Volume 2
Capítulo 7: Churrasco da Família Tōjō
Tōjō Ayaka
[Então, como vão as coisas com o Ōtsuki-kun?]
À voz da Saki vindo pelo smartphone, respondi com um tom levemente animado.
“É, eu acho que está indo bem? Nós fizemos travesseiros de colo um para o outro hoje.”
[Oh! Você está indo com tudo na estratégia, Ayaka-san.]
“Sim, a ‘estratégia de prática de namorados’ está indo bem até agora!”
É uma estratégia para dissipar a culpa do Haruto-kun sobre a mentira e fazê-lo se apaixonar genuinamente por mim. Eu chamo isso de ‘Estratégia de Prática de Namorados’.
Com essa estratégia, eu vou fazer um forte apelo ao Haruto-kun e fazer com que ele confesse para mim.
Sentei-me na minha cama no meu quarto e continuei falando com a Saki.
“Enfim, nós começamos a nos chamar pelos primeiros nomes, e o Haruto-kun está deixando cair bastante da fala formal. E, na primeira prática de namorados, nós dissemos ‘eu te amo’ um para o outro.”
[E? Qual foi a reação do Ōtsuki-kun?]
“Bem, quando o Haruto-kun me disse que ‘me amava’, ele disse com um olhar tão sério, e a expressão dele naquele momento estava tão incrivelmente legal que eu meio que perdi a memória.”
[...É mesmo? Desculpa, Ayaka, eu vou pegar um café rapidinho.]
“Você não vai ficar sem conseguir dormir se beber isso a essa hora?”
Olhando pela janela, já estava completamente escuro lá fora.
Se ela bebesse café naquela hora, não conseguiria dormir à noite e seu ciclo dia-noite iria se inverter.
Mesmo que fossem férias de verão, eu não achava bom bagunçar demais o ritmo de vida dela.
“A falta de sono não faz bem para a pele, sabia?”
[Obrigada pela preocupação, mas agora eu só quero deixar a boca amarga o mais rápido possível.]
“Hmm? É mesmo?”
[Sim, então só espera um instante.]
[(Comentário revisor) Del: Colocar o amargo para tentar substituir o doce do que a Ayaka acabou de falar né~]
Quando a Saki disse isso, ouvi barulhos pelo smartphone enquanto ela se movia.
Enquanto ela fazia o café, eu me lembrei do tempo que passei com o Haruto-kun hoje.
Foi o meu primeiro travesseiro de colo.
O travesseiro de colo do Haruto-kun era um pouco firme, mas quente. Meu coração disparou e eu fiquei tão envergonhada, mas ao mesmo tempo era de alguma forma reconfortante, como se meu coração estivesse sendo preenchido.
Foi um momento verdadeiramente feliz.
Quando ele acariciou minha cabeça, achei que meu coração fosse parar de tanta vergonha... mas, apesar disso, foi muito gostoso.
Isso pode ser perigoso.
Se eu pudesse me tornar a namorada de verdade do Haruto-kun, eu poderia implorar por travesseiros de colo todos os dias. Era tão confortável a este ponto.
Além disso, quando eu dei um travesseiro de colo para o Haruto-kun, também foi perigoso.
Quando ele estava no meu colo, ele parecia tão fofo, e conforme eu acariciava a cabeça dele sobre minhas coxas, eu senti como se estivesse me enganando pensando que ele era meu.
E também descobri que o lóbulo da orelha do Haruto-kun era muito gostoso de tocar.
O lóbulo da orelha dele era muito macio e levemente frio.
Tocá-lo por muito tempo me fez pensar em massa de pão macia e fofa, e eu só queria mordiscar.
Bem, o Haruto-kun me disse: “Não morda, tá?”
Mas, um dia... quando eu for a namorada de verdade dele, talvez eu possa mordiscar só um pouquinho, né? Ele não vai ficar bravo se for só uma mordidinha de brincadeira, certo?
Enquanto eu secretamente nutria essas ambições, ouvi pelo smartphone o som da Saki voltando para seu quarto com o café.
[Obrigada por esperar~, então, voltando ao que estávamos falando, qual é o próximo plano para a prática de namorados? Vocês já disseram ‘eu te amo’, fizeram travesseiros de colo, pensou em algo mais?]
“Ah, hum. Sobre isso. Na verdade, hoje, o Haruto-kun me chamou para um encontro.”
Quando eu disse isso, ouvi a Saki tossir como se tivesse engasgado.
Ela está bem? O café desceu pelo caminho errado?
[Cof, cof... Huh? O quê, o quê? O Ōtsuki-kun te chamou para um encontro?]
“Sim.”
[Hmm? E qual é o plano do encontro que ele te chamou?]
Eu podia ouvir a voz animada e feliz da Saki pelo smartphone.
Eu me lembrei do momento em que o Haruto-kun me chamou para um encontro e contei para a Saki com um leve sorriso.
“Da próxima vez, eu vou em um encontro de busca por sorvete com o Haruto-kun.”
[...Hmm? Isso parece um encontro bem único, não é?]
À voz da Saki cheia de dúvida, eu expliquei as circunstâncias de como acabei indo a um encontro de busca de sorvete com o Haruto-kun.
Antes, quando fui ao supermercado com o Haruto-kun, eu lamentei que o Ryota tivesse comido o sorvete de edição limitada, e ele me disse que deveríamos procurar por ele juntos da próxima vez.
O Haruto-kun lembrou disso, e na semana que vem nós vamos procurar o sorvete de edição limitada juntos.
[Ah, aquele sorvete, né? Ele era realmente muito gostoso.]
“Hã? Você também comeu, Saki?”
[Sim. Eu finalmente comprei depois de ir a uns três supermercados por perto. Tive sorte de pegar o último.]
“Viu? É realmente difícil de encontrar. Será que vamos achar semana que vem?”
[Mas não seria melhor se fosse difícil de encontrar para o encontro durar mais?]
“Bom, isso é verdade, mas... eu também realmente quero tomar aquele sorvete...”
[Ayaka gananciosa, hein?]
“Ugh...”
Entortei os lábios às palavras provocativas da Saki.
Mas todo mundo que comeu aquele sorvete disse que era delicioso! Claro que eu iria querer comer!
[Bem, de qualquer forma, pelo menos você vai ter um encontro, certo?]
“É, verdade. Ah, ei, eu queria sua opinião em algo...”
[Hmm? O que foi?]
“Já que o Haruto-kun me chamou para um encontro, isso significa que meu apelo está funcionando bem?”
