“Agora estou ainda mais confuso.”

“Hmm... então concubina?”

“Não.”

“Que tal consorte?”

“Eu sou algum senhor feudal?! Todas essas estão erradas!”

   Haruto não conseguiu deixar de retrucar à enxurrada de piadas de Shizuku. Enquanto os dois trocavam essas falas, Ishikura comentou casualmente: “Se o Haruto fosse um lorde, ele provavelmente seria um bem tolo, hahahaha.”

   Haruto lançou um olhar leve para Ishikura, que ria alegremente.

“Se eu me tornasse uma imperatriz, eu faria você trabalhar até os ossos, Kazu-senpai,” provocou Shizuku.

“Ah é? Venha. Eu te derrubaria num instante.”

“A cara do Kazu-senpai já é tipo um golpe de estado. É tão ameaçadora que até Oda Nobunaga ficaria surpreso.”

“Quem você está chamando de Rei Demônio do Sexto Céu?!”

“Por favor, não queime este dōjō, tudo bem?”

“Eu não queimaria!”

   Embora seu rosto estivesse inexpressivo, a voz de Shizuku estava cheia de diversão enquanto ela o provocava sem misericórdia. Tendo se divertido o bastante com Ishigura, ela virou novamente o olhar para Haruto.

“Mas Haru-senpai, você vai ter que vir para este dōjō com ainda mais seriedade daqui para frente.”

“Hm? Por que isso?”

“Porque, se você está namorando a Tōjō-senpai, você vai ser odiado por todos os caras da escola, e eles vão te atacar, sabia? É uma luta de rua garantida atrás do ginásio todo dia depois da aula.”

   Shizuku frequentava a mesma escola que Haruto. Portanto, ela entendia perfeitamente o quão popular a pessoa conhecida como Tōjō Ayaka era.

“Mesmo que você os derrube, com certeza será constantemente atacado por garotos chorando lágrimas de sangue.”

“Nossa escola não é um ninho de um grupo tão obcecado por artes marciais,” disse Haruto, com uma expressão exasperada, mas incapaz de negar completamente as palavras dela, acrescentou baixinho: “Bom, algo parecido pode acontecer, mas...”

“O quê? A namorada do Haruto é tão famosa a ponto de causar um alvoroço assim?” disse Ishikura, olhando para Haruto com uma expressão curiosa.

   Como ele frequentava uma escola diferente de Haruto e dos outros, não fazia ideia de que tipo de pessoa Ayaka era.

“Bem, famosa, ou melhor, como posso dizer...”

“A Tōjō-senpai é uma beleza que pode rivalizar até comigo.”

   Shizuku colocou as mãos na cintura e, por algum motivo, explicou orgulhosamente a Ishikura. Com sua explicação, Ishikura pareceu desconfiado — “Rivalizar... você?” — ao que Shizuku estreitou ligeiramente os olhos.

“O que é esse olhar, Kazu-senpai?”

“...Não, bem. Você até tem um rosto bonito quando está quieta... É.”

“Huh? Eu sou fofa mesmo quando não estou quieta,” disse ela com um leve tom afiado na voz, apesar da expressão inexpressiva, e soltou um suspiro exageradamente alto.

“Mas acho que não tem jeito. Como um demônio, Kazu-senpai tem gostos diferentes dos humanos. Fazer o quê.”

“É por esse tipo de coisa que você faz!”

   Ishikura retrucou com o próprio rosto de rei demônio diante de Shizuku, que balançava a cabeça como se dissesse “ah, paciência”.

   A expressão de Haruto suavizou diante da conversa de costume entre os dois.

“Bom, por um tempo, pretendemos manter nosso relacionamento em segredo na escola.”

“...Hmm.”

   Shizuku, que tinha ignorado sem cerimônia o comentário de Ishikura, respondeu às palavras de Haruto com um tom um pouco descontente.

“E você está bem com isso, Haru-senpai?”

“Não, eu não estou, mas...”

“Poderia ser que você está amarelando porque está com medo do ciúme dos outros caras?” disse ela, lançando-lhe um olhar agudo.

