Volume 4

Capítulo 1: A Caixa de Economias do Casamento

 Ōtsuki Haruto

 

   Era bem cedo pela manhã, quando o céu estava apenas começando a clarear.

   Haruto sentou-se na cama e se espreguiçou bastante. Tendo acordado quase no mesmo horário de sempre, ele se sentou à beira da cama e olhou ao redor de seu quarto.

   Este era o quarto no qual ele havia passado todo o seu anos desde que tinha memória. Nada havia mudado; era o mesmo quarto de sempre, perfeitamente comum, e ainda assim, por algum motivo, a paisagem parecia nova e fresca aos olhos de Haruto.

   Se perguntando sobre esse fenômeno estranho, Haruto inclinou levemente a cabeça enquanto deixava seu olhar vagar pelo quarto por um momento. Então, levantou-se da cama, abriu as cortinas e contemplou a paisagem lá fora.

   Foi então que Haruto percebeu.

   Não era apenas o seu quarto; a vista lá fora também parecia nova. Mesmo sendo a mesma paisagem familiar de sempre vista pela janela, ela parecia estar em algum lugar de outro mundo.

   Por que algo tão estranho estava acontecendo?

   Haruto pensou sobre a diferença entre ontem e hoje, e a resposta veio imediatamente, mesmo em seu estado recém-desperto.

   Ele tinha uma namorada.

   Uma garota que ele conheceu por meio de seu trabalho de meio período como assistente doméstico, uma garota pela qual havia se sentido atraído. Ele havia mentido e até fugido, desviando o olhar de seus próprios sentimentos, mas havia confessado tudo e exposto seu coração. Como resultado, conseguiu começar a namorar Ayaka como seu verdadeiro namorado.

“Ter uma namorada é incrível...”

   Para Haruto, o sol nascente ao longe, sua luz parecia quase divina, e ele murmurou baixinho, reconhecendo a mudança em seu próprio estado de espírito. Apenas lembrar do dia anterior, apenas o fato de Ayaka ter se tornado sua namorada, fazia seu coração disparar como se fosse voar até o céu.

   Haruto respirou fundo, expirando as emoções que transbordavam em seu peito para se acalmar, e começou sua sessão diária de estudos matinais. Graças aos sentimentos vagos e incômodos que estavam presos em seu coração terem finalmente desaparecido, ele conseguiu se concentrar nos estudos de um jeito que não conseguia há algum tempo.

   Haruto passou a manhã estudando diligentemente, com um nível de concentração maior que o normal. Então, depois do meio-dia, após almoçar com sua avó, ele seguiu para a residência Tōjō, reprimindo o coração acelerado.

   Ele havia conseguido se concentrar nos estudos durante a manhã, mas, nos momentos de descanso ou quando relaxava, o sorriso de Ayaka surgia em sua mente.

   Não importava o que estivesse fazendo, ela sempre ocupava um cantinho de sua mente. Um lugar para Ayaka havia sido completamente estabelecido dentro da cabeça de Haruto. Ele caminhava por aquele trajeto um pouco mais rápido que o normal, a rua residencial que levava até a casa dos Tōjō, um caminho que ele havia se acostumado a percorrer durante essas férias de verão.

   Chegando lá em menos tempo do que o habitual, ele apertou o interfone da família Tōjō com a mesma naturalidade de sempre, mas sentindo-se um pouco mais nervoso do que o normal.

“Sim! Eu estava esperando por você, Haruto-kun!”

   A voz alegre de Ayaka saiu do interfone, e só de ouvi-la, a expressão de Haruto se iluminou naturalmente. Ele esperou na entrada, sentindo o coração bater um pouco mais rápido que o normal.

   Então, a porta se abriu imediatamente, e Ayaka saiu praticamente pulando.

“Bem-vindo, Haruto-kun!” disse Ayaka, cumprimentando Haruto com um sorriso que parecia brilhante o suficiente para ofuscar o sol de meio de verão.

“Com licença pelo incômodo”, respondeu Haruto. Ayaka parecia prestes a abraçá-lo a qualquer momento, enquanto um sorriso irresistível surgia no rosto dele.

   Depois de se olharem com sorrisos largos, eles gentilmente começaram a se mover para entrelaçar os braços e se abraçar. Porém, antes que pudessem fazer isso, a porta da sala se abriu com um estrondo, e Ryōta surgiu com força impressionante.

   Ele avançou em disparada, passou furiosamente pela irmã, e se agarrou firmemente à cintura de Haruto.

