SESSÃO 8

187 - Quando a Família Cresce

 

   Haruto reafirmou seus sentimentos por Ayaka e decidiu que queria caminhar pela vida junto dela.

   Então, junto com Ayaka, ele transmitiu esses sentimentos para Shuichi e Ikue.

"Uma decisão que vai afetar o resto das nossas vidas, hein…"

   Haruto murmurou suavemente enquanto relaxava na banheira.

   Normalmente, quando usava o banho na casa dos Tōjō, havia uma grande chance de Ryōta se juntar a ele. Mas dessa vez, talvez por consideração, mesmo quando Haruto estava se preparando para entrar, Ryōta não disse seu habitual "Eu vou também!"

"Eu devo agradecer ao Ryōta-kun."

   O coração de Haruto havia sido muito confortado pelos sentimentos puros do menino.

   Quando Ryōta quebrou seu cofrinho de economias para o casamento sem hesitar, juntou as moedas que caíram e declarou: "Eu vou te dar tudo!" — Haruto ficou profundamente comovido. Alegria, alívio, calor e amor se espalharam pelo seu peito como se tivessem tomado forma física.

"Será que o Ryōta-kun vai ficar feliz quando tivermos nosso casamento?"

   Naturalmente imaginando sua cerimônia com Ayaka, Haruto soltou um leve suspiro e olhou para o teto do banheiro.

"Eu realmente quero me casar com a Ayaka…"

   Como Ikue havia lhe dito, Haruto tentou olhar cuidadosamente para seus próprios sentimentos novamente.

   Era verdade que, quando percebeu o quanto Ayaka era importante para ele, seu coração estava em turbulência por causa do colapso de Kiyoko. Mas agora, mesmo nesse estado calmo, a conclusão que ele alcançava era a mesma.

   Ele queria viver com Ayaka. Ele queria se casar com ela.

   Isso era tudo o que Haruto sentia por Ayaka.

   E junto com esses sentimentos por ela, ele desejava fortemente se tornar família também com seus pais, Shuichi e Ikue, e com seu irmãozinho Ryōta.

   A família Tōjō era animada, calorosa e transbordava um amor que envolvia todos. Haruto queria fazer parte daquela família.

   Segurando esse sentimento inabalável no centro do peito, Haruto saiu do banho.

"Shuichi-san, obrigado pelo banho."

   Voltando para a sala de estar, ele chamou Shuichi, que estava brincando de super-herói com Ryōta.

"Oh, então vou entrar agora. Ryōta, quer tomar banho com o papai?"

"Quero!"

   Com isso, Shuichi levou Ryōta para o banho.

   Com eles fora, apenas Haruto e Ayaka permaneceram na sala.

   Ele se sentou ao lado dela no sofá, onde ela estava assistindo TV.

"Onde está a Ikue-san?"

"Ela acabou de receber uma ligação de trabalho e está no escritório agora."

"Entendo. Ser presidente de uma empresa deve ser realmente difícil."

"É."

   Enquanto conversavam levemente, Haruto recostou-se no sofá. Ao mesmo tempo, Ayaka encostou seu corpo no dele, e ele foi envolvido pelo cheiro agradável de seu cabelo recém-lavado.

"Eu fiquei mais tempo no banho do que pensei. A água não esfriou, né?"

"Não, ficou tudo bem."

"Que bom."

   Ayaka murmurou a resposta enquanto repousava a cabeça no ombro de Haruto, depois voltou seus olhos para o programa de variedades na TV.

"Eu gosto desse comediante. Ele é bem engraçado, né?"

"Acho que não conheço. É novo?"

"Hmm, não tão novo. Talvez de um tempinho atrás."

"Entendi. Ah, aliás, eu assisti aquele vídeo do gato que você disse que era super engraçado outro dia."

"Sério? Foi engraçado?"

"Sim, muito engraçado. E muito relaxante também."

"É relaxante, né? Ah! Tem também um vídeo em que o gato balança o bumbum — é tão fofo."

   Ayaka pegou o celular, abriu um aplicativo de vídeos e procurou até encontrar. "Olha, olha", ela disse, mostrando a tela para Haruto.

"Tá vendo? Bem antes de pular no brinquedo, ele se agacha e balança o bumbum. Não é adorável?"

"Sim, é. Eu me pergunto por que os gatos fazem isso? Talvez esteja relacionado a instintos de caça?"

[Almeranto: Alguns dos motivos são: Preparação para o salto; engajar os músculos das pernas; instinto de caça (como o Haruto disse) e concentração + empolgação.]

"Talvez? Ah, o próximo vídeo também parece bom!"

   Ayaka tocou em outro vídeo relacionado de gatos.

   Enquanto ela sorria suavemente para os gatos se movendo de forma fofa na tela, Haruto a observou e pensou:

     Ah, isso é tão pacífico.

   No começo, eles eram apenas cliente e funcionário de limpeza. Apenas colegas que vagamente conheciam o rosto um do outro.

   Mas agora, ela havia se tornado alguém mais preciosa e mais amada do que qualquer outra pessoa.

   Passar esse tempo calmo e confortável ao lado de Ayaka.

   Se eles se tornassem família, esse tempo continuaria para o resto de sua vida. Como um sonho, pensou Haruto.

