SESSÃO 8

184 - Poderia ser…?

 

   Haruto desfrutava de uma conversa comum com Kiyoko, que havia recuperado a consciência sem problemas.

   Ela poderia ter partido para sempre.

   Passar por algo assim fez Haruto perceber que poder conversar sobre trivialidades com sua avó era a maior felicidade de todas.

   Enquanto os dois passavam um tempo tranquilo juntos, Ayaka veio visitar após a escola.

"Ah, Ayaka-san. Obrigada por vir me ver,"

   Kiyoko inclinou a cabeça educadamente com um sorriso, e Ayaka respondeu com um sorriso brilhante e alegre.

"Fico muito feliz de poder ver seu sorriso de novo, Kiyoko-san."

   Dizendo isso, Ayaka entregou as flores que havia trazido como presente.

"Por favor, melhore logo."

"Oh nossa, obrigada."

   O que Ayaka havia trazido era um arranjo de gérberas. Ao ver o buquê de gérberas amarelas vibrantes e outras cores alegres, a expressão de Kiyoko também se iluminou.

"São tão lindas. Obrigada, Ayaka-san."

"Valeu, Ayaka,"

   Haruto acrescentou depois de sua avó, e Ayaka respondeu com um sorriso gentil.

"Quando as coisas se acalmarem, meus pais e o Ryota também querem vir visitar. Tudo bem?"

"Sim, eu ficaria muito feliz."

"Ah, isso me lembra, Vó. Tomoya e Shizuku também acabaram de me mandar mensagem dizendo que gostariam de vir visitar."

"A Saki também, ela disse que quer vir se não for incômodo."

"Oh minha nossa! Claro que não seria incômodo nenhum."

   Kiyoko sorriu, dizendo: "Ter tantas pessoas preocupadas comigo… realmente sou sortuda."

   Então, ainda com aquele sorriso suave, ela se virou para Ayaka.

"Ayaka-san, sou realmente grata a você por tudo que fez desta vez. Sinto muito estar nesse estado, mas pelo menos queria transmitir meus agradecimentos. Assim que receber alta, farei questão de retribuir adequadamente."

"Oh, por favor! Não precisa ser tão formal!"

   Ayaka disse a Kiyoko, que havia se curvado profundamente, "Por favor, levante a cabeça," e então, parecendo um pouco envergonhada, mas falando claramente, ela continuou.

"Tanto você quanto o Haruto já parecem família para nós… Então, quando algo é difícil ou preocupante, é natural que a gente se ajude. É isso que a família faz."

   Ayaka estendeu a mão gentilmente e segurou a mão de Kiyoko.

"Eu aceito sua gratidão de bom grado. Mas se você fizer parecer que me deve algo, como se fosse uma grande dívida, então… eu fico um pouco triste."

"Ayaka-san…"

   Os olhos de Kiyoko se arregalaram levemente, como se tivessem sido atingidos pelas palavras de Ayaka. Então ela voltou lentamente o olhar para Haruto.

"Haruto, realmente, fico tão feliz que você tenha conhecido a Ayaka-san."

"Sim. Ela realmente me ajudou desta vez. Não só a Ayaka, mas Shuichi-san, Ikue-san e Ryota também… todos nos apoiaram."

   Haruto inclinou a cabeça para Ayaka, que ainda segurava a mão de sua avó.

"Obrigado."

   Ayaka sorriu suavemente em resposta.

   Haruto e Ayaka deixaram o hospital após visitar Kiyoko.

   Os dois se sentaram lado a lado em um ônibus urbano, balançando suavemente com seu movimento.

"Fico feliz que Kiyoko-san pareça estar bem,"

"Sim, aparentemente os exames dizem que ela está se recuperando bem. Acho que agora ela ficará bem."

   Haruto desviou o olhar do pôr do sol carmesim do lado de fora da janela para Ayaka.

