SESSÃO 7
159 - Saki e Shizuku
159 - Saki e Shizuku
Saki e Shizuku chegaram ao terraço e se sentaram lado a lado em um banco perto da grade.
"Phew, na luz direta do sol, fica bem quente mesmo," disse Saki, sombreando os olhos com uma mão enquanto olhava para o céu.
Ao seu lado, Shizuku semicerrava os olhos contra o sol, voltando seu olhar inexpressivo para Saki.
"Esse calor no meu corpo é resultado do crescimento dos meus sentimentos por você, Saki-senpai."
"Tá, tá, aventura, aventura," respondeu Saki displicentemente, abrindo o bentô que trouxera e colocando-o no colo.
"Oh, hoje tem camarão frito!"
"Hmph, você simplesmente ignorou meu pathos apaixonado, não foi?"
"Shizuku-chan, seu pathos são tão intensos que, se eu os encarasse de frente, eu queimaria."
"Hmm, suponho que eu seja mesmo uma mulher pecaminosa."
Parecendo satisfeita consigo mesma, Shizuku colocou seu próprio bentô no colo, imitando Saki.
"Oh, seu bentô parece muito bom, Shizuku-chan."
"Estas são asinhas de frango cozidas agridoces."
A voz de Shizuku carregava um leve traço de felicidade com o elogio.
"Eu troco uma por seu camarão frito. Que tal?"
"Feito."
Aceitando a proposta, Saki pegou um camarão frito com os hashi e colocou-o sobre o arroz de Shizuku. Vendo isso, Shizuku declarou: "Negócio concluído", e entregou uma de suas asinhas em troca.
Saki deu uma mordida na asa agridoces e sorriu de alegria.
"Mmm~ é tão macia e deliciosa!"
"Minha mãe insiste que a panela de pressão é a maior invenção da humanidade."
"Haha, sua mãe exagera. Mas tenho que admitir, isso aqui realmente merece entrar para a história."
"Hmm, o camarão frito de Saki-senpai também é bem impressionante."
"Pois é? Acho que minha mãe fritou hoje de manhã."
"Fritar de manhã… Sua mãe é uma super-humana?"
Shizuku arregalou um pouco os olhos, surpresa, encarando o bentô de Saki.
Saki riu, divertida.
"Às vezes, minha mãe exagera muito na preparação dos bentôs. Acontece mais quando ela teve plantão noturno."
"Então seus pais trabalham?"
"Sim. Meu pai tem um emprego de escritório comum, e minha mãe é enfermeira."
"Entendo, uma enfermeira. Isso explica por que você é tão boa em cuidar dos outros, Saki-senpai."
"Sou mesmo tão boa assim?"
"Sim. Eu poderia até chamá-la de 'Saki, a Irmã Mais Velha'."
"Haha, eu preferia que você não fizesse isso."
Saki riu, um pouco envergonhada, e continuou comendo.
Por um tempo, as duas comeram em silêncio.
Então, quando Saki terminou seu último camarão frito, ela falou:
"Shizuku-chan, por que você resolveu se aproximar da Ayaka?"
Os ombros de Shizuku estremeceram levemente com a pergunta. Ela parou, colocando a ameixa em conserva de volta sobre o arroz.
"A Aya-senpai pediu para você descobrir?"
"De jeito nenhum. A Ayaka nunca pediria algo assim. E mesmo que pedisse, eu diria para ela perguntar diretamente a você."
"Então essa é sua própria pergunta, Saki-senpai?"
"Claro."
Saki assentiu firmemente. Shizuku manteve o olhar vazio enquanto encarava a ameixa em seu bentô.
"……"
"Você gosta do Otsuki-kun, não gosta?"
Ao ouvir a insistência de Saki, Shizuku soltou um pequeno suspiro.
"Você não ouviu isso da Aya-senpai, ouviu?"
"Não. Isso foi só um palpite. Mas quando eu confirmei com a Ayaka, a reação dela deixou tudo óbvio."
"A Aya-senpai não consegue manter uma expressão neutra."
"Haha, ela ficaria irritada se ouvisse isso. Provavelmente diria: 'Eu consigo sim manter uma cara séria!'"
"De fato."
