SESSÃO 8

193 - Haruto Tojo ou Ayaka Otsuki?

 

“Noivos!?”

   A voz chocada de Tomoya ecoou pelo pátio da escola onde Haruto estudava.

“Bom, é… E eu apreciaria se você pudesse baixar um pouco a voz.”

   Olhando ao redor, Haruto pediu calmamente que ele se controlasse.

   O pátio na hora do almoço estava cheio de alunos aproveitando suas refeições. Haruto conferiu os grupos próximos — felizmente, o grito de Tomoya não parecia ter sido ouvido por ninguém.

“Eu não pretendo manter isso em segredo como fiz quando a Ayaka e eu começamos a namorar, mas também não quero chamar atenção demais. Então, eu agradeceria se você não espalhasse por aí.”

   Ficar noivo ainda no ensino médio já era irrealista o bastante por si só. Somando o fato de que Ayaka era praticamente a idol da escola, certamente causaria comoção.

   Entendendo isso, Tomoya assentiu com uma expressão atordoada, olhando de Haruto para Ayaka repetidamente.

   O choque não era só dele — Saki e Shizuku, que estavam almoçando com eles, também estavam boquiabertas.

“Eu imaginava que vocês fossem se casar algum dia, mas não esperava que já estivessem noivos…”

“Então você nem vai me dar tempo de sofrer como a heroína perdedora… O poder esmagador da heroína principal.”

   Saki estava sem palavras com a velocidade absurda do romance da melhor amiga, enquanto Shizuku parecia completamente congelada, como uma estátua.

“Bom, sabe… Eu amo o Haruto, e o Haruto também me ama… Nós confirmamos isso um para o outro, então pensamos que… talvez já esteja tudo bem em casar?”

   As bochechas de Ayaka ficaram vermelhas enquanto ela explicava, claramente envergonhada de falar aquilo em voz alta. Sua expressão tímida tinha um toque de alegria, e Saki a olhou com uma mistura de admiração e exasperação.

“Sinceramente, Ayaka, sua vida amorosa é tão irreal. Espera — estar noiva significa que você já cruzou a linha de chegada?”

“Aya-senpai é um trem desgovernado do amor.”

   Seguindo Saki, Shizuku comentou com um olhar seco.

“No momento em que ela pegou o Haru-senpai, ela acelerou no máximo. Ignorou todas as estações no caminho e foi direto pra igreja tocar os sinos.”

“Não é tão exagerado assim…”

   Ayaka tentou protestar, mas sua voz foi diminuindo — aparentemente, ela não conseguia negar completamente. Então Tomoya deu um repentino e contido gargalhar.

“Trem desgovernado… pfft.”

“Tomoya?”

   Haruto olhou para ele, e Tomoya levantou a mão rápido, tentando segurar o riso.

“Ah, foi mal. É que eu imaginei um trem com a cara do Tōjō acelerando a toda — pfft.”

   Saki não conseguiu segurar a risada também.

“Então é a Ayaka Locomotiva, huh? Haha… Consigo até ouvir o apito… fufu.”

“Parem! Não criem imagens estranhas assim!”

“A parte da frente com certeza seria uma combinação chamativa de vermelho e rosa”, acrescentou Shizuku.

“Shizuku-chan, você também!?”

   Ayaka fez biquinho em protesto, e Saki levantou as mãos, ainda rindo.

“Tá bom, tá bom, desculpa. Enfim, noivados ou não, ainda é algo pra comemorar.”

“É. Parabéns, Haru. Parabéns, Tōjō.”

“Parabéns aos dois, Haru-senpai e Aya-senpai.”

   Ouvindo as palavras calorosas dos amigos, Haruto e Ayaka — sentados bem próximos — ficaram vermelhos.

“Valeu.”

“M-muito obrigada.”

   As respostas tímidas fizeram Saki sorrir suavemente.

“Eu também vou dizer. Parabéns, Ayaka. Parabéns, Otsuki-kun.”

“Obrigada, Saki.”

“Obrigada, Aizawa-san.”

“Aliás…”

   Os olhos de Saki brilharam enquanto ela se inclinava.

“Vocês já começaram a planejar a cerimônia? E o vestido? Você já experimentou algum?”

   Claro, era isso o que mais a interessava.

   Ayaka corou, mas respondeu alegremente:

“A gente não pode se casar legalmente ainda, então não decidimos nada disso. Certo, Haruto?”

“É. Além disso, ainda estamos no ensino médio e estamos quebrados. Tem a faculdade também. Provavelmente faremos a cerimônia depois que começarmos a trabalhar e juntarmos dinheiro.”

   Tanto Shuichi quanto Ikue eram presidentes de empresas, então poderiam ajudar financeiramente se pedissem — mas Haruto queria que o primeiro passo do casal fosse deles.

“Depois da formatura, vamos registrar o casamento, então trabalhar e construir nossa independência. Esse é o plano por enquanto.”

   Quando terminou, Tomoya o encarou longamente.

“Entendi… Haru vai se casar, huh…”

   Saki também assentiu, emocionada.

“Pensar que Ayaka, que estava me pedindo conselhos amorosos nas férias de verão, agora vai se casar…”

   Por um instante, ambos ficaram em silêncio — e então gritaram ao mesmo tempo:

“Rápido demais!”

“É rápido demais!”