Perguntei à Saki sentindo-me um pouco nervosa.
Já que o Haruto-kun está tomando iniciativa, significa que ele está começando a ficar consciente de mim, certo?
No entanto, a Saki expressou uma opinião mais cautelosa do que a minha.
[Hmm, não sei. Essa é uma possibilidade, ou talvez ele esteja achando meio difícil suportar estar sozinho com você no seu quarto.]
“Hã?! Por quê?! Eu não fiz nada que faria o Haruto-kun não gostar de mim!”
Eu posso ter sido um pouco agressiva, mas ele não parecia ter desgostado.
Ele só estava um pouco corado de vergonha...
Para mim, que estava prestes a ser esmagada pela ansiedade, Saki disse: [Eu não acho que ele não goste de você.]
[Veja, o Ōtsuki-kun está na puberdade, certo? E você, como uma garota na puberdade, está se aproximando dele em um quarto fechado, então ele talvez esteja tendo dificuldade em suportar várias coisas.]
“Tendo dificuldade em suportar várias coisas? O que você quer dizer?”
Inclinei a cabeça, sem entender muito bem o que a Saki estava dizendo.
A Saki também pareceu um pouco incomodada enquanto falava comigo.
[Hmm, como eu explico... Bem, acho que você deve continuar apelando para o Ōtsuki-kun como você está.]
“Sério? Está tudo bem?”
A forma como a Saki falou me deixou um pouco inquieta, porém?
[Mais importante, aquele encontro para procurar sorvete? Vocês vão visitar várias lojas, certo?]
“Sim, esse é o plano. Eu espero que possamos ir a shoppings com área de alimentação.”
[Isso é bom, isso é bom! Isso significa que você pode fazer um encontro de vitrine casualmente, certo?]
“Exatamente! É isso!”
Procurar o sorvete de edição limitada é só uma desculpa para o encontro.
O objetivo real é aproveitar as compras junto do Haruto-kun!
[Você vai olhar roupas e perguntar qual fica melhor em você?]
“Hmm, mas eu não quero que o Haruto-kun pense que eu sou problemática... mas, eu também quero que o Haruto-kun escolha roupas para mim...”
[Você pode usar a prática de namorados para isso, não pode? Você pode perguntar fofamente: ‘Que tipo de roupa você quer que sua namorada use?’]
“Isso funciona! Saki, você é uma gênia!!”
Eu não consegui evitar aplaudir.
Pelo smartphone, ouvi a voz triunfante da Saki dizendo: [Hehehe, que tal essa?]
Depois disso, continuei discutindo sobre o encontro de busca de sorvete com a Saki.
Aconteceu de eu olhar para o relógio na parede do meu quarto e percebi que estava ficando bem tarde.
Eu estava tão absorvida conversando com a Saki que perdi a noção do tempo.
“Vamos dormir logo?”
[Hmm? Oh, já está tão tarde assim? É, acho que sim.]
“Ah, certo. A propósito, você tem algum plano depois de amanhã, Saki?”
Eu me lembrei de que havia algo que precisava dizer à Saki.
[Depois de amanhã? Sábado, né? Espera um minuto... Não, não tenho planos específicos, por quê? Vai acontecer alguma coisa?]
“Hum, nesse dia nós vamos fazer um churrasco no nosso quintal, e eu queria saber se você queria vir, Saki?”
[Hã? Eu posso? Eu quero! Eu quero!]
“Sim, na verdade, a minha Mãe disse recentemente que não te vê, Saki, faz tempo e pediu para eu te convidar.”
Antes da Saki mudar para sua casa atual, ela morava bem perto da minha.
Então ela vinha muito para a nossa casa e era conhecida pela Mãe, Pai e pelo Ryota.
Especialmente, a Mãe gostava muito da Saki, e elas costumavam sair para fazer compras juntas com frequência.
[Sério?! Eu quero ver a mamãe Ikue de novo também, faz tempo~!]
“Okay, então eu vou avisar que você vai vir depois de amanhã.”
[Certo! Obrigada~]
“Ah, e sobre isso. O Haruto-kun também vai estar lá nesse dia, tudo bem?”
Quando eu disse isso, a Saki soltou um som de leve surpresa.
Aliás, eu já tinha dito ao Haruto-kun que a Saki talvez viesse.
[É mesmo? Eu sou a convidada, então não tem problema para mim, mas, ao contrário, você está bem com isso, Ayaka? Eu não vou atrapalhar?]
Às palavras levemente preocupadas da Saki, não pude evitar balançar a cabeça, mesmo que ela não pudesse me ver, e respondi:
“Você não vai atrapalhar nada! Na verdade, eu vou me sentir mais forte com você lá.”
[Sério? Então estou ansiosa para depois de amanhã.]
“Certo!”
[Eu vou fazer questão de observar bem você e o Ōtsuki-kun ficando juntinhos.]
Às palavras provocativas da Saki, meu rosto ficou um pouco quente.
“E-Eu não faria isso! De jeito nenhum eu avançaria no Haruto-kun na frente dos meus pais!”
[Então quer dizer que você quer ficar juntinha do Ōtsuki-kun se a Ikue e o Shuichi-san não estiverem por perto?]
“I-Isso é... se o Haruto-kun quiser isso, eu...”
Ao imaginar como seria se isso acontecesse, eu fiquei envergonhada, e minhas palavras foram ficando menores.
[Haa~ Esse café está incrivelmente delicioso hoje.]
Eu ouvi a Saki dizendo [Haah~] pelo smartphone.
“Toma cuidado para não consumir cafeína demais, okay?”
[Sim, sim, obrigada pela preocupação. Então, vou desligar. Até depois de amanhã.]
“Certo, boa noite.”
Depois de ouvir a Saki dizer [Boa noite~], eu encerrei a chamada.
Depois de amanhã é o churrasco com minha família, e também com o Haruto-kun e a Saki.
E na semana que vem é o encontro com o Haruto-kun.
Este verão está mais agitado e divertido do que nunca, e meu coração está acelerado. Estou tendo um tipo de férias de verão assim.
✦ ✦ ✦
Ōtsuki Haruto
Haruto segurava sua eco-bag e caminhava pelo beco da área residencial, onde o sol começava a se pôr e as sombras estavam ficando longas, em direção à casa dos Tōjō.
Hoje era seu dia de folga dos serviços de limpeza.
Por isso, não haveria prática de namorados com Ayaka hoje, então ele estava visitando a casa dos Tōjō um pouco mais tarde do que o normal.