   Haruto então balançou a cabeça. Em resposta, ele disse: “Não é isso. Bom, eu não gosto de ser invejado, mas... É um problema com as amizades da Ayaka. Se se tornar público que estamos namorando, as amizades dela podem desmoronar, e aparentemente ela tem medo disso.”

“Ah, entendi, é isso então...”

   Com a explicação de Haruto, Shizuku assentiu como se tivesse compreendido, depois abaixou o olhar como se estivesse em pensamento profundo.

   Enquanto Shizuku afundava em um mar de pensamentos, Haruto verificou o horário no relógio pendurado na parede do dōjō e, percebendo que precisava ir, disse: “Ah, eu tenho que ir para casa agora.”

   Haruto tinha uma promessa de assistir aos fogos de artifício com Ayaka hoje. Depois que seu treino da manhã no dōjō terminasse, ele precisava ir para casa um pouco para tomar banho e se arrumar.

“Oh, você vai para um encontro direto assim?”

   Ishikura perguntou enquanto Haruto começava, às pressas, a guardar suas coisas.

“Sim, eu tenho uma promessa de assistir aos fogos com ela hoje.”

“Ah, é mesmo, tem um festival de fogos de artifício hoje.”

   Ishikura disse como se tivesse acabado de se lembrar.

“Haru-senpai, por favor me traga uma maçã do amor de souvenir.”

   Depois dele, Shizuku, que havia emergido do seu mar de pensamentos, levantou a mão e fez um pedido casual a Haruto.

“...Tudo bem. Uma é suficiente?”

   Haruto lançou para Shizuku um olhar de reprovação, mas tentou atender ao pedido dela.

“Não, não, é claro que estou só brincando.”

“Você brinca tanto normalmente que eu não consigo diferenciar suas piadas dos seus verdadeiros sentimentos.”

   Quando Haruto disse isso com um sorriso torto, Shizuku inclinou a cabeça de forma inexpressiva.

“Eu raramente faço piadas, sabia? Eu estou sempre falando sério.”

“É por esse tipo de coisa que você faz, sabe.”

   Haruto devolveu a ela exatamente as palavras que Ishikura havia dito mais cedo.

   Em resposta, Shizuku fez um biquinho com os lábios, soltando um “hmpf”.

“Haru-senpai.”

“O que foi?”

“Casais deveriam simplesmente explodir.”

   Shizuku inflou as bochechas e fez um bico, seu rosto parecendo descontente apesar das emoções limitadas que ela mostrava.

“Você também é popular, sabia. Se quisesse, poderia arranjar um namorado na hora e virar uma dessas pessoas normais, não é?”

“Hmph, então é esse tipo de coisa que você vai dizer, senpai,” ela disse enquanto fazia um biquinho ainda mais forte.

“Haru-senpai.”

“Hm?”

“Parabéns pela namorada.”

“Mesmo você dizendo isso com essa cara... bem, obrigado.”

   Para a Shizuku normalmente inexpressiva, sua expressão atual — bochechas infladas como um hamster e lábios fazendo bico como um periquito — estava longe de parecer uma congratulação. Haruto agradeceu com uma expressão conflituosa, checou a hora novamente e apressou-se para sair do dōjō.

“Então, Kazu-senpai, Shizuku, até a próxima.”

“Sim, aproveite seu encontro.”

“Se você comer demais no almoço, tiver dor de estômago, ficar preso no banheiro, se atrasar para o encontro e for repreendido pela Tōjō-senpai, por favor me avise. Eu vou te confortar.”

“Isso é menos provável de acontecer do que o sol nascer no oeste.”

   Retrucando à piada de Shizuku, Haruto seguiu para o corredor de entrada.

   Ele ouviu atrás de si a conversa animada entre Ishikura e Shizuku.

“Vamos ver os fogos de artifício também?”

“Hmm, então vamos chutar a bunda dos normies. Como esperado de Kazu-senpai, uma ideia verdadeiramente demoníaca.”

