SESSÃO 8

185 - Resolvendo a Mim Mesmo

 

   Banhados pela luz de um belo pôr do sol, Haruto caminhava de mãos dadas com Ayaka pelas ruas residenciais.

"O pôr do sol hoje também está realmente bonito."

"Sim, está."

   Andando ao lado de Haruto, Ayaka olhou para o céu com uma expressão feliz, apertando forte sua mão.

"Não parece que o sol anda se pondo um pouco mais cedo ultimamente?"

"Talvez."

"Isso significa que o outono está chegando."

"É."

"O outono tem tantas comidas deliciosas."

[Almeranto: Não é à toa que dizem que o outono é a estação do apetite.]

"Mm."

   Ayaka conversava animadamente.

   Mas Haruto, tenso além da conta, só conseguia responder com frases curtas.

   As palavras que Ayaka havia dito para ele.

   Palavras que eram praticamente uma proposta.

   Ele precisava transmitir sua própria vontade, seus próprios sentimentos, em resposta.

   Com isso em mente, Haruto estava mais nervoso do que jamais estivera em sua vida.

   Suas pernas estavam tão instáveis que ele poderia confundir a sensação com estar caminhando nas nuvens.

   Ayaka, radiante de felicidade só por estar caminhando de mãos dadas com a pessoa que amava.

   E Haruto, rígido de tensão esmagadora.

   Os dois caminharam lentamente pelo bairro silencioso.

"…Ayaka, o que você quer comer quando o outono chegar?"

   Sua voz tremeu um pouco, mas Haruto conseguiu falar de forma casual.

"Hmm, difícil escolher. Mas se é outono… acho que batata-doce?"

"Então, tipo torta de batata-doce?"

"Torta de batata-doce! Quero comer isso!"

   Ver o rosto de Ayaka brilhar tanto fez até o nervoso Haruto sorrir em resposta.

"E castanhas também são do outono, né? Talvez fosse legal aprender a fazer Mont Blanc com o Kazu-senpai."

"Isso parece incrível! Eu quero muito fazer doces junto com todo mundo de novo!"

   O brilho nos olhos dela e sua expressão esperançosa aliviaram a tensão dentro de Haruto.

   Aquele sorriso era tão querido, tão precioso, que só de olhar ele sentia a felicidade encher seu peito.

   Ele queria continuar vendo aquele sorriso para sempre, bem ao lado dela.

   Ele queria ser a pessoa que a faria sorrir.

   Ele queria fazê-la feliz — porque isso também seria sua própria felicidade.

   Haruto observou o sorriso radiante de Ayaka e apertou suavemente sua mão.

   Ele queria se tornar família com ela.

   Os sentimentos que floresceram ao longo do tempo como namorados haviam se transformado em um desejo claro após o colapso de sua avó.

   Ele queria transmitir esses sentimentos com suas próprias palavras.

   E então, ele avistou o parque.

   Um parque perto da casa da família Tōjō. O mesmo lugar onde Haruto havia confessado seus sentimentos para Ayaka, e onde tinham se tornado um casal.

"…Ayaka, quer passar um pouco no parque?"

"Quero, sim."

   Ayaka deixou-se guiar por sua mão, e juntos seguiram em direção ao parque.

   Ao anoitecer, não havia crianças brincando. Os postes próximos começavam a acender, anunciando a chegada da noite.

"Voltar a um parque depois de adulto… parece bem menor, não é?"

   Ayaka disse com uma expressão inocente, passando a mão levemente pelo corrimão do escorregador.

"Sim. Naquela época parecia tão grande e emocionante, como se fosse um mundo inteiro."

"Né? Até a caixa de areia parecia bem maior na minha memória."

"Você era mais do tipo caixa de areia?"

   Enquanto perguntava, Haruto olhou para a caixa de areia.

   Lá, um grande monte de areia com um túnel escavado ainda permanecia intocado.

