SESSÃO 8

192 - Um Novo Começo

 

   A brisa fresca da manhã entrou pela janela aberta, roçando a bochecha de Haruto. Seu olhar acompanhou o fluxo daquela brisa em direção ao mundo lá fora.

   O tranquilo bairro residencial começava a brilhar sob a suave luz do sol da manhã.

“Acho que devo começar a fazer o café da manhã.”

   Fechando seu guia de estudos e colocando sua lapiseira no estojo, Haruto se espreguiçou profundamente e se levantou.

“O que devo fazer para o café da manhã hoje?”

   Ele caminhou até a cozinha, pensando em um menu que deixaria toda a família Tōjō feliz.

   Dentro da geladeira, ainda restavam alguns filés de carapau e sardinhas da pescaria do outro dia.

“Hmm… talvez eu faça sopa de almôndegas de sardinha. E o carapau… é, vamos fazer hambúrgueres de carapau.”

   Assim que a ideia foi definida, ele começou a preparar imediatamente.

   Ele tirou os filés de peixe da geladeira, junto com alguns legumes — daikon, cenouras e cebolinha — e os colocou no balcão. Justo quando puxou o processador de alimentos para moer as sardinhas, Ayaka apareceu.

“Bom dia, Haruto.”

“Bom dia.”

“Você acordou cedo hoje.”

   Sorrindo suavemente com aquela aura levemente sonolenta, Ayaka caminhou até ele e envolveu seus braços ao redor de suas costas num abraço gentil.

“Obrigada por fazer o café da manhã.”

“Sim. Não sei, meio que virou uma rotina matinal preparar comida aqui agora.”

   Sentindo o calor dela, Haruto sorriu. Seu coração acelerou um pouco ao se lembrar da doce voz dela o chamando de “meu querido” no outro dia.

“Eu vou ajudar também. Vamos ver… sopa de sardinha?”

   Enquanto colocava o avental, Ayaka teve a confirmação de Haruto com um aceno.

“Sim, estou pensando em sopa de sardinha e hambúrguer de carapau.”

“Então, posso fazer a sopa?”

   Haruto assentiu novamente enquanto ela olhava para o processador. Suas habilidades na cozinha estavam melhorando a cada dia sob os ensinamentos de Kiyoko — ele tinha certeza de que a sopa ficaria ótima.

   Deixando a sopa para ela, Haruto começou os hambúrgueres, picando finamente os filés de carapau. Ao lado dele, Ayaka fatiava os legumes para a sopa.

   O ritmo das facas deles se misturava numa batida agradável que preenchia a cozinha Tōjō — quando Shuichi entrou.

“Bom dia, vocês dois.”

“Bom dia, pai.”

“Bom dia… sogro.”

   O tímido e levemente constrangido “sogro” de Haruto fez Shuichi abrir um sorriso enorme.

“Obrigado por fazerem o café, Haruto, Ayaka. Então o menu de hoje é sopa de sardinha e…?”

   Haruto sorriu ao sentir o olhar curioso de Shuichi sobre suas mãos.

“Hambúrgueres de carapau.”

“Oh! Isso parece delicioso. Mal posso esperar para experimentar.”

   Alegremente, Shuichi sentou-se à mesa.

   Quando Ayaka terminou de moldar as almôndegas, perguntou: “Vai demorar um pouco para o café ficar pronto — você quer café?”

“Seria ótimo, obrigado.”

“Entendi.”

   Ela adicionou os legumes à panela para cozinhar e colocou água para ferver na chaleira elétrica.

   Enquanto isso, Haruto adicionou cebola picada e folhas de shiso ao carapau, seguido de tofu, gengibre ralado, missô e katakuriko, e então começou a amassar a mistura.

“Oh, você vai colocar tofu?” Ayaka perguntou curiosa enquanto preparava o café de Shuichi.

“Sim, deixa os hambúrgueres mais macios.”

   Ele amassou até o tofu se misturar bem, dividiu a mistura em cinco porções, envolveu cada uma com uma folha de shiso e colocou na frigideira. Um aroma refrescante preencheu o ar.

   Ayaka, que dissolvia o missô na sopa, sorriu. “Está com um cheiro incrível.”

