SESSÃO 8

188 - O Que Faz um Bom Pai?

 

   O sol espiava por cima do horizonte distante.

   Sua luz clara refletia suavemente na superfície ondulante da água, cintilando como incontáveis joias.

"É uma manhã agradável. Clima perfeito para uma pesca relaxante."

"Sim, a brisa do mar está maravilhosa."

   Haruto concordou com as palavras de Shuichi. De pé no píer, respirou fundo o ar da manhã cedo, cheio do cheiro do mar.

"Certo, vamos nos preparar. Haruto-kun, pode encher este balde com água do mar?"

"Pode deixar."

   Pegando o balde de Shuichi, Haruto se inclinou um pouco sobre o píer, abaixou a corda e deixou o balde cair na água. Ele deu um leve puxão para deixá-lo encher e então o ergueu com cuidado para não derramar.

   Enquanto Haruto puxava a corda devagar, Shuichi, segurando duas varas de pesca nas mãos, chamou por ele.

"Você prefere pescar com sabiki ou arremesso leve?"

"Ah, eu vou de sabiki."

"Certo, então vamos começar com sabiki." (tipo de isca)

   Dizendo isso, Shuichi pegou alguns camarões comprados como isca na caixa térmica e despejou no balde de iscas.

   Depois preparou duas varas de pesca.

"Você já pescou antes?"

"Na verdade, não, essa é minha primeira vez."

"Oh? Entendi. Então vou te mostrar como preparar tudo."

   Com um sorriso amigável, Shuichi explicou cuidadosamente cada etapa — desde soltar a linha do molinete até colocar o conjunto de anzóis.

   Seguindo suas instruções, Haruto passou a linha da vara emprestada pelos passadores e prendeu um snap na ponta.

"Se você fizer o nó assim, ele fica firme", explicou Shuichi.

"Entendi."

   Haruto amarrou exatamente como mostrado, e Shuichi sorriu calorosamente.

"Muito bem, Haruto-kun. Você tem mãos habilidosas."

"Obrigado. Então agora eu só prendo o chicote no snap, certo?"

"Exatamente. Certifique-se de separar os anzóis um por um para não emaranharem."

"Um por um, certo."

   Haruto cuidadosamente separou os anzóis da embalagem, que tinha estampado em letras grandes frases como “Até iniciantes conseguem facilmente!” e “Dê adeus a voltar sem pegar nada!”

   Animado por sua primeira experiência com pesca, ele destacou todos os anzóis e se preparou.

"Certo, agora vamos colocar o cesto de engodo."

"Cesto de engodo?"

"É aquela gaiolinha que segura a isca — também funciona como chumbo."

   Seguindo a explicação de Shuichi, Haruto prendeu o cesto de engodo e apontou a vara para a água.

   Shuichi ficou ao lado dele, fazendo o mesmo.

"Ok, primeiro, pressione a linha do molinete com o dedo indicador."

   Shuichi demonstrou, pressionando a linha que saía do molinete com o dedo.

"Assim?"

"Isso. Depois levante essa parte de metal aqui — isso se chama bail. Quando você soltar o dedo, a linha vai sair."

   Haruto fez como lhe foi dito. A linha deslizou suavemente pelo molinete, e logo o conjunto caiu no mar com um pequeno splash.

"Agora, deixe afundar até o fundo."

"Certo."

"Quando chegar ao fundo, a linha vai afrouxar. Então feche o bail e recolha um pouco."

   Haruto seguiu as instruções de Shuichi com cuidado.

"Isso, muito bem. Você está indo ótimo, Haruto-kun. Dá para sentir quando toca no fundo."

"Sério? Obrigado."

"Certo, por agora tente pescar perto do fundo. Se não tiver mordidas, vamos mudar a profundidade."

"Profundidade?"

"Na pesca, a profundidade onde os peixes estão nadando é chamada de tana. Para ter bons resultados, você precisa ajustar sua isca para o tana certo."

"Entendi."

   Haruto assentiu e mexeu suavemente a vara para cima e para baixo algumas vezes. De repente, a ponta da vara tremeu e vibrações percorreram suas mãos.

"Uwa!? Shuichi-san!"

"Oh! É uma fisgada! Puxa!"

"Sim!"

   Com o coração acelerado, Haruto começou puxar.

   Logo o conjunto emergiu da água — com um pequeno peixe se debatendo em um dos anzóis.

   Ao ver a captura, Shuichi deu uma risada leve.

"Haha, esse é um baiacu. Um baiacu-grama."

"Um baiacu-grama… então não podemos comer, né?"

"Isso mesmo."

   Haruto ergueu a vara e puxou o conjunto para mais perto, observando o pequeno baiacu inflar como se dissesse “O que você tá olhando?!”

"Oh, ele inflou. É meio fofinho."

"Os baiacus são venenosos e podem cortar a linha com seus dentes afiados, então a maior parte dos pescadores não gosta deles. Mas sinceramente, eu meio que gosto. Eles têm um charme engraçado."

   Compartilhando o sentimento de Shuichi, Haruto segurou gentilmente o peixe redondo e inflado, tirou o anzol e o soltou de volta ao mar.