“Será que o Ryota-kun vai ficar feliz?”
Dizendo isso, Haruto olhou dentro de sua eco-bag.
Lá dentro havia um conjunto de fogos de artifício com vários tipos. Ele havia comprado pensando em brincar com o Ryota e os outros depois do churrasco.
Ao imaginar o rosto feliz do Ryota quando visse os fogos, a expressão do Haruto naturalmente se suavizou.
Enquanto caminhava pela área residencial com um leve sorriso, ele inesperadamente encontrou uma certa pessoa em um cruzamento.
“Hã? Aizawa-san?”
“Nnn? Ah, Ōtsuki-kun. Yahho~”


Saki, cujo nome havia sido chamado por Haruto, acenou com a mão e o cumprimentou de maneira animada.
Os dois são colegas de classe e têm um certo grau de familiaridade um com o outro.
Ayaka evita interagir com garotos na escola o máximo possível. No entanto, Saki não faz isso em particular, e ela construiu uma relação amigável com Haruto, trocando cumprimentos quando se encontram na escola.
“É bom te ver hoje.”
“Digo o mesmo.”
Haruto, que havia ouvido de Ayaka anteriormente que Saki também participaria do churrasco, retribuiu com um sorriso ao rosto sorridente dela. Depois de se cumprimentarem, eles caminharam lado a lado em direção à casa dos Tōjō.
“Ela me contou. Ōtsuki-kun, você está fazendo serviços domésticos para a família da Ayaka, certo?”
“Sim, é isso mesmo. Eu mesmo fiquei surpreso no começo.”
Haruto riu e disse em um tom alegre: “Eu nunca pensei que faria serviços domésticos para a família de uma colega de classe.”
“Eu também fiquei surpresa quando a Ayaka me contou. Aliás, Ōtsuki-kun, você supostamente é bom em cozinhar, né?”
“Bom, acho que sou razoavelmente bom?”
Para Haruto, que disse isso com um pouco de humildade, Saki sorriu de maneira travessa.
“Oh? Isso é algo que alguém confiante diria?”
Diante das palavras de Saki, Haruto fez um sorriso torto e disse:
“Se eu não fosse confiante, não teria escolhido um trabalho de meio período em serviços domésticos.”
“Bom, isso é verdade. Aliás, o que tem nessa ecobag?”
Quando Saki olhou para a ecobag, Haruto a abriu levemente para que ela pudesse ver o interior e respondeu:
“Fogos de artifício. Pensei que o Ryota-kun ficaria feliz.”
“Ooh! Legal! O Ryota com certeza vai ficar animado!”
Saki fez um joinha para Haruto e disse: “Bom trabalho!”
“Aizawa-san, você está com bastante bagagem, né?”
Saki estava carregando uma mochila um pouco maior.
“Eu vou dormir na casa da Ayaka hoje à noite, então trouxe uma troca de roupa e várias outras coisas.”
“Entendo, era isso então. O que tem nessa sacola?”
Assim como Haruto, Saki também estava carregando uma sacola na mão.
Curioso sobre o que havia dentro, Haruto perguntou, e Saki sorriu de forma travessa.
“Hehehe, você fez a pergunta certa. O que eu trouxe é... isto!”
Dizendo “Tã-dã~”, Saki tirou o que estava na sacola e mostrou para Haruto.
“Isso é... uma banana?”
“Sim! Bananas!”
Saki levantou as bananas com um sorriso radiante.
“Se você grelhar essas bananas e comer com calda de chocolate e tal, ficam espetaculares, sabe.”
“Certamente, parece delicioso. Entendi, algo como uma sobremesa... eu nunca tinha pensado nisso para um churrasco.”
Para Haruto, churrasco só lhe trazia à mente carne ou frutos do mar.
[Del: Farofinha hein hein. | Almeranto: Vinagrete.]
Depois disso, os dois seguiram caminhando, trocando conversas triviais, e chegaram à residência dos Tōjō.
Ao chegarem ao portão da residência dos Tōjō, Saki apertou o botão do interfone com facilidade, sem hesitar, como se fosse algo habitual.
“Sim?”
“Ayaka~ Cheguei~”
“Saki~ Vou abrir agora.”
A voz de Ayaka vinda do interfone estava um pouco mais alegre devido à chegada de sua melhor amiga.
A porta da frente se abriu imediatamente, e o rosto de Ayaka surgiu.
“Huh? O Haruto-kun está com você?”
“Eu só acabei encontrando a Aizawa-san no caminho.”
Haruto explicou a Ayaka, que mostrava uma expressão ligeiramente surpresa.
“Oh, é mesmo? O que vocês dois trouxeram?”
Ayaka olhou para as sacolas que Haruto e Saki estavam segurando nas mãos.
“Eu? Bom, veja, são bananas. Podemos grelhar depois, colocar chocolate e comermos juntos.”
“Uau! Isso parece delicioso! E você, Haruto-kun?”
“Eu trouxe fogos de artif—”
“Onii-chan!”
No meio da frase de Haruto, Ryota correu em direção à entrada vindo da sala de estar com uma velocidade incrível.
No meio do corredor, ele também percebeu Saki ao lado de Haruto, e sua expressão se iluminou ainda mais.
“Uaaah!! Saki Onee-chan!!”
“Ryota~! Há quanto tempo~!”
Saki se agachou para receber o Ryota que vinha correndo e bagunçou seu cabelo.
“Não é que você cresceu desde a última vez que eu te vi?”
“De verdade?! Eu cresci?”
Para Ryota, cujos olhos brilhavam, Saki assentiu repetidamente, dizendo: “Sim, sim, você cresceu, cresceu.”
Ryota, animado pelas palavras de Saki, olhou para a sacola que Haruto segurava.
“Onii-chan, o que é isso?”
“São fogos de artifício. Aqui.”
Quando Haruto mostrou o interior da ecobag para ele, a alegria de Ryota explodiu.
“Ebaa!! Fogos de artifício!! Nee-chan, são fogos de artifício!! Podemos brincar com fogos de artifício todos juntos!!”
“Isso é ótimo, Ryota. Agora agradeça ao Haruto-kun direitinho.”
“Tá bom!! Obrigado, Onii-chan!”
“De nada. Vamos brincar juntos mais tarde.”
“Tá bom! Vou contar pro papai e pra mamãe que o Onii-chan trouxe fogos de artifício!”
