Volume 1

Capítulo 2: Primeira Cliente

Ōtsuki Haruto

   Era o terceiro dia desde o início das férias de verão.

   Haruto estava parado em frente a uma certa mansão.

“Uau… meu primeiro trabalho é na casa de uma celebridade…” resmungou Haruto com uma expressão desanimada.

   Hoje era seu primeiro dia trabalhando no serviço de limpeza residencial. Depois de conferir sua aparência e confirmar que não havia nenhum problema, ele apertou o botão do interfone com a ponta dos dedos ligeiramente trêmula de nervosismo.

[...Sim?]

   A voz de uma mulher, mais jovem do que ele esperava, veio pelo interfone.

“Ah, eu sou do serviço de limpeza.”

   Haruto firmou a expressão, tomando cuidado para que a voz não tremesse, e tentou falar educadamente.

[Sim, vou abrir a porta da entrada agora. Por favor, aguarde um momento.]

   Quando a voz disse isso, Haruto percebeu um leve som de movimento vindo de dentro da casa.

   Haruto soltou um suspiro suave, como se estivesse tentando acalmar o coração acelerado pela tensão.

   Logo, a porta da entrada se abriu com um clique, e a cliente do serviço de limpeza apareceu.

   Inclinando-se educadamente, Haruto deu sua saudação padrão enquanto dizia:

“Muito obrigado por utilizar nosso serviço de limpeza. Sou Ōtsuki Haruto, o responsável pela limpeza de hoje, e esta…rei hoje…”

   No momento em que levantou a cabeça, ficou sem palavras por um instante, criando uma pausa estranha ao final da saudação.

“Hã? …Tōjō-san?”

   A cliente do seu primeiro trabalho era, surpreendentemente, ninguém menos que Tōjō Ayaka, a idol da escola que Haruto frequentava.

   Aquela descoberta foi tão impactante que Haruto acabou dizendo o nome dela em voz alta sem querer.

   Ao ouvir isso, Tōjō olhou para o rosto de Haruto com uma expressão surpresa. Depois de observá-lo com desconfiança por um momento, abriu a boca como se estivesse confirmando algo.

“Espera… você é o Ōtsuki-kun… da mesma turma?”

“Ah… sim, isso mesmo.”

“Hã? …Por quê?”

   Expressando sua dúvida, ela lançou um olhar desconfiado para Haruto.

   Provavelmente, Tōjō estava suspeitando que Haruto tivesse se inscrito no serviço de limpeza só para se aproximar dela.

   Se fosse outra garota, Haruto talvez tivesse pensado: “Que pessoa convencida…”.

   Mas, diante de uma idol escolar, era compreensível ela ter esse nível de cautela.

“Ah… se eu não for adequado, é possível trocar o responsável por outra pessoa.”

   Percebendo a desconfiança dela, Haruto fez a sugestão.

“Se trocar, vai levar um tempinho, então a duração do serviço que você solicitou vai acabar ficando um pouco menor.”

   O pedido de Tōjō era um pacote de três horas, consistindo em limpeza da cozinha e preparo do jantar.

“Eu achei totalmente que viria uma mulher…”

“Ahaha, sinto muito…”

   Ao ouvi-la murmurar isso, Haruto sorriu de forma sem graça e se desculpou repetidamente.

   É verdade que a empresa de limpeza onde Haruto trabalha tem um percentual alto de funcionárias. Mas também existem alguns homens, mesmo que em menor quantidade.

   No site do serviço, inclusive, há fotos dos funcionários, e é possível solicitar preferência por uma funcionária mulher. Mas ao que tudo indica, Tōjō não tinha reparado nisso.

“Então… você gostaria de trocar o responsável?”

   Quando Haruto perguntou novamente, Tōjō abaixou levemente a cabeça, pensou por alguns segundos e então balançou-a em negativa.

“Não, assim está bom. Pode continuar.”

“Não quer trocar…? Tem certeza?”

   Haruto, que tinha praticamente certeza de que seria trocado, ficou levemente confuso com a resposta inesperada.

