Volume 1
Capítulo 3: Contrato Regular
Tōjō Ayaka
Desde que me lembro, sempre ouvi as pessoas ao meu redor dizerem que eu era bonita.
Quando eu estava no jardim de infância, os pais das outras crianças sempre comentavam: “Ah, a Ayaka-chan é tão fofa, não é?”
Depois que entrei no ensino fundamental, os meninos começaram a fazer pegadinhas comigo ou a me perturbar. Pensando agora, acho que aquilo provavelmente era a forma deles demonstrarem interesse.
Essas brincadeiras e provocações dos meninos foram diminuindo conforme eu crescia e, quando cheguei ao ensino fundamental II, quase já não aconteciam mais.
E o que aumentou no lugar disso foram as confissões.
Eu recebia declarações de meninos várias vezes por mês, sem falta. Houve até períodos em que eu recebia uma confissão por dia durante uma semana inteira, quando estava pior.
A primeira vez que um menino se declarou para mim, o primeiro sentimento que surgiu dentro de mim foi confusão.
Acho totalmente natural ficar confusa quando um menino que só te provocou ou incomodou até então de repente diz algo como “Eu gosto de você”.
Além disso, desde aquela época, eu já evitava meninos, pensando que eles eram pessoas que fariam maldades, então não havia um sequer com quem eu conversasse ou brincasse.
Eu recusava naturalmente todas as confissões que recebia.
Namorar alguém cuja personalidade eu mal conheço é algo impensável para mim. Principalmente porque, desde cedo, meus pais sempre me ensinaram coisas como: “Não é a aparência que importa, e sim o interior.”
Primeiro, trocar cumprimentos e conversar, depois virar amigos, entender um ao outro, se aproximar, se apaixonar e, então, confessar. Se fosse nesse fluxo, talvez eu até aceitasse.
Mas todos os meninos que se declararam dizem: “Foi amor à primeira vista!”
Não é que eu negue o amor à primeira vista, mas simplesmente não consigo entender isso. Então acabei rejeitando um por um, sem exceção.
Entre tudo isso, um incidente aconteceu.
De repente, uma amiga próxima começou a implorar chorando: “Não rouba o garoto de quem eu gosto!!”
Por um instante, eu não entendi o que ela estava dizendo.
Naquela época — na verdade, até hoje — todas as minhas amigas eram meninas. Além disso, eu evitava meninos, então não havia nenhum com quem eu conversasse. Numa situação assim, não havia como eu roubar o crush de alguém.
Essa amiga com certeza estava entendendo tudo errado.
Pensando assim, consegui acalmá-la até que parasse de chorar e explicasse.
De acordo com o que ela contou, entre os meninos que tinham se confessado para mim, havia um de quem ela gostava.
…O que eu deveria fazer?
Eles que tinham se confessado por conta própria.
Eu não tinha absolutamente nenhuma relação com o menino de quem a minha amiga gostava. Para falar a verdade, era alguém com quem eu nunca troquei sequer uma palavra.
No fim, continuamos distantes até a formatura do fundamental II.
Por causa desse incidente, comecei a evitar ainda mais qualquer interação com meninos.
E, além disso, havia mais um motivo para manter distância deles, que surgiu na segunda metade do fundamental II.
Eram seus olhares.
A partir do segundo ano, meu peito começou a crescer rapidamente e, proporcionalmente, passei a sentir muito mais os olhares dos garotos.
Na maioria das vezes eram olhares rápidos, de canto de olho, mas também havia aqueles que ficavam me encarando.
Eu me sentia assustada com aqueles olhares grudados e insistentes, e quando entrei no ensino médio já tinha desenvolvido uma leve desconfiança em relação aos homens.
Mesmo no ensino médio, as confissões continuavam implacáveis como antes.
Mas, tendo aprendido com o que aconteceu no fundamental, comecei a deixar muito clara a minha postura para minhas amigas: “Eu não tenho absolutamente nenhum interesse em garotos ou romance.”
Graças a esse esforço, mesmo agora, como aluna do segundo ano do ensino médio, minhas amizades vão bem.
Bom, sou uma adolescente no auge da juventude, uma colegial glamourosa, mas... dizer que a situação atual — em que todas as minhas amigas são meninas e não existe nem sinal de romance — está “indo bem” talvez seja um pouco questionável.
Mas, para mim, a existência dos garotos agora não passa de uma fonte de problemas.
O acontecimento mais marcante ocorreu pouco antes das férias de verão começarem.
No dia da cerimônia de encerramento, depois das aulas, enquanto conversava com minhas amigas sobre as férias e pensava em ir para casa, eu fui chamada de repente pelo sistema de som da escola.
Enquanto eu ficava completamente paralisada, sem entender o que estava acontecendo, as meninas ao meu redor começaram a gritar e se empolgar.
Pelo visto, quem me chamou foi um veterano do terceiro ano.
O nome dele era… tenho a impressão de que era Gotō. Não, talvez Saitō?
Enfim, como aquele veterano usou o sistema de som da escola, acabou sendo impossível fingir que não ouvi.
Bom, acho que esse era exatamente o objetivo dele.
Mesmo morrendo de vergonha, fui para o pátio da escola, onde ainda havia muitos alunos, e lá estava o culpado, Saitō… ou seria Andō-senpai? Aquele cara, enfim.
E, como se tivesse enlouquecido, ele tirou um anel do nada e me pediu em casamento.
Uma enorme gritaria tomou conta dos estudantes assistindo de dentro dos prédios ao redor.
Mas eu estava em pânico, entre a vergonha e a falta total de senso comum de Andō-senpai, então só disse: “Eu não estou interessada”, e saí correndo dali.
A partir daí, minhas lembranças ficam vagas.
Quando percebi, já estava em casa, jogada na cama do meu quarto. Na minha mente, a atitude absurda daquele Itō-senpai não saía da cabeça.
[Almeranto: Ela errando o nome dele o tempo todo kkkkk. Também, se fosse eu no lugar dela, tentaria esquecer esse cara o mais rápido possível. Que cara maluco. | Del: Falar para tu, até eu esqueci o nome do sujeito.]
Esse evento com certeza vai virar assunto quando as férias terminarem.
Além disso, esse tal Itō-senpai é bem famoso e popular entre as meninas.
Por que ele é famoso e por que é popular, eu não faço ideia, mas tem uma coisa que eu sei com certeza: depois de ser alvo de uma confissão tão chamativa, eu com certeza vou ser odiada por algumas meninas.
Antes mesmo de começar o recesso, só de imaginar o que aconteceria depois já me deixava deprimida. Então peguei meu celular, ainda encolhida na cama, abri o app de mensagem, abri a conversa com Aizawa Saki e apertei o botão de ligar.
Depois de alguns toques, ela atendeu.
[Alô~ Eu sabia que você ia ligar.]
“Saki~ eu não aguento maaaais~ eu não quero ir para a escola~”
[As férias de verão começam amanhã.]
“Eu queria que fossem férias para sempre~”
Caí no choro, desabando com a minha melhor amiga desde o fundamental.
“O que há com aquele Endō-senpai!? Chamar alguém pelo sistema de som da escola é coisa de maluco!”
[Ahahahaha, não é Endō. Eu realmente senti pena de você, Ayaka, por isso.]
“Se eu encontrar aquele Endō-senpai de novo na escola, vou encarar ele com ódio…”
[Aí ele vai é ficar feliz, não vai? Ah, e não é Endō — é Kaitō-senpai. O que fez a confissão pelo sistema de som.]
“É mesmo? Eu nem lembro mais o nome… eu estava tão envergonhada que não ouvi nada do que ele disse.”
Saki caiu na gargalhada do outro lado da linha.
[Ahaha! Coitado do Kaitō-senpai. Ele fez todo aquele esforço para se declarar e nada chegou até você. Hahaha!]
“Quem é a coitada aqui sou eu! Aquele senpai é popular, né? Com certeza eu vou ganhar um monte de inimigas…”
[Talvez todo mundo esqueça durante as férias, sabe?]


“Você acha mesmo? Aquele foi super impactante, não foi? Quer dizer, foi um pedido de casamento, né? Com um anel.”
[Ah~ bom, é...]
Mesmo sendo só estudantes do ensino médio?
Pular o namoro e ir direto para um noivado ou algo assim… eu realmente não entendo o que isso significa.
“Ah~ acho que eu devia ter ido para uma escola só de garotas, afinal...”
[Aí eu teria ficado longe de você.]
“Eu não quero isso~”
A pessoa com quem estou falando agora, Aizawa Saki, é minha melhor amiga desde o primeiro ano do ensino fundamental. Compartilhei com ela todos os momentos divertidos e difíceis até hoje.
Agora, ela é a minha única e insubstituível amiga com quem posso conversar livremente sobre esse tipo de coisa. Não consigo imaginar ir para uma escola diferente da dela.
“Ei, Saki, por que você não se transfere para uma escola só de garotas comigo?”
[Não diga coisas absurdas.]
Tendo recebido a resposta instantaneamente, fiz um biquinho com um “Hmm”.
Claro, estou dizendo isso como brincadeira, então seria um problema se ela levasse a sério. Ainda assim, protestei.
“Você é má, Saki.”
[Eu já disse isso antes, mas você devia arrumar um namorado.]
Com as palavras da minha melhor amiga, lembrei do que ela havia me dito antes.
Foi logo depois de eu entrar no ensino médio, quando eu estava cansada de receber três confissões seguidas de garotos.
Saki sugeriu: [Por que você não arranja um namorado falso só para afastar os garotos?]
Mas se eu conseguisse um namorado tão facilmente assim, não estaria sofrendo com confissões em primeiro lugar.
Naquele momento, descartei a sugestão da Saki.
“Isso é impossível. Além disso, não é muito insincero namorar alguém que você nem gosta só porque não quer receber confissões?”
[Será? Mas sabe... criar um relacionamento falso com um garoto que você encontra por acaso, só para evitar confissões... não parece algo tirado de um bom mangá de romance? Você também gosta desse tipo de coisa, né?]