Dizendo isso, Ryota correu de volta para a sala com uma velocidade impressionante.
Saki riu de forma divertida da recepção avassaladora de Ryota.
“Ryota ainda é cheio de energia quando está com pessoas com quem está acostumado, né?”
“Né? Mas quando tem alguém que ele não conhece por perto, ele fica completamente quieto, parece até outra pessoa.”
“Huh? O Ryota-kun é talvez tímido?”
Haruto ficou um pouco surpreso com as palavras de Ayaka.
Na mente de Haruto, Ryota sempre parecia cheio de energia, e a ideia dele ser tímido não combinava muito.
Quando Haruto conheceu Ryota pela primeira vez, houve um incidente em que ele foi confundido com um ladrão, e embora naturalmente houvesse alguma cautela, eles rapidamente se deram bem e viraram amigos na segunda visita do serviço doméstico.
Então Haruto tinha assumido que ele era assim com todo mundo, mas parecia que não era o caso.
Ayaka soltou um sorriso divertido diante da surpresa de Haruto.
“Não é nada sério, mas se for para definir, o Ryota é do tipo tímido.”
“Oh, entendi. Era isso então.”
“Por isso eu fiquei um pouco surpresa quando ele se apegou ao Haruto-kun tão rápido.”
“Ōtsuki-kun, você é misteriosamente do tipo que as crianças gostam?”
Saki disse, olhando para Haruto com um pouco de interesse. Em resposta, ele inclinou ligeiramente a cabeça e respondeu:
“Não... acho que não é exatamente isso.”
“Tipo, você já foi cercado por crianças de pré-escola sem perceber quando vai a uma loja de doces baratos?”
“Eu nunca vivi uma situação dessas.”
“Ou, quando você vai a um shopping grande, sempre encontra uma criança perdida e leva ela até o achados e perdidos?”
“Isso não tem nada a ver com ser popular com crianças, né?”
“Hm? Ah, é verdade. Bom, acho que o Ōtsuki-kun só aconteceu de ser um ‘matador de Ryotas’.”
Saki inclinou a cabeça por um momento, pensando, mas logo desistiu e chegou a essa conclusão sozinha.
“Ficar parados conversando na entrada não é tão bom, podemos entrar?”
“Oh, sim. Por favor.”
Depois de receber permissão de Ayaka, Saki tirou seus sapatos e entrou, indo em direção à sala de estar.
Talvez por já ter ido a essa casa muitas vezes, seus passos não mostravam qualquer hesitação.
“Haruto-kun, por favor, entre também.”
“Sim, com licença.”
Haruto também tirou os sapatos e estava prestes a passar por Ayaka para ir à sala de estar.
No entanto, quando tentou passar por ela, Ayaka beliscou levemente a manga do seu braço.
“Hm?”
Haruto, cuja manga estava presa, virou seu olhar para Ayaka.
“Com a Saki... você usou uma fala amigável desde o começo, não foi?”
Ayaka disse isso, fazendo um pequeno biquinho e parecendo um pouco emburrada.
Vendo aquela expressão, que ele não via com muita frequência, o coração de Haruto deu um salto.
“...Huh?”
Haruto ficou sem palavras, sem saber como responder ao comentário inesperado de Ayaka.
Vendo Haruto parecer confuso, Ayaka arregalou os olhos, então rapidamente soltou a manga dele.
“D-Desculpa! Esquece isso! Esquece!”
“Hã? Mas...”
“Desculpa por dizer algo estranho! Você não precisa se preocupar com isso! É, sério, não precisa. Por favor, esquece...”
Falando rapidamente, Ayaka correu em direção à sala de estar com passos rápidos, com o rosto voltado para baixo.
Haruto ficou parado no corredor, encarando sem reação as costas de Ayaka enquanto ela se afastava.
“...Huh? Aquilo foi... talvez ciúmes?”
No momento em que murmurou isso, Haruto sentiu seu coração bater forte.
No caso de Ayaka, quase não havia contato na escola, e a primeira vez que conversaram de verdade foi por causa do trabalho de serviços domésticos. Por isso, ele usou fala mais formal no começo.
Em contraste, ele tinha um certo nível de interação com Saki como colega de classe desde o início, então usou um tom mais amigável desde o começo. No entanto, parecia que Ayaka não havia gostado disso.
Por que será...?
Pensando no motivo, Haruto lutava para conter o impulso natural de deixar os cantos da boca levantarem.
“Será que estou interpretando isso de forma conveniente demais?”
Haruto perguntou a si mesmo.
No entanto, não havia resposta para isso, e ele caminhou lentamente em direção à sala de estar.
Se isso for realmente ciúmes...
Pensando nisso, Haruto entrou na sala de estar, onde Ayaka, Saki e Ikue conversavam alegremente.
“Quanto tempo, Saki-chan~”
“Faz tempo! Ikue-Mama, você continua tão bonita!”
“Oh! Ela disse isso, Ayaka.”
“Isso é bom, mãe.”
Haruto espiou a expressão de Ayaka, mas ela parecia a mesma de sempre.
“Oh, Ōtsuki-kun, seja bem-vindo. Você trouxe fogos de artifício, não foi? Obrigada.”
“Imagina.”
Ikue, percebendo Haruto entrando na sala, sorriu para ele.
“O Shuichi está preparando o fogo no jardim agora, então fique à vontade até lá.”
“Oh, nesse caso, posso ajudar com o fogo.”
“Oh, não, tudo bem. Você, Ōtsuki-kun, é nosso convidado hoje, então relaxe, por favor.”
“Na verdade, eu gosto de acender fogo.”
“Oh, é mesmo? Ōtsuki-kun, você é bem jovial, não é? Então vou pedir sua ajuda.”
Ikue riu e disse: “O Ryota também está grudado na churrasqueira.”
Ao sair da sala para o jardim, viram Shuichi abanando ar para a churrasqueira com um leque, e Ryota assistindo animado ao seu lado.
“Oh! Bem-vindo, Ōtsuki-kun!”
Talvez por estar abanando o carvão há um tempo, Shuichi, com o rosto levemente vermelho, enxugou o suor da testa com uma das mãos e o cumprimentou.
“Obrigado por me convidar hoje.”
“A Saki-chan também veio, hein? É mais divertido com mais gente.”
Shuichi disse alegremente, tendo visto Saki na sala.
“Papai, a parte vermelha do carvão ficou menor?”
“Opa.”
Para Shuichi, que voltou a abanar depois do comentário de Ryota, Haruto ofereceu ajuda.
