Volume 1
Capítulo 1: Iniciando um Serviço de Trabalho Doméstico
[Almeranto: AVISO! Durante a história, haverá ilustrações coloridas que foram feitas por IA para dar uma melhor experiência na leitura, mas lembrando que elas não podem ser 100% fieis, pois a IA pode cometer erros.]
Ōtsuki Haruto
O vasto céu azul se estendendo, cúmulos se erguendo ao longe.
Um grande coro de cigarras, como se multiplicasse o calor do verão, entra sem piedade pelas janelas abertas da sala de aula.
"A partir das férias de verão de amanhã, tomem cuidado para não se empolgarem demais e acabarem em acidentes ou algo assim."
Dizendo isso, o professor regente deixou a sala.
Assim que ele saiu, o burburinho dos estudantes se tornou mais alto do que o zumbido das cigarras.
Suas vozes eram tão cheias de energia que não perdiam para o calor do verão e pareciam prestes a explodir.
Os estudantes se levantaram de seus assentos, foram até onde seus amigos próximos estavam ou conversaram alegremente sobre seus planos de férias com quem estivesse por perto.
No meio disso, um estudante do sexo masculino se sentou sobre a carteira na última fileira, perto da janela.
"Haru, você tem algum plano para as férias~?"
O garoto sentado na carteira disse isso para a pessoa sentada na cadeira.
"Hmm? Bom, estudar, eu acho."
"Ei, ei! Você tá falando sério!?"
"Você acha que eu mentiria para você, meu melhor amigo?"
O estudante, dono da carteira e chamado Haru, recostou-se no encosto da cadeira e olhou para o melhor amigo sentado na carteira com uma expressão séria.
"Ontem, quando eu pedi para você me mostrar a lição de casa, você disse que não tinha feito. Além disso, anteontem você falou que o prato do dia na cantina era peixe, mesmo sendo carne. E na última quinta..."
"Tá bom. Eu admito que venho mentindo para você diariamente."
O estudante chamado Haru levantou ambas as mãos como se estivesse se rendendo.
"E então? Você tem planos para as férias de verão? Ōtsuki Haruto-san?"
"Eu não acabei de dizer que vou estudar? Meu melhor amigo, Akagi Tomoya-san?"
O estudante, dono da carteira, Ōtsuki Haruto, repetiu as mesmas palavras de antes.
Em resposta, o estudante sentado na carteira, Akagi Tomoya, após um breve silêncio, julgou que Haruto não estava brincando e fez uma expressão de espanto.
"Eh? Eeh!? Uou! Você, sério!? Somos alunos do segundo ano, sabia?"
"Isso mesmo."
"Então já tá decidido o que a gente deveria estar fazendo, certo?"
"Estudando."
"Por que seria isso!!"
Akagi Tomoya solta um grito exagerado e faz uma réplica de um comediante. Haruto dá um sorriso torto diante da reação do melhor amigo.
"Você sabe, né, Tomoya? O que eu estou almejando."
"Bom, é, eu sei disso, mas..."
Embora Tomoya concorde com as palavras de Haruto, ele não parece convencido e tenta insistir.
"Se você ficar sempre estudando, vai cansar e sua eficiência não vai aumentar, sabe? Às vezes você precisa tirar uma folga. Por exemplo..."
Tomoya pausa a frase no meio e move o olhar como se estivesse observando a sala barulhenta.
Então, seu olhar para em um ponto.
"Como ir à piscina ou à praia com alguma garota da sala."
"Se você está tentando convidar a Tōjō-san, se esforça aí sozinho. Eu tô fora."
Haruto lançou um olhar para a estudante, onde o olhar do seu melhor amigo estava fixo antes de falar.
"Você! Que coração frio! É certo abandonar seu melhor amigo tão facilmente assim!?"
"Relaxa. Como seu melhor amigo, eu vou te consolar direitinho quando você for completamente esmagado e sua saúde mental estiver em frangalhos."
"Você já tá assumindo que eu vou ser completamente esmagado!?"
Ignorando o protesto estridente do amigo, Haruto voltou os olhos mais uma vez para a estudante que Tomoya encarava.
Tōjō Ayaka. Esse era o nome dela.
Ela era, por assim dizer, a idol da escola.
Seu lindo cabelo, que brilhava num tom de linho sob a luz do sol, não tinha um único fio solto e se estendia até o meio das costas como fios de seda.