"Mas a internação pode acabar sendo um pouco longa. Mesmo que a recuperação esteja indo bem, a cirurgia foi um grande peso para a idade dela. Ela vai precisar de reabilitação."

"Entendo… Mas tenho certeza de que, sendo a Kiyoko-san, ela vai lidar bem com a reabilitação."

   Dizendo isso, Ayaka apertou firmemente a mão de Haruto.

   Da mão dela vinha um calor cheio de sinceridade, que preenchia o coração de Haruto.

   Não importava o quê, havia alguém ao lado dele. Alguém que ficaria perto dele.

   Quão precioso, quão reconfortante isso era.

   Com gratidão e um amor aprofundado por essa experiência, Haruto apertou a mão de Ayaka de volta.

"Hehe…"

   Ayaka sorriu feliz e encostou seu corpo em Haruto.

   Sentindo o peso dela contra ele, o coração de Haruto transbordou de alegria.

   Ele estava feliz por ter conhecido Ayaka.

   Feliz por ela ter se tornado sua namorada.

   Haruto sentia isso profundamente.

   Por sua gentileza, por sua abertura, Ayaka havia se tornado uma presença insubstituível em sua vida.

   Quando Kiyoko desmoronou, Haruto caiu em desespero.

   Mas Ayaka ficou com ele o tempo todo. Por causa dela, seu coração não quebrou.

   Ele repetiu silenciosamente as palavras de Ayaka em seu coração.

“Haruto, você não vai ficar sozinho. Eu sempre estarei ao seu lado. Como família.”

   Aquelas palavras salvaram o coração de Haruto mais do que ele poderia expressar.

   Os sentimentos puros que Ryota havia mostrado, e as palavras calorosas e acolhedoras de Ayaka o protegeram quando a solidão e o medo ameaçaram engoli-lo.

   Com certeza, o que Ayaka disse se tornaria as palavras mais importantes de sua vida.

   Era assim que ele sentia.

“Eu sempre estarei ao seu lado. Como família.”

   Ele nunca estaria sozinho. Sempre teria família com ele.

   Para Haruto, que havia perdido os pais quando era jovem, aquilo significava tudo.

“Como família.”

   As palavras de Ayaka lhe deram força.

   Eram preciosas, gravadas em seu coração.

“Como família.”

   Elas carregavam uma ternura e segurança incomensuráveis.

“…Hã?”

   E então, os pensamentos de Haruto congelaram.

   As palavras de Ayaka tinham se gravado em seu coração. Elas tinham grande peso e significado.

   Mas por quê?

   Por dentro, ele começou a se questionar.

   Naquele momento, ele achou que poderia perder sua avó. Estava apavorado, com medo de ficar sozinho.

   Aquelas palavras o salvaram.

   Por isso significaram tanto.

   Mas então — por que o salvaram?

   Porque ele percebeu que não estava sozinho.

   Porque Ayaka disse que ele não estava.

   Por que ele não estava sozinho?

   Porque Ayaka ficaria com ele. Sempre, ao lado dele, através de tudo, como família…

     O que significa… exatamente?

   Duas pessoas sem conexão prévia se encontram, se apaixonam, compartilham seus sentimentos, se reconhecem como insubstituíveis e passam a vida juntas—

   Como família.

      Isso é…

"Isso é uma esposa…"

   As palavras escaparam da boca de Haruto antes que ele percebesse.

   Talvez por ter sido tão repentino e obscuro, Ayaka olhou para ele com uma expressão confusa.

"Hm? Você disse alguma coisa?"

"Ah, n-não! Não foi… nada!"

"Sério?"

"Sim, eu só… estava pensando."

   Haruto forçou um sorriso ao dizer isso.

   Vendo sua reação, Ayaka pareceu ter entendido errado. Ela apertou a mão dele novamente, olhou em seus olhos e falou num tom encorajador.

