Volume 2
Capítulo 2: Parque Floresta dos Animais
Ōtsuki Haruto
Na véspera de ir ao parque, Haruto estava trabalhando diligentemente em seu trabalho de meio período de ajuda com tarefas domésticas na residência da família Tōjō, como de costume. Ele estava procedendo com a limpeza da área da cozinha, que era o pedido de hoje. Foi então que Ikue, que estava em teletrabalho, falou com ele.
“Falando nisso, você vai fazer compras com a Ayaka hoje para os ingredientes do bento de amanhã, não é?”
“Ah, sim.”
“Nesse caso, você não precisa fazer muita limpeza hoje, então, por favor, passe bastante tempo fazendo compras com a Ayaka, só vocês dois. Aqui, este é o dinheiro para as compras.”
“Ah, não! Eu não poderia aceitar tanto assim!”
Haruto abanou a mão, recusando as notas que Ikue estendia.
“Amanhã eu vou como amigo da Ayaka-san, não para ajuda doméstica, então eu estava planejando dividir o custo dos ingredientes do bento...”
“Não se preocupe com isso. Você vai levar o Ryota para brincar, afinal. Por favor, deixe que nós, como pais, façamos pelo menos isso.”
Dizendo isso, Ikue pegou a mão de Haruto, que estava recuando, e pressionou o dinheiro em sua palma.
“Por favor, Ōtsuki-kun?”
Inclinando a cabeça de maneira fofa e olhando para cima. Embora fosse uma mulher adulta, seu gesto ligeiramente infantil e adorável, combinado com a própria beleza de Ikue, fez Haruto corar involuntariamente e desviar o olhar.
“Ugm... sim. Entendido.”
“Ufu, obrigada, Ōtsuki-kun.”
Haruto assentiu, incapaz de olhar diretamente para Ikue, seu olhar ainda desviado. Ao ver a reação dele, ela exibiu uma expressão calorosa e divertida.
Nesse momento, Ayaka, que estava fazendo sua lição de casa de verão em seu quarto, entrou na sala de estar.
“Ei, Mãe, onde está o grafite do meu lápis mecânico... espera, Mãe?!”
A filha, que tinha vindo perguntar algo para sua mãe, correu entre Haruto e Ikue em um estado de afobação.
“Por que você está de mãos dadas com o Ōtsuki-kun?!”
Vendo o estado meio em pânico e ansioso da filha, Ikue sorriu maliciosamente.
“Ah, nossa, que drama é esse? Eu só estava entregando o dinheiro das compras ao Ōtsuki-kun.”
“Então entregue normalmente para ele! Sério! O Ōtsuki-kun está com cara de incomodado, solte a mão dele logo!”
“Oh? Foi desagradável ter esta senhora velha segurando sua mão? Desculpe.”
Dizendo isso, Ikue soltou a mão de Haruto que havia estado segurando. Ele, por sua vez, respondeu brevemente, abaixando levemente a cabeça: “Não... está tudo bem.”
Vendo a reação de Haruto, Ayaka lançou um olhar afiado para sua mãe.
“Mãe, você tem uma reunião remota agora, não tem? Se não se preparar logo, vai se atrasar para a reunião!”
Dizendo isso, Ayaka empurrou as costas de Ikue, tentando afastá-la de Haruto.
“Faltam ainda trinta minutos para a reunião, então não precisa se apressar tanto.”
“Você é a presidente, então absolutamente não pode se atrasar, certo? Vamos, rápido, rápido!”
“Oh, céus, tudo bem. Então, Ōtsuki-kun, deixo as coisas com você.”
Sendo empurrada para frente por Ayaka, Ikue virou-se ligeiramente e acenou para Haruto. Então ela foi empurrada ainda mais forte por Ayaka.
Ikue sorriu gentilmente, percebendo como a reação da filha estava mudando sutilmente em comparação à época em que Haruto começou o trabalho de ajuda doméstica, e sussurrou algo em voz baixa que Haruto não conseguiu ouvir. Talvez por causa daquele sussurro, as orelhas de Ayaka ficaram vermelhas, mas ela continuou empurrando as costas da mãe com toda a força.
✦ ✦ ✦
Como Ikue havia instruído mais cedo, Haruto terminou rapidamente uma limpeza leve da residência da família Tōjō e se preparou para ir às compras. Ayaka também começou a se preparar para sair. Ryota, que estava assistindo a um vídeo de Super Sentai na TV da sala de estar, aproximou-se de Haruto como de costume, dizendo que queria ir às compras com eles.
“Compras? Eu também vou!”
Haruto não tinha motivo para recusar, então sorriu e estava prestes a assentir para Ryota.
No entanto, Ayaka falou primeiro.
“Desta vez, não. Ryota, você vai ficar em casa.”
“Huh? Por que não?”
Ryota fez biquinho e olhou descontente para as palavras da irmã.
“Desta vez talvez compremos muitas coisas, e eu vou discutir várias coisas com o Ōtsuki-kun enquanto fazemos compras, então o Ryota vai ficar em casa. Entendeu?”
“De jeito nenhum! Eu também quero ir!”
“Não, você não pode. Por favor, escute sua Onee-chan desta vez? Tá bom?”
Ayaka se ajoelhou na frente de Ryota, colocando-se no mesmo nível de seus olhos, e implorou a ele. Apesar do pedido da irmã, a expressão descontente de Ryota não mudou.
“Você só está dizendo isso porque quer ficar com o Onii-chan só para você!”
“E-eu não estou! Não é isso. Desta vez precisamos discutir sobre o bento enquanto nós—”
“Você gosta do Onii-chan, então quer ficar com ele, né! Eu estou atrapalhando!”
“N-não é isso! Ryota, escuta? Eu não estou especificamente...”
“Mas eu gosto do Onii-chan também...”
Dizendo isso, Ryota fez biquinho e olhou para baixo.
“Hum, Tōjō-san.”
Sem conseguir assistir à cena por mais tempo, Haruto falou com Ayaka, e ela começou a falar apressadamente.
“Ah, Ōtsuki-kun, hum! N-não, eu não quero particularmente ficar com você só para mim, ou nada assim, e o Ryota está dizendo ‘gostar’ por conta própria...”
“Não, eu fico feliz que o Ryota-kun goste de mim também”, disse Haruto com um sorriso sem graça, o que deixou Ayaka com uma expressão ainda mais problemática.
Independentemente dos verdadeiros sentimentos de Ayaka, a ida às compras desta vez provavelmente envolveria comprar muitas coisas, como ela acabara de dizer, e eles planejavam discutir o conteúdo do bento enquanto faziam compras. Portanto, era realmente verdade que seria mais fácil fazer compras sem o Ryota. No entanto, ver o rosto emburrado de Ryota fazia um sentimento de culpa brotar tanto em Haruto quanto em Ayaka.
Justo quando o clima estava inclinando para talvez levarem Ryota junto, Ikue, que havia terminado sua reunião remota, apareceu na sala de estar.
“Ryota. Enquanto a Onee-chan e o Onii-chan forem às compras, vamos tomar sorvete juntos e esperar.”
