Volume 3

Capítulo 6: O Acampamento da Família Tōjō

Ōtsuki Haruto

 

   Montanhas verdejantes se estendiam diante de seus olhos. O vento que roçava sua pele estava fresco para o meio do verão, proporcionando uma sensação agradável aos corpos aquecidos pela forte luz do sol.

“Como a altitude é alta, a temperatura fica confortável”, disse Shuichi, esticando-se amplamente após ser libertado da longa viagem de carro, enquanto saía do veículo.

“Obrigada por dirigir, querido”, Ikue, que saiu do banco do passageiro, expressou palavras de agradecimento a Shuichi e lhe entregou o café que tinha em uma garrafa térmica.

   Enquanto o casal Tōjō trocava essas palavras, a porta deslizante do banco traseiro se abriu, e Ryōta, libertado do interior apertado do carro, pulou para fora.

“É hora do acampamento~!”

   Como se estivesse descarregando o estresse de ficar sentado por tanto tempo durante a longa viagem, Ryōta correu pela grama verde em velocidade máxima. Ayaka, saindo do carro, chamou a atenção do inocente irmão mais novo.

“Ryōta! Não vá tão longe sozinho!”

“Okaaay!”

   Ryōta respondeu alegremente, mas, estando animado demais, não parecia estar ouvindo o aviso de sua irmã.

   Saki, que saiu do carro depois de Ayaka, correu atrás do energético Ryōta.

“Ryōtaー! Que tal explorarmos a floresta juntos?!”

“Sim!! Vamos explorar!!”

   Ryōta respondeu em voz alta, então correu até Saki, segurou sua mão e seguiu com ela em direção à floresta adjacente ao acampamento. Observando aquela cena, Haruto, que foi o último a sair do carro, mostrou um sorriso gentil.

“O Ryōta-kun parece estar se divertindo.”

“Espero que ele não se empolgue demais e acabe se machucando ou algo assim”, disse Ayaka com um pouco de preocupação. Haruto olhou para Saki, que estava se divertindo com Ryōta, mas também cuidava muito bem dele enquanto segurava firmemente sua mão.

“A Aizawa-san é boa em cuidar dos outros.”

“A Saki cuida do Ryōta desde que ele era pequeno, sabe.”

   Enquanto Ayaka e Haruto estavam lado a lado observando Ryōta e os outros, Shuichi se aproximou deles carregando uma bagagem em uma das mãos.

“Ōtsuki-kun, você poderia me ajudar a descarregar a bagagem do carro?”

“Sim, claro. Onde devo levar a bagagem?”

“Nós reservamos aquela área ali, então você poderia levá-la para lá?”

   Shuichi disse, apontando para uma área mais ou menos no meio do acampamento.

   Haruto respondeu: “Entendido”, e retirou bagagens como barracas do bagageiro colocado no teto da minivan da família Tōjō e as carregou.

   Haruto, que havia sido convidado para acampar por Shuichi quando participou do churrasco da família Tōjō na semana anterior, veio acampar com Saki, que também foi convidada.

   O acampamento, ao qual chegaram após cerca de três horas de carro, ficava em uma região montanhosa de alta altitude, então, embora a luz do sol fosse forte como no verão, a temperatura parecia mais baixa em comparação com as planícies.

   Para Haruto, que havia terminado de descarregar a bagagem do carro, Shuichi disse, apontando para a bolsa que continha o conjunto da barraca:

“Ōtsuki-kun, posso deixar a montagem daquela barraca com você? Eu vou montar esta barraca aqui.”

“Entendido. Pode deixar comigo.”

   Duas barracas haviam sido preparadas, uma para os homens e outra para as mulheres.

   O plano era montar um toldo no centro e posicionar cada barraca em um dos lados.

“Hmm... primeiro, inserir as hastes nas mangas da barraca interna. A barraca interna.”

   Haruto montava a barraca enquanto olhava para as ilustrações no manual de instruções. Ele não tinha tido muitas oportunidades para atividades ao ar livre antes. Na verdade, aquela era sua primeira vez montando uma barraca.

“Entendo, então ao inserir as hastes nas partes inferiores, a barraca fica de pé. É surpreendentemente fácil de montar. Mas a pessoa que teve a ideia de uma barraca pela primeira vez deve ser um gênio.”

   Haruto sentiu uma leve sensação de admiração ao montar uma barraca pela primeira vez.

   Ayaka aproximou-se dele enquanto ele avançava tranquilamente com a montagem, instalando as hastes frontais e outras partes.

“Haruto-kun, posso ajudar com alguma coisa?”

“Ah, certo, vou colocar esta lona por cima, então você poderia segurar esse lado?”

“Okay, entendido.”

   Ayaka concordou com suas palavras, moveu-se para ficar de frente para Haruto e segurou uma das bordas da lona.

“Certo, vamos colocar.”

   Ao sinal de Haruto, eles coordenaram seus movimentos e estenderam a lona por cima da barraca interna.

   Depois disso, conectaram a barraca interna à lona e, por fim, fixaram estacas no solo.

   Enquanto Haruto fixava a estaca do lado oposto, verificando a tensão da barraca, Ayaka surpreendentemente martelava as estacas com eficiência.

“Você é boa nisso.”

   Quando Haruto a elogiou, Ayaka fez um leve sorriso orgulhoso.

“Eu venho acampar com minha família todos os anos. É a sua primeira vez acampando, Haruto-kun?”

