SESSÃO 8

182 - Abraçados

 

"Haruto, você nunca vai ficar sozinho. Eu sempre vou ficar ao seu lado. Como sua família, bem aqui com você."

   Suas palavras, ditas com uma expressão séria enquanto olhava diretamente em seus olhos.

   Ao ouvi-las, Haruto sentiu seu coração ser suavemente envolvido por um calor acolhedor.

   A solidão e o medo que vinham corroendo-o até agora de repente se aliviaram.

"…Ayaka."

"Está tudo bem. Eu vou ficar ao seu lado. Amanhã, e daqui em diante, para sempre."

   As palavras de Ayaka carregavam uma certa firmeza.

   Elas mostravam a Haruto que eram palavras sinceras, vindas do fundo do coração, sem um traço de falsidade.

"Obrigado."

     Eu não estou sozinho.

     Eu não vou ficar sozinho.

   Ele tinha perdido os pais quando era pequeno, perdido o avô ao entrar no ensino fundamental, e agora até sua avó — sua única família restante — poderia se perder também.

   Para Haruto, consumido por esse medo, as palavras de Ayaka eram inestimavelmente preciosas.

"Vamos descansar de verdade, para que amanhã possamos estar prontos para esperar a Kiyoko-san acordar."

"Sim. Você tem razão."

   Seguindo as palavras de Ayaka, Haruto finalmente conseguiu deitar no futon.

   Mas quando fechou os olhos, a escuridão atrás de suas pálpebras parecia prestes a engoli-lo.

   Então, enquanto estava deitado, Haruto de repente sentiu-se envolvido por um calor suave e gentil.

"Eu estou aqui com você. Está tudo bem."

   A voz de Ayaka sussurrou em seu ouvido.

   Ela deitou ao lado dele, envolveu-o com os braços e o segurou com carinho.

   Puxado firmemente contra seu peito, Haruto foi envolvido por uma sensação quente de segurança.

   Tendo perdido os pais bem jovem, Haruto quase havia esquecido como era ser abraçado por uma mãe.

   Mas agora, sendo segurado nos braços de Ayaka no futon, lembranças tênues ressurgiram — aqueles preciosos e raros momentos de proximidade com sua mãe, enterrados no fundo de sua memória.

"Você não está sozinho. Eu sempre ficarei com você."

   Sua voz suave e carinhosa chegava aos seus ouvidos.

   O conforto transmitido pelo corpo dela, pressionado contra o seu.

   E os batimentos cardíacos constantes que pulsavam de seu peito.

   Tudo o que Ayaka lhe dava suavemente acalmava o medo dentro de Haruto e o guiava gentilmente em direção ao sono.

   Finalmente, nos braços de Ayaka, Haruto fechou os olhos e adormeceu.

   Ayaka olhou com ternura para seu amado dormindo em seus braços, e pouco depois, ela também partiu lentamente para os sonhos.

 

****

 

   Na manhã seguinte, Haruto sentiu a luz do sol filtrando pelas cortinas e abriu os olhos devagar.

   E ali, preenchendo seu campo de visão, estava o rosto de sua amada namorada dormindo serenamente.

   Ayaka ainda o segurava em seus braços como se o envolvesse completamente, dormindo em silêncio.

"Ayaka… obrigado."

   O coração de Haruto estava à beira de ser consumido pela solidão.

   Mas graças a Ayaka, que permaneceu ao seu lado, ele conseguiu encarar a si mesmo.

   O medo que há tanto tempo se escondia no fundo dele explodiu de uma só vez quando Kiyoko desmaiou, como se estivesse esperando justamente por aquele momento.

   Ele estava lutando desesperadamente para reprimi-lo, tentando não ser engolido por ele.

   Mas então, tocado pela gentileza da família Tōjō e envolto no amor de Ayaka, Haruto finalmente conseguiu aceitar aquele medo.

   Antes, ao tentar resistir tão fortemente a um medo esmagador, ele não conseguia ver nada além daquele próprio medo. Mas ao aceitá-lo, encontrou espaço em seu coração.

   E com isso, além do medo de perder sua única família — Kiyoko — ele conseguiu agarrar esperança de que ela acordaria em segurança.

   Ele podia desejar, novamente, reunir-se ao redor da mesa com todos e compartilhar momentos cheios de risos.

   Sua amada namorada lhe deu essa força.

   Haruto segurou gentilmente Ayaka, ainda dormindo ao seu lado.

"Mm… Haruto?"

"Bom dia, Ayaka."

   Haruto chamou suavemente.

   Ayaka piscou várias vezes, confusa. Então, ao perceber que estava sendo segurada por Haruto no futon — e que também o segurava — suas bochechas ficaram coradas.

   Mas só por um instante — logo depois, ela voltou seu olhar carinhoso para Haruto.

"Bom dia, Haruto. Você dormiu bem?"

"Sim. Graças a você, dormi profundamente."

"Que bom."

   O rosto de Ayaka se iluminou de alívio e alegria.

    Comovido por sua preocupação e afeto sinceros, Haruto a abraçou novamente, cheio de gratidão e amor.

   Nos braços dele, Ayaka semicerrava os olhos, como se estivesse com cócegas.

"Mm… então, vamos levantar e visitar a Kiyoko-san."

"Sim. Vamos."

   Os dois saíram da cama, se arrumaram e se prepararam para ir ao hospital.

   Shuichi mais uma vez os levou de carro.