“Não é isso! Eu estava perguntando se você queria ir ao festival comigo!”

“Entendo, achei que você estava me pedindo para ser sua cúmplice em um plano para fazer os normies explodirem.”

“Você, você...”

   Ouvindo a rotina de comédia deles, Haruto deixou o Dōjima Dōjō rumo ao encontro com Ayaka.

   Ao caminhar para casa a partir do dōjō, Haruto semicerrava os olhos diante da luz forte do sol acima e tirou o smartphone do bolso para verificar a hora.

   Passava um pouco das onze. Se ele fosse para casa agora, preparasse e comesse o almoço e se arrumasse, seria o horário ideal.

   Enquanto Haruto fazia planos em sua mente, uma notificação apareceu na tela do celular.

   Ele tocou reflexivamente na notificação e abriu o aplicativo de mensagens.

[Que horas você acha que consegue vir hoje?]

   A mensagem era de Ayaka, enviada junto com um sticker de um coelho espiando por trás de uma parede. O festival de fogos que seria realizado hoje teria muitas barracas de comida montadas, deixando tudo com clima de festival.

   Os fogos estavam programados para começar às sete da noite, então ele planejava ir mais cedo e andar pelas barracas com Ayaka.

[Vou te buscar na sua casa às quatro.]

   O local do festival ficava a algumas estações de trem de distância. Considerando o tempo de viagem, o tempo para ver as barracas e garantir um bom lugar para assistir aos fogos, Haruto informou o horário em que iria para a casa dela.

[Okay!! Então vou deixar meu yukata pronto até lá!!]

   Uma resposta veio de Ayaka imediatamente. Ao ver o conteúdo, Haruto não conseguiu deixar de sorrir.

   Ayaka, cuja aparência era tão impressionante que ela era chamada de idol da escola… Haruto se perguntava o quão linda ela seria vestindo um yukata.

   O principal charme que atraía Haruto para ela não era sua aparência, mas seu interior. No entanto, para ele, que também era bem atraído pela bela aparência de Ayaka, só imaginar ela de yukata já fazia o canto de sua boca se erguer.

   Haruto lutou para conter o sorriso que ameaçava surgir em seus lábios e enviou para Ayaka um sticker de um ursinho fazendo joinha. Depois disso, acelerou o passo mais do que antes e apressou-se para casa.

   Quando chegou, Haruto terminou rapidamente o almoço. Normalmente, ele ficaria de pé na cozinha e prepararia uma refeição decente, mas hoje sua avó estava trabalhando, e o desejo de ver Ayaka o mais rápido possível venceu, então ele se contentou com miojo.

   Depois disso, tomou um banho e usou produtos de cabelo para arrumar o penteado.

“Está acabando, hein...”

   Haruto olhou para o pequeno pote de cera capilar em sua mão e murmurou para si mesmo.

   Normalmente, ele não usava produtos para o cabelo, então ainda estava usando a cera que havia comprado com Tomoya no oitavo ano do ensino fundamental. Mesmo tendo comprado o menor pote, já a usava há mais de dois anos.

   Mas desde que conheceu Ayaka, o consumo havia aumentado bastante.

“Preciso comprar uma nova...”

   Ele queria que ela tivesse uma boa impressão dele, mesmo que um pouquinho. Queria que ela achasse que ele era legal e bonito.

   A garota conhecida como Tōjō Ayaka era alguém capaz de cativar todos os alunos do sexo masculino. Para ser uma pessoa digna de ficar ao lado dela como namorado, um homem à altura dela, ele não podia negligenciar o esforço de melhorar tanto sua aparência quanto seu interior. Acima de tudo, ele não podia tomar como garantia o fato de que ela gostava dele.

   Olhando para seu reflexo no espelho do banheiro, Haruto tomou essa resolução.

   Foi então que ele percebeu algo de repente. O interior de sua casa havia ficado escuro.

“Ficou nublado...?”

   Haruto ficou junto à janela com uma expressão curiosa e olhou para fora.