   Enquanto pensava isso, Shuichi e Ryōta voltaram do banho, ambos apenas de roupa de baixo, e foram até a geladeira.

"Beleza, Ryōta. Que tal uma bebida depois do banho?"

"Sim!"

"Então! Pega um copo, põe leite, mão na cintura e — pronto?"

"Pronto!"

"Então saúde!"

"Saúde!"

   Erguendo os copos, eles tomaram o leite de uma vez e soltaram um satisfeito "Haah!"

   Ayaka, ainda vendo vídeos de gatos, lançou um olhar para eles e repreendeu com um pequeno olhar severo.

"Papai, Ryōta! Façam isso depois de colocarem roupa!"

"Opa, desculpa Ayaka. Vamos lá, Ryōta, vamos nos vestir."

"Roupa, roupa!"

   Os dois desapareceram novamente, e Ayaka fez um pequeno biquinho com um "Aff" antes de voltar ao celular.

   Haruto a observou com um sorriso gentil.

   Shuichi era o tipo de pessoa que, em tempos de dificuldade, sempre ajudava e resolvia problemas. Ele irradiava confiabilidade como adulto.

   Mas quando estava com a família, era brincalhão e inocente, seus olhos brilhando como os de Ryōta.

   Um adulto confiável no trabalho, um garoto de coração quando brincava.

   Para Haruto, Shuichi era a figura paterna ideal.

   E naquele momento, uma faísca de insegurança cruzou o coração de Haruto.

     Será que eu conseguiria me tornar um bom pai?

   Haruto mal sabia o que significava ter um pai.

   Tendo perdido os pais jovem, foram seus avós que se tornaram seu pai e mãe.

   Ele só sentia gratidão e respeito por eles como figuras parentais. Mas não conseguia evitar se perguntar — comparado a outros que cresceram com pais, haveria alguma diferença?

   Haruto pensou:

     Eu quero me casar com Ayaka. Quero construir uma família. Mas quando nossa família crescer… será que eu realmente vou conseguir ser um pai?

"Hm? Haruto? O que foi?"

   Sem perceber que estava encarando o perfil dela o tempo todo, Haruto sorriu suavemente quando Ayaka falou.

"Nada. Eu só estava pensando… quero conversar com o Shuichi-san depois."

"Com o papai?"

"Sim."

"…Entendi."

   Ayaka deu apenas uma resposta curta, voltou os olhos para o celular, mas não retomou os vídeos. A tela ficou na tela inicial. Então ela se inclinou suavemente contra Haruto.

   O gesto era doce, como se estivesse pedindo carinho. Haruto passou o braço pelos ombros dela e acariciou sua cabeça gentilmente.

"Você está realmente pensando em tudo isso, né?"

"Claro. É uma decisão única na vida."

"Única na vida… é."

   As palavras de Ikue voltaram a ele.

     O que significa casar? O que significa se tornar família?

   Haruto queria conversar com Shuichi para encontrar sua própria resposta.

   Depois, Shuichi voltou para a sala já vestido, com Ryōta, e começou a brincar de super-heróis novamente.

   Observando do lado de Ayaka, Haruto sorriu quando Ryōta, radiante, o convidou.

"Mano, brinca com a gente também!"

"Claro."

"Yay! Você pode ser o Vermelho!"

"O protagonista? Tem certeza? E você?"

"Eu sou o Preto solitário! O mais legal e mais forte!"

   Ryōta explicou com olhos brilhantes, e Haruto sorriu.

"E o papai é o Grande Demônio maligno! Você e eu vamos derrotá-lo juntos!"

"Hahaha! O Grande Demônio não cairá tão facilmente! Vermelho e Preto, preparem-se para serem esmagados!"

   Shuichi abriu os braços, totalmente no modo vilão.

"Mano! Vamos proteger a paz da Terra!"

"Entendido, Preto."

"Agora sintam o poder do Grande Demônio!"

   E assim, na sala da família Tōjō, Haruto, Shuichi e Ryōta travaram uma grande batalha pela paz da Terra.

 

****

 

   Depois que Ryōta foi para a cama e Ayaka voltou para seu quarto, apenas Shuichi, Ikue — de volta do escritório — e Haruto permaneceram na sala.

   Shuichi e Ikue estavam sentados à mesa de jantar, conversando tranquilamente como marido e mulher.

   Haruto, parecendo um pouco inquieto, falou.

"Hum… com licença."

"Hm? O que foi, Haruto-kun?"

   Mesmo com a conversa interrompida, Shuichi olhou para cima com um sorriso alegre, sem o menor sinal de irritação.

"Eu gostaria de… conversar um pouco com você, Shuichi-san."

"Oh? Sobre o quê?"

"…Sobre família. Hum, sobre o que significa ser um pai."

"Entendo."

   Ouvindo isso, Shuichi acariciou o queixo e assentiu.

   Então, depois de um momento de pensamento, ele sorriu calorosamente e encontrou os olhos de Haruto.

"Então que tal irmos pescar amanhã?"

"Pescar?"

"Sim, relaxar no píer. O que acha?"

"Eu adoraria!"

"Então está decidido."

   E assim, Haruto combinou de pescar com Shuichi no dia seguinte.

   Enquanto os dois conversavam levemente sobre o passeio de amanhã, Ikue os observava com um sorriso afetuoso.

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