“Bom, eu gosto... mas...”
Respondendo de forma vaga às palavras de Saki, virei o olhar para a estante do meu quarto. Estava lotada de mangás de romance.
[Del: Ela é uma apreciadora dos romances.]
A frustração de não conseguir viver um romance na vida real fez com que eu acabasse comprando e lendo muitos mangás desse tipo.
Minha postura de não ter interesse em garotos ou romance é apenas um mecanismo de defesa para manter boas amizades. Eu também sou uma garota normal do ensino médio, então também tenho vontade de viver um romance como todo mundo.
[Viu? Viu? Não seria legal? No começo, eles só fingem ser namorados, mas depois começam a ficar conscientes um do outro e acabam virando namorados de verdade... Kyaah! Perfeito!!]
“Ei, não se empolga sozinha.”
[Então, nesse caso, acho que a Ayaka não tem escolha a não ser arrumar um namorado falso!]
“De jeito nenhum~ Primeiro de tudo, não tem ninguém que aceitaria fazer esse papel.”
Não é que eu esteja sendo convencida demais, mas acho que tenho uma noção de como minhas ações afetam a escola — principalmente os garotos.
Se eu começasse a namorar alguém específico, mesmo que fosse só fingimento, provavelmente causaria muitos problemas para essa pessoa.
[Hmm, pessoalmente, acho que o Ōtsuki-kun da nossa classe combinaria com você.]
“Ōtsuki-kun? Você quer dizer… Ah, aquele que ficou em primeiro no ranking da prova?”
Puxei da memória a pessoa de quem Saki estava falando.
Apesar de eu evitar garotos, pelo menos tento lembrar os nomes dos meus colegas de classe.
[Isso, isso! Acho que o Ōtsuki-kun combina com você, Ayaka~]
“É~? Por quê?”
[Bom, comparado aos outros garotos, o Ōtsuki-kun tem um ar mais calmo e não é insistente, sabe? E também parece meio cavalheiro.]
“É... mesmo?”
Como eu normalmente só convivo com garotas na escola, quase não sei como são os garotos da classe.
[Além disso, se você tiver um namorado, os caras estranhos não vão chegar perto, e se algo acontecer, ele te protege, né? Então como sua melhor amiga, isso me deixaria mais tranquila.]
Eu já fui vítima de perseguição leve algumas vezes antes. Parece que a Saki se preocupa com isso.
“Mas isso é um guarda-costas, não um namorado.”
[Exatamente.]
“Moou! Para de me zoar~”
Mesmo reclamando, não consegui segurar o sorriso. Como esperado, quando converso com a Saki, mesmo quando algo ruim acontece, meu coração fica mais leve naturalmente.
[Ei, quer ir a uma cafeteria comigo amanhã?]
“Oh? Boa ideia. Para qual cafeteria? Já que é férias de verão, vamos tentar um lugar novo?”
[Sim, pode ser.]
Enquanto eu me animava conversando com Saki sobre a cafeteria de amanhã, ouvi a voz da minha mãe vinda da direção da escada.
“Ayaka~ preciso falar com você um pouco, desça aqui~”
“Okay~ Saki, desculpa, minha mãe está me chamando.”
[Tudo bem. Te mando mensagem depois sobre os planos de amanhã.]
“Tá bom, até depois.”
[Até mais.]
Depois de encerrar a chamada, saí do meu quarto e fui para a sala. Quando cheguei lá, minha mãe estava ocupada andando de um lado para o outro. Ao olhar para o chão, havia uma grande mala aberta.
“Hm? Mãe, você vai viajar?”
“Sim. Apareceu uma viagem de negócios de última hora.”
A mãe disse isso enquanto colocava roupas e outras coisas na mala.
Minha mãe administra uma empresa. É como chamam de diretora-presidente. Por isso, às vezes ela sai para viagens de negócios assim. Não é incomum ela ir para o exterior, e quando isso acontece, fica fora por cerca de uma semana.
“Entendi... Vai ser longa desta vez?”
Perguntei com um tom um pouco cabisbaixo.
Quando ela sai, fico só eu e o Ryōta em casa. Meu irmãozinho tem só cinco anos e é muito novo para ficar sozinho. Então eu que cuido dele.
Mas, se for assim, meus planos de ir à cafeteria com a Saki amanhã vão ser cancelados.
“Está previsto para três dias. Acho que vou voltar no mesmo dia que o pai.”
“...Certo.”
Por sinal, meu pai também administra uma empresa e está em viagem de negócios no momento.
Eu respeito muito meus pais, que fazem trabalhos tão ocupados e importantes.
Mas às vezes, também fico insatisfeita com eles saindo a trabalho assim.
Claro, sei que tanto o pai quanto a mãe nos dão muito amor e tentam arrumar tempo para a família sempre que podem.
Então não quero ser muito egoísta, mas ainda assim um pouco da minha insatisfação aparece no meu rosto.
Percebendo isso, a expressão da minha mãe ficou um pouco culpada.
“Desculpa, principalmente porque as férias de verão começam amanhã.”
“Não, é trabalho. Não tem o que fazer.”
“Vou trazer lembrancinhas. Por favor, cuide do Ryōta.”
Meu irmão Ryōta provavelmente está dormindo agora.
Se ele, que está na fase de querer ser mimado pelos pais, estivesse acordado, com certeza estaria chorando e tentando impedir a Mamãe de viajar. Para ser sincera, eu também queria chorar e pedir colo. Mas, como irmã mais velha e estudante do ensino médio, não posso fazer isso.
“Tá bom, deixa tudo comigo. Concentre-se na viagem, Mãe.”
Disse isso tentando sorrir brilhante para esconder a insatisfação dentro de mim. Então ela, como se tivesse lembrado de algo, disse: “Ah, é mesmo!”, e me mostrou um panfleto que estava sobre a mesa.
“Se ficar cansada de cuidar da casa, pode usar isto.”
“O que é isso?”
Pegando o panfleto, olhei o conteúdo.
“...Serviço de limpeza?”
“Isso mesmo. Se você pedir, eles limpam, lavam roupa e cozinham também. Conveniente, né?”
“Hmm~”
Sob o slogan “Torne seu tempo mais significativo com um serviço de limpeza”, o panfleto explicava vários serviços e planos.
“Uau~ eles até fazem compras.”
“Sim. Aqui, se for ligar para eles, use este dinheiro.”
Dizendo isso, a mãe me entregou um dinheiro.
“É sério? Tudo bem, se eu ligar para eles, uso minha mesada.”
Como quase não costumo gastar minha mesada, daria para chamar um serviço de limpeza uma ou duas vezes.
Mas Mamãe balançou a cabeça e empurrou o dinheiro de volta.
“Considere isso como um pedido de desculpas por deixar você cuidando da casa logo no primeiro dia das férias.”
“...Tá bom. Então eu aceito.”
Bom, se eu não acabar chamando o serviço, posso devolver o dinheiro depois.
“Certo, o táxi já chegou, então estou indo.”
“Tá bom, boa viagem. Se cuida.”
A mãe fechou a mala, entrou no táxi que estava esperando na porta e partiu para a viagem de negócios.
Depois de me despedir na entrada, enviei uma mensagem para Saki dizendo que queria cancelar o plano de amanhã.
[Desculpa. Meus pais foram viajar a trabalho, então não posso ir à cafeteria amanhã.]
Junto da mensagem, enviei um sticker de um coelhinho chorando torrencialmente.
A cada som de envio, meu humor ficava mais para baixo.
[Sério? Quanto tempo eles vão ficar viajando?]
[Ambos meus pais voltam juntos em três dias.]
[Entendi... Quer que eu vá até sua casa, Ayaka?]
Eu quase respondi “Sim” imediatamente, mas consegui me segurar.
A casa da Saki fica bem longe da minha agora.
Até o fundamental, ela morava num apartamento pertinho da minha casa, mas logo antes do ensino médio, ela se mudou para uma casa nova.
Mesmo sendo uma notícia feliz, lembro que chorei naquela época porque não queria que ela fosse morar longe.
[Não, tudo bem. Quando meus pais voltarem, a gente sai de verdade, okay?]
[Tem certeza, Ayaka?]
[Sim! Super de boa.]
Enviei um sticker de um coelhinho fazendo um “joinha!” firme. Em seguida, a Saki mandou um sticker de um ursinho fazendo um círculo com as mãos acima da cabeça.
“...Haah~”
Não pude evitar soltar um suspiro.
O período de férias de verão do meu segundo ano do ensino médio havia começado de um jeito bem deprimente.
Além da confissão do Kaitō-senpai, meu plano de sair com a Saki foi cancelado. Essas duas coisas me causaram um grande dano mental. Nessa situação, eu ainda tinha que fazer o jantar para o Ryōta, brincar com ele e cuidar dele. E, entre tudo isso, precisava fazer tarefas domésticas como lavar roupa e limpar a casa.
Pelos três dias em que meus pais estariam fora em viagem de trabalho, eu precisava ser forte.
Repetindo isso para mim mesma, passei os três dias.
Mas, no último dia, a fadiga mental acumulada foi tão grande que acabei pegando no sono profundamente no sofá da sala.
Para ser sincera, eu só pretendia deitar e descansar um pouco porque estava cansada, mas quando percebi, já tinha caído em um sono profundo.
Preocupada comigo dormindo daquele jeito, meu irmão mais novo, Ryōta, tentou preparar o almoço sozinho sem me acordar. Mas, para um Ryōta de cinco anos, cozinhar sozinho era um desafio completamente imprudente e, como esperado, a cozinha ficou uma bagunça.
Ryōta, que ficou abatido depois de falhar na tentativa de cozinhar, pediu desculpas repetidas vezes dizendo: “Desculpa.”
Como originalmente foi minha culpa por deixar transparecer o cansaço e fazer meu irmão pequeno se preocupar, eu não consegui brigar com ele de verdade.
