SESSÃO 8

179 - Decisão

 

“U-uma cirurgia? Uma cirurgia de emergência?!”

   A voz de Haruto, cheia de medo, ecoou pela sala de espera.

“Sim. A Sra. Kiyoko está atualmente sofrendo uma dissecção aórtica.”

“Dissecção… aórtica…”

“Se não operarmos, a vida dela está em sério risco.”

   Ouvindo a explicação concisa do médico, Haruto percebeu de verdade a urgência da situação.

   A cirurgia era o único meio de salvar Kiyoko.

   A parte racional de sua mente entendeu isso imediatamente.

   Mas a parte emocional tremia de ansiedade.

“Hum… minha avó é idosa. Ela vai conseguir suportar a cirurgia?”

“Definitivamente há um risco envolvido”, respondeu o médico, assentindo em compreensão pela preocupação de Haruto. Ele explicou calmamente a condição atual de Kiyoko.

“A dissecção aórtica é uma condição extremamente perigosa em que a parede do vaso sanguíneo se rasga. Sem cirurgia, há uma grande chance de o vaso se romper, ou de o fluxo sanguíneo para o cérebro ou coração ser interrompido. No caso da sua avó, o rasgo provavelmente está na parte da aorta próxima ao coração — o que chamamos de Tipo A — que é especialmente fatal. Embora possamos controlar a pressão arterial com medicamentos, isso não repara o rasgo em si. Substituir a área danificada com um vaso artificial é atualmente o método mais seguro. É verdade que ter 78 anos traz riscos, mas mesmo com isso em mente, acredito que a cirurgia é a melhor opção.”

   Apesar da falta de tempo, o médico tomou o cuidado de explicar tudo de um jeito que Haruto pudesse compreender totalmente.

   Haruto baixou o olhar.

   Ele entendia. Ele realmente entendia.

   Kiyoko era sua única família restante. Para salvá-la, ela precisava passar pela operação.

   Logicamente, ele sabia a resposta. Ele já havia tomado a decisão.

   Tudo que precisava fazer era acenar com a cabeça. Apenas dizer: “Por favor, faça”, e se curvar. Cada segundo de hesitação, Kiyoko ainda estava sofrendo.

   E ainda assim, Haruto não conseguia se mover. Não conseguia falar.

   Seu corpo simplesmente não obedecia.

   No fundo do seu coração…

   Dos cantos distantes de suas memórias antigas, veio um choque poderoso — um grito ecoando de alguém desconhecido, choros de tristeza e angústia.

   Era como uma imagem turva, fragmentada — que ele sempre suspeitou ser do momento em que perdeu os pais.

   Aquele medo, ansiedade, solidão e dor tinham criado raízes dentro dele e permanecido desde então.

   E então veio a memória que ele conseguia lembrar claramente — a perda de seu avô.

   Uma lembrança aterrorizante que trouxe tristeza insuportável e o fez perceber o quanto era assustador perder alguém da família.

   Aquelas memórias do passado — dolorosas demais para suportar — se agarravam a ele como correntes, prendendo seus membros e silenciando sua voz.

     E se a cirurgia falhar?

     E se ela nunca acordar novamente?

     E se a vovó… morrer…?

   Não havia tempo. Ele precisava decidir rápido. Mas mesmo com a urgência aumentando, a boca de Haruto parecia costurada.

   E então — sua mão direita subitamente ficou quente.

“Haruto… Kiyoko-san é uma pessoa forte.”

   A voz de Ayaka, bem ao lado dele.

   No momento em que ouviu sua voz.

   No momento em que sua mão envolveu suavemente a dele.

   A garganta de Haruto se moveu.

“…Por favor, faça a cirurgia. Salve minha avó.”

    Ele se curvou profundamente ao médico.

“Obrigado por sua decisão. Faremos tudo o que pudermos.”

   Com uma resposta curta, o médico trocou um olhar com a enfermeira ao seu lado e saiu rapidamente da sala de espera.

   A enfermeira restante colocou vários documentos sobre a mesa.

“Estes são os formulários de consentimento para a cirurgia e internação. Por favor, leia e assine aqui.”

“Sim…”

   Haruto, lutando contra sua visão embaçada, se forçou a olhar os documentos.

   Então, pegou a caneta para escrever seu nome.

   Mas sua mão tremia tanto que ele não conseguiu assinar. Segurou seu pulso direito com a mão esquerda para estabilizá-la — mas o tremor não parava.