“Em um acampamento de verdade, sim.”

   Haruto já tinha feito alguns acampamentos de bate-volta com Tomoya antes. Porém, uma viagem completa de camping, onde se monta a barraca e se passa a noite, era sua primeira experiência desta vez.

“Você não se perdeu montando uma barraca pela primeira vez.”

“Bem, se você simplesmente seguir as instruções, não é tão difícil, sabe?”

“Sério? Quando eu montei uma barraca pela primeira vez, ela virou um objeto misterioso!”

“Um objeto misterioso... Heh.”

   Imaginando Ayaka se atrapalhando e criando uma estrutura misteriosa durante sua primeira montagem de barraca, com uma expressão perdida, Haruto não conseguiu evitar explodir em risadas.

“Ah! Haruto-kun, você riu! Você está zombando de mim!”

“Não, nada disso. Só um pouquinho.”

“Então você está zombando de mim!”

   Ayaka estufou as bochechas e deu tapinhas leves em Haruto com a bolsa vazia que havia contido as estacas.

“Desculpa, desculpa. Não, é que eu só achei que você seria meio fofa daquele jeito naquela época.”

“Hmph... Ngh!”

   Com as palavras de Haruto, Ayaka não apenas inflou as bochechas, mas também apertou os lábios, batendo energicamente em Haruto.

   Enquanto Haruto suavizava a expressão ao ver sua fofura dando golpes com zero poder de ataque, Shuichi, que estava montando a outra barraca, aproximou-se.

“Oh, vocês são rápidos para montar. Como esperado do Ōtsuki-kun.”

“Não, a Ayaka-san me ajudou.”

   Quando Haruto disse isso enquanto olhava para Ayaka, que ainda estava um pouco emburrada, Ikue, que estava arrumando as bagagens, sorriu calorosamente.

“Fico tão feliz em ver que vocês dois ficaram bem próximos.”

   Ikue disse isso com uma expressão radiante, provocando-os um pouco.

   Quando Haruto foi pela primeira vez à casa dos Tōjō para ajudar com a limpeza, ao ser provocada assim, Ayaka imediatamente protestava, com o rosto ficando vermelho.

   No entanto, agora, embora seu rosto ainda ficasse vermelho, ela já não negava mais as palavras da mãe como antes.

“Ele já veio à nossa casa muitas vezes para o trabalho de faxina, então seria estranho se não nos déssemos bem. Certo, Haruto-kun?”

“Uh, ah, bem, sim.”

“Oh, ora, que ótimo~. Ōtsuki-kun, por favor cuide da Ayaka daqui em diante também, tudo bem?”

“Ah, sim.”

   Haruto, solicitado por Ikue, respondeu reflexivamente. Nesse momento, Shuichi, segurando o tecido do toldo, chamou:

“Certo, vamos montar o toldo rapidamente juntos.”

   Dizendo isso, Shuichi estendeu o tecido entre as duas barracas já montadas.

   O toldo que a família Tōjō havia preparado desta vez era do tipo retangular, chamado toldo “Recta”.

“Ōtsuki-kun, eu vou montar esta haste aqui, então você poderia montar a haste daquele lado?”

“Entendido.”

   Haruto assentiu para Shuichi, que apontava para uma das duas hastes principais que serviriam como suportes, e moveu-se para a base da haste principal do lado oposto.

   Vendo Shuichi fixar as cordas-guia que sustentavam as hastes principais com estacas, Haruto o imitou e fixou as cordas-guia no solo da mesma maneira.

“Certo, vamos levantar as hastes. O seu lado está okay, Ōtsuki-kun?”

“Sim, acho que está.”

“Então vamos lá. Preparar, e... já!”

   Ao sinal de Shuichi, eles levantaram as hastes simultaneamente.

   Quando o toldo se ergueu, Ikue e Ayaka fixaram as cordas nos quatro cantos ao chão com estacas, deixando o toldo esticado.

   Shuichi e Haruto ajustaram a tensão das cordas-guia para garantir que as hastes principais estivessem firmes.

“Pronto! Montagem da barraca concluída!”

   Afastando-se alguns passos, Shuichi assentiu satisfeito, olhando para o conjunto finalizado.

   Nesse momento, Ryōta, que estivera explorando a floresta com Saki, correu de volta.

“Onii-chan! Olha isso! Tinha um inseto estranho!”

   Cheio de energia e empolgação, Ryōta ergueu o inseto marrom que segurava na mão e mostrou para Haruto.

“Isso é uma ninfa de cigarra.”

“Hã?! Isso é uma cigarra? O formato é totalmente diferente!”

   Haruto disse isso ao ver o inseto que Ryōta segurava, e Ryōta encarou atentamente o inseto, com uma expressão de completa admiração.

“Veja, as cigarras passam muito tempo debaixo da terra, e quando sobem à superfície, elas trocam de pele e viram cigarras adultas.”

“Trocar de pele?”

“Trocar de pele é... quando uma cigarra com asas sai dessa ninfa.”

“Uma cigarra sai disso?”

   Parecia que Ryōta não conseguia imaginar a explicação de Haruto, pois continuava inclinando a cabeça o tempo todo.

   Diante de sua expressão, Haruto sorriu afetuosamente.

“Talvez você consiga ver ela trocar de pele hoje à noite, então que tal colocarmos a ninfa da cigarra na barraca?”

“Sim!”