Vendo meu irmão com a cabeça baixa, afaguei seus cabelos e disse:
“É perigoso o Ryōta ficar sozinho na cozinha. Da próxima vez, chama a Onee-chan direitinho, tá?”
“Tá... Me desculpa.”
Enquanto eu acariciava gentilmente a cabeça do Ryōta, que se desculpou novamente, o som da campainha “Pin-pon” ecoou pela casa.
“Ryōta, seu amiguinho chegou. Você não disse que ia brincar no parque hoje?”
“Sim, mas...”
Ryōta murmurou e olhou para a cozinha.
Talvez ele estivesse se sentindo culpado por ir brincar depois de ter feito aquela bagunça. Abaixei-me para ficar na altura de seus olhos.
“Eu vou arrumar a cozinha. Ryōta, pode ir brincar.”
“...Tem certeza?”
“Tudo bem. Vai lá, não deixa seu amigo esperando.”
Ryōta costuma brincar com os amiguinhos da vizinhança no parque. Nesses momentos, os pais dos amigos sempre ficam de olho nele, então eu fico tranquila.
Acompanhei o Ryōta até a entrada, cumprimentei rapidamente seu amigo e os pais dele, e então voltei para a cozinha — e não consegui evitar suspirar.
“Haa~ Isso é difícil.”
Eu entendia perfeitamente que o Ryōta não teve intenção nenhuma de fazer algo errado. Na verdade, foi meu erro mostrar que estava cansada e acabar fazendo meu irmãozinho se preocupar.
Porém, mesmo que eu entendesse isso racionalmente, era verdade que o cansaço mental e físico ainda estavam ali.
“Haah~”
Meu corpo não queria se mover e tudo o que eu conseguia fazer era suspirar.
“Vamos lá, eu! O pai e a mãe voltam hoje! Só preciso aguentar um pouquinho mais!”
Isso mesmo, o papai e a mamãe voltariam hoje à noite. Assim que voltassem, eu estaria livre das tarefas domésticas.
“Certo... Amanhã talvez eu devesse sair para algum lugar com a Saki.”
Falei isso em voz alta de propósito, tentando me animar. Mas meu corpo simplesmente não queria se mover.
“Ugh... Não vai dar...”
Com os ombros caídos, deixei a cozinha um momento e me sentei à mesa de jantar.
Então, um panfleto entrou no meu campo de visão.
Era o panfleto que a minha mãe tinha me mostrado no dia em que saiu em viagem de trabalho.
“...Serviço de limpeza doméstica, hein?”
Peguei o panfleto que estava sobre a mesa e olhei novamente os detalhes do serviço.
“...Talvez eu devesse ligar para eles?”
Naquele momento, o serviço de limpeza parecia incrivelmente atraente para mim.
“Ela disse que eu podia chamar também...”
Enquanto murmurava palavras para me convencer, escaneei o QR code do panfleto. Em seguida, abri o site do serviço de limpeza e, quando percebi, já tinha feito o pedido.
“E–eu solicitei mesmo...”
Ao olhar o e-mail de confirmação, senti a tensão subindo dentro de mim.
Eu... eu acabei chamando por impulso, mas será que tudo bem? Será que é permitido uma estudante do ensino médio pedir esse tipo de serviço...?
Enquanto pensava nisso, esperei inquieta pela chegada da pessoa responsável. E então, quando estava quase dando três horas da tarde, o serviço de limpeza finalmente chegou.
E, ao mesmo tempo, eu fiquei chocada.
Surpreendentemente, a pessoa que veio era o Ōtsuki-kun, da minha sala.
“Eh...? Por quê...?”
Sem querer, eu me enrijeci e fiquei alerta.
Porque, depois de ver alguém como o Kaitō-senpai, acho natural ficar assim.
Talvez percebendo a minha desconfiança, o Ōtsuki-kun sugeriu trocar o funcionário responsável. A atitude dele me fez sentir um pouco aliviada.
Ōtsuki-kun estava me tratando como uma cliente.
Não havia qualquer intenção estranha em seu comportamento. Quando percebi isso, a voz da Saki ecoou dentro da minha cabeça.
“Hmm, pessoalmente, acho que o Ōtsuki-kun da nossa sala combina com a Ayaka.”
Levemente influenciada pelas palavras da Saki, decidi seguir em frente e pedir para que ele ficasse responsável. O Ōtsuki-kun pareceu um pouco surpreso, porém.
Pelo visto, meu julgamento estava certo.
Ōtsuki-kun, como funcionário do serviço de limpeza, foi extremamente profissional.
No meio do trabalho, houve um pequeno incidente em que o Ryōta, que tinha voltado do parque, confundiu o Ōtsuki-kun com um ladrão, mas mesmo assim ele não se irritou e tratou o Ryōta com gentileza.
Ryōta também pareceu ter simpatizado com ele e, quando o Ōtsuki-kun estava indo embora, até se aproximou sozinho e disse “Tchau-tchau” para se despedir.
O Ryōta é bem tímido e nunca se aproxima sozinho de alguém que acabou de conhecer, então vê-lo se abrir tão rápido deixou meu coração um pouco aquecido.
Mas eu meio que entendi o motivo.
Assim como a Saki disse, o Ōtsuki-kun tem um ar calmo e um jeito gentil de falar. Talvez por ser parte do trabalho, mas a forma educada como ele se comunicava fazia ele parecer muito maduro — tão maduro que eu mal conseguia acreditar que era da minha idade.
Além disso, o Ōtsuki-kun tem habilidades domésticas impressionantes.
É natural, já que ele trabalha num serviço de limpeza, mas ele deixou a cozinha — que estava um desastre — completamente brilhando, e até limpou a sala, que eu nem tinha pedido, deixando-a sem um único grão de poeira.
E, quando cozinhava, parecia um chef profissional. Eu não conseguia parar de olhar para ele trabalhando.
Eu sempre evitei garotos, mas talvez eu consiga ser amiga do Ōtsuki-kun...
Mesmo que tenha sido por pouco tempo, conforme eu interagia com ele, comecei a sentir isso vagamente. Apenas uma sensação... mas parecia que o Ōtsuki-kun olharia para quem eu sou por dentro, e não apenas para minha aparência. Afinal, ele me chamou de “boa irmã mais velha”.
Depois de começar a pensar nessas coisas, senti uma leve insatisfação — ou talvez decepção — por ele me tratar como uma “cliente”.
Quando finalmente achei que poderia fazer meu primeiro amigo homem, ser tratada como cliente criava uma distância enorme.
Depois que o Ōtsuki-kun foi embora, o Ryōta e eu comemos o hambúrguer que ele fez — e foi o hambúrguer mais delicioso da minha vida.
Cheguei até a me preocupar que o Ryōta engasgasse, porque ele devorou tudo numa velocidade absurda. Ver meu irmão com os olhos arregalados, sem nem piscar, enquanto comia aquele hambúrguer, foi quase assustador.
A culinária do Ōtsuki-kun, capaz de conquistar o Ryōta desse jeito, é realmente incrível!!
※※※
Ōtsuki Haruto
No dia seguinte, Haruto — que havia concluído com sucesso o trabalho de faxina na casa dos Tōjō — estava visitando a casa de seu melhor amigo, Akagi Tomoya.
“Ei, Haru. Você não ia só estudar e trabalhar meio período nas férias de verão? Tudo bem vir relaxar na minha casa?”
Tomoya disse em tom de provocação.
“Essa era a ideia, mas ontem à noite eu acabei assistindo a um programa de TV sobre casas acumuladoras.”
Haruto continuou falando enquanto organizava os mangás bagunçados na estante.
“De repente fiquei preocupado. E se a próxima casa acumuladora do programa for o quarto do meu melhor amigo?”
“Meu quarto não é tão sujo assim!!”
Tomoya se inclinou para frente na cadeira e rebateu com força.
Era pleno verão, com um calor escaldante dia após dia.
A luz forte do sol entrava brilhante no quarto de Tomoya. Porém, graças ao ar-condicionado, o ambiente tinha apenas a claridade, enquanto a temperatura permanecia confortável.
“Bom, na verdade eu vim fugir do calor. O ar-condicionado do meu quarto não tá funcionando direito.”
Tomoya lançou um olhar morto para Haruto, que disse isso como se não fosse nada demais.
“Ei, vou cobrar você pela conta de luz.”
“Então eu vou te cobrar pela faxina. Incluindo todas as vezes anteriores.”
“Desculpa. Pode usar o quarto como quiser.”
Tomoya se rendeu rapidamente.
Ele recostou-se novamente na cadeira e perguntou a Haruto:
“Aliás, ontem não foi seu primeiro dia de trabalho? Como foi fazer limpeza na casa dos outros?”
“Ah, certo…”
Ao ouvir a pergunta, Haruto parou de arrumar por um instante e pensou.
“Bom… até que é gratificante, eu acho?”
Haruto respondeu lembrando-se do sorriso da Tōjō-san lhe dizendo “obrigada”.
“Hã? Por que você tá sorrindo, Haru?”
Com o comentário de Tomoya, Haruto rapidamente ajustou a expressão.
“Hã? Não tô sorrindo.”
“Tava sim… Ah, já sei!”
“O-o que foi?”
“A cliente era uma onee-san bonita!”
Haruto ergueu um pouco as sobrancelhas diante da convicção exagerada do melhor amigo.
“Tá errado!”
“Não, isso com certeza. E aposto que ela era uma office lady cansada.”
“Para de inventar fantasia estranha.”
“E mais! Uma onee-san super sexy. O Haru é do tipo reprimido, então deve ter ficado escondendo isso.”
Haruto olhou para ele, exasperado, enquanto Tomoya cruzava os braços e balançava a cabeça como se tivesse entendido tudo.
“Claro que não! E quem você tá chamando de reprimido?”
“Tô errado? Mas a cliente era uma mulher bonita, né?”
“Por que você acha isso?”
“Hã? Porque eu senti.”
