SESSÃO 7

168 - Sentimentos de Agora, Sentimentos de Depois

 

   Depois de se despedir de Shizuku, Haruto caminhou sozinho por um bairro residencial.

   O céu, tingido de vermelho pelo pôr do sol, aos poucos escurecia conforme a noite caía.

   Ele olhava para a silhueta fraca e borrada de sua sombra, iluminada de leve, enquanto seguia lentamente em direção à casa dos Tōjō.

“Shizuku-chan Mk.II, hein… Bem a cara dela…”

   Haruto esfregou o estômago com a mão direita. O pós-choque da “Explosão Shizuku” ainda permanecia ali como uma dor surda.

   Depois de perder os pais em um acidente de trânsito, Haruto caiu em uma tristeza profunda na infância, lutando para lidar com a ausência da mãe e do pai.

   Preocupado com ele, seu avô o levou a um dojo de karatê para tentar animá-lo.

   Haruto se lembrou de sua primeira memória de Shizuku.

“Ela me viu olhando e disse: ‘Eu vou derrotar esse invasor do dojo!’ antes de pular em cima de mim…”

   A lembrança suavizou a expressão de Haruto.

   Agora era uma recordação querida, mas naquela época, Shizuku não passava de uma presença assustadora — irracionalmente forte e intimidadora para ele.

“Kazu-senpai entrou no dojo por volta da mesma época, né…? Parece que faz tanto tempo.”

   Haruto, Ishikura e Shizuku tinham passado muitos anos juntos, tornando-se partes insubstituíveis da vida uns dos outros.

   Agora, porém, as coisas começavam a mudar — desencadeadas por Haruto se tornar o namorado de Ayaka.

   Haruto havia descoberto como Shizuku se sentia, e Ishikura havia confessado seus próprios sentimentos a ela.

   E Shizuku, por sua vez, havia assimilado suas emoções e começava a enfrentar novos sentimentos.

   Sentimentos que não existiam na infância, mas que tinham crescido conforme amadureciam — agora remodelando a dinâmica entre os três.

   Em algum lugar em seu coração, Haruto sentia um leve aperto de inquietação e medo.

   Mas, apesar disso, havia também um profundo senso de segurança, como se nada tivesse realmente mudado.

   Ele levantou a mão direita diante dos olhos.

   Ainda conseguia sentir o aperto firme de mão que tinha trocado com Shizuku antes de se separarem. Naquele aperto, ele podia perceber claramente a base do laço que haviam construído.

   O relacionamento entre Haruto, Shizuku e Ishikura talvez mudasse à medida que avançassem pela vida. Mas o que tinham construído até agora jamais seria destruído.

   Segurando esse pensamento vago, mas reconfortante, Haruto acelerou o passo rumo à casa dos Tōjō.

   Quando chegou à casa dos Tōjō e se dirigiu à sala—

“Tô em casa.”

“Bem-vindo de volta, Mano!”

   Mal Haruto chamou, Ryōta veio correndo em sua direção com um sorriso radiante.

   Agora transformado em Foguete Ryōta, ele se chocou direto contra o estômago de Haruto.

   O impacto acertou exatamente onde a “Explosão Shizuku” havia atingido antes, fazendo Haruto estremecer de dor.

“Guh—!”

“Mano, você tá bem?”

“T-Tô sim.”

   Haruto deu um sorriso dolorido para tranquilizar Ryōta, que o olhava preocupado. Ignorando a dor surda no estômago, ele forçou um sorriso.

   Sentadas no sofá estavam Ayaka e Kiyoko. Nas mãos de Ayaka havia fios e uma agulha de crochê — parecia que ela estava aprendendo a fazer tricô com Kiyoko.

“Bem-vindo de volta, Haruto.”

“É, voltei.”

   Os olhares deles se encontraram quando ele respondeu.

   O dela parecia carregado de preocupação e talvez um leve traço de ansiedade.

   Sentindo isso, Haruto assentiu de leve, como se dissesse: Vamos conversar depois, só nós dois. Ayaka pareceu entender, e devolveu um aceno pequeno antes de voltar a falar com Kiyoko.

“Kiyoko-san, como eu faço esse ponto?”

“Aqui, você puxa o fio por esses pontos — um, dois, três — e então faz a correntinha que te ensinei antes…”

   Ayaka ouvia com atenção, com a expressão séria. Do outro lado do sofá, Ikue observava a filha com um sorriso carinhoso e divertido.

“Ai, Ayaka, você já está tão sincronizada com o Haruto-kun. Vocês dois são um casal tão fofo.”

   Ao ouvir isso, a expressão séria de Ayaka ficou instantaneamente vermelha.

“M-Mãe! Eu tô tentando me concentrar! Não fala essas coisas, vou perder a contagem dos pontos!”

“Hehe, desculpa, desculpa.”