“Ōtsuki-kun, você não está… atrás de mim, está?”

“Claro que não é isso.”

“Então tudo bem. Pode entrar.”

   Dizendo isso, Tōjō abriu um pouco mais a porta da entrada e convidou Haruto para entrar.

“Ah… então, muito obrigado por me receber.”

   Sentindo-se desnorteado com a reviravolta, Haruto entrou no hall da casa dos Tōjō.

“...Com licença.”

   Haruto se curvou levemente e colocou os pés nos chinelos que havia trazido.

“A cozinha é por aqui. Siga-me.”

   Tōjō disse isso e seguiu pelo corredor com passos rápidos. Haruto a acompanhou, observando o local com admiração.

     O corredor é comprido! E tão largo! Realmente uma mansão.

   Enquanto caminhava, pensando nisso, chegaram ao final do corredor. Tōjō abriu a porta e entrou.

“Hum, esta é a sala de estar, e a cozinha fica ali adiante.”

   Haruto ficou boquiaberto com o interior da mansão, que via pela primeira vez.

   A sala, que parecia ter o dobro — não, talvez o triplo — do tamanho da sua própria sala, tinha móveis luxuosos dispostos com bom gosto e uma grande TV pendurada na parede.

   Mais adiante, havia um espaço de jantar e uma cozinha estilo americano, com os mais modernos eletrodomésticos alinhados nas prateleiras.

“Incrível…”

   Ele só tinha visto algo tão luxuoso assim em reality shows de romance.

“...Ōtsuki-kun?”

   Percebendo Haruto parado feito estátua, Tōjō o olhou com estranhamento.

   Haruto rapidamente recobrou a postura e confirmou os detalhes do pedido.

“Muito obrigado por utilizar nosso serviço desta vez. Sou Ōtsuki, o responsável. Conto com você, Tōjō-sama.”

   Seguindo o protocolo, ele se curvou e entregou seu cartão de visita.

“Uau, até cartão de visita você tem.”

   Recebendo o cartão, Tōjō o observou com admiração.

“Desta vez, a solicitação foi o pacote de três horas, correto?”

“Hã? Ah, sim. Isso mesmo… aliás, somos colegas, você me chamar de ‘Tōjō-sama’ parece meio estranho.”

“Mesmo sendo colegas, neste momento a Tōjō-sama é uma cliente importante”, respondeu Haruto com firmeza.

   A pessoa diante dele, antes de ser colega ou idol da escola, era uma cliente. Haruto estava recebendo dinheiro em troca de um serviço, então precisava manter essa linha profissional.

   Além disso, provavelmente era mais confortável para Tōjō ser tratada assim — como cliente — especialmente considerando quantas vezes ela era abordada por garotos na escola.

   Mantendo o tom estritamente profissional, Haruto continuou:

“Então, darei início ao serviço. Há algum pedido específico?”

“Não é exatamente um pedido, mas… hum… pode dar uma olhada na cozinha?”

   Tōjō, parecendo um pouco envergonhada, levou Haruto até a entrada da cozinha.

“É isso aqui. Foi meu irmão mais novo que fez isso, não eu, mas… está tudo bem deixar essa bagunça com você?”

   No ponto para onde ela olhava, havia uma cozinha completamente caótica.

   Provavelmente alguém tentou fazer panquecas. Havia pó branco espalhado pela pia e pelo chão ao redor. Massa de panqueca estourada no fogão e já endurecida. E, pior, uma frigideira com restos de uma panqueca carbonizada.

   Além disso, várias tigelas e pratos estavam largados na pia, com cascas de ovo presas na rede do ralo.

   Haruto analisou a cena desastrosa por um instante e imediatamente abriu um sorriso profissional.

“Sem problema. Vou deixar tudo impecável.”

“Sério? Obrigada, isso ajuda muito.”

“Certo, então eu vou limpar a cozinha. Se precisar de algo, me avise.”

   Tōjō estava prestes a sair dizendo isso, quando Haruto falou ainda com seu sorriso profissional:

“Se desejar, posso limpar a sala também.”