   Ryōta concordou vigorosamente com a sugestão de Haruto e soltou a ninfa da cigarra que estava segurando sobre a barraca.

“Vire uma cigarra forte!”

   Ryōta chamou enquanto observava a ninfa, solta na barraca, subir lentamente pela superfície da lona.

   Enquanto Haruto sorria com essa cena acolhedora, Shuichi, desamarrando um feixe de lenha, falou com Haruto:

“Ōtsuki-kun, parece que podemos usar galhos caídos da floresta para a fogueira aqui, então você poderia pegar alguns?”

“Entendido. Ryōta-kun, que tal irmos pegar galhos para a fogueira juntos?”

“Sim! Vamos!”

“Oh, Haruto-kun, eu também vou.”

   Após Ryōta concordar animadamente, Ayaka também disse que iria com Haruto e os outros.

“Saki, você vem também?”

“Vou passar... preciso de um pouco de descanso...”

   Ayaka chamou Saki, que estava sentada na caixa térmica colocada ao lado da barraca.

   No entanto, ela balançou a cabeça com uma voz levemente sem fôlego. Parecia que sua energia havia sido completamente drenada por acompanhar o Ryōta cheio de energia.

“Saki-chan, você deve estar cansada. Quer um pouco de chocolate quente quando eu fizer?”

“Sim, por favor! Eu adoraria!”

   Saki assentiu feliz para Ikue, que falou em um tom reconfortante.

“Certo, vamos pegar um pouco de lenha?”

“É, divirtam-se~”

   Despedidos por Saki, que acenou casualmente com uma mão, Haruto e os outros entraram na floresta para coletar lenha.

“Quando exploramos a floresta agora há pouco, tinha um monte de galhos jogados por aí!”

“Ah, então vamos pegar muitos galhos e fazer uma fogueira incrível.”

“Vamos fazer uma fogueira esplêndida!”

“Tenha cuidado para não se empolgar demais e acabar se queimando, okay?”

   Os olhos de Ryōta brilharam com as palavras de Haruto. Ayaka sorriu de forma azeda para o irmão e o advertiu.

   Não apenas Ryōta, mas Haruto também, com o coração pulando de antecipação por seu primeiro acampamento de verdade que estava prestes a começar, caminhou em direção à floresta ao lado do acampamento.

“Assim como o Ryōta-kun disse, há muitos galhos caídos.”

   Os três — Haruto, Ayaka e Ryōta — caminhavam pela floresta, recolhendo gravetos caídos.

“Onii-chan! Este galho é grande!”

   Ryōta veio até Haruto com um grande sorriso, segurando um galho com as duas mãos.

“Oh, é grande. Mas talvez esse seja um pouco grande demais? Vamos pegar galhos um pouco menores.”

   O que Ryōta arrastou parecia mais um tronco do que um galho. Eles haviam comprado lenha para a fogueira, então o que Haruto e os outros estavam coletando agora eram galhos finos para acender o fogo.

   Haruto pegou um galho que havia caído bem a seus pés e mostrou para Ryōta.

“Ryōta-kun, vamos coletar muitos galhos desse tamanho aqui.”

“Sim! Entendi!”

   Ryōta assentiu alegremente, largou o tronco que estava segurando com um baque e correu novamente para recolher galhos.

“Ryōta. Tente pegar madeira que esteja o mais seca possível.”

“Tá bom!”

   Ayaka chamou Ryōta, que corria pela floresta, com um sorriso azedo.

   Como essa floresta era administrada pelo acampamento, as árvores cresciam alinhadas, o chão era relativamente nivelado e não havia capim alto nem bambuzal, tornando muito fácil caminhar.

“Parece que o Ryōta vai coletar uma quantidade incrível sozinho.”

   Dizendo isso, Ayaka recolhia lentamente os galhos que estavam próximos. Ao lado dela, Haruto também sorria enquanto pegava galhos.

“Aquele fôlego é um pouco invejável, não é?”

   Ryōta estava repetindo um treino intenso de correr em velocidade máxima, agachar para pegar galhos, levantar e imediatamente correr para o próximo galho.

“Mas ele provavelmente vai começar a dormir que nem uma pedra no final da tarde ou à noite, como se a bateria tivesse acabado de repente?”

“Isso é fofo à sua própria maneira.”

“Minha previsão é que ele vai começar a reclamar que está com sono no caminho de volta do banho termal.”

“Se isso acontecer, eu carrego ele nas minhas costas.”

“Carregar uma criança dormindo nas costas é pesado~”

   Para Ayaka, que disse isso em tom de brincadeira, tentando testar Haruto um pouco, ele sorriu e disse: “Está tudo bem.”

“Alguém como o Ryōta-kun é tranquilo. E não é uma distância tão longa.”

   O acampamento onde estavam hospedados hoje tinha um banho termal a cerca de dez minutos a pé. Depois de aproveitar a comida do acampamento à noite, todos planejavam ir ao banho termal.

“Se for o caso, eu posso até carregar você nas minhas costas.”

   Quando Haruto — que frequentava um dojo de karatê desde pequeno e tinha confiança em sua força física — disse isso brincando, o rosto de Ayaka ficou levemente vermelho de constrangimento.

“Se você diz coisas assim, eu posso acabar pedindo mesmo um passeio nas costas, sabia?”

   O coração de Haruto deu um salto repentino quando Ayaka levantou o rosto para ele com um olhar um pouco sério.

