SESSÃO 8

195 – Ficando Ainda Mais Próximos

 

“Ayaka~! Pode ir~!”

   Saki levantou bem alto a mão, sinalizando para Ayaka, que estava posicionada na linha de largada dos 100 metros rasos.

   Ayaka respondeu erguendo a mão e, em seguida, disparou para frente em velocidade máxima.

“Oh? A Ayaka não está correndo mais rápido do que antes?”

“O formato da corrida dela também parece bem mais limpo.”

   Esperando na linha de chegada, Tomoya e Haruto comentavam sobre a corrida de Ayaka exatamente no momento em que ela passava correndo por eles.

   Enquanto o perfume dela passava levado pela brisa, Ayaka diminuiu o ritmo e caminhou lentamente de volta até eles, respirando com dificuldade.

“Haa… haa… e então, como foi?”

“Sim, acho que você melhorou bastante.”

   Quando Haruto disse isso, Ayaka sorriu feliz.

“Eba.”

   Observando o casal sorrir um para o outro, Tomoya lançou um olhar para Saki.

“Aizawa-san, a melhora da Ayaka é totalmente graças ao seu treinamento.”

“Bom, claro. Isso é o que uma ex-ás do atletismo consegue fazer.”

   Saki respondeu com orgulho exagerado, e Tomoya fez uma reverência profunda em resposta.

“Uau, minhas desculpas. Acabei de presenciar a grandeza.”

   Haruto, que havia terminado de falar com Ayaka, encarou Tomoya.

“Por que você está se curvando para a Aizawa-san?”

“É uma prece pela vitória no festival esportivo.”

   Tomoya respondeu com uma expressão séria e, em seguida, fez outra reverência educada para Saki.

“Oh deusa das pistas, por favor nos conceda sua força.”

   Depois de bater palmas duas vezes, ele se curvou novamente.

“Ei, Akagi-kun. Se vai rezar para mim, pelo menos ofereça algum dinheiro. Não dou bênçãos de graça.”

“Oh, certo. Então vou te dar cinco ienes—”

“Não aceito oferendas abaixo de mil ienes.”

“Você é uma deusa golpista!?”

   Tomoya gritou em choque diante da exigência alta de Saki, e então os dois caíram na gargalhada.

“Certo, chega de brincadeiras. Vamos passar para o treino de passagem de bastão.”

   Saki pegou um dos bastões que haviam emprestado para o treino.

“A ordem da corrida sou eu, o Akagi-kun, a Ayaka e depois o Haruto. Então se alinhem nessa ordem.”

   Seguindo as instruções dela, eles se posicionaram em fila.

“Certo, afastem-se um pouco e vamos praticar a passagem do bastão um por um.”

   Eles se espalharam a cerca de vinte metros de distância uns dos outros. Saki correu levemente e entregou o bastão para Tomoya.

“Espera—ei! Akagi-kun! Você está segurando o meu pulso!”

“Hã? Ah—desculpa—uou!”

   Confundindo o pulso de Saki com o bastão, Tomoya a segurou e diminuiu o ritmo, mas Saki — sendo puxada para frente — não conseguiu desacelerar a tempo e acabou se chocando contra ele.

   Quando ele se virou, Saki voou direto contra o peito dele. Tomoya mal conseguiu manter o equilíbrio e segurá-la.

“Ops. Foi mal, Aizawa-san. Você está bem?”

“S-sim…”

   Percebendo que estava sendo segurada nos braços dele, Saki se afastou rapidamente, visivelmente nervosa.

“C-como eu pensei, a passagem por baixo é bem difícil…”

“Se isso acontecesse correndo em velocidade máxima, a gente com certeza cairia feio.”

   Enquanto Saki falava rapidamente e evitava contato visual, Tomoya cruzou os braços com uma expressão preocupada.

   Ayaka e Haruto voltaram até eles.

“Vocês dois estão bem?” Ayaka perguntou, preocupada.

   Tomoya abriu um sorriso largo.

“Eu só estava compartilhando um abraço apaixonado com a Aizawa-san. Nenhum problema!”

“Isso é um problemão!”

   Saki rebateu imediatamente.

“Eu não acho que consigamos dominar a passagem por baixo até o festival esportivo.”

“Então a gente muda para a passagem por cima?”

   Saki, com as bochechas levemente rosadas, olhou para Haruto.

“A passagem por baixo é mais rápida, mas se a gente cair, não adianta de nada”, Haruto acrescentou.

“Exatamente. Não importa o quão rápido você corra se acabar caindo no meio.”

   Tanto Haruto quanto Saki pareciam desanimados em insistir na passagem por baixo.

   Nesse momento, Ayaka, que observava silenciosamente Saki e Tomoya, falou:

“Ei… eu e o Haruto podemos tentar a passagem por baixo também?”

“Hã? Bem, claro”, respondeu Saki.

