SESSÃO 7
167 - Shizuku-chan Mk.2
"Para onde a Ayaka e a Shizuku foram?"
Na entrada, Haruto procurou pelas duas. Mas o saguão de entrada tinha apenas alguns estudantes indo para casa — não havia sinal de Ayaka ou Shizuku.
De repente, Ayaka disse que seria melhor se ela não fosse ao parque de diversões no domingo. Ao ouvir isso, Shizuku agarrou seu braço e a arrastou rapidamente, dizendo que precisavam conversar.
O jeito como as costas de Shizuku se moviam dizia claramente: "Não nos siga", e Haruto não teve coragem de ir atrás delas imediatamente.
"O parque de diversões no domingo... O que a Ayaka estava pensando?"
Haruto tentou relembrar o comportamento dela nos últimos dias, tentando descobrir por que ela diria uma coisa dessas.
"Não acho que tenha tido nada estranho… embora, talvez ela estivesse um pouco distraída às vezes?"
Em casa, ela parecia normal. Mas pensando agora, tinham existido momentos em que ela parecia carregando algum peso.
"Se ela está preocupada numa hora dessas… só pode ser sobre a Shizuku e o Kazu-senpai..."
Ele trocou os sapatos de rua pelos sapatos internos e encostou na parede do saguão, perdido em pensamentos.
Ayaka tinha uma personalidade muito gentil. Talvez estivesse pensando demais sobre a situação entre Shizuku e Ishikura por conta dessa gentileza.
"Mas mesmo assim… a expressão dela parecia séria demais para ser só isso..."
Ela era alguém que amava romance a ponto de sua estante estar entupida de mangás e romances românticos. Ela não era do tipo que zombava das amigas por causa de romance, mas mesmo assim, aquela expressão era pesada demais.
"Hmm… realmente não entendo..."
Haruto franziu as sobrancelhas, preso em um enigma sem solução.
Nesse momento, uma professora carregando uma grande caixa de papelão nos dois braços se aproximou.
"Oh! Otsuki, indo para casa? Se você não estiver com pressa, poderia me ajudar a carregar isso?"
"Ah… tudo bem, eu posso ajudar."
"Sério? Isso me ajuda muito."
Haruto hesitou por um segundo, ainda preocupado com Ayaka e Shizuku. Mas ele não fazia ideia de onde elas tinham ido, e ficar ali parado sozinho não resolveria nada.
Decidindo isso, ele aceitou ajudar.
"Então, Otsuki, pode levar esta caixa para a sala de preparação de física? Eu vou levar esta para o laboratório de biologia."
"Entendi."
"Obrigada. Ah, e a sala já está aberta, então pode deixar a porta aberta depois que entregar a caixa."
"Certo."
Sorrindo para o “Muito obrigada” da professora, Haruto carregou a caixa em direção à sala de preparação de física.
Mas assim que ele chegou à sala e estava prestes a abrir a porta, ouviu vozes vindo de dentro.
"A preocupação da Ayaka-senpai é só satisfação pessoal. Sim, eu gosto do Haru-senpai. Isso não mudou. Mas a Ayaka-senpai não vai terminar com ele. Então, não importa o que aconteça, a Ayaka-senpai vai acabar me machucando."
"Mas… eu não quero machucar alguém que é tão importante para mim..."
"Eu odeio esse jeito de pensar. Mesmo que a Ayaka-senpai acabe me machucando, eu acho que é assim que tem que ser."
No momento em que ouviu aquela voz, Haruto congelou.
Não havia como se enganar — aquelas vozes eram de Shizuku e Ayaka.
E a conversa incluía algo que o chocou profundamente.
"A Shizuku… gosta de mim...?"
A mente de Haruto ficou em branco, seus pensamentos um caos.
Talvez fosse só uma das brincadeiras costumeiras da Shizuku. Mas não — ele descartou isso imediatamente.
Eles se conheciam desde crianças. Haruto conseguia dizer, só pelo tom, se Shizuku estava brincando ou falando sério. E a voz dela agora era claramente séria.