“Hã? Fico até sem graça pedindo tanto…”

“Não, esse é o meu trabalho. Não se preocupe.”

“Entendo… então, pode limpar a sala também?”

“Entendido.”

   Com um pouco de hesitação, Tōjō pediu que ele limpasse tanto a cozinha quanto a sala.

“Ah, o aspirador está no armário ali.”

   Ela apontou para uma porta alta e estreita ao lado da entrada da sala. Mansões realmente tinham muito espaço de armazenamento.

“Então, eu estarei no meu quarto. Se acontecer algo, pode bater na porta. Meu quarto é a primeira porta à esquerda depois de subir as escadas.”

   Depois de dizer isso, Tōjō fez uma leve reverência e saiu rapidamente da sala.

   Logo após ela desaparecer escada acima e seus passos deixarem de ser ouvidos, Haruto soltou um longo suspiro, como alguém que volta à superfície depois de prender a respiração.

“Ahh… eu estava tão nervoso…”

   Para regular a respiração, ele inspirou fundo.

     Por que a Tōjō-san pediu um serviço de limpeza? Espera… a Tōjō-san é uma jovem rica? Eu nem sabia disso. Não, espera… eu vi ela de perto pela primeira vez, ela é muito mais bonita… isso com certeza é verdade.

   Agora livre da tensão, vários pensamentos começaram a surgir descontroladamente.

   Até agora, Haruto nunca tinha demonstrado interesse por Tōjō Ayaka. Não que ele não tivesse interesse em garotas.

   Se tivesse um ensaio de gravure em uma revista, ele era suficientemente saudável para virar as páginas mais devagar sem perceber.

   Então, por que ele nunca tinha se interessado pela idol da escola?

   Parte disso talvez fosse sua personalidade levemente afastada do comum. Mas o maior motivo provavelmente era seu objetivo claro — para alcançá-lo, ele não podia se distrair com uma “flor no topo da montanha”. Não havia tempo a perder.

“Eu não fazia ideia de que a Tōjō-san era uma jovem rica assim…”

   Murmurando, Haruto olhou para a cozinha e a sala que precisava limpar.

   À primeira vista, a cozinha estava caótica, mas a sala não parecia muito suja. Um pouco de poeira fina no chão e no carpete, pó acumulado nas prateleiras… nada que não pudesse ser resolvido com aspirador e um pano úmido.

“Fiquei nervoso com a Tōjō-san, mas ela é minha primeira cliente. Vamos caprichar.”

   Arregaçando as mangas, Haruto se animou.

   O relógio na parede marcava exatamente 15h. A partir dali, ele tinha três horas para limpar tudo e preparar o jantar.

“Mesmo assim, o irmão da Tōjō-san conseguiu destruir a cozinha demais, hein?”

   Olhando para o conteúdo trágico da frigideira, Haruto sorriu sem graça.

   Para deixar a cozinha naquele estado, o irmão dela devia ser totalmente sem habilidade — ou ainda bem pequeno.

   Até a própria Tōjō tinha ficado constrangida ao mostrar a bagunça.

“A Tōjō-san envergonhada… era tão fofa.”

   Aquela expressão, impossível de se ver na escola, quase fez Haruto sorrir sozinho.

   E, falando em coisas que ele não via normalmente, as roupas casuais dela também tinham chamado muita atenção. Um garoto saudável como Haruto, que já ficava parado encarando revistas quando apareciam poses chamativas, simplesmente não tinha preparo para lidar com o que viu.

   A blusa larga e leve, combinada com shorts brancos… era uma visão difícil de tirar da cabeça.

“A Tōjō-san… tem um corpo incrível…”

   Como normalmente só a via de longe usando uniforme, não tinha noção dos detalhes, então sua aparência casual foi algo que o deixou atordoado.

   Não pode! Ela é uma cliente importante. Concentre-se no trabalho, eu!

   Haruto falou para si mesmo, expulsando pensamentos indevidos.