Nas duas mãos de Ikue, ela segurava potes de sorvete caro. No instante em que viu aquilo, o rosto de Ryota se iluminou.
“Sorvete!!”
Por outro lado, Ayaka gemeu tristemente quando viu o sorvete nas mãos de Ikue.
“Aquele é o sorvete que eu estava guardando...”
Alegria e desespero. Os irmãos, exibindo emoções conflitantes, foram observados com um sorriso caloroso por sua mãe.
“O que você vai fazer? Ir às compras? Ou comer sorvete?”
“...Ryota, você pode comer o meu sorvete, então você fica em casa?”
“Hmm... Tá bom. Eu vou ficar em casa.”
Para Ayaka, que tomou a decisão com o coração pesado, Ryota, após alguma hesitação, escolheu o sorvete.
“Então, tenham uma boa ida!”
“Sim, estamos indo agora.”
“Ugh... Era um sabor de edição limitada... Estamos indo agora.”
Despedidos por Ikue, Haruto e Ayaka saíram sozinhos para comprar os acompanhamentos do bento.
✦ ✦ ✦
Tōjō Ayaka
Caminhando lado a lado com Ōtsuki-kun pela estrada que levava ao supermercado, eu deixei de lado meu arrependimento persistente pelo sorvete de edição limitada. Era o sabor Torta de Maçã, edição limitada de verão. Tinha sido assunto nas redes sociais e era o sorvete supremo que eu finalmente consegui comprar depois de rodar muitos konbinis e supermercados das redondezas. Eu o tinha guardado cuidadosamente no fundo do congelador como um agrado especial para as férias de verão... M-mas! Graças ao sorvete, eu consegui um tempo a sós com o Ōtsuki-kun, então tenho que pensar positivamente! Pelo bem do sorvete que se sacrificou!
“Falando nisso, o sorvete que Ikue-san tinha mais cedo, não era aquele que está popular ultimamente?”
“Ah, sim. Você conhece também?”
“Sim, aconteceu de eu vê-lo no konbini outro dia, comprei e experimentei. Era muito gostoso.”
“Eh...? Você comeu aquele sorvete, Ōtsuki-kun?”
“Sim. Oh? Tōjō-san, você ainda não comeu?”
Ah, Ōtsuki-kun, seu traidor~! Eu rodei konbinis e supermercados pela cidade inteira no calor escaldante e finalmente consegui comprar...
“Eu ainda não comi... Eu queria... Eu realmente queria...”
“Ahahaha... Bem, então, se eu o vir de novo, vou garantir um para você, Tōjō-san.”
Talvez eu estivesse parecendo realmente abatida, porque Ōtsuki-kun disse isso preocupado comigo.
Será que é tão bom ser tratada com tanta gentileza pelo Ōtsuki-kun...? Devo agir um pouco mais triste?
“Eu estava realmente ansiosa por aquele sorvete... Estava tão ansiosa para comer que até sonhei com isso...”
“Uh... Acho que o konbini perto da minha casa é meio que um ponto escondido, talvez eles ainda tenham, então vou dar uma olhada da próxima vez?”
“Mas... Eu pesquisei na internet e dizia que está esgotado em todos os lugares...”
“Então, que tal irmos juntos em uma caçada ao sorvete algum dia?”
Na sugestão do Ōtsuki-kun, feita com um sorriso meio torto como se fosse uma brincadeira, eu não consegui me segurar e parei de fingir estar abatida, abrindo um enorme sorriso.
“Sério?!”
“Eh? Ah, sim. Eu também quero comer aquele sorvete de novo.”
Isso!! Eu consegui mais uma desculpa para sair com o Ōtsuki-kun! Fico um pouco culpada por ter fingido estar triste e mentido um pouco... Mas isso é parte das táticas do amor! Para fazer este amor florescer, eu tenho que dar o meu melhor!
“Será que aquele sorvete ainda está sendo vendido?”
“Se procurarmos pela cidade inteira e não encontrarmos, podemos ir para a cidade vizinha. Se procurarmos o dia todo, com certeza vamos achar, certo?”
“É, verdade. Se procurarmos o dia todo, com certeza acharemos! O dia todo...”
Eu posso ficar com Ōtsuki-kun o dia todo. O que eu faço...? Eu quero comer o sorvete, mas também quero ficar procurando com o Ōtsuki-kun para sempre, sem encontrar. Ugh... O amor é uma sequência de dificuldades, não é? Mas eu nunca pensei que um sorvete de edição limitada seria o motivo pelo qual eu conseguiria combinar um encontro com o Ōtsuki-kun. Talvez meu item de sorte hoje fosse o sorvete de edição limitada. Eu deveria ter conferido meu horóscopo matinal direito.
“Obrigada, Ōtsuki-kun.”
“De nada. Quero que experimente também a delícia daquele sorvete.”
Ōtsuki-kun disse isso com um sorriso gentil. Ah, ele é tão amável. Só de ver seu sorriso, sinto meu coração ficar quentinho.
“Eu tenho que te agradecer, Ōtsuki-kun. Especialmente com o amanhã chegando.” Estou ficando mimada pela gentileza dele, então quero retribuir algo. “Tem alguma coisa que você quer, Ōtsuki-kun? Algo que você queira que eu faça, ou alguma coisa que queira?”
“Você não precisa se preocupar tanto.”
“Mas eu estou me preocupando, então, por favor, me diga qualquer coisa? Se for um pedido do Ōtsuki-kun, hum... eu faço qualquer coisa?”
E se o Ōtsuki-kun, que sempre tem uma aura madura e parece alguém que nunca seria egoísta, começasse a dizer: “Faça isso, faça aquilo”... O que eu faria! Só de imaginar já é tão fofo! Se ele dissesse algo assim, eu faria tudo o que pedisse. Eu me dedicaria completamente!
[Almeranto: Ela realmente tá levando a sério esse papo de “O amor é uma competição.”]
“Bem, uh... Não consigo pensar em nada agora, então vou pensar um pouco.”
“Entendo... Certo. Não precisa hesitar, tá?”
“Sim, entendido.”
Ōtsuki-kun assentiu com uma risada. Entendo... Ele não tem nada específico que queira... Eu tenho tantas coisas que quero, tantas coisas que quero que o Ōtsuki-kun faça por mim, tantas coisas que quero fazer com ele. Mesmo agora, eu queria andar de mãos dadas com o Ōtsuki-kun como antes...
Eu lancei um olhar discreto para a mão dele. Ali, lembrei do que minha melhor amiga, Saki, tinha me dito. Que no amor, não é só empurrar, mas que às vezes puxar também é importante. A Saki tinha dito que, se eu conseguisse usar bem esse jogo de empurrar e puxar, o Ōtsuki-kun ficaria louco por mim.