Falou como se fosse óbvio. Coincidência ou intuição impressionante? Haruto deu um sorriso tenso diante do amigo imprevisível.
“Ei, Haru. Fala a verdade! Aconteceu algum evento sexy?”
“Não existe a menor chance de acontecer algo assim com a Tōjō-san!”
“...Hã? Tōjō-san?”
“...Ah…”
Haruto, percebendo que havia falado demais, se calou rapidamente.
“Espera!! Tōjō-san? Aquela Tōjō-san?! Tōjō Ayaka-san?!”
“Não… não é isso—”
“É sim! Essa reação entrega que é a Tōjō Ayaka-san!”
Embora surpreso, Tomoya parecia completamente convencido de que a cliente era a Tōjō-san.
Percebendo que não tinha como enganar, Haruto confessou e ainda pediu sigilo:
“Você não pode contar pra ninguém que a Tōjō-san pediu serviço de faxina, okay? Se eu não proteger a privacidade dos clientes, a empresa vai brigar comigo. Eu confio em você, Tomoya. Se você espalhar, eu corto nossas relações.”
“Tá, tá, eu não vou contar. Mas e aí? Como foi?”
“Como foi o quê?”
Haruto inclinou a cabeça enquanto voltava a arrumar o quarto.
“Como assim ‘o quê’? Você foi na casa da Tōjō-san!”
“Fui, né…”
Haruto olhou para Tomoya com expressão cansada.
“Eu fui lá pra trabalhar, não pra passear.”
“Certo, certo. Então, como é a casa dela? Tinha aquele cheirinho bom que toda onee-san tem?”
Haruto soltou um longo suspiro, ignorado completamente pelo amigo curioso.
“Ei, você tá parecendo um pervertido. E isso é informação pessoal da cliente. Não posso contar.”
“Tsc, que mesquinho. Eu sou seu melhor amigo, não sou?”
Haruto ignorou a birra exagerada de Tomoya.
Se fosse uma garota fofa fazendo aquilo, talvez ele se abalasse — mas um cara fazendo beicinho só o deixava mais irritado.
“Mesquinho~ Mesquinho Haru~ Mesquinho mesquinho~”
“Cala a boca!”
Haruto jogou a revista musical que estava segurando. Tomoya desviou com facilidade e riu com gosto.
“Mas isso é legal, Haru.”
“Hã? O que?”
“Você provavelmente vai ficar amigo da Tōjō-san nessas férias. Tô com inveja~”
Tomoya disse isso sentado na cadeira de pernas cruzadas e com um grande sorriso. Mas Haruto franziu a testa, sem entender.
“Por que ficaríamos amigos só porque eu fui lá uma vez?”
“Hã? Você não vai ter que ir lá várias vezes durante seu trabalho?”
Tomoya perguntou confuso. Haruto logo negou com um gesto.
“Claro que não. Foi só dessa vez. Não vou pra casa da Tōjō-san de novo.”
“Hã? Por quê?”
“Como assim por quê? Normalmente, você não ficaria desconfortável? Ter um colega de classe indo limpar sua casa. Se eu fosse ela, mesmo que pedisse o serviço de novo, escolheria outra pessoa. É muito constrangedor deixar um colega limpar sua bagunça.”
“Hmmm? Será?”
Tomoya inclinou a cabeça e olhou para o colega que, naquele exato momento, estava limpando o quarto dele.
“Não acho constrangedor, não.”
“............”
A boca de Haruto tremeu.
“Talvez eu realmente devesse cobrar por isso.”
Haruto murmurou.
“O quê?! P-pelo amor de Deus, não! Eu tô quebrado, acabei de comprar isso aqui!”
Tomoya abraçou desesperado o estojo preto ao lado dele.
“Huh? Comprou uma nova?”
O estojo era de guitarra.
Tomoya começou a tocar ainda no fundamental e agora estava numa banda com colegas de outras escolas.
“Sim! Outro dia fui numa loja e me apaixonei por essa à primeira vista.”
Tomoya disse “Dehehe~” esfregando a bochecha na guitarra. Haruto, meio enojado, olhou para a outra guitarra encostada na parede.
“Precisa de duas guitarras?”
“Sim! Nunca é demais ter guitarras!”
“Hm, entendi.”
Sem entender nada de música, Haruto voltou à faxina.
“Ei! Mostra mais interesse!”
“Mas eu não entendo nada de instrumentos e nem planejo tocar.”
“Não fala isso, Haru. Toca guitarra também! Vamos formar uma banda!”
Tomoya gesticulou animado, como se fosse ensinar tudo desde o zero.
“Não, eu passo.”
“Eeei~ Então seja o vocal! A gente quer tocar no festival da escola esse ano! Vamos curtir nossa juventude!”
Tomoya deu um sorriso brilhante e um joinha. Haruto respondeu sem parar de limpar:
“Não, eu não vou.”
“Não fala isso~ Vamos formar uma banda~ Vamos curtir música juntos~”
Haruto continuou limpando, ignorando Tomoya choramingando como uma criança.
“Haru~ Vamos formar uma banda~ Vamos curtir música juntos~”
“Tá, tá, eu penso um pouco sobre isso. Aliás, a Haruka-chan não tá em casa hoje?”
Para mudar de assunto, Haruto perguntou sobre a irmã de Tomoya.
“Ela foi de novo pra aula de verão desde cedo.”
“Entendo, a Haruka-chan vai fazer o exame de admissão no ano que vem, né.”
Tomoya, seu melhor amigo, tinha uma irmã dois anos mais nova que ele. Ele não era apenas o melhor amigo de Haruto, mas também seu amigo de infância — e a irmã dele era praticamente uma irmãzinha para Haruto também.
Quando eram pequenos, os três brincavam juntos com frequência, e a irmã de Tomoya, Haruka, também tinha muito carinho por Haruto, chamando-o de “Haru-nii”.
“Ela tá se esforçando mesmo, dizendo que vai entrar na mesma escola que você no ano que vem.”
“Entendi… então a Haruka-chan vai ser minha kouhai no próximo ano.”
“Se ela passar no exame, né.”
“Tenho certeza de que a Haruka-chan vai conseguir.”
Ela era uma garota inteligente em todos os sentidos; provavelmente estudaria na mesma escola que ele no ano seguinte.
Enquanto Haruto sorria, imaginando esse futuro, Tomoya o encarou com um sorriso malicioso.
“Ei, Haru. Você tá traindo a Tōjō-san com a Haruka?”
“Hã? Que besteira você tá falando? E além disso, eu acabei de dizer, não disse? Eu não vou ser chamado de novo pra casa da Tōjō-san.”
“Mesmo?”
Tomoya, com aquele sorriso de quem achou graça, jogou essa dúvida no ar, apesar da certeza de Haruto.
※※※
“Eu pensei que realmente não seria chamado de novo…”
Na frente de um certo casarão, Haruto murmurou para si mesmo.
Ontem, ele tinha afirmado categoricamente para Tomoya que não voltaria à casa dos Tōjō. Ele mesmo tinha acreditado nisso. Mas agora estava ali novamente, parado diante do portão — e isso fazia um turbilhão de preocupações subir à mente.
“Será que… será que me chamaram porque eles tem alguma reclamação sobre a última vez? Tipo, o hambúrguer estragou e alguém teve intoxicação alimentar? Não, não… se fosse isso, reclamariam direto pra empresa…”
Pensamentos caóticos corriam pela cabeça de Haruto.
Nenhum deles era realista, mas ainda assim ele, atolado em ansiedade, apertou o interfone com dedos pesados. “Ping-pong.” O silêncio que se seguiu pareceu eterno.
“Sim, sim! Quem é?”
Ao contrário da tensão de Haruto, a voz que saiu pelo interfone era incrivelmente animada.
“Ah… eu sou do serviço de limpeza.”
“Oh, meu Deus! Eu estava te esperando! Vou abrir a porta agora, só um instante~!”
Haruto franziu o cenho. A voz era parecida com a de Tōjō-san, mas o tom era tão alto e alegre que não combinava com ela. Talvez fosse a irmã mais velha dela.
Para Haruto, a imagem de Tōjō Ayaka era de uma garota gentil, tranquila. Quando ele esteve ali da outra vez, ela parecia uma onee-san responsável, que cuidava bem do irmão.
Enquanto pensava nisso, a porta abriu com um rangido — e uma mulher apareceu.
Ela parecia ter seus vinte e poucos anos. Muito bonita, com um ar parecido com o de Tōjō-san. Sim, provavelmente era a irmã mais velha.
“Você é o Ōtsuki-kun! Entre, entre!”
“Ah, sim. Com licença.”
Haruto entrou e calçou as pantufas que havia trazido. Nesse momento, notou Ryōta observando do final do corredor.
“Ryōta-kun, olá.”
“...Olá.”
“O hambúrguer estava gostoso?”
Ryōta ainda parecia um pouco desconfiado, mas seu rosto amoleceu na hora com a pergunta.
“Tava. Tava muito gostoso.”
“Fico feliz que tenha gostado.”
Quando Haruto sorriu gentilmente, Ryōta devolveu um sorrisinho tímido.
“Hehehe, a Ayaka me contou que ele ficou comendo o hambúrguer super concentrado.”
A mulher — que Haruto ainda achava ser a irmã mais velha — observava a cena com um sorriso caloroso.
“A mamãe comeu o hambúrguer também, né?! Tava bom, né?!”
Talvez para esconder a própria vergonha, Ryōta tentou explicar com entusiasmo o quanto estava gostoso.
“Sim, estava delicioso.”
Haruto ficou completamente imóvel.
Ele descobriu, naquele momento, que a mulher não era a irmã… mas a mãe de Tōjō-san. Ela era tão jovem e bonita que era difícil acreditar que tinha dois filhos.
Sem perceber o choque de Haruto, Ryōta perguntou com expectativa:
“O que você vai fazer pra gente hoje?”
“Calma, calma, Ryōta. Primeiro temos que levar o Ōtsuki-kun até a sala de estar.”
“Ah, tá.”