   Lutando contra seus impulsos mundanos, ele colocou em prática suas habilidades de limpeza — ensinadas diretamente por sua avó — e começou a cuidar da cozinha e da sala, como Tōjō havia solicitado.

   Pouco mais de uma hora havia se passado desde que ele começara a limpeza, e o relógio de parede estava prestes a marcar 16h. Graças à concentração total de Haruto — que limpava para afastar seus desejos mundanos — a cozinha ficou completamente livre de sujeira, e a pia brilhava tanto que ele quase achou que emitia luz própria. A sala de estar também estava impecável, sem um único grão de poeira.

“Ufa, limpeza concluída.”

   Com o rosto cheio de satisfação, Haruto observou o cômodo limpo ao seu redor.

   Então, vindo da direção da entrada, ouviu-se o som da porta abrindo com um chacoalhar. Ao mesmo tempo, a voz de um garoto cheio de energia ecoou.

“Chegueeeeei!”

   Logo após o cumprimento de quem volta para casa, passos desajeitados soaram pelo corredor.

   Antes que Haruto tivesse tempo de pensar ou reagir, a porta da sala foi escancarada com força. O que apareceu ali foi um garotinho da idade de alguém do jardim de infância.

   O menino, ao enxergar Haruto parado perto da cozinha, ficou imóvel.

“............”

“............”

   Haruto e o menino se encararam em silêncio.

   Após alguns segundos, Haruto abriu a boca para explicar que não era um suspeito.

“Ahm, eu sou o faxineir—”

“Onee-chaaaaaaan!! Tem um ladrão em casa!!”

   A voz de Haruto, tentando explicar, foi completamente engolida pelo grito poderoso que o menino soltou.

   Erguendo a voz em pânico, ele deu meia-volta com uma velocidade impressionante e disparou pelo corredor.

“Ladrão!! Onee-chan!! Ladrão!!”

“Não! Espera! Eu não sou ladrão!!”

   Haruto entrou em pânico e correu atrás do garoto, tentando desesperadamente corrigir o mal-entendido.

   No entanto, parecia que nada estava chegando aos ouvidos do menino, que continuava repetindo “Ladrão!” enquanto tentava subir as escadas.

“Ryota, que barulho é esse?”

   Quando o garoto colocou o pé no primeiro degrau, Tōjō-san, que saíra do quarto ao ouvir a confusão, apareceu no topo da escada.

“Onee-chan, é terrível! Tem um ladrão em casa!!”

“Haah, haah… me desculpe, Tōjō-san. Esse garoto parece estar me confundindo com um ladrão…”

   Enquanto apontava para Haruto — que acabara de alcançá-lo ofegante após uma corrida absurda — o menino apelava desesperadamente para sua irmã. Haruto, por sua vez, pensando “Como eu poderia ser confundido com um criminoso?!”, explicou a situação sem fôlego.

Pfft.”

   A visão dos dois daquele jeito pareceu divertida para Tōjō-san. Ela levou a mão à boca e soltou uma pequena risada.

“Onee-chan?”

   O garoto inclinou a cabeça diante da reação da irmã. Tōjō-san desceu as escadas e colocou suavemente a mão sobre o ombro do menino.

“Escute, Ryota, essa pessoa não é um ladrão.”

“É? Você não é um ladrão? Então quem é você? O namorado da minha irmã?”

Bufu!”

   Com a fala do garoto, Haruto involuntariamente explodiu em risadas. Em contraste com ele, Tōjō corrigiu calmamente o mal-entendido do irmão.

“Ele também não é meu namorado. Essa pessoa, sabe, é do serviço de limpeza.”

“Serviço de... limpe...za?”

   Com a explicação da irmã, o garoto inclinou a cabeça.

“É uma pessoa que faz a limpeza e cozinha para nós. Entendeu?”

   Com a explicação de Tōjō, o garoto assentiu.

“Desculpa, Ōtsuki-kun. Esse aqui é meu irmão mais novo, Ryōta. Ele ainda está no jardim de infância e não entende muito bem as coisas.”