Mas o que eu devo fazer para “puxar”? Eu consigo imaginar empurrar como fazer coisas para mostrar que gosto dele, mas o que é puxar? Como é o oposto de empurrar, devo ser fria com o Ōtsuki-kun? Tipo, “Eu não estou nem um pouco feliz em ir caçar sorvete com você!!” ou algo assim? ...Hmm, isso não parece certo. Puxar... Puxar o Ōtsuki-kun... Tentar puxá-lo... Eu fiquei encarando a mão do Ōtsuki-kun, refletindo profundamente sobre “puxar”. Empurrar e puxar, fazer o coração do Ōtsuki-kun disparar... Disparar? Puxar para fazer ele disparar?
Nesse momento, uma imagem surgiu na minha mente de repente. Seguindo aquela imagem, eu agarrei o braço do Ōtsuki-kun e dei um puxão rápido.
“Whoa!?”
Ōtsuki-kun, cujo braço foi repentinamente puxado por mim enquanto caminhávamos, soltou um som surpreso, então parou e me olhou com uma expressão confusa.
...Espera, o que eu estou fazendo puxando ele fisicamente?! Isso não é o que “puxar” significa, é?!
“Tōjō-san?”
“Ah, hum! Isso! Bem, uh, é que... Um inseto!! Tinha um inseto! Um insetão assim no pé do Ōtsuki-kun!”
Eu rapidamente inventei uma desculpa. Ele, por sua vez, pareceu assustado ao me ver abrir os braços para mostrar o tamanho.
“Eita! Sério? Eu nem percebi.”
“S-sim. Mas talvez já tenha ido embora, era bem rápido. Talvez fosse uma barata?”
Com a minha desculpa desesperada, Ōtsuki-kun fez uma cara tensa e disse: “Isso parece assustador... talvez tenha sido melhor eu não ter visto.”
P-por pouco... De alguma forma consegui enganá-lo...
No momento em que soltei um suspiro de alívio, o braço esquerdo do Ōtsuki-kun se esticou de repente e me puxou suavemente pelo ombro, trazendo-me para perto.
“!?”
Huh?! O quê, o quê?! O que acabou de acontecer?!
Meu coração disparou com força pelo acontecimento repentino. Nesse instante, um pequeno caminhão passando em velocidade considerável passou bem perto de mim, que estava confusa e sem entender a situação. Foi então que eu finalmente percebi. Ōtsuki-kun tinha mudado de posição para me proteger do caminhão.
“Ah, obrigada.”
“Não, por favor, não se preocupe com isso. Desculpe por eu também não ter percebido.”
Depois de dizer isso, Ōtsuki-kun discretamente me guiou para que ele ficasse do lado da rua.
S-sempre que o Ōtsuki-kun me protege assim, meu coração dispara tanto... Eu caminhei quietamente ao lado dele, olhando para baixo para que ele não visse meu rosto, que provavelmente estava vermelho. Eu estava tentando empurrar, puxar e fazer o coração do Haruto-kun disparar, mas no fim quem estava ficando toda atrapalhada com a gentileza dele era eu. Eu respirei fundo várias vezes, tentando acalmar meu coração que batia desesperadamente, sem que o Ōtsuki-kun percebesse.
No fim, sem conseguir fazer nada, simplesmente caminhamos lado a lado até chegarmos ao supermercado de destino.
“Para os acompanhamentos do bento, acho que devemos pegar os ingredientes para fazer tamagoyaki e karaage?”
“Sim, parece ótimo.”
Disse o Ōtsuki-kun, confirmando, enquanto pegava uma cesta perto da entrada. Nós já tínhamos discutido o conteúdo do bento no café em que paramos depois do encontro no cinema outro dia. Fomos colocando na cesta os ingredientes para o bento enquanto examinávamos os produtos alinhados no supermercado.
“Oh? Mini tomates estão a 98 ienes a bandeja!! Que tal colocar no bento? Vai dar um pouco de cor!”
“Fufu, sim. Acho que é uma boa ideia.”
Eu não consegui evitar responder rindo para o Ōtsuki-kun, que estava todo animado. Eu já tinha pensado nisso antes quando ele comprou óleo de gergelim, mas os olhos do Ōtsuki-kun brilham inocentemente quando ele vê algo barato. Essa expressão é tão fofa, e o contraste com seu ar normalmente maduro faz meu coração pular.
Enquanto pensava isso, ele fez uma cara abatida na sessão de vegetais porque o preço do repolho estava mais alto do que ontem. Mas logo depois encontrou uma promoção de folhas de shiso e seu rosto se iluminou de novo. Eu não consegui evitar ficar olhando suas expressões que mudavam a todo momento. Fazer compras juntos é tão divertido.
Ficando animada, comecei a ter vontade de provocar um pouco o Ōtsuki-kun. Reunindo coragem, aproximei-me suavemente dele e falei com uma voz um pouco exagerada.
“De algum modo, fazer compras juntos no supermercado assim, parece como se estivéssemos morando juntos.”
Quando eu disse isso de brincadeira, Ōtsuki-kun, que estava examinando os ingredientes com olhos sérios, ergueu o rosto de repente e olhou para mim.
“Se eu estivesse morando com você, Tōjō-san, eu me dedicaria muito à comida do dia a dia.”
“É mesmo? Mas isso me causaria problemas. Como a comida do Ōtsuki-kun é deliciosa, eu comeria demais e engordaria.”
“Se você engordasse porque comeu minha comida tão alegremente, eu ficaria feliz”, ele disse.
Ah, ele é um diabo!! Ōtsuki-kun é um diabo gentil!! Um instante atrás ele tinha uma expressão tão séria, mas de repente ele sorri e diz coisas tão doces, claro que meu coração vai disparar! Se... se eu fosse morar com o Ōtsuki-kun, tenho certeza de que atingiria meu maior peso da vida em uma semana.
“Além disso, o charme da Tōjō-san não é algo que diminuiria apenas por causa da sua aparência.”
“!”
O-Ōtsuki-kun! O Ōtsuki-kun é assustador!! Hã?! O Ōtsuki-kun acabou de me chamar de charmosa?! Por quê? O que houve? É porque ele está animado por encontrar coisas baratas no supermercado? É isso? É isso?!
Enquanto eu congelava ouvindo as palavras do Ōtsuki-kun, ele também pareceu surpreso, então desviou o olhar de maneira constrangida.
“Ah, não, hum, desculpe. Eu me empolguei um pouco.”
“N-não... tudo bem...”
Um silêncio constrangedor pairou por um tempo. O que eu faço? Tenho que mudar o clima trazendo um novo assunto! Enquanto eu pensava nisso, Ōtsuki-kun começou a falar timidamente.
“Uh, já compramos ingredientes suficientes para o bento, então vamos ver os lanches que vamos levar?”
“Ah... U-uh, sim. É... isso mesmo...”
Ōtsuki-kun às vezes simplesmente solta coisas como “fofa”. E sempre do nada... Ele é um sedutor natural. Se eu não tomar cuidado, meu coração não vai aguentar…
✦ ✦ ✦
Ōtsuki Haruto
Era um pouco depois das seis da manhã. Haruto se arrumou e terminou de se preparar para sair, então enviou uma mensagem para Ayaka.
[Bom dia. Estou indo agora.]