“Shuichi-san, posso assumir a parte de acender o fogo.”
Para Haruto, que ofereceu com um sorriso, Shuichi balançou a mão.
“Você é convidado hoje, então pode relaxar até o churrasco começar.”
“Não, eu gosto de acender fogo.”
Para Shuichi, que disse exatamente a mesma coisa que Ikue, Haruto respondeu com as mesmas palavras de antes.
“Oh? É mesmo? Então vou aceitar sua oferta e deixar você assumir um pouco?”
Dizendo isso, Shuichi entregou o leque que estava segurando para Haruto e tomou um grande gole da bebida colocada sobre a mesa dobrável ao lado da churrasqueira.
Por um momento, Haruto ficou atento, pensando que o líquido marrom que ele bebeu era cerveja.
Ele se lembrou do outro dia, quando Shuichi bebeu álcool, ficou incrivelmente animado e falou sobre planos de casamento com Ayaka.
“Ahh~, chá de cevada gelado quando você está com sede é outra coisa.”
No entanto, ao perceber que era apenas chá, Haruto soltou um suspiro de alívio.
Com o leque que recebeu de Shuichi, Haruto soprou suavemente ar pelas brechas entre os carvões.
Aos poucos, o fogo se espalhou pelo carvão.
“Ah! Onii-chan! O carvão está ficando mais vermelho!”
“Certo, Ryota-kun, você pode se afastar da churrasqueira por um momento?”
Com as palavras de Haruto, Ryota assentiu honestamente com um “Okay” e recuou alguns passos, criando distância da churrasqueira.
Confirmando que Ryota estava em segurança e que não havia nada por perto que pudesse pegar fogo, Haruto repentinamente transformou o movimento suave do leque em algo muito mais vigoroso, enviando uma rajada forte de vento.
Instantaneamente, chamas subiram dos carvões empilhados com um BOOM!, e faíscas voaram com um som crepitante.
“Uau!! É como fogos de artifício!”
“Hmm hmm, acender fogo é realmente o romance de um homem.”
Os olhos de Ryota brilhavam ao lado de Shuichi, que estava de braços cruzados, assentindo repetidamente e dizendo animado: “Incrível!”
“Ryota-kun, você poderia pegar alguns pedaços novos de carvão naquela caixa ali?”
“Okay! Hm, pequenos? Grandes?”
“Eu quero os grandes.”
Quando Haruto disse isso, Ryota examinou cuidadosamente os carvões na caixa com olhos sérios.
Ele devia estar ansioso para ajudar a acender o fogo. Ao ver o olhar sério de Ryota, Haruto sentiu algo quente dentro de si, e um sorriso surgiu naturalmente em seu rosto.
“Aqui, Onii-chan! Esse serve?”
“Sim, obrigado.”
Ryota parecia orgulhoso com o agradecimento de Haruto.
Depois de confirmar que o carvão estava suficientemente aceso, Haruto separou os carvões empilhados e espalhou as brasas quentes e brancas por toda a churrasqueira. Em seguida, colocou por cima os novos pedaços de carvão que Ryota havia trazido.
“Parece bom. Vamos trazer os ingredientes agora.”
Shuichi, que tinha espiado dentro da churrasqueira, disse isso e voltou em direção à sala por um momento.
“Mãe, o fogo está pronto, você poderia trazer os ingredientes?”
“Okay. Ayaka e Saki-chan, poderiam ajudar também?”
“Sim! Os ingredientes estão na geladeira?”
Saki, chamada por Ikue, respondeu cheia de energia.
“Sim. Tem alguns no freezer também.”
“Entendido~”
Imediatamente, Saki foi até a geladeira, abriu a porta e soltou um suspiro de admiração.
“Ooh! Tanta carne!!”
“Nós preparamos mais do que o usual porque o Ōtsuki-kun e a Saki-chan estão presentes.”
Os olhos de Saki brilharam enquanto ela tirava bandejas cheias de carne.
“Carne bovina!! Tanta carne bovina!!”
Como esperado de uma casa onde ambos os pais trabalham e são gerentes de empresa, os ingredientes preparados na casa dos Tōjō brilhavam como joias aos olhos de Saki, que era uma plebeia.
“Parece que eles realmente capricharam e gastaram bastante nas comidas desta vez.”
Ayaka disse isso à sua melhor amiga, que parecia prestes a babar.
“O Pai ficou animado porque vocês estavam vindo, dizendo que faria algo mais luxuoso que o normal.”
“O Shuichi-san é seriamente incrível!”
Ayaka, junto com Saki, que parecia radiante, levou os ingredientes do churrasco para o quintal.
As bandejas com ingredientes foram alinhadas uma após a outra na mesa dobrável. Ao ver isso, Haruto, que estava cuidando do fogo com Ryota, arregalou os olhos.
“Incrível... tanta carne bovina...”
Haruto mostrou a mesma reação de plebeu que Saki.
Ao ver sua reação, Ayaka deu uma risadinha suave.
“Haruto-kun, tem bastante, então não precisa se segurar, coma bastante.”
“U-Uhm... mas isso é... tão avançado...?”
Haruto se sentiu um pouco sobrecarregado pela carne cara com marmorização linda na sua frente.
Para ele, Shuichi enfatizou:
“Como Ayaka disse, não precisa se segurar, okay? Nós gastamos para que todos se divirtam.”
“Sim, senhor, Shuichi-san! Eu vou comer bastante!”
Saki, que conhecia Shuichi há mais tempo que Haruto, parecia familiarizada com seu jeito e respondeu fazendo uma pose de continência.
Seguindo seu exemplo, Haruto também inclinou a cabeça e disse: “Muito obrigado.”
“Temos legumes também, então comam isso também.”
Dizendo isso, Ikue entrou no jardim segurando uma bandeja de legumes como abóbora, cebola, batata e berinjela.
Quando todos se reuniram no jardim, Shuichi tomou a liderança para começar o churrasco.
“Certo, todos estão aqui. Então vamos começar. Mas antes disso, Ōtsuki-kun, pode me dar uma mão?”
“Sim, claro.”
Shuichi e Haruto trabalharam juntos para montar mesas e cadeiras ao redor da churrasqueira.
“Eu vou sentar ao lado do Onii-chan!”
Ryota puxou a mão de Haruto e sentou-se na mesa montada.
“Heh~, Ryota, você realmente gosta do Ōtsuki-kun.”
“Sim!”