E sempre que ela movia o rosto, ele fluía suavemente como se não houvesse gravidade.
Seus traços eram tão bem definidos que alguém poderia realmente suspeitar que ela fosse uma celebridade ou uma idol. Às vezes, surgiam rumores de que ela pertencia a uma agência, mas mesmo se fosse verdade, ela era tão bonita que não seria surpreendente.
E sua silhueta também era perfeita.
Suas proporções impressionantes tinham um charme capaz de cativar não apenas homens, mas também mulheres, prendendo o olhar de qualquer um.
"Ei, Haru~, você convida a Tōjō-san~"
"Por que eu convidaria ela? Você vai convidar e ser esmagado."
"Para de assumir que eu vou ser completamente esmagado. Mas bem, eu admito que é óbvio que não daria certo mesmo se eu chamasse ela."
"Se não funciona com você, também não funcionaria comigo, certo?"
"De jeito nenhum! Haru, você tem chance!"


Haruto estreitou os olhos com uma expressão suspeita e disse:
"Eu não quero admitir, mas você tem um rosto bonito. Se você falhar, então eu não tenho esperança alguma. Apenas desista."
“Certamente, eu sou bonito e você é só median— Ai! Ei, Haru, violência não é legal.”
“Foi mal, não consegui suprimir o impulso que subiu das profundezas do meu coração.”
“Haru-san, chuunibyou não faz sucesso com as garotas... Minha culpa, minha culpa, a culpa foi minha, então por favor abaixa esse punho.”
Haruto, contrariado, relaxou o punho que pretendia afundar no lado do melhor amigo, apoiou o queixo na palma da mão e olhou para Tomoya com os olhos semicerrados.
Com a pressão silenciosa de Haruto, Tomoya continuou falando.
“Beleza? Muitos caras bonitos já confessaram para a Tōjō-san até agora.”
Nossa idol, Tōjō Ayaka, desde que entrou nesta escola, já havia sido alvo de inúmeros pedidos de namoro.
Começando pelos aces de cada clube, garotos bonitos populares entre as meninas, o presidente do conselho estudantil e até o chefe do comitê disciplinar.
No fim, até alunos de outras escolas se juntavam no portão só para confessar.
Mas nenhum deles conseguiu uma resposta favorável. Todos que confessaram para Tōjō Ayaka, sem exceção, acabavam abaixando a cabeça, caindo de ombros e virando as costas para ela, saindo com uma aura melancólica.
“Eu pensei nisso enquanto via a Tōjō-san cortar todo tipo de cara bonito.”
“‘Cortar’, você diz...”
[Del: Corte rápido… é Tramontina.]
Haruto fez uma expressão de incredulidade ao ver o melhor amigo falar da idol da escola como se ela fosse uma espadachim à beira da estrada.
“‘Será que a Tōjō-san não gosta de caras bonitos?’ foi o que eu pensei.”
“Não, não, entre os caras que já confessaram, tinha vários que nem eram tão bonitos assim, sabia?”
Nem todos os corajosos que se aproximaram dela tinham rostos perfeitamente esculpidos. Entre eles, também havia estudantes que desafiavam o destino apenas com seus apaixonados sentimentos por Tōjō — e eram completamente derrotados.
“Isso é verdade. Mas tem uma diferença decisiva entre você e os caras que já caíram até agora! E essa é...”
Depois de uma pausa dramática, Tomoya apontou diretamente para Haruto e declarou:
“O fato de que você tem as melhores notas do ano!!”
“Hmm~”
Às palavras de Tomoya, Haruto respondeu sem interesse, ainda apoiando o queixo na mão.
“A Tōjō-san com certeza é alguém que valoriza substância mais do que aparência. É por isso que tem muita chance pra você, mesmo você não sendo bonito.”
“Não, não tenho.”
Haruto negou categoricamente as palavras de Tomoya. E, além disso, cravou o punho no lado do amigo.
Lançando um olhar de canto para o melhor amigo que se contorcia de dor após ser atingido pelo punho de ferro, Haruto virou seu olhar para Tōjō Ayaka.
Só havia alunas ao redor dela. Quanto aos garotos, eles apenas olhavam de fora do círculo de meninas, como se estivessem tentando sentir o clima.