[Bom dia! Okay, estarei esperando!]
Uma resposta chegou imediatamente. Haruto sorriu levemente com isso e foi em direção à entrada.
“Vó, estou indo.”
Quando chamou em direção à sala de estar, sua avó, com as mãos cruzadas atrás das costas, apareceu.
“Sim, sim, vá lá. Divirta-se.”
“É, estou indo.”
Despedido por sua avó, Haruto colocou sua mochila um pouco grande, que continha suas coisas, e saiu para fora.
“Parece um bom dia para brincar na água.”
Embora fosse apenas um pouco depois das seis da manhã, o ar lá fora já estava um pouco úmido e quente. Haruto levantou o rosto para o céu, onde o mesmo céu azul claro se estendia. Com certeza, quando o sol chegasse ao auge, estaria tão quente que ele ia querer jogar água fria na cabeça. Pensando nisso, Haruto seguiu para a residência dos Tōjō.
E então, pouco antes das sete horas. Haruto chegou em frente à mansão à qual já havia se acostumado e pegou seu smartphone.
[Cheguei em frente à casa.]
Não era exatamente de manhã cedo, mas Haruto se sentiu um pouco hesitante em tocar o interfone pela manhã, então enviou uma mensagem para Ayaka. Imediatamente, veio de volta um sticker de um coelho fazendo um sinal de “OK!”. Logo depois, a porta se abriu com um clique, e a própria Ayaka apareceu.
“Bom dia. Ōtsuki-kun.”
Ayaka o cumprimentou com um sorriso tímido. Talvez porque estivesse prestes a preparar bentôs, seu cabelo, que normalmente ia até o meio das costas, agora estava preso em um rabo de cavalo.
“...Bom dia.”
Haruto, um pouco hipnotizado pelo penteado diferente dela, fez uma pausa antes de responder. Ayaka disse “Entre”, abrindo bem a porta e convidando Haruto para dentro da casa. Talvez o resto da família ainda não estivesse acordado, pois a casa estava silenciosa.
“Acho que o Pai e a Mãe vão acordar logo. O Ryota provavelmente não vai acordar por um bom tempo”, disse Ayaka enquanto seguia para a cozinha.
Para a maioria dos assalariados comuns, esse seria o horário em que estariam correndo para se arrumar para o trabalho, mas como tanto o Sr. quanto a Sra. Tōjō eram executivos de empresa, devia haver dias em que eles fossem trabalhar mais tarde. Por outro lado, havia também dias, disse ela, em que eles saíam para o trabalho quando ainda estava escuro.
“Nesse caso, enquanto estivermos fazendo os bentôs, vou preparar também o café da manhã de todos.”


[Almeranto: Caraca, ela parece até outra pessoa com o rabo de cavalo. Ela tá impressionante assim.]
“O quê? Não, não! Ōtsuki-kun, você não está trabalhando hoje, não precisa fazer tanto!” Ayaka balançou as mãos diante da sugestão de Haruto.
Em resposta, ele disse com um sorriso gentil:
“Na verdade, eu achei que poderia ser difícil fazer o café da manhã enquanto também fazia o bentô, então eu preparei um pouco ontem.”
“Oh? É mesmo? Então... talvez eu deva pedir para você fazer isso. Meus pais ficariam muito felizes com um café da manhã feito pelo Ōtsuki-kun.”
“Entendido. Vou fazer rapidinho.”
Dizendo isso, Haruto tirou do refrigerador o pão francês, que havia deixado de molho na mistura de ovos no dia anterior, e começou a cozinhá-lo na frigideira.
“Uau! Rabanada!”
O rosto de Ayaka se iluminou com o aroma doce de ovo e açúcar.
“Você ainda não tomou café da manhã, né, Tōjō-san?”
“Não. E você, Ōtsuki-kun? Já comeu? Se não, por que não tomamos café da manhã juntos?”
“Está tudo bem? Então vou aceitar sua oferta e comer junto.”
“Certo!”
Os lábios de Haruto naturalmente se curvaram para cima diante do aceno feliz de Ayaka. Ele então tirou do refrigerador o tender de frango que havia preparado e deixado esfriar ontem, fatiou finamente e arrumou num prato.
“Tem algo com que eu possa ajudar?”
“Ah, nesse caso, você poderia cortar os tomates e a alface e arrumar ao lado do tender de frango?”
“Entendido.”
Enquanto pegava o iogurte no refrigerador, Haruto também pegou os tomates e a alface e entregou para Ayaka.
De pé lado a lado na cozinha, Haruto adicionou açúcar ao iogurte e fez um molho para o tender de frango ao lado de Ayaka, que cortava e arrumava os vegetais.
“Depois que terminar de cortar os vegetais, pode ferver isso na panela?”
Dizendo isso, Haruto entregou a Ayaka três tipos de especiarias: canela, cravo e cardamomo.
“Hmm? O que você vai fazer?”
“Pensei em fazer chai.”
“Oh, dá para fazer chai em casa?”
“Como eu tinha as especiarias, achei que chá Assam cairia bem.”
“Ah, a Mãe costuma beber chá com leite, então temos Assam em vez de Darjeeling em casa.”
“Entendo.”
Conversando assim, eles cozinhavam lado a lado na cozinha. Nesse momento, Shuichi, que tinha acordado e ido para a sala de estar, se animou ao ver Haruto na cozinha.
“Oh! Bom dia, Ōtsuki-kun!”
“Bom dia, Shuichi-san. O café da manhã estará pronto em um instante, então, por favor, espere um pouco.”
“O quê?! Você está fazendo o café da manhã!? Me desculpe, hoje nem é seu dia de trabalho.”
“Não, não é nenhum incômodo, por favor, não se preocupe.”
“É incrível que você consiga dizer isso.”
Shuichi disse admirado e sentou-se à mesa de jantar. Em seguida, sorriu para sua filha, que estava ao lado de Haruto.
“Bom dia, Ayaka.”
“Bom dia, Pai.”
“Hmm. Eu pensei nisso quando você fez o oden gelado outro dia também, mas vendo vocês dois lado a lado na cozinha, realmente parecem um casal recém-casado.”
“Pai, por que você sempre fala essas coisas estranhas logo de cara?!!”
Ayaka protestou contra seu pai, que parecia estar de bom humor. Nesse momento, Ikue também entrou na sala.
“Oh? Algo cheira bem?”
“Bom dia, Ikue-san. O café da manhã está pronto, por favor, sirva-se.”
Dizendo isso, Haruto arrumou os pratos prontos na mesa de jantar.
“Oh nossa! Você fez o café da manhã? Isso ajuda muito! Me desculpe, hoje nem é seu dia de trabalho.”
Haruto sorriu sem graça, já tinha ouvido a mesma coisa de todos na família Tōjō.
“Eu vou ocupar a cozinha para fazer os bentôs daqui a pouco, então...”
“Oh querido, você não precisa se preocupar com isso.”
Dizendo isso, Ikue sentou-se à mesa e seu rosto se iluminou ao ver os pratos servidos diante dela.