"Certo, vamos reabastecer o cesto de engodo."

"Ok."

   Haruto colocou mais isca e lançou novamente.

   Dessa vez, não houve resposta imediata. Um silêncio calmo se instalou.

"A maré pode estar fraca agora. Paciência faz parte da pesca."

   De tempos em tempos, eles substituíam a isca e continuavam pescando tranquilamente.

   Haruto semicerrava os olhos para o sol, agora mais alto, e então se virou para Shuichi.

"Shuichi-san."

"Hmm? O que foi?"

"Eu queria agradecer de novo — por tudo que o senhor fez quando minha avó desmaiou."

"Agradeço sua gratidão, Haruto-kun. Mas como eu disse antes, eu só fiz o que qualquer um faria."

   Shuichi respondeu com um sorriso gentil.

   Haruto olhou para a ponta de sua vara, organizou seus pensamentos e então falou em voz baixa.

"Eu… perdi meus pais quando era pequeno. Meus avós me criaram… então eu realmente não sei como é ter um pai. Para mim, meu avô é meu pai."

   Shuichi ouviu com compaixão, a cabeça levemente inclinada.

"Eu posso parecer presunçoso dizendo isso, mas… eu acho que o senhor é um pai incrível, Shuichi-san. O senhor brinca com o Ryota de todo coração, e embora a Ayaka às vezes fique irritada com o senhor, ela claramente confia muito em você. O senhor tem uma relação tão boa com Ikue-san e passa essa aura de alguém confiável como chefe da família."

   Quando a sua avó havia desmaiado, Haruto ficou impressionado com a calma e a confiabilidade de Shuichi. Ele tinha tanto o brilho de um garoto quanto a compostura de um adulto — qualidades perfeitamente equilibradas.

"Ter um pai como o senhor… eu acho que a Ayaka e o Ryota têm muita sorte."

"É mesmo? Ouvir isso me deixa até um pouco envergonhado", disse Shuichi, coçando a cabeça com um sorriso sem jeito.

   Haruto se virou para ele, revelando sua própria insegurança.

"Eu fiquei pensando no que Ikue-san disse ontem — sobre casamento e se tornar família. E percebi algo. Se eu tiver um filho algum dia… será que eu consigo ser um bom pai? Será que consigo ser um bom marido para a Ayaka? Será que consigo criar uma família feliz e calorosa como a sua?"

   Haruto amava Ayaka profundamente e estava pronto para dar tudo pela felicidade dela. Mas por não conhecer como era uma "família normal", não podia evitar sentir ansiedade.

"Entendo…"

   Shuichi assentiu devagar, olhando pensativamente para sua vara antes de falar com voz calma.

"Você acabou de dizer que eu sou um bom pai."

"Sim."

"Fico feliz em ouvir isso. Mas, sinceramente, eu mesmo não sei — se realmente sou um bom pai para a Ayaka e o Ryota."

"O senhor com certeza é, Shuichi-san. Se meu pai estivesse vivo, eu gostaria que fosse como o senhor."

   Ouvindo isso, Shuichi sorriu calorosamente.

"Muito gentil da sua parte, Haruto-kun. Se você pensa assim, talvez eu esteja conseguindo ser o tipo de pai que quero ser."

   Ele encontrou o olhar de Haruto com um sorriso sereno.

"Haruto-kun, o que você acha que faz um bom pai?"

"Um bom pai… acho que alguém que sempre tenta entender seu filho? Alguém que não força suas próprias opiniões e consegue pensar pela perspectiva da criança?"

"Hmm, boa resposta."

"E o senhor, Shuichi-san? O que faz um bom pai na sua opinião?"

"Para mim, é alguém que continua lutando para se tornar um."

   Shuichi ergueu os olhos para o céu, como se lembrasse de velhas memórias.

"Quando a Ayaka nasceu, eu tomei uma decisão — decidi que seria o pai ideal para ela. Acontecesse o que acontecesse, eu a guiaria para a felicidade. Quando o Ryota nasceu, fiz o mesmo voto — me tornar o melhor pai que pudesse para ele."

   Ele voltou o olhar para Haruto.

"Você já ouviu o ditado ‘Pai é quem cria, não só quem dá à luz’?"

"Sim."

   Haruto sabia que significava que a verdadeira paternidade é conquistada através do amor e do esforço, não apenas pelo sangue.

"Eu acredito que só através de criar uma criança, derramar amor nela e enfrentar todas as dificuldades, alguém se torna pai. Ser pai não acontece naturalmente — requer vontade e determinação."

"Então… só ter um filho não faz de alguém um pai?"

"Isso mesmo."

   Shuichi assentiu e olhou para as ondas suaves.

"Criar uma criança significa enfrentar desafios sem fim. Só quando alguém está pronto para encarar essas dificuldades de frente é que realmente se torna um pai."

   Haruto observou seu perfil em silêncio.

"Você disse antes que seu pai é seu avô, certo?"

"Sim."