“Essa quantidade de missô parece certa? Haruto, pode provar para mim?”

   Ela pegou um pouco da sopa e levou a colher aos lábios dele.

“Está um pouco quente, então vou esfriar primeiro.”

   Enquanto ela soprava suavemente a colher, Haruto ficou olhando sem conseguir desviar.

   Ele se lembrou do que Kiyoko havia dito a Ayaka enquanto lhe ensinava a cozinhar: “Você vai conquistar o Haruto pelo estômago.”

   Esse futuro não parecia tão distante agora. Quando Ayaka finalmente ofereceu a colher esfriada, Haruto experimentou.

“Sim, está deliciosa.”

“Hehe, que bom.”

   O sorriso tímido dela era tão adorável que Haruto desviou o olhar, sentindo-se envergonhado.

   Enquanto isso, Shuichi tomou um gole de seu café, assentiu satisfeito e disse:

“Bem, isso parece exatamente vida de recém-casados.”

“!?”

   Haruto congelou.

   Embora tecnicamente ainda fossem noivos — não podiam registrar o casamento por causa da idade —, Shuichi não estava totalmente errado.

   Ayaka, em vez de seu habitual “Pai, não fala isso!”, apenas corou profundamente e serviu a sopa em silêncio.

[Almeranto: Uma evolução e tanto eu diria. Antes ela diria sua marca registrada: “Não diga coisas estranhas!”]

   Haruto riu sem jeito: “Ahaha,” e terminou de ralar o daikon para colocar sobre os hambúrgueres. Um fio de ponzu finalizou o prato.

   Nesse momento, Ikue entrou no cômodo com Ryota, que esfregava os olhos sonolentos.

“Mmm, está com um cheiro tão bom!”

“O café da manhã de hoje é sopa de sardinha e hambúrguer de carapau.”

“Hambúrguer!? Oba!”

   Ryota comemorou animado enquanto Ikue ria. “Certo, vá lavar o rosto primeiro, depois vamos comer.”

“Tá bom!”

   Ele correu para o banheiro, e Ikue chamou: “Lave direitinho!”

“Sim!” veio a resposta distante, fazendo-a rir suavemente.

“Ryota sempre está tão cheio de energia de manhã,” Haruto disse calorosamente, e Ikue sorriu. “Ele realmente está.”

   Olhando para a mesa posta, ela acrescentou: “Obrigada por cozinharem, Haruto, Ayaka. Isso ajuda muito.”

“Ah, não, não é nada… Vocês são minha família agora. Cozinhar para a família parece natural.”

   O tom tímido de Haruto fez Ikue sorrir gentilmente. “Isso mesmo — somos família agora. Então não hesite em contar com a gente sempre, ok?”

“Então… quando as coisas ficarem difíceis, vou me apoiar em vocês.”

“Ótimo. Não se segure,” ela disse brincando com um piscar de olhos.

“Mãe, não provoca o Haruto tão cedo assim,” Ayaka reclamou.

“Ai, vamos lá, é só interação familiar.”

“Tá, tá, então me ajuda a levar os pratos.”

“Okay~” Ikue respondeu animadamente, juntando-se à filha para arrumar a mesa.

   Quando Ryota voltou, todos se reuniram para comer. Ele atacou o hambúrguer com olhos brilhantes. “Está tão bom!” disse entre as mordidas, bochechas cheias como um hamster.

   Ver isso fez Haruto sorrir. Então Shuichi, tomando sua sopa, falou:

“A propósito, Haruto. Isso talvez tenha um pouco a ver com o trabalho da Kiyoko.”

“Sim?”

   Sentindo o tom sério, Haruto colocou os hashis sobre a mesa.

“Eu realmente agradeço por você ter feito o café da manhã hoje — e é maravilhoso começar o dia com uma refeição assim — mas se você está fazendo isso porque sente que precisa preencher o lugar da Kiyoko enquanto ela está no hospital, não se preocupe, tudo bem?”

   O tom gentil fez Haruto erguer o olhar.

“Estamos muito felizes em ter você ajudando como parte da família, mas não se sinta obrigado. Como a Ikue disse, você também pode contar conosco.”

“Eu não quero perder a mão se deixar toda a cozinha com vocês dois,” Ikue acrescentou sorrindo.