“Oh meu Deus! Que café da manhã delicioso e maravilhoso. Não é, querido?”
“Sim. Comer o café da manhã feito pelo Ōtsuki-kun faz eu sentir que minha eficiência no trabalho vai aumentar pelo resto do dia.”
O menu do café da manhã que Haruto fez hoje consistia em rabanada, tender de frango com molho de iogurte e uma salada fresca de vegetais.
“O que vocês gostariam de beber? Eu fiz chai, mas preferem café?”
“Oh, bem, já que está pronto, vou querer chai então. E você? Café?”
“Não, eu também vou querer o chai.”
Tanto o Sr. quanto a Sra. Tōjō escolheram o chai. Haruto também perguntou a Ayaka ao lado dele:
“E você, Ayaka-san?”
“Eu quero chai também. Está com um cheiro tão bom desde antes.”
Assim como ela disse, além do cheiro da rabanada recém-preparada, o aroma das especiarias do chai que estava sendo aquecido e a fragrância elegante do chá pairavam pela cozinha.
“Entendido.”
Haruto adicionou leite ao chai, que havia adquirido uma boa cor, e então despejou o chá nas xícaras enquanto removia as especiarias e folhas de chá com um coador.
“Aqui está, desculpe a demora.”
“Mmm~ Cheira maravilhosamente bem.”
“É um luxo pela manhã.”
O Sr. e a Sra. Tōjō exibiram expressões satisfeitas. Então, Ayaka disse:
“Está tudo bem se o Ōtsuki-kun tomar café da manhã com a gente, né?”
“Claro!”
“Sim, por favor coma conosco.”
Shuichi e Ikue aceitaram prontamente que Haruto se juntasse ao café da manhã. Ele disse “Obrigado por me receberem” e colocou sua porção e a de Ayaka na mesa também. Com todos sentados, Shuichi juntou as mãos.
“Então, vamos comer.”
Seguindo-o, todos juntaram as mãos e disseram: “Itadakimasu.”
“Hmm~ Esta rabanada está excepcional. O lado de fora está crocante, mas por dentro é macia e o sabor está bem impregnado.”
“O tender de frango também está macio e delicioso. A acidez e a doçura do iogurte estão perfeitas. Ei, Ōtsuki-kun, pode me ensinar essa receita algum dia?”
“Sim, é simples. Eu te ensino algum dia.”
Haruto, o cozinheiro, sorriu feliz para Shuichi e Ikue, que elogiavam o café da manhã. Ao lado dele, Ayaka tomou um gole do chai e soltou um suspiro: “Hoh~.”
“Delicioso...”
Depois de murmurar uma única palavra, ela tomou mais um gole do chai.
“Bem, vendo você assim, Ōtsuki-kun, realmente parece que você virou um membro da nossa família.”
Dizendo isso, Shuichi mostrou uma expressão alegre.
“Isso com certeza é verdade, não é?”
Depois que Ikue concordou com as palavras de Shuichi, ela sorriu calorosamente para Haruto.
“Por que você não vira um membro da família de verdade? Ōtsuki-kun?”
Diante do comentário de Ikue, Ayaka ficou vermelha e protestou.
“Mãe! Para com isso! Por que você está falando sobre eu e o Ōtsuki-kun nos casarmos?!”
“Oh? Mesmo que você não case, Ayaka, o Ōtsuki-kun pode se tornar parte da família, sabe? Como sendo adotado, por exemplo.”
“Adot... ado...”
Sua mãe sorriu para a filha, que havia congelado com um pequeno murmúrio.
“Mas se a Ayaka conseguir conquistar o coração do Ōtsuki-kun, nós ficaríamos muito felizes. Não é, querido?”
“Isso mesmo. Nesse caso, ficaríamos encantados em receber o Ōtsuki-kun como nosso genro! Hahahaha.”
[Del: Rapaiz…]
Haruto fez um sorriso sem graça e Ayaka ficou vermelha com a conversa animada entre o Sr. e a Sra. Tōjō.
“Honestamente! Vocês não deveriam ter esse tipo de conversa na frente da pessoa!”
Apesar do protesto desesperado da filha, seus pais ignoraram e continuaram aproveitando o café da manhã.
Depois de um café da manhã tão animado, o Sr. e a Sra. Tōjō partiram para o trabalho.
Na cozinha, onde estavam sozinhos novamente, Ayaka pediu desculpas a Haruto enquanto lavava a louça do café da manhã.
“Desculpa. Meu Pai e minha Mãe sempre dizem coisas estranhas.”
“Ahaha, bem, é muito melhor do que ser odiado, não é?” Haruto disse isso enquanto fazia os omeletes enrolados.
“Isso é verdade, mas... eles realmente gostam de você, Ōtsuki-kun.”
“Sou grato por isso. De verdade.”
Haruto respondeu, virando habilmente o omelete com a espátula. Ayaka, ao lado dele, corou levemente e falou com uma voz pequena.
“Se deixarmos os dois agirem assim, a gente pode acabar realmente se casando... Brincadeirinha!”
Ayaka terminou com uma voz extremamente animada, como se tentasse encobrir suas próprias palavras. Em resposta, Haruto olhou um pouco para cima e murmurou para si mesmo:
“Se eu convidasse minha avó para o casamento, ela ficaria tão feliz...”
“Eh!? S-sua avó?”
Ayaka ficou agitada com a fala inesperada de Haruto, que poderia ser interpretada positivamente. Ao ver a reação dela, Haruto voltou à realidade e sorriu sem jeito.
“Bem, casamento ainda está muito distante para nós, algo que nem conseguimos imaginar.”
“I-isso mesmo! Ainda somos estudantes do ensino médio, não é!?” Ayaka respondeu, acenando repetidamente com a cabeça às palavras de Haruto. Porém, ela ainda parecia incomodada com o comentário anterior dele e seu rosto estava corado. Enquanto preparava os acompanhamentos do bentô, ela espiava a expressão de Haruto ao lado.
Depois disso, Haruto e Ayaka continuaram fazendo o bentô enquanto trocavam conversas triviais. Quando já haviam terminado a maior parte dos acompanhamentos, Ryota entrou na sala de estar, esfregando os olhos sonolentos.
“Bom dia, Ryota-kun.”
“...Huh? Onii-chan...?” Ryota olhou para Haruto, que estava na cozinha, com olhos confusos.
“Vamos lá, Ryota, não fique só parado. Rápido, coma o café da manhã e se arrume para sair.” Ryota ainda estava meio adormecido. No entanto, as palavras de sua irmã o fizeram despertar completamente.
“Parque dos Animais!”
“Isso mesmo. Então, se você não se arrumar rápido, vamos nos atrasar.”
“Okay!”
Ryota acenou energicamente, correu até a mesa de jantar e começou a comer o café da manhã que já estava servido.
“Doce e gostoso!” Ryota disse enquanto devorava a rabanada.