"Kiyoko-san com certeza vai ficar bem. Ela suportou uma cirurgia tão difícil, então a reabilitação não será problema."

"C-claro. Você está certa."

   Ayaka continuou ao lado dele com sua gentileza acolhedora. Haruto foi tomado por uma vontade de abraçá-la forte, mas se conteve e tentou organizar seus pensamentos.

   Ayaka havia dito aquilo.

   Que ficaria ao lado dele, como família.

   E seu raciocínio interno havia concluído — que isso significava ser sua esposa.

     Mas espera! Será que era isso que ela realmente quis dizer?

   Naquele momento, ele estava completamente arrasado.

   Ele deve ter preocupado Ayaka demais.

   Talvez ela apenas tivesse dito aquelas palavras para confortá-lo.

   Haruto tentou conter sua conclusão precipitada.

   Eles ainda eram apenas estudantes do ensino médio. Ayaka certamente achava que casamento estava muito distante.

   Talvez aquelas palavras fossem apenas para tranquilizá-lo, nada mais…

   Mas então ele se lembrou daquele momento novamente.

   E claramente, ele se recordou da expressão de Ayaka quando ela disse aquelas palavras.

   Olhos cheios de determinação, como se tivesse tomado uma decisão que mudaria sua vida.

   O tom firme, carregado de seus verdadeiros sentimentos.

   E antes de dizer aquilo, ela havia acrescentado: “Agora mesmo, o Ryota disse também…”

   As palavras de Ryota para Haruto foram: “Se o irmão e a irmã mais velha se casarem, então seremos família.”

   Haruto tinha certeza.

   Ao mesmo tempo, seu coração começou a disparar descontroladamente.

   Ele não podia mais enxergar aquelas palavras como conforto simples.

   Não podia descartá-las como desejo seu.

   Porque aquelas palavras foram… a proposta de Ayaka.

   Haruto soltou um pequeno suspiro.

   Então ele se lembrou — o que ele havia respondido naquela hora?

   Quando Ayaka, com tanta determinação, propôs a ele — o que ele respondeu?

"…‘Obrigado’? Mas que droga eu estava fazendo…"

   Haruto enterrou o rosto nas mãos ao lembrar dessa cena patética.

   Quem responde a um pedido de casamento com “obrigado”?

   As respostas corretas eram apenas “sim” ou “eu aceito”.

   E ainda assim, tudo que ele conseguiu dizer foi “obrigado”.

   Naquele momento, ele estava dominado pelo calor da família Tōjō e pelo apoio de Ayaka.

   Então ele só quis expressar sua gratidão.

     …Mas essa desculpa não cola!

"Eu devia ter respondido! Que diabos eu estava fazendo!"

"Haruto?"

   Incapaz de conter sua frustração, ele falou alto sem perceber. Ayaka olhou para ele novamente com uma expressão curiosa.

"Ah, não, é só…"

   Ele parou no meio da frase, tentando encontrar palavras.

   Nesse momento, o ônibus chegou ao ponto mais próximo da casa de Ayaka.

"Ah, precisamos descer!"

"Sim. Haruto, você tá bem?"

"S-sim, eu tô bem."

   Forçando um sorriso para tranquilizá-la, Haruto desceu do ônibus com ela. Então, reunindo coragem, ele se virou para ela.

"Ayaka! Ahm…"

"Sim? O que foi?"

"Antes de ir pra casa… quer dar uma voltinha?"

"Uma volta? Claro."

   Ayaka concordou com um sorriso brilhante.

   Haruto, com o coração batendo forte de nervosismo, segurou suavemente a mão dela.

   Ayaka havia dito aquelas palavras com grande determinação.

   Então ele também precisava responder adequadamente.

   Com suas próprias palavras, ele precisava transmitir seus sentimentos.

   Segurando a mão da pessoa que agora era muito mais que apenas sua namorada, sua mais querida, Haruto começou a caminhar.

"Então, vamos."

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