Ryōta assentiu e começou a guiá-lo. Haruto, ainda desnorteado, apenas sorriu e o acompanhou até a sala.
“Na verdade, o Ryōta passou a manhã inteira perguntando ‘O onii-chan do hambúrguer vem hoje também?’ Ele não desistia.”
“É mesmo?”
Por dentro, Haruto ainda estava abalado por ter confundido a mãe com a irmã; por fora, mantinha um sorriso profissional.
“Deixe-me apresentar corretamente. Muito obrigado por utilizarem nosso serviço. Eu sou Ōtsuki, o responsável. Hoje recebemos o pedido de Tōjō-sama sobre o plano de três horas, que inclui faxina e preparo do jantar, correto?”
“Sim, sim, exatamente.”
Ao ouvir a confirmação formal de Haruto, Ikue — a mãe — fez uma expressão meio insatisfeita.
“Ayaka me contou que o Ōtsuki-kun é colega dela, não é?”
“Ah, sim. Isso mesmo.”
“Então não precisa falar tão formal assim! E também não precisa me chamar de Tōjō-sama, me chame de Ikue!”
Haruto ficou desconcertado.
“Mas… mesmo sendo mãe de uma colega, a senhora ainda é uma cliente, então…”
“Ah, não diga essas coisas frias. Fale mais casualmente, sim?”
“Não, mas…”
“Por favor? Pode ser?”
Ikue juntou as mãos, inclinou a cabeça e olhou para ele de baixo pra cima — um pedido irresistivelmente fofo. Como esperado da mãe de Ayaka, uma beleza com charme adulto. Haruto, um adolescente vulnerável, não resistiu.
“...Certo. I-Ikue-san.”
“Que bom! Fico muito feliz, Ōtsuki-kun!”
“D-de nada.”
Haruto corou levemente e fez uma pequena reverência. Nesse momento, Tōjō-san entrou na sala.
“Ah, Ōtsuki-kun. Você chegou. Seja bem-vindo.”
“Com licença. Tōjō-sa… Tōjō-san.”
Assim que soltou “Tōjō-sama”, sentiu o olhar de Ikue e corrigiu às pressas.
“Obrigada por vir de novo.”
“Sim. Da última vez, quando contei pros meus pais que a faxina e o hambúrguer tinham sido feitos pelo serviço de limpeza, e que quem fez era o Ōtsuki-kun da minha turma, os dois ficaram querendo te conhecer. E o Ryōta ficou insistindo que queria comer de novo a sua comida.”
Com um leve rubor, Ayaka explicou. Haruto curvou-se educadamente.
“Fico muito feliz que tenham ficado satisfeitos. Vou me esforçar novamente.”
“Ah… obrigada.”
Ayaka curvou-se discretamente. Ikue, observando os dois, levou a mão ao rosto e sorria.
“Vocês são colegas, não são? Podiam ser mais amigáveis.”
Ayaka fez uma expressão embaraçada.
“Mas eu nunca falei com o Ōtsuki-kun na escola antes…”
“Então aproveitem e virem amigos agora! Não é, Ōtsuki-kun?”
“Hã?! A-ah, sim. Acho… que sim.”
Haruto hesitou, mas foi arrastado pelo fluxo da conversa e acabou concordando.
Ikue sorriu satisfeita e disse à filha:
“Ayaka, você não tem nenhum amigo menino, não é? O Ōtsuki-kun parece um bom garoto. É uma ótima oportunidade.”
“E-ei, mãe! Eu não chamei o Ōtsuki-kun por esse motivo!”
“Oh? Ayaka, você não quer ser amiga dele?”
“Não é isso… mas…”
“Então quer! Desculpe, Ōtsuki-kun, é que essa menina sempre foi assim com essas coisas. Nada franca.”
“M-Mãe… paraaa…”
Ayaka cobriu o rosto, vermelha. Haruto soltou uma risadinha constrangida e tentou mudar de assunto:
“Bem… eu gostaria de começar a faxina. Há algum pedido específico?”
“Hmmm…”
Ikue pensou por um instante e olhou para a janela.
“Ah, ultimamente a sujeira nas janelas está me incomodando. Você pode limpá-las também?”
“Sim, entendido.”
Haruto examinou o vidro de perto.
“De fato, está um pouco acumulado.”
“Né? Ficou assim por causa da areia amarela e da chuva do outro dia.”
“Entendido. Vou começar.”
Ele arregaçou as mangas — e Ikue imediatamente comentou com brilho nos olhos:
“Meu Deus, Ōtsuki-kun, seus braços são bem fortes, não?”
O olhar dela seguia os músculos revelados pela manga dobrada.
“Você pratica algum esporte?”
“Na verdade, faço karatê desde pequeno.”
“Oh! Um garoto do karatê! Que incrível!”
Haruto curvou-se de leve, envergonhado.
“Obrigado.”
Sentindo-se um pouco melhor após ser elogiado por Ikue, Haruto tirou do volume que havia trazido os itens necessários para limpar as janelas e começou a limpá-las.
Para itens grandes, como aspiradores de pó, é comum usar os que já estão na casa. Porém, para itens pequenos, como panos usados na limpeza, ele utiliza os que trouxe consigo. Alguns desses itens foram fornecidos pela empresa, mas Haruto também preparou alguns por conta própria. Quando contou à avó que estava fazendo um trabalho de meio período de serviços domésticos, ela lhe deu vários itens práticos que achava que seriam úteis.
Haruto umedeceu jornal com água para limpar a janela.
Nesse momento, Ryōta se aproximou e perguntou com um rosto curioso.
“Por que você está usando jornal?”
“Se você limpar a janela com isso, a tinta do jornal remove a sujeira, sabe?”
“Oh~ Que incrível! Eu também quero limpar!”
Ryōta parecia estar gradualmente se acostumando com Haruto, ficando sempre perto dele enquanto ele limpava, fazendo perguntas de vez em quando.
“Quer tentar? Então, que tal limpar ali com isto?”
“Tá bom!”
Haruto entregou a Ryōta o jornal espremido e apontou um lugar onde ele conseguia alcançar, dizendo:
“Desculpe, Ōtsuki-kun. O Ryōta está te atrapalhando.”
Ikue, que estava trabalhando em seu laptop na sala depois de pedir que Haruto limpasse, chamou por ele.
“Não, ele está ajudando bastante, na verdade.”
“Isso mesmo, mamãe! Eu estou ajudando!”
À palavra “atrapalhando” dita por sua mãe, Ryōta fez biquinho e retrucou.
“Graças ao Ryōta-kun, parece que vamos terminar a limpeza da janela rapidinho.”
“Ehehehe.”
Quando Haruto acariciou gentilmente a cabeça de Ryōta, o garoto sorriu feliz.
“Oh céus, o Ryōta parece ter se apegado completamente ao Ōtsuki-kun. Eles até parecem irmãos de verdade, não é, Ayaka?”
“Hã? ...Ah, é. É mesmo.”
Tōjō, que estava encarando Haruto limpando enquanto descansava o queixo na mão ao lado da mãe, voltou à realidade quando foi chamada de repente.
Vendo a reação dela, Ikue sorriu de forma astuta.
“Ayaka, você estava viajando. Está chateada porque o Ryōta foi ‘roubado’ pelo Ōtsuki-kun? Ou talvez...”
Sua mãe disse isso com um sorriso travesso.
“Será que você ficou encantada pelo Ōtsuki-kun?”
“Kh!! O-O que você está dizendo, mãe!!”
Tōjō se levantou da cadeira com um estrondo, encarando a mãe.
“Ficando tão na defensiva~ Que jovial~”
“N-Não, não é isso! Não é nada disso!!”


Ao ouvir aquela voz alta, Ryōta, que estava limpando as janelas junto com Haruto, olhou estranhamente para a irmã.
“Onee-chan, por que seu rosto está tão vermelho? Você pegou um resfriado?”
“N-não está vermelho! E não é um resfriado! Eu já não sei mais!!” gritou Tōjō, saindo rapidamente da sala de estar logo em seguida.
“Mãe, o que aconteceu com a Onee-chan?”
Ryōta, que não conseguia entender o estado da irmã, olhou para a porta da sala depois que ela saiu, com uma expressão confusa. Ikue sorriu e disse:
“Ufufufu. A Onee-chan, sabe… está desfrutando da vida agora.”
“A Onee-chan não parecia estar nads desfrutando agora há pouco.”
“Fufu, ainda é cedo demais para você, Ryōta.”
Sem perder o sorriso animado, sua mãe desviou o olhar para Haruto, que estava diligentemente limpando as janelas ao lado de Ryōta.
“Eu ficaria tão feliz se a primavera chegasse para minha filha também, sabe…”
Aquele pequeno murmúrio, cheio de carinho materno, mas levemente solitário e ao mesmo tempo feliz, pareceu chegar fracamente aos ouvidos de Haruto, que estava concentrado na limpeza.
※※※
Depois de terminar as janelas, Haruto passou mais uma hora limpando a casa dos Tōjō, incluindo chão e banheiro.
“Ikue-san, terminei a janela. Há mais algum pedido?”
“Não! A limpeza está perfeita! Obrigada pelo seu trabalho.”
Haruto informou que tinha concluído todo o serviço. Ikue, que estava com o laptop aberto trabalhando na sala de estar, mostrou satisfação ao ouvir o relatório.
“É a primeira vez que meu trabalho rende tanto quando estou em casa! Normalmente, a limpeza e a lavanderia tomam tempo, e eu não consigo me concentrar. Você realmente me salvou~.”
“Fico feliz em ter ajudado. Agora, a senhora tem alguma preferência para o jantar?”
Ao ouvir isso, Ikue levou a mão ao queixo, pensativa.
“Hmmm… bom… como está quente, acho que quero comer algo refrescante. Mas algo com um pouco de sustância ajudaria também.”
Dizendo isso, Ikue olhou para Ryōta, que estava dormindo no sofá.