Haruto observou Ryota comer rapidamente seu café da manhã com um sorriso caloroso, e Ayaka, ao lado dele, disse em voz baixa:
“O Ryota estava tão animado com o ‘Parque dos Animais com o Onii-chan!’ ontem que não dormiu nada a noite inteira.”
“Ah, então é por isso que ele parecia tão sonolento quando acordou.”
“Ele parecia estar realmente ansioso para ir ao Parque Floresta dos Animais com o Ōtsuki-kun.”
“Fufu, estou honrado.”
Sem saber que era o assunto da conversa, Ryota continuou comendo o café da manhã feito por Haruto com entusiasmo.
Depois que Ryota terminou de comer, eles colocaram os bentôs prontos em uma bolsa térmica e encheram as mochilas com uma lona para piquenique, roupas extras, etc.
“Ah, Tōjō-san. Eu trouxe uma mochila um pouco maior, então o bentô e a roupa extra do Ryota-kun podem caber aqui.”
“Okay, entendi. Então eu vou colocar a lona de piquenique na minha mochila.”
“Sim, por favor.”
Haruto e Ayaka trabalharam juntos, dividindo os itens que iriam levar. Como o Parque Floresta dos Animais tinha uma área para brincar com água além da área gramada e da área de interação com os animais, uma troca de roupas era essencial.
“Certo! Estamos prontos?”
“Parece que não esquecemos nada.”
Ao lado deles, enquanto os dois faziam a checagem final, Ryota se mexia inquieto, incapaz de esperar mais.
“Onii-chan, Nee-chan! Vamos logo!”
“Sim, sim, eu sei. Certo, parece que está tudo certo. Então vamos.” Ayaka afastou o irmão casualmente e falou com Haruto depois de terminar de checar os itens.
“Certo. Ryota-kun, vamos?”
“Vamos!!”
Quando Haruto chamou Ryota, ele disparou para a entrada como uma flecha lançada de um arco.
“Ryota, diminui um pouco o passo.” Ayaka o advertiu com um sorriso sem graça, mas provavelmente suas palavras não chegaram aos ouvidos de Ryota.
Ryota rapidamente trocou para os sapatos de sair e então pulou energicamente para fora.
“Meu Deus, Ryota.”
Seguindo o irmão cheio de energia, Haruto e Ayaka também saíram. O calor lá fora havia aumentado mais um nível em comparação com quando Haruto chegou, e Haruto semicerrrou os olhos diante do sol ofuscante acima de sua cabeça.
“Ryota, venha aqui e coloque seu chapéu.” Ayaka chamou Ryota, que corria animadamente apesar do calor úmido, e lhe disse isso. Haruto sorriu gentilmente diante da interação entre os irmãos Tōjō.
Deixando a residência dos Tōjō, Haruto e os outros caminharam em direção à estação mais próxima. O Parque, seu destino, ficava nos arredores da cidade, e, depois de viajar de trem, eles pegariam um ônibus circular gratuito. Como eram férias de verão, o ônibus estava lotado de muitas famílias e casais. Ao chegarem ao destino, eles imediatamente se dirigiram ao guichê de ingressos no portão de entrada.
“Dois adultos e uma criança, por favor.”
“Certo, serão dois mil ienes para dois adultos e uma criança.” A simpática senhora idosa atrás do guichê respondeu com um sorriso caloroso. Haruto entregou o dinheiro pela abertura sob o balcão.
“Sim, exatamente dois mil ienes. Aqui estão seus ingressos.”
“Obrigado.”
Haruto entregou os ingressos que recebeu para Ayaka e Ryota. Ryota então se curvou para a senhora do guichê para expressar sua gratidão.
“Obrigado!”
“Oh, que criança bem-educada.” A mulher, satisfeita com o agradecimento, disse e inclinou-se um pouco para fora do balcão para sorrir para Ryota. “Menino, está cheio hoje, então certifique-se de segurar as mãos da mamãe e do papai para não se perder, tudo bem?”
“!” Ayaka se sobressaltou com a observação da mulher e olhou rapidamente para Haruto.
“Você está errada, Tia! O Onii-chan e a Nee-chan não são meu papai e minha mamãe!”
“Oh! Me desculpem, eu entendi errado. É verdade, vocês são tão jovens, não é?” A senhora do guichê se desculpou com Haruto e Ayaka, inclinando-se levemente.
“Não, tudo bem.” Haruto respondeu com um sorriso sem jeito, e Ayaka abaixou o olhar, suas bochechas levemente coradas.
Então, Ryota se aproximou do guichê para esclarecer o mal-entendido da mulher.
“Hum, a Nee-chan é minha Onee-chan de verdade, mas o Onii-chan ainda não é meu Onii-chan de verdade. Onii-chan é... ele é... bem...” Nesse momento, Ryota teve dificuldade em encontrar as palavras para explicar. Era difícil para Ryota, que ainda estava no jardim de infância, compreender plenamente que Haruto ia à casa deles para um trabalho de meio período ajudando nas tarefas domésticas, bem como o relacionamento entre Ayaka e Haruto. Então, ele explicou dentro do que conseguia entender.
“O Onii-chan é o namorado da Nee-chan! E quando a Onee-chan e o Onii-chan se casarem, o Onii-chan vai virar meu Onii-chan de verdade!!”
“Q-quê!! Não diga coisas estranhas!!” Ryota estava explicando com total sinceridade para a senhora do guichê. Ao ouvir a explicação do irmão, o rosto de Ayaka ficou vermelho vivo e ela correu para impedi-lo.
“H-hey! Você está atrapalhando as pessoas atrás de nós, vamos logo!” Ayaka abraçou Ryota por trás e o ergueu, afastando-se rapidamente do guichê. Enquanto fazia isso, ela ouviu a mulher dizer, “Ah, ser jovem e apaixonada~”, o que fez seu rosto ficar ainda mais vermelho.
Depois de colocar Ryota no chão, afastados da multidão, Ayaka imediatamente repreendeu o irmão.
“Escuta, Ryota? O Ōtsuki-kun não é meu namorado! E você não deve falar sobre casamento ou coisas assim para outras pessoas! Entendeu?”
“Hã~, mas você casa com alguém que gosta, né?”
“I-isso é verdade, mas...”
“Então você não vai casar com o Onii-chan?”
“O q-quê?! Por que você diria isso?!”
“Porque a Nee-chan gosta do Onii-chan...”
“Escuta aqui, Ryota!! Casamento não é tão simples assim!” Ryota, com olhos puros, estava prestes a dizer algo, mas Ayaka o interrompeu, erguendo a voz de vergonha. Ryota parecia incapaz de entender completamente as palavras da irmã e olhou para Haruto ao lado.
“Onii-chan, você não quer casar com a Nee-chan?”
Depois de pensar por um momento sobre a pergunta de Ryota, Haruto falou lentamente.
“...Isso mesmo. Se eu pudesse me casar... eu gostaria?”
“Eh!?” Ayaka não pôde evitar soltar a voz ao ouvir algo tão inesperado. Haruto se agachou para ficar na altura de Ryota e começou a falar com um sorriso gentil.
“Mas veja bem, Ryota-kun. Casar não é algo que você pode fazer facilmente, sabia?”
