SESSÃO 8
183 - Está Tudo Bem Agora
A recuperação de Kiyoko depois de recobrar a consciência ocorreu sem problemas.
No dia seguinte ao despertar, ela foi transferida da UTI para a HCU e, dois dias depois, foi movida para a enfermaria geral.
Desde que Kiyoko havia recobrado a consciência, Haruto estava indo à escola normalmente.
Mas hoje, ele sairia ao meio-dia para levar algumas coisas necessárias para a estadia de sua avó no hospital.
Durante o animado intervalo do almoço, enquanto Haruto se preparava para ir para casa, Ayaka se aproximou silenciosamente.
"Depois da aula, eu vou visitá-la também."
"Sim, obrigado. Vou avisar a vovó."
Quando Haruto respondeu com um sorriso, Ayaka também sorriu e assentiu.
Então, Tomoya e Saki se aproximaram, parecendo preocupados.
"Otsuki-kun, você vai ficar bem sozinho? Tem algo que possamos fazer para ajudar?"
"Obrigado, Aizawa-san. Mas eu vou ficar bem. A condição da vovó está estável agora, então está tudo certo."
"Entendo. Mas se tiver algo que possamos fazer, é só falar."
Seguindo a preocupação de Saki, Tomoya também falou.
"Ei, quando as coisas se acalmarem, seria tudo bem se eu fosse visitar também?"
"Claro. Tenho certeza de que a vovó ficaria feliz."
Ouvindo as palavras do seu bom amigo, Haruto sorriu ao deixar a escola.
****
Carregando os pertences de sua avó, Haruto chegou ao hospital e foi direto ao quarto dela.
Kiyoko agora estava em um quarto para quatro pessoas na enfermaria geral.
Para não atrapalhar os outros, Haruto abaixou a voz ligeiramente e chamou.
"Vovó, trouxe suas coisas."
"Obrigada."
Kiyoko sorriu calorosamente, sentada em sua cama enquanto Haruto entrava.
"Como está se sentindo? Alguma mudança?"
"Estou bem. O médico disse que não há problemas."
"Que bom ouvir isso."
Aliviado, Haruto desempacotou suas coisas e as colocou na prateleira ao lado da cama.
"Ayaka disse que vai passar depois da escola."
"Sério? Que gentileza dela."
Ao ouvir que Ayaka viria visitar, Kiyoko pareceu encantada.
"Devemos tanto à família Tōjō por tudo que fizeram. Quando as coisas se acalmarem, precisamos agradecê-los adequadamente."
"Sim, tem razão."
Haruto assentiu, olhando para sua avó.
Houve um tempo em que ele temeu que ela pudesse desaparecer para sempre — sua pessoa mais preciosa.
Vê-la dormindo na cama da UTI havia sido doloroso.
Mas agora, lá estava ela, conversando com ele e sorrindo.
"Estou tão feliz que você acordou, vovó."
Embora suas bochechas estivessem um pouco mais finas, ainda era a avó que ele conhecia. Haruto expressou palavras de alívio do fundo do coração.
Percebendo isso, Kiyoko falou num tom calmo, destinado a tranquilizá-lo.
"Eu ainda não vou deixar você sozinho, Haruto. Não se preocupe."
Ela sorriu, aprofundando as rugas no rosto.
"Vovó…"
Sempre lutando por sua causa.
Sempre com um sorriso gentil, sempre lhe dando um lugar ao qual retornar. Como sua única família restante, ela havia sido seu alicerce.
Mesmo com as costas enfraquecidas, ela trabalhava duro para que ele pudesse ir para a universidade.
Quando ele cometia erros, ela o repreendia firmemente.
Ela o cobria com amor incondicional — uma presença insubstituível e grandiosa em sua vida.
Do fundo de seu coração, Haruto desejava que ela permanecesse saudável para sempre. Desejava que o dia da despedida nunca chegasse.
Mas, através dessa experiência, ele havia percebido algo.
Aquele dia inevitável virá.