“Ai, sério…”

   Fazendo um biquinho adorável, Ayaka voltou ao tricô com Kiyoko.

   Enquanto Haruto observava a pacífica casa dos Tōjō com um sorriso, Shūichi entrou na sala com uma toalha sobre os ombros.

“Peguei o primeiro banho. Oh? Bem-vindo de volta, Haruto-kun.”

“Tô em casa, Shūichi-san.”

“Quer ir depois?”

   Enquanto perguntava, Ryōta puxou a mão de Haruto.

“Vamos juntos, Mano!”

   Com olhos brilhando, Ryōta puxava-o animado.

“Claro, vamos juntos.”

“Eba! Vou pegar minha arminha d’água!”

   Ainda cheio de energia, Ryōta saiu correndo da sala, e Haruto o seguiu em um ritmo mais tranquilo.

   Depois disso, Haruto aproveitou o banho com Ryōta. Depois de sair do banho, foi desafiado por Shūichi para uma partida de shogi. O resto da noite passou na atmosfera calorosa e agitada da casa dos Tōjō.

   Quando a noite avançou, todos começaram a se preparar para voltar aos seus quartos e se ajeitar para dormir.

   Haruto saiu silenciosamente do quarto que estava usando, o de Ryōta, e bateu de leve na porta do quarto de Ayaka.

“Haruto? Pode entrar.”

   Depois de ouvir a voz dela, Haruto entrou.

“Queria falar com você sobre o que aconteceu com a Shizuku hoje.”

“Tá bom.”

   Ayaka fez um aceno pequeno e sentou-se na cama, olhando para ele. Ele sentou ao lado dela.

“Você… ouviu umas coisas da Shizuku, né? Sobre mim…”

“É. Mas mesmo assim, ela disse que queria continuar sendo minha amiga.”

“Entendo…”

“A Shizuku-chan é muito forte. E legal também.”

“É, talvez.”

   Haruto soltou uma risadinha fraca e abaixou o olhar, enquanto Ayaka o observava com carinho.

“Vocês conseguiram conversar direitinho?”

“Acho que sim.”

“Fico feliz.”

   Ayaka sorriu suavemente. Ela confiava na amizade entre Haruto e Shizuku e não perguntou o que tinham conversado. Tocada por aquela confiança silenciosa, Haruto ergueu os olhos para encontrar os dela.

“Eu disse pra Shizuku que eu só amo você, Ayaka.”

   Ao ouvir isso, a expressão de Ayaka mudou de um jeito complexo.

   Um misto de felicidade pelas palavras dele e de preocupação por Shizuku apareceu em seu rosto. Ela olhou para os joelhos em silêncio por um momento antes de perguntar baixinho:

“O que a Shizuku-chan disse?”

“Ela disse que eu subi de nível — de imbecil desmiolado… para imbecil desmiolado e cretino.”

“Hehe, isso é tão Shizuku.”

“Pois é… Ei, Ayaka.”

“Hm?”

   Quando Haruto chamou seu nome, Ayaka inclinou a cabeça e encontrou seu olhar.

“Vamos aproveitar o domingo juntos. Vamos nos divertir — levar o Ryōta também.”

   Ayaka pareceu um pouco culpada por um instante antes de sorrir e concordar.

“Verdade! Vamos nos divertir o máximo possível no parque de diversões!”

   Tanto Ayaka quanto Haruto, que agora entendiam os sentimentos de Shizuku, sabiam que aproveitar o parque juntos no domingo era exatamente o que Shizuku mais queria.

   Ainda sorrindo, Ayaka se inclinou um pouco mais perto dele.

“A gente precisa planejar tudo. Senão vamos acabar desperdiçando o dia todo!”

“Hã? Planejar tudo?”

“Sim, tipo qual brinquedo a gente vai primeiro, onde vamos almoçar, essas coisas.”

“Hmm, é… bom ter um plano.”

“Exato! Também temos que calcular a perda de tempo caso o Ryōta precise ir ao banheiro do nada, e como recuperar depois. Ou e se o brinquedo principal estiver mais cheio do que o esperado? Ou completamente vazio? E não esquece do fluxo da multidão no desfile — precisamos simular isso!”

“Simular…? Tanto assim?”

   Sobrecarregado com o entusiasmo dela, Haruto deu um sorriso tenso.

“Claro! O reino mágico não perdoa!”

“Mas é um reino mágico…?”

“Justamente por isso!”

   Com um “hmph” determinado, ela começou a juntar informações freneticamente no celular. Haruto riu e se juntou a ela na pesquisa sobre o parque temático.

“Acho que vamos ter que pegar o primeiro trem… Tenho que falar com a Saki e com a Shizuku-chan também.”

“O Ryōta vai conseguir acordar?”

“Eu vou acordar ele!”

“Ahaha…”

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