SESSÃO 8

186 - Reportando aos Pais Dela

 

   Quando Haruto e Ayaka se aproximaram da casa da família Tōjō, ele ficou mais nervoso do que jamais estivera em toda a sua vida.

   Não era força de expressão — seu coração batia tão forte que ele realmente temia que pudesse saltar do peito.

"Haruto, você está bem?"

"S-sim. Eu tô bem…"

  A tensão densa que emanava dele era tão forte que alcançava Ayaka ao seu lado, que o olhava preocupada.

   Haruto forçou um sorriso, fazendo o possível para tranquilizá-la.

   Pouco antes, quando pediu a Ayaka para "se tornar família comigo", Haruto acreditara que aquele era o ápice de nervosismo da sua vida.

   Mas agora, a tensão de relatar o noivado a Shuichi e Ikue superava em muito os nervos de propor a Ayaka.

"Papai e Mamãe gostam muito de você, Haruto. Tenho certeza de que vai dar tudo certo."

"S-sim…"

   Ele sabia que tanto Shuichi quanto Ikue tinham uma boa impressão dele.

   Ainda assim, o nervosismo em seu peito era tamanho que, mesmo que tivesse uma visão do futuro lhe dizendo que o noivado seria recebido de braços abertos, sua ansiedade não diminuiria um único grama.

   Contar aos pais da namorada sobre casamento.

   O próprio ato era suficiente para gerar uma tensão esmagadora. A resposta ser aceitação ou rejeição quase não parecia importar — era o passo de relatar que tremia dentro dele.

"Chegamos…"

   Haruto encarou a porta da casa dos Tōjō, um lugar que visitara muitas vezes, e que recentemente até começara a sentir como se pudesse dizer "estou em casa".

"…De repente eu também comecei a ficar nervosa."

"Desculpa, acho que passei isso pra você."

"Não, tudo bem. Isso é sobre nós dois, então a gente deve compartilhar os nervos também."

"Obrigado."

   Sorrindo diante da dedicação dela, Haruto colocou a mão na porta.

   Ele já havia aberto aquela porta inúmeras vezes. Mas naquela noite, ela parecia pesada, enorme, como se segurasse sua mão para baixo.

   Lentamente, abriu a porta, e juntos entraram.

   Assim que estavam prestes a tirar os sapatos, a porta da sala se escancarou e Ryōta veio disparado como uma flecha.

"Mano! Mana! Bem-vindos!!"

   Ele correu pelo corredor com tamanha força que até a investida de um javali pareceria fofa em comparação, e se jogou em Haruto.

"Whoa! Você tá cheio de energia, Ryōta."

"Sim!! Ei, ei! Como tá a vovó? Vocês foram ver ela, né?"

"Sim, ela está bem."

   Ao ouvir a resposta, o rosto de Ryōta floresceu como uma flor desabrochando.

"Então logo a gente vai poder comer todo mundo junto de novo! Não é ótimo, Mano?"

"Obrigado, Ryōta."

   A alegria dele era tão contagiante que Haruto também abriu um sorriso brilhante.

   Ainda segurando a mão de Haruto, Ayaka perguntou ao irmão:

"Ei, Ryōta, o Papai e a Mamãe já chegaram?"

"Sim, eles estão na sala."

"Entendi."

Ao ver a expressão séria da irmã, Ryōta inclinou a cabeça — e então pareceu perceber algo, seus olhos brilhando de excitação.

"Vocês vão se casar!! Né, Mana? Vocês vão contar pro Papai e pra Mamãe sobre o casamento, né!?"

"Isso-é…"

   Surpresa com a declaração superenergética, Ayaka tropeçou nas palavras.

   Haruto respondeu por ela.

"Isso mesmo. Eu quero contar ao Shuichi-san e à Ikue-san que quero me casar com a Ayaka."

"Finalmente! Agora você vai ser mesmo meu irmão!!"

"Sim, isso mesmo."

   Haruto assentiu, e Ryōta começou a pular de alegria.

"Então vamos logo! Vocês precisam contar pro Papai e pra Mamãe agora!!"

   Ele agarrou os dois pelos braços e começou a puxá-los em direção à sala.

"Espera, Ryōta! A gente ainda tá tirando os sapatos!"

"Rápido, rápido!!"

"Ai, sério…!"

   Arrastada, Ayaka chutou os sapatos para o lado de qualquer jeito. Haruto se apressou para fazer o mesmo, e juntos deixaram os sapatos largados na entrada enquanto Ryōta os puxava para a sala.

"Pai! Mãe! O Mano e a Mana têm uma coisa pra contar pra vocês!!"