“Ah, não. Desde que o mal-entendido tenha sido resolvido, não tem problema nenhum pra mim.”

   Enquanto Tōjō abaixava a cabeça, Haruto respondeu assim, depois se agachou para ficar na altura dos olhos do irmão mais novo dela — Ryōta.

“Ryōta-kun. Desculpa por ter te assustado há pouco. Eu sou Ōtsuki Haruto, prazer em te conhecer.”

   Para Haruto, que estendeu a mão com um sorriso, Ryōta relaxou um pouco mais a guarda do que antes e apertou a mão dele de volta.

“Desculpa por te chamar de ladrão antes”, disse Ryōta, fazendo uma pequena reverência que deixou Haruto um pouco surpreso.

“Ryōta-kun, ele é um menino muito bom, não é?”

   Haruto disse a Tōjō, que estava ao seu lado.

   Nessa idade, perceber sozinho o próprio erro e se desculpar antes de alguém mandar não é algo fácil de fazer.

   Com o elogio de Haruto, Tōjō relaxou levemente a expressão, mas logo fez um rosto um pouco embaraçado, como se estivesse tentando esconder a vergonha.

“Mas ele também é bem levado, vive espalhando brinquedos pela casa.”

“É bom que ele tenha energia, né?”

   Ainda sorrindo, Tōjō afagou a cabeça do irmão.

   Vendo aquilo, Haruto também relaxou o rosto, pensando que eles eram irmãos bem próximos. Como era filho único, ele tinha um certo anseio por esse tipo de convivência.

“Ah, é mesmo. A limpeza já está pronta, então você poderia verificar, por favor?”

   Com a aparição de Ryōta, o irmão mais novo de Tōjō, Haruto lembrou do serviço que quase estava esquecendo.

“Já terminou? Foi rápido.”

   Dizendo isso, Tōjō foi para a sala de estar. Quando viu o ambiente limpo, seus olhos se arregalaram.

“Eh? Incrível... Está brilhando.”

   Na sala sem um único grão de poeira, a mesa e as áreas molhadas, como a pia, estavam tão limpas que pareciam polidas como um espelho. No ambiente que parecia uma casa-modelo, Tōjō ficou levemente boquiaberta em admiração.

“Quanto à limpeza, por favor, me avise se houver qualquer insatisfação ou pedido.”

   A Haruto, que respondeu conforme o protocolo enquanto ostentava um leve ar de orgulho, Tōjō respondeu balançando a cabeça.

“Não, já está perfeito. Não tem absolutamente nada de errado.”

   Tōjō só conseguia admirar a área da cozinha, que havia sido restaurada de um estado caótico para um brilho impecável, e as prateleiras e superfícies sem nenhum traço de poeira.

“Uau, Ōtsuki-kun, você é bom mesmo em limpar, hein?”

“Ah, bom... Se eu não fosse, não teria escolhido esse trabalho de meio período.”

“Ah, é, verdade.”

“Incrível! A sala está brilhando! A cozinha voltou a ser como era! Ei, onee-chan!! Está incrível!!”

   Ryōta, animado com a sala e a cozinha limpas, correu pelo ambiente fazendo barulhos de pisadas fortes.

   Diante das ações dele, Haruto — enquanto pensava internamente a poeira vai levantar mesmo eu tendo acabado de limpar... — ficou hesitante em repreender a alegria inocente da criança sorridente, então só conseguiu observar enquanto sorria também.

“Ei, Ryōta. A poeira vai levantar quando o Ōtsuki-kun acabou de se esforçar para limpar, sabe?”

   Mas Tōjō cumpriu devidamente seu papel de irmã mais velha e o advertiu.

   Alertado, Ryōta respondeu honestamente “Tá booom~” e parou de correr.

   Vendo essa cena, Haruto deixou escapar uma fala sem querer.

“Tōjō-san é uma boa onee-chan, não é?”

“Eh? Você acha?”

“Acho sim. Observando você, dá pra ver.”

“É-é mesmo? Obrigada...”