Talvez por ter se divertido tanto limpando junto de Haruto, ele havia ficado grudado nele até metade da tarefa. Mas talvez tenha se cansado por brincar demais — acabou cochilando, e Haruto teve que carregá-lo até o sofá.
“O Ryōta-kun está na fase de maior apetite, afinal.”
“Sim. Para mim, sōmen já estaria ótimo, mas pro Ryōta, sabe…”
Sōmen realmente é fácil de comer no verão quente, mas para uma criança no auge do apetite, seria pouco. Além disso, é difícil ter um bom equilíbrio nutricional só com isso.
Depois de pensar por um momento, Haruto sugeriu um cardápio:
“Então, que tal um macarrão ao creme com limão? Acho que o azedinho do limão deixaria refrescante.”
“Oh! Parece ótimo!”
“Também pensei em um potage gelado como sopa e uma salada Caprese.”
“Parece que teremos um jantar elegante e maravilhoso! Ah, e sobre os ingredientes… a geladeira está completamente vazia. Poderia fazer as compras também?”
“Sim, sem problema.”
Fazer compras também está dentro dos serviços de casa. Assim que Haruto assentiu, Ikue entregou o dinheiro.
“Será que isso basta?”
Dentro do envelope havia três notas de 10.000 ienes.
Haruto sentiu que finalmente entendia o que significava ser rico ao receber uma quantia tão grande de maneira tão casual.
“A quantia deve ser o suficiente. Quanto às compras, há algum mercado específico ou ingrediente que prefira?”
Algumas pessoas são bem exigentes com a origem dos ingredientes ou com o mercado que usam. Mas Ikue acenou com a mão.
“Nada em particular. Você sabe onde é o supermercado, certo?”
“Sim, sei. Então vou às compras.”
Assim que Haruto disse isso e estava prestes a sair da sala, Ryōta acordou de repente no sofá.
“...Huh? Onii-chan, onde você vai?”
“Vou fazer as compras para o jantar.”
“...Compras?”
“É isso mesmo.”
No instante em que Haruto respondeu, os olhos antes sonolentos de Ryōta despertaram imediatamente.
“Eu vou junto!!”
Ryōta disse, pulando do sofá e correndo até Haruto.
Pelo visto, limpar juntos fez Ryōta se apegar completamente a Haruto.
“Não, Ryōta. O Ōtsuki-kun não vai brincar, sabe?”
“Ehh~! Eu quero ir fazer compras também!”
Ikue fez uma expressão preocupada diante da birra do filho.
Ela achou que seria demais pedir para Haruto fazer as compras e ainda cuidar de Ryōta ao mesmo tempo, então balançou a cabeça.
“Não~, o Ōtsuki-kun está trabalhando, sabe? Vamos esperar ele voltar, Ryōta?”
Ao ouvir isso, Ryōta cerrou os punhos, olhando para baixo.
“Mas eu estava ajudando o Onii-chan a limpar agora há pouco…”
Talvez ele quisesse mesmo ir junto, porque lágrimas começaram a se formar nos olhos.
“Meu Deus… ele costuma ser tão obediente… Deve gostar mesmo do Ōtsuki-kun.”
“Eu não me importo, sabe?”
Haruto disse que não se incomodaria em levar Ryōta junto.
Mas Ikue ainda parecia hesitante — então, de repente, pareceu ter uma ideia.
“Nesse caso, talvez eu deva pedir para a Ayaka ir também e ajudar a olhar o Ryōta.”
Dizendo isso, Ikue saiu da sala e foi até as escadas.
“Ayakaa~ desça um pouquinho~!”
Tōjō estava trancada no quarto desde que saiu da sala, depois de ser provocada pela mãe.
“Ayakaa~!”
Quando o chamado ecoou novamente, Ayaka apareceu ao abrir a porta com um clack.
“...O que foi?”
Ela parecia um pouco irritada. Vendo isso, Ikue abriu um grande sorriso.
“O Ryōta está insistindo em ir às compras com o Ōtsuki-kun e não quer me ouvir. Então pensei se você poderia ir também para ajudar a cuidar dele.”
“Ehh…”
Ayaka olhou desconfiada para a mãe.
“Não tem nada suspeito, sabe? Veja… seria muito pedir para o Ōtsuki-kun fazer compras e cuidar do Ryōta, não é?”
“Isso… é verdade, mas…”
“Certo? Então, por favor, vá com ele cuidar do Ryōta.”
“...Tá bom.”
Ayaka assentiu, e Ikue abriu um sorriso enorme.
“Ryōta, sua Onee-chan vai junto, então você pode ir às compras.”
“Uaaaah!!”
Ryōta vibrou de alegria, balançando os braços no ar, e correu até a irmã.
“Obrigado, Onee-chan!! Eu te amo, Onee-chan!!”
“Sim, sim, eu sei. Agora vamos, você não ia às compras? Vai se arrumar logo.”
Ayaka respondeu com frieza, mas os cantos da boca estavam quase formando um sorriso.
“Desculpe, Ōtsuki-kun, vou precisar de um tempinho para me trocar. Pode esperar só um pouco?”
“Claro, sem problema.”
Ayaka voltou ao quarto, vestiu roupas adequadas para sair e logo desceu.
Ryōta já tinha se trocado e esperava impaciente na entrada.
“Onee-chan, que demora! Vamos, vamos!!”
“Tá bom, tá bom, calma um pouco, Ryōta.”
Haruto observou a cena dos dois irmãos com um sorriso caloroso. Ele também colocou os sapatos e foi para a porta.
“Então, estou indo.”
“Eu também.”
“Vamos indo~!!”
Às três versões de “estamos indo”, Ikue acenou com um sorriso.
“Certo~, boa ida. Cuidado com os carros.”
Haruto e os outros passaram pelo portão da casa dos Tōjō e seguiram rumo ao supermercado.
Talvez por estar muito feliz de ir junto, Ryōta estava inquieto desde que saíram. Como isso poderia ser perigoso caso um carro aparecesse de repente, Haruto chamou:
“Ryōta-kun, vamos dar as mãos até o supermercado?”
“Sim!!”
Ryōta aceitou na hora e segurou a mão de Haruto, todo feliz.
“Desculpe, Ōtsuki-kun, por ter que lidar com a teimosia do Ryōta.”
“Não, não, não tem problema.”
Haruto respondeu com um sorriso gentil.
Ele às vezes levantava o braço para deixar Ryōta se pendurar e seguiam brincando pelo caminho.
[Almeranto: Cara… Lembro de fazer isso com os meus pais quando era moleque, cada um segurava minha mão e às vezes eu me pendurava. | Del: Altas memórias de infância.]
“Ōtsuki-kun é gentil, né?”
“Hã? Sou?”
Haruto — agora carregando Ryōta nos ombros — respondeu de forma vaga ao comentário de Ayaka.
“É sim. Você cuida muito bem do Ryōta.”
“Ah, talvez porque eu seja filho único.”
Haruto sorriu ao olhar para Ryōta, rindo alegremente em seus ombros, e Ayaka olhava para eles com olhos gentis.
“Interagir com o Ryōta-kun me deixa realmente feliz. Eu fico pensando… talvez seja assim ter um irmão mais novo.”
“Às vezes ele é teimoso e nada fofo.”
“Mesmo assim, tenho inveja. Quem é filho único nem pode brigar.”
“Também é verdade.”
“Onee-chan, Onii-chan, do que vocês estão falando?”
Ryōta olhou para baixo, confuso, lá de cima.
“Estamos falando que você e o Ōtsuki-kun parecem irmãos. Vamos, estamos quase no supermercado. Desça daí.”
“Tá bom~”
Ryōta desceu obedientemente dos ombros de Haruto.
“Ei, ei, Onii-chan. Você vai me carregar nos ombros de novo?”
“Sim, se formos às compras de novo, eu faço isso.”
“Eba!”
Ryōta sorriu com as palavras de Haruto.
Guiados pela reação dele, Haruto e Ayaka também sorriram.
Pouco depois, Haruto e os outros chegaram ao supermercado e começaram a reunir os ingredientes necessários para o jantar.
“Falando nisso, Ōtsuki-kun. Qual é o menu para o jantar de hoje?”
Ayaka perguntou ao Haruto enquanto passava o braço por um cesto de compras que estava na entrada.
“Estou pensando em fazer macarrão cremoso com sabor de limão, potage gelado e salada Caprese.”
“Hmm, para o macarrão cremoso você vai precisar de leite e creme de leite, certo?”
“Isso mesmo, e eu gostaria de bacon também. Além disso, se tiverem vegetais verdes em promoção, quero incluir por causa da cor.”
Enquanto falavam e seguiam para a seção de vegetais, Ryōta, que estava ouvindo a conversa, correu até a prateleira de aspargos.
“Onii-chan! Este maço está por noventa e oito ienes! Ei, é barato?”
“Oh, isso está realmente barato. Bom trabalho, Ryōta-kun.”
O maço de aspargos que Ryōta segurava tinha uma quantidade decente amarrada. Embora fossem todos finos, como era para macarrão dessa vez, os finos eram convenientes, pois se misturariam melhor com os noodles.
Haruto pegou o maço de aspargos, bagunçou o cabelo do garoto dizendo “Obrigado”, e Ryōta mostrou uma expressão muito feliz.
“Tōjō-san, vou carregar a cesta.”
“Oh, certo. Obrigada.”
Haruto pegou a cesta das mãos de Ayaka enquanto colocava os aspargos dentro.
Ayaka encarou atentamente a atitude casual de Haruto.
“Hmm? Aconteceu algo?”
“...Ōtsuki-kun, você tem namorada?”
Sem entender a intenção da pergunta repentina, Haruto inclinou a cabeça e respondeu com uma expressão confusa:
“Hã? Não, não tenho...?”
“Entendi... É que você carregou a sacola para mim naturalmente, então achei que talvez estivesse acostumado com esse tipo de coisa.”
“Estou no meio de um serviço de trabalho doméstico agora. Não posso deixar a Tōjō-san, que é a cliente, carregar a bagagem.”