“Você virou o namorado dela, né, Onii-chan?!”

   Os olhos de Ryōta brilhavam tanto quanto era possível, enquanto ele olhava para Haruto e falava em uma voz alegre.

“Agora, se você tiver dinheiro, você pode casar com a Nee-chan!!”

“Ahm... c-certo...” disse Haruto, dominado pela empolgação radiante de Ryōta. Haruto apenas conseguiu acenar com um sorriso torto, incapaz de contestar.

   Com a resposta afirmativa de Haruto, a expressão de Ryōta ficou ainda mais iluminada. Vendo o estado do irmãozinho, Ayaka inclinou levemente a cabeça e olhou para Haruto.

“Dinheiro? Por que isso?”

“Ah... bem, no acampamento, quando estávamos na fonte termal,o  Shūichi-san explicou para o Ryōta-kun que você precisa de dinheiro para se casar...”

   Quando Ryōta estava pressionando os dois, perguntando “Quando você vão casar com a Nee-chan?”, Shūichi havia ajudado Haruto, que estava sem saber o que responder, explicando: “O motivo pelo qual eles não podem se casar é porque não têm dinheiro”, e isso havia satisfeito Ryōta.

“Ah, então foi isso que aconteceu... Desculpe, meu pai fala umas coisas tão estranhas.”

   Ao ouvir a explicação, Ayaka se desculpou, mas sua expressão levemente corada parecia achar a situação divertida. Ela estava tão fofa e encantadora como sempre, e Haruto desviou timidamente o olhar.

“Não, mas... não é algo tão estranho de se dizer ou, quer dizer... erm.”

“Eh? A-ah, c-certo...”

   Com a resposta de Haruto, o rosto de Ayaka ficou ainda mais vermelho enquanto ela se remexia, abrindo e fechando as mãos.

   Nesse momento, como se tivesse lembrado de algo, Ryōta de repente largou Haruto, dizendo: “Ah, é mesmo!! Eu tenho algo que quero mostrar pra você, Onii-chan!!”

   Com isso, Ryōta disparou novamente em velocidade impressionante e desapareceu dentro da sala de estar. Observando suas costas, Haruto sorriu de forma calorosa.

“O Ryōta-kun está tão cheio de energia quanto sempre.”

“Ele ficou ainda mais agitado esta manhã quando descobriu que você virou meu namorado.”

“Ahaha, deve ter sido difícil lidar com ele.”

   Haruto imaginou como Ryōta devia estar e simpatizou com Ayaka, e ao mesmo tempo, o fato de ele ter ficado tão feliz por eles aqueceu o coração de Haruto.

“A Mãe também está ansiosa para ver você, então por favor, entre.”

   Dizendo isso, Ayaka puxou gentilmente o braço de Haruto, convidando-o para dentro da casa.

   Seguindo Ayaka, que exalava uma aura de felicidade o tempo todo, Haruto entrou na casa Tōjō e foi direto para a sala de estar.

   Na sala, Ikue estava trabalhando remotamente, com o laptop aberto sobre a mesa de jantar.

“Oh, bem-vindo, Ōtsuki-kun.”

   Quando Haruto entrou na sala, ela levantou o olhar do computador e o cumprimentou com um sorriso radiante.

“Com licença pelo incômodo”, disse Haruto, inclinando a cabeça, então mordeu suavemente o lábio seco, como se quisesse dissipar o nervosismo, antes de abrir a boca.

“Hm, Ikue-san. Tem... algo que eu gostaria de lhe contar.”

“Oh? O que seria?”

   Inclinando levemente a cabeça, o sorriso brilhante de Ikue se aprofundou enquanto seus olhos brilhavam com diversão. Pela reação dela, Haruto deduziu que ela provavelmente já tinha ouvido a história por Ayaka.

“H-hm, bem, a verdade é que eu... eu gosto da Ayaka-san, e eu me confessei para ela ontem à noite... e, bem, eu gostaria de pedir permissão para namorá-la.”

   Haruto sentia que havia se aproximado bastante de Ikue através de seu trabalho doméstico. No entanto, relatar isso à guardiã da namorada — ou melhor, pedir permissão para namorar — trazia um tipo único de tensão, e por causa desse nervosismo, sua fala formal saiu um pouco estranha.

   Talvez achando sua tensão divertida, ela soltou uma pequena risada. “Fufu.”

“É mesmo! Que maravilhoso! A partir de agora, por favor cuide bem da nossa filha, Ōtsuki-kun!”

