Volume 3

Capítulo 1: A Palestra de Shizuku

Ōtsuki Haruto

 

   As horas iniciais do dia antes que o calor total do verão desabasse.

   Na cozinha da família Ōtsuki, nas primeiras horas da manhã, Haruto e sua avó estavam lado a lado, preparando o café da manhã.

“Vó, para a sopa de missô, o que é melhor, tofu ou cebola?”

“O tofu deve estar mais perto da data de validade.”

“Okay, então vamos fazer sopa de missô com tofu e algas hoje.”

   Dizendo isso, Haruto adicionou algas secas ao dashi que ele havia preparado no dia anterior.

“Vó. Eu vou ao dojô hoje.”

“Certo. E o almoço?”

“Vou comer fora hoje.”

   Haruto respondeu enquanto verificava o ponto do salmão grelhado.

“Falando nisso, Haruto, como estão as coisas com a Ayaka-san?”

   Com as palavras da avó, Haruto parou a mão que estava colocando o salmão grelhado no prato.

“É... as coisas estão indo bem.”

“É mesmo? Que bom.”

   As rugas da avó se aprofundaram de alegria. Enquanto ela sorria, um sentimento complexo, misturado de felicidade e culpa, se espalhou no peito de Haruto.

“...Ela realmente é uma pessoa tão maravilhosa, quase boa demais para mim.”

   Haruto voltou a mexer as mãos para continuar preparando o café da manhã.

“Certifique-se de valorizar bem a Ayaka-san, está bem?”

“Sim... eu sei.”

   Quando Haruto assentiu, a imagem de Ayaka iluminada por uma vela de faíscas se refletiu claramente em sua mente.

   Havia, com certeza, um desejo em seu coração de cuidar dela. Contudo, isso não era algo que um namorado falso deveria fazer. Esse era o papel de um namorado de verdade, não de um falso.

   Ao lado de sua avó, que ficara feliz por seu neto ter encontrado uma namorada tão maravilhosa, Haruto se preocupava sozinho.

 

✦ ✦ ✦

 

   Haruto, que estava de folga do trabalho de meio período, dirigiu-se ao dojô de karatê depois de terminar o café da manhã. Lá, ele se dedicava completamente ao treinamento.

   Enquanto se concentrava, ele não precisava pensar em coisas desnecessárias, então treinava com todas as forças.

“O que houve, Haruto? Você está estranhamente motivado hoje.”

   Ishikura, seu parceiro de sparring, falou com Haruto durante o intervalo.

“Não, bem, eu só quero afastar alguns pensamentos incômodos.”

“Você é um monge?”

   Dizendo isso, Ishikura riu alto.

   Um ano mais velho que ele, Ishikura era como um irmão mais velho confiável para Haruto. Além disso, ele também era um rival com quem tinha aprimorado suas habilidades naquele Dojô Doujima desde a infância.

“Quando eu luto com o Kazu-senpai com todas as forças, eu me sinto realmente focado e é divertido.”

“Oh, está dizendo uma coisa bonita, hein? Bem, vamos para outra rodada?”

   Ishikura, que tinha uma aparência intimidadora, abriu um sorriso.

   Ishikura emanava uma aura como se pudesse puxar uma faca do bolso a qualquer momento.

   No entanto, Haruto sabia que, apesar da aparência, ele era um jovem gentil por dentro.

“Sim, por favor.”

   Haruto despertou seu espírito e retomou o sparring com Ishikura.

   Depois disso, Haruto continuou treinando com entusiasmo, e quando percebeu, já era a hora do almoço.

   Terminando seu treino de karatê, Haruto, que estava indo para o vestiário para trocar o quimono por roupas casuais, chamou Shizuku, que por acaso estava passando.

“Shizuku, você tem um minuto?”

“O que foi, Haru-senpai? Um pedido de casamento? Sim, vamos nos casar.”

“Você já decidiu o que vai comer no almoço hoje?”

   Haruto ignorou a resposta habitual de Shizuku, cheia de brincadeiras, e perguntou sobre os planos de almoço dela.

“Não, não decidi nada em especial. Eu tinha natto e bananas na geladeira, então estava planejando colocar ambos na torrada para o almoço.”

“...Essa é uma combinação bastante excêntrica. Natto e bananas combinam?”