“Entendi... Uma cliente...”
“Isso mesmo. Ah, a abóbora também está com um bom preço. Vamos fazer potage gelado de abóbora.”
Haruto foi até a prateleira de abóboras. E enquanto examinava com cuidado qual comprar, perguntou a Ryōta, que estava ao lado: “Você gosta de abóbora?”
Ayaka observava silenciosamente as costas de Haruto.
Haruto falava gentilmente com Ryōta, às vezes mostrando um sorriso suave. Por algum motivo, o olhar de Ayaka era atraído para ele.
Então Haruto iniciou uma conversa com ela:
“A abóbora dura mais se você tirar as sementes e congelar, então tudo bem se eu comprar uma inteira?”
“...Hã? Ah, sim. Acho que tudo bem.”
Por um instante, Ayaka teve uma expressão vazia por não entender a pergunta, mas logo voltou a si e assentiu.
“Entendido. Então, próximo são os tomates. Ryōta-kun, vamos olhar os tomates.”
“Sim! Tomates!”
Haruto colocou a abóbora no cesto, segurou a mão de Ryōta e foi para a seção de tomates.
Um momento depois, Ayaka os seguiu às pressas.
Depois disso, Haruto e os outros continuaram reunindo os ingredientes necessários para o jantar. No processo, Haruto foi lembrado novamente do porquê Tōjō Ayaka era chamada de idol da escola.
Isso porque, enquanto faziam compras, ele sentia muitos olhares de clientes que passavam ao redor.
As pessoas que olhavam estavam encarando Ayaka, então Haruto não recebia os olhares diretamente. Ainda assim, isso o incomodava bastante, então Ayaka, que os recebia diretamente, devia se sentir ainda mais sobrecarregada.
Preocupado, Haruto olhou discretamente para o estado dela, mas ela parecia acostumada e não demonstrava estar tão incomodada.
Após terminarem de comprar os ingredientes necessários — como vegetais, bacon, queijo e leite — saíram do supermercado, e Haruto soltou um leve suspiro de alívio: “Haah.”
Ele parecia um pouco cansado dos olhares dirigidos a eles. A maioria era voltada para Ayaka, mas algumas pessoas também lançavam olhares de ódio e ciúme para Haruto.
“Tōjō-san, deve ser difícil ficar em lugares cheios.”
Haruto não pôde deixar de simpatizar com Ayaka.
“Hã? Ah, sim. Bem, é verdade. Estou um pouco acostumada recentemente, mas acho que não é uma sensação muito boa?”
Houve um pequeno momento de hesitação, mas Ayaka, entendendo o que Haruto queria dizer, respondeu com um sorriso torto.
“Às vezes, como posso dizer... tem momentos em que sinto um olhar pegajoso, e esses momentos podem ser bem assustadores.”
“Entendo, ser tão bonita também é difícil.”
“Boni—?”
Com as palavras de Haruto — que ele murmurou quase para si mesmo — Ayaka parou abruptamente.
“Hmm? Aconteceu algo?”
Haruto olhou para Ayaka, que havia parado de repente, com um olhar confuso.
“N-não! Não é nada.”
Ela mostrou um sorriso vago e começou a andar rapidamente, com passos firmes.
Ryōta olhou para o rosto da irmã e perguntou com curiosidade sincera:
“Onee-chan? Seu rosto está vermelho?”
“É-é porque está quente! Vamos rápido pra casa!”
Ayaka virou o rosto depressa, fugindo do olhar do irmão que tentava ver sua expressão, e acelerou o passo, apressada, indo na frente e correndo para casa.

※※※
Haruto e os outros terminaram as compras no supermercado e voltaram para casa.
Segurando uma ecobag em uma das mãos, Haruto entrou na sala de jantar e viu um homem desconhecido sentado à mesa.
“Bem-vindo de volta, você deve ser o Ōtsuki-kun do serviço de arrumação, certo?”
“Ah, sim. Hm...”
Haruto demonstrou uma reação levemente aflita ao ver o homem desconhecido.
Passando ao lado dele, Ryōta correu até o homem.
“Bem-vindo de volta, papai!”
“Estou de volta, Ryōta! Se divertiu nas compras?”
O homem levantou Ryōta nos braços e perguntou com um sorriso. Parecia ser o pai do menino.
Haruto endireitou a postura e fez uma reverência educada.
“Muito prazer. Sou Ōtsuki, do serviço de limpeza.”
“Você é muito educado. Sou o pai do Ryōta e da Ayaka.”
Segurando Ryōta, o pai dos Tōjō inclinou levemente a cabeça.
“Pai, você chegou cedo hoje”, disse Ayaka, que entrou na sala depois de Haruto e Ryōta.
“Bem, como o Ōtsuki-kun viria hoje, terminei o trabalho cedo e voltei.”
O pai de Ayaka disse isso, e então voltou o olhar para Haruto com expectativa.
“Parece que você vai fazer macarrão cremoso desta vez. O hambúrguer da última vez estava excelente, então tenho grandes expectativas para este prato também.”
“Muito obrigado. Farei o meu melhor para corresponder às expectativas.”
Dizendo isso, Haruto foi direto para a cozinha e começou a preparar o jantar.
Primeiro, picou finamente a abóbora para o potage e colocou no micro-ondas. Enquanto isso, esfregou sal nos aspargos para o macarrão. Depois de preparar os aspargos, continuou o processo — como fatiar os tomates para a Caprese e colocá-los no freezer.
Os movimentos de Haruto na cozinha não tinham hesitação, e ele prosseguia com as tarefas de maneira habilidosa. Vendo isso, Ikue comentou admirada:
“Você é muito eficiente! Homens que cozinham são maravilhosos!”
O pai de Ayaka, ao lado de Ikue, também assentiu, elogiando a postura de Haruto ao cozinhar.
“A maneira como o Ōtsuki-kun cozinha é como a de um chef experiente, é impossível não querer observar.”
“Muito obrigado. Fico muito feliz em ouvir isso. Também farei o possível para que o sabor fique satisfatório.”
Enquanto amassava rapidamente a abóbora que havia saído do micro-ondas, Haruto abaixou a cabeça para o Sr. e a Sra. Tōjō com um sorriso levemente envergonhado.
“Hmm, eu nunca imaginei que entre os colegas da Ayaka houvesse um jovem tão competente quanto você.”
O pai dos Tōjō parecia ter criado simpatia pela postura educada de Haruto e por seu trabalho no serviço de arrumação. Ele perguntou à filha, que estava sentada do outro lado da mesa:
“Ayaka, você é próxima do Ōtsuki-kun?”
“...Hã? Ah, não muito, eu acho...”
Diante da resposta da filha, o pai olhou alternadamente para Haruto e Ayaka com uma expressão séria.
“É verdade, sabe? Até ele vir aqui para o serviço de limpeza, eu mal tinha conversado com o Ōtsuki-kun alguma vez.”
“Hmm. Entendo.”
Ao dizer isso, ele olhou para Haruto. Sob o olhar do pai, Haruto respondeu da mesma forma:
“Sim, não tive muitas chances de conversar com a Tōjō-san na escola.”
“Entendo. Mas você, Ōtsuki-kun, parece alguém sério e sincero. Aproveitando esta oportunidade, eu ficaria feliz se vocês pudessem se tornar amigos a partir de agora.”
“Ei, espera aí!? Pai!”
Ayaka entrou em pânico com o comentário do pai. Ela olhou para Haruto, pedindo desculpas:
“Desculpa, Ōtsuki-kun. Meu pai falou algo estranho.”
“Não, não, eu não me importo. Bem, ser chamado para trabalhar aqui na casa dos Tōjō também é uma espécie de destino, e como o pai disse, espero que possamos nos tornar amigos como colegas daqui para frente.”
“Hã? Ah, sim! S-sim, isso mesmo.”
Ayaka pareceu um pouco surpresa com as palavras de Haruto, mas sorriu com uma expressão que não parecia nada desagradável.
Vendo a interação deles, o pai limpou a garganta e disse.
“Ōtsuki-kun, fico feliz que esteja se dando bem com minha filha... mas você não tem permissão para me chamar de ‘pai’!!”
O pai de Ayaka declarou isso com firmeza, como se fosse sua grande frase de impacto.
“Ah, não! Hum, mil desculpas!!”
Haruto se desculpou, inclinando a cabeça rapidamente e completamente aflito.
“Hahahaha! Não, não, era uma brincadeira, Ōtsuki-kun.”
Em resposta, o pai riu muito alegremente e disse: “Sempre quis dizer isso pelo menos uma vez na vida.”
“...Ah, eu me assustei.”
“Pai... que horrível...”
Ao descobrir que era brincadeira, Haruto suspirou de alívio, enquanto Ayaka encarava o pai com um olhar ameaçador e murmurava palavras de reprovação.
Haruto forçou um sorriso com a brincadeira do pai dos Tōjō, mas não parou de mexer as mãos preparando o jantar.
Nesse momento, Ryōta, que estava brincando com sua mãe, correu até ele.
“Ei, Onii-chan.”
“Hmm? O que foi, Ryōta-kun?”
“Você não vai comer com a gente?”
Haruto ficou incomodado com Ryōta olhando para ele com olhos tão puros. O horário contratado de Haruto para o serviço de limpeza ia das 15h às 18h. Por isso, se ele fosse jantar com a família Tōjō, ultrapassaria o seu horário de trabalho.
Para Haruto isso não seria um problema, mas, pelo lado da família Tōjō, eles poderiam se sentir desconfortáveis se ele ficasse mais tempo do que o contratado.
Com isso em mente, Haruto estava prestes a dizer “Eu não posso comer com vocês.” Porém, antes que pudesse falar, o pai de Tōjō abriu a boca.
“É uma boa ideia! Que tal, Ōtsuki-kun? Se não for incômodo, não gostaria de jantar conosco?”
Haruto ficou atrapalhado com o entusiasmo completo do pai.
