SESSÃO 8
180 - Família
Haruto gritou através do grande vidro.
“Vovó!”
Kiyoko usava uma máscara de respiração, e vários aparelhos médicos cercavam sua cama.
Mas, tirando isso, Kiyoko parecia apenas estar dormindo tranquilamente.
Haruto sentiu alívio ao perceber que ela não estava sofrendo. Ainda assim, ao mesmo tempo, uma inquietação aterrorizante brotou em seu peito.
Uma imagem triste voltou à sua mente.
O rosto de seu avô, sereno e bonito, olhos fechados dentro de um caixão.
Aquela imagem se sobrepôs à de Kiyoko deitada na cama.
Haruto sacudiu a cabeça desesperadamente, tentando afastar aquele pensamento terrível.
“Vovó... por favor... acorde...”
Ele estendeu a mão para ela.
Mas sua mão foi bloqueada pelo vidro entre eles.
Frio, duro e inorgânico, aquela barreira fez Haruto baixar o olhar.
A solidão o esmagava.
Uma sensação cortante de perda rasgava seu coração implacavelmente.
“...Vovó... por favor...”
Haruto cerrou os punhos até ficarem brancos, pressionando sua frustração impotente contra o vidro.
“Não me deixe sozinho... não me deixe para trás...”
Como uma criança perdida, frágil e pequena, um sussurro choroso escapou dele.
Seu corpo tremia levemente.
Estava tão frio.
Lá do fundo, ele sentia um arrepio gelado, como se seu próprio coração estivesse preenchido de gelo.
Nesse momento, ele foi subitamente envolvido por uma suavidade quente.
“Haruto, a Kiyoko-san com certeza vai acordar.”
Uma voz gentil e compassiva chegou aos seus ouvidos.
Ayaka abraçou o tremendo Haruto por trás, envolvendo-o como se quisesse aquecê-lo.
“A cirurgia foi difícil, então ela só está cansada. Ela está apenas dormindo e descansando. Ela vai acordar logo. Vai ficar tudo bem.”
“É... obrigado.”
Haruto assentiu e colocou a mão sobre a dela.
O calor das mãos de Ayaka acalmou um pouco seu coração.
Seguindo Ayaka, Shuichi também dirigiu palavras de encorajamento a Haruto.
“Kiyoko-san se importa com você mais do que qualquer coisa. Ela nunca o deixaria sozinho assim.”
“Sim... você tem razão.”
Haruto sentiu gratidão por Ayaka e Shuichi, que permaneceram ao seu lado e o confortaram.
Ele forçou um sorriso, levantando as bochechas.
“Vou acreditar na vovó e esperar.”
O sorriso de Haruto era torto, como se estivesse suportando dor.
Era o melhor que conseguia fazer naquele momento.
Mesmo assim, Ayaka apertou sua mão com força, e Shuichi assentiu firmemente.
As visitas na UTI eram rigidamente limitadas para proteger o descanso dos pacientes e evitar infecções, então depois de cerca de 30 minutos, a enfermeira pediu que saíssem.
Haruto e os outros foram guiados até a sala de espera ao lado da UTI.
“As visitas da UTI são só duas vezes por dia, ao meio-dia e à noite. A próxima é às 18h”, informou Shuichi a Haruto depois de falar com a enfermeira.
“Obrigado, Shuichi-san. De verdade, obrigado.” Haruto disse, sinceramente grato pelo apoio calmo de Shuichi desde que Kiyoko adoeceu.
Só de imaginar estar sozinho quando Kiyoko desabou, seu corpo gelava.
“Não precisa se preocupar. Por agora, vamos apenas rezar pela recuperação de Kiyoko-san.”
“Sim...”
“Tem um tempo até a próxima visita. Quer que eu pegue algo para comer?”
“Não... eu não consigo comer agora.” Haruto balançou a cabeça levemente, incapaz de engolir por causa da preocupação.
“Tudo bem. Vou pegar só um chá. Ayaka, você quer algo?”
“Para mim, só chá também.”
“Entendi. Já volto.”
Shuichi saiu da sala de espera.
Sozinho com Ayaka, Haruto agradeceu a ela, que permanecera perto dele.
“Ayaka, obrigado. Se você não estivesse aqui, acho que eu já teria perdido a cabeça. De verdade, obrigado.”
Ayaka sorriu docemente e segurou sua mão com delicadeza.
“Espero que Kiyoko-san acorde logo.”
“Sim.”