Por mais que tentasse se preparar, por mais que tentasse ser forte…
Por mais que repetisse para si mesmo "Eu vou ficar bem sozinho"…
Agora ele sabia que jamais conseguiria suportar isso.
Foi isso que essa provação lhe mostrou.
"Eu queria que você vivesse para sempre, vovó. Sinceramente, eu queria que você pudesse se tornar imortal."
"Que bobagem você diz," Kiyoko riu.
Até mesmo o sorriso diante dele agora um dia existiria apenas na memória.
A ideia apertou dolorosamente o peito de Haruto.
Mas ao mesmo tempo, ele percebeu que podia aceitar essa dor.
Antes, ele só conseguia imaginar aquele futuro assustador e ficar sobrecarregado.
Tudo o que podia fazer era dizer desesperadamente a si mesmo "Vai ficar tudo bem", como se estivesse tentando enganar seu próprio coração.
Ele rejeitava a despedida que se aproximava, desviava seu olhar dela, tentava expulsá-la de sua mente.
Mas quanto mais resistia, mais fixado nisso ficava, lutando contra algo que jamais poderia mudar.
Haruto estendeu a mão delicadamente e segurou a mão de sua avó.
"Eu quero que você viva muito, vovó. Eu quero que fique ao meu lado… sempre."
Para Haruto, perder Kiyoko era terrivelmente assustador.
Esse medo ainda permanecia profundo dentro de seu coração.
Até agora, ele havia tentado desesperadamente afastá-lo.
Expulsá-lo de si mesmo.
Mas ele havia percebido que isso estava errado.
A despedida inevitável e o medo que ela trazia —
Não eram algo a ser rejeitado. Eram parte dele.
Esse dia podia estar distante. Ou podia estar muito perto.
Ninguém sabia quando chegaria.
Quando chegasse, ele provavelmente desabaria em lágrimas.
Choraria até não restar mais lágrimas, cairia nas profundezas do luto.
Mas isso estava tudo bem.
Até agora, ele sempre havia dito a si mesmo que precisava ser forte — forte o suficiente para viver sozinho.
Mas agora, era diferente.
Ele sabia que não precisava ser forte.
Quando a hora chegasse, tudo bem chorar. Tudo bem ser consumido pela tristeza e ficar incapaz de se levantar.
Ele não precisava enfrentar a despedida com força.
Mesmo fraco como era, ele poderia aceitá-la.
E nisso, Haruto encontrou a força para permanecer exatamente como era, inclusive em sua fraqueza.
"Eu quero ficar com você para sempre, vovó."
Aquela despedida inevitável.
Viver com medo de quando ela chegaria era desperdício demais.
Para poder passar o tempo limitado com sua família preciosa sorrindo, Haruto escolheu abraçar o medo em seu coração.
Isso também era uma parte importante da sua vida.
E com um sorriso, ele disse,
"Mas… eu vou ficar bem."
"Haruto…"
Kiyoko pareceu um pouco surpresa.
Haruto sorriu de volta.
Ele temia perder sua avó.
Mas mesmo que ficasse envolto em tristeza, ele não estaria sozinho.
Havia pessoas que ficariam ao seu lado. Pessoas que chorariam com ele.
Pessoas que compartilhariam seu coração e permaneceriam próximas a ele.
E pessoas que se levantariam novamente e caminharam ao seu lado.
Por isso, Haruto pôde dizer agora, do fundo de seu coração, para Kiyoko:
"Agora está tudo bem."
Aquela despedida inevitável.
Até o último instante, eles certamente poderiam passá-lo — sorrindo.
Apoie a Novel Mania
Chega de anúncios irritantes, agora a Novel Mania será mantida exclusivamente pelos leitores, ou seja, sem anúncios ou assinaturas pagas. Para continuarmos online e sem interrupções, precisamos do seu apoio! Sua contribuição nos ajuda a manter a qualidade e incentivar a equipe a continuar trazendos mais conteúdos.
Novas traduções
Novels originais
Experiência sem anúncios