Saki olhou para os dois com diversão e tomou seu lugar na mesa. Ayaka também se sentou ao lado dela.
“Ayaka, seu irmãozinho fofo está sendo roubado pelo Ōtsuki-kun?”
“Bem, é o Haruto-kun, então não tem o que fazer.”
Ayaka respondeu às palavras da melhor amiga com um sorriso torto.
Então Saki abriu um sorriso e disse a Haruto com um leve tom de provocação:
“Ōtsuki-kun, você é um homem pecaminoso por encantar os irmãos Tōjō desse jeito.”
“Hã?”
Haruto, que estava totalmente concentrado nos ingredientes caros à sua frente, virou-se para Saki com um rosto confuso.
Para ele, Saki estava prestes a dizer algo com um sorriso malicioso, mas Ayaka a interrompeu antes que pudesse.
“Ei, Saki...”
“Oh? Ayaka, seu rosto está vermelho?”
“É-É porque a Saki...”
Para Ayaka, que estava corada e murmurando algo em resposta, Saki tinha uma expressão extremamente divertida.
Nesse momento, Shuichi, que havia confirmado que todos estavam sentados, falou.
“Todos, vamos pegar nossas bebidas e fazer um brinde.”
“Okay pessoal, peguem o que quiserem.”
Ikue alinhou várias garrafas de suco na mesa.
“O que você vai beber, Ryota-kun?”
“Suco de laranja!”
Enquanto Haruto servia suco de laranja no copo de Ryota, Saki pegou suco de maçã e serviu no seu próprio copo.
“O que você vai beber, Ayaka?”
Saki levantou um pouco o suco de maçã que segurava e perguntou: “Esse aqui?”
“Uh, o que o Haruto-kun vai beber?”
Ayaka hesitou por um momento, então olhou para Haruto, que estava justamente entregando o copo de suco de laranja para Ryota.
“Acho que vou de ginger ale.”
“Okay, então eu vou tomar o mesmo.”
[Del: Bebida de gengibre, Schweppes é um tipo de ginger ale.]
Dizendo isso, Ayaka serviu ginger ale no próprio copo e depois serviu o mesmo no copo de Haruto.
“Obrigado.”
“De nada.”
Vendo os dois interagindo daquela forma, Saki colocou a mão no queixo e disse: “Ho ho.”
“Essa troca agora, parece uma esposa servindo bebida para o marido durante o drink da noite.”
“Ei, Saki, não diga coisas estranhas.”
“Desculpa, desculpa, não consegui evitar.”
“Todo mundo pegou sua bebida?”
Shuichi, que tinha confirmado que todos estavam com uma bebida na mão, levantou o copo contendo sua cerveja.
“Certo, vamos comer e nos divertir ao máximo esta noite! Saúde!!”
Quando Shuichi disse isso, todos também levantaram seus copos e disseram “““Saúde!”””, e assim começou o churrasco da família Tōjō.
Os alimentos dispostos diante deles eram todos de primeira classe e luxuosos. Para Haruto, um plebeu, aquilo parecia verdadeiramente extravagante.
“Essa não é a espessura de língua que eu conheço... E é língua bovina...”
Quanto custa só uma fatia disso?
Haruto, que sentiu seu corpo tremer só de imaginar, segurou cuidadosamente a língua bovina extra-espessa com a pinça e a colocou suavemente na grelha.
Instantaneamente, um chiado maravilhosamente apetitoso chegou aos seus ouvidos.
“Ōtsuki-kun, tem suco de limão aqui, então fique à vontade para usar.”
“Ah, sim. Muito obrigado.”
Ikue colocou o suco de limão na frente de Haruto.
“Ayaka-san e Aizawa-san, vocês também querem?”
Haruto, que havia colocado suco de limão em seus pratinhos e no de Ryota, perguntou.
“Sim, eu quero.”
Ayaka assentiu, e Haruto entregou o suco de limão para ela, então imediatamente voltou seu olhar para a língua bovina extra-espessa na grelha.
Ayaka não pôde deixar de sorrir ao vê-lo encarando intensamente a língua extra-espessa com uma expressão séria.
“Haruto-kun, você está realmente sério.”
“Eu não quero queimar uma carne tão boa.”
“Eu sei~, poder ter um churrasco tão luxuoso assim, acho que vale a pena ter amigos burgueses.”
Saki concordou com Haruto, seus olhos brilhando para a carne sendo grelhada.
“Hã~, então Saki, você não teria sido minha amiga se eu fosse pobre?”
“Claro!”
Para Saki, que respondeu imediatamente com um joinha, Ayaka disse “Poxa!” e deu um tapinha leve no ombro da melhor amiga.
Ayaka, que entendia perfeitamente que as palavras de Saki eram uma brincadeira, inflou as bochechas.
“Não vou mais falar com você, Saki.”
“Waaah~ Não diga coisas tão tristes, Ayaka~ Somos melhores amigas para sempre, né?”
Saki, também sabendo que Ayaka não estava genuinamente emburrada, disse isso enquanto se agarrava a ela com uma expressão despreocupada.
Em resposta, Ayaka disse “Não me importo mais” e virou o rosto com as bochechas estufadas.
“Ōtsuki-kun, a Ayaka está emburrada. Pode animá-la?”
“Hã? Eu?”
Haruto, que até então estava concentrado intensamente no ponto de cozimento da língua extra-grossa, mostrou uma expressão confusa ao ser de repente envolvido na conversa.
“Sim, sim, se o Ōtsuki-kun fizer um carinho suave na cabeça dela, a Ayaka vai ficar de bom humor na hora. Por favor.”
“Uh, bem... aqui não...”
Uma coisa era durante os treinos de namorados no quarto da Ayaka, mas agora Ryota, Ikue e Shuichi estavam presentes.
Se ele fizesse um cafuné nela naquela situação, ele não fazia ideia do que poderiam dizer.
Haruto olhou de relance para o conteúdo do copo na mão de Shuichi. Um líquido dourado com espuma cremosa por cima. Aquilo era definitivamente cerveja.
Se Shuichi, que estava de bom humor por causa do álcool, visse Haruto acariciando a cabeça da Ayaka, havia até a possibilidade de ele ir buscar um formulário de registro de casamento na prefeitura ali mesmo.
Além disso, Haruto espiou a reação de Ayaka, imaginando se ela não ficaria desconfortável com algo tão embaraçoso quanto receber um cafuné.
“...Eu talvez fique de bom humor...”
Ayaka, que cruzou o olhar com Haruto, murmurou baixinho.