Enfrentando o medo insuportável de perder a família, o calor que Ayaka lhe oferecia parecia um farol para Haruto.
Eles esperaram na sala de espera por notícias das enfermeiras.
Mas nenhuma ligação veio dizendo que Kiyoko havia acordado.
Logo chegou a hora da segunda visita.
De volta à sala de visitas da UTI, Haruto correu até o vidro novamente.
Kiyoko ainda dormia tranquilamente.
Os sons frios dos monitores ecoavam pela área.
Vários tubos conectados.
Uma máscara de oxigênio cobrindo sua boca.
Ver o estado doloroso de Kiyoko doía no peito de Haruto de maneira sufocante.
“Vovó... por favor acorde logo...”
O sussurro angustiado de Haruto não recebeu resposta.
Ela continuava dormindo em silêncio.
A segunda visita terminou tão rapidamente quanto a primeira, sem mudanças.
Enquanto Shuichi conversava com a enfermeira sobre ir embora, ele colocou a mão gentilmente nas costas de Haruto.
“Haruto-kun, a próxima visita é amanhã ao meio-dia. Você deve ir para casa por enquanto.”
“M-mas...”
“Eu entendo sua preocupação. Mas a cirurgia de Kiyoko-san foi um sucesso, e a condição dela está estável. Está tudo bem.”
Shuichi o persuadiu com calma a ir para casa.
“Além disso, você precisa descansar um pouco também. Você não comeu nem dormiu desde que Kiyoko caiu. Não estou dizendo para forçar, mas tente deitar e descansar.”
Haruto abaixou o olhar.
Ele sabia que Shuichi estava certo.
Ficar no hospital não o deixaria vê-la ou ajudar — ele só ficaria andando em círculos na sala de espera.
Ainda assim, sentia uma resistência aterrorizante em deixar o lado dela.
Mesmo sem conseguir vê-la, estar longe a enchia-o de um medo esmagador.
Percebendo esse medo, Ayaka se aproximou e o abraçou suavemente.
“Haruto, vamos para casa e descansar, tá? Se você desmaiar, Kiyoko-san vai levar um susto quando acordar. Você precisa descansar para poder recebê-la com um sorriso.”
“...Sim. Você tem razão.”
Haruto assentiu fracamente, apoiando-se em Ayaka enquanto saíam do hospital.
No caminho para a casa da família Tojo no carro de Shuichi,
Quanto mais se afastava do hospital, mais a ansiedade e o medo cresciam dentro dele.
A cada vez, Ayaka o abraçava com força e sussurrava repetidamente: “Vai ficar tudo bem.”
Quando chegaram à casa dos Tojo, foram recebidos por Ikue e Ryota.
“Bem-vindos.”
O sorriso gentil de Ikue os recebeu.
Mas Haruto não conseguiu responder, apenas assentiu em silêncio.
Ryota falou com um olhar preocupado.
“Vovó? A vovó não vai voltar?”
“Ryota, a Kiyoko-san ainda está no hospital.”
Ikue explicou, acariciando a cabeça de Ryota enquanto trocava um olhar com Shuichi.
“No hospital? A vovó ficou doente? Ela vai ficar bem?”
A ambulância repentina e a internação de Kiyoko chocaram profundamente Ryota; seus olhos se encheram enquanto olhava para Haruto.
O coração de Haruto se apertou, e ele se agachou para ficar na altura de Ryota.
“A vovó só está cansada da cirurgia. Ela está dormindo.”
“Só dormindo porque está cansada? Então, quando ela acordar, a gente pode comer juntos de novo!”
As palavras animadas de Ryota apertaram o coração de Haruto.
Sua solidão, ansiedade e medo transbordaram como palavras.
“Sim... mas talvez... ela esteja cansada demais para acordar...”
O sorriso gentil de Haruto se contorceu em uma expressão dolorosa.
O rosto de Ryota se encheu de preocupação na hora.
“Mano...?”
“Se ela não acordar... eu vou ficar completamente sozinho... sem mais família...”
Haruto abaixou o olhar, incapaz de encarar Ryota.
“Se isso acontecer... o que eu vou fazer...?”
Sua voz trêmula era fraca e infantil, diferente de seu eu habitual.
Ao ver isso, a expressão de Ryota se firmou com determinação.
“Não! Isso não é verdade!!”
“...Hã?”
Assustado com o grito repentino de Ryota, Haruto arregalou os olhos.
Ryota cerrou os punhos e gritou.