Com as palavras de Saki, o canto da boca de Shizuku se levantou quase imperceptivelmente antes de voltar ao normal. Então ela falou com uma voz lenta e cuidadosa.
"A razão pela qual quero ser amiga da Aya-senpai… é simplesmente porque ela é uma boa pessoa."
"E esse é o único motivo?"
Com a pergunta de Saki, Shizuku ergueu o olhar e a encarou.
"É pra existir outro motivo para querer ser amiga de alguém?"
"Você tem razão. Desculpa."
Aceitando as palavras de Shizuku, Saki assentiu e se desculpou. Vendo isso, Shizuku voltou o olhar ao bentô.
"…No começo, eu até pensei em avaliar a 'gata ladra' que roubou o Haru-senpai de mim."
Ela continuou falando enquanto cutucava a ameixa com os hashi.
"Se a Aya-senpai tivesse se revelado uma raposa irritante que seduziu Haru-senpai com seus seios desnecessariamente grandes, eu teria colocado ela no lugar com meu Super Ultra Especial Estalo na Testa da Shizuku. Mas… a Aya-senpai acabou sendo apenas uma boa pessoa com seios desnecessariamente grandes."
"Seios desnecessariamente grandes, hein…"
Saki riu das leves faíscas de ressentimento nas palavras de Shizuku.
"Se uma 'gata ladra' acaba sendo uma gatinha adorável, é natural querer brincar com ela, não acha?"
"Entendo."
Saki assentiu e cruzou os braços, pensativa.
"Ainda assim… por mais fofa que uma gatinha seja, uma 'gata ladra' ainda é uma 'gata ladra', não é?"
"Isso pode ser verdade, mas…"
"Sinceramente, não dói estar perto da Ayaka e do Otsuki-kun quando eles estão juntos?"
"Isso… não é… verdade."
Pela primeira vez, a resposta de Shizuku não veio com sua costumeira convicção. Ela baixou a cabeça, a voz hesitante.
Saki percebeu o conflito interno se debatendo dentro dela.
"Não seria mais fácil apenas decidir não gostar da Ayaka?"
"De jeito nenhum."
Shizuku levantou a cabeça imediatamente para negar. Embora seu rosto permanecesse inexpressivo, havia indignação em sua voz.
"É verdade que sinto um pouco de ressentimento por ela ter tirado Haru-senpai de mim. Não vou negar isso. Mas, no fundo, foi minha própria fraqueza que causou tudo. Eu que nunca tive coragem de confessar meus sentimentos."
Seus olhos afiaram-se ao colocar seus pensamentos em voz alta.
"A Aya-senpai teve coragem de dar um passo adiante em seu relacionamento com Haru-senpai. Eu não consegui. Não vou negar que sinto ciúmes. Mas odiá-la por isso seria desprezível. A coragem dela é algo a ser admirado, não um motivo para ressentimento."
Mesmo falando assim, seu rosto continuava imóvel.
Mas para Saki, parecia que Shizuku estava se esforçando para acreditar no que dizia.
"A Aya-senpai é uma boa pessoa. Mesmo quando eu a provoco, ela só fica atrapalhada, mas continua gentil. Ela é uma senpai com quem eu quero genuinamente ser amiga."
"Shizuku-chan… isso foi bem legal da sua parte."
"Hm?"
"Essa forma de pensar é admirável. Eu não sei se conseguiria fazer o mesmo."
"…Você se apaixonou por mim? É o início de um dramático romance yuri?"
Saki explodiu em risada com a piada de Shizuku.
Enquanto isso, Shizuku, mastigando uma ameixa, comentou: "Meu charme pode abrir uma nova porta para você, Saki-senpai."
"Nah, acho melhor manter essa porta fechada," respondeu Saki com um sorriso, terminando seu bentô.
"Enfim, mudando de assunto—que tipo de pessoa o Kazuaki-senpai é para você?"
"Kazu-senpai?"
Shizuku juntou as mãos em agradecimento após terminar a refeição e então encarou Saki casualmente.
"É sobre a confissão dele?"
"Sim. Se quiser dizer que não é da minha conta, tudo bem."
"Não é isso."
Ela balançou a cabeça e olhou para o céu.
"O Kazu-senpai é… uma pessoa muito encantadora, acho."