N-n-não! O que você está dizendo, Ayaka-san!?
Haruto gritou internamente em desespero.
No entanto, como se não percebesse sua confusão interna, Ayaka olhava diretamente para Haruto com olhos esperançosos. Talvez para facilitar que ele acariciasse sua cabeça, ela parecia estar inclinando a cabeça levemente para o lado dele.
Atrás de Ayaka, Saki — a causadora de tudo — observava os dois com um sorriso radiante.
“............”
Haruto olhou para Shuichi e Ikue.
Shuichi estava alegremente bebendo cerveja, e Ikue estava grelhando cebolas enquanto dizia para Ryota: “Certifique-se de comer seus legumes também.”
Após pensar por alguns segundos, vendo Ayaka ainda olhando para ele com expectativa, Haruto lentamente estendeu a mão em direção à cabeça dela.
“Você está com cinzas na cabeça.”
Dizendo isso, Haruto rapidamente passou a mão como se estivesse tirando cinzas do cabelo dela.
“...Ah, obrigada.”
Ayaka corou quando ele tocou sua cabeça, e ao ver isso, Saki abriu um sorrisinho malandro.
“A Ayaka fica de bom humor instantaneamente, hein? Como esperado do Ōtsuki-kun. Um homem competente é diferente mesmo.”
“Eu realmente não entendo o que a Aizawa-san quer dizer...”
Haruto, claramente bastante envergonhado, disse isso desviando o olhar rapidamente.
“Onii-chan, essa carne já não está pronta?”
“Hm? Ah! A língua cara!”
Com as palavras de Ryota, Haruto virou o rosto rapidamente para a grelha e tirou depressa a língua extra-grossa do calor.
“Foi por pouco, quase passei do ponto... Obrigado por avisar, Ryota-kun.”
Dizendo isso, Haruto afagou a cabeça de Ryota, e ele fez uma cara realmente feliz, dizendo “Ehehe.”
Haruto mergulhou a língua grelhada no limão e a levou lentamente à boca.
Instantaneamente, os olhos de Haruto se arregalaram.
A mastigação agradável típica da língua, o sabor que se espalhava por sua boca e o umami que sentia a cada mordida. No entanto, não havia nenhuma gordura persistente, e a acidez do limão servia como um ótimo acento, permitindo que ele comesse de forma refrescante.
“Isto é... bom demais...”
Haruto ficou sem palavras diante de tanta delícia. Para ele, Shuichi alegremente recomendou outras carnes.
“Coma bastante, Ōtsuki-kun! Olha, comprei kalbi (costela) também, e tem lombo.”
Dizendo isso, Shuichi colocava pedaços de carne na grelha um após o outro.
Haruto, decidido a não queimar carnes tão boas, rapidamente movia os pedaços prontos para os pratos.
“Ryota-kun, quer kalbi?”
“Quero! Vou comer!”
Haruto serviu uma porção para si e também para Ryota, colocando na placa dele.
“Está uma delícia, Onii-chan.”
“Está mesmo, absolutamente delicioso.”
Haruto e Ryota mastigavam a carne sorrindo.
O kalbi bovino grelhado no carvão, no momento em que entrava na boca, liberava um aroma perfumado que subia pelo nariz, e conforme mastigava, uma enxurrada de umami dos sucos da carne se espalhava pela língua de Haruto.
Ele imediatamente colocou arroz branco na boca.
A gordura e o molho do kalbi se misturavam ao arroz, e a cada mastigada, uma sensação de felicidade se espalhava pela boca de Haruto.
“Ōtsuki-kun, tem mais arroz se quiser.”
“Ah, sim. Obrigado.”
O kalbi estava tão delicioso que Haruto acabou comendo mais arroz do que pensava.
Ele inclinou a cabeça rapidamente, um pouco envergonhado de Ikue ter visto.
“Shuichi-san, posso grelhar essas vieiras?”
(Moluscos marinhos em concha)
Ao lado dele, Saki segurava uma bandeja com vieiras enormes e perguntava a Shuichi.
“Claro, Saki-chan. Grelhe o quanto quiser.”
“Sim, senhor!”
Imediatamente, ela colocou as vieiras na grelha, animada.
Ao lado dela, Ayaka olhou para Haruto.
“Haruto-kun, quer alguns shiitakes se eu grelhar?”
“Oh, que shiitakes grossos. Por favor, quero sim.”
“Nee-chan, eu também quero!”
“Tá, tá. Então vou grelhar bastante.”
Ayaka colocou os shiitakes ao lado das vieiras.
Depois de um tempo, as vieiras começaram a abrir, e o caldo começou a borbulhar. E os shiitakes também ficaram úmidos na parte do chapéu, liberando aquele aroma característico e maravilhoso.
“As vieiras parecem boas~, acho que é hora de colocar isso.”
Saki abriu uma vieira e colocou manteiga por cima.
“Uoooh~, que visão maravilhosa~”
Ao ver as vieiras grelhando com o caldo e a manteiga derretida, o nível de empolgação de Saki subiu ainda mais.
“Um pouco de shoyu aqui.”
Com um chiado, o aroma perfumado do shoyu queimando misturado à riqueza da manteiga fez cócegas suaves no nariz de Haruto.
“Saki, coloca um pouco de shoyu nesses também?”
“Okay~”
Acenando para Ayaka, Saki colocou shoyu também nos shiitakes.
Haruto não pôde evitar engolir em seco diante dos shiitakes, que exalavam um aroma diferente, mas igualmente tentador ao das vieiras misturadas ao cheiro do mar.
Para ele, Ayaka fez uma sugestão ainda mais tentadora.
“Haruto-kun, quer queijo por cima?”
Dizendo isso, Ayaka levantou um pouco do queijo derretido para que ele visse bem.
“Que combinação assustadora... Por favor, sim.”
“Nee-chan, queijo pra mim também!!”
Haruto inclinou a cabeça educadamente e com cuidado, enquanto Ryota pedia animado, levantando a mão.
Ayaka soltou uma risadinha e colocou o queijo sobre os shiitakes. Nesse momento, Saki ao lado anunciou, radiante, que as vieiras estavam prontas.
“Pronto! Quem quer vieira?”
Quando Saki disse isso, todos levantaram a mão ao mesmo tempo.
Haruto recebeu uma vieira no prato, aproximou um pouco do nariz para apreciar o aroma e então colocou a vieira grande na boca.
“Quente! Quente! Ho-ho, deliciosa!”