   Sem aviso, Ryōta anunciou a chegada deles em voz alta.

   Aquele mergulho repentino deixou Haruto se sentindo como alguém jogado em uma montanha-russa sem aviso.

   A caminhada do parque até a casa dos Tōjō tinha sido como a subida lenta e tensa do começo do brinquedo — o momento de maior pressão antes da queda.

   E quando Ryōta os puxou, a descida começou.

   A partir dali, não haveria pausa — só curvas, quedas e subidas até o final.

   Soltando um leve suspiro, Haruto acalmou a respiração.

   Como uma montanha-russa, quando terminasse, eles ririam e diriam "foi divertido". Ele queria que aquele relato se tornasse uma memória para olhar junto com Ayaka no futuro.

   Determinado, Haruto olhou para Shuichi e Ikue.

   Shuichi parecia um pouco surpreso com o anúncio abrupto de Ryōta, mas quando seus olhos encontraram os de Haruto, ele sorriu calorosamente.

   Ikue exibia seu sorriso gentil de sempre.

"Bem-vindo de volta, Haruto-kun."

"Estou de volta, Shuichi-san."

"Então, o que é isso que o Ryōta mencionou?"

"Sim, na verdade… há algo que eu gostaria de relatar a vocês sobre a Ayaka."

   Falando com um olhar sério, Haruto deixou claro.

   O casal trocou olhares, percebendo o que viria. Ikue, ainda sorrindo suavemente, sugeriu:

"Isso parece importante. Vamos conversar na sala japonesa?"

"Sim."

   Haruto e Ayaka assentiram, e todos se dirigiram à sala tatame.

   Haruto e Ayaka se sentaram lado a lado, tensos.

   À frente deles estavam Shuichi e Ikue. Shuichi mantinha uma expressão séria, mas os cantos de seus lábios tremiam como se ele mal conseguisse esconder a empolgação. Ikue permanecía serena.

   Entre os dois lados, Ryōta sorria de orelha a orelha.

   O silêncio pairou por um tempo, até Shuichi falar primeiro.

"Então, Haruto-kun, qual é esse relato que você quer fazer sobre a Ayaka?"

"Sim, bem…"

   Reunindo coragem, Haruto fez uma pausa, engoliu seco e respirou fundo antes de começar.

"Quando minha avó desmaiou recentemente, vocês todos me ajudaram muito. Agradeço de verdade."

   Ele se curvou profundamente, depois ergueu a cabeça e continuou:

"E através dessa experiência, percebi novamente o quanto a Ayaka-san é importante para mim. Ela é insubstituível."

   Sua respiração vinha curta, mas ele a estabilizou e prosseguiu.

"Quando minha avó caiu, a Ayaka ficou ao meu lado o tempo todo. Eu não consigo imaginar o que teria acontecido comigo sem ela. Ela é meu apoio emocional. Então agora, eu quero ser aquele que vai apoiá-la. Quero fazê-la feliz."

   Respirou fundo outra vez, acalmando o coração que batia forte.

"Eu… eu amo a Ayaka-san. Do fundo do meu coração. Quero estar com ela sempre, como família. Então… eu quero me casar com ela! Por favor, peço a aprovação de vocês!"

   Depois dessas palavras, Haruto se curvou profundamente de novo.

   Shuichi virou o olhar para sua filha.

"E você, Ayaka? O que você acha?"

"Eu também quero me tornar família do Haruto. Eu o amo. Por isso, quero caminhar pela vida com ele, como família, para sempre."

"Entendo…"

   Shuichi cruzou os braços, fechou os olhos e assentiu várias vezes.

   Então, de repente, abriu os olhos e sorriu amplamente.

"Maravilhoso!! Haruto-kun, obrigado por escolher minha filha!!"

   Transbordando de alegria, ele parecia estar vivendo o dia mais feliz da vida.

"Isso é motivo de celebração! Vamos fazer um banquete!!"

"Banquete!!"

   Ryōta repetiu empolgado, os olhos brilhando. Ao ver a reação do pai, a tensão de Haruto diminuiu um pouco.

   Mas então a voz calma de Ikue cortou a cena.

"Espere um momento."

   Shuichi congelou no meio da empolgação.

"Hm? O que foi?"

"Acalme-se por enquanto, querido. Sente-se."

"…Certo."

   Percebendo que havia se levantado sem notar, Shuichi se sentou novamente.

   Ikue voltou o olhar a Haruto e Ayaka.

"Haruto-kun."

"Sim."

"E Ayaka."

"O que foi?"

"Vocês dois tomaram uma decisão muito importante em suas vidas. Como mãe, e como adulta, eu respeito isso."