“Pra começar, não existe também a possibilidade de que a Tōjō-san simplesmente não se interesse por homens?”
Mesmo sendo tão bonita e tendo sido abordada por tantos rapazes, o fato de nunca ter surgido um único rumor romântico indica que essa possibilidade não deveria ser descartada.
“De jeito nenhum... mas isso é aceitável de certa forma.”
Haruto fez uma expressão atônita diante do melhor amigo, que assentia com um olhar sério enquanto segurava o queixo.
Sem conseguir entender o que exatamente Tomoya achava aceitável, Haruto pegou a bolsa que estava pendurada ao lado da carteira e começou a se preparar para ir embora.
“O que foi, Haru? Já vai embora?”
“Sim, ficar na sala assim não vai me render nada.”
“Tem certeza? Se você for agora, a próxima vez que poderá contemplar o venerável semblante da Tōjō-san vai ser na cerimônia de início do semestre, sabia?”
“‘Venerável semblante’, você tá dizendo que a Tōjō-san é uma deusa ou algo assim?”
“Ela já é quase isso.”
Ignorando Tomoya, que assentia com completa seriedade, Haruto se levantou da cadeira.
“Você vai mesmo embora? Tem certeza de que não quer chamar a Tōjō-san?”
“Hoje tem promoção no mercado, sabia? Pra mim, ingredientes com desconto são mais importantes do que uma deusa inalcançável.”
“O que é isso? Você é um dono de casa?”
Diante da fachada debochada do melhor amigo, Haruto de repente fez uma expressão como se tivesse se lembrado de algo.
“Falando nisso, eu tinha outra coisa pra fazer além de estudar nestas férias de verão.”
Às palavras de Haruto, ditas enquanto caminhava em direção à saída da sala, Tomoya reagiu com um “Oh?”.
“O que foi? Vai sair pra se divertir afinal?”
“Não, um trabalho de meio período.”
Tomoya demonstrou interesse na resposta de Haruto.
“Hee~ que tipo de trabalho você vai fazer?”
“Serviço de trabalho doméstico.”
“Então existe um bico assim.”
“Eu estava dando uma olhada num site de vagas e encontrei.”
Haruto saiu da sala conversando com Tomoya, e os dois caminharam lado a lado pelo corredor.
“Trabalho doméstico... é aquele negócio de fazer o jantar e tal?”
“É, isso. E se pedirem pra limpar ou fazer compras ou algo assim, você faz essas coisas também.”
Descendo as escadas no fim do corredor, Haruto falou sobre o trabalho de curto prazo que faria durante as férias.
“É mesmo? Ainda estão contratando para isso? Talvez eu faça também.”
“Você seria o tipo que pediria serviço de trabalho doméstico, não o que faria.”
“Ahaha, verdade.”
Às palavras de Haruto, Tomoya caiu na gargalhada.
Haruto já visitou a casa de Tomoya inúmeras vezes, mas nunca — absolutamente nunca — viu o quarto dele arrumado.
Além disso, a cada visita o nível da bagunça piorava, então não foram poucas as vezes em que Haruto, incapaz de suportar a visão, não aguentou e limpou o quarto no lugar dele.
Ultimamente, ele até começou a suspeitar que é convidado de propósito só para limpar.
“Bom, é assim mesmo, então as minhas férias de verão serão dedicadas aos estudos e a trabalhos de meio período. Preciso juntar dinheiro suficiente para ir para a universidade neste verão.”
Dizendo isso, Haruto tirou seus sapatos externos do armário e trocou os sapatos de uso interno.
“Que férias de verão sem graça e entediantes.”
Tomoya também trocou seus sapatos internos e, enquanto batia a ponta dos sapatos externos no chão, resmungou.
“Não deveríamos voltar para a sala e chamar a Tōjō-san agora?”
“É por isso que eu disse, desista disso logo. Se fizermos isso, não vamos chegar a tempo da promoção.”
Às palavras de Haruto, ditas enquanto eles saíam do prédio escolar, Tomoya soltou um grande suspiro, “Haa~”.
“As férias de verão do próximo ano são logo antes das provas, então esse é o último verão em que podemos nos divertir de verdade, sabia? Tem certeza disso?”
Para o melhor amigo que estava completamente obcecado pela idol da escola, Haruto disse com um sorriso enquanto passavam pelo portão da escola:
“Desista, meu melhor amigo. Vamos passar um verão cheio de diligência e trabalho duro juntos.”