“Você não vai ficar sozinho, Mano!!”
Então, sem hesitar, Ryota virou e correu pelo corredor.
Ayaka chamou por ele.
“Ryota?!”
Mas Ryota não olhou para trás e desapareceu na sala de estar.
Ikue se desculpou silenciosamente com Haruto.
“Desculpe. Eu expliquei para o Ryota, mas...”
“Está tudo bem,” Haruto sorriu fracamente.
“Haruto-kun, vamos entrar.”
Shuichi o chamou com gentileza, e Haruto assentiu para tirar os sapatos.
Nesse momento, Ryota apareceu de repente da sala de estar, correndo de volta com algo nos braços.
Ele parou diante de Haruto, olhando para cima com seriedade.
“Você não vai ficar sozinho, Mano!!”
Ele repetiu as palavras e segurou firme uma “caixinha de economias para o casamento” feita em casa.
“Porque! Se você casar com a Ayaka, a gente vira família!”
Ele estendeu a “caixinha de economias para casamento” para Haruto.
Haruto ficou sem palavras, incapaz de reagir ao acontecimento repentino.
Ryota continuou sem pausa.
“Você não pode casar porque não tem dinheiro, certo? Eu estive juntando um monte desde então! Olha!”
Embora Ayaka tivesse pedido para ver, Ryota não deixou ninguém tocar.
Antes que pudessem pará-lo, ele quebrou a caixinha com as duas mãos.
A abertura rasgada deixou cair moedas no chão do corredor, tilintando enquanto se espalhavam.
As moedas espalhadas eram o tesouro duramente acumulado por um menino de cinco anos que trabalhou duro pelo querido “Mano” e “Mana”.
Ryota recolheu as moedas o mais rápido que pôde.
“Olha! Eu juntei tudo isso!”
Comovido pelo esforço sincero de Ryota, Haruto sentiu uma grande onda dentro de si.
“Ryota...”
Ryota pegou cuidadosamente várias moedas de dez e cinquenta ienes.
“Eu até tenho moedas de cem ienes e algumas de quinhentos!”
Ele encontrou as poucas moedas de quinhentos ienes e disse com orgulho.
Para uma criança de cinco anos, aquele monte de moedas provavelmente parecia uma fortuna.
Dia após dia, Ryota havia economizado.
Sem hesitar, deu tudo a Haruto.
“Eu vou te dar tudo!! Com isso, você pode casar com a Ayaka!”
Haruto ficou sem palavras diante das palavras inocentes, puras e ingênuas de Ryota.
“Se você casar, o Mano vai ser família com a gente! Então você nunca vai ficar sozinho!!”
Ryota implorou desesperadamente.
Ao ver isso, o coração de Haruto tremeu e lágrimas começaram a se acumular em seus olhos.
“…Obrigado… obrigado, Ryota… de verdade, obrigado.”
Haruto abraçou Ryota com força, repetindo palavras de gratidão várias vezes.
Nas costas dele, Ryota deu tapinhas suaves.
“Eu te amo, Mano. A vovó vai ficar bem também, tenho certeza.”
As pequenas mãos de Ryota transmitiam seu coração carinhoso, tentando afastar o medo e a ansiedade dentro de Haruto.
“Então, vamos todos nos tornar ‘família’ juntos.”
Diante do desejo sincero de Ryota, Haruto assentiu em meio às lágrimas.
Observando Haruto e Ryota se abraçando, Ayaka enxugou discretamente as lágrimas dos olhos.
Então ela abraçou os dois com força.
“Isso mesmo. Haruto, você não está sozinho. Estamos todos aqui com você.”
“Obrigado, Ayaka.”
Depois dela, Ikue abriu os braços e envolveu as crianças.
“Sim. Nós nunca vamos deixar o Haruto sozinho.”
Por fim, Shuichi envolveu toda a família em um abraço caloroso.
“Exatamente. Vamos todos rezar juntos pela recuperação de Kiyoko-san.”
Envolto no calor da família Tojo, Haruto derramou o medo que mantinha preso dentro de si, chorando em grandes lágrimas.
“O-obrigado... de verdade... muito obrigado...”
As lágrimas que ele derramou pela primeira vez desde o colapso de Kiyoko estavam cheias da gentileza da família Tojo.
– Almeranto: Quase suei pelos olhos com esse capítulo, tive que até dar uma pausinha aqui pra não chorar. Esse final foi emocionante demais.
Traduzido por Moonlight Valley
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