“Você quer provar também, Haru-senpai? Quer almoçar comigo?”

   Shizuku, sem expressão, dizia coisas como “Eu até faço um ‘Aa~n’ para você.”

“Não, eu passo. Na verdade, se tudo bem, você me deixaria te pagar o almoço hoje?”

“Hmm? Por que está confessando seu amor do nada? Eu estou totalmente pronta para isso, no entanto.”

“Não, eu só te convidei para o almoço.”

   Em sua troca de palavras, Shizuku ocasionalmente lançava comentários absurdos. Haruto deu um sorriso amargo para ela.

“Quando eu estava doente, você cuidou de mim, certo? Eu quero te agradecer por isso.”

“Ah, você não precisa se preocupar com isso. Eu fiz porque quis.”

“É mesmo... Apesar de dizer isso, você está imediatamente procurando um restaurante.”

   Mesmo dizendo palavras de recusa, ela estava rapidamente procurando um restaurante no smartphone que segurava.

   Ela deslizava o polegar rapidamente, murmurando coisas como “Será que devo confiar nas avaliações desse site...” enquanto procurava com entusiasmo possíveis lugares para almoçar.

“Certifique-se de que seja um lugar onde estudantes do ensino médio possam ir, okay?”

   Enquanto Haruto sorria diante do comportamento habitual de Shizuku, Ishikura, que já havia trocado o quimono por roupas casuais, aproximou-se dos dois.

“Ei, do que vocês estão de namorico aí?”

“Haru-senpai e eu estamos sempre de namorico. Kazu-senpai é o intrometido.”

   Shizuku levantou os olhos do smartphone, inclinando-se levemente para Haruto enquanto dizia isso sem expressão. Haruto ignorou as palavras dela e convidou Ishikura também.

“Eu pensei em pagar o almoço dela como agradecimento por cuidar de mim antes. Você quer vir também, Kazu-senpai?”

“Ah, eu vou passar.”

   Ele acenou a mão, recusando o convite de Haruto.

“Você tem planos?”

“Kazu-senpai é um intrometido.”

“Estou planejando assar alguns doces à tarde.”

   Ishikura parecia bastante intimidador para os outros. No entanto, ao contrário da aparência, seu hobby era fazer doces. Além disso, sua habilidade era bastante alta, e a torta de frutas que ele os deixou experimentar da última vez era tão deliciosa quanto a de uma loja.

“Oh, o que você vai fazer hoje?”

“Kazu-senpai é um intrometido.”

   À pergunta curiosa de Haruto, Ishikura respondeu com uma expressão levemente feliz.

“Comprei uma manteiga muito boa outro dia. Estou pensando em tentar financiers.”

“Financiers, hein? Isso parece bom.”

“Solicitando uma amostra para o treino de amanhã. Além disso, Kazu-senpai é um intrometido.”

“Ei, Shizuku. Você continua me chamando de intrometido, mas quer que eu traga doces? Você tem coragem, hein.”

   Shizuku, que vinha diligentemente enfiando “intrometido” na conversa entre Haruto e Ishikura, teve seus olhos brilhando sem expressão ao ouvir a palavra “financier”.

   Em resposta, a têmpora de Ishikura se contorceu levemente.

“Kazu-senpai é tão legal, tão bonito, tão incrível, tão intimidador. Okay, eu te elogiei, então por favor traga a amostra amanhã.”

“Isso é tão meia-boca, ei! E ‘tão intimidador’ não é um elogio!!”

   Ishikura levantou a voz em protesto às palavras completamente sem motivação de Shizuku. A isso, Shizuku respondeu: “Kazu-senpai, você está sendo egoísta?”

“Caramba, você realmente tem uma personalidade explendorosa.”

“Não, não, nem um pouco.”

“Eu não estava te elogiando! suspira... Bem, é isso, então vocês dois vão almoçar. Eu vou para casa. Até mais.”

   Ishikura, parecendo um pouco cansado pela troca com Shizuku, acenou com a mão e deixou o dojô.

   Observando suas costas, Shizuku murmurou sem expressão:

“Quanto mais de contraste o Kazu-senpai precisa dominar antes de ficar satisfeito?”

“Bem, ele é o tipo de pessoa que realmente incorpora o ditado ‘não julgue um livro pela capa’.”

