SESSÃO 8

196 – A Diferença Entre uma Namorada e uma Esposa

 

   Depois de terminar o treino do revezamento misto, Haruto estava se trocando no vestiário junto com Tomoya.

“Fuu~ isso foi um bom suor.”

“Nem foi tão puxado assim.”

   Haruto respondeu com seu tom habitual, ao lado de Tomoya, que parecia excessivamente revigorado.

“Não é sobre a quantidade, é sobre a tensão, sabe?”

“Ainda nem é a prova de verdade.”

“Não esse tipo de tensão. Eu quero dizer aquela tensão empolgante e constrangedora — a tensão de trombar com a Aizawa-san.”

“Empolgante e constrangedora? Isso foi só um acidente perigoso.”

   Enquanto vestia a camisa, Haruto acrescentou:

“Se você tivesse caído, poderia ter se machucado.”

“É, talvez, mas ainda assim — se você abraça uma garota. Obviamente o coração dela  acelera, né?”

   Tomoya sorriu enquanto abotoava a camisa.

“A Aizawa-san também tinha um cheiro muito bom.”

“Se ela visse a sua cara agora, ficaria seriamente assustada.”

   Haruto disse suspirando enquanto terminava de se trocar.

“Eu só estou dizendo—”

   Tomoya arregaçou as mangas e perguntou de forma casual:

“Ei, Haru, como a gente parece para quem vê de fora? Eu e a Aizawa-san.”

“Como assim, como?”

“Tipo… parecemos próximos?”

   Até Tomoya inclinou a cabeça enquanto perguntava.

   Haruto lançou um olhar rápido para ele.

   Embora entendesse… ao mesmo tempo, não entendia.

“Vocês se dão bem, não é? Você sendo relaxado e a Aizawa-san se irritando com isso — meio que parece um bom equilíbrio.”

“Entendo, então isso significa que somos ligados de uma vida passada.”

“Eu não disse isso.”

   Tomoya brincou; Haruto respondeu calmamente.

   Como eles se conheciam há tanto tempo, Haruto decidiu ir direto ao ponto.

“Então, Tomoya — o que você acha da Aizawa-san?”

“…Uma deusa?”

“Hã?”

   Não era a resposta que ele esperava — Haruto congelou no meio da troca de roupa.

“Então… isso quer dizer que você gosta dela?”

“Não ‘gostar’ — mais como venerar?”

“Uma deusa de verdade, então.”

“Só juntar as mãos e rezar para ela já é o suficiente para trazer paz ao meu coração.”

   Tomoya se ajoelhou, juntando as mãos de forma reverente. Haruto fez uma careta.

“Você está… bem?”

   Haruto olhou para ele com pena.

“Não olha pra mim assim. Essa parte foi brincadeira.”

“Não faça piadas que não soam como piada.”

   Haruto lançou um olhar inexpressivo.

“Ah, qual é. Isso obviamente soou como brincadeira.”

“Ultimamente, quando a Aizawa-san briga com você, você parece feliz. Então não era impossível imaginar.”

   Tomoya cruzou os braços, pensativo.

“Bom, ela é só fácil de conviver, eu acho. A gente combina. Ela é confortável.”

“Então isso quer dizer que você gosta dela?”

   Haruto foi direto novamente — Tomoya inclinou ainda mais a cabeça.

“Se essa for a definição, então eu gosto de você também.”

“Ugh, para.”

   Haruto fez a expressão mais enojada possível.

“Ei, ei, que cruel. Depois de tudo o que a gente passou?”

“Eu já tenho a melhor namorada — a Ayaka.”

“Não namorada. Esposa.”

   Tomoya corrigiu imediatamente, apontando para Haruto.

“E falando sério — que estudante do ensino médio já mora com a própria esposa?”

“Quero dizer… não é nada particularmente incomum—”

“É incomum!”

   Tomoya o interrompeu e se aproximou.

“Ela não é só uma namorada — é uma esposa. Aprovada por ambas as famílias. O que significa que você pode fazer o que quiser com a Tojo-san!”

“O–O que você quer dizer com fazer o que eu quiser—”

   Haruto o empurrou para longe.

“Eu não quero fazer nada que a Ayaka não goste.”