   Enquanto mordia o lábio, tentando desesperadamente escrever, Shuichi colocou gentilmente uma mão tranquilizadora em seu ombro e deu um aperto firme.

“Está tudo bem, Haruto.”

   A voz calma de Shuichi e sua presença estável ajudaram a reduzir o tremor na mão de Haruto.

“Obrigado…” Haruto murmurou, então começou lentamente a assinar.

   Sua assinatura ficou fraca e irregular, mas ele conseguiu terminá-la.

   Depois de confirmar a assinatura, a enfermeira colocou outro conjunto de documentos na mesa.

“Também precisamos de uma assinatura aqui. Este é para a UTI e para o formulário de fiador da cirurgia. Idealmente, preferimos alguém diferente do assinante principal…”

   Enquanto falava, a enfermeira olhou para Ayaka e Shuichi.

“Eu assino”, ofereceu Shuichi sem hesitar e imediatamente escreveu seu nome.

   Haruto se curvou profundamente mais uma vez em gratidão pela decisão rápida de Shuichi.

“Até o fim da cirurgia, por favor, aguardem aqui na sala de espera”, disse a enfermeira, saindo com os documentos.

   Haruto não conseguia ficar parado. Levantou-se e começou a andar em círculos pela sala.

   Quanto tempo havia passado?

   Haruto havia perdido completamente a noção do tempo, caminhando em silêncio o tempo todo.

   No centro de seu coração, o medo e a solidão permaneciam constantes.

   Kiyoko era sua única família restante. Ela era alguém insubstituível.

   Ele estava aterrorizado com a possibilidade de ela ir para algum lugar distante — um lugar onde ele não pudesse alcançá-la. Aquele medo e ansiedade o sufocavam.

   Ainda assim, ele conseguia manter uma pequena aparência de calma apenas porque Ayaka e Shuichi estavam ao seu lado.

   Com eles por perto, ele não era esmagado pelo peso da solidão.

   Na sala de espera silenciosa, o tique-taque do relógio e o som dos passos de Haruto se misturavam.

   O tempo passava dolorosamente devagar — cheio de medo e inquietação. Mas Haruto sabia que quem mais sofria era Kiyoko, e continuou a rezar pela segurança dela.

   Eventualmente, o céu lá fora começou a clarear — o amanhecer.

   O médico que havia explicado a situação voltou à sala de espera da cirurgia.

“Ah—! Como está minha avó!? O que aconteceu com ela?!”

   Haruto correu até ele e pressionou o médico por respostas.

   O médico respondeu com calma e clareza.

“A cirurgia foi um sucesso.”

“De verdade?! Muito obrigado!!”

   Haruto se curvou profundamente às palavras “a cirurgia foi um sucesso”. Ele pôde sentir o medo e a ansiedade que o dominavam começarem a desaparecer lentamente.

   Mas esse alívio não durou.

“Porém… ela ainda não recuperou a consciência.”

“O quê…?!”

   A visão de Haruto escureceu mais uma vez.

“E-ela sobreviveu à operação, não é?”

“Sim.”

   O médico assentiu firmemente e continuou.

“Sua avó é idosa. Em casos assim, acordar da anestesia pode levar mais tempo. Por enquanto, vamos monitorá-la na UTI.”

“...Existe… a chance de ela não acordar?”

   Haruto perguntou com a voz trêmula, pesada de medo. O médico respondeu gentilmente.

“Se a dissecção aórtica afetou o cérebro dela, existe a possibilidade de ela permanecer inconsciente. No entanto, conseguimos tratá-la relativamente rápido e a cirurgia foi bem-sucedida. A condição dela agora é estável. Fui informado de que ela costuma ser saudável e sem doenças graves. Se algo acontecer, estamos totalmente preparados para agir imediatamente. Vamos acreditar nela e esperar.”

   Haruto lutou para conter suas emoções enquanto se curvava mais uma vez.

“Obrigado…”

   Ele mal conseguiu falar.

   O médico fez um leve aceno e deixou a sala. Pouco depois, uma enfermeira veio guiá-los.

“A Sra. Kiyoko está na UTI agora. Por favor, venham comigo.”

   Seguindo a enfermeira, Haruto e os outros foram conduzidos até a UTI.

   Lá, através da grande janela de vidro, eles puderam ver Kiyoko deitada em uma cama hospitalar.

   No momento em que Haruto colocou os olhos nela—

   Ele começou a correr.

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