   Uma constituição grande, perto de dois metros de altura, sobrancelhas finas, olhos afiados, cabelo curto com três linhas raspadas nas laterais, e uma cicatriz única correndo da têmpora até a boca.

   Somente pela aparência, ele parecia completamente um fora-da-lei.

   No entanto, por dentro, ele era um jovem de coração gentil cujo hobby era fazer doces e que amava profundamente crianças e pequenos animais.

“Você acha que ele vai trazer a amostra amanhã?”

“Ele vai trazer. Vai resmungar e reclamar, mas vai trazer. Esse é o tipo de pessoa que ele é.”

“O Haru-senpai vai estar aqui amanhã?”

“Seria um desperdício perder os financiers do Kazu-senpai.”

   Haruto também estava ansioso pelos financiers que Ishikura fazia.

   Amanhã, ele teria seu trabalho de meio período de serviço doméstico na casa dos Tōjō. E ele estava programado para praticar ser um casal com Ayaka, mas isso estava planejado para depois do meio-dia.

   Como sua manhã estava livre, Haruto decidiu aparecer no dojô e aproveitar alguns financiers deliciosos.

   Com suas palavras, Shizuku assentiu com um satisfeito “Mhm, mhm,” e então rapidamente mostrou seu smartphone para Haruto.

“Haru-senpai. Eu quero ir aqui para o almoço.”

“Mhm, entendi.”

   Haruto assentiu à sugestão de Shizuku e seguiu para o vestiário para trocar para suas roupas casuais.

 

✦ ✦ ✦

 

“Esse cheiro único. Esta é a verdadeira essência do ramen Iekei.”

   Shizuku aproximou o rosto da tigela que o atendente havia trazido e cheirou o ramen que tinha pedido.

“Esse cheiro, quando você se acostuma, se torna viciante.”

“Concordo. Esse cheiro que parece fedido no começo fica seriamente viciante quanto mais vezes você come.”

   Shizuku assentiu, mostrando concordância com a opinião de Haruto.

   Como agradecimento por ter cuidado dele, o almoço que Shizuku sugeriu foi ramen.

   Um novo restaurante de ramen Iekei havia aberto recentemente perto do Dojô Doujima. Parecia que ela estava curiosa sobre ele.

“Esse lugar sempre tem fila. Mas esperar sozinha é chato, então o seu convite, Haru-senpai, foi perfeito.”

“Bem, esperar na fila sozinho nesse calor também é difícil.”

   Haruto trocou esse tipo de conversa com Shizuku enquanto pegava o caldo com uma concha e o levava à boca.

“Oh, isso é delicioso.”

   Do caldo rico que se espalhava em sua língua, ele podia sentir o umami concentrado de ossos de porco e a profundidade encorpada do shoyu. Ao mesmo tempo, o aroma fragrante do óleo de frango percorreu suas vias nasais, seguido lentamente pelo aroma único do Iekei.

   Havia outro restaurante de ramen Iekei perto do Dojô Doujima. Esse restaurante já existia há muito tempo e o sabor era excepcionalmente delicioso, então Haruto, Ishikura e Shizuku muitas vezes iam comer lá depois do treino.

   O sabor desse novo restaurante de ramen talvez fosse tão delicioso quanto o já familiar.

   Enquanto Haruto pensava nisso, Shizuku ao lado também sorveu um bocado de macarrão e assentiu.

“Caldo encorpado e macarrão grosso e mastigável. Isto está... aprovado.”

   Embora sua expressão continuasse vazia, a voz de Shizuku estava estranhamente séria ao dizer isso.

   Ao lado dela, que transmitia a atmosfera de uma mestre avaliando um programa culinário, Haruto também colocou uma expressão séria.

“A variedade de temperos na mesa também é maravilhosa. O fato de terem chips de alho mostra que este lugar entende.”

“E o vinagre para ramen é um ponto alto também.”

“De fato.”

   Ambos cruzaram os braços e assentiram em concordância.

   Alguns minutos depois, Haruto e Shizuku continuaram silenciosamente sorvendo seu ramen. Quando já tinham comido cerca de oitenta por cento, Shizuku de repente falou com Haruto como se tivesse se lembrado de algo.