"Oh? Então existe uma possibilidade?"
Saki inclinou-se para frente, surpresa com a resposta positiva.
"Bom… não tenho certeza."
"Algo está te segurando?"
"O Kazu-senpai certamente é uma pessoa incrível. Isso é verdade. Mas, para mim, ele é…"
"Ele é…?"
Vendo Shizuku hesitar, Saki a estimulou a continuar.
Depois de uma breve pausa, Shizuku falou, a voz um pouco incerta:
"O Kazu-senpai é… como um irmão mais velho para mim."
"Ahh, agora entendi."
Saki assentiu com compreensão ao notar o leve rubor no rosto normalmente neutro de Shizuku.
"O Kazu-senpai é um irmão mais velho confiável e gentil. Então nunca pensei nele como namorado…"
"Certo, você gosta dele como irmão, então não consegue vê-lo como parceiro. É isso?"
"...Sim."
Shizuku assentiu levemente, e Saki se recostou no banco com um som pensativo.
Shizuku e Ishikura se conheciam desde pequenos, treinando juntos no mesmo dojo de karatê desde que tinham memória.
O vínculo deles era extremamente forte. Mesmo não sendo irmãos de sangue, Ishikura havia se tornado como um irmão mais velho real para Shizuku. Quando esse tipo de relação se estabelece, enxergar o outro como interesse romântico se torna difícil.
Foi quando Saki percebeu algo.
Talvez o motivo de Haruto nunca ter notado os sentimentos de Shizuku fosse a proximidade excessiva entre eles. Assim como Ishikura era um "irmão mais velho" para Shizuku, para Haruto, Shizuku devia ser como uma irmãzinha. Isso explicaria por que ele nunca percebeu seus sentimentos.
Saki sentiu uma súbita clareza. Embora Haruto não fosse particularmente desatento com Ayaka, ele era completamente cego aos sentimentos de Shizuku. Agora, ela entendia o porquê.
"É aquele problema de estar perto demais," murmurou para si mesma.
Shizuku falou em uma voz baixa.
"Eu tenho medo… de que meu relacionamento com o Kazu-senpai mude."
"Sim, faz sentido."
Saki assentiu repetidamente.
Ter alguém que sempre foi um irmão mais velho confiável se tornando de repente um namorado — era uma mudança enorme. Sentir incerteza e medo era completamente natural.
Saki simpatizava, mas também queria incentivá-la.
"Eu sei que o que vou dizer pode parecer irritante agora," começou, olhando para Shizuku,
"Mas você não acha que… precisa de um novo amor?"
"Está dizendo que devo esquecer o Haru-senpai?"
"Bem, resumidamente, sim. Pode soar duro. Mas quanto mais você se apegar ao Otsuki, mais vai doer. E mesmo que agora você esteja bem com a Ayaka, em algum momento, a frustração vai crescer até você não aguentar mais. E, quando isso acontecer, você vai explodir, Shizuku."
Enquanto falava, Saki olhava para Shizuku com preocupação.
Shizuku baixou ligeiramente o olhar e murmurou com uma voz fraca: "Então será uma Explosão Shizuku."
"Parece até um golpe especial… mas sim, algo assim. Antes que chegue a esse ponto, seguir para um novo amor seria melhor para você, e também ajudaria a manter uma boa amizade com a Ayaka."
"Hmm…"
Ainda inexpressiva, Shizuku soltou um som pensativo.
Saki continuou gentilmente:
"Claro, eu sei que não é fácil. E sem ofensa ao Kazu-senpai, mas o fato de ele ter confessado agora… pode ser até uma boa oportunidade."
"Uma boa oportunidade…?"
Repetindo as palavras de Saki, Shizuku levantou devagar o olhar.
"Mas… isso não seria injusto com o Kazu-senpai? Parece que eu estou só usando ele…"
"Bem, sim. Mas ainda seria melhor do que causar uma 'Explosão Shizuku', não acha?"
"Acho que sim… Mas como eu deveria ver o Kazu-senpai como algo além de um irmão, e começar a considerá-lo como namorado?"
"É… esse é o maior problema."
Saki cruzou os braços, refletindo.
Mudar uma impressão formada ao longo de anos é difícil.