   Eles se viraram para Haruto e Ayaka, disparando reclamações sem parar:

“Como você consegue acabar com uma noiva graças a um emprego de meio período fazendo tarefas domésticas!?”

“Vocês começaram a namorar no fim das férias de verão, né!? Ficar noivos já é rápido demais — isso é casamento em velocidade turbo!”

“E sem contar que o Haru conquistou até os pais dela, e eles dois dirigem empresas! Você basicamente venceu na vida! É vitória por misericórdia! Já tá no campeonato!?”

“E Ayaka, ter o Otsuki-kun como noivo é perfeição demais! Ele cozinha, limpa, lava, tira notas boas, tem bons vínculos familiares e uma personalidade impecável!”

“Que tipo de karma você precisa pra esse tipo de evento acontecer!? Quem você era na vida passada!? Algum herói lendário que derrotou um rei demônio e reencarnou pra viver sua segunda vida super OP!?”

“Então você evitou garotos esse tempo todo só para despejar todos os seus pontos de romance no Otsuki-kun!? Ele era seu destino desde o nascimento!?”

   As palavras continuaram sem parar até que ambos terminaram com falas combinadas:

“Haru, você é o protagonista de uma comédia romântica!?”

“Ayaka, você é a heroína de uma comédia romântica!?”

[Almeranto: Basicamente sim, né? Kkkkkk.]

   Após descarregarem tudo, Tomoya e Saki pareciam estranhamente aliviados.

   Observando-os, Shizuku murmurou:

“Sincronia perfeita.”

“Agora que o Haru-senpai e a Aya-senpai estão juntos, o próximo é o Tomo-senpai e a Saki-senpai.”

   Saki ergueu uma sobrancelha.

“De jeito nenhum. Eu não posso ter um romance exagerado como o da Ayaka.”

“Então tenha um realista — com o Tomo-senpai.”

“Não é esse o ponto!”

“Hã? Do que vocês duas estão falando?”

   Tomoya olhou confuso enquanto Saki franzia a testa para Shizuku, que andava tentando juntá-los ultimamente.

“Ah, nada! Enfim, Ayaka, já que você vai se casar com o Otsuki-kun, isso significa que você não vai mais ser Tōjō?”

   Mudando de assunto, Saki virou-se para a amiga.

“Acho que sim? Ainda não conversei sobre isso em detalhes com meus pais…”

   Ayaka inclinou a cabeça e olhou para Haruto.

“É. Sobrenomes são algo importante, então precisamos conversar com a vovó também.”

“Mas eu acho que Otsuki soa muito bonito! E além disso, o Ryota ainda está aí, então o nome Tōjō vai continuar existindo.”

“Então quando a vovó sair do hospital, vamos sentar todos juntos e conversar direito.”

“Tá bom!”

   Falando sobre qual sobrenome usar quando se casarem, os dois pareciam felizes. Tomoya riu.

“Isso não é o tipo de conversa que alunos do ensino médio costumam ter.”

“Verdade. Nem a maioria das pessoas na casa dos vinte fala assim.”

“Rejeitando a queda na taxa de casamentos no Japão com força total — Haru-senpai e Aya-senpai, como sempre, impressionantes. Ah, isso me lembra…”

   Shizuku bateu palmas como se tivesse tido uma ideia.

“Aya-senpai.”

“Hm? O que foi?”

“Eu devo começar a te chamar de Tōjō-senpai a partir de agora?”

“Eh? Por quê?”

“Bom, seu tempo como ‘Tōjō’ pode estar acabando, certo? Você deveria aproveitar o restante do seu período Tōjō enquanto pode!”

“Agora que você mencionou, até dá uma sensação meio triste… mas eu prefiro que você continue me chamando como sempre.”

“Entendido.”

   Ayaka sorriu sem jeito diante da consideração estranha de Shizuku.

“Mas é…”

   Ouvindo aquilo, Saki cruzou os braços.

“Se vocês vão registrar o casamento logo depois da formatura, provavelmente você vai passar mais tempo como Otsuki do que como Tōjō.”

   Haruto sorriu de forma desajeitada.

“Não dá pra saber ainda. Ainda existe a chance de eu virar Tōjō.”

“Tōjō Haruto, huh… não soa mal,” comentou Tomoya.

   Os olhos de Ayaka brilharam.

“Haruto Tōjō… eu gosto.”

“É?”

   Quando Haruto sorriu para ela, Ayaka corou e assentiu.

“É meio estranho, mas me faz sentir… mais como família.”

“Entendi… Tōjō, huh…”

“Ah! Mas eu também ficaria super feliz como Otsuki! ‘Otsuki Ayaka’ tem uma pontuação ótima na numerologia de nomes!”

“Você realmente verificou isso?”

“S-sim…”

   Ayaka assentiu timidamente, transbordando felicidade, e Haruto a olhou com um sorriso suave. Observando o casal radiante, Saki murmurou:

“Me pergunto quando eu vou me preocupar com meu próprio sobrenome…”

“Eu acho que ‘Akagi Saki’ soa legal,” respondeu Shizuku.

“‘Ishikura Shizuku’ também soa bem, sabe.”

“...Hm?”

   Assim que Saki revidou, sem querer ficar para trás, Shizuku congelou completamente.

(Tomoya) “Huh? Do que vocês estão falando?”

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