Mas quando isso começou? Por quê? O que desencadeou isso?
Cada vez mais perguntas inundaram sua mente.
Então, a voz firme e clara de Shizuku ecoou novamente.
"Humph! Escuta aqui, Aya-senpai. Eu gosto do Haru-senpai. E estou abalada porque o Kazu-senpai se declarou pra mim. Mas esses são problemas meus. Se eu ficar sobrecarregada e precisar de ajuda, eu vou te mandar um SOS. E vou reclamar sem parar. Até lá, eu quero que você só sente quietinha e observe. É isso que estou pedindo. Mensagem encerrada!"
"Entendi. Quando você mandar esse SOS, eu estarei pronta para te ouvir — não importa o que seja."
Parecia que estavam terminando a conversa.
Passos se aproximaram da porta.
Haruto não conseguia se mexer. Continuou ali parado, segurando a caixa.
A porta deslizou. Ayaka e Shizuku saíram.
Os olhos de Ayaka se arregalaram quando viram Haruto, e ela congelou.
Logo atrás, Shizuku fez o mesmo, encarando Haruto. Então murmurou baixinho:
"...Haru-senpai… Você ouviu a gente?"
Voltando à realidade, Haruto se curvou apressado.
"D-Desculpa! A professora pediu pra eu trazer uns materiais, e eu ouvi as vozes de vocês lá de dentro—"
"Desde quando?"
Shizuku o interrompeu.
Sua voz estava plana, forçada e ligeiramente trêmula.
"Desde quando você começou a ouvir a gente, Haru-senpai?"
"Aquela parte sobre a preocupação da Ayaka ser satisfação pessoal… Desculpa, Shizuku. Eu não queria escutar—"
"Haru-senpai!"
Shizuku interrompeu de novo.
Olhando um pouco para baixo, seu rosto estava ainda mais inexpressivo que o normal ao falar:
"Me paga um ramen."
Então ela virou para Ayaka.
"Ayaka-senpai. Só por hoje, me empreste o Haru-senpai. Eu não vou roubar ele."
"T-Tá."
Sentindo suas emoções, Ayaka deu um grande aceno afirmativo.
"Então, Haru-senpai, me paga um ramen. Sem discussões. Você vai me tratar."
"...Tudo bem. Ayaka, desculpa pedir isso, mas pode avisar a vovó que eu não volto pra jantar?"
"Claro. Eu aviso a Kiyoko-san."
Haruto partiu com Shizuku em direção a uma loja de ramen.
Enquanto caminhavam, Shizuku andava claramente mais rápido que o normal, e Haruto a seguia em silêncio. Ele não podia perguntar para onde estavam indo — não havia espaço para conversa.
Em sua mente, as palavras de Shizuku ecoavam repetidamente.
"Eu gosto do Haru-senpai."
Ele não tinha percebido os sentimentos dela.
Sem perceber, acabou se apaixonando por Ayaka. Começou a namorar com ela. E não tinha nenhum arrependimento quanto a isso. Mesmo se soubesse dos sentimentos de Shizuku, ainda assim teria se apaixonado por Ayaka e desejado ficar com ela.
Haruto reavaliou seus próprios sentimentos e reafirmou seu amor por Ayaka. Ao mesmo tempo, um peso enorme de culpa por Shizuku o oprimia.
Ele nunca quis machucá-la. Mas por não saber de seus sentimentos, quanto sofrimento ele havia causado?
Ele olhou para a garota que sempre estivera ao seu lado desde a infância.
Ainda em silêncio, os dois chegaram à loja de ramen.
Shizuku apontou para a cortina da loja com uma expressão neutra.
"Eu quero comer aqui."
Era o mesmo lugar que tinham visitado nas férias de verão.
O mesmo lugar onde ela descobriu sobre a “prática de relacionamento” dele com Ayaka e o repreendeu por isso — e também expôs seus sentimentos por Ayaka.
"Certo. Vamos entrar."
Depois de olhar a cortina, Haruto assentiu e entrou.
Diante da máquina de tickets, ele perguntou a Shizuku:
"O que você vai pedir?"