“Falando nisso, Haru-senpai.”

“Hmm?”

“Eu já perguntei antes... mas Haru-senpai, você tem alguém de quem gosta?”

“Eh!?”

   Diante da pergunta repentina, Haruto parou de se mover, com a alga marinha que ele estava cuidadosamente guardando ainda presa entre os hashis.

“O que foi, Shizuku? Tão do nada...”

“Porque você estava falando sobre isso com o Kazu-senpai antes, não estava? Sobre a distância apropriada com uma garota com quem você está ficando próximo, ou algo assim.”

“Ah... você ouviu isso?”

   Antes, quando Ayaka o pressionou sobre praticar ser um casal, seus sentimentos quase saíram de controle, e ele tentou consultar Ishikura sobre isso. Parece que Shizuku ouviu aquela conversa.

   Embora, mesmo que ela tivesse ouvido, eles não tinham acabado falando sobre nada significativo.

“Então, e aí? Você arrumou uma paixão?”

“Bom, uh... eu me pergunto...”

   Haruto estava consciente de seus sentimentos por Ayaka. Ele estava consciente deles, mas ainda não tinha organizado seus sentimentos o bastante para verbalizá-los e afirmá-los.

   No entanto, vendo Haruto hesitar, Shizuku soltou um pequeno suspiro exasperado.

“‘Eu me pergunto...’ Isso é praticamente dizer que você tem uma paixão, sabia?”

“...Como você pode ter tanta certeza? Você não tem como saber disso.”

“Eu sei.” Ela afirmou firmemente, olhando diretamente nos olhos de Haruto. “Eu venho observando você desde que era pequena, então é claro que eu saberia.”

   Suas palavras eram inalteradas como sempre, mostrando pouca flutuação emocional. Ainda assim, tinham uma estranha força persuasiva, e Haruto não conseguiu negar.

“...Eu sou tão fácil de ler assim?”

“Não, é porque eu conheço você há muito tempo, então é especial.”

   Shizuku disse isso e estufou o peito com orgulho.

“Então, quem é o alvo da afeição do Haru-senpai?”

   Shizuku parecia certa de que Haruto tinha arrumado uma paixão, e prosseguiu a conversa baseada nessa suposição.

   Vendo-a daquele jeito, Haruto também se resignou e abriu a boca.

“...É uma garota da minha classe, e eu a conheci um pouco durante as férias de verão. Então, bem...”

“Oh céus. Então a gata ladra que roubou o Haru-senpai de mim é uma garota da sua classe?”

   Para Shizuku, que disse isso enquanto apoiava a mão no queixo, Haruto deu um sorriso torto, dizendo: “Uma gata ladra...”

“Falando nisso. A famosa Tōjō-senpai também está na classe do Haru-senpai, não está?”

“Hã!? A-ah. Isso mesmo, sim.”

   Ao ouvir o nome “Tōjō” vindo da voz de Shizuku, Haruto não pôde evitar reagir com um sobressalto. Shizuku não perdeu essa pequena reação e olhou para Haruto com olhos investigativos.

“A paixão do Haru-senpai, poderia ser...?”

“............Eu exerço meu direito de permanecer em silêncio.”

   Haruto, incapaz de suportar mais e fugindo do olhar de Shizuku, virou o rosto para longe dela e murmurou.

   Diante da reação dele, Shizuku soltou outro suspiro e disse: “Viu? Isso é o mesmo que dizer ‘sim’, Haru-senpai. Uh... Mas sério, logo ela, a Tōjō-senpai...? Coitado do Haru-senpai, você vai virar só mais uma parte da montanha de cadáveres dos bravos guerreiros que confessaram e foram derrotados. Não se preocupe, eu vou curar meu Senpai que irá confessar e ser derrotado. Você pode encharcar meu peito com suas lágrimas, se quiser.”

   A idol da escola, Ayaka Tōjō, não responde “sim” a nenhuma confissão. Essa é uma história muito famosa entre os alunos da escola que Haruto e os outros frequentam. Portanto, é natural que Shizuku sentisse pena e tentasse confortar Haruto, assumindo que ele seria rejeitado.

“Além disso, não está sendo dito entre as garotas do primeiro ano que a Tōjō-senpai não está interessada em romance?”