“Hã? Ah~... Se a você fizer birra dizendo que está muito sonolenta para dar um passo sequer, então eu te carrego nas minhas costas.”

“Hmmm, isso pode ser um pouco constrangedor.”

   Haruto respondeu fingindo calma enquanto escondia sua agitação interna. Então Ayaka fez uma expressão levemente pensativa.

“Mas acho que vou me sentir bem e ficar com sono depois do banho termal, então ser carregada nas costas do Haruto-kun seria conveniente e atraente, sabe?”

“Não fale das pessoas como se fossem um táxi!”

   Às palavras dela — ditas quase como um monólogo — Haruto retrucou com uma pequena risada. Puxada por isso, Ayaka também sorriu.

“Ei, Haruto-kun.”

“Hmm?”

“Haruto-kun, se você conseguir uma namorada de verdade, você preferiria fazer atividades ao ar livre como esta juntos? Ou prefere relaxar e passar o tempo em casa?”

“Hmm, vejamos.”

   Haruto inclinou a cabeça à pergunta de Ayaka enquanto pegava casualmente um galho que parecia adequado.

“Ambos são chamativos, mas...”

   Na mente de Haruto enquanto respondia, vieram as lembranças do tempo que passou com Ayaka durante essas férias de verão. O tempo que passaram em seu quarto praticando serem um casal e estudando para o dever de casa de verão foi divertido, e andar pela cidade juntos — como no outro dia, quando visitaram o shopping ou almoçaram no café — também havia sido muito agradável.

“Acho que seria legal ter uma namorada com quem eu pudesse aproveitar tanto atividades ao ar livre quanto em casa. Será que essa é uma resposta egoísta?”

“Não, eu penso da mesma forma que você, Haruto-kun.”

   Ayaka sorriu brilhantemente e continuou falando, olhando para Haruto com um pouco de timidez.

“Sabe, eu me diverti muito quando estive com você no meu quarto, e durante o encontro da caça ao sorvete no outro dia, e estou me divertindo muito agora também... Então, recentemente, eu tenho pensado que quando eu arrumar um namorado no futuro, quero alguém com quem eu possa me sentir feliz só de estar junto, assim.”

“Oh, é mesmo...”

“É...”

[Del: …Então né, então… Tá descarado até para mim que tenho fama de lerdo.]

   Com as palavras de Ayaka, Haruto parou a mão que havia estendido para pegar um galho e respondeu confuso. Em resposta, Ayaka também olhou para baixo timidamente e assentiu levemente.

“Hum... se você quisesse, Ayaka, eu acho que poderia conseguir um namorado imediatamente, sabia?”

“...Sério?”

   Ayaka encarou Haruto com olhos levemente úmidos. Seus olhos pareciam transbordar de várias emoções, e Haruto, hesitante em interpretá-las, desviou o olhar reflexivamente.

“Ayaka é, hum... bela, sabe.”

“Hehehe, obrigada.”

“Mm...”

   Haruto só conseguiu responder de forma curta ao sorriso tímido e envergonhado dela. Justo quando a atmosfera estava ficando um pouco constrangedora, Ryōta voltou até eles com os braços cheios de galhos.

“Onii-chan! Com tudo isso, dá pra fazer uma fogueira grandona?”

“Ah, ah, sim. Isso é incrível, Ryōta-kun. É ótimo que você tenha coletado tantos galhos.”

“Hehe~”

   Elogiado por Haruto, a expressão de Ryōta ficou presunçosa.

“Certo, vamos voltar para todo mundo e começar a fogueira.”

“Sim! Fogueira grande!”

   Seguindo Ryōta, que estava animado ao extremo e abraçando um monte de galhos contra o peito, Haruto voltou ao acampamento. Na cabeça dele, as palavras que Ayaka havia dito continuavam se repetindo inúmeras vezes.

   Ao retornar ao acampamento vindo da floresta, Haruto imediatamente começou a preparar a fogueira.

“Vocês pegaram bastante.”

   Vendo os galhos empilhados como uma pequena montanha ao lado da lenha que tinham comprado para a fogueira, Saki fez uma expressão que misturava surpresa e exasperação.

“Eu fui quem pegou mais!”

   Ao lado da pequena montanha de galhos, Ryōta mostrou uma expressão orgulhosa para Saki.

“Sério? Que vergonha para a Ayaka e para o Ōtsuki-kun perderem para o Ryōta~”

“Eu realmente não consigo competir com o fôlego do Ryōta-kun.”

   Para Saki, que ergueu ambas as mãos até os ombros e balançou a cabeça como se dissesse “Ai ai”, Haruto respondeu em defesa.

   Com as palavras dele, Saki colocou a mão no queixo e disse: “Hmm?”, olhando de Ayaka para Haruto repetidamente.

“Será que é realmente uma questão de fôlego? Ou vocês estavam paquerando em vez de pegar galhos~?”

“D-De jeito nenhum!”

   À sugestão de Saki, Ayaka negou às pressas.

“Sério? Sou só eu ou o rosto da Ayaka está meio vermelho?”

“Sim, isso é só sua imaginação! Não é, Haruto-kun! Nós estávamos pegando os galhos seriamente, não estávamos?”

“Sim. Nós não focamos na quantidade, mas sim na qualidade, selecionando cuidadosamente os galhos.”

   Haruto, incentivado por Ayaka, deliberadamente brincou e exagerou a resposta.

   Vendo os dois, Saki abriu um sorriso malicioso.