   Tratando Haruto como um filho e até o priorizando acima do trabalho, Shuichi ganhou a sincera gratidão do garoto.

"Obrigado, Shuichi-san."

   Haruto falou em direção ao banco do motorista, e Shuichi sorriu enquanto segurava o volante.

"Haruto, você e a Kiyoko-san já são como família para nós. Colocar a família antes do trabalho é natural."

   A resposta de Shuichi não tinha hesitação.

   Ao lado deles, Ayaka assentiu firmemente.

   Ela também havia escolhido faltar à escola apenas para ficar ao lado de Haruto.

   Haruto pensou do fundo do coração.

   Que estava feliz por ter aceitado o trabalho de meio período como diarista naquele verão.

   Que estava feliz por seus primeiros clientes terem sido a família Tōjō.

 

****

 

   No hospital, eles passaram o tempo na sala de espera até o horário de visita à UTI.

   Quando o primeiro horário de visita ao meio-dia chegou, eles entraram novamente na sala de visitas da UTI.

   Kiyoko ainda estava deitada além do vidro, cercada por equipamentos médicos, dormindo profundamente.

   Haruto aproximou-se lentamente do vidro que separava as salas.

"Vó…"

   Os olhos de Kiyoko continuavam fechados, sua quietude acompanhada pelo bip monótono dos monitores.

   Silenciosamente, Ayaka aproximou-se ao lado de Haruto e apertou sua mão com carinho.

"Kiyoko-san, por favor, acorde. Todos estamos esperando por você."

   Ela chamou através do vidro.

"Ainda há tanta coisa que quero aprender com você. Culinária, tricô… tantas coisas. Então, por favor, eu te imploro."

   Ayaka falou com sinceridade.

   Olhando para seu perfil, Haruto voltou seu olhar para Kiyoko junto dela.

   Não houve resposta. Nenhuma reação.

   O medo dentro de Haruto ameaçou explodir novamente.

   Mas o calor dado a ele pela família Tōjō o acalmou suavemente.

   Logo, uma enfermeira chegou para anunciar o fim do horário de visita.

   Haruto pressionou a mão contra o vidro mais uma vez e falou:

"Eu volto depois, vó."

   Eles deixaram a sala de visitas e voltaram à área de espera.

   Preocupado que Haruto pudesse se abalar pela falta de resposta de Kiyoko, Shuichi tentou tranquilizá-lo.

"Dizem que é comum pacientes idosos demorarem mais para acordar da anestesia após cirurgia."

"Entendo…"

"Sim. Então tenho certeza de que a Kiyoko-san ficará bem."

"Sim, você tem razão."

   Até ontem, não importava o que dissessem, o coração de Haruto estava cheio apenas de medo, ansiedade e solidão.

   Mas agora, apoiado pela confiabilidade de Shuichi, abraçado pela gentileza de Ikue, salvo pelos votos de Ryota e envolto no amor de Ayaka…

   Haruto podia ver claramente a esperança que existia dentro de seu medo.

"Eu tenho certeza… tenho certeza de que a vovó vai acordar."

   Sorrindo, Haruto declarou com firmeza. Shuichi respondeu com um aceno forte.

   Depois disso, passaram algum tempo quietamente na sala de espera, comendo um pequeno almoço comprado na loja de conveniência.

   Às vezes Shuichi saía para ligar para sua empresa, mas fora isso nada mudou muito.

   Haruto e Ayaka apenas contavam o tempo até a próxima visita.

   Então, de repente, ouviram passos apressados do lado de fora, e uma enfermeira entrou na sala de espera.

   Examinando o lugar, ela encontrou Haruto e sorriu amplamente.

"Sua avó recuperou a consciência."

"!! S-sério?!"

   Haruto saltou do sofá ao ouvir as palavras da enfermeira.

"Sim, vou levá-los até a sala de visitas."

"S-sim! Por favor!"

   Haruto trocou um olhar com Ayaka e então seguiu ansioso atrás da enfermeira.

   Na sala de visitas, ele olhou além do vidro.

   Ali, cercada por médicos e enfermeiras verificando seus sinais vitais, estava Kiyoko.

"Vó!!"

   Assim que Haruto entrou, correu para frente, tentando chegar o mais perto possível.

   Colocando ambas as mãos no vidro, chamou novamente em voz alta:

"Vó!!"

   Até agora, não importava quantas vezes ele chamasse, ela não reagia, apenas dormia quietamente.

   Mas desta vez, ela reagiu à voz de Haruto.

   Virando-se lentamente do médico, ela moveu o rosto em direção ao som fraco através do vidro.

   E quando seus olhos encontraram os de seu amado neto, as profundas rugas de seu rosto formaram um sorriso.

   No instante em que Haruto viu o sorriso de sua preciosa família, seu coração se encheu de alívio. Então, esse alívio se transformou em alegria que transbordou de seus olhos.

"Ainda bem… ainda bem…"

   Ele enxugou as lágrimas com o dorso da mão.

   Ayaka, que havia chegado um momento depois, o abraçou com carinho.

"Conseguimos, Haruto! Agora podemos viver todos juntos de novo!"

"Sim! Sim!!"

   Haruto a abraçou de volta, compartilhando sua alegria.

   Um pouco afastado, Shuichi suspirou em alívio, sorrindo suavemente enquanto murmurava:

"Agora toda a família está verdadeiramente reunida novamente."

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