O momento em que mordeu, uma doçura rica transbordou da carne firme, porém macia, da vieira.
Haruto imediatamente bebeu o caldo dentro da concha.
Embora quente o suficiente para queimar, o sabor profundo do shoyu e da manteiga, misturado ao caldo do marisco, escorreu por sua boca, onde a doçura da vieira ainda persistia fortemente — e parecia que quanto mais ele mastigava, mais saboroso ficava.
“Incrível...”
Haruto murmurou.
À sua frente, Shuichi também segurou a concha, bebeu o caldo e então virou a cerveja com um gole longo.
“Haah! Isso é irresistível.”
Shuichi disse, de ótimo humor, o rosto um pouco vermelho.
Todos também sorriam enquanto saboreavam as vieiras.
“Ah, é mesmo! Ayaka, vamos tirar uma foto juntas.”
Como se tivesse acabado de lembrar, Saki pegou o smartphone e começou a tirar selfies com Ayaka.
“Ayaka, levanta o prato um pouco mais para aparecer a comida grelhada, isso, assim mesmo! Tirando a foto~”
Saki tirou várias fotos animada.
Depois de algumas fotos, ela virou a câmera para Haruto.
“Certo Ryota, chega mais perto do Ōtsuki-kun.”
“Nnn? Assim?”
Com a instrução de Saki, Ryota se aproximou de Haruto sem hesitar.
“Perfeito! Diga xis!”
Como foi meio de surpresa, Haruto estava completamente focado na vieira.
“Ahahaha! Olha a cara do Ōtsuki-kun! Ele está totalmente hipnotizado pela vieira!”
“Ei, Aizawa-san, tirar foto de surpresa é injusto.”
Para Saki, que ria da foto, Haruto protestou com um sorriso torto.
“Então, Ōtsuki-kun, pode tirar uma foto nossa também, tá?”
Dizendo isso, Saki abraçou Ayaka e olhou para Haruto.
“Vamos, Ōtsuki-san, é sua chance de tirar uma two-shot com duas colegiais.”
“Ah, espera, meu cabelo...”
Ayaka, abraçada pela empolgada Saki, tentou ajeitar o cabelo às pressas com os dedos.
“Hum, pode tirar.”
“Viu? Até a Ayaka disse.”
Saki o incentivou, fazendo um sinal de paz para Haruto.
“Tá bom, só uma.”
Dizendo isso, Haruto tirou uma foto de Ayaka e Saki com seu smartphone.
“Tirou? Deixa eu ver, deixa eu ver.”
Com as palavras de Saki, Haruto mostrou a tela dizendo: “Assim.”
Saki sorria radiante, abraçando Ayaka, enquanto Ayaka olhava um pouco envergonhada e para cima.
“Oh, ficou ótimo, né? Você pode até colocar como papel de parede, Ōtsuki-kun?”
“Não, acho que não poderia fazer isso...”
“Mas essa Ayaka está super fofa, né? Né, Ōtsuki-kun?”
“Bem... eu admito.”
“Viu~, Ayaka?”
Com isso, Saki deu tapinhas no ombro da amiga, e Ayaka corou.
“Certo! Agora é a vez de um two-shot do Ōtsuki-kun e da Ayaka! Vamos Ayaka, fica ao lado do Ōtsuki-kun.”
Dizendo isso, Saki empurrou a cintura de Ayaka, fazendo-a colar em Haruto.
“Ei, espera, Saki!?”
“Vai, vai, mais perto! Assim não cabe na foto. Ōtsuki-kun, coloque o braço no ombro da Ayaka e abrace ela.”
“N-n-não, Aizawa-san!? Isso é repentino demais!”
“Oh! Oportunidade de foto!!”
Empurrados por Saki, Haruto e Ayaka acabaram em uma posição meio grudada.
Pegos completamente de surpresa, os dois ficaram nervosos e confusos. Saki não perdeu o momento e tirou a foto.
“Oh-ho~, esse estado atrapalhado... ótimo, ótimo.”
Olhando para a foto recém-tirada, Saki assentiu várias vezes com um sorriso malandro.
“S-Saki, sinceramente... me manda essa foto depois...”
Ayaka voltou ao assento que estava ao lado de Haruto, fazendo bico em protesto, mas também pedindo a foto dela com Haruto. Saki sorriu para ela.

“Não... eu não vou fazer isso... mas obrigado.”
Às palavras de Saki, Haruto também agradeceu a Saki, embora estivesse envergonhado.
Haruto e Ayaka pareciam envergonhados um com o outro. Para aliviar a atmosfera, Ayaka olhou para os cogumelos shiitake que estava grelhando.
“Ah, os cogumelos shiitake estão prontos. Aqui, Haruto-kun. Ryota, me dê seu prato também.”
Saki abriu um sorriso para Ayaka, que estava servindo os cogumelos shiitake grelhados.
Nesse momento, Shuichi, segurando uma cerveja, falou com Haruto como se tivesse acabado de se lembrar de algo.
“Falando nisso, Ōtsuki-kun. Você disse que gostava de acender fogueiras mais cedo, você gosta de acampar?”
“Sim, é isso mesmo. Eu não fiz muito acampamento com pernoite, mas eu gosto desse tipo de coisa.”
Haruto, que estava apreciando os cogumelos shiitake recém-grelhados, parou as mãos diante da pergunta de Shuichi.
“Oh! É mesmo! Na verdade, estamos planejando ir acampar em família na próxima semana, que tal você vir junto, Ōtsuki-kun?”
“Huh? Eu realmente posso ir com vocês?”
“Claro! Saki-chan, que tal você também se quiser?”
Shuichi também direcionou a conversa para Saki.
“Eu também posso ir mesmo!?”
Para Saki, que mostrou uma reação levemente surpresa, Ayaka disse, “Vamos acampar juntas.”
Às palavras de Ayaka, Saki levantou a mão rapidamente.
“Sim, sim! Eu adoraria participar!”
“Ótimo. Então está decidido que vocês dois vão participar!”
“Muito obrigado. Hum, estou ansioso por isso.”
Haruto inclinou a cabeça enquanto dizia isso. Ryota, que estava sentado ao lado dele, parecia radiante.
“Onii-chan e Saki Onee-chan vão acampar também?”
“Sim, estou ansioso por isso, Ryota-kun.”
Para Haruto, que disse isso com um sorriso, Ryota levantou ambas as mãos e comemorou com um “Eba!”.
Traduzido por Moonlight Valley
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