“Entendi. Bem, vou fingir que é isso mesmo.”

“É a verdade. Eu só estava tendo uma conversa normal com o Haruto-kun.”

“Existem momentos em que o ‘normal’ da Ayaka não é nada normal.”

“Isso não é verdade. Eu sou sempre normal, uma pessoa de bom senso.”

“Oh ho, se é isso que você pensa, será que posso compartilhar algumas histórias da sua distração com o Ōtsuki-kun?”

   Às palavras de Saki, Ayaka respondeu ansiosamente:

“E-Espera! Me diga primeiro que tipo de histórias são essas, okay?”

“Ehh~ Assim não tem graça.”

“Não tem problema se não tiver graça!”

   Ayaka estava ocupada ficando envergonhada e agitada com as provocações de Saki, mas de alguma forma as duas pareciam estar se divertindo.

   Enquanto Haruto sorria de forma resignada ao ver as duas começando uma conversa de garotas, Ryōta, parecendo impaciente, puxou sua manga.

“Onii-chan. A fogueira já está pronta?”

“Certo. Vamos começar a fogueira.”

   Haruto sorriu para Ryōta e então chamou por Shuichi, que estava carregando cadeiras e mesas para baixo do toldo.

“Shuichi-san. Estou pensando em começar a fogueira, mas onde está o suporte da fogueira?”

“Ah, hã... Mãe. Onde você colocou o suporte da fogueira?”

“Acho que está naquela caixa cinza ali. Pode abrir e verificar?”

   Ikue, que estava colocando utensílios sobre a mesa montada, disse, apontando para uma caixa de armazenamento plástica.

“Entendido. Obrigado.”

   Depois de agradecer a Ikue, Haruto espiou dentro da caixa de armazenamento que ela mencionou. Dentro, ele encontrou o que procurava, dobrado de forma organizada e compactamente guardado.

   Haruto imediatamente montou a estrutura da fogueira e começou a preparar a fogueira. Nesse momento, Ikue trouxe um feixe de espetos de bambu e uma sacola de marshmallows.

“Comam isto quando o fogo estiver aceso.”

“Uau! Marshmallows tostados! Ikue-mama é a melhor!”

   Saki, que estava tendo uma conversa de garotas com Ayaka, olhou para a sacola de marshmallows com olhos brilhantes.

“Hehe, Saki-chan, nós também temos isto, então coma os marshmallows tostados sanduichados neles.”

[Del: Vivendo e aprendendo né.]

   Dizendo isso, Ikue entregou a Saki uma caixa de biscoitos.

“Oh! S’mores, né!?” O rosto de Saki se iluminou com um sorriso feliz diante do doce simples que podia ser feito apenas tostando marshmallows e os colocando entre biscoitos.

“Ōtsuki-kun! Precisamos fazer fogo imediatamente!”

   Para Ryōta e Saki, que o olhavam com expressões animadas, Haruto sorriu de canto e disse a Ryōta:

“Entendido. Certo, Ryōta-kun, você pode colocar o acendedor de fogo no centro da estrutura da fogueira?

“Okay! Hm... pode ser aqui?”

“Sim. Certo, vamos arrumar galhos pequenos por cima.”

   Haruto e Ryōta juntos arrumaram os gravetos coletados sobre o acendedor de fogo como uma pirâmide.

   Depois de arrumar os galhos, Haruto acendeu o acendedor através de uma brecha. Ao ver a chama fraca e tremeluzente acariciar os galhos, Ryōta levantou o rosto para Haruto.

“Onii-chan. Devemos abanar?”

“Não, vamos esperar mais um pouco antes de abanar. Abanaremos quando os galhos estiverem pegando fogo direito.”

“Tá!”

   Ryōta encarou o fogo atentamente, com uma expressão séria.

   Eventualmente, o fogo da isca se transferiu para os galhos finos, e a chama instável cresceu um pouco. Haruto adicionou galhos um pouco mais grossos e disse a Ryōta:

“Certo, vamos abanar. O fogo pode se alastrar, então fique um pouco afastado, e abane devagar no começo.”

“Entendido!”

   Ryōta pegou o leque de Haruto e enviou ar lentamente, de um ponto um pouco afastado da fogueira.

“Bom trabalho. Muito bom.”

“Hehehe.”

   Ryōta sorriu radiante com o elogio de Haruto.

   Depois disso, o fogo continuou a crescer firmemente, e quando a lenha comprada pegou fogo, Saki, como se estivesse esperando, segurou uma sacola de marshmallows e disse:

“Ōtsuki-kun, a preparação da fogueira terminou?”

“Sim, acho que já está bom.”

“Saki-nee-chan, eu ajudei a acender o fogo também!”

“Bom garoto! Por ser tão bom, Ryōta, eu vou te dar isto.”

   Saki deu um tapinha na cabeça de Ryōta e lhe entregou um marshmallow da sacola.

   Nesse momento, Ayaka veio com espetos de bambu.

“Ryōta, espete o marshmallow aqui e toste.”

“Assim?”

“Isso mesmo. Agora aproxime do fogo.”

   Ouvindo as palavras de Ayaka, Ryōta enfiou com força o marshmallow espetado no bambu diretamente nas chamas fortes.

   Imediatamente, o marshmallow pegou fogo, e o branco puro escureceu rapidamente até ficar preto.

“Uaaah, uaaah!? Ficou tudo preto!?”