“É mesmo?”
“É sim. Casar significa se tornar uma família.”
“Eu quero virar família com o Onii-chan!” Ryota respondeu imediatamente, e Haruto também sorriu feliz e acariciou sua cabeça.
“Obrigado, Ryota-kun, fico muito feliz em ouvir isso.”
“Hey, hey, Onii-chan, você gosta da Onee-chan, né?”
“Eh, ah... sim, eu gosto.” Diante de Ryota, Haruto, não tendo outra escolha, respondeu, hesitando um pouco. Ao ouvir isso, Ayaka desviou o olhar de Haruto e abaixou a cabeça.
“Então vocês vão casar, né?”
“Casamento, sabe, não é suficiente só gostar de alguém.”
“Por quê?”
Para Ryota, que inclinou a cabeça de maneira fofa, Haruto explicou gentilmente.
“Você e a Nee-chan são família, certo?”
“Sim.”
“Você gosta da Nee-chan?”
“Sim, eu gosto.”
“Mas às vezes vocês brigam, não é?”
“...Às vezes a gente briga.”
“Quando isso acontece, o que você sente pela Onee-chan?”
Ryota pensou por um momento sobre a pergunta de Haruto, dizendo “Hmm~.”
“Só um pouquinho... eu não gosto dela...” Haruto sorriu gentilmente para Ryota, que disse isso meio hesitante, olhando de lado para sua irmã.
“Quando vocês brigam, isso acontece, não é? Mas você não fica sem gostar dela para sempre, certo?”
“Certo.”
“Em outras palavras, isso é o que é uma família.”
“...?” Ryota inclinou a cabeça novamente. Haruto disse, acariciando sua cabeça.
“Uma pessoa com quem você pode ficar mesmo quando não gosta dela. Alguém que sempre está ao seu lado. Isso é uma família. E isso não se consegue só gostando de alguém.”
“Só gostar não é suficiente?”
“Não, não é só gostar... você tem que amar.”
Ryota olhou para Haruto, que falava claramente apesar de estar um pouco envergonhado, com olhos inocentes.
“Então, Onii-chan, você não ama a Nee-chan?”
“Demora para uma pessoa amar alguém. Eu ainda preciso de muito tempo para amar sua Nee-chan. E ao contrário, mesmo que sua Nee-chan me amasse, ainda não haveria tempo suficiente.”
“Humm~, entendi.” Ryota finalmente pareceu compreender com a explicação de Haruto e olhou para sua irmã com um sorriso radiante.
“Nee-chan! Eu espero que você e o Onii-chan consigam se amar rapidinho!!” Sua irmã respondeu ao irmão inocente com uma voz tão fraca que quase sumia, suas orelhas ficando vermelhas.
“S-sim...” Ayaka assentiu de maneira desajeitada às palavras puras de Ryota, mas seu corpo tremia levemente de vergonha.


✦ ✦ ✦
Haruto não esperava falar sobre amor tão cedo depois de chegar ao Parque.
Ele recordou sua declaração anterior e se contorceu interiormente de vergonha.
O pensamento “Casamento exige amor”, uma frase um tanto dramática, girava em sua cabeça.
Haruto mantinha um exterior calmo enquanto, por dentro, se contorcia de extrema vergonha.
Mesmo que fosse para convencer Ryota, falar sobre amor como um garoto do ensino médio em plena adolescência era um golpe mental.
Além disso, essa conversa havia sido ouvida por uma garota que era sua colega de classe.
O que Ayaka pensava sobre sua declaração anterior?
Haruto lançou um olhar de lado para ela, caminhando bem ao seu lado.
Pelo que pôde perceber rapidamente, ela não parecia chateada.
Na verdade, ela vinha sorrindo e parecendo feliz já fazia um tempo.
Seus pensamentos internos eram insondáveis, mas ao menos na superfície ela não parecia pensar nada particularmente negativo.
Haruto suspirou de alívio com isso.
Então, Ayaka, com uma expressão levemente travessa, sorriu e disse a Haruto:
“Ōtsuki-kun… você quer se casar comigo, né?”
“Ah, não, hum… aquilo foi… para convencer o Ryota-kun…”
Mesmo sabendo que Ayaka estava brincando, Haruto ainda assim ficou sem palavras.
Vendo a reação dele, Ayaka riu alegremente.
“Fufu, sim. Eu sei.”
Dizendo isso, Ayaka novamente exibiu um sorriso travesso.
Ela ria feliz, embora suas bochechas estivessem levemente coradas de vergonha.
Haruto não pôde evitar achá-la genuinamente fofa.
A Ayaka de hoje, como sempre, exalava o charme de uma bela garota, chamando a atenção dos transeuntes.
Diferente da roupa mais feminina que ela usara em seu encontro anterior no cinema, hoje ela estava vestida para facilitar os movimentos, com jeans e uma camiseta.
Essa roupa também combinava muito com ela, a ponto de Haruto se perguntar se existia alguma moda que não lhe caísse bem.
Haruto desviou ligeiramente o olhar da adorável Ayaka, radiante como o sol de verão, e deu um sorriso sem graça.
“Bem, eu não sou exatamente alguém à altura da Tōjō-san.” Haruto disse, tentando disfarçar um pouco para encobrir o constrangimento de ter falado sobre amor.
Então, uma reação inesperadamente forte veio de Ayaka.
“Isso não é verdade! Ōtsuki-kun sabe limpar e cozinhar comidas realmente deliciosas! E você é gentil e atencioso, tanto que eu acho que você é suficientemente atraente para querer como marido!!”
“...Hum… obrigado.”
[Del: Má gente, já estão soltando declarações como essa, faz mais sentido dizer que eles já são namorados.]
Haruto ficou desconcertado com a afirmação súbita e enfática de Ayaka e agradeceu hesitante.
Então, com o rosto completamente vermelho, ela desviou o olhar e murmurou de forma desajeitada e fragmentada:
“Hum… quando eu disse ‘querer como marido’, não quis dizer eu especificamente, é mais como… falando de modo geral, ou melhor, é o resultado de te analisar objetivamente da perspectiva feminina…”
A voz de Ayaka foi ficando cada vez mais fraca.
Haruto sorriu suavemente para ela.
“Obrigado. Ouvir você dizer isso, Tōjō-san, de alguma forma me dá confiança.”
“Sim… Ugh…” Às palavras de Haruto, o rosto de Ayaka ficou ainda mais vermelho e ela abaixou a cabeça.
Então, Ryota, preocupado com sua irmã, ergueu o rosto para olhar para ela de baixo.
“Você está bem, Nee-chan? Seu rosto está vermelho, sabia? Aqui, tome um pouco de água da garrafinha.” Ryota segurou a garrafa com as duas mãos e a ofereceu para Ayaka.
“Ah, obrigada…” Ayaka pegou a garrafa das mãos do irmão e bebeu rapidamente.
“Está quente hoje, não é? Vamos comprar mais bebidas depois?” Haruto disse, observando a interação calorosa entre os irmãos Tōjō.