Para Haruto, que fez um joinha, Tomoya só conseguiu olhar para o céu e gritar:
“Eu não quero uma juventude assim!!”
※※※
O calor do verão não mostrava sinal de fraquejar nem mesmo à noite, e o canto barulhento das cigarras ecoava pelo bairro residencial.
Haruto beliscou a parte da frente da camisa do uniforme, que estava grudando de suor, e abanicou-se enquanto abria a porta de casa.
“Tô de volta~”
Ele tirou os sapatos com seu cumprimento de retorno e, ao entrar na casa, uma pessoa veio lentamente do fundo do corredor.
“Bem-vindo de volta, Haruto.”
“Voltei, Vó. Olha, esses são os despojos da promoção de hoje.”
Haruto levantou a sacola que segurava com uma das mãos, com uma expressão orgulhosa no rosto. Dentro da sacola estavam os despojos da promoção do dia: carne moída mista e cebolas.
“A carne moída estava 118 ienes por 100 gramas. As cebolas estavam 298 ienes o saco com cinco.”
“Oh nossa, devia estar muito lotado, não estava?”
A avó disse, preocupada, ao receber a sacola.
“Isso só me fez perceber o quão fortes as donas de casa são.”
As donas de casa do mundo, ardendo com a missão de garantir ingredientes baratos, possuem um potencial nada inferior ao de garotos do ensino médio cheios de juventude e energia.
Recordando a memória de ter sido atropelado (literalmente e figurativamente) pelo mais forte dos seres — as donas de casa — numa tarde de verão a caminho de casa, Haruto fez uma careta.
“Deve ter sido difícil. Então, que tal fazermos hambúrguer para o jantar hoje?”
Às palavras da avó, que propôs o cardápio reconhecendo a luta do neto, a expressão de Haruto iluminou-se imediatamente.
“Se eu puder comer o hambúrguer da Vovó, eu posso enfrentar donas de casa todos os dias!”
“É mesmo? Então vá lavar as mãos e faça gargarejo.”
“Tá.”
Haruto respondeu à avó e foi para o banheiro e, depois de terminar de lavar as mãos e gargarejar, seguiu para a sala de estilo japonês por um momento. Um altar estava colocado junto à parede, e três fotos memoriais estavam expostas ali.
“Pai, Mãe e Vovô também, cheguei. A partir de hoje, estou de férias de verão.”
Juntando as mãos diante das fotos, Haruto falou em voz baixa.
“Nessas férias de verão, sabe, eu pretendo trabalhar meio período.”
Mantendo as mãos unidas, Haruto falou para as fotos memoriais.
“Ah, mas eu não tenho intenção de negligenciar os estudos, e vou continuar aparecendo no dojo. Vovô, pode ficar tranquilo quanto a isso.”
Atualmente, apenas Haruto e sua avó vivem na casa Ōtsuki. Ele sofreu um acidente de trânsito quando era jovem. Nesse acidente, perdeu os pais, e, tendo sobrevivido por sorte, foi acolhido pelos avós maternos.
Para que Haruto, que perdeu os pais cedo, não sofresse no futuro, seus avós o criaram com rigor, disciplinando-o adequadamente sem mimá-lo.
O avô o fez frequentar um dojo de karatê, treinando tanto o corpo quanto o espírito do neto, que estava se tornando emocionalmente instável e retraído.
Mas seu avô faleceu quando Haruto entrou no ensino fundamental II.
Haruto acredita sinceramente, do fundo do coração, que o motivo de ele não ser retraído agora e ter confiança em si mesmo é porque seu avô o levou ao dojo.
Sua avó o ensinou minuciosamente tarefas domésticas como limpeza, lavanderia e culinária, para que Haruto não tivesse dificuldades mesmo vivendo sozinho no futuro.
Graças a isso, agora ele consegue fazer quase tudo sozinho e adquiriu habilidades domésticas suficientes para trabalhar em serviços de limpeza residencial.
“Certo então, vou ir ajudar a Vovó.”
Haruto descruzou as mãos que havia juntado e seguiu para a cozinha.
Haruto se orgulhava de suas habilidades culinárias terem melhorado bastante graças aos ensinamentos da avó, mas ainda não conseguia alcançar o sabor de sua mestra.