   De acordo com a previsão do tempo que ele havia visto pela manhã, estaria ensolarado o dia inteiro. Apesar disso, o céu agora estava coberto por nuvens grossas, pesadas e escuras, bloqueando o sol de verão.

“Tenho um mau pressentimento sobre isso...” murmurou Haruto com uma expressão tensa. A tempestade recente passou por sua mente.

   Um surto repentino de mau tempo causado pelo clima instável do verão, que não havia sido mencionado na previsão.

   Pensando agora, talvez aquilo tivesse sido algo bom para Haruto, já que foi o que permitiu que seu relacionamento com Ayaka avançasse. No entanto, para os dois, que agora eram um casal de verdade, uma chuva inesperada era apenas um incômodo.

“Por favor, não chova,” disse Haruto como se estivesse rezando. Porém, ao contrário de sua prece, o céu foi piorando gradualmente, e a ansiedade de Haruto cresceu. E, assim que ele estava prestes a sair de casa para buscar Ayaka, gotas grandes de chuva começaram a cair das nuvens negras que haviam se reunido no céu.

“...Isso é o pior.”

   A intensidade da chuva cresceu instantaneamente, e o interior da casa foi preenchido pelo som forte da chuva pesada.

   Olhando pela janela, a chuva era tão intensa que embaçava sua visão, batendo implacavelmente no chão. Se ele saísse agora, mesmo com guarda-chuva, provavelmente ficaria encharcado em segundos.

“Me dá um tempo...” disse Haruto enquanto lançava um olhar ressentido para as gotas grossas que continuavam caindo sem parar.

   Nesse momento, o som de notificação de uma mensagem ecoou no smartphone.

[Começou a chover…]

   Uma mensagem de Ayaka. Sua ansiedade parecia transparecer no texto.

   Haruto respondeu com uma expressão difícil.

[É uma chuva passageira. Pode parar logo.]

[Será? Eu espero que sim…]

   Querendo dissipar a ansiedade de Ayaka, Haruto enviou uma mensagem positiva.

   No entanto, como se zombasse de seus esforços, o tempo apenas piorou, e eventualmente até trovões começaram a ecoar.

[Você acha que vai parar até a hora dos fogos?]

   Diante da mensagem de Ayaka, a imagem dela com os olhos baixos, preocupada se conseguiriam ter o encontro como planejado, se formou na mente de Haruto.

[Vou ver a previsão aqui rapidinho.]

   Haruto imediatamente conferiu a situação atual das nuvens de chuva pela internet.

   Então, verificando as nuvens sobre sua região, ele fez uma careta.

“Urgh... está vermelho vivo...”

   No site que Haruto estava vendo, a precipitação era exibida em várias cores, e a área onde eles viviam estava marcada em vermelho — a cor usada para indicar a chuva mais forte.

“Quando é que essa chuva vai parar?” Ele disse enquanto observava o movimento das nuvens nas próximas horas.

   De acordo com a previsão do site, a chuva continuaria.

“Sério...”

   Haruto franziu o rosto. Nesse momento, outra mensagem de Ayaka chegou.

[Eu vi a previsão também, e não parece que vai parar tão cedo…]

   A mensagem veio acompanhada de um sticker de um coelho com olhos marejados, prestes a chorar.

[Talvez devêssemos esperar um pouco para ver…]

[Tudo bem, você não precisa se esforçar para vir me buscar, eu fico totalmente okay em nos encontrarmos lá.]

[É, no pior caso, vamos fazer assim.]

   Se a chuva continuasse daquele jeito, ir à casa de Ayaka antes do festival poderia fazê-los perder o início dos fogos.

   O som barulhento da chuva, que preenchia a casa sem parar, fazia a ansiedade de Haruto crescer.

   Se estivesse ensolarado, ele já teria saído de casa para buscar Ayaka. Mas a chuva não mostrava sinal algum de parar.

“...Isso é punição divina?”

   Haruto murmurou, seus olhos alternando entre o relógio da parede e a vista pela janela.