   Provavelmente envergonhada pelo elogio, Tōjō agradeceu olhando um pouco para baixo, mas com os olhos erguidos — e, vendo isso, Haruto sentiu o coração bater um pouco mais rápido.

“Onee-chan é uma irmã muito boa, sabia?”

   Para Haruto, que havia sido atingido pela fofura de Tōjō e teve um momento de paralisação mental, Ryōta se aproximou tranquilamente e disse orgulhoso.

“Isso mesmo. A onee-chan do Ryōta é uma irmã muito boa, né? Mas eu acho que o Ryōta-kun também é um ótimo irmãozinho, sabia?”

   Haruto se agachou novamente para ficar na altura dele e disse enquanto afagava sua cabeça.

“Sério? Eu sou um bom irmãozinho?”

“Sim, Ryōta-kun é um bom irmãozinho que consegue ouvir direitinho o que a onee-chan diz.”

   Com as palavras de Haruto, o rosto de Ryōta se iluminou.

“Onee-chan! Ele disse que eu sou um bom irmãozinho!!”

“Isso mesmo. Ryōta é um bom menino.”

“Ehehe~”

   Elogiado pelos dois, Ryōta sorriu radiante. Contagiados por isso, Haruto e Tōjō também sorriram naturalmente.

“Ah, certo. Sobre o jantar, o pedido é preparar quatro porções usando o que estiver na geladeira.”

   Haruto, que havia sido curado pela fofura angelical do irmão de Tōjō, voltou à realidade e entrou no modo de trabalho.

“Tudo bem se eu der uma olhada na geladeira?”

   Graças ao que aprendera com sua avó, Haruto conseguia cozinhar vários tipos de pratos — japoneses, ocidentais e chineses. Porém, se não houvesse ingredientes, não podia fazer nada. Nesse caso, teria que ir às compras, e isso também fazia parte do trabalho do serviço de limpeza.

“Ah, hum... Está meio bagunçada, mas pode abrir.”

“Então, vou dar uma olhada.”

   Tōjō consentiu um pouco envergonhada, e Haruto sentiu uma pontinha de culpa, mas aceitou que fazia parte do serviço e abriu a porta da geladeira.

“Hum... Ovos e leite, cebola, cenoura, repolho... Ah, tem carne moída também. Mistura de boi e porco, hm...”

   Enquanto verificava o interior, Haruto montava mentalmente uma lista de pratos possíveis com aqueles ingredientes.

“Com licença, eu também gostaria de verificar os temperos e especiarias.”

“Se for isso, ficam nessa gaveta aqui.”

   Tōjō abriu a gaveta sob o balcão da cozinha.

“Oh! Tem bastante coisa!”

   A gaveta continha mais temperos e especiarias do que Haruto imaginava.

“Pimenta moída grossa, pimenta-da-China, anis estrelado, cardamomo, cravo... oh, tem folha de louro também, gengibre em pó, canela em pau! Isto aqui é... noz-moscada, talvez.”

   Como alguém que gostava de cozinhar, Haruto ficou animado ao ver tantas especiarias.

   Com isso, pensou num prato que combinasse os ingredientes da geladeira e as especiarias disponíveis.

“Quanto ao menu do jantar... que tal hambúrguer?”

“Eu quero hambúrguer!!”

   Ryōta reagiu antes mesmo de Tōjō.

“Onee-chan, o jantar vai ser hambúrguer!?”

   Para o irmão, que olhava para ela cheio de expectativa, Tōjō, com um sorriso meio sem jeito, disse a Haruto:

“Então, por favor, faça hambúrguer para o jantar.”

“Certamente.”

   A resposta de Haruto veio acompanhada de uma reverência exagerada, e Ryōta, ao ver isso, levantou os dois punhos para o alto e explodiu de alegria.

   Sorrindo com essa reação calorosa, Haruto começou imediatamente os preparativos.

   Hambúrguer era um dos pratos favoritos de Haruto, e ele havia feito recentemente com sua avó. Por isso, para conseguir reproduzir o hambúrguer impecável dela, ele vinha praticando desde pequeno — era um prato no qual tinha confiança.