“Haruto, vamos tentar.”

“Ok.”

   Haruto sentiu uma pequena dúvida surgir em sua mente diante do entusiasmo repentino de Ayaka, mas seguiu as instruções dela.

   Ele se afastou cerca de vinte metros. Ayaka segurou o bastão e se preparou para correr.

“Lá vou eu!”

   Haruto levantou a mão em resposta.

   Ayaka então disparou em velocidade máxima.

“Espera! Ayaka, se você começar assim em velocidade máxima, vai acabar correndo direto contra o Haruto!?”

   Saki entrou em pânico, mas Ayaka fechou a distância instantaneamente — e então passou o bastão para Haruto com um movimento perfeito e fluido.

“…Hã?”

“Ohh, isso foi perfeito.”

   Saki ficou paralisada, enquanto Tomoya bateu palmas.

   Haruto e Ayaka voltaram correndo até eles.

“Espera aí! Por que vocês conseguem fazer a passagem por baixo de repente!?”

   Ayaka respondeu timidamente:

“Observando você e o Akagi-kun… eu meio que pensei que, talvez, se eu simplesmente me jogasse em direção ao Haruto, daria certo?”

   Haruto completou por ela:

“Acho que eu simplesmente entendia muito bem a distância da Ayaka. Mesmo sem olhar para trás, eu conseguia sentir onde ela estava.”

   Os dois falaram de forma casual, como se tudo tivesse acontecido por acaso. Saki levou a mão à cabeça.

“Isso não faz sentido… a Ayaka eu até entendo, mas o Haruto sentir ela sem olhar? Isso é praticamente um superpoder…”

“Não é nada demais. Eu olhei para trás para checar a posição dela bem antes de ela começar.”

“Mesmo assim… como isso funciona logo na primeira tentativa…”

“Sem sentido…” murmurou Saki, enquanto Tomoya batia palmas.

“Aizawa-san. Eu já entendi tudo!”

“O quê agora?”

“A razão de termos errado a passagem do bastão é a distância emocional!”

“O que você está falando?”

   Tomoya estufou o peito.

“O Haruto e a Ayaka conseguiram porque a distância emocional entre eles é zero — eles são praticamente marido e mulher!”

“E daí…?”

“Então! Se eu e você reduzirmos nossa distância emocional para zero — nós também vamos conseguir!”

“…Ou seja, você quer que a gente se case?”

“SIM! Vamos nos apaixonaaaar!”

“Absolutamente não!!”

   Saki acertou nele uma resposta perfeita, como um golpe final.

“Casar para passar um bastão não faz o menor sentido! E não me compare, uma pessoa normal, com esses dois monstros do romance!”

   Ela apontou firmemente para Haruto e Ayaka.

“A história de amor deles não é realista! Ayaka e Haruto vivem na ficção! Eu sou não-ficção! Estudantes do ensino médio ficando noivos é ficção! F.I.C.Ç.Ã.O! Entendeu!?”

   Ayaka corou timidamente.

“Haruto, a Saki está dizendo que somos como um romance ideal dos sonhos.”

“É, tenho quase certeza de que não foi nada disso que ela quis dizer.”

   Ignorando a dupla cômica, Saki deu um passo em direção a Tomoya.

“Passagem de bastão não tem nada a ver com relacionamentos amorosos! Zero! Nada!”

   Tomoya caiu na gargalhada.

“Hahaha! Rejeição total! Isso doeu!”

“Isso não é brincadeira…”

“Foi mal, foi mal. Era só uma piada.”

   Tomoya juntou as mãos em pedido de desculpas.

“Sério… para de falar coisas estranhas.”

“Desculpa, desculpa. Mas, na real, você precisa confiar na outra pessoa numa passagem de bastão, certo? Então a distância emocional meio que importa.”

“Bom… tá, essa parte faz sentido…”

   Saki assentiu a contragosto, observando-o com desconfiança.

   Então Tomoya se inclinou, curioso.

“Então, Aizawa-san… qual é a distância emocional entre você e eu agora?”

“…daqui até lá.”

   Saki apontou para a linha de largada dos 100 metros — e então deslizou a mão horizontalmente até alcançar a linha de chegada.

“Provavelmente… algo por aí.”

   Tomoya explodiu em gargalhadas novamente.

“Isso é muito mais longe do que a nossa distância física real! Minha alma está deixando o corpo!”

“O que você está falando afinal?” Saki riu.

“Bom… acho que treinar a passagem por baixo mais um pouco não é uma ideia tão ruim.”

“Isso mesmo. E eu jurei me tornar o Mestre da Passagem por Baixo.”

“Você ainda está nessa?”

“Um homem nunca volta atrás na sua palavra!”

   Depois disso, o grupo continuou treinando para o festival esportivo.

 

— Almeranto: Kkkkkk, esses dois são pura comédia, eles realmente combinam.

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