   Será que Deus estava irritado porque ele estava namorando Ayaka, uma garota tão bonita que não era exagero chamá-la de uma beleza incomparável, pensando: ‘Você não é digno dela’? O clima lá fora estava tão violento que dava essa impressão.

   Eventualmente, o horário em que eles já deveriam estar no trem rumo ao festival chegou.

   Lá fora, ainda chovia forte.

“...Será que o festival vai realmente acontecer?”

   Sentindo dúvida, Haruto acessou o site oficial do festival de fogos.

   No topo da página, em letras vermelhas, estava escrito: [Sobre o Adiamento do Evento devido ao Mau Tempo].

   A explicação dizia que, como não havia previsão de melhora no clima e um alerta de tempestade e aviso de chuva forte estavam em vigor, a data do evento seria adiada por razões de segurança.

   Haruto ficou atordoado com o adiamento inesperado do festival.

   Nesse momento, o toque do seu celular ecoou. Olhando para a tela, ele viu “Ayaka” e imediatamente atendeu.

“...Alô?”

[Ah, Haruto-kun... parece que o festival de fogos foi adiado…]

   O tom desanimado dela fez com que o humor de Haruto também afundasse.

“Sim, eu acabei de ver no site também.”

[...Que pena.]

“É mesmo. Mas foi adiado, não cancelado. Vamos juntos na próxima semana.”

[É... é verdade!] Ela disse com uma resposta animada.

   Era tão óbvio que ela estava forçando uma animação que um sentimento frustrado tomou conta do peito de Haruto.

[Podemos assistir juntos na próxima semana! Se você pensar que agora tem mais tempo para ficar animada e ansiosa, não parece tão ruim, certo?]

   A animação forçada dela era dolorosa de ouvir.

[E você vai poder ficar imaginando como eu ficarei de yukata por uma semana inteira! Mas é um pouquinho triste não podermos nos ver hoje…]

“Ayaka...”

[Ah, mas você também não deveria sair de casa hoje, Haruto-kun. Se você sair nesse tempo, vai se molhar todo e pegar outro resfriado.]

   Haruto, que já tinha ficado doente antes por usar uma camisa meio molhada, não tinha argumento contra isso.

[Oh, eu sei. Posso ir à sua casa amanhã, Haruto-kun? Eu quero relatar corretamente para a sua avó que nós somos um casal agora.]

“Sim, tudo bem. Tenho certeza de que a Vó também vai ficar feliz.”

[Então... até amanhã.]

“Sim... certo. Até amanhã.”

   Haruto terminou a ligação com Ayaka, sentindo uma certa relutância.

   Quando ele colocou o smartphone sem força sobre a mesa, um suspiro alto escapou dele.

   Haruto se apoiou na parede de seu quarto, olhou para o teto e fechou os olhos. Atrás de suas pálpebras fechadas, a imagem de uma Ayaka com uma expressão triste surgiu.

   Foi então que Haruto se lembrou.

   Alguns dias atrás, quando ela havia tentado beijá-lo, e ele fugiu disso. A expressão que ele tinha visto no rosto de Ayaka naquela ocasião.

“Se continuar assim, eu vou acabar quebrando minha promessa...”, ele murmurou, misturando-se ao ruído da chuva que atravessava o quarto.

   Quando confessou para Ayaka, Haruto tinha feito uma promessa. Ele recordou sua conversa daquele momento.

“Ayaka, eu prometo. De agora em diante, eu não vou fugir. Eu não vou te deixar triste.”

“...De verdade?”

“Sim. Nunca mais, absolutamente.”

   A voz dela na ligação havia sido alegre. Enquanto a imagem de Ayaka segurando a tristeza e tentando ser forte se formava atrás de suas pálpebras, ele abriu os olhos e se levantou.

“Certo.”

   Haruto deu a si mesmo um pequeno incentivo, fez uma busca rápida no celular, colocou algumas coisas que podia levar de casa em sua mochila e foi até a entrada. Então, pegando o guarda-chuva que estava encostado ali, ele se preparou para se molhar e correu para fora, na chuva que ainda caía forte.

 

 

Traduzido por Moonlight Valley

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