“Não, não, não! A Tojo-san é completamente apaixonada por você! Talvez ela esteja esperando que você faça ‘o que quiser’!”

   Haruto suspirou, girando os ombros.

“Pare de projetar suas fantasias em mim.”

“Não é fantasia. Se a Tojo-san partisse pra cima de você — você não odiaria, certo?”

“Bom… eu não odiaria.”

“Você ficaria feliz, certo?”

“… ”

   Haruto não conseguiu responder. Tomoya colocou a mão no ombro dele com um sorriso convencido.

“E isso vale para os dois lados.”

   Haruto lembrou-se de quando Ayaka tinha sido bem direta usando a desculpa de “treinar para ser um casal”.

“… Cala a boca.”

   Constrangido, ele afastou a mão de Tomoya.

   Tomoya se recostou, colocando as mãos atrás da cabeça.

“Cara, eu tenho inveja de você. Um sogro e uma sogra que te aceitam, um cunhado que te adora e uma esposa fofa que diz ‘eu te amo’ o tempo todo…”

   Tomoya encarou com uma mistura de inveja e incredulidade.

“O que é essa situação, afinal? Que tipo de karma te dá esse caminho trapaceiro? Você salvou o mundo numa vida passada?”

“Se existe um deus, conhecer a Ayaka é algo pelo qual eu agradeceria para sempre — mas é assim que os encontros funcionam, não é?”

   Haruto respondeu calmamente.

“Tenho inveja, cara. A Tojo-san deve ser absurdamente fofa quando fica grudada em você.”

   Tomoya encerrou a conversa, terminou de se trocar e foi em direção à saída.

   Haruto o chamou:

“Ei, Tomoya.”

“Sim?”

“Você acha que a Ayaka ficou ainda mais fofa depois que começamos a namorar?”

   No almoço, alguém tinha comentado isso — que a Ayaka ficou mais encantadora depois de ficar com Haruto.

   Tomoya parou, com a mão na porta, pensando.

“Bom… a Tojo-san quando está ao seu lado, com aquela cara toda feliz — falando com modéstia, ela é uma deusa.”

“Entendo…”

   Haruto assentiu — e então riu baixinho.

“De novo essa história de deusa.”

“Falando com modéstia, ela é uma deusa. Se eu não fosse modesto — ela seria um deus.”

“É a mesma coisa.”

   Tomoya piscou, depois deu de ombros.

“Mas sim, o ‘sorriso super fofo definitivo’ dela é algo que só você pode ver — então pra mim fica mais fácil olhar para ela de forma casual.”

“Casual?”

   Haruto inclinou a cabeça. Tomoya explicou:

“Antes, os caras ainda podiam ter esperança, né? Tipo ‘talvez eu tenha uma chance?’ Mas agora essa possibilidade é zero. O que significa que podemos admirá-la como uma celebridade.”

“Hmm… acho que sim?”

   Haruto entendeu com a cabeça — mas não com o coração.

   Tomoya deu um sorriso torto.

“O protagonista trapaceiro de rom-com, Haru, não entenderia.”

   Ele jogou essa frase e saiu andando.

   Haruto o seguiu.

   Ayaka e Saki estavam esperando no corredor.

“Vocês demoraram. O que estavam fazendo?”

   Saki perguntou com desconfiança.

   Tomoya sorriu.

“Discutindo seriamente sobre a deusa. Né, Haru?”

   Haruto entrou na brincadeira.

“Eu estava ouvindo o Tomoya analisar apaixonadamente os encantos da deusa.”

“Ei! Você também queria saber sobre a deusa!”

   Tomoya sorriu para Ayaka.

“E, aliás — a deusa do Haru é a Tojo-san.”

“Eh!?”

   Ayaka piscou surpresa e depois se virou para Haruto.

“É verdade?”

   Os olhos dela brilharam de alegria. Haruto deu um sorriso tenso.

“Mais ou menos… eu só estava curioso sobre como outra pessoa enxerga a sua fofura.”

   Tomoya abriu um sorriso malicioso.

“É só admitir que você não consegue parar de pensar na Tojo-san!”

“Você é barulhento.”

   Haruto murmurou, envergonhado — mas Ayaka parecia genuinamente feliz.

   Observando aquilo, Saki murmurou para si mesma:

“Vou comprar um café no caminho para casa.”

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