"...Eu não vou pegar leve. Tudo bem?"
"Sim. Pode pedir o que quiser."
"Entendido. Então eu não vou me segurar."
Shizuku escolheu um ramen de nível premium, acima do tipo comum. Naturalmente, também pegou o tamanho grande.
Sem hesitar, adicionou todos os toppings disponíveis — chashu, nori, ovo temperado, espinafre, alho-poró fatiado, ovo de codorna — e completou com gyoza e arroz.
Vendo o valor total, Haruto deu uma risadinha amarga, escolheu um ramen de chashu para si e inseriu o dinheiro.
Sentaram-se lado a lado no balcão com os tickets na mão.
O atendente que veio recolhê-los arregalou os olhos ao ver o pedido de Shizuku.
"Ah… alguma preferência para o ramen?"
"Macarrão firme, caldo forte, óleo extra."
Shizuku respondeu rápida e firmemente.
"Pra mim também — macarrão firme e caldo forte."
Depois de fazer o pedido, Haruto se levantou para pegar água para os dois na área de autoatendimento.
"Aqui, sua água."
"Obrigada."
Shizuku aceitou, então encarou o copo.
"...Haru-senpai, você lembra? De eu brigando com você aqui?"
"Lembro. Você ficou brava comigo por eu não entender nada sobre garotas."
"E eu também te chamei pela primeira vez de imbecil desmiolado e insensível aqui."
"Agora que você falou, é verdade."
Foi nessa loja que Shizuku lhe disse que Ayaka só tinha sugerido prática de relacionamento porque queria que ele a visse como uma garota.
Pensando bem, Haruto não podia negar o quanto Shizuku estava certa.
"Honestamente, você é um caso perdido, Haru-senpai."
"...Sim. Desculpa."
"Você não precisa pedir desculpa. Você é um imbecil desmiolado e insensível, mas você não fez nada de errado."
"...Certo."
"Exato."
Não muito depois, o ramen deles chegou, e os dois começaram a comer em silêncio.
Haruto sorveu alguns noodles e lançou um olhar para Shizuku.
Ela devorava o ramen grande com todos os toppings com foco absoluto, só parando para enfiar arroz e gyoza.
Vendo-a comer com tanta energia, Haruto suavizou o olhar, depois voltou ao seu próprio rámen.
Eventualmente, quando os dois estavam quase terminando, Shizuku murmurou uma pergunta:
"...Haru-senpai?"
"Hm?"
"E se... e se, naquela época, eu tivesse..."
Ela começou a dizer algo, mas fechou a boca no meio e encarou silenciosamente o restante do caldo da tigela.
Alguns segundos de silêncio se passaram. Então Shizuku finalmente falou de novo.
"Se eu tivesse me confessado naquela época… o que você teria feito, Haru-senpai?"
Perguntado de forma calma e suave, Haruto fechou os olhos gentilmente.
Por trás das pálpebras, memórias de Shizuku começaram a desfilar como um slideshow.
Shizuku, que ele conhecia desde a infância.
O vínculo deles com Ishikura era como o de irmãos. Para Haruto, que havia perdido os pais, eles se tornaram pessoas preciosas e insubstituíveis.
Para Haruto, Dōjima Shizuku era alguém especial.
Ela era uma amiga próxima que ele conhecia há anos, alguém com quem podia relaxar. A relação deles era mais como família.
Ela era como uma irmãzinha querida para ele.
Haruto abriu lentamente os olhos e se virou para encarar Shizuku ao responder.
"Naquele momento, eu já tinha me apaixonado pela Ayaka. Eu estava apaixonado por ela, então…"
Shizuku era importante e especial para ele. Mas esses sentimentos eram parecidos com os que alguém tem por família.
Ele a amava de certa forma, e tinha consciência disso — mas não era amor romântico.
Era claramente diferente do afeto que sentia por Ayaka.
"Provavelmente eu não teria conseguido responder aos seus sentimentos. A pessoa que eu amo… é a Ayaka. É só a Ayaka."
Haruto declarou claramente.
