SESSÃO 7
158 - Uma Conversa Difícil
Depois que a primeira aula terminou, começou o intervalo antes da segunda.
Tendo sido obrigados a lutar contra o sono e encarar equações logo na primeira aula após o recesso, os alunos, ansiosos para liberar a frustração acumulada, começaram todos a conversar com seus amigos ao mesmo tempo.
Em meio à sala animada, Saki se levantou de seu assento e foi direto até Ayaka, que estava sentada por perto.
"Ayaka."
"……"
"Heeey, Ayaka?"
"…Hã? Ah, o quê?"
Ayaka, que estava perdida em pensamentos, levou alguns segundos antes de virar o rosto na direção de Saki.
"Você estava bem pensativa. Estava pensando sobre esta manhã?"
"S-sim…"
Ayaka fez um pequeno aceno, sua expressão escurecendo enquanto ela abaixava o olhar.
"É sobre a Shizuku… Eu quero fazer algo por ela, mas acho que não consigo…"
"Hmm."
Saki cruzou os braços e observou a amiga preocupada antes de se inclinar para sussurrar, para que ninguém mais ouvisse.
"A Shizuku gosta do Otsuki, né? E você sabe disso?"
"Eh!? E-ei, a Shizuku te contou isso?"
"Não, só um palpite. Mas sua reação confirma."
Os olhos de Ayaka se arregalaram de surpresa, e Saki abriu um sorriso confiante.
"Como você percebeu?"
Ayaka parecia confusa.
Saki então mencionou a vez em que Ayaka se machucou na aula de Educação Física e foi levada para a enfermaria.
"Naquela época, você e a Shizuku ficaram próximas de repente, né? Vendo aquilo, imaginei que talvez vocês tivessem tido uma conversa sincera."
"Espera, você deduziu isso só por causa disso? Saki, sua intuição é afiada demais."
"Nem tanto. Naquele momento, só pensei que algo tinha acontecido. Mas depois de observar o comportamento da Shizuku, tudo começou a fazer sentido quando considerei a relação dela com o Otsuki."
Saki baixou a voz novamente, agora falando com confiança.
"Entendi… Isso é incrível, Saki."
"Claro, né? Mas não é hora de me gabar."
Saki fez uma cara presunçosa por um instante antes de voltar rapidamente ao tom sério.
"Você disse antes que queria fazer algo pela Shizuku, certo?"
"S-sim… Ela é uma amiga importante, afinal…"
"Claro."
Saki soltou um som pensativo antes de escolher bem as palavras.
"Querer ajudar uma amiga querida é natural, mas… para ser honesta, seu relacionamento com ela agora está meio estranho. No momento, talvez seja melhor não fazer nada."
"Estranho? Meu relacionamento com a Shizuku?"
"Sim. Quero dizer, é meio inacreditável que você e a Shizuku estejam tão próximas casualmente."
"Por causa do Haruto, né?"
Ayaka abaixou um pouco o olhar, com uma pitada de tristeza na expressão.
Saki assentiu.
"A Shizuku é muito madura e compreensiva, então as coisas ficaram complicadas, mas… vamos colocar assim. Imagine que eu estivesse namorando o Otsuki. Como você se sentiria?"
"…Eu nem quero pensar nisso. Seria insuportável."
"Exato. E então imagine eu, namorando o Otsuki, dizendo pra você: ‘O Kaito-senpai gosta de você, então vou te ajudar.’"
"Isso seria… horrível…"
Só de imaginar tal cenário, Ayaka fez uma careta profunda.
"Seria absolutamente horrível. Tipo um inferno, né? Mas é exatamente isso que você estaria fazendo se tentasse ajudar a Shizuku."
"Ugh… Então eu realmente não devo me envolver muito com a Shizuku?"
"Hmm, essa é a parte complicada."
Saki cruzou os braços e franziu a testa.
"Vamos usar meu exemplo de novo. Se eu estivesse namorando o Otsuki e me sentisse culpada por isso, então começasse a te evitar, como você se sentiria?"
"Isso… seria assustador. Como se nunca pudéssemos voltar a ser como antes…"
"Certo? Então, ajudar a Shizuku pioraria as coisas, mas evitá-la também não é a resposta."