   Haruto avançou com mãos experientes. Os irmãos Tōjō observavam sentados à mesa enquanto ele cozinhava com movimentos eficientes. Enquanto avançava com a preparação, Haruto pegou uma faca para picar a cebola — mas, ao sentir um olhar sobre si, levantou o rosto e viu Ryōta encarando-o como se estivesse diante de algo extremamente interessante.

   Com um leve sorriso, Haruto exagerou um pouco na habilidade e mostrou uma super-picada rápida na cebola. Imediatamente, Ryōta soltou um “Uaaau!”

“Ōtsuki-kun, você manda bem na cozinha, hein.”

   Tōjō também comentou ao lado do irmãozinho, cujos olhos brilhavam.

“Você é perfeito na limpeza e ainda sabe cozinhar... Ōtsuki-kun, seu ‘poder feminino’ é muito alto.”

“Hoje em dia, acho que tem cada vez menos homens que não sabem cozinhar, sabia?”

“É mesmo? Ainda assim, acho sua habilidade muito boa.”

“Fico honrado com o elogio.”

   Não só Ryōta, mas Tōjō também observava as mãos de Haruto com interesse.

   Sentindo os olhares dos dois “espectadores”, Haruto continuou avançando com o preparo. Quando chegou à etapa de amassar a mistura, colocou água com gelo numa tigela e mergulhou as mãos ali.

“......? O que você tá fazendo?”

   Diante da ação misteriosa de Haruto, Ryōta inclinou a cabeça.

“Estou fazendo isso para que a gordura da carne não derreta com a temperatura das minhas mãos.”

“A gordura... derrete?”

“Isso mesmo. Se derreter, não dá pra fazer um hambúrguer gostoso.”

[Del: Técnica anotada.]

   Com a explicação, Ryōta não pareceu entender muito, mantendo a cabeça inclinada. Tōjō, por outro lado, assentiu com um “Hee~”.

   Ao tirar as mãos da água gelada, Haruto as secou rapidamente e começou a amassar a mistura. Por ter deixado as mãos na água cheia de gelo, elas estavam bem vermelhas.

“Suas mãos... não doem?”

   Ryōta perguntou, preocupado.

“Obrigado, Ryōta-kun, mas está tudo bem. Eu quero que você coma um hambúrguer delicioso.”

   Acarinhado pela gentileza de Ryōta, Haruto continuou amassando a massa. Quando ela ficou bem pegajosa, dividiu em quatro porções e moldou em formato oval.

   Quando só faltava cozinhar os hambúrgueres, Haruto perguntou para Tōjō-san:

“Hum, devo cozinhar os quatro hambúrgueres agora? Ou devo fazer só dois primeiro?”

   O jantar solicitado por Tōjō-san era para quatro pessoas. No entanto, naquele momento só estavam Ayaka e Ryōta em casa.

   Provavelmente, as outras duas porções eram para seus pais, mas ainda não havia sinal de que os dois retornariam. Como cozinheiro, Haruto achava que seria melhor que eles também comessem os hambúrgueres recém-preparados, então gostaria que os pais de Tōjō-san também comessem frescos.

“Ah~... é. Certo, então pode fazer só dois primeiro. Mas...”

   Ao dizer isso, Tōjō-san olhou para o relógio pendurado na parede da sala com uma expressão um pouco apreensiva.

   O horário atual já passava das 17h30. O contrato de Haruto ia até as 18h, então se os pais dela não chegassem logo, Haruto não estaria lá quando fosse hora de cozinhar as outras duas porções.

“Eu vou deixar uma anotação explicando como cozinhar. Se você seguir, o resultado vai ficar bem parecido.”

   Ayaka assentiu diante das palavras de Haruto, que tentava aliviar sua preocupação.

“É mesmo? Então, por favor, faça só as porções para nós.”

“Positivo.”

   Haruto colocou dois hambúrgueres na frigideira e começou a cozinhá-los.