Porque Shizuku era importante para ele, ele a olhou nos olhos e disse isso com clareza.
Disse com convicção, sem deixar espaço para outras interpretações.
Shizuku, recebendo as palavras de Haruto, o encarou por um instante com uma expressão impossível de ler, seus pensamentos ocultos.
Então, ela abriu um sorriso largo.
"Você cresceu, Haru-senpai. Subiu de imbecil desmiolado… para imbecil desmiolado e cretino."
"Obrigado."
Haruto sorriu suavemente e agradeceu.
Depois de terminarem o ramen, os dois saíram da loja.
"Ufa, estou cheia," disse Shizuku, esfregando a barriga com satisfação.
"Obrigada pela refeição, Haru-senpai."
"De nada. O ramen daqui é muito bom — quer vir de novo com todo mundo da próxima vez?"
"Hm? Não deveríamos manter este lugar como o nosso ponto secreto de encontro?"
Shizuku soltou sua piada habitual, fazendo Haruto rir sem jeito.
"Que tipo de encontro secreto? A Ayaka ficaria brava."
"Sabe, você devia aproveitar enquanto ela ainda fica brava com você."
"Para com isso. Você tá parecendo alguém à beira de um divórcio tardio."
Vendo Shizuku agindo como sempre, Haruto sorriu e acompanhou suas brincadeiras.
Shizuku deu um pequeno aceno e olhou para o céu.
"Respirar o ar de fora depois de comer um ramen gorduroso realmente é diferente."
"É mesmo."
"...Haru-senpai, posso te pedir um favor?"
"Claro."
"Então… tensiona os abdominais por um segundo."
"Hã? Ah, tudo bem."
Haruto seguiu a instrução e contraiu os músculos do abdômen.
"Tensionou?"
"Sim."
"Ok — lá vou eu."
Com isso, Shizuku soltou um sopro leve: "Fuu…"
De repente, toda a aura dela mudou. Sentindo isso instintivamente, Haruto se preparou e firmou os músculos.
Com um movimento rápido como um raio, Shizuku assumiu uma postura de combate e lançou um golpe preciso com a intensidade de uma mestra do karatê.
"Explosão Shizuku!!!"
"Guh!"
Com o grito de um golpe especial misterioso, o soco de Shizuku atingiu em cheio os abdominais de Haruto.
Graças ao aviso prévio, Haruto conseguiu receber todo o impacto da "Explosão Shizuku".
Mesmo assim, Shizuku praticava karatê desde criança, e seu soco carregava um poder sério.
Segurando o estômago com as duas mãos, Haruto se curvou no lugar.
"Ugh… como esperado de você, Shizuku. Ainda dói pra caramba…"
Eles tinham parado de praticar karatê juntos quando chegaram ao ensino fundamental, por causa da diferença de tamanho.
Agora, depois de tanto tempo, Haruto se viu elogiando o golpe dela.
Shizuku ficou de pé, estufando o peito com orgulho.
"A partir deste momento, renasci! Agora sou a Shizuku-chan Mk.2 Nascida de Novo!"
"Shizuku-chan Mk.2?"
Segurando o estômago, Haruto inclinou a cabeça diante da declaração estranha.
"Isso mesmo! Minha missão é derrotar o terrível e poderoso Rei Demônio!"
Então, ela estendeu a mão direita em direção a Haruto.
"Para derrotar o Rei Demônio, vou precisar de companheiros. Haru-senpai, você se tornaria meu aliado nessa batalha épica?"
Haruto, segurando a dor, abriu um sorriso.
"Claro. Vou te seguir para onde você for, minha heroína."
"Fufu. Então estou contando com você."
Ao apertarem as mãos, trocaram um firme aperto de amizade.
"Ah, e só pra avisar, eu não sou uma heroína. Sou a Shizuku-chan Mk.2."
"Hã? Mas quem luta contra o Rei Demônio geralmente é a heroína, né?"
"Não. Sou a Shizuku-chan Mk.2."
"...Você realmente não vai ceder nisso, né?"
"Nem pensar."
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