SESSÃO 8

199 – Razão Vacilante

 

   Na sala de estar da família Tojo, Haruto estava sentado no sofá, relaxando enquanto rolava a tela do celular.

   Ao seu lado, Ayaka se acomodava usando-o como encosto, também olhando para o próprio telefone.

“Ei, Haruto, o que você está vendo?”

   Apoiando o peso do corpo nele, ela se virou levemente e esfregou a bochecha em seu ombro num gesto carinhoso.

“Encontrei um artigo interessante.”

“Sobre o quê?”

“Uma hipótese de que o universo em que vivemos pode, na verdade, estar dentro de um buraco negro.”

   Ao ouvir a resposta, Ayaka sorriu suavemente.

“Você gosta mesmo de espaço, né?”

“Bom, pensar nessas coisas é empolgante.”

   Sem jeito com o sorriso dela, Haruto coçou a cabeça.

   Nesse momento, Shuichi — que trabalhava no notebook no balcão — comentou:

“Falando nisso, o festival esportivo é na semana que vem, não é?”

“É. Ah, mas não é aberto ao público, então você não pode ir, pai.”

   Antes, quando Shuichi descobrira que Ayaka e Haruto participariam juntos do revezamento misto, ele tinha dito que queria ir torcer por eles.

   No entanto, como o festival não permitia visitantes, Ayaka bloqueou firmemente qualquer tentativa do pai de aparecer.

“Hm. Eu queria tanto ver minha filha e meu futuro genro em ação.”

   Vendo o quanto Shuichi parecia desapontado, Haruto sugeriu:

“Quer que a gente grave um vídeo? Se eu pedir para um amigo, ele pode filmar o revezamento meu e da Ayaka.”

“Oh! Por favor!”

   Shuichi assentiu com entusiasmo.

“Sinceramente, Haruto, não mime tanto o papai.”

“Mas ele parece tão feliz.”

“O papai se empolga fácil demais.”

“Ayaka, eu interajo com o Haruto-kun de uma maneira perfeitamente apropriada, sabia?”

   Diante do protesto do pai, Ayaka inflou as bochechas.

“Você vive roubando o Haruto de mim.”

“Hahaha, mas passar tempo com o Haruto-kun é divertido.”

   Rindo alegremente da reclamação fofa da filha, Shuichi fechou o notebook.

“Então vou para o meu escritório, para não atrapalhar os dois.”

“Não precisa falar desse jeito de propósito.”

“Hahaha.”

   Ignorando a queixa da filha com uma risada, Shuichi saiu da sala levando o notebook.

   Por sinal, Ikue estava no quarto com Ryota, colocando-o para dormir.

   Sozinhos na sala, Ayaka voltou a se apoiar em Haruto e olhou para o celular.

“O que você estava vendo esse tempo todo, Ayaka?”

“Eu também achei um artigo interessante.”

   Sorrindo animada, Ayaka mostrou a tela do celular para Haruto.

“Hm? Abraçar faz bem para a saúde…?”

“Sim! Diz que abraçar alguém que você ama te deixa mais saudável e até aumenta a expectativa de vida!”

   Enquanto lia o título em voz alta, os olhos de Ayaka brilhavam.

   Haruto leu rapidamente o artigo e assentiu.

“Entendi. A liberação de ocitocina estabiliza os batimentos cardíacos e fortalece a imunidade, o que prolonga uma vida saudável.”

“Isso mesmo! E essa ocitocina é chamada de hormônio do amor.”

   Ainda sorrindo, Ayaka colocou o celular de lado e abriu bem os braços.

“Aqui.”

   Vendo aquela pose claramente convidativa, Haruto perguntou de propósito:

“E exatamente o que é essa posição?”

“Vamos nos abraçar.”

   Respondendo sem hesitar, Haruto sorriu, assentiu e abriu os braços para envolvê-la.

“Mmm hehe… sinto como se minha expectativa de vida estivesse aumentando muito agora.”

“Sério?”

“Sim. Você não sente isso, Haruto?”

   Enquanto falava, Ayaka apertou os braços em torno das costas dele, colando-se ainda mais.

   Toda vez, Haruto era envolvido pela maciez esmagadora dela e por seu perfume.

“…Sinto que a minha expectativa de vida está diminuindo.”

“Hã!? Por quê?”

“Por vários motivos… estimulantes…”

“Não está estimulado o suficiente? Então…”

   Ayaka fechou os olhos lentamente e pressionou de leve os lábios contra os de Haruto.

“E agora?”

“Acho que não vou sobreviver.”

“Por quê!?”

   Haruto estava à beira de perder completamente a razão.

   Sem perceber que o empurrava para o limite, Ayaka tentava desesperadamente inundar seu noivo amado com hormônios do amor.