À sugestão dele, Ayaka respondeu timidamente: “U-uh… sim…”
Enquanto trocavam essas palavras, Haruto e os outros seguiram primeiro para a área de interação com os animais.
“Olha, Onii-chan! Coelhos!”
Os olhos de Ryota brilharam ao ver os coelhos pulando dentro da área cercada.
Ao lado dele, Ayaka, também com os olhos brilhando, segurava animadamente comida para coelhos nas mãos.
“Ah! Um veio até aqui! Uau! Esse branco é tão fofinho!”
“Eles são certamente fofos e reconfortantes, não são?” Haruto disse, assentindo vigorosamente diante da combinação suprema de uma bela garota e pequenos animais, enquanto Ayaka exibia um sorriso derretido ao acariciar as costas de um coelho branco que comia a comida que ela lhe dava.
“Onii-chan! Olha isso! Ele fica mexendo o nariz o tempo todo!”
Se Haruto desviasse o olhar, veria Ryota cercado por vários coelhos implorando por comida.
Uma criança inocente e pequenos animais.
Essa cena também era algo precioso e reconfortante.
“Aqui, Ryota-kun. Eles estão pedindo comida, então dê isto.” Haruto entregou a Ryota a comida que ele estava segurando.
“Olha, olha, Ōtsuki-kun! Esse aqui está me seguindo! Tão fofo~! Eu quero levar ele para casa!”
O coelho branco que ela acariciara antes estava saltitando atrás de Ayaka enquanto ela se movia.
Ela estava completamente encantada com aquilo e mais uma vez se agachou para alimentá-lo enquanto acariciava suas costas.
Esse coelho branco sabe como viver bem, pensou Haruto, mas, mesmo assim, ele estava verdadeiramente reconfortado ao ver os irmãos Tōjō brincando com os coelhos.
Na área de interação com os animais, além de coelhos, os visitantes também podiam interagir com pôneis, mini porcos, galinhas, porquinhos-da-índia e cabras.
Na área dos porquinhos-da-índia, Ayaka segurava um fofo porquinho branco e marrom e estava completamente encantada, e durante a interação com as galinhas, Ryota foi perseguido por um galo e ficou à beira das lágrimas.
Tendo aproveitado a interação com os animais ao máximo, Haruto se sentiu extremamente satisfeito.
“Vimos bastante coisa.” Ayaka disse enquanto dava cenouras a um pônei por cima da cerca.
“Bom. Você se divertiu, Ryota-kun?”
“Sim, foi divertido.”
Enquanto respondia a Haruto, Ryota continuava lançando olhares cautelosos para um galo próximo que vagava por ali.
Quando o galo cantou “Cocoricó!!”, Ryota imediatamente se escondeu atrás de Haruto.
“Vamos para a área gramada brincar agora?”
“Sim, isso parece bom.”
Haruto disse enquanto acariciava a cabeça de Ryota, que segurava a barra de sua calça.
Ayaka assentiu à sugestão dele, terminou de alimentar o pônei e tirou um panfleto da mochila que carregava.
“Hum, esta é a área de interação, então a área gramada é…”
Ela verificava a direção para onde deveriam ir enquanto olhava o mapa.
Nesse momento, uma cabra que confundiu o panfleto com comida se aproximou com um “Meee~.”
“Uwa, isso não é comida.”
Ayaka virou-se rapidamente de costas para a cabra.
“Depois que brincarmos na área gramada, vamos comer nosso bentô lá também.”
“É uma boa ideia. Parece que eles também alugam bolas e outras coisas na área gramada.”
“Eles também alugam raquetes de badminton e petecas. Tem várias outras coisas também.”
Haruto também olhou por cima do ombro para o panfleto que Ayaka mantinha aberto.
“Né? A área gramada está boa para você, Ryota?”
“Sim! Vamos rápido!”
O interesse de Ryota parecia já ter se direcionado para a área gramada, e ele segurou as mãos de Haruto e Ayaka, puxando-os levemente.
“Sim, sim, eu entendi.”
Ayaka fechou o panfleto que tinha aberto com um sorriso sem graça.
Nesse instante, ouviu novamente um “Mee~” vindo atrás dela.
Quando Haruto olhou na direção do som, viu uma cabra comendo alegremente a barra da camiseta de Ayaka.
“Ah! Tōjō-san! Suas roupas estão sendo comidas!”
“Hã? Ah!”
Ayaka também se virou às palavras de Haruto e percebeu que a cabra estava mastigando suas roupas.
“O-o que eu faço?”
Ayaka tentou puxar suas roupas gentilmente, mas a cabra não dava sinal de soltar e continuava mordendo a barra da camiseta como antes.
Então, Ryota se aproximou da cabra para ajudar sua irmã.
“Ei! As roupas da Nee-chan não são comida!”
Dizendo isso, Ryota puxou firmemente as roupas que estavam na boca da cabra.
A cabra, talvez achando Ryota irritante, virou a cabeça bruscamente enquanto ainda segurava a camiseta de Ayaka.
“Kya!”
Puxada com força pelas roupas, ela perdeu bastante o equilíbrio e caiu na direção de Haruto.
“Uwa… você está bem?”
Haruto rapidamente estendeu a mão para aparar Ayaka, que estava prestes a cair.
“U-uh... eu estou bem...”
Os olhos de Ayaka se arregalaram em surpresa, e ela encarou atentamente Haruto, que a olhava com preocupação.
Os dois, que haviam acabado na mesma distância de quando ela estava no monociclo algum tempo atrás, ficaram surpresos pelo acontecimento repentino e permaneceram próximos um do outro em silêncio por um tempo.
Sem perceber Haruto e Ayaka, a cabra, aparentemente satisfeita, foi embora com um “Mee-ee~.”
“Nee-chan, suas roupas ficaram todas babadas.”
“...Hã? Ah, ah... S-sim.”
Ayaka, ao ouvir isso de Ryota, voltou à realidade e rapidamente se afastou de Haruto, a quem ela havia se agarrado.
“Parece que você deveria trocar de roupa,” Haruto disse, parecendo levemente desconfortável enquanto olhava para a barra da camisa de Ayaka.
A parte que a cabra havia mordido estava coberta de baba pegajosa e estava amassada.
“Acho que havia um vestiário perto da área gramada, então talvez devêssemos trocar lá?”
“Sim, talvez devêssemos.”
Ela tinha levado uma troca de roupas de qualquer forma, já que estavam planejando brincar na água.
Ayaka olhou para a barra de suas roupas que a cabra havia mordido, então levantou o olhar para Haruto com um leve olhar para cima.
“Hum... obrigada. Por, hum, m-me segurar...”
“Eh, s-sim, hum... fico feliz que você não tenha se machucado.”
“...Sim.”
Ryota seguiu energicamente em direção à área gramada.
Haruto e Ayaka o acompanharam, carregando tanto vergonha quanto constrangimento, e lançando olhares um ao outro enquanto desviavam rapidamente, eles seguiram para a área gramada.
Traduzido por Moonlight Valley
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