   Sua voz era calma, carregada de experiência.

"Mas como mãe, e como alguém que viveu um casamento e criou filhos, não posso simplesmente dizer ‘sim, entendi’ ao casamento de vocês aqui e agora."

   O peso de suas palavras acertou Haruto como um golpe, e sua tensão voltou com força.

   Ao lado dele, Ayaka ficou chocada.

"Por quê!? Você gosta do Haruto, não gosta? Você até me provocou antes, perguntando se eu me casaria com ele!"

"Isso é diferente."

"Como? Eu não entendo!"

   A frustração de Ayaka transbordava.

   Antes que ela pudesse discutir mais, Haruto falou.

"Ikue-san, eu entendo por que você hesitaria em aprovar nosso casamento."

   Apertando os punhos, ele escolheu suas palavras com cuidado.

"Eu ainda sou um estudante do ensino médio, incapaz de assumir responsabilidades. A Ayaka é minha primeira namorada, e com tão pouca experiência de vida, dizer que eu a amo pode não soar convincente. Eu entendo isso. Mas mesmo assim!"

   Ele a encarou diretamente, com determinação.

"Mesmo assim, eu quero me tornar família com a Ayaka. Talvez você ache que não tenho base para dizer isso, mas para mim, não existe ninguém além dela. Eu aposto minha vida nisso. Farei tudo para fazê-la feliz. Então, por favor! Permita que eu me case com ela!"

   Derramando toda a sinceridade nas palavras, Haruto se curvou de novo.

   Ayaka o acompanhou, fazendo o mesmo.

"Por favor, Mamãe! Eu também amo o Haruto! Ele é o único pra mim!"

   Mas Ikue permaneceu serena.

"Levantem a cabeça, vocês dois."

   Obedecendo, eles ergueram os rostos. Ikue os observou antes de continuar.

"Escutem. Eu realmente gosto de você, Haruto-kun."

"Então—!"

   Ayaka deu um salto nas palavras, mas Ikue a silenciou com o olhar.

"E eu não estou recusando porque vocês são do ensino médio ou porque falta experiência."

"Então por quê?"

   Ayaka perguntou, confusa.

   Ikue sorriu suavemente.

"Quando a Kiyoko-san desmaiou, Haruto-kun, você ficou tomado pelo medo e pela solidão. Seu coração tremeu de incerteza. E Ayaka, você se tornou o maior apoio dele naquele momento. Eu acredito nisso. E vendo Haruto assim, você decidiu ficar ao lado dele. Eu não duvido disso."

   Ela olhou para os dois com sinceridade.

"Eu não questiono o amor de vocês. Como mãe, fico feliz que tenham chegado a esse ponto no relacionamento."

"Então por que não aprova o casamento?"

   Ikue balançou a cabeça.

"Eu não estou negando o casamento. O que eu disse é que não posso aprovar agora, neste exato momento."

"O que isso quer dizer?"

   Ayaka inclinou a cabeça.

"Como alguém que viveu um casamento, eu quero que vocês entendam isto: casamento é diferente de namoro. Não envolve só vocês. Envolve a família Tōjō, a família Otsuki, e implica mudanças legais também. É uma decisão que moldará toda a vida de vocês. É maravilhoso que tenham percebido a importância um do outro e chegado a essa conclusão. Eu não digo que estão errados. Mas casar é uma decisão que afeta as próximas décadas — até a morte. E é isso que estão tentando decidir agora."

   Ela fez uma pausa, olhando firme para ambos.

"Por isso, quero que deem um passo para trás e pensem com calma. O que é casamento? O que significa se tornar família? Reflitam sozinhos, ou conversem comigo, com o Shuichi, com outras pessoas. Mas tirem pelo menos um dia — amanhã — para pensar com calma. Depois, digam de novo qual é a decisão de vocês."

   Com um leve sorriso brincalhão, ela completou:

"Uma escolha que afeta as próximas várias décadas da sua vida merece pelo menos um dia de reflexão, não acham? Não é, querido?"

   Shuichi, chamado à conversa, endireitou a postura.

"Exatamente! A mãe está certa! Decisões importantes exigem paixão, sim, mas também reflexão cuidadosa!"

   Tentou compensar a empolgação anterior falando como uma autoridade.

   Haruto absorveu profundamente as palavras de Ikue e assentiu.

"…Entendido. Eu vou pensar seriamente sobre a Ayaka, sobre o casamento e sobre o que significa ser família. Muito obrigado."

"Eu também vou pensar direitinho…"

   Ao ver os dois respondendo com sinceridade, Ikue sorriu em satisfação.

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