   Ryōta olhou surpreso para o marshmallow carbonizado, e Haruto espetou um marshmallow no seu espeto, mostrando um exemplo a ele.

“Ryōta-kun. Se você torrar devagar assim, longe do fogo e girando, ele fica bom.”

   O marshmallow, tostado lentamente no calor indireto, ficou com uma superfície levemente dourada.

   Haruto retirou o marshmallow perfeitamente tostado do espeto, colocou-o entre dois biscoitos e entregou a Ryōta.

“Aqui. É um doce chamado S’more.”

“Obrigado! É doce e delicioso!”

   O rosto de Ryōta se iluminou ao provar um S’more pela primeira vez.

   Ao lado dele, Ayaka, assim como seu irmão, havia carbonizado seu marshmallow.

“Ah… eu estraguei.”

   Com uma expressão triste, ela olhou para Haruto como se pedisse ajuda. Recebendo seu olhar, ele riu baixinho e espetou um marshmallow para ela.

“O calor pode estar um pouco forte demais.”

   Dando uma justificativa para consolá-la, Haruto, como fizera com Ryōta, colocou o marshmallow dourado entre biscoitos e entregou a Ayaka.

“Obrigada, Haruto-kun.” Ayaka agradeceu com um sorriso radiante.

   No momento em que ele viu o sorriso dela, a conversa que tiveram na floresta voltou à mente de Haruto, e ele sentiu seu rosto esquentar levemente.

    Orando para que ela achasse que sua vermelhidão era por causa do calor da fogueira, Haruto devolveu o agradecimento dela com um sorriso.

   Nesse instante, Saki, mastigando um S’more que ela mesma fez, disse como se tivesse tido uma ideia:

“Acho que tive a melhor combinação!”

   Saki disse isso e vasculhou sua mochila, que continha seus pertences, tirando uma caixa de lanches.

“Não seria incrível fazer S’mores com isto?”

   Na mão dela estava um pacote do famoso biscoito com chocolate em forma de barquinho.

   No momento em que Ayaka viu, seu entusiasmo também explodiu.

“Isso com certeza vai ficar delicioso! Saki, você é uma gênia!”

“Heheheh~. Me elogie mais.”

   Para Saki, que ficou com as mãos na cintura, Ayaka fez uma reverência exagerada, dizendo: “Sim, Saki-sama~.”

“Hm, pode se levantar. Eu compartilharei esses biscoitos com todos.”

   Dizendo isso, Saki distribuiu os lanches para todos.

   Ayaka, que recebeu um biscoito dela, olhou para Haruto com olhos esperançosos.

“Haruto-kun.”

“Entendido. Vou torrar agora, espere um pouquinho.”

“Eu também, Onii-chan!”

   Aos pedidos dos irmãos Tōjō, Haruto sorriu de canto e espetou três marshmallows num palito.

   Os irmãos Tōjō observavam com olhos brilhantes, ansiosos enquanto Haruto tostava os marshmallows.

   Vendo suas expressões iguais, Haruto riu, pensando que realmente eram irmãos, e então colocou o marshmallow tostado entre os biscoitos de Saki.

“Aqui está.”

“Obrigada, Haruto-kun.”

“Obrigado! Onii-chan!”

   Os irmãos Tōjō aceitaram felizmente e imediatamente colocaram na boca, seus rostos se iluminando de alegria.

“Mmm~, o marshmallow derretido e o chocolate misturados com o biscoito crocante são os melhores~.”

“Onii-chan! Isso é muito gostoso!”

“Fico feliz em ouvir isso.”

   Haruto assentiu gentilmente às palavras de Ryōta, comendo um S’more com uma mão enquanto, com a outra, torrava o próximo marshmallow para os irmãos Tōjō.

   Saki, ao lado de Ayaka, comia sua variação de S’more, murmurando: “Eu sou uma gênia?”

   Enquanto os quatro apreciavam S’mores, a grande sacola de marshmallows desapareceu num instante.

   Nesse momento, Ikue veio com uma frigideira um pouco maior.

“Posso usar a fogueira?”

“Sim, claro.”

   Haruto respondeu e espalhou um pouco o fogo para facilitar o cozimento de Ikue, depois colocou um suporte sobre ela.

“Obrigada, Ōtsuki-kun.”

“Ikue-mama. O que você está fazendo?”

   Saki olhou para Ikue com olhos esperançosos, observando a frigideira colocada sobre o suporte.

“Paella de frutos do mar.”

“Paella em um acampamento! Que chique!”

“Heheheh~, às vezes, como dona de casa, eu preciso mostrar que consigo fazer uma comida deliciosa, sabe?”

   Ikue untou a frigideira com azeite e, enquanto refogava cebola e alho, sorriu docemente para Haruto.

   Recebendo o sorriso dela, Haruto levantou discretamente os cantos dos lábios, demonstrando um leve espírito competitivo.

“Então eu também vou ter que fazer algo para não perder para a Ikue-san.”

   Dizendo isso, ele pegou outra frigideira, diferente da de Ikue, que havia trazido, e a colocou sobre o suporte.

“O que você vai fazer, Onii-chan?”

“Ajillo.”

“A-jil-lo?”

   Ryōta inclinou a cabeça diante da palavra desconhecida.

   Haruto sorriu, dizendo: “Espere um pouco até ficar pronto”, e então aceitou um pouco de azeite de Ikue e o despejou em sua frigideira.