   Ainda agarrada a ele, fazia carinho em sua cabeça, deixava que ele fizesse o mesmo, esfregava o rosto em seu pescoço, respirava fundo, roçava a bochecha em seu peito.

   Ayaka estava completamente solta, fazendo tudo o que queria enquanto o abraçava.

“E agora? Sua expectativa de vida aumentou?”

   Esfregando a bochecha na dele, perguntou de perto. Achando-a parecida com um gatinho brincalhão, Haruto respondeu:

“Acho que passei da expectativa de vida e entrei na minha segunda vida.”

“O que isso quer dizer?”

   Com Ayaka inclinando a cabeça de forma adorável tão perto dele, Haruto sorriu de lado.

“Quer dizer que você é tão fofa que eu iria querer você como minha esposa até na próxima vida.”

“!?”

   Os olhos de Ayaka se arregalaram, e então seus lábios se curvaram lentamente num sorriso.

   Como Haruto esperava, sua expressão derreteu, e o intenso ataque de ocitocina finalmente cessou.

   Aproveitando o momento, Haruto sugeriu:

“Vamos escovar os dentes?”

“Hã? Já está tão tarde assim? O tempo passa rápido quando estou com você, Haruto.”

   Surpresa, Ayaka voltou a se aproximar dele carinhosamente.

“Um último abraço?”

“Claro.”

“Hehe… eu estou tão feliz…”

   Vendo a expressão completamente derretida de felicidade de Ayaka, um impulso súbito surgiu no peito de Haruto.

[Almeranto: Isso é muito doce. Tô rindo que nem um idiota tipo: Por que você está rindo? Que estão felizes são eles.]

   Reprimindo-o com todas as forças, Haruto se levantou do sofá e foi em direção à pia.

   Depois de escovarem os dentes, os dois voltaram para seus respectivos quartos.

   Haruto se sentou à mesa e começou sua rotina de estudos antes de dormir.

   Mas a caneta não se movia.

   A imagem de Ayaka o abraçando mais cedo se repetia vividamente em sua mente.

“…Ela é atraente demais…”

   Haruto soltou um suspiro atormentado.

   Desde que ficaram noivos, Ayaka vinha encurtando ainda mais a distância entre eles.

   Mesmo quando só namoravam, já eram próximos, mas agora essa distância era praticamente zero.

   Talvez por isso, às vezes ela mostrasse um lado completamente desprevenido.

   Haruto se lembrou do dia em que ela pedira sorvete logo após sair do banho.

   A imagem que ele vira naquela ocasião se sobrepôs inconscientemente à presença esmagadora que sentira no abraço de hoje.

“…O que eu estou pensando?”

   Haruto deu um tapa leve na própria cabeça para afastar os pensamentos impuros.

   Mas eles grudavam teimosamente em sua mente e não iam embora.

“Haa…”

   Ele parou de balançar a cabeça e a segurou com uma mão.

   Havia outro pensamento ali — algo que não existia antes.

   Possessividade.

   Desde o noivado, Haruto percebia claramente que esse sentimento tinha se fortalecido.

   E o gatilho tinha sido algo que seus amigos disseram.

“Depois que começou a namorar o Otsuki, a Tojo-san ficou ainda mais fofa, não ficou?”

   Para Haruto, Ayaka sempre fora irresistivelmente encantadora, então ele nunca tinha notado essa mudança.

“Mas mesmo assim…”

   Um sentimento vago e inquietante se misturou ao seu monólogo.

   A confissão repentina após o treino de revezamento.

   Ao se lembrar da cena em que Ayaka fora confessada por outro garoto, a possessividade que ardia em seu peito se inflamou de vez.

   Ayaka estava mais proativa e desprevenida ultimamente.

   E a possessividade dele em relação a ela.

   Com emoções turbulentas girando dentro de si, Haruto não tinha a menor condição de estudar.

“Não dá… eu não consigo me concentrar!”

   Por fim, ele largou a caneta e se jogou contra o encosto da cadeira.

   Então encarou o teto.

“Será que… posso me permitir ser um pouco mimado?”

   Esse pensamento surgiu de repente.

   Desde que se tornaram um casal, Ayaka vinha expressando abertamente seu afeto — não só com palavras, mas com ações.

   E desde o noivado, isso se tornara ainda mais intenso.

   Se era assim, não estaria tudo bem se ele também expressasse seu carinho?

   Não apenas com palavras, mas com atitudes…

   Talvez não fosse tão ruim seguir o exemplo de Ayaka e se apoiar um pouco nela.

“Bom, ir longe demais não seria bom, mas só um pouquinho…”

   Ainda hesitante, Haruto olhou para a parede do lado onde ficava o quarto de Ayaka.

   Então, levantando-se lentamente, saiu do quarto.

 


 

Nota do autor:
Ei, faz tempo! Feliz Ano Novo! Espero muitos capítulos incríveis este ano também!

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