Para chegar um pouco mais perto desse sabor, Haruto ficava na cozinha com a avó todos os dias, tentando adquirir suas técnicas e intuição.
“Os hambúrgueres da Vovó são incríveis, não são?”
O suco de carne denso e cheio de sabor que transborda quando você dá uma mordida no hambúrguer.
Só de imaginar o momento em que isso se espalha na boca, Haruto engoliu a saliva que ameaçava sair e se dirigiu à cozinha.
※※※
Depois de terminar o jantar, Haruto sentou-se à sua mesa no quarto e abriu um livro de referência.
“Hah~ os hambúrgueres da Vovó são supremos...”
Embora estivesse na posição de estudar, no momento ele ainda estava imerso no pós-jantar, sem sinal algum de começar a escrever.
Haruto ficou um tempo distraído, mas eventualmente voltou a si e balançou levemente a cabeça, dizendo “Nossa”, antes de encarar o livro de referência com uma expressão séria.
Após se concentrar nos estudos por cerca de uma hora, Haruto largou a caneta ao chegar num bom ponto e se espreguiçou amplamente.
“Ugh~ acho que vou tomar banho logo.”
Como sua avó anda com dores nas costas recentemente, limpar o banheiro é tarefa dele.
“Fica complicado se eu deixar pra muito tarde.”
Quando estava prestes a encerrar os estudos e ir para o banheiro, o smartphone na mesa vibrou com um buzz.
“Hm? É o Tomoya?”
Haruto, confirmando no visor o nome Akagi Tomoya, pegou o smartphone e tocou no ícone verde do telefone exibido no centro da tela.
“Alô, o que foi?”
[Ei. Eu só tive vontade de ouvir a voz do Haru de repente, sabe.]
“É mesmo? Bom, isso é assustador, então vou desligar.”
Do outro lado da linha, ele ouviu uma voz desesperada vinda de Tomoya, enquanto Haruto tentava terminar a ligação imediatamente.
[Opa, opa, opa! É brincadeira, brincadeira! Eu realmente tenho algo pra te contar!]
“Então fala isso desde o começo. Pensei que minhas orelhas fossem cair quando você disse algo tão estranho assim do nada.”
[Isso não é meio cruel? Mesmo que o que eu disse tenha sido meio sério.]
“Tá bom então. Até a volta às aulas.”
[Desculpa! Eu não vou brincar mais!]
Ouvindo a voz apavorada do melhor amigo, Haruto apoiou o rosto na mão enquanto um leve sorriso aparecia em seus lábios.
[Você quer ouvir sobre o evento interessante que aconteceu na escola depois que saímos, né?]
“Evento interessante? Aconteceu algo?”
Seu melhor amigo, Tomoya, tinha um círculo amplo de conhecidos, e informações sobre eventos e rumores da escola frequentemente chegavam a ele.
Às vezes, como agora, Tomoya passava essas informações para Haruto.
[Então, sobre isso. Sabe o Kaitō-senpai do terceiro ano, né?]
“Ah~... O cara do clube de tênis, né?”
Haruto levou um momento para recordar a pessoa mencionada, Kaitō-senpai.
Em sua memória vaga, ele tinha ouvido dizer que esse Kaitō-senpai era o ás do clube de tênis e que suas habilidades eram comparáveis às de profissionais.
Havia até rumores de que ele assinaria contrato profissional com um fabricante famoso após a formatura, e que se alguém se tornasse namorada dele agora, havia grande chance de estar garantindo um futuro brilhante. As meninas de sua classe falavam animadas sobre isso... era o que ele lembrava.
[Sim, sim, aquele Kaitō-senpai aparentemente se confessou para a Tōjō-san, sabia?]
“Oh~ e aí?”
Haruto, embora já estivesse perdendo um pouco o interesse na história de Tomoya, pediu para ele continuar mesmo assim.
‘Confissão para Tōjō Ayaka’. Este é um evento que ocorre regularmente na escola que Haruto e seus amigos frequentam e não é particularmente incomum. Além disso, esse evento quase sempre tem um desfecho pré-determinado.
[Ela cortou ele com uma única frase: ‘Não estou interessada.’]
“Já imaginava.”
Haruto respondeu indiferente ao resultado que já havia previsto. Não importa qual homem confesse para Tōjō Ayaka, ela nunca diz sim. Essa é a imagem que Haruto tem dela em sua mente.