“Exatamente,” Shuichi continuou. “Então pense apenas que esta é a sua casa — relaxe e viva confortavelmente.”

   Haruto não conseguiu parar de sorrir. “Muito obrigado. Então vou aceitar quando estiver ocupado com os estudos e tal.”

“Ótimo. Não exagere. Você também, Ayaka.”

“Obrigada, pai.”

   Haruto mais uma vez sentiu profunda gratidão pela gentileza da família Tōjō e a felicidade de fazer parte dela.

   Depois do café, Haruto e Ayaka lavaram a louça juntos. Shuichi, já de terno, voltou à sala pronto para sair mais cedo que o normal.

“Oh? Saindo já?” Ayaka perguntou.

“Tenho uma reunião importante esta manhã — quero revisar os detalhes no escritório.”

“Entendi. Boa sorte no trabalho.”

“Obrigado. Aproveitem a escola, e Ryota — divirta-se na creche.”

   Ao se despedir, Haruto pausou sua lavagem. “Tenha um bom dia, sogro.”

“Tenha um bom dia!” Ryota gritou, acenando com os braços.

   Ikue entregou a bolsa de Shuichi. “Se cuida, querido.”

“Obrigado. Até mais.”

   Ele passou um braço pela cintura dela, deu um beijo leve e foi para a porta.

   Observando-os, Haruto não pôde deixar de pensar que eram o casal perfeito — e então olhou para sua própria noiva ao lado.

   Ayaka, ainda segurando a esponja, encarava seus pais. Entre o som da água corrente, ele conseguiu ouvir baixinho: “Então é isso que um casal normal faz…”

   Depois de terminar de lavar, Haruto trocou para o uniforme. Ayaka se juntou a ele logo depois, também de uniforme.

“Mãe, estamos indo para a escola.”

“Certo, tomem cuidado.”

“Tchau, Mano! Tchau, Mana!” Ryota acenou.

   Enquanto colocavam os sapatos na entrada, Ayaka chamou suavemente:

“Ei, Haruto.”

“Sim?”

   Quando ele olhou para ela, suas bochechas estavam levemente coradas.

“Então… já que estamos noivos, isso significa que um dia vamos ser marido e mulher, certo?”

“Sim, está certo.”

“Então… fazer coisas que casais fazem é normal, né?”

“…Sim, acho que sim.”

   O tom dela, tímido mas sincero, deu a Haruto uma forte sensação de déjà vu — eram as mesmas palavras que ela dizia quando fingiam ser um casal nas férias de verão: “É o que casais normais fazem.”

   Mas agora, a frase havia evoluído para: “É o que casais casados fazem.”

   Ele teve um mau pressentimento sobre para onde aquilo ia.

“Então antes de sairmos, deveríamos nos cumprimentar direito. Isso é o que casais casados fazem, certo?”

   Como esperado.

   Haruto suspirou, mas assentiu. “…Certo.”

“Assim como o pai e a mãe fizeram?”

“Exatamente!”

   Radiante com a confirmação, Ayaka respirou fundo. “Ok, então… lá vou eu.”

“O-Ok.”

   Mesmo sabendo o que estava por vir, seu coração disparava. Ayaka se aproximou.

“Tenha um bom dia… meu querido.”

“Ah… e-eu vou.”

   Era a segunda vez que ela o chamava assim, e Haruto ainda não estava acostumado. Seu coração batia loucamente enquanto desviava o olhar de sua noiva absurdamente fofa — mas ela não se afastou.

Quando ele olhou de volta, ela levantou o queixo levemente, com os olhos esperançosos.

   Ele entendeu na hora, ficando vermelho como um tomate. Mas sabia que ela não se moveria até ele fazer.

   Ele colocou a mão em sua cintura e a beijou levemente.

   Ayaka sorriu radiante.

   Apressado, Haruto pigarreou. “Vamos, Ayaka, calce os sapatos. Vamos nos atrasar.”

“Sim!”

   Segurando a mão dele, ela sorriu alegremente.

   E enquanto Haruto a observava, não pôde deixar de pensar—

     Por favor, que a ideia da Ayaka de “casal casado normal” seja a mesma que a de todo mundo.

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