Especialmente quando a relação com Ishikura era tão sólida. Transformar essa visão e enxergá-lo como par romântico seria um enorme desafio.
Enquanto Saki tentava pensar em uma solução, Shizuku, que estava refletindo profundamente, de repente bateu as mãos.
"Um encontro. Quando o assunto é romance, tem que começar com um encontro."
"Um encontro? Com o Kazu-senpai?"
"Sim. Vou me forçar a fazer coisas de casal com o Kazu-senpai e destruir minhas noções prévias."
"Ohh, entendi."
Saki ficou impressionada com a ousadia de Shizuku.
"Mas ir a um encontro sozinha com ele logo de cara seria perigoso. Se o Kazu-senpai virar um lobo e tentar me atacar, seria ruim. Então vou começar convidando-o para um encontro triplo."
"Na verdade, isso é uma ótima ideia. Estar em grupo diminui a pressão."
Ao ser elogiada, Shizuku posou com as mãos na cintura e peito estufado.
O rosto continuava neutro, mas havia uma energia diferente no ar.
"Durante esse encontro, vou determinar se o Kazu-senpai é um samurai digno de mim."
"Isso aí, Shizuku! Então, hmm, quais são os outros dois casais desse encontro triplo?"
"O primeiro par é Haru-senpai e Aya-senpai."
"Ohh, vai incluir eles, hein?"
Considerando o estado emocional de Shizuku, Saki achou que seria melhor deixá-los de fora. Mas, para Shizuku, evitá-los não era opção.
"Certo, e o último par? Você tem algum amigo que toparia?"
Ao ouvir isso, Shizuku quebrou sua típica expressão neutra e olhou para Saki com um rosto confuso.
"O que você está dizendo? O último par é você e o Tomo-senpai, é claro."
"Eu e o Akagi?!"
Os olhos de Saki se arregalaram com a revelação inesperada.
"Espera aí. Eu não tenho esse tipo de relação com o Akagi."
"O que está dizendo? Vocês pareciam bem próximos no sábado."
"Aquilo foi diferente! Não foi um encontro — Akagi é só um amigo."
Ao ouvir Saki chamar Tomoya de "só um amigo", Shizuku estreitou os olhos.
"Você não vai ficar de fora, Saki-senpai. Se eu vou mergulhar no caos do romance, você vai junto."
Ela soltou uma risadinha maliciosa.
Saki forçou um sorriso.
"Ei, espera. Eu já disse, o Akagi e eu—"
"Você está com medo?"
A frase de Shizuku cortou sua fala.
"...Hã?"
"Será que você está com medo de convidar o Tomo-senpai para um encontro?"
"Não é que eu esteja com medo! É só que—"
"Saki-senpai está com medo! Ei, ei, ei! Saki-senpai está com medo! Ei, ei, ei!"
De repente, Shizuku começou a provocá-la com toda força.
Uma veia pulsou na testa de Saki enquanto ela tentava protestar.
"E—eu tô dizendo! Eu e o Akagi nem—"
"Saki-chaaaan! Tremendo igual um cervo bebê! Saki-chaaaan! Suas pernas estão tremendo! Saki-senpai está com medo! Ei, ei, ei!"
"Arghhhhh!!! TÁ BOM! Eu vou no encontro com o Akagi, ok?!"
Incapaz de suportar as provocações, Saki finalmente cedeu.
"Oh? Tem certeza? Não precisa se forçar se estiver com medo."
"Shizuku, você…"
A bochecha de Saki tremeu enquanto ela encarava Shizuku.
"Eu NÃO estou com medo! Eu posso chamar o Akagi para um encontro quando eu quiser!"
"É mesmo? Então está decidido — neste domingo, vamos todos ao parque de diversões para o encontro triplo."
Shizuku falou como se estivesse testando a determinação de Saki.
"Pode vir! E trate de convidar o Kazu-senpai de forma apropriada também! Nada de fugir!"
"Hmph. É claro. Convidar o Kazu-senpai para um encontro é tão fácil quanto ferver água com meu umbigo."
"Uh… isso parece bem difícil, na verdade."
[Almeranto: Como se faz isso? Kkkkk.]
"Hm?"
E assim, os preparativos para o encontro triplo deste domingo foram oficialmente iniciados.
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