   No entanto, Haruto, tendo realmente se envolvido com ela através do serviço de limpeza doméstica, estava começando a achar que talvez houvesse uma chance, então instintivamente negou as palavras de Shizuku.

“Não é que a Tōjō-san não esteja interessada em romance. Eu não acho isso, pelo menos.”

   Alguém não interessado em romance não sugeriria praticar ser namorados, nem pediria um tom “dominante” para o papel de namorado.

   Diante de Haruto, que negou imediatamente as palavras de Shizuku, ela lançou um olhar investigativo para ele.

“Haru-senpai, aconteceu alguma coisa entre você e Tōjō-senpai? E como você chegou a conhecê-la durante as férias de verão? Ah, talvez esteja relacionado ao seu trabalho de meio período de curto prazo? É isso, Haru-senpai?”

   Para Shizuku, que pressionava uma pergunta após a outra, Haruto pensou que tentar desviar desajeitadamente apenas complicaria ainda mais a situação, então levantou as mãos em rendição e contou a Shizuku sobre Ayaka até certo ponto.

   Shizuku, que vinha ouvindo a história de Haruto em silêncio, deixou escapar uma pequena palavra depois que ele terminou.

“...Covarde.”

“Huh? O que você disse?”

   A palavra que Shizuku deixou escapar foi tão pequena que Haruto não ouviu.

   Para ele perguntando novamente, Shizuku começou a falar em um tom levemente irritado.

   Talvez fosse imaginação dele, mas até mesmo seus olhos normalmente sem expressão pareciam levemente inclinados para cima.

“Haru-senpai, você não entende os sentimentos das mulheres nem um pouco. Ela é sua namorada, mesmo que seja só de mentira! Ninguém faria isso com alguém de quem não gosta, faria? E ‘praticar serem amantes’? Isso é a Tōjō-senpai se esforçando porque ela quer que o Haru-senpai perceba ela!”

   Shizuku balançou a cabeça, exasperada, e soltou um grande suspiro, o terceiro do dia.

“Pobre Tōjō-senpai. Ter que lidar com um Haru-senpai tão lerdo, lento e cabeça de madeira.”

“Ei, ei, eu não sou tão ruim assim, sou?”

“É sim. Primeiro de tudo, por que você mentiu para a sua avó? Isso não é típico de você, Haru-senpai.”

   Depois de dizer isso, Shizuku fez biquinho e murmurou um pouco emburrada: “Eu podia ter fingido por você.”

“Desculpa. Eu estava realmente abalado naquela hora, eu não estava pensando direito... Quando achei que a vovó ia mesmo partir, minha mente simplesmente ficou em branco...”

   Diante de Haruto, que falou um pouco fraco, a expressão de Shizuku suavizou levemente antes de voltar ao seu habitual rosto inexpressivo.

“Bom, suponho que eu entenda que tipo de pessoa a vovó é para o Haru-senpai.”

   Shizuku sorveu todos os noodles que restavam em sua tigela e juntou as mãos, dizendo: “Obrigada pela refeição.” Então, ao devolver a tigela vazia ao balcão, ela virou o rosto para Haruto e disse:

“Deixe-me só dizer isto. Uma garota não diz ‘eu gosto de você’ para alguém por quem ela não sente nada.”

   Depois de dizer isso, Shizuku se levantou do assento, dizendo: “Bem, terminei de comer, então vou lá para fora primeiro”, e saiu da loja.

   Haruto também se apressou para terminar o resto do ramen, tentando segui-la.

   E então, ali, ele de repente percebeu algo.

“‘Ela não diz ‘eu gosto de você’ para alguém por quem não sente nada’... E a Shizuku?”

   Toda vez que Haruto falava com ela, Shizuku fazia piadas como “Vamos namorar” ou “Vamos nos casar”. E quanto a isso?

   Haruto parou de se mexer por um momento e afundou em pensamentos, mas lembrando que ela estava esperando lá fora, voltou a sorver o ramen.

     Bom, a Shizuku sempre foi assim desde muito tempo atrás... Talvez ela seja um pouco especial.

   Haruto concluiu isso consigo mesmo, juntou as mãos dizendo: “Obrigado pela refeição” para o ramen finalizado e deixou a loja.

 

 

Traduzido por Moonlight Valley

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