"Então o que eu devo fazer…?"
Diante dessa pergunta impossível, Ayaka tombou para a frente em desespero.
Vendo a amiga daquele jeito, Saki falou com uma voz alegre.
"Bom, aquilo era só um exemplo entre nós duas. A situação da Shizuku é um pouco diferente. E além disso, o Kaito-senpai pra você e o Kazuki-senpai pra ela são casos completamente distintos, então nem tudo se aplica."
"Mas… ainda assim é melhor eu não tentar ajudar a Shizuku, né?"
"É. Honestamente, talvez ela nem precise de ajuda. Se o Kazuki-senpai não sente nada por ela, então não há nada a ser feito, certo?"
"Acho… que isso é verdade…"
"Em outras palavras, precisamos descobrir o que a Shizuku sente antes de fazer qualquer coisa."
Assim que Saki disse isso, um grupo de garotas se reuniu ao redor da mesa de Ayaka.
Vendo isso, Saki rapidamente encerrou a conversa.
"Certo então, vou falar com a Shizuku hoje no almoço."
"Ok. Obrigada, Saki."
"Sem problema. Eu também quero ser amiga dela, afinal."
Enquanto Saki dizia isso, as colegas chegaram, e o assunto foi abandonado.
Após terminar as aulas da manhã, Saki pegou seu almoço e seguiu para as salas do primeiro ano.
Como uma veterana raramente visitava ali, os alunos do primeiro ano lançaram olhares curiosos e cautelosos em sua direção.
Sentindo os olhares, Saki continuou rumo ao seu destino.
"Deve ser esta. Agora, vamos ver se a Shizuku está aqui…"
Ela parou em frente à sala com a placa "1-C" e espiou para dentro.
Como o intervalo do almoço tinha acabado de começar, a sala ainda estava cheia, dificultando a visão.
Enquanto procurava, uma garota do primeiro ano se aproximou.
"Hum, você está procurando alguém?"
"Hmm? Ah, sim. A Shizuku ainda está na sala?"
Saki sorriu calorosamente para a garota e perguntou sobre Shizuku.
"Sim, ela ainda está aqui. Vou chamá-la pra você."
"Obrigada!"
Saki sorriu enquanto observava a garota se afastar.
Um momento depois, ela voltou puxando Shizuku pela mão.
Apesar de estar sendo arrastada, Shizuku permaneceu sem expressão ao falar de seu jeito estranho habitual.
"Maeda-san, eu entendo o seu desejo de uma viagem romântica comigo, mas já tenho alguém no coração."
"Não é isso! Uma veterana quer falar com você!"
"Você é cúmplice em um assalto? Eu vou revidar, sabia?"
"Ninguém está te assaltando! Só—olha! Essa veterana estava te procurando!"
"Hmm? Oh, Saki-senpai. O que a traz a este canto remoto da escola?"
Sem expressão, Shizuku inclinou a cabeça.
"'Canto remoto'…?" Saki riu de leve antes de ir direto ao ponto.
"Eu estava me perguntando se você gostaria de almoçar comigo hoje. O que acha?"
Shizuku encarou os olhos de Saki por alguns segundos antes de se virar para a garota que ela havia chamado de Maeda.
"Maeda-san, irei almoçar com a Saki-senpai. Por favor, permaneça forte mesmo que ela tente me roubar de você."
"Que tipo de bobagem é essa!? Obrigada, eu acho!?"
A garota, completamente atrapalhada pelas palavras estranhas de Shizuku, correu de volta para a sala.
"Haha, você continua tão peculiar quanto sempre, Shizuku."
Saki riu enquanto observava Shizuku acenar de forma vazia para a garota que se afastava.
"É difícil ser popular. Então, onde será nosso almoço apaixonado?"
"'Apaixonado', hein? Bem, eu preferiria que não nos vissem flertando, então que tal o telhado?"
"Oh-ho. Então vamos apreciar um almoço tão quente que até o sol vai corar."
"Haha! Pega leve comigo, ok?"
Rindo, Saki acompanhou as brincadeiras de Shizuku enquanto seguiam juntas em direção ao telhado.
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