"Era. Mas depois que conheci a Saki, acho que passei a brincar mais no balanço e na gangorra."

"Ah, é mesmo. A Aizawa-san não morava perto da sua casa?"

"Morava. Eu brincava com a Saki todos os dias naquela época."

   Os olhos de Ayaka vagaram para longe, cheios de nostalgia, e Haruto sorriu gentilmente.

"Vocês duas realmente são próximas."

"Você também não brincava muito com o Akagi?"

"Bom, sim. Na verdade, até hoje, a pessoa com quem eu mais saio é o Tomoya."

   Haruto não era do tipo que tinha muitos amigos. Não que fosse ruim nisso, mas não era muito proativo. Então seus amigos mais próximos eram principalmente Tomoya, Ishikura e Shizuku.

"Você ainda brinca no parque com o Akagi-kun hoje em dia?"

"Claro que não."

   Ayaka o provocou um pouco, e Haruto respondeu com um sorriso torto.

"Ah, mas outro dia nós ficamos num parque à noite sem motivo, conversando sem parar."

"Eeeh, o quê? Tô com tanta inveja!"

"Inveja?"

"Sim! Eu também quero conversar com você num parque à noite!"

"Mas quando eu durmo na sua casa, a gente sempre conversa, não é?"

"Isso é diferente. É a parte do parque à noite que é legal. Tem um clima jovem, sabe?"

   Haruto inclinou a cabeça. "É mesmo?"

"Às vezes, eu fico com um pouquinho de ciúmes do Akagi-kun," Ayaka admitiu.

"Do Tomoya?"

"Mm. Quando você está com ele, você parece tão natural, tão relaxado, tão aberto."

   Ayaka deu alguns passos até ficar diante de Haruto.

"E ele é tão aberto com você também. Esse tipo de proximidade, sem nenhuma parede entre vocês, é tão especial para mim."

"…Eu já sou completamente aberto com você, Ayaka."

    Haruto encontrou seu olhar diretamente ao dizer isso.

"Hã?"

"Você é a pessoa insubstituível da minha vida."

"! I-isso é… verdade? Hehe… tô tão feliz."

   Ayaka não conseguiu conter a alegria, sua expressão suavizou e suas bochechas coraram timidamente.

   Haruto deu um passo à frente.

"Ayaka, tem algo que eu quero te dizer."

"S-sim…?"

   Seu olhar repentinamente sério fez Ayaka arregalar os olhos de surpresa.

"Com tudo o que aconteceu com a vovó, eu fui salvo por você, Ayaka."

"Mm…"

"E isso me fez perceber algo de novo. Você é uma pessoa incrivelmente importante para mim."

   Haruto fez uma pausa.

   A tensão que havia diminuído durante a conversa voltou mais forte, secando sua garganta.

   Mas ele continuou, determinado a dar voz aos sentimentos dentro dele.

"Minha única família é a vovó. A ideia de perdê-la, de ficar sozinho… me aterrorizou. Mas as palavras que você disse me salvaram."

"…A-aquilo foi, bom…"

   Ayaka percebeu imediatamente quais palavras ele queria dizer. Suas bochechas ficaram vermelhas e ela desviou o olhar por um instante de vergonha. Mas só por um instante. Logo ela retomou a postura e encontrou o olhar dele com firmeza.

"Aquelas palavras eram meus verdadeiros sentimentos. O que eu senti naquela hora não mudou."

   Haruto, olhando de volta com igual determinação, assentiu suavemente.

"Obrigado. E desculpa. Naquele momento, eu estava tão preso em mim mesmo que não consegui responder adequadamente aos seus sentimentos."

   Nesse ponto, Ayaka pareceu perceber para onde as palavras dele estavam se encaminhando. Sua expressão vacilou com uma mistura de expectativa e nervosismo.

"…"

"Quando você disse que ficaria ao meu lado como família, eu fui salvo. E agora, percebi algo."