   Enquanto esperava, ele simultaneamente colocou em pratos o consomê e os legumes de acompanhamento que havia preparado e, quando os hambúrgueres ficaram prontos, serviu o arroz em tigelas e organizou tudo na mesa de jantar. Nesse momento, já eram 18h, o fim do horário contratado.

“Bom, já que o horário terminou, vou me retirar.”

   Disse Haruto, depois de lavar a frigideira e os utensílios que usara.

“Sim, obrigada. Você ajudou bastante.”

   Tōjō-san olhou para os pratos arrumados na mesa e falou, impressionada:

“As habilidades domésticas do Ōtsuki-kun são realmente incríveis.”

“Muito obrigado. Acho que consegui fazer os hambúrgueres ficarem deliciosos, então, por favor, comam antes que esfriem.”

   Haruto disse isso para Ayaka e começou a se preparar para ir embora.

   Nesse momento, Ryōta — que até então estava olhando para os hambúrgueres prontos com os olhos brilhando — correu até Haruto.

“Hm? O que foi, Ryōta-kun?”

“...Tchau-tchau, Onii-chan. Até mais.”

   Enquanto parecia um pouco envergonhado, Ryōta acenou com uma das mãos e se despediu. Aquela cena pareceu extremamente fofa aos olhos de Haruto. Ele sorriu naturalmente e retribuiu o aceno.

“Sim, até mais, Ryōta-kun.”

   Apesar de acreditar que provavelmente não se encontrariam novamente, Haruto respondeu assim sem pensar.

   Desta vez, o pedido de serviço da casa dos Tōjō havia sido por coincidência, mas não havia garantia de que ele seria escolhido na próxima. Na verdade, se descobrissem que era o colega de classe deles quem fazia o trabalho, era bem provável que requisitassem outro funcionário. Ser atendido por um colega de classe dentro de casa era extremamente constrangedor.

“Ōtsuki-kun, eu o acompanharei até a entrada.”

“Muito obrigado.”

   Haruto, que sentiu uma pontada de relutância ao se afastar de Ryōta — que acenava tão animadamente — aceitou com gratidão a oferta de Tōjō-san.

“Ōtsuki-kun, muito obrigada por hoje.”

   Ao chegarem à entrada, Tōjō-san inclinou a cabeça em agradecimento.

“Não, obrigado a vocês por utilizarem nosso serviço.”

   Haruto retribuiu o agradecimento e, então, disse “Ah, certo”, tirando um panfleto de sua bolsa e entregando-o a Tōjō-san.

“Hum, caso pretenda usar o serviço novamente, há também a opção de contrato regular.”

   Haruto explicou, apontando para o panfleto.

“No caso de contrato regular, o valor fica mais vantajoso do que um contrato avulso como o de hoje, então, por favor, considere caso usem o serviço outra vez.”

   Tōjō-san soltou um “Fufu”, achando graça do jeito formal de Haruto vendendo o serviço conforme o protocolo.

“De algum modo, Ōtsuki-kun, você parece um vendedor.”

“Bom, isso também faz parte do trabalho.”

“Quando um colega de classe fala com essa linguagem tão formal, como um adulto trabalhando... é estranho. Não pode falar normalmente?”

“Não é que seja proibido, mas... bem, Tōjō-sama é a cliente, entende?”

   Tōjō fez um sorriso torto diante da resposta de Haruto.

“Entendi... cliente, né.”

“Sim. Ah, se você não voltar logo, o hambúrguer vai esfriar.”

“Ah, é verdade. Então, muito obrigada por hoje, Ōtsuki-kun.”

“Sim, contamos com o seu uso novamente.”

   Haruto fez uma reverência profunda antes de sair da casa dos Tōjō.

   No momento em que ergueu o rosto, ao ver o rosto de Tōjō-san, ele achou que sua expressão parecia um pouco triste — mas provavelmente era apenas imaginação.

   Dizendo isso a si mesmo, Haruto encerrou seu primeiro trabalho de limpeza e voltou para casa.

 

 

Traduzido por Moonlight Valley

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