“Sim! Eu farei o meu melhor.”

   A reação de Ikue aliviou um pouco a tensão de Haruto, mas sua resposta ainda foi rígida. Ao lado dele, Ayaka, que observava a troca, tinha uma expressão misturada de felicidade e vergonha, com as orelhas ficando vermelhas. Ikue, com seu sorriso suave e inabalável, voltou o olhar para a filha, que estava ao lado de Haruto.

“A Ayaka pode ser bem grudenta, então talvez ela te dê algum trabalho, Ōtsuki-kun, mas ela também é uma garota honesta e gentil.”

“O-O-O quê!? Mãe!! Não fala coisas estranhas desse jeito!!”

   Haruto também sorriu, divertido com a típica troca entre mãe e filha que ele já tinha se acostumado a ver na casa dos Tōjō.

“Ser apreciado pela Ayaka-san seria a maior honra para mim como namorado dela. Além disso, eu já pude descobrir tantas das qualidades dela, mesmo neste curto período.”

“Haruto-kun...”

   Ao ouvir as palavras de Haruto, Ayaka parou de encarar Ikue e passou a olhar para o namorado ao seu lado com os olhos levemente marejados.

   Enquanto os dois eram instantaneamente envolvidos por uma atmosfera doce, Ikue colocou uma mão na bochecha e sorriu de lado, dizendo: “Ora, ora. Ayaka, você não é sortuda?”

“S-Sim...” respondeu Ayaka, acenando, parecendo tímida, mas com o rosto cheio de alegria.

   Nesse momento, Ryōta — que havia corrido mais cedo — reapareceu diante de Haruto e dos outros com a mesma força impressionante.

“Onii-chan! Nee-chan! Olhem isso!! Ei, olhem, olhem!!”

   Ryōta, saltando alegremente, balançava o objeto que segurava nas mãos para frente e para trás bem na frente deles.

“Ryōta, se acalma um pouco. A gente não consegue ver o que é se você ficar balançando tão perto assim de nós”, disse Ayaka, tentando acalmar o irmão por um momento.

  Em resposta, Ryōta parou de balançar as coisas nas mãos, mas parecia incapaz de conter sua empolgação, seu corpo pulando para cima e para baixo.

“Ryōta-kun, o que você fez?”

   Haruto se agachou para ficar na altura dos olhos de Ryōta e perguntou.

   O que ele estava segurando parecia ser um artesanato feito de uma caixa de leite embrulhada em papel colorido.

   Quando foi perguntado, Ryōta, com um olhar orgulhoso no rosto, empurrou o objeto que segurava nas duas mãos bem na frente de Haruto.

“Eu fiz sozinho!!”

   O artesanato estava firmemente segurado nas mãos de Ryōta.

   Assim como Haruto havia imaginado, era uma caixa de leite embrulhada em papel cartão branco. E no centro da caixa, havia um corte longo e fino grande o suficiente para uma moeda entrar, com desenhos de giz de cera em ambos os lados da abertura.

   Apontando para o desenho, Ryōta explicou com todas as suas forças.

“Este é você, Onii-chan! É um casamento, então você está usando um terno! E, esta é a Nee-chan! A Nee-chan está vestindo um vestido de noiva!”

   Ryōta virou alegremente a caixa, mostrando para Haruto e Ayaka o lado oposto ao que tinha a abertura. Escrito ali em giz de cera estava “Cofrinho de Casamento do Onii-chan e da Nee-chan.”

   Ao lado das letras, também estava desenhado um prédio que parecia uma igreja.

“Para que você e a Nee-chan possam se casar logo, eu vou fazer o meu melhor e economizar dinheiro aqui a partir de agora!” disse Ryōta, sorrindo radiante.

   Vendo-o tão puro e adorável, como um anjo, Haruto não pôde evitar abraçar Ryōta.

“Obrigado, Ryōta-kun, mas não se esforce demais, tá bem?”

“Tá bem! Mas, eu quero que você se torne meu Onii-chan de verdade logo.”

   Diante das palavras inocentes de Ryōta, Ayaka fez um sorriso torto, mas não parecia nem um pouco descontente enquanto acariciava gentilmente a cabeça dele.

“Ryōta, obrigada.”

“Eu amo você e o Onii-chan, então eu quero que todos nós nos tornemos uma família logo.”

   Talvez imaginando um futuro assim, todos sorriram calorosamente ao ver Ryōta falando com tanta animação borbulhante.

 

 

Traduzido por Moonlight Valley

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