   Haruto havia dito a Ikue e Shuichi previamente que cozinharia o jantar como agradecimento por ser convidado para a viagem de acampamento da família Tōjō.

   Ele havia planejado comprar e levar os ingredientes ele mesmo, mas quando contou a Shuichi, ele disse: “Nós vamos preparar todos os ingredientes, então Ōtsuki-kun só precisa trazer roupas extras e um saco de dormir.”

   Aliás, quando Shuichi, com olhos brilhantes, perguntou: “O que você está planejando fazer?” e Haruto respondeu Ajillo, Shuichi ficou feliz, dizendo: “Entendo, talvez um pouco de vinho?”

   Ikue e Haruto, lado a lado, continuaram cozinhando com suas frigideiras.

   Um aroma de alho subia da frigideira de Ikue. Ela adicionou arroz e uma mistura de frutos do mar.

“Ikue-san, posso pegar um pouco dessa mistura de frutos do mar depois?”

“Claro. Vou deixar aqui para você.”

“Obrigado.”

   Haruto agradeceu quando Ikue colocou a mistura de frutos do mar na mesa ao lado, depois descascou alho e o colocou na frigideira cheia de azeite.

“Estou ansiosa pelo seu Ajillo, Haruto-kun.”

   Ayaka disse, observando Haruto cozinhar.

“Bem, Ajillo é só colocar ingredientes no azeite e deixá-los cozinhar, então o sabor não muda muito dependendo de quem faz”, respondeu Haruto, adicionando algumas pimentas.

   Como Ryōta também iria comer, ele teve cuidado para não deixar sementes caírem, deixando a quantidade pequena o suficiente apenas para dar um toque de sabor.

   Nesse momento, Shuichi veio à fogueira com fatias de baguete em uma bandeja.

“Ayaka, você pode deixar isso dar uma pegadinha?”

“Sim, entendido.”

   Ayaka pegou a bandeja de Shuichi e arrumou as baguetes no espaço entre as duas frigideiras para tostá-las. Observando-a, a expressão de Saki suavizou.

“É o melhor comer baguete mergulhada no Ajillo, né?”

   Enquanto Saki observava animada o cozimento, Ryōta olhou para a bandeja que Ayaka segurava com olhos desejosos e disse:

“Hei, Nee-chan. Eu quero um pedaço de pão.”

“Tudo bem, tudo bem. Só um, está bom? Fica mais gostoso se você torrar direito e comer com Ajillo.”

   Dizendo isso, Ayaka entregou uma baguete a Ryōta.

   Ryōta disse “Eba!” e a pegou com as duas mãos, dando uma mordida feliz.

   Ouvindo sua troca, Haruto adicionou brócolis, camarões, vieiras e tomates-cereja ao seu Ajillo e os deixou cozinhar, depois colocou um pouco de sal de ervas.

“O Ajillo está praticamente pronto.”

“A paella vai demorar um pouco mais.”

   Ikue respondeu, olhando para a frigideira tampada.

“Então vamos comer o Ajillo primeiro.”

   Diante das palavras de Shuichi, Haruto assentiu, tirou o Ajillo do suporte e o levou para a mesa.

“Vamos comer.”

   Todos juntaram as mãos e disseram “Itadakimasu!”, e imediatamente Ryōta avançou para o Ajillo com olhos brilhantes.

“Ryōta-kun, fica delicioso com pão.”

“Sério?”

   Haruto disse isso a Ryōta, pegou uma baguete torrada, colocou um camarão sobre ela e entregou a ele.

“Obrigado, Onii-chan!”

   Ryōta pegou de Haruto, deu uma mordida e seu rosto se iluminou.

“Onii-chan, isso é muito gostoso!!”

“Fico feliz em ouvir isso.”

   Haruto foi acalmado pelo sorriso de Ryōta.

   Saki, sentada à sua frente, mergulhou uma baguete no Ajillo, colocou alho sobre ela e levou à boca.

“Mmm-hmm~! Está per-fei-to!! Ōtsuki-kun, o tempero está impecável!”

   Saki, que estremeceu e gemeu de prazer no momento em que provou, mostrou um joinha para Haruto.

   Ao lado dela, Ayaka também comeu brócolis e assentiu.

“Sim, como esperado do Haruto-kun.”

“Hahaha, obrigado. Mas como eu disse antes, Ajillo é só cozinhar ingredientes no azeite e no alho, então o sabor não muda muito dependendo de quem faz”, respondeu Haruto, tentando esconder a vergonha ao entregar a Ryōta uma baguete embebida no óleo do Ajillo. Nesse instante, Ikue sorriu docemente.

“Quanto mais simples o prato, mais difícil ele pode ser, porque há menos onde se esconder.”

“Ayaka, você é tão sortuda por poder comer tanto da comida caseira do Ōtsuki-kun. Sua danadinha~.”

   Saki disse isso, cutucando levemente Ayaka ao seu lado.

“E-Eu… não sou a única, o Ryōta também está comendo, e…”

   Ayaka respondeu às palavras de Saki e alcançou o Ajillo como se estivesse tentando escapar dela, comendo uma vieira.

“Mesmo assim, quando alguém cozinha tão bem assim, a futura esposa do Ōtsuki-kun deve ficar com inveja, né?”

   Saki disse a Ayaka com uma expressão levemente maliciosa, em um tom baixo o suficiente para que Haruto não ouvisse.

“I-Isso… é verdade.”

“Parece que ela precisa garantir essa posição logo, ou alguém pode roubar~.”