“Não é incômodo pra mim, mas... eu estou aqui a trabalho, então...”
Diante da hesitação de Haruto, Ikue também disse com um sorriso:
“Ah, deixe disso, Ōtsuki-kun. Eu não te disse antes? Você é colega de classe da Ayaka, pode ficar mais à vontade.”
“Mas, hum... Tōjō-san, não vai ser desconfortável para você?”
“Está totalmente tudo bem!” “Eu estou bem com isso!”
Às palavras de Haruto, pai e filha responderam ao mesmo tempo. Era natural, já que ambos eram "Tōjō".
Após as vozes se sobreporem, o pai olhou para o rosto da filha e deu uma risadinha “Hahaha.”
“Ōtsuki-kun, com esse jeito de nos chamar, não saberemos quem é quem. Afinal, todos aqui são ‘Tōjō-san’.”
O pai disse isso com um ar levemente travesso.
“Ah, é mesmo, meu nome é Shūichi. Já que ‘Tōjō-san’ cria confusão, eu ficaria feliz se pudesse me chamar pelo nome a partir de agora.”
Mesmo um pouco confuso com aquele pedido, Haruto obedeceu.
“Hm, entendido, Shūichi-san.”
Shūichi assentiu satisfeito com a resposta.
“Então... Shūichi-san, tudo bem se eu me juntar ao jantar?”
“Claro que sim.”
Haruto esboçou um sorriso torto com a resposta imediata de Shūichi.
“Tōjō-sa— Ah... Ayaka-san, tudo bem para você também?”
Haruto estava prestes a chamá-la de “Tōjō-san”, mas ao ver Shūichi erguer a sobrancelha de forma brincalhona, trocou para o primeiro nome.
“U-uhm. Por mim, tudo bem.”
Talvez não acostumada a ser chamada pelo primeiro nome por um garoto, ela respondeu com as bochechas levemente coradas.
De fato, na escola ela estava sempre rodeada de garotas, e Haruto mal a tinha visto conversando com meninos. E mesmo quando conversava, era só para assuntos sobre as aulas. Então, provavelmente não havia um único aluno no colégio que se atrevesse a chamá-la pelo primeiro nome.
E agora, Haruto havia acabado chamando-a pelo primeiro nome, com o aval dos pais.
Haruto sentiu uma mistura complexa de emoções — felicidade, vergonha e desconforto. Para ele, Ryōta lançou um sorriso puro e radiante.
“Você vai comer com a gente hoje, Onii-chan?”
Pelo rumo da conversa, Ryōta já tinha percebido que Haruto acabaria ficando para o jantar. Ele puxou de leve a manga da camisa de Haruto, que estava na cozinha, e disse sorrindo.
Haruto, rendido ao sorriso inocente, se agachou e acariciou sua cabeça.
“É isso mesmo. Hoje, eu vou jantar com vocês, Ryōta-kun.”
“Ebaaa!!”
Ryōta, que balançou a cabeça vigorosamente, voltou correndo para a mãe na sala.
Com o coração aquecido pelo sorriso do menino, Haruto colocou toda sua dedicação em preparar o melhor jantar para a família Tōjō.
O menu daquela noite era: pasta cremosa com limão, potage fria de abóbora e salada Caprese. Pratos refrescantes, perfeitos para uma noite quente de verão.
Haruto amassou a abóbora até ficar cremosa, adicionou leite e creme de leite, misturou, e colocou novamente na geladeira para esfriar. Depois, colocou a massa na água fervente e, enquanto cozinhava, refogou o bacon e os aspargos no azeite.
O aroma delicioso do bacon e o perfume elegante do azeite saindo da cozinha suavizaram a expressão de Shūichi.
“Quem te ensinou a cozinhar, Ōtsuki-kun?”
“Minha avó me ensinou. Não só cozinhar, mas também tarefas como limpeza e lavanderia. Tudo se baseia no que aprendi com ela.”
“Hoho, sua avó parece ser uma pessoa maravilhosa.”
“Muito obrigado.”
Haruto inclinou a cabeça para Shūichi. Para ele, sua avó era sua mestra em todos os assuntos domésticos, e quando elogiavam sua mestra, ele, como discípulo, não conseguia segurar o sorriso.
Depois de um tempo, Haruto terminou todo o preparo e arrumou o jantar para cinco pessoas na mesa.
“Oh, meu Deus! Parece que fomos a um restaurante italiano!”
Vendo os pratos enfileirados, o rosto de Ikue se iluminou.
“Obrigado, Ōtsuki-kun. Agora, vamos comer, pessoal.”
Com as palavras de Shūichi, todos da família Tōjō se sentaram. Haruto também se juntou a eles, um pouco retraído.
“Então, vamos comer.”
Todos acompanharam Shūichi em dizer “Itadakimasu”, juntando as mãos.
Logo depois, Ryōta pegou seu garfo numa velocidade incrível e começou a enrolar e comer a massa cremosa.
“Delicioooso!! Onii-chan! Isso é super delicioso!!”
“Ah, Ryōta. Coma mais devagar senão vai engasgar.”
Ikue alertou o filho, que estava colocando a pasta na boca numa velocidade de quem estava tomando um gole d'água. Mas, é claro, suas palavras não chegaram ao menino, totalmente focado na comida, e o prato dele já estava quase vazio.
Haruto sorriu ao ver Ryōta parecendo prestes a terminar tudo em três minutos.
“Ryōta-kun, eu preparei bastante, então pode comer devagar.”
“De verdade!? Eu quero mais!!”
Os olhos de Ryōta brilharam imediatamente. Então Ayaka, vendo o prato dele, o repreendeu:
“Não, Ryōta. Se vai repetir, termine tudo direitinho primeiro.”
“Ah, tá bom!”
Avisado pela irmã, Ryōta raspou o prato com o garfo. Enquanto Haruto o observava sorrindo, uma voz hesitante veio de ao lado.
“Ōtsuki-kun, hum... tem bastante para repetir?”
Quando Haruto olhou para Shūichi, dono da voz, seu prato também estava limpo. Pelo jeito, o pai acabara antes do próprio Ryōta.
[Almeranto: O cara ligou o modo turbo kkkkkkkk.]
“Sim, há bastante.”
“É mesmo? Então eu quero mais.”
“Ah! Papai, não vale! Eu também quero mais!!”
Sem querer perder para o pai, Ryōta estendeu seu prato para Haruto. Diante da súplica dos dois, Haruto sorriu e foi até a cozinha.
Ainda bem que tinha feito bastante, considerando o apetite crescente de Ryōta.
Ele serviu mais para os dois e, quando voltou, seus rostos se iluminaram.
Realmente pareciam pai e filho — reações idênticas. Observando-os, Haruto não pôde deixar de vê-los como cachorros: Shūichi como um Golden Retriever, Ryōta como um Shiba Inu filhote.
Imaginando-os abanando o rabo com comida gostosa à frente, ele mordeu o lábio para não rir.
Vendo a dupla, Ikue comentou com um sorriso divertido:
“Ufufu, vocês dois comendo desse jeito... não conseguem se conter, né?”
“O sabor é como o de um restaurante requintado. Não acha também, mãe?”
“Sim, de fato, este potage também está muito suave, e o tempero é perfeito.”
“Muito obrigado. Fico feliz que tenham gostado.”
Ao ouvir isso, Ikue perguntou com interesse:
“Ei, ei, Ōtsuki-kun. Qual é o seu prato especial?”
Com a pergunta, Shūichi e Ayaka também demonstraram interesse e olharam para ele. Apenas Ryōta continuava sem ouvir nada, imerso na comida.
“Bom... o hambúrguer do outro dia também é um dos meus pratos especiais, mas...”
Haruto conseguia cozinhar pratos japoneses, ocidentais e chineses, mas como sua avó era boa em culinária japonesa, naturalmente muitas de suas especialidades eram desse estilo.
“Acho que sou bom em pratos japoneses como nikujaga e chikuzen-ni.”
Ambos eram pratos que sua avó sempre fazia quando ele era pequeno, e Haruto tinha muito carinho por eles.
“O nikujaga do Ōtsuki-kun... eu gostaria de provar um dia...”
“Oh, Ayaka, será que o Ōtsuki-kun conquistou seu estômago?”
[Del: Heh.]
“Que—!? Mãe, não fala essas coisas estranhas!”
“Ufufu, desculpe.”
“Môu...”
À provocação da mãe, Ayaka fez um biquinho.
“Mas eu também gostaria de experimentar outros pratos que o Ōtsuki-kun fizer no futuro.”
“Sim, concordo.”
Ikue concordou com Shūichi.
“Por isso, Ōtsuki-kun.”
Shūichi se endireitou, virou-se para Haruto e pegou um papel da estante atrás da mesa, colocando-o à sua frente.
“Isso é... um panfleto de contrato regular...”
“Sim. Estamos muito satisfeitos com seu trabalho. Portanto, gostaríamos de assinar um contrato regular, designando você como responsável fixo pelos nossos serviços domésticos.”
Haruto abriu os olhos surpreso.
“Ham... muito obrigado. Fico muito feliz.”
“Não, não! Nós é que devemos agradecer.”
“Isso mesmo. Contamos com você daqui em diante.”
Shūichi e Ikue sorriram. Haruto olhou discretamente para Ayaka, e ela também disse, um pouco corada:
“Conto com você, Ōtsuki-kun.”
“C-claro, conto com vocês também.”
Haruto se curvou, meio desnorteado. Ele jamais imaginou receber um contrato regular por um trabalho que havia aceitado apenas como um emprego temporário.
Ele havia começado aquele trabalho pensando apenas em juntar dinheiro para a faculdade, e nunca imaginou que acabaria sendo escolhido pela família da “idol da escola”, indo até a casa deles durante todo o verão.
Era algo tão inesperado que Haruto decidiu parar de pensar por um momento e apenas limpou o bigodinho de potage da boca de Ryōta.
Traduzido por Moonlight Valley
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