"E eu acho que isso é perfeitamente válido. Quando seus pais faleceram e seus avós acolheram você, tenho certeza de que fizeram um voto — de te criar bem, te manter feliz e nunca deixá-lo se sentir sozinho. A partir daquele momento, seu avô se tornou seu pai, e sua avó sua mãe. Eles são pais incríveis por terem te criado até você se tornar quem é."

   As palavras de Shuichi apertaram o peito de Haruto.

   Em algum lugar dentro de si, ele sempre sentira um pequeno senso de diferença — uma crença silenciosa de que não era como os outros porque foi criado pelos avós. Mas aquelas palavras dissolveram essa dúvida.

   Agora ele podia dizer com orgulho que seus avós eram seus verdadeiros pais.

"Você pode estar preocupado sobre conseguir construir uma família feliz ou se tornar um bom pai. Mas como eu disse, o que importa é enfrentar isso — com determinação. E você já está fazendo isso."

   Shuichi sorriu suavemente.

"Vai dar tudo certo, Haruto-kun."

   Aquelas palavras acalmaram o coração de Haruto. Os medos vagos que ele tinha sobre família se dissolveram silenciosamente.

"Obrigado, Shuichi-san."

"De nada."

   Haruto percebeu que estava sorrindo naturalmente.

"Posso perguntar mais uma coisa, Shuichi-san?"

"Claro, o que é?"

"O que significa família para o senhor?"

   Ao ouvir isso, Shuichi olhou para sua vara de pesca novamente, refletindo por um tempo antes de responder.

"Hmm… para mim, família é como estrelas."

"Estrelas?"

"Sim. A vida é como um navio navegando por um vasto oceano. Se você não sabe onde está ou para onde está indo, vai acabar perdido. Então as pessoas costumam ficar perto da costa. Mas é uma viagem única na vida — não seria chato não explorar o mar aberto?"

   Ele sorriu gentilmente, olhando para Haruto em busca de concordância.

"Antigamente, quando marinheiros iam para longe no mar, eles usavam as estrelas para navegar."

"Um sextante, certo?" (ferramenta de navegação)

"Oh, você entende do assunto, Haruto-kun."

   Shuichi sorriu, claramente apreciando a conversa.

"Para mim, família é essa estrela — uma luz guia que me impede de perder o rumo no vasto oceano da vida."

"Um guia para não perder o caminho…"

   Haruto repetiu baixinho.

   Algo em seu coração se encaixou.

   Quando sua avó desmaiou e Ayaka ficou ao seu lado, ele havia percebido muitas coisas sobre seu próprio coração — coisas que não tinha notado antes. E agora, as palavras de Shuichi uniam tudo.

   Com um sorriso renovado, Haruto inclinou a cabeça.

"Obrigado, Shuichi-san. Falar com o senhor realmente clareou minha mente."

"Fico feliz em ouvir isso, Haruto-kun. Estou feliz por poder ajudar."

   Enquanto ambos sorriam calorosamente, a ponta da vara de Shuichi começou a tremer.

"Shuichi-san! Sua vara!"

"Oh! É uma fisgada! Espere—Haruto-kun, a sua também!"

"É mesmo!"

   Ambos recolheram suas linhas animadamente, e vários peixes pendiam dos anzóis.

"Uau!"

"Esses são carapaus!"

"Esse pode ser o melhor momento da pescaria! Certo, Haruto-kun—vamos pescar o suficiente para fazer um banquete no jantar!"

"Sim!"

   E assim, os dois pescaram juntos, completamente imersos no momento.

   Quando voltaram para casa, trouxeram uma caixa térmica cheia de peixes para a sala de estar.

"Mãe! Ryota! Olha isso! Pegamos um montão!"

   Sorrindo orgulhosamente, Shuichi abriu a caixa.

   Ryota correu imediatamente, olhou dentro e comemorou.

"Uau! Tem muitos peixes!! Ei, ei! Que tipo de peixe são esses?"

"Esses são carapaus. E esse aqui é um peixe-pedra. E—"

   Enquanto Shuichi explicava os peixes ao filho, Ikue sorriu para Haruto.

"Você se divertiu pescando?"

"Sim! Foi muito divertido. E tive uma ótima conversa com o Shuichi-san também — foi um dia realmente gratificante."

"Fico feliz em ouvir isso."

   Vendo o quanto Haruto parecia renovado e radiante, a expressão de Ikue suavizou calorosamente.

"A propósito, onde está a Ayaka?"

   Haruto perguntou, percebendo que não a tinha visto desde que voltou para casa.

"A Ayaka foi visitar a Kiyoko-san no hospital."

"Minha avó?"

"Sim."

   Ikue assentiu, depois olhou para o relógio antes de voltar-se para Haruto.

"Ela deve voltar logo. Você poderia ir buscá-la?"

   Seu tom gentil fez Haruto entender imediatamente o que ela queria dizer.

"Claro. Vou encontrá-la."

"Obrigada. Por favor, cuide bem da minha filha."

   Com as palavras de Ikue atrás de si, Haruto seguiu para o hospital onde Kiyoko estava internada — para buscar Ayaka.

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