“U-Ugh…”

   Enquanto o rosto de Ayaka ficava um pouco vermelho e ela olhava para baixo, Saki sorriu.

   Então Ikue, que estava verificando a paella, pareceu ter ouvido as palavras de Saki e entrou na conversa.

“É isso mesmo, Ayaka. Se você não agarrar o Ōtsuki-kun rápido, eu vou ficar em apuros.”

“M-Mãe, isso não tem nada a ver com você!”

“Tem tudo a ver comigo!”

   Os olhos de Ayaka se arregalaram um pouco ao ver sua mãe entrar na conversa.

   Para sua filha, Ikue explicou com uma expressão muito séria.

“Porque o Ōtsuki-kun só está fazendo o trabalho de diarista durante as férias de verão, não é?”

“É, ele está.”

“Isso significa que quando as férias de verão acabarem, o Ōtsuki-kun não vai mais vir para nossa casa, certo?”

“Isso é…”

“Nessas férias, o trabalho de diarista do Ōtsuki-kun me ajudou tanto que eu não consigo mais viver sem ele.”

   Ikue disse isso em um tom levemente exagerado, brincalhão.

“Mãe, o quê!?”

   Olhando para sua mãe, Ayaka olhou para Haruto em leve desespero.

   Ele estava alimentando Ryōta com Ajillo naquele momento, totalmente envolvido em uma conversa ao ar livre com Shuichi ao seu lado, e não conseguiu ouvir a conversa de Ayaka.

   Ayaka soltou um suspiro de alívio.

   Vendo a reação de sua filha, Ikue sorriu e continuou a falar.

“Se a Ayaka conquistar o Ōtsuki-kun, então ele ainda vai vir para casa mesmo depois que as férias acabarem, não é?”

“I-Isso pode até ser verdade, mas como ele não vai mais fazer trabalho de diarista, seria rude pedir para o Haruto-kun cozinhar…”

   Para Ayaka, que argumentava com Ikue, Saki disse com um sorriso travesso,

“É aí que você, como namorada dele, pede para o namorado: ‘Haruto-kun, eu quero comer sua comida!’”

   As bochechas de Ayaka ficaram imediatamente vermelhas ao ouvir as palavras de Saki. Ikue então apertou mais.

“Da minha parte, eu gostaria que o Ōtsuki-kun viesse para nossa casa no futuro como meu genro, sabia?”

“G-Genro!? E-É muito cedo para falar disso!”

“Mas se a Ayaka se tornar a esposa do Ōtsuki-kun, você vai ter comida caseira dele à vontade, não vai?”

“I-Isso… certamente é tentador, mas…”

   Sob o bombardeio de Ikue e Saki, o rosto de Ayaka estava completamente vermelho, parecendo que vapor poderia sair de sua cabeça.

   Então Ryōta, que estava ocupado devorando o Ajillo, abriu a boca com uma expressão pura e inocente.

“Nee-chan, você vai ser a esposa do Onii-chan?”

   Ryōta disse em voz alta, olhando para a irmã com olhos brilhantes e cheios de expectativa.

   Essa pergunta chegou claramente aos ouvidos de Haruto, que estava envolvido em conversa com Shuichi.

   Ryōta estava tão concentrado no Ajillo até então.

   Ikue e as outras também estavam falando em voz baixa para que Haruto não ouvisse, mas parecia que os ouvidos de Ryōta eram excepcionalmente afiados quando se tratava de sua amada irmã e Haruto.

   Ele claramente tinha ouvido Ikue dizer: “Se a Ayaka se tornar a esposa do Ōtsuki-kun” e estava animado.

   Com a observação repentina de Ryōta, Haruto interrompeu sua conversa com Shuichi e olhou para Ryōta com uma expressão confusa. Em resposta à situação, Ayaka, com o rosto vermelho, negou desesperadamente as palavras de Ryōta.

“O-O que você está dizendo, Ryōta!! Não diga essas coisas do nada!!”

“Mas a Mamãe acabou de dizer que a Nee-chan vai ser a esposa do Onii-chan!”

“Eh?”

   Diante das palavras de Ryōta, Haruto olhou para Ikue com uma expressão surpresa.

“Ai, ai…”

   Recebendo o olhar dele, Ikue fez um sorriso levemente problemático, colocando uma mão na bochecha.

“M-Mãe, o quê!? Nada de ‘ai, ai’! Por favor, negue isso direito!”

“Hmm, parece que a hora da Ayaka se casar finalmente chegou…”

“Huh? Eh!?”

   Para Shuichi, que murmurou pensativo, Haruto olhou com uma expressão confusa, incapaz de entender o rumo da conversa.

“Q-Que— Pai!! Não leva isso a sério!!”

   Ayaka tentou desesperadamente conter seu pai, que, como sempre, estava se empolgando.

   Observando sua melhor amiga, Saki cobriu a boca com a mão, segurando o riso, murmurando,

“O Ōtsuki-kun está completamente encurralado…”

“Eh? O que é isso? Qual é o contexto dessa conversa?”

   Enquanto Haruto olhava em volta confuso, Ikue bateu palmas.

“Ah, olhem! A paella ficou pronta, então vamos comer.”

“Mãe… tente mudar de assunto de forma um pouco mais natural…”

   No entardecer do verão, no acampamento nas montanhas, o suave lamento cansado de Ayaka ecoou levemente.

 

 

Traduzido por Moonlight Valley

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