   Haruto engoliu em seco, o coração batendo com força enquanto falava.

"Eu quero me tornar família com você também, Ayaka."

"!?"

   A respiração de Ayaka travou, seus olhos se arregalaram.

"Como família, eu quero ficar ao seu lado daqui em diante. Assim como você me apoiou, eu quero ser o seu apoio quando a tristeza ou o medo te alcançarem. Quero compartilhar cada alegria com você. Quero ser a pessoa mais próxima do seu sorriso. Quero te fazer feliz, para poder ver esse sorriso o máximo possível."

   Ele falou tudo de uma vez, depois respirou fundo para se acalmar.

"Sempre, e para sempre. É assim que eu realmente me sinto. Então… você quer se tornar família comigo?"

   Ayaka fechou os olhos, deixando as palavras dele se assentarem. Depois de um breve silêncio, ela os abriu e assentiu profundamente.

"Sim. Eu vou me tornar família com você. Eu quero me tornar família com você, Haruto!"

   No instante em que ouviu a resposta, a alegria inundou o coração de Haruto, e o peso esmagador do nervosismo finalmente se dissipou.

"Haa…" Ele soltou um suspiro profundo. "Ainda bem… Se você tivesse me rejeitado, eu provavelmente teria desmaiado."

"Hehe, como se eu fosse dizer não."

   O sorriso de Ayaka irradiava felicidade.

"Mas é claro que eu estava nervosa! Isso é sobre o resto das nossas vidas."

"É. Isso decide nosso futuro inteiro."

   Trocaram palavras e depois se olharam em silêncio.

"…"

"…"

   Depois de um tempo, Haruto falou novamente, hesitante.

"Então… isso significa que a gente vai se casar, certo?"

"É-é… acho que sim."

"Mas nós ainda estamos no ensino médio. Não podemos registrar ou fazer uma cerimônia ainda…"

"Verdade, não dá pra registrar um casamento agora."

"Certo. Então… acho que isso significa que vamos namorar com a intenção de casar."

"Então, tipo um noivado?"

"Sim, basicamente."

   Eles ainda eram apenas estudantes do ensino médio.

   Mesmo que seus sentimentos de se tornarem família tivessem se alcançado, o casamento ainda parecia algo abstrato e distante.

   Então Haruto percebeu algo importante.

"Vamos precisar contar pro Shuichi-san e pra Ikue-san."

"Ah, é mesmo… A gente precisa falar com a mamãe e o papai direito."

"E claro, eventualmente, vamos precisar da aprovação tanto da família Otsuki quanto da família Tōjō."

"E da vovó também. Mas já está tarde, então talvez devêssemos começar conversando com o Shuichi-san e a Ikue-san."

"É. Fico imaginando o que a mamãe e o papai vão dizer? Eles gostam muito de você, Haruto, então acho que não vão se opor… mas mesmo assim."

"A gente ainda está no ensino médio…"

"Mm…"

   Shuichi às vezes brincava sobre Haruto e Ayaka se casarem. Mas Haruto acreditava que eram apenas brincadeiras, sem intenção séria.

   Ikue também vivia provocando os dois, mas quando o assunto era casamento de verdade, ela provavelmente se oporia por causa da idade.

"…Bom, se chegar a esse ponto, eu vou fazer o meu melhor pra convencê-los. Porque esse não é um sentimento do qual eu poderia abrir mão. Eu quero me tornar família com você, Ayaka."

"Haruto…"

   Ayaka olhou para ele com olhos marejados e emocionados.

"Eu vou convencer eles com você! Porque eu definitivamente quero me tornar família com você também!"

"Obrigado."

   Sentindo-se reconfortado pelas palavras dela, Haruto apertou sua mão.

"Então, vamos."

"Vamos."

   Levando a mesma determinação no coração, os dois começaram a caminhar em direção à casa da família Tōjō — para contar a Shuichi e Ikue sua decisão.

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