[Bom, essa parte é como sempre. Mas desta vez, o preparo antes da confissão foi incrível, pelo que dizem.]
“Foi algum esquema elaborado?”
Os homens que se declararam para Tōjō Ayaka até agora tentaram vários tipos de confissão para tentar garantir a posição de namorado. Alguns deles foram bem excêntricos, e esses casos se tornam material para fofocas e diversão entre os estudantes.
[Em vez de elaborado, desta vez foi mais… ousado.]
“Algo como uma confissão pública na frente da escola inteira?”
[Essa foi a forma final, sim. Mas antes disso, Kaitō-senpai primeiro chamou a Tōjō-san para o pátio escolar pelo sistema de alto-falantes da escola.]
“Uou…”
Haruto deixou escapar uma voz de choque involuntariamente e sentiu pena de Tōjō-san, que foi chamada para receber uma confissão através da transmissão escolar.
[E mais, a confissão de Kaitō-senpai não foi ‘Por favor, saia comigo’, mas aparentemente foi ‘Por favor, seja minha noiva.’]
“Noiva… Esse Kaitō-senpai, ele é maluco?”
[Viu só? E ele aparentemente preparou até um anel de noivado.]
“Uou…”
Haruto ficou pasmo pela segunda vez naquele dia. Ficar noivo ainda no ensino médio já é inacreditável, mas preparar um anel de noivado por cima disso é simplesmente além da razão.
Será que Kaitō-senpai já era originalmente uma pessoa perigosa com um modo de pensar maluco? Ou será que o charme de Tōjō Ayaka, capaz de fazer um estudante decidir propor casamento, era pecaminoso? Haruto não conseguia julgar.
[Aparentemente, Kaitō-senpai não saiu do lugar por trinta minutos depois de ser rejeitado.]
“Bom, é o que aconteceria. Se eu fosse o Kaitō-senpai, eu trocaria para uma roupa branca e cometeria seppuku ali mesmo.”
(TL/N: “Seppuku” é uma forma tradicional de ritual de suicídio no Japão, praticada historicamente por samurais para restaurar a honra após desonra ou fracasso. Envolve a auto-multilação usando uma espada curta, geralmente realizada em uma cerimônia formal.)
Ser chamado pelo sistema de som da escola. E além disso, uma proposta com anel de noivado na frente da escola inteira. Se ele fosse rejeitado depois de tudo isso… O corpo de Haruto começou a tremer levemente só de pensar nisso.
[Parece que você será o único que consegue mexer com o coração da Tōjō-san, afinal.]
“Eu já disse, sem chance. Além disso, não tenho coragem de falar com a Tōjō-san depois de ouvir uma história dessas.”
[Que é isso, covarde. Bom, acho que você não vai ver a Tōjō-san até as aulas começarem mesmo. Tô ansioso pelo que vai acontecer depois das férias.]
“Não cria expectativa com coisa estranha.”
[Você é o único que pode virar o segundo Kaitō-senpai!]
“Isso não é um resultado ruim!?”
Retrucando o melhor amigo, Haruto encerrou a ligação.
Imediatamente, Tomoya enviou um sticker de um gato prestando continência com uma expressão surpreendentemente digna. Por ora, Haruto respondeu com um sticker de um coelho musculoso dando um uppercut no queixo do oponente, depois se levantou da escrivaninha para ferver água para o banho.
Tōjō Ayaka era, para Haruto, meramente um tópico ocasional de conversa com seu amigo, e nunca seria mais do que isso.
Foi o que Haruto pensou no início das férias de verão. Até começar seu trabalho de meio período no serviço de limpeza residencial.
Traduzido por Moonlight Valley
Link para o servidor no Discord
Entre no nosso servidor para receber as novidades da obra o quanto antes e para poder interagir com nossa comunidade.
Apoie a Novel Mania
Chega de anúncios irritantes, agora a Novel Mania será mantida exclusivamente pelos leitores, ou seja, sem anúncios ou assinaturas pagas. Para continuarmos online e sem interrupções, precisamos do seu apoio! Sua contribuição nos ajuda a manter a qualidade e incentivar a equipe a continuar trazendos mais conteúdos.